USIM5 — Usiminas
Ação quase dobrou em 12m (+97%) num rali de fluxo gringo e ciclo, mas 2025 fechou com prejuízo de R$ 2,91 bi e EBITDA negativo — tese de turnaround de margem, sem carrego.
USIM5 — Usiminas
1. A empresa
A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (USIM) é uma das maiores siderúrgicas integradas do Brasil — setor Materiais Básicos / Siderurgia e Metalurgia, listada no Nível 1 de governança (CNPJ 60.894.730/0001-05, sede em Belo Horizonte/MG, ações na B3 desde 1994). O controle é privado e estrangeiro: o bloco Ternium / Tenaris (grupo Techint) via Ternium Investments, Confab Industrial e Prosid detém 75,86% do capital votante (controlador + acordo de acionistas) e 43,48% do capital total. A estrutura tem três tickers — USIM3 (ON), USIM5 (PNA, a líquida) e USIM6 — com capital de 167,7 mi de ON e 518,3 mi de PN (686,1 mi de ações no total).
2. Preço & desempenho
O gráfico de 12 meses é uma escalada quase ininterrupta de R$ 4,04 (jun/25) até a máxima de 52 semanas em R$ 12,18 (02/06/2026), seguida de uma correção forte. Em 26/06 fechou a R$ 8,27, já −32,1% da máxima e em drawdown de −31,3% do pico recente. A leitura de retornos resume o duplo tempo do ativo:
| Horizonte | Retorno | Leitura |
|---|---|---|
| 1 dia | −2,7% | 2º dia de baixa |
| 5 dias | −9,8% | realização em curso |
| 21 dias | −19,2% | correção do rali |
| 63 dias | +21,3% | tendência média ainda positiva |
| 126 dias | +39,7% | — |
| 252 dias | +96,9% | quase dobrou em 12m |
| YTD | +39,0% | — |
Risco elevado: vol realizada anualizada de ~55% (21d e 63d), bem acima da média histórica de 44% (252d). Beta vs IBOV de 0,97 em 252d (mas só 0,76 em 63d, com correlação fraca de 0,22 — o movimento recente foi mais idiossincrático/commodity que de índice). No horizonte longo, atenção: em 5 anos a ação ainda acumula −46% e está −57% da máxima histórica de R$ 19,36 (mai/2021). É um papel de ciclo, não de composição.
3. Resultados (5 anos) — a deterioração
A série da CVM conta a história do superciclo do aço e sua ressaca. O auge foi 2021: receita de R$ 33,7 bi, EBITDA de R$ 12,5 bi (margem 37%), lucro de R$ 10,1 bi e ROE de 41%. De lá pra cá foi compressão contínua de margem até o resultado virar negativo:
| Ano | Receita | EBITDA | Marg. EBITDA | Lucro líq. | ROE | Dív.líq/EBITDA |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2021 | R$ 33,7 bi | R$ 12,5 bi | 37,0% | R$ 10,06 bi | 41,3% | ~0,0× |
| 2022 | R$ 32,5 bi | R$ 3,57 bi | 11,0% | R$ 2,09 bi | 8,1% | 0,92× |
| 2023 | R$ 27,6 bi | R$ 1,86 bi | 6,7% | R$ 1,64 bi | 6,2% | 0,32× |
| 2024 | R$ 25,9 bi | R$ 1,73 bi | 6,7% | R$ 3,4 mi | 0,0% | 0,91× |
| 2025 | R$ 26,3 bi | −R$ 89 mi | −0,3% | −R$ 2,91 bi | −12,3% | −14,0× |
2025 foi o pior da série: receita praticamente de lado (+1,5% a/a), mas o EBITDA virou negativo e o prejuízo de R$ 2,91 bi destruiu 12% do patrimônio. A margem bruta caiu a 8,3%, o EBIT foi −R$ 1,36 bi e ainda houve R$ 1,43 bi de impostos pesando. Ponto positivo: o balanço segue sólido — caixa de R$ 5,14 bi, dívida líquida baixa de R$ 1,25 bi, alavancagem dívida/PL de apenas 0,27× e liquidez corrente de 4,1×. A geração de caixa operacional voltou (FCO de R$ 2,18 bi em 2025), o que sustenta a empresa apesar do prejuízo contábil. O 1T26 já mostrou virada na siderurgia: EBITDA siderurgia ajustado de R$ 544 mi (+140% vs 4T25) — o mercado parece ter comprado essa inflexão.
