TOTS3 — TOTVS S.A. | Relatório Técnico Completo

TOTVS: crescimento de ~15% a.a. e margens recorde, ação -30% do pico por medo da IA, valuation no fundo histórico e consenso comprador com 65-80% de upside.

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TOTS3 — TOTVS S.A. | Relatório Técnico Completo

29/05/2026
📊 TOTVS S.A. (TOTS3) — maior empresa de software de gestão (ERP) da América Latina. Companhia do Novo Mercado, controle privado/pulverizado, listada na B3 desde 2006. Este relatório consolida cadastro CVM, estrutura societária, fundamentos (5 anos + 1T26), proventos, recompras, insiders, fluxo institucional, derivativos e leitura técnica. Dados de preço/fluxo em tempo real de 29/05/2026; fundamentos da CVM (DFP 2025 / ITR 1T26).

1. Identificação e cadastro

CampoValor
Razão socialTOTVS S.A.
Ticker / ISINTOTS3 / BRTOTSACNOR8
CNPJ53.113.791/0001-22
Código CVM19992 (Categoria A, ATIVO)
Setor B3Tecnologia da Informação / Programas e Serviços
Segmento de listagemNovo Mercado (NM)
Controle acionárioPrivado (pulverizado)
SedeSão Paulo / SP
Listagem na B303/07/2006
Site RIwww.totvs.com.br

2. Estrutura de capital e acionistas

Capital social de R$2,96 bilhões, dividido em 599.401.581 ações ordinárias (capital autorizado de R$4 bi). Em circulação (free float ajustado por tesouraria): ~525,9 milhões de ações. Base acionária de 44.760 PF, 206 PJ e 1.180 institucionais. Empresa 100% ON (sem ações preferenciais). Houve desdobramento de 1:200 em abril/2020.

Principais acionistas (ref. dez/2026)

AcionistaTipo% TotalQtd ações
Free float / Outros67,51%404,8 mi
BlackRock, IncPJ — EUA10,01%60,0 mi
LC12 Participações (família Cosentino)PJ — Brasil8,45%50,7 mi
Canada Pension Plan Inv. BoardPJ — Canadá5,46%32,8 mi
Massachusetts Financial ServicesPJ — EUA5,07%30,4 mi
Ações em tesouraria3,30%19,8 mi
Laércio Cosentino (PF direto)PF — Brasil0,18%1,05 mi

Não há controlador definido nem acordo de acionistas — capital genuinamente pulverizado, com forte presença de investidores institucionais estrangeiros (BlackRock + CPPIB + MFS somam ~20,5%). O fundador Laércio Cosentino exerce influência via LC12 Participações (8,45%) e posição direta, presidindo o Conselho.

3. Governança e administração

Conselho de Administração com 7 membros, mandato até A.G.O. 2028. Presidente: Laércio José de Lucena Cosentino (fundador). Vice-presidente: Gilberto Mifano (independente). Maioria de conselheiros independentes (Ana Claudia Reis, Edson Nassar, Guilherme Stocco Filho, Isabella Wanderley, Tania Chocolat). Diretoria estatutária liderada pelo CEO Dennis Herszkowicz, com Gilsomar Maia Sebastião como DRI/CFO.

Vínculo familiar relevante: Marcelo Eduardo Sant'Anna Cosentino (VP de Negócios para os Segmentos, diretoria) é filho de Laércio Cosentino (presidente do Conselho).

Remuneração (ano fiscal 2025): Diretoria Estatutária ~R$59 mi (8 membros), com forte componente de ações (share-based ~R$24,6 mi) e bônus (R$19,8 mi); Conselho ~R$11 mi. Modelo de remuneração alinhado a longo prazo via stock-based.

4. Subsidiárias e participações

Controladas integrais (100%): TOTVS Tecnologia em Software de Gestão, TOTVS Large Enterprise, RD Gestão e Sistemas (RD Station — marketing digital), Soluções TTS. Controlada com 62,5%: Dimensa S.A. (JV de tecnologia para o mercado financeiro com a B3). Joint venture estratégica de 50%: TOTVS Techfin S.A. (com o Itaú, fechada em jul/2023) — braço de serviços financeiros embarcados, que aparece em diversas transações com partes relacionadas (contratos de software de 30 anos, compartilhamento de custos). Possui também operação internacional (Argentina, EUA).

