Pré-mercado — 27/07/2026
Petróleo −7,7% e VIX em queda armam abertura de alívio, mas o Ibovespa vem de −1,52% na sexta com o Financeiro em 3,7% de breadth; IPCA-15 e FOMC na semana.
Pré-mercado — 27/07/2026
A madrugada entregou o oposto do que a semana passada vinha precificando: com a pausa nos combates no Golfo, o petróleo desabou, o prêmio de risco encolheu e os juros longos cederam no mundo inteiro. A B3 chega nesse alívio vindo de um pregão que destoou — na sexta o Ibovespa caiu 1,52% enquanto dólar e juros já recuavam aqui dentro. O calendário da semana é pesado: IPCA-15 amanhã, FOMC na quarta, PCE e PIB dos EUA na quinta, e o grosso dos balanços do 2º trimestre no meio disso.
1 · Madrugada e pré-abertura
O gatilho tem nome: petróleo. O WTI cede 7,74%, a US$ 82,41, depois de a Ásia abrir com a leitura de que os combates no Golfo entraram em pausa — o mesmo choque que na quinta (23/07) havia jogado o Brent para US$ 99,93, alta de 6,06% num único dia. Com o barril desarmando, o resto se encaixa: o VIX recua 5,38% para 17,58, os futuros americanos sobem cerca de 1% e as curvas de juros cedem de forma sincronizada.
| Praça | Nível | Var | Sessão |
|---|---|---|---|
| Nikkei 225 | 65.176 | +1,44% | hoje (Ásia) |
| CSI 300 | 4.702,43 | +1,15% | hoje (Ásia) |
| Kospi | 6.755,75 | +0,97% | hoje (Ásia) |
| ASX 200 | 8.890,80 | +0,95% | hoje (Ásia) |
| Taiwan (TWII) | 43.634,19 | −0,05% | hoje (Ásia) |
| DAX | 25.469,10 | +1,47% | em andamento |
| CAC 40 | 8.429,10 | +1,00% | em andamento |
| FTSE 100 | 10.785,15 | +0,60% | em andamento |
| Dow Jones | 51.947,25 | +0,46% | fechou sexta |
| S&P 500 | 7.413,67 | +0,07% | fechou sexta |
| Nasdaq 100 | 28.128,34 | −1,15% | fechou sexta |
| Futuro S&P 500 | 7.522,62 | +1,01% | em andamento |
| Futuro Nasdaq 100 | 28.745,88 | +1,64% | em andamento |
| Futuro Dow | 52.674,25 | +1,06% | em andamento |
| Ativo | Nível | Var |
|---|---|---|
| WTI | US$ 82,41 | −7,74% |
| Prata | US$ 59,25 | +1,85% |
| Ouro | US$ 4.094,49 | +1,03% |
| Cobre | 13.735 | +0,90% |
| Níquel | 17.377,50 | +0,32% |
| Minério de ferro | 741 | −0,27% |
O Brent não veio no board do overnight — a última leitura consolidada é de 23/07, a US$ 99,93. A referência ao vivo de energia nesta abertura é o WTI.
Leitura HALO — o dia favorece tech ou velha economia?
O futuro do Nasdaq lidera o placar (+1,64%), empurrado pelo noticiário de infraestrutura de IA — a negociação de US$ 250 bilhões da Nvidia com a OpenAI e a compra de US$ 1 bilhão em ações da Naver, que subiu 10% na Coreia. Só que os proxies de tech emergente não confirmam: Taiwan ficou de lado (−0,05%) e o Kospi (+0,97%) rendeu menos que o Nikkei (+1,44%). Do outro lado, a velha economia vem firme e com amplitude — DAX +1,47%, prata +1,85%, ouro +1,03%, cobre +0,90%. A conclusão é que o movimento da madrugada é compressão de prêmio de risco (petróleo, VIX e juros cedendo juntos), não rotação para tecnologia. Historicamente esse é um pano de fundo mais generoso com cíclicas globais e com bolsa de beta alto do que com o complexo tech-EM.
