Relatório Semanal — 25 a 29/05/2026

Ibovespa cede ~3% na semana com petróleo/geopolítica e realização nos bancões; PIB do 1º tri surpreende, gringo segue -R$14 bi no mês. BTG compra dólar, duelo BTG×Morgan em ITUB3.

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Relatório Semanal — 25 a 29/05/2026

29/05/2026
📅 Semana de 25 a 29 de maio de 2026. Uma semana de realização e indefinição: o Ibovespa começou perto das máximas (~179k em WIN) e foi cedendo ao longo dos cinco pregões, fechando a sexta em torno de 173,8k — queda acumulada de ~3% no índice futuro. O fio condutor foi a geopolítica do Oriente Médio (a novela do MOU EUA–Irã, com idas e vindas diárias), o petróleo em queda pressionando Petrobras, e os bancões realizando depois de um rali forte. No contraponto, os dados domésticos da sexta vieram fortes e deram alguma sustentação ao humor. Gringo seguiu vendedor a semana inteira.

📈 O arco da semana — WIN e WDO

DiaWIN (fech.)Var.WDO (fech.)Var.
Seg 25/05179.290+0,9%5.053,8-0,7%
Ter 26/05177.725-0,9%5.075,9+0,4%
Qua 27/05176.875-0,5%5.101,0+0,5%
Qui 28/05175.550-0,7%5.081,7-0,4%
Sex 29/05*~174.755-0,45%~5.073,5-0,16%

*sexta em tempo real (intraday). O índice perdeu o suporte dos 177k no meio da semana e foi escorregando; o dólar oscilou em banda estreita (5.045–5.115), sem tendência clara — refletindo o DXY de lado e a queda das commodities se anulando com a aversão a risco pontual.

🌎 Macro da semana

Brasil — fechou a semana com dados fortes

IndicadorResultadoLeitura
PIB 1º tri (t/t)+1,1% (esp. +1,0%; ant. +0,3%)Aceleração clara 🟢
PIB (a/a)+1,8%Estável
Desemprego (abr)5,8% (de 6,1%)Mercado de trabalho apertado 🟢
CAGED (abr)+230 mil vagasEmprego formal firme 🟢
Superávit primário (abr)+R$24,6 bi (esp. -R$80,7 bi)Grande surpresa fiscal 🟢
Dívida Bruta/PIB80,4% (de 80,0%)Trajetória ainda de alta 🔴
IGP-M (mai)+0,80% (de +2,73%)Forte desaceleração 🟢
IPCA-15Acima do esperadoResistência na inflação ao consumidor 🔴

O destaque negativo da semana foi o IPCA-15 acima das previsões (divulgado dia 27), que reforçou a percepção de inflação ao consumidor ainda resistente — pano de fundo para a Selic ancorada em 14,5% e o Focus mantendo a projeção de corte só para 13,25% mais à frente. Na sexta, porém, o pacote de dados (PIB, emprego, fiscal, IGP-M) veio amplamente positivo. CDS Brasil 5Y estável em ~120 bps, sem stress de risco-país. Câmbio fechou a semana praticamente de lado (PTAX ~5,057).

Exterior

AtivoSextaTom da semana
S&P 5007.579 (+0,2%)Resiliente, perto das máximas
VIX15,3Medo baixo o tempo todo
BrentUS$ 91,5 (-1,2%)Em queda com expectativa de trégua
US 10Y4,44%Cedendo de leve
OuroUS$ 4.540 (+1,0%)Forte, demanda por proteção

A semana externa foi dominada pela saga do MOU EUA–Irã: na quinta, a Axios reportou acordo de trégua de 60 dias "pendente de aprovação final de Trump"; Teerã negou repetidamente que o texto estivesse fechado (Tasnim, IRNA, Khamenei). Na sexta, Trump anunciou suspensão do bloqueio naval e "destruição coordenada de urânio", mas o Irã voltou a negar entendimento final. O resultado: petróleo em queda e bolsas globais resilientes, mas com a paz precificada de forma frágil. Houve até relato de novo ataque dos EUA a um sítio militar iraniano no Estreito de Ormuz (27/05) — sinal de que a tensão não acabou.