4. Valuation — por que o DCF não é o caminho aqui
5. Proventos
Nada a distribuir. Sem geração de lucro em 2024–25, não há proventos pagos no período (dividend yield 12m efetivamente zero) e nenhum programa de recompra ativo. Para um papel que paga 0% num ambiente de CDI a 14,3%, o caso de investimento depende inteiramente de ganho de capital via recuperação cíclica — não há carrego. Quando/se a lucratividade voltar, a política de dividendos da Usiminas tende a acompanhar (histórico de payout relevante nos anos bons), mas isso é cenário futuro, não presente.
6. Fluxo de players — quem comprou o rali
O fluxo EOD por corretora (PN, USIM5) é nítido: o rali de 12 meses foi comprado por mesas estrangeiras e distribuído pelo varejo/local. No acumulado de 252 pregões:
| Corretora | Net R$ | Persist. |
|---|---|---|
| Goldman | +R$ 263 mi | 56% |
| UBS | +R$ 230 mi | 48% |
| JP Morgan | +R$ 180 mi | 55% |
| Morgan Stanley | +R$ 165 mi | 62% |
| Citigroup | +R$ 66 mi | 50% |
| Corretora | Net R$ | Persist. |
|---|---|---|
| XP | −R$ 365 mi | 44% |
| Necton | −R$ 108 mi | 51% |
| INTL | −R$ 105 mi | 32% |
| Genial | −R$ 98 mi | 43% |
| BTG | −R$ 45 mi | 48% |
O padrão se repete na janela curta (90 pregões), com Goldman (+R$ 255 mi, persistência 66%), UBS, Morgan e JP Morgan ainda comprando contra XP (−R$ 270 mi) e BTG (−R$ 86 mi). Ou seja: mesmo na correção recente, o dinheiro institucional estrangeiro seguiu acumulando — o que dá sustentação técnica à tese, mas vale lembrar o coeficiente preço/fluxo: quem acumulou comprou em preços bem mais baixos e a distribuição do varejo casou com o topo. Persistência alta da Goldman (66% dos dias comprando na janela curta) é o sinal de convicção mais forte da tabela.
7. Derivativos — Opções
Posição (25/06): OI de call de ~24,8 mi vs put de ~14,3 mi de contratos. PCR de OI em 0,575 e PCR de volume em 0,64 (percentis 34–39 do histórico) — mercado de opções com viés comprado/altista, mais call que put, posicionamento longe de hedge defensivo. As maiores posições abertas estão concentradas em calls de strike elevado.
IV ATM em 48,8%, IV rank 252d de 59 (percentil 75) — vol implícita ainda cara em termos históricos, mas já recuando do pico de ~60% no começo de junho. Prêmio vs vol realizada: −7pp — a IV está abaixo do que o papel efetivamente entregou de movimento (vol realizada 21d de 55,7%). Opções não estão "caras demais" contra o realizado recente, apesar do nível absoluto alto.
No vencimento de julho/26 o max pain fica em ~R$ 8,84, com parede de call em R$ 8,24 e put afastada — ímã ligeiramente acima do spot atual de R$ 8,27. Estrutura sugere magnetismo na zona R$ 8,2–8,8 no curto prazo. A queda recente puxou o spot abaixo dos strikes onde o grosso da posição altista foi montada.
8. Derivativos — Aluguel (BTB) & Termo
O short interest é relevante (12,4% das ações, 13,1% do free float), mas a dinâmica recente é de short covering: o estoque de aluguel caiu −21,8% em 5 dias e −11,5% em 21 dias. Quem estava vendido está recomprando para fechar posição — força compradora técnica que ajuda a explicar parte da resistência do papel apesar da realização. No horizonte de 63 dias, porém, o estoque ainda subiu +28%, então havia montagem de short na alta que agora está sendo desmontada. Taxa de aluguel baixíssima (0,06%) indica que não há escassez de doadores. Termo é irrelevante (notional de ~R$ 1,4 mi).
