Pré-mercado — 30/06/2026
Viés construtivo na largada: Wall Street fechou forte (Nasdaq +2,3%) e commodities sobem, mas Ibov em máxima, saída de gringo (−R$8,7bi no mês) e fiscal pedem cautela.
Pré-mercado — 30/06/2026
Terça-feira, 30 de junho, antes da abertura. A B3 reabre com o vento de fora a favor: Wall Street fechou ontem em alta firme — Nasdaq-100 +2,3%, S&P 500 +1,2% — e nesta manhã os futuros americanos seguem levemente positivos, a Europa sobe e as metálicas e o petróleo trabalham no azul. O contraponto é doméstico: o Ibovespa fechou ontem praticamente de lado em máxima histórica (173.205 pts), o investidor estrangeiro já retirou cerca de R$8,7 bi da bolsa em junho e o calendário de hoje traz o resultado primário de maio e o CAGED — fiscal e emprego no centro das atenções antes do payroll americano de quinta.
Placar overnight
O pano de fundo é de apetite por risco lá fora com volatilidade baixa: o VIX abaixo de 18 e o CDS de 5 anos do Brasil recuando para ~126,5 bps mostram que o prêmio de risco está comportado. Os minicontratos da B3 estão fechados a esta hora (só abrem às 9h) — os valores acima são o ajuste do pregão de ontem, não cotação ao vivo. A leitura de abertura combina um exterior comprador (tech americano, metais e petróleo no azul) com um índice local esticado na máxima e fluxo estrangeiro ainda vendedor no mês.
Madrugada e pré-abertura
A Ásia fechou hoje mista — Japão na ponta negativa, China no positivo —, a Europa negocia em alta nas primeiras horas e os futuros dos EUA prolongam, na margem, o forte fechamento de ontem em Nova York.
| Praça | Último | Var. | Sessão |
|---|---|---|---|
| Nikkei 225 (Japão) | 69.911 | −0,92% | fechou hoje |
| ASX 200 (Austrália) | 8.801 | −0,39% | fechou hoje |
| CSI 300 (China) | 4.979 | +1,07% | hoje |
| DAX (Alemanha) | 24.915 | +1,17% | em andamento |
| FTSE 100 (Reino Unido) | 10.599 | +0,67% | em andamento |
| CAC 40 (França) | 8.409 | +0,32% | em andamento |
| S&P 500 | 7.440 | +1,18% | fechou ontem |
| Nasdaq-100 | 29.775 | +2,25% | fechou ontem |
| Dow Jones | 52.183 | +0,59% | fechou ontem |
| Futuros S&P / Nasdaq | — | +0,08% / +0,12% | agora |
No tabuleiro de commodities e câmbio, o quadro é construtivo para a bolsa local: minério, cobre e níquel sobem, e o petróleo se recupera depois da queda da semana passada — o noticiário traz EUA e Irã suspendendo hostilidades e retomando negociações (reunião em Doha), o que tira prêmio de guerra do barril mas estabiliza o Brent perto de US$74. As metálicas dão sustentação a Vale e siderúrgicas; o petróleo, a Petrobras. As moedas emergentes aparecem firmes — rand e yuan se valorizam ante o dólar —, sinal de risco ligado para a turma emergente, ainda que o DXY siga elevado (~121).
| Ativo | Último | Var. | Leitura p/ B3 |
|---|---|---|---|
| Minério de ferro | 747 | +0,61% | Vale, CSN, CMIN |
| Cobre | 13.392 | +0,39% | mineração |
| Níquel | 16.495 | +0,84% | mineração |
| Ouro | 4.025 | +0,22% | defensivo |
| Brent / WTI | 74,4 / 71,1 | +0,60% / +0,54% | Petrobras, PRIO |
| DXY (índice dólar) | 120,9 | −0,14% | câmbio EM |
| USD/ZAR (rand) · USD/CNH (yuan) | 16,37 · 6,79 | −0,30% · −0,18% | EM firme |
| Treasury 10 anos (EUA) | 4,37% | −0,1 pb | bancos, dólar |
Nos ADRs brasileiros, as referências de pré-abertura vêm modestas: PBR +0,9% e VALE −0,1%, ou seja, sem grandes descolamentos para a abertura de Petrobras e Vale aqui. As criptos destoam do humor de risco, com Bitcoin e Ethereum cedendo ~1,5% na manhã.
