Pré-mercado — 28/07/2026

Kospi −10,84% e Taiwan −4,65% na madrugada com o choque de chips, mas o câmbio não reagiu; Ibovespa vem de 175.334 pts. Hoje IPCA-15 às 09:00 e FOMC amanhã.

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Pré-mercado

Pré-mercado — 28/07/2026

27/07/2026 · Choque de chips derruba a Ásia, a velha economia resiste — e o câmbio não se mexeu

A madrugada trouxe um choque concentrado, não difuso. O Kospi despencou 10,84% e Taiwan cedeu 4,65% na sessão de hoje, arrastados pela cadeia de semicondutores, enquanto Dow, Austrália e as bolsas europeias seguiram no azul. O câmbio — o termômetro que costuma denunciar estresse sistêmico — não se mexeu. O Ibovespa chega ao pregão vindo de 175.334 pts, com IPCA-15 às 09:00 e o FOMC amanhã no radar.

Ibovespa (fech. 27/07)
175.334
+0,74% · +1.293 pts
Kospi (hoje)
6.023,7
−10,84%
Taiwan (hoje)
41.603
−4,65%
Nasdaq-100 fut.
27.956
−0,83%
Brent
US$ 83,73
−2,49%
Minério
US$ 741
−0,20%
DXY
101,62
+0,10%
Ajuste WIN (27/07)
176.554
+0,88%
Sobre o frescor desta edição. O lote consolidado da B3 do pregão de 27/07 ainda não havia sido processado no fechamento deste briefing. Por isso: níveis de índice, curva DI, NTN-B, PTAX e ajustes de futuros são de 27/07; já os rankings de altas/baixas, setorial, fluxo por corretora e posicionamento de WIN/WDO referem-se a 24/07, a última sessão integralmente consolidada. Cada bloco está datado no próprio texto.

1. Madrugada e pré-abertura

Ásia — o epicentro

A sessão asiática de hoje foi assimétrica de um jeito que importa. A Coreia do Sul registrou queda de 10,84%, para 6.023,7 pontos, e Taiwan recuou 4,65%, a 41.603 pontos — os dois mercados que concentram a fabricação global de memória e de chips avançados. O CSI 300 cedeu 2,83% e o Nikkei, 2,18%. Na contramão, a Austrália subiu 0,99%: uma bolsa sem exposição a semicondutores e pesada em mineração e bancos.

O gatilho é industrial, não macroeconômico. A China iniciou produção em massa de máquinas DUV de imersão de fabricação própria — o equipamento de litografia que sustenta a fabricação avançada de chips e que, até aqui, era gargalo controlado por poucos fornecedores. Some-se a isso o questionamento sobre o financiamento da infraestrutura de IA e a apreensão regulatória em Taiwan, onde um funcionário da Nvidia foi detido em investigação sobre exportação de servidores de IA para a China. É uma reprecificação de posição competitiva na cadeia de semicondutores.

0.99-11
Bolsas (Kospi → Taiwan → CSI 300 → Nikkei → ASX)% · Ásia hoje × velha economia (var. % da sessão)

Europa e futuros americanos

A Europa abriu em andamento e no positivo, sem contágio relevante: DAX +0,58% (25.508), FTSE 100 +0,53% (10.862) e CAC 40 +0,35% (8.456). Nos Estados Unidos, o pregão de ontem fechou já com a mesma divisão: Dow +0,51% (52.210), S&P 500 +0,02% (7.413) e Nasdaq-100 −0,32% (28.039). Os futuros de agora prolongam exatamente esse desenho — Dow +0,27%, S&P −0,11% e Nasdaq-100 −0,83%. O VIX avançou apenas 1,45%, para 18,94: o mercado de opções americano não está precificando pânico.