⚙️ Players consolidados nos futuros (semana)

Mini-Índice (WIN) — net de contratos por dia

Player25/0526/0527/0528/0529/05*Tendência
Ideal-9.851+28.433+13.732-8.570-19.219Fechou a semana vendido forte 🔴
Genial+3.178+6.451-2.681+13.405-13.253Virou vendido na sexta
Morgan-22.457-7.569+2.942+9.622+11.575Migrou para comprador 🟢
Goldman-10.630-34.419+2.556-8.298+7.214Vendedor na semana, virou na sexta
Ágora+5.070-108-1.950-23.846+12.174Recomprou na sexta
XP+3+10.924-8.497-4.275-1.128Giro alto, quase neutra
BTG+9.938-5.377-4.429+2.333-3.478Alternou

No WIN, a XP foi disparada a maior em giro (31% do dia na quinta), mas terminou praticamente neutra todos os dias — é o grande fluxo passante (clientes). Quem fez direção na semana foi a Goldman, vendedora pesada (-34k só na terça, embora tenha virado comprada na sexta), e a Ágora, que oscilou bastante (vendida forte na quinta, -23,8k, e recompradora na sexta, +12,2k). A Genial foi a compradora mais consistente até quinta, mas inverteu para vendida na sexta (-13,3k). Destaque para a Ideal, que fechou a semana fortemente vendida na sexta (-19,2k, P&L aberto de -R$3,1 mi em tempo real), e para a Morgan, que migrou de vendedora pesada (início da semana) para compradora (+11,6k na sexta). UBS amargou a maior dor do dia na sexta (-R$3,4 mi de P&L aberto).

Mini-Dólar (WDO) — net de contratos por dia

Player25/0526/0527/0528/0529/05*Tendência
BTG-2.772+31.115+1.139+48.012+39.182Comprador agressivo a semana toda 🟢
UBS+855+2.976+3.665-45.508+18.202Vendeu na quinta, recomprou na sexta
Ativa-9.355+5.044+1.312-36.746+34.251Virou compradora forte na sexta
Tullett-14.209-3.882+4.507-29.244+45.249Inverteu para comprada forte
Ágora-434-16.392-1.788-24.864-74.243Vendedora pesada e consistente 🔴
XP-16.687-11.566-10.319+6.334-39.945Vendedora na maior parte
Renascença-17.672+18.305-2.147+31.699Oscilou

No dólar, o BTG foi comprador agressivo e consistente ao longo de toda a semana (+48k na quinta, +39k na sexta, posição de +R$2,4 bi no EOD de quinta). Na sexta, o quadro do resto do book inverteu: a Ágora dominou a venda (-74,2k, mas com P&L aberto positivo de +R$713 mil — vendeu bem), e a XP virou vendida (-39,9k) com o melhor P&L aberto do book (+R$914 mil). Do lado comprado na sexta apareceram Tullett (+45,2k, forte inversão), Ativa (+34,3k) e UBS (+18,2k, recomprando o que vendeu na quinta). Em resumo: enquanto o BTG manteve compra firme a semana toda, o restante do mercado ficou alternando lados — e o câmbio não saiu do lugar.

🔍 Fluxo anômalo da semana

O grande sinal foi de sexta-feira em ITUB3: BTG comprando 48,6x o volume normal enquanto a Morgan vendia 46,9x — duelo de gigantes em Itaú ON, com AVAT de 27x, fechando o BTG líquido comprado em R$859 mi (33% de todo o volume do papel). Não por acaso: o Itaú anunciou na quinta (28/05) JCP de R$3,99 bilhões, o que justifica o reposicionamento institucional pesado no papel.

Outros destaques de fluxo anômalo na semana: Morgan comprando TOTS3 30x acima do normal (papel +4% na sexta com R$3,5 bi de giro), Santander vendendo TOTS3 21x, e XP acumulando BBAS3 4,4x. No meio da semana (26/05), a anomalia se concentrou mais em ETFs e BDRs (HIRE11, BBOV11, GSGI34 com RVOL de 18x) — fluxo mais técnico que direcional. No comportamento EOD dos players: BTG acelerando compra em CSAN3 e BBDC4, mas vendendo PRIO3 e GGBR4; UBS invertendo para vendedor em BPAC11.

🌐 Fluxo estrangeiro (semana)

DiaEstrangeiroInstitucionalPFBancos
25/05-R$342 mi+R$317 mi-R$91 mi+R$14 mi
26/05-R$364 mi+R$37 mi+R$356 mi+R$188 mi
27/05-R$296 mi+R$487 mi+R$13 mi-R$246 mi

O estrangeiro foi vendedor todos os dias (dados consolidados disponíveis até 27/05 — a B3 divulga o fluxo por participante com defasagem), acumulando -R$14,1 bilhões no mês de maio. Do outro lado, o institucional local sustentou a ponta compradora (+R$12,2 bi no mês) e a pessoa física segue comprando (+R$5,3 bi no mês). Esse é o retrato estrutural da B3 em maio: rali sustentado por dinheiro doméstico, com o gringo de fora — o que ajuda a explicar por que o índice cedeu na semana assim que os pesos-pesados realizaram.