9. Liquidez & smart-money
ADTV de R$ 87,3 mi/dia (US$ 16,5 mi), 57ª ação mais líquida da B3 (percentil 90), share de 0,44% do mercado. Execução: ordens até R$ 500 mil são operáveis sem impacto; R$ 1 mi já pede cautela (1,15% do ADTV); R$ 5 mi têm alto impacto. Papel de boa liquidez para o tamanho.
2 sinais alinhados: insider comprando (compra de diretor, R$ 49 mil, mar/26) + short covering (aluguel −16,9% na janela). Sem recompra ativa e sem broker dominante isolado. Sinal bull moderado — sustentado mais pelo técnico (covering + fluxo gringo) que por gatilho fundamental.
10. CVM 44, acionistas & sinais corporativos
Insiders (12m): movimentação modesta e equilibrada — 3 compras e 3 vendas, net praticamente zero. Destaque para uma operação de controlador via Bradesco em fev/26 (compra e venda casadas de R$ 1,6 bi cada — provável reorganização/transferência intragrupo, não direcional) e pequenas compras de diretoria via XP a R$ 6,17–6,30. Conselho fiscal vendeu 4,4 mil ações em out/25. Nada que configure timing suspeito relevante.
Governança recente: nova diretoria estatutária eleita em mai/26 (Marcelo Rodolfo Chara como CEO, Diego García como VP de Finanças/RI), mandato até a AGO de 2028 — renovação da gestão sob comando Ternium. A companhia também alterou a moeda funcional para o dólar (fev/26), o que muda a leitura contábil de resultado e exposição cambial. CAPEX de 2026 já foi projetado em fato relevante.
Partes relacionadas: forte integração com o grupo controlador — R$ 7,2 bi em vendas para a controlada Soluções em Aço Usiminas, vendas para SIAT, Confab e Ternium, e compra de matéria-prima da Metal One. Operação comercialmente entrelaçada com o ecossistema Techint.
11. Agenda & contexto macro
Próximos eventos: ITR do 2º trimestre previsto para 31/07/2026, ITR 3T em 30/10. O resultado de julho será o teste da inflexão de margem que o 1T26 sinalizou.
Macro do setor: ambiente misto. A favor — produção de aço bruto no Brasil subiu 2,4% em maio (Aço Brasil) e há pressão por proteção tarifária; o dólar a R$ 5,17 ajuda a competitividade da exportação e o preço da placa. Contra — Selic em 14,25% (Focus projeta 14% à frente) e juro real alto encarecem o capital de uma empresa intensiva em ativos; IPCA a 4,72% e em leve alta; minério de ferro e a demanda chinesa seguem como variável-chave do custo/preço. Para uma siderúrgica alavancada em ciclo, o cenário de juro alto + câmbio depreciado é ambivalente: bom para receita exportada, ruim para o custo de carregar a operação.
12. Síntese — forças × riscos
- Balanço sólido: caixa R$ 5,1 bi, dívida líq. baixa (0,27× PL), liquidez 4,1×
- FCO positivo (R$ 2,18 bi) sustenta a empresa apesar do prejuízo contábil
- Inflexão de margem no 1T26 (EBITDA siderurgia +140% t/t)
- Fluxo gringo (Goldman, UBS, Morgan, JPM) acumulando consistentemente
- Short covering em curso dá sustentação técnica
- Boa liquidez (percentil 90) e controle estável Ternium
- Prejuízo de R$ 2,91 bi e EBITDA negativo em 2025
- Zero dividendo / zero recompra num CDI de 14,3% — sem carrego
- Já caiu −19% em 21 dias; −32% da máxima de 52s
- Vol realizada de 55% — papel de risco elevado
- Tese 100% dependente de normalização cíclica de margem
- Juro real alto pune empresa de capital intensivo e ROE negativo
- Em 5 anos ainda acumula −46%