PraçaNívelVar.Sessão
Kospi (Coreia)6.023,66−10,84%hoje
Taiwan (TWII)41.603,36−4,65%hoje
CSI 300 (China)4.569,52−2,83%hoje
Nikkei 225 (Japão)62.463−2,18%hoje
ASX 200 (Austrália)8.952,80+0,99%hoje
DAX (Alemanha)25.507,68+0,58%em andamento
FTSE 100 (Reino Unido)10.861,75+0,53%em andamento
CAC 40 (França)8.456,30+0,35%em andamento
Dow Jones52.210,08+0,51%fechou ontem
S&P 5007.413,33+0,02%fechou ontem
Nasdaq-10028.039,21−0,32%fechou ontem
S&P 500 (futuro)7.439,88−0,11%em andamento
Nasdaq-100 (futuro)27.956,38−0,83%em andamento
Dow Jones (futuro)52.520,75+0,27%em andamento

Commodities — o complexo inteiro cedeu

Aqui a leitura fica menos confortável para quem quisesse enxergar uma rotação limpa de tecnologia para economia real: as metálicas caíram junto. Prata −1,97%, ouro −1,29% (US$ 4.023,70), níquel −1,27% e cobre −0,96% (US$ 13.624,75). Na energia, Brent −2,49% (US$ 83,73) e WTI −2,34% (US$ 80,68), com a OPEP reunida a partir das 07:00. O minério de ferro foi a exceção estável: −0,20%, a US$ 741 — e essa é a commodity que mais pesa no Ibovespa.

Vale registrar o tamanho da perna de baixa do petróleo: o Brent consolidou em US$ 85,59 no dia 27/07, contra US$ 97,07 na leitura anterior da série — recuo de −11,8%. E isso aconteceu com a geopolítica piorando, não melhorando: ataques no Irã atingiram data centers no Bahrein, o Kremlin classificou o ataque ucraniano a um navio iraniano como ataque ao Irã, e a QatarEnergy estendeu o force majeure de GNL para compradores europeus. Petróleo caindo contra manchete de conflito é sinal de que o mercado está precificando oferta e demanda, não prêmio de risco.

Minério de ferro
−0,20%
Cobre
−0,96%
Níquel
−1,27%
Ouro
−1,29%
Prata
−1,97%
WTI
−2,34%
Brent
−2,49%

Moedas e juros longos — o silêncio que conta a história

Este é o dado mais informativo do overnight. Com uma bolsa asiática caindo dois dígitos, o câmbio global não reagiu. O DXY subiu apenas 0,10%, para 101,62. Entre as desenvolvidas, euro −0,10%, libra −0,06% e iene praticamente parado (+0,08%); a maior oscilação ficou no dólar australiano, −0,35% — coerente com metálicas em queda, não com fuga de risco. Nos emergentes, o mesmo torpor: rand +0,21%, peso mexicano +0,15%, peso colombiano +0,12%, yuan +0,09%, rúpia +0,06%, lira +0,05% e peso chileno −0,01%.

Nos juros longos, movimento de leve procura por proteção, sem violência: Treasury de 10 anos a 4,619% (−0,65%), Bund alemão a 3,114% (−0,57%) e gilt britânico a 4,954% (−0,86%). Um choque realmente sistêmico produziria dólar disparando, emergentes apanhando e bid agressivo em Treasuries. Nada disso está na tela.

MoedaCotaçãoVar.
DXY (índice do dólar)101,623+0,10%
EUR/USD1,1356−0,10%
GBP/USD1,3281−0,06%
USD/JPY163,88+0,08%
AUD/USD0,6965−0,35%
USD/ZAR (rand)16,7974+0,21%
USD/MXN (peso mexicano)17,4818+0,15%
USD/COP (peso colombiano)3.207,62+0,12%
USD/CNH (yuan)6,7718+0,09%
USD/INR (rúpia)95,849+0,06%
USD/TRY (lira)47,3714+0,05%
USD/CLP (peso chileno)940,37−0,01%
Leitura HALO — o dia favorece a velha economia. O par tech-EM (Kospi −10,84% · Taiwan −4,65%) desabou contra uma velha economia que segurou (Dow +0,51% ontem e futuro +0,27%, ASX +0,99%, DAX +0,58%). A divergência aponta choque setorial — reprecificação da cadeia de semicondutores — e não aversão a risco generalizada. Duas ressalvas honestas: as metálicas caíram junto (cobre −0,96%, níquel −1,27%), o que tira força do argumento de rotação para ativos reais; e o Ibovespa tem pouquíssima exposição direta a semicondutores, o que o torna espectador — não protagonista — desta onda.