Agenda do dia
Dia cheio de dados de primeira linha nas duas pontas. No Brasil, o foco é fiscal e emprego; nos EUA, a largada da bateria de números de trabalho que culmina no payroll de quinta (antecipado por causa do feriado de 4 de julho).
| Horário (BRT) | Evento | Praça | Relevância |
|---|---|---|---|
| 08:30 | Resultado primário do setor público & Dívida Bruta/PIB (mai) | BR | alta |
| 10:45 | Chicago PMI (jun) — prev. 62,7 | EUA | média |
| 11:00 | JOLTS — vagas de emprego (mai) — est. 7,28M vs 7,62M | EUA | alta |
| 11:00 | Confiança do Consumidor CB (jun) — est. 94,4 | EUA | alta |
| 14:30 | CAGED — emprego formal (mai) — est. +115 mil | BR | alta |
Radar da semana: quarta traz ADP e ISM industrial nos EUA e o PMI industrial no Brasil; quinta (02/07) é o dia do payroll de junho (est. +114 mil ante +172 mil, desemprego 4,3%) — o evento que define o humor de juros americanos. No corporativo, hoje é o prazo-limite de DFP/ITR de retardatárias (Agrogalaxy, em recuperação judicial; BBM Logística; Sequoia) e há AGOs de Camil (CAML) e do CTC; a Raízen envia proposta e edital de assembleia. Em proventos, ficam ex hoje Multiplan (MULT3), Celesc (CLSC3/4) e Saúde (SAUD3) com JCP; e na sexta (03/07) o Bradesco (BBDC3/BBDC4) fica ex-JCP — vale lembrar disso ao ler eventuais quedas "ex-dividendo".
Pregão de ontem (29/06)
Segunda-feira de fôlego curto: o Ibovespa fechou em 173.205 pontos (−0,05%), virtualmente de lado e colado na máxima histórica, com o índice de BDRs (+1,7%) puxado pelo tech americano enquanto os setores cíclicos pesados patinavam. A dispersão setorial conta a história — o consumo defensivo liderou e os ralos do dia vieram de estouros pontuais em saúde e bens industriais.
Maiores altas
Maiores baixas
O giro financeiro concentrou-se nos suspeitos de sempre: ITUB4 (R$893 mi), VALE3 (R$867 mi) e PETR4 (R$560 mi) lideraram o volume, com Vale e Petrobras praticamente no zero a zero e Itaú levemente positivo. O destaque negativo foi a Viveo (VVEO3 −18%), com o aluguel da ação explodindo (+748% no estoque em 21 pregões) — short pressionando um papel já fragilizado. No corporativo, o caldo da véspera foi denso: a Raízen reportou prejuízo de R$7,3 bi no 4º tri da safra, em meio à reestruturação; Sabesp e EMAE assinaram protocolo de incorporação de ações; o Itaú firmou acordo de aporte de capital nas distribuidoras da Energisa (Denerge); e a Petrobras marcou recorde de 1,2 milhão de barris/dia em Búzios.