Moedas e juros longos
| Par | Cotação | Var |
|---|---|---|
| DXY | 101,281 | −0,19% |
| EUR/USD | 1,1397 | +0,06% |
| GBP/USD | 1,3331 | 0,00% |
| USD/JPY | 163,54 | −0,06% |
| USD/CNH | 6,7699 | −0,46% |
| USD/INR | 95,879 | −0,66% |
| USD/ZAR | 16,705 | −0,51% |
| USD/MXN | 17,437 | −0,26% |
| USD/CLP | 948,53 | +0,01% |
| USD/TRY | 47,348 | +0,02% |
| USD/COP | 3.218,23 | 0,00% |
| Título 10 anos | Nível | Δ dia |
|---|---|---|
| Estados Unidos | 4,635% | −4 bps |
| Reino Unido | 4,978% | −5 bps |
| Alemanha | 3,130% | −4 bps |
| Japão | 2,777% | −3 bps |
| Austrália | 4,996% | −9 bps |
| Índia | 6,770% | −6 bps |
| China | 1,726% | +0 bps |
O DXY cede pouco (−0,19%), e é justamente essa timidez que conta a história: a oscilação principal não está no G3. Euro (+0,06%), libra (0,00%) e iene (−0,06%) praticamente não se mexem, enquanto o dólar perde terreno contra a Ásia — yuan offshore −0,46% e rúpia −0,66%. Nos emergentes o padrão se repete de forma moderada: rand −0,51%, peso mexicano −0,26%, peso chileno e lira parados. É um enfraquecimento de dólar puxado por commodity e alívio geopolítico, não por reprecificação de Fed — o que faz sentido a 48 horas da decisão.
Nos ADRs, o desenho já mostra a assimetria brasileira desta abertura: PBR opera a US$ 18,21 no pré-mercado, queda de 2,96% ante o fechamento de sexta (US$ 18,77, que já havia caído 1,21% no dia), acompanhando o barril. VALE está praticamente parada, a US$ 14,78 (−0,06%), coerente com o minério de ferro de lado (−0,27%). Ou seja: o alívio global chega à B3 com as duas maiores posições do índice puxando para lados opostos.
2 · Agenda do dia
Segunda-feira de agenda leve no Brasil e média nos EUA — o peso da semana está concentrado de terça a quinta. Os horários abaixo estão em BRT.
| Hora | País | Evento | Anterior | Projeção | Relevância |
|---|---|---|---|---|---|
| 08:00 | BR | Confiança do Consumidor FGV (jul) | 88,7 | — | Média |
| 08:25 | BR | Boletim Focus | — | — | Média |
| 09:30 | EUA | Pedidos de Bens Duráveis (jun) | −4,5% | +1,6% | Média |
| 09:30 | EUA | Núcleo de Bens Duráveis (jun) | +1,4% | +0,9% | Média |
| 09:30 | EUA | Núcleo de Encomendas de Bens de Capital (jun) | +1,4% | — | Baixa |
| 11:00 | EUA | GDPNow do Fed de Atlanta (2T) | 1,7% | 1,7% | Média |
| 11:30 | EUA | Fed de Dallas — Atividade Industrial (jul) | 0,0 | — | Baixa |
| 12:30 | EUA | Leilão de Bills 3 e 6 meses | 3,730% / 3,835% | — | Baixa |
| 14:00 | EUA | Leilão de Notes 2 anos | 4,189% | — | Média |
| 14:00 | EUA | Leilão de Notes 5 anos | 4,200% | — | Média |
O que vem no resto da semana
| Data | Evento | Relevância |
|---|---|---|
| 28/07 · 07:00 | Reunião da OPEP | Média |
| 28/07 · 08:30 | Transações Correntes e Investimento Estrangeiro Direto (jun) | Alta |
| 28/07 · 09:00 | IPCA-15 de julho — anterior +0,41% no mês e 4,80% em 12 meses | Alta |
| 28/07 · 11:00 | Confiança do Consumidor CB (EUA) | Alta |