2. Agenda do dia

Terça-feira carregada no Brasil e véspera de Fed. O IPCA-15 de julho, às 09:00, é o evento doméstico: projeta-se 0,19% no mês contra 0,41% na leitura anterior, o que levaria o acumulado em 12 meses de 4,80% para 4,67%. Uma desaceleração dessa ordem alimentaria a tese de continuidade do ciclo de calibração já embutida na curva. Meia hora antes, às 08:30, saem Transações Correntes (estimativa de −US$ 2,40 bi ante −US$ 3,19 bi) e Investimento Estrangeiro Direto (US$ 5,50 bi ante US$ 7,97 bi) de junho.

Nos Estados Unidos, o dia é de aquecimento: Confiança do Consumidor às 11:00 (projeção 92,4 contra 91,2) e leilão de Note de 7 anos às 14:00, cuja última taxa saiu a 4,260%. O evento de verdade é amanhã: decisão do FOMC às 15:00, com projeção de manutenção da faixa em 3,75%, seguida da coletiva às 15:30. Na quinta vem o pacote pesado — núcleo do PCE e PIB do 2º trimestre nos EUA, mais IGP-M, desemprego e CAGED no Brasil.

Hora (BRT)PaísEventoRelevânciaProjeçãoAnterior
07:00Reunião da OPEPMédia
08:30BRTransações Correntes (jun)Alta−US$ 2,40 bi−US$ 3,19 bi
08:30BRInvestimento Estrangeiro Direto (jun)AltaUS$ 5,50 biUS$ 7,97 bi
09:00BRIPCA-15 mensal (jul)Alta0,19%0,41%
09:00BRIPCA-15 acum. 12 mesesAlta4,67%4,80%
09:15USVariação semanal de empregos ADPMédia16,50 mil
09:30USBalança Comercial de Bens (jun)Média−US$ 100,30 bi−US$ 105,89 bi
11:00USConfiança do Consumidor CB (jul)Alta92,491,2
14:00USLeilão de Note de 7 anosMédia4,260%
17:30USEstoques semanais de petróleo APIMédia−1,500 mi bbl2,603 mi bbl
29/07 · 15:00USDecisão do FOMC + coletivaAlta3,75%3,75%
30/07 · 09:30USNúcleo do PCE (jun) e PIB do 2º triAlta0,1% · 2,3%0,3% · 2,1%

Agenda corporativa e datas-ex

A temporada de balanços do 2º trimestre entra na semana cheia. Hoje é dia de TIM (TIMS3). Amanhã, Bradesco (BBDC3) abre a rodada dos grandes bancos, com Intelbras, Kepler Weber, Motiva e Profarma na sequência. Quinta-feira concentra o peso do índice: Vale, Ambev, Usiminas, Multiplan, Ecorodovias e ISA Energia — e o resultado da Vale chega justamente com o minério estável, ao contrário do resto do complexo metálico.

Nas datas-ex próximas: CLSC3 e CLSC4 passam a negociar sem direito a JCP em 31/07 (R$ 0,9777 e R$ 1,0755 por ação, referentes ao 3º trimestre), e CXSE3 em 03/08 (JCP de R$ 0,35, pagamento em 17/08).

DataEmpresaEvento
28/07TIM (TIMS3)Resultado do 2º trimestre
29/07Bradesco (BBDC3)Resultado do 2º trimestre
29/07Intelbras · Kepler Weber · Motiva · ProfarmaResultado do 2º trimestre
30/07Vale (VALE3)Resultado do 2º trimestre
30/07Ambev (ABEV3)Resultado do 2º trimestre
30/07Usiminas (USIM5)Resultado do 2º trimestre
30/07Multiplan · Ecorodovias · ISA EnergiaResultado do 2º trimestre
31/07CLSC3 / CLSC4Data-ex JCP — R$ 0,9777 / R$ 1,0755
03/08CXSE3Data-ex JCP — R$ 0,35 (pgto. 17/08)

3. O pregão de ontem

O Ibovespa fechou 27/07 em 175.334 pontos, alta de 0,74% — cerca de +1.293 pontos sobre os 174.041,95 de sexta. O ajuste do mini-índice confirmou o movimento pelo lado dos futuros, subindo de 175.012 para 176.554 pontos (+0,88%). E aqui há um detalhe que merece atenção: o índice subiu apesar da Petrobras. Com o petróleo desabando na segunda, o ADR da estatal fechou o dia a US$ 18,00, contra US$ 18,77 na sexta — uma perda da ordem de 4%. Com Petrobras respondendo por cerca de um décimo do índice, isso significa que o restante da carteira precisou subir bem mais que 0,74% para produzir esse fechamento. O ADR da Vale ficou praticamente parado (US$ 14,78 contra US$ 14,79), coerente com o minério estável.