Partes relacionadas: além da Techfin, há contratos com empresas ligadas ao fundador Laércio Cosentino (Mendelics Análise Genômica — 28,85%; Braincare — 3,2% indireto; GHT4), todos de baixo valor relativo (centenas de milhares de R$) e reajuste por IPCA/IGP-M.

5. Resultados anuais (DFP consolidado, 5 anos)

R$ mi20212022202320242025
Receita líquida3.2593.7934.4975.2245.772
Lucro bruto2.2262.6483.1363.6304.056
EBITDA7748779831.2041.464
Lucro líquido374523764735921
LPA (R$)0,640,821,221,211,52

Indicadores (DFP)

%20212022202320242025
Margem bruta68,369,869,769,570,3
Margem EBITDA23,723,121,923,025,4
Margem líquida11,513,817,014,116,0
ROE8,311,415,314,816,9
ROA3,84,98,78,69,7
Dív. líq./EBITDA-1,33-1,11-1,411,150,03

Trajetória de crescimento consistente: receita saindo de R$3,26 bi (2021) para R$5,77 bi (2025), CAGR de ~15% a.a. Em 2025: receita +10,5%, lucro líquido +25,2%, EBITDA +21,6%. Margens em expansão — margem EBITDA atingiu recorde de 25,4% e ROE de 16,9%, o melhor da série. Balanço saudável: dívida líquida de apenas R$50,6 mi (0,03x EBITDA), praticamente sem alavancagem na visão anual de 2025, liquidez corrente de 1,96. PL de R$5,44 bi. Geração de caixa operacional robusta (FCO de R$1,2 bi em 2025).

6. Resultado do 1º trimestre de 2026 (ITR)

Números do trimestre (ITR é YTD, mas 1T isolado): receita líquida de R$1,70 bi (+16,1% a/a), lucro bruto de R$1,22 bi (margem bruta recorde de 71,7%), EBITDA de R$454 mi (margem 26,75%, +24,9% a/a), e lucro líquido de R$232 mi (+15,7% a/a). A imprensa reportou lucro de ~R$252 mi e EBITDA ajustado de R$455 mi (margem ajustada recorde de 28,5%), com receita recorrente crescendo +18,5% — métrica vital para SaaS.

Ponto de atenção no balanço do 1T26: a dívida bruta saltou para R$9,73 bi e a dívida líquida para R$8,29 bi (18,3x EBITDA trimestral anualizado), com o ativo total indo a R$13,1 bi. Esse salto reflete a incorporação da Linx e a 6ª emissão de debêntures (R$3 bi, jan/2026). É um reposicionamento de estrutura de capital ligado a M&A, não deterioração operacional — mas a alavancagem subiu materialmente e merece monitoramento nos próximos trimestres.

7. Endividamento (debêntures)

EmissãoValorVencimento
5ª Emissão (simples)R$1,5 bi19/07/2031
6ª Emissão (simples)R$3,0 bijan/2026 (nova)

Saldo de debêntures de R$4,5 bi entre 5ª e 6ª emissões. A 6ª emissão (R$3 bi, jan/2026) foi o principal motor do aumento de alavancagem do 1T26, casando com a aquisição da Linx.

8. Proventos (JCP)

TOTVS paga Juros sobre Capital Próprio trimestralmente. Yield 12m acumulado de ~1,20% — perfil de empresa de crescimento (reinveste a maior parte do lucro), não de dividendos. Histórico recente:

TrimestreValor/açãoEx-datePagamentoYield
1T26R$0,1825/03/202610/04/20260,51%
4T25R$0,1715/12/202530/12/2025
3T25R$0,1523/09/202506/10/20250,33%
2T25R$0,1523/06/202507/07/20250,36%
1T25R$0,1424/03/202504/04/20250,42%

O JCP por ação vem crescendo de forma consistente (R$0,14 → R$0,18 por trimestre no último ano), acompanhando o crescimento de lucro.

9. Recompras de ações (buybacks)

Programa em andamento aprovado em 11/02/2026: até 20 milhões de ações (3,75% do circulante), válido até 12/02/2027, com BTG e Itaú como corretoras, objetivo de "maximizar geração de valor" e possibilidade de cancelamento. É a continuidade de um histórico recorrente de buybacks (programas anuais desde 2012). A empresa mantém 3,3% em tesouraria. Recompra ativa em meio à queda do papel sinaliza leitura da própria gestão de que a ação está descontada.