| 29/07 · 15:00 | Decisão do FOMC — projeção 3,75% (manutenção) | Alta |
| 29/07 · 15:30 | Coletiva do FOMC | Alta |
| 30/07 · 08:00 | IGP-M de julho — anterior −0,50% | Alta |
| 30/07 · 09:00 | Taxa de desemprego no Brasil (jun) — anterior 5,6% | Alta |
| 30/07 · 09:30 | Núcleo do PCE (jun) e PIB dos EUA do 2T — projeção +2,3% | Alta |
| 30/07 · 14:30 | CAGED (jun) — anterior 72,96 mil | Alta |
| 31/07 · 08:30 | Dívida Bruta/PIB e resultado primário (jun) | Alta |
Agenda corporativa
A temporada do 2º trimestre engrena hoje e vira enxurrada na quinta. Telefônica Brasil (VIVT) e TIM (TIMS) entregam o ITR do 2T hoje — as duas vinham de pregão positivo na sexta, VIVT3 +1,70% com R$ 132,1 milhões de giro e TIMS3 +1,08% com R$ 192,0 milhões, num dia em que Comunicações foi o único setor no azul.
| Data | Empresa | Evento |
|---|---|---|
| 27/07 | Telefônica Brasil (VIVT) | ITR do 2º trimestre |
| 27/07 | TIM (TIMS) | ITR do 2º trimestre |
| 27/07 | Itaú Unibanco (ITUB) | Informe de Governança Corporativa |
| 29/07 | Bradesco (BBDC3) | ITR do 2º trimestre |
| 29/07 | Intelbras (INTB) | ITR do 2º trimestre |
| 29/07 | Kepler Weber (KEPL3) | ITR do 2º trimestre |
| 30/07 | Vale (VALE) | ITR do 2º trimestre |
| 30/07 | Ambev (ABEV) | ITR do 2º trimestre |
| 30/07 | Usiminas (USIM) | ITR do 2º trimestre |
| 30/07 | Multiplan (MULT) | ITR do 2º trimestre |
| 30/07 | ISA Energia (ISAE3) | ITR do 2º trimestre |
| 30/07 | Ecorodovias (ECOR) | ITR do 2º trimestre |
| 30/07 | Raízen (RAIZ) | Realização da AGO |
Na frente de proventos, a janela das próximas duas semanas está praticamente vazia: a única data-ex mapeada é a de CXSE3, com JCP de R$ 0,35 por ação em 03/08 e pagamento em 17/08. Vale registrar a coincidência: o papel foi uma das maiores quedas de sexta (−5,08%) girando 2,22× a média de 60 pregões.
3 · O pregão de sexta (24/07)
O Ibovespa fechou a 174.041,95 pontos, queda de 1,52% — 2.687 pontos a menos — num pregão que contrariou o ambiente externo. As manchetes do dia registravam dólar e juros em queda no Brasil "em sintonia com exterior favorável", com petróleo e Treasuries cedendo; a bolsa foi na direção contrária. O giro somou R$ 13,1 bilhões em ações e units (fora FIIs, ETFs e BDRs), e a queda foi de amplitude, não de um nome isolado: entre os 17 índices acompanhados, só o IFIX (+0,03%) escapou.
O mapa setorial mostra onde a dor se concentrou, mas o número mais duro está no breadth: no Financeiro, apenas 1 de 27 ações fechou em alta — 3,7%, com R$ 3,02 bilhões de giro, o maior de qualquer setor. Utilidade Pública teve 4,5% de altas, Consumo não Cíclico 6,7% e Petróleo e Gás 10%. Quando quatro setores fecham com breadth de um dígito, não é rotação — é venda generalizada. Os índices de dividendo e de elétricas apanharam mais que o próprio Ibovespa: IEEX −2,46% e IDIV −1,98%, contra IBOV −1,52% e IFNC −1,81%.