🏢 Fatos relevantes, M&A e proventos da semana

EmpresaEvento
Itaú (ITUB3/4)JCP de R$3,99 bilhões aprovado (28/05) — gatilho do fluxo pesado em ITUB3
Suzano (SUZB3)JV de US$3,4 bi com Kimberly-Clark aprovada por antitruste do Reino Unido — sem investigação de Fase 2
Copasa (CSMG3)Oferta de ações (follow-on) modificada; ação chegou a cair ~6% na semana
GPS (GGPS)Controlada Graber adquiriu 55% do Grupo SEI (M&A em segurança) — CALL disparando no OI
Cosan (CSAN)Conselho deliberou resgate antecipado de debêntures (11ª emissão) + oferta de aquisição da 5ª
WLM (WLMM)JCP de R$10 milhões aprovado
CPFL (CPFE)Conselho aprovou proposta comercial de subsidiária
Sequoia (SEQL3)Reduziu prejuízo para R$70,1 mi no 4T25 (vs R$578,5 mi)

A semana teve forte fluxo de comunicados de BDRs (bancos americanos, techs e farmas via SEC) e movimentação corporativa relevante: o JCP bilionário do Itaú e a aprovação da JV Suzano–Kimberly-Clark foram os eventos de maior peso.

📰 Resumo do noticiário

Internacional: a semana foi a "novela do MOU EUA–Irã" — acordo de trégua de 60 dias negociado, idas e vindas sobre a aprovação de Trump, negativas constantes de Teerã, e um novo ataque dos EUA no Estreito de Ormuz. Petróleo caiu na expectativa de distensão. No corporativo global: Citadel Securities com lucro recorde de US$4,3 bi em trading no 1º tri, Blackstone amargando prejuízo de 54% numa torre em Seattle (alerta no real estate comercial), e a explosão do foguete New Glenn da Blue Origin (revés para Bezos vs SpaceX).

Doméstico: IPCA-15 acima do esperado pesou no meio da semana, mas o pacote de dados da sexta (PIB acelerando, desemprego em queda, superávit fiscal surpresa) reequilibrou a leitura. Petrobras na pressão acompanhando o petróleo, bancos realizando após rali, e Vale seguindo o minério.

🎯 Conclusões da semana — destaques

1. Realização ordenada, não pânico. O índice cedeu ~3% na semana, mas com VIX baixo, CDS estável e bolsas globais firmes. Foi correção dos pesos-pesados (Petro, Vale, bancos) depois de um rali forte — não aversão a risco. A periferia teve nomes subindo o tempo todo.

2. O Brasil entregou, o mercado ignorou (por ora). O combo macro doméstico da sexta foi dos melhores em meses. Que a Bolsa não tenha reagido mostra que o driver de curto prazo é 100% externo — petróleo e geopolítica. Quando o ruído do Oriente Médio passar, esses fundamentos podem voltar a contar pontos.

3. Gringo fora é o calcanhar de Aquiles. -R$14,1 bi no mês. Enquanto o rali depender só do institucional local e da PF, o teto fica pesado e correções como a desta semana tendem a se repetir. Um eventual retorno do estrangeiro seria o gatilho que falta para nova perna de alta.

4. Smart money reposicionando em bancos. O duelo BTG x Morgan em ITUB3, casado com o JCP de R$3,99 bi do Itaú, sinaliza reorganização de book institucional — não liquidação. Vale seguir se o BTG sustenta a posição comprada gigante.

5. BTG comprando dólar a semana toda. Nos futuros, o BTG foi comprador agressivo e consistente de WDO (+48k na quinta, +39k na sexta, +R$2,4 bi). Na sexta, o resto do book inverteu — Tullett, Ativa e UBS viraram comprados, enquanto Ágora e XP venderam pesado. O dólar não saiu do lugar, mas o posicionamento institucional vale o monitoramento — pode antecipar movimento se a trégua EUA–Irã furar.

6. Para a semana que vem: payroll dos EUA, sequência de discursos do Fed (Powell, Waller, Kashkari), JOLTS, PMIs e o Boletim Focus. E, claro, o desfecho (ou não) do MOU EUA–Irã — o maior risco-evento no radar. Petróleo segue como a variável-chave para Petrobras e o índice.

Boa semana e bons trades! 🍺📈