10. Movimentação de insiders (CVM 44)

Sinais de compra por insiders em meio à queda: Diretoria comprou 7.099 ações a R$35,21 (abr/2026, ~R$250 mil) e o Conselho comprou 25.900 ações a R$39,22 (fev/2026, ~R$1,0 mi). Houve também movimentações de empréstimo de ações pela Diretoria (700 mil ações via Itaú, em set-out/2025, a R$43-45) — operação de tesouraria pessoal, não venda definitiva. Posição declarada do Conselho/vinculados: ~51,4 mi de ações. O conjunto aponta insiders comprando perto das mínimas — sinal construtivo.

11. Preço e leitura técnica

TOTS3 fechou 2025 em ~R$42 e caiu ~27% em 12 meses / ~30% do pico de janeiro/2026, vítima do movimento "SaaSpocalypse" — o temor de que a IA generativa dispute o software tradicional de gestão. O papel chegou a R$30,35 (mínima de 19/05) e vinha lateralizado na faixa R$30,5–32,0. Hoje (29/05) explodiu +4,16%, fechando a R$33,07 — o maior destaque de alta do Ibovespa, com R$3,5 bi de giro e AVAT de ~20x (volume 20 vezes acima do normal). Rompeu a resistência dos R$32 com volume excepcional.

ReferênciaPreço
Fechamento 29/05 (hoje)R$33,07 (+4,16%)
Fechamento 28/05R$31,48
Mínima recente (19/05)R$30,35
Início de 2026~R$42
Pico jan/2026~R$47

12. Fluxo institucional por corretora

Acumulado do ano (02/01 a 28/05/2026 — EOD)

No acumulado de 2026, o papel girou R$12,0 bilhões (348 mi de ações, ~1,27 mi de trades), num intervalo de preço de R$30,29 a R$39,50. O retrato do fluxo institucional do ano é claro: o BTG é disparado o maior acumulador, com saldo líquido comprador de +R$1,02 bilhão (24% do lado comprador e 39% de todo o volume do ativo). Do outro lado, as casas estrangeiras foram as grandes distribuidoras — Goldman Sachs liderou a venda (-R$547 mi), seguida por Morgan Stanley (-R$390 mi).

CorretoraSaldo líquido (R$)Volume total (R$)Leitura
BTG+1,02 bi4,68 bi🟢 Maior acumulador do ano
Itaú+202 mi1,04 bi🟢 Comprador
Ágora+132 mi1,68 bi🟢 Comprador
Tullett+76 mi166 mi🟢 Comprador
BGC+67 mi216 mi🟢 Comprador
Necton+34 mi221 mi🟢 Comprador
Ideal+10 mi1,40 bi≈ Neutro (grande giro)
UBS-155 mi4,20 bi🔴 Vendedor líquido (2º maior giro)
JP Morgan-146 mi1,70 bi🔴 Vendedor
Merrill-99 mi527 mi🔴 Vendedor
XP-74 mi1,11 bi🔴 Vendedor
Santander-63 mi360 mi🔴 Vendedor
Morgan-390 mi2,52 bi🔴 2º maior distribuidor
Goldman-547 mi2,12 bi🔴 Maior distribuidor do ano

A leitura cruzada com a estrutura societária é poderosa: as casas tipicamente associadas a fluxo estrangeiro (Goldman, Morgan, JP Morgan, UBS, Merrill) foram vendedoras líquidas no ano, somando mais de -R$1,3 bi de distribuição — exatamente o que se esperaria num cenário de gringo reduzindo posição em papel de tecnologia (lembrando que BlackRock + CPPIB + MFS detêm ~20,5% da empresa). Quem absorveu foi o BTG (+R$1,02 bi), possivelmente combinando book proprietário, o programa de recompra da própria TOTVS (BTG é uma das corretoras do buyback) e fluxo de clientes locais. É o retrato do "gringo vende, local compra" no nível do papel individual.