Há um fio plausível ligando esses dois: no fim da tarde de sexta saiu a estimativa da Receita de arrecadar R$ 17,2 bilhões com o IR sobre dividendos, e a pauta fiscal do dia veio carregada — déficit primário projetado em R$ 52 bilhões com precatórios e desbloqueio de R$ 5,7 bilhões do Orçamento. Pagadores de dividendo e elétricas reguladas são exatamente o recorte que mais reage a esse tipo de notícia.
Top movers
Maiores altas
Maiores baixas
Altas e baixas de ações e units com giro acima de R$ 20 milhões no pregão.
A ponta perdedora tem uma história bem definida. ISAE4 caiu 6,99% para R$ 26,48 girando 3,76× a média de 60 pregões — o maior volume relativo de toda a bolsa entre papéis locais — no dia em que a ISA Energia precificou oferta primária a R$ 27,00 por papel, movimentando até R$ 1,20 bilhão com o lote adicional. A digital do evento aparece também no aluguel: o estoque de ISAE4 saltou +283,7% em 21 pregões, para 54,4 milhões de ações e R$ 1,56 bilhão — o tipo de montagem que costuma acompanhar arbitragem de oferta, não convicção direcional.
Do lado dos maiores giros, o índice foi carregado pelos pesos-pesados: PETR4 sozinha girou R$ 1,24 bilhão caindo 2,32%, e junto com PETR3 (−2,55%) e PRIO3 (−3,14%) o complexo de petróleo respondeu por R$ 1,92 bilhão. WEGE3 foi a exceção entre os grandes, com +0,59% e R$ 352,6 milhões — no mesmo dia em que divulgou apresentação a investidores.
Nos BDRs o tape refletiu a sessão americana, em que o Nasdaq 100 cedeu 1,15%: ITLC34 desabou 16,23% com 2,08× o volume médio, seguido de MUTC34 −7,27% e A1MD34 −6,04%, enquanto AAPL34 subia 3,71% com 1,61× de volume relativo. Foi um dia de dispersão violenta dentro do próprio complexo de tecnologia, não de queda uniforme.
Fluxo: quem comprou e quem vendeu
Corretoras no Ibovespa · 24/07
Participantes · saldo de 23/07
No livro de ações do índice, o gringo se dividiu: UBS (+R$ 112,2 mi) e JP Morgan (+R$ 88,3 mi) do lado comprador, Morgan (−R$ 217,1 mi) e Citigroup (−R$ 89,3 mi) do vendedor — com a maior posição compradora do dia sendo doméstica, o BTG, com +R$ 244,3 milhões sobre 19,5% de share de volume. O saldo por participante da B3 ainda não consolidou o pregão de sexta; o dado mais recente é de 23/07, com o estrangeiro em −R$ 979,8 milhões contra institucional +R$ 579,6 milhões. No acumulado do mês até essa data, porém, a foto se inverte: estrangeiro +R$ 3,63 bilhões contra institucional −R$ 7,12 bilhões. O gringo é comprador líquido de julho; o local é que está vendendo.
Entre os comportamentos que fugiram do padrão, o mais chamativo foi em AXIA3: a Morgan, que nos últimos pregões vinha com saldo médio diário de −R$ 12,7 milhões no papel, virou compradora de +R$ 174,7 milhões em um dia — enquanto a UBS, historicamente compradora ali, inverteu para −R$ 32,6 milhões. Os dois maiores players do papel trocaram de lado no mesmo pregão, com a ação caindo 1,97% e girando R$ 450 milhões. Também apareceram BTG acelerando compra em PETR3 (+R$ 58,0 mi) e XP em BBAS3 (+R$ 39,3 mi).