No fluxo, a fotografia do mês é o fio condutor: o estrangeiro acumula saída de ~R$8,7 bi em junho, com o institucional local (+R$3,4 bi) e a pessoa física (+R$2,8 bi) do outro lado da mesa segurando a ponta compradora. Coerente com isso, nas ações do Ibovespa de ontem os books estrangeiros (JP Morgan −R$128 mi, UBS −R$119 mi, Merrill −R$114 mi) saíram vendedores, enquanto Ágora, BTG, XP e Santander compraram.
| Contrato | Maior comprado (saldo) | Maior vendido (saldo) |
|---|---|---|
| WIN · mini-Ibov | Ideal +13,2k · XP +10,4k · JPM +9,1k | Ágora −14,8k · UBS −8,8k · Genial −8,8k |
| WDO · mini-dólar | BGC +42,8k · XP +40,3k · Morgan +13,2k | Ágora −27,3k · UBS −26,5k · Necton −11,5k |
Nos minis, chamou atenção a anomalia do Citigroup no WIN, vendendo ~8,1 mil contratos (cerca de 34× a sua média) — uma ponta vendedora agressiva isolada. No mini-dólar, BGC e XP montaram o maior comprado, com Ágora e UBS na ponta oposta. A relação put/call no mercado de opções fechou alta no volume (PCR 2,2), sinal de demanda por proteção, ainda que o posicionamento em aberto (PCR de OI ~0,97) siga equilibrado.
Curva de juros & expectativas
A curva de DI fechou ontem ligeiramente comprimida e quase plana no miolo, ancorada na Selic de 14,25% — o BC entregou em junho o terceiro corte seguido de 0,25 p.p. (75 p.p. acumulados no "ciclo de calibração" desde os 15,00%), em decisão unânime, mas com comunicação cautelosa e sem viés explícito: a magnitude do ciclo seguirá data-dependente. O ponto importante está nas expectativas: o Focus para a Selic de fim de 2026 subiu de 13,00% para 14,00% nas últimas sete semanas — ou seja, o mercado foi tirando corte do preço e hoje enxerga praticamente só mais um ajuste pela frente.
Focus · Selic fim de 2026 (mediana)
Fotografia das curvas
| Vértice | Brasil | EUA |
|---|---|---|
| Básica (Selic / Fed) | 14,25% | 3,50–3,75% |
| 2 anos | 14,13% | 4,07% |
| 10 anos | 14,43% | 4,38% |
| Inclinação 2a–10a | +0,29 pp | +0,31 pp |
Spread Brasil−EUA de 10 anos: ~10,0 pp.
O resto da equação de juros: o IPCA acelerou para 4,72% em 12 meses (de 4,39%) e o IGP-M voltou a campo positivo, o que explica a desancoragem das projeções e a postura serena do Copom. Lá fora, o Fed segue em 3,50–3,75% com viés levemente flexível (easing bias no comunicado, mas com dissidências) e decisão dependente dos dados — daí o peso do payroll de quinta. Com o Treasury de 10 anos estável em 4,37% e o real acompanhando pares emergentes firmes, as condições financeiras externas hoje jogam a favor.
Ibovespa hoje
Amarrando os fios: o exterior entrega à B3 uma abertura com piso. Minério +0,6%, cobre +0,4% e Brent ~US$74 sustentam Vale e Petrobras, que juntas pesam cerca de um terço do índice; o fechamento forte do tech americano e os futuros no azul dão beta positivo ao WIN; e o VIX baixo com CDS em queda mantêm o ambiente de risco amigável. Do lado da cautela, o Ibovespa está esticado na máxima histórica, o gringo segue vendedor no mês e a agenda fiscal/emprego de hoje pode mexer com a curva. Com bancos (ITUB4, BBDC4, BBAS3) sensíveis aos juros e o dólar bem-comportado, o tom de abertura é construtivo, mas o índice depende de quem assume a ponta compradora num patamar já elevado.
- Commodities dão o piso: com minério, cobre e petróleo no positivo, Vale e Petrobras tendem a sustentar a largada — são o eixo que segura o índice na máxima.
- Fiscal e emprego no relógio: resultado primário de maio e CAGED saem hoje no Brasil; lá fora, JOLTS e Confiança do Consumidor (11h) calibram os juros americanos antes do payroll de quinta.
- Quem segura a ponta: o estrangeiro vendeu ~R$8,7 bi em junho e os books gringos seguiram vendedores no IBOV ontem — com Ibov na máxima e VIX baixo, atenção à realização; o comprador tem sido o institucional local.