Recorte das últimas duas semanas (18/05 a 28/05 — 8 pregões EOD)

Janela ampla com a EOD por corretora processada até 28/05 — total de R$ 1,67 bilhão girados em 8 pregões, intervalo de preço R$30,29–32,80. O recorte recente mostra um quadro um pouco diferente do ano: a UBS dominou tanto em saldo quanto em volume, contrastando com seu saldo vendedor no acumulado de 2026 — provavelmente fluxo de cliente passante. Goldman e Morgan continuaram vendendo, agora com intensidade ainda maior, e o BTG manteve sua postura compradora consistente do ano.

CorretoraSaldo líquidoVolume total% do volumeLeitura
UBS+R$ 73,4 miR$ 803 mi48,2%🟢 Top acumulador + maior giro
BTG+R$ 45,3 miR$ 529 mi31,8%🟢 Comprador consistente
BGC+R$ 40,7 miR$ 47 mi2,8%🟢 Top comprador líquido relativo
Citigroup+R$ 13,5 miR$ 58 mi3,5%🟢 Comprador
Genial+R$ 11,1 miR$ 33 mi2,0%🟢 Comprador
Itaú+R$ 10,2 miR$ 284 mi17,1%🟢 Levemente comprador
Ágora+R$ 9,9 miR$ 130 mi7,8%🟢 Comprador
Merrill+R$ 8,0 miR$ 67 mi4,0%🟢 Comprador tático
Santander-R$ 10,0 miR$ 26 mi1,6%🔴 Vendedor
Scotiabank-R$ 15,7 miR$ 16 mi1,0%🔴 Vendedor — quase só venda
JP Morgan-R$ 16,5 miR$ 238 mi14,3%🔴 Vendedor
XP-R$ 21,2 miR$ 90 mi5,4%🔴 Vendedor
Morgan-R$ 79,3 miR$ 451 mi27,1%🔴 2º maior distribuidor
Goldman-R$ 88,3 miR$ 184 mi11,1%🔴 Maior distribuidor da janela

Nota: a versão anterior deste relatório trazia recorte apenas de 25-26/05 porque a EOD por corretora dos dias 27 e 28/05 ainda não tinha sido processada. A janela agora cobre os 8 pregões mais recentes com dado fechado.

Goldman e Morgan despejaram quase R$ 168 mi líquidos em 8 pregões — em ritmo proporcional ao ano todo, mas concentrado num período curto, exatamente o período em que a posição em aluguel também explodiu (ver seção 13). É a face vendedora do "gringo vende" se intensificando, e ajuda a explicar a queda do papel para a mínima de R$30,35 em 19/05.

Tape de hoje (29/05, ao vivo)

LadoTop players (net)
CompradoresMorgan (+20,2 mi), Goldman (+17,9 mi), UBS (+7,0 mi), Itaú (+1,1 mi)
VendedoresSantander (-21,4 mi), Merrill (-10,9 mi), JP Morgan (-5,1 mi)

No fluxo anômalo de hoje, a Morgan Stanley comprou 30x o volume normal e o Santander vendeu 21x — duelo que explica o AVAT de 20x. O dado mais relevante: Morgan e Goldman, as duas maiores vendedoras das últimas duas semanas (-R$ 168 mi combinado), apareceram comprando pesado hoje. Se for início de recompra/reversão dessas posições estrangeiras (e não apenas fluxo passante de cliente), seria um sinal técnico forte de virada — vale acompanhar nos próximos pregões se elas sustentam a ponta compradora.

13. Aluguel (BTB) — short interest estrutural

O aluguel de ações conta a história institucional do TOTS3 em 2026 melhor que qualquer outro indicador. Duas variáveis subiram juntas em maio: a quantidade alugada mais que dobrou no ano (+135% YTD, atingindo o pico de 51,1 mi em 22/05 — ~9,7% do free float) e a taxa de aluguel disparou de 0,14% (mínima histórica em abril) para 17,26% em 22/05 — uma alta de ~123 vezes a taxa em três semanas. Quando posição e taxa sobem juntas com essa intensidade, é o livro-texto de short denso construindo posição agressiva e tomando emprestado a qualquer preço.

Posição e taxa de aluguel — evolução mensal (BTB)

MêsQtd fim (mi)Qtd máx no mês% do FFTaxa fim de mêsTaxa máx no mêsFaixa de preço
Jan/2624,924,94,74%1,84%2,21%R$43–45
Fev/2618,127,23,45%3,53%4,90%R$41–44
Mar/2619,322,23,68%1,17%3,53%R$36–38
Abr/2627,327,85,19%0,14%1,17%R$34–36
Mai/26 (até 28)50,951,19,68%17,08%17,26%R$31–34

Taxa = tkr_avrg_rate (taxa média anual paga pelo tomador). Referência: ITUB3 ~0,8%, PETR4 ~0,3% — blue chips normalmente operam abaixo de 1%.