Futuros: posicionamento final de WIN e WDO
O mini-índice girou 13,99 milhões de contratos (R$ 492,5 bilhões) com preço médio de 176.008 pontos, e fechou a 174.700 — queda de 3.325 pontos, ou 1,87%, ante os 178.025 do pregão anterior. O ajuste ficou em 175.012 pontos, referência para hoje. O mini-dólar movimentou 2,03 milhões de contratos (R$ 103,4 bilhões), fechou a 5.099,50 (+0,16%) e ajustou em 5.083,09.
WIN · saldo líquido por corretora
WDO · saldo líquido por corretora
No WIN, os dois maiores vendidos do pregão foram estrangeiros: Morgan terminou líquido vendedor de 56.115 contratos (−R$ 1,98 bi) e Goldman de 37.712 contratos (−R$ 1,33 bi). Do outro lado, XP (+18.491), JP Morgan (+16.677) e Ativa (+12.669). O detector de volume anômalo marcou a Morgan a 2,31× a mediana dela e o JP Morgan a 2,11× — é sinal de volume incomum, não de direção, e com bancos estrangeiros o lado reflete execução de fluxo de cliente, que vira de um pregão para o outro.
No WDO o destaque é o JP Morgan, líquido comprador de 53.669 contratos (+R$ 2,73 bi) com volume 4,91× a mediana dele — o maior desvio de toda a base de futuros no dia — seguido pela Necton (+41.900). Do lado vendido, Ativa, XP e Renascença, cada uma acima de 22 mil contratos líquidos. Vale o contraste: quem estava comprando dólar no futuro estava também comprando índice à vista e no WIN.
Derivativos e aluguel
Livro equilibrado, leve viés de call
Praticamente neutro
O livro de opções fechou sexta sem viés relevante — put/call de 0,877 em volume e 0,965 em posição em aberto. O movimento interessante estava no aluguel: a taxa de CMIN3 saltou 831 pontos-base em um dia, para 53,55% ao ano, e a de LIGT3 subiu 459 bps, para 25,89% — as duas em patamar que caracteriza papel difícil de tomar emprestado. Na direção oposta, BRAV3 teve a taxa aliviada em 362 bps, para 7,28%, no mesmo pregão em que o conselho da Brava Energia recomendou a aceitação da OPA. Em posição em aberto de opções, POSI teve alta de 72,3% nas calls e BRAV de 34,6%.
4 · Juros e renda fixa
A curva DI fechou sexta com queda forte e concentrada no miolo: o vértice de janeiro/2029 cedeu 25 pontos-base, para 14,455%, e o de janeiro/2028 caiu 24,5 bps, para 14,165%. A ponta curta se moveu bem menos — janeiro/2027 recuou apenas 8,5 bps, para 13,96% — e o longo também segurou, com janeiro/2033 em 14,69% (−19 bps) e janeiro/2034 em 14,70% (−15 bps). O resultado é uma curva que achatou por baixo do meio, com inclinação de 74 bps entre o F27 e o F34.
| Vértice DI1 | Taxa (% a.a.) | Δ dia |
|---|---|---|
| jan/2027 | 13,960 | −8,5 bps |
| jan/2028 | 14,165 | −24,5 bps |
| jan/2029 | 14,455 | −25,0 bps |
| jan/2030 | 14,585 | −23,0 bps |
| jan/2031 | 14,625 | −22,5 bps |
| jan/2032 | 14,680 | −19,0 bps |
| jan/2033 | 14,690 | −19,0 bps |
| jan/2034 | 14,700 | −15,0 bps |
O DI também está fechado neste horário — as taxas acima são o fechamento do pregão de 24/07, com a variação medida contra 23/07.