O contraste é violento: a taxa do papel passou o ano de 1,8% (jan) para 4,9% no pico de fevereiro (primeiro stress de tech), recuou a 0,14% no fim de abril (estoque abundante de papel para alugar, pouca demanda short) e em três semanas saltou para 17,3% (22/05). Esse padrão — taxa colapsando e depois explodindo — é típico de papel onde o short demora a se montar, mas, quando começa, drena rapidamente o estoque disponível de aluguel.

13.1 Pontos-chave da timeline YTD

DataQtd alugadaTaxaEvento
16/01/2621,7 mi2,08%Base de início de ano
06/02/2627,2 mi4,90%Primeiro pico — stress de tech
17/03/2617,5 mi1,97%Mínimo de posição — pressão short relaxou
17/04/2625,5 mi0,29%Posição retomando, taxa irrisória
29/04/2627,1 mi0,15%Taxa mínima do ano — calmaria antes da tempestade
13/05/2643,2 mi3,99%Posição salta +60% / taxa começa a esticar
19/05/2644,1 mi11,47%Taxa cruza 10% — escassez aguda
22/05/2651,1 mi17,26%Pico do ano em posição e taxa — 9,72% do FF
28/05/2650,9 mi17,08%Véspera do rally — posição +2,5 mi, taxa +52 bps

13.2 Última semana — o setup do rally

DataQtd alugadaSaldo R$Taxa médiaΔ qty (dia)Δ taxa (bps)
22/05 (sex)51,1 miR$1,65 bi17,26%
25/05 (seg)49,7 miR$1,61 bi16,60%−1,35 mi−66
26/05 (ter)48,2 miR$1,56 bi16,59%−1,49 mi−1
27/05 (qua)48,4 miR$1,56 bi16,56%+0,17 mi−3
28/05 (qui)50,9 miR$1,64 bi17,08%+2,48 mi+52
29/05 (sex)Rally +4,16% / AVAT 20x — BTB do dia sai pós-fechamento
O setup pré-rally é livro-texto de short squeeze. No pregão de 28/05, véspera da explosão, dois sinais convergiram: +2,48 mi ações de short novo entrando (a maior alta semanal) e taxa subindo 52 bps (16,56% → 17,08%) — combinação clássica de short pressionando contra um papel já no fundo histórico. No dia seguinte, com a Morgan e a Goldman aparecendo comprando 30x o normal e o AVAT em 20x, esses shorts mais novos provavelmente foram pegos. Ainda não temos o BTB de 29/05 (B3 publica pós-fechamento), mas é provável que o saldo apareça caindo, confirmando short covering forçado.

13.3 Por que esse short interest importa

Três pontos práticos:

  • Tamanho relativo: 51 mi de ações alugadas = ~9,7% do free float. Para um papel com BlackRock + CPPIB + MFS travando ~20,5%, o short consome quase metade das ações efetivamente disponíveis para negociação institucional. É posição grande, não residual.
  • Custo do short: taxa de ~17% a.a. é cara — e a curva de subida (0,14% → 17,3% em 3 semanas) indica que o estoque de papel disponível para aluguel praticamente acabou. Tomadores estão dispostos a pagar caro porque a convicção bear é alta — ou porque os shorts antigos estão sendo forçados a rolar a tomada.
  • Combustível para squeeze: o pico de 51 mi de ações shorteadas é o estoque de munição para movimentos de cobertura forçada. Cada catalisador positivo (resultado, M&A, recompra, sinal técnico) tende a desencadear cobertura desproporcional — exatamente o que vimos hoje.

14. Derivativos (opções)

Estrutura de opções com max pain concentrado: no vencimento de 19/06/2026, max pain em R$34,64 (acima do preço atual — viés de pinning para cima), com call e put wall ambos em R$33,64. No vencimento curto de 17/07/2026, max pain em R$31,83. Nos vencimentos longos (set/2026 em diante), os puts walls aparecem espalhados (R$29-48). A leitura: com o papel a R$33 e o max pain de junho em R$34,64, há um leve viés comprador implícito no mercado de opções para o vencimento próximo.