Estados Unidos
Nos Treasuries, a parte curta é a que baliza o Fed e é onde está a tensão da semana: a 2 anos rende 4,37% e a 10 anos 4,71% no dado consolidado de 23/07, com inclinação 2s10s de apenas 34 pontos-base — uma curva ainda muito comprimida, com o Fed Funds em 3,75%. Ao vivo nesta madrugada, a 10 anos já opera a 4,635%, cerca de 4 bps abaixo do fechamento anterior, no movimento de alívio pós-petróleo. Na quarta o FOMC decide, com projeção de manutenção em 3,75%, e na quinta sai o núcleo do PCE de junho (projeção +0,1% no mês, contra +0,3% anterior) junto com o PIB do 2º trimestre.
O spread de 10 anos entre Brasil e EUA está em 10,26 pontos percentuais, com o Tesouro brasileiro de 10 anos a 14,97% e a inclinação 2s10s local em 54,7 bps — mais que o dobro da americana.
NTN-B longas e leilões
O juro real das B longas segue ancorado abaixo de 8%: a NTN-B 2037 fechou a 8,00%, a 2040 a 7,85%, a 2045 a 7,68%, a 2050 a 7,64% e a de 2060 a 7,54%. A curva real é claramente descendente do miolo para a ponta — a 2028 paga 8,52% e a 2035 paga 8,17%, ou seja, quem alonga 25 anos abre mão de quase um ponto percentual de juro real.
Não há leilão do Tesouro hoje. O próximo é amanhã (28/07), com LFT e NTN-B — incluindo as longas — e na quinta (30/07) vêm LTN e NTN-F. As taxas de corte mais recentes de cada benchmark dão a régua: NTN-B de 10 anos saiu a 7,95% e a de 35 anos a 7,47%, ambas no leilão de 21/07; a NTN-B de 5 anos a 8,30%. Nos prefixados, a LTN de 24 meses cortou a 14,57% e a de 48 meses a 14,77% em 23/07, e a NTN-F de 10 anos a 14,85%.
| Benchmark | Taxa de corte | Data do leilão |
|---|---|---|
| NTN-B 5 anos | 8,30% | 21/07 |
| NTN-B 10 anos | 7,95% | 21/07 |
| NTN-B 35 anos | 7,47% | 21/07 |
| LTN 12 meses | 13,90% | 16/07 |
| LTN 24 meses | 14,57% | 23/07 |
| LTN 48 meses | 14,77% | 23/07 |
| NTN-F 10 anos | 14,85% | 23/07 |
| LFT 6 anos | 0,12% | 21/07 |
Política monetária e expectativas
A Selic está em 14,25% desde 17 de junho, quando o Copom cortou 75 pontos-base em decisão unânime de 7 votos, dando sequência ao que chamou de "ciclo de calibração". O comunicado não trouxe viés nem guidance: a magnitude total do ciclo ficou explicitamente condicionada aos dados, com o horizonte relevante migrando para o 1º trimestre de 2028. O Comitê citou justamente o Oriente Médio e o petróleo entre os riscos externos que exigiam cautela — o mesmo vetor que hoje está se descomprimindo. Não há reunião do Copom nesta semana.
No Focus de 17/07, o mercado projetava Selic em 14,00% para o fim do ano (sem revisão nas últimas quatro semanas), IPCA em 5,15% (revisão de −0,01 ponto) e câmbio em R$ 5,20 (estável há um mês). O IPCA projetado vem em queda consistente — era 5,33% no fim de junho —, mesma direção do IGP-M, revisado de 6,15% para 5,55% no período. O PIB segue cravado em 1,99%. A leitura nova sai hoje às 08:25.
| Focus (17/07) | Projeção | Revisão vs semana anterior |
|---|---|---|
| Selic 2026 | 14,00% a.a. | 0,00 p.p. |
| IPCA 2026 | 5,15% | −0,01 p.p. |
| IGP-M 2026 | 5,55% | −0,05 p.p. |
| Câmbio 2026 | R$ 5,20 | 0,00 |
| PIB 2026 | 1,99% | −0,00 p.p. |
| Dívida líquida/PIB | 69,82% | −0,05 p.p. |
No câmbio, a referência de sexta é um dólar estável em R$ 5,08, com queda de 0,58% na semana — a Ptax de 23/07 saiu em 5,0807. O ajuste do mini-dólar em 5.083,09 confirma o mesmo patamar.
5 · Ibovespa hoje
O quadro de abertura tem uma tensão clara. O vetor global é favorável: prêmio de risco encolhendo em bloco, futuros americanos acima de 1%, Europa em alta de até 1,47%, VIX abaixo de 18 e curvas de juros cedendo nos dois hemisférios. Para um índice de beta alto como o Ibovespa, que vem de −1,52% e de quatro setores com breadth de um dígito, isso normalmente é combustível.
O contravetor é a composição do próprio índice. O mesmo movimento que alivia o mundo — petróleo despencando 7,74% — atinge diretamente o setor que mais gira na B3: PETR4, PETR3 e PRIO3 somaram R$ 1,92 bilhão de giro na sexta e o setor já era o pior do pregão (−2,14%), com o ADR da Petrobras marcando −2,96% no pré-mercado. Na outra ponta, o minério de lado (−0,27%) e o ADR da Vale parado (−0,06%) tiram força do bloco de mineração, que costuma compensar. Sobram bancos e o beta doméstico: com o DI tendo cedido 25 bps no miolo da curva na sexta e o Treasury de 10 anos ainda caindo, o Financeiro — que fechou com apenas 3,7% das ações em alta — é o candidato natural a devolver terreno, e o ADR do Itaú operava em alta de 2,81% no pré-mercado.
Há dois temas de fundo que valem o radar. O primeiro é China: Lula e Xi conversaram por telefone no domingo e acertaram acelerar as tratativas do acordo Mercosul-China, com pauta de terras-raras e IA — ao mesmo tempo em que o Brasil atingiu 80% da cota de carne bovina chinesa e está prestes a ser taxado em 55%, tema direto para o complexo de proteína animal, cujo maior nome caiu 4,57% na sexta. O segundo é fiscal e eleitoral: a estimativa de R$ 17,2 bilhões com IR sobre dividendos, o déficit primário de R$ 52 bilhões e o início do calendário de convenções partidárias mantêm o prêmio doméstico vivo, o que ajuda a explicar por que a B3 não acompanhou o exterior no último pregão.
O que observar na abertura
- O contrapeso do petróleo. Com o WTI a −7,74% e o ADR da Petrobras a −2,96% no pré-mercado, o bloco de energia deve puxar o índice para baixo enquanto o resto da bolsa recebe o alívio global. A referência do dia é o ajuste do WIN em 175.012 pontos, 970 pontos acima do fechamento do Ibovespa na sexta.
- A curva de juros e o Focus das 08:25. O DI já cedeu 25 bps no vértice de jan/2029 na sexta e o Treasury de 10 anos segue caindo. Vale acompanhar se a revisão do IPCA no Focus mantém a trajetória de queda — de 5,33% para 5,15% em quatro semanas — antes do IPCA-15 de amanhã e do FOMC de quarta.
- A abertura da temporada de balanços. VIVT e TIM entregam o ITR do 2º trimestre hoje, num setor que foi o único no azul na sexta. A semana concentra Bradesco na quarta e Vale, Ambev, Usiminas e Multiplan na quinta — o mesmo dia do PCE e do PIB americanos.
Cobertura desta edição: os dados de B3 referem-se ao pregão fechado de 24/07; o saldo por participante (estrangeiro, institucional, PF) tem consolidação mais lenta e o último dia disponível é 23/07; os números internacionais estão rotulados por sessão ao longo do texto. Sem cobertura de Brent ao vivo nesta edição — a última leitura consolidada é de 23/07.