15. Visão dos analistas (consenso sell-side)

CasaRecomendaçãoPreço-alvo
JP MorganCompra (top pick LatAm tech)R$57
Itaú BBACompraR$60
BTG PactualCompra (entrou na carteira 10SIM de maio)R$55
SafraCompra (elogiou margem recorde de 28,5%)

Consenso amplamente comprador com upside de 65-80% sobre o preço atual. O JP Morgan destaca que TOTS3 negocia a ~17,7x lucro 2026E e ~15x 2027E — patamar historicamente associado a fundo de valuation em momentos de estresse — para uma empresa crescendo receita ~15% e lucro ~19% a.a., com FCF yield de 5,6% em 2026. A integração da Linx é vista como execução acima do esperado.

🎯 Conclusões e destaques

1. Fundamentos sólidos, preço descontado. TOTVS entrega crescimento de receita de ~15% a.a. com margens em expansão (EBITDA recorde 25-28%, ROE 16,9%), mas a ação caiu ~30% do pico por causa do medo da IA ("SaaSpocalypse"). O descolamento entre operação e preço é o ponto central da tese.

2. Valuation no fundo histórico. A ~17,7x lucro 2026E, o papel está no menor múltiplo em períodos de estresse. Consenso sell-side (JPM R$57, Itaú BBA R$60, BTG R$55) vê upside de 65-80%.

3. Alavancagem subiu — monitorar. O 1T26 trouxe dívida líquida de R$8,3 bi (vs R$50 mi no fim de 2025), reflexo da incorporação da Linx e da 6ª emissão de debêntures (R$3 bi). É M&A, não deterioração operacional, mas exige acompanhamento da desalavancagem nos próximos trimestres.

4. Fluxo do ano = "gringo vende, BTG compra". No acumulado de 2026, as casas estrangeiras (Goldman -R$547 mi, Morgan -R$390 mi, JPM, UBS, Merrill) distribuíram mais de R$1,3 bi, enquanto o BTG sozinho acumulou +R$1,02 bi. Nas últimas duas semanas (18-28/05), o ritmo se intensificou: Goldman -R$88 mi e Morgan -R$79 mi em apenas 8 pregões, casando exatamente com a explosão do short no BTB.

5. Short interest em pico histórico — posição e taxa juntas. A quantidade alugada mais que dobrou no ano (+135% YTD, 9,7% do free float) e a taxa de aluguel saltou de 0,14% (mín. histórica em abr) para 17,3% em 22/05. Tanto o tamanho quanto o custo do short estão em níveis extremos — é bear positioning estrutural, e tipicamente o estágio em que o estoque de aluguel se esgota.

6. Sinais internos construtivos. Insiders comprando perto das mínimas + programa de recompra ativo (até 3,75% do capital, BTG como corretora) sinalizam que a própria gestão lê o papel como barato — e ajudam a explicar a ponta compradora persistente do BTG.

7. Movimento técnico de hoje é relevante — e tem combustível. O +4,16% com AVAT de 20x e R$3,5 bi de giro rompendo os R$32 — com Morgan e Goldman (as maiores vendedoras das últimas duas semanas) aparecendo comprando, e 50 mi de ações shorteadas a taxa de 17% como estoque para cobertura — desenha um setup clássico de início de short squeeze. O max pain de junho em R$34,64 reforça viés comprador de curto prazo. Acompanhar o BTB dos próximos dias é mandatório: cair indicará confirmação do covering.

8. Riscos: (i) tese de disrupção por IA no software de gestão; (ii) alavancagem elevada pós-Linx; (iii) sensibilidade a juros (papel de crescimento sofre com Selic alta e juros US altos); (iv) gringo vendedor pressiona papéis com peso institucional estrangeiro como TOTS3 (BlackRock + CPPIB + MFS = ~20,5%); (v) curto prazo, o próprio tamanho do short é uma faca de dois gumes — se a alta de hoje for tática (não estrutural), pode haver re-shortagem rápida nos próximos pregões.

Relatório técnico — não constitui recomendação de investimento. Dados: CVM (DFP/ITR/FRE), B3, tape-reading e BTB Trade Hunter, e consenso sell-side público.