No câmbio, o dólar avançou 0,67% no dia, com a PTAX de 27/07 em R$ 5,1005 e o ajuste do mini-dólar subindo de 5.083,093 para 5.117,127. Movimento moderado, na mesma direção do dólar global — nada que sugira estresse local.

Altas, baixas e volume — a onda de chips já estava aqui

Os rankings abaixo são de 24/07, última sessão integralmente consolidada. E eles antecipam com precisão o que explodiu na Ásia hoje: o BDR da Intel caiu 16,29%, o da Micron 7,27%, o da AMD 6,04% e o da Oracle 4,21%. A reprecificação da cadeia de semicondutores começou antes do fim de semana e chegou à B3 pela porta dos BDRs — quem acompanhou esse recibo tinha o aviso.

Fora dos BDRs, a ISA Energia (ISAE4) caiu 7,06% girando R$ 297 mi, e a Caixa Seguridade (CXSE3) recuou 5,08% com R$ 217 mi — esta última em dia de deliberação do conselho sobre processo competitivo para seleção de seguradora parceira em seguros embarcados. Hapvida perdeu 5,34% e Animal (ANIM3), 5,56%. Do lado positivo, Dasa +6,25%, Yduqs +3,19% e Plano&Plano +2,45%, além do BDR da Apple, +3,25% — a única grande de tecnologia a escapar do movimento.

Maiores altas — 24/07

DASA3
+6,25%
AAPL34
+3,25%
YDUQ3
+3,19%
PLPL3
+2,45%
HBSA3
+2,40%
CVCB3
+2,31%
TEND3
+2,07%
VIVT3
+2,01%

Maiores baixas — 24/07

ITLC34 (Intel)
−16,29%
MUTC34 (Micron)
−7,27%
ISAE4
−7,06%
A1MD34 (AMD)
−6,04%
ANIM3
−5,56%
HAPV3
−5,34%
CXSE3
−5,08%
MBRF3
−4,50%

Maiores volumes financeiros — 24/07 (R$ mi)

PETR4
R$ 1,24 bi
VALE3
R$ 650 mi
B3SA3
R$ 546 mi
AXIA3
R$ 450 mi
ITUB4
R$ 440 mi
EMBJ3
R$ 429 mi
PETR3
R$ 366 mi
WEGE3
R$ 353 mi
PRIO3
R$ 319 mi
EQTL3
R$ 315 mi

Setorial

Na foto do mês (21 pregões encerrados em 24/07), a dispersão setorial é larga e conta uma história consistente: o Financeiro (IFNC) +3,56% lidera, seguido de Dividendos (IDIV) +1,66%, enquanto o Imobiliário (IMOB) −8,96% e o Consumo (ICON) −5,59% — os dois setores mais sensíveis a juro alto — apanham. Com a Selic em 14,25% e o DI longo acima de 14,6%, essa é exatamente a hierarquia que a curva impõe. No dia 24/07 especificamente, o movimento foi de baixa generalizada, com Energia Elétrica (IEEX) −2,46% na ponta perdedora e o Ibovespa em −1,52%.

Financeiro+3,56%
Dividendos+1,66%
MidLarge Cap+1,54%
Ibovespa+1,19%
IBrX 100+1,14%
Fundos Imob.+0,25%
BDRs−0,75%
Industrial−1,09%
Energia Elétrica−3,01%
Consumo−5,59%
Imobiliário−8,96%
ÍndiceNívelDia (24/07)SemanaMês
Financeiro (IFNC)18.536,40−1,81%−0,03%+3,56%
Dividendos (IDIV)12.427,90−1,98%−0,40%+1,66%
Ibovespa174.041,95−1,52%+0,19%+1,19%
Industrial (INDX)28.789,37−0,71%+0,72%−1,09%
Energia Elétrica (IEEX)123.848,51−2,46%−1,92%−3,01%
Consumo (ICON)2.772,54−1,34%−3,24%−5,59%
Imobiliário (IMOB)1.235,17−0,89%−3,31%−8,96%
Small Cap (SMLL)2.131,79

Fluxo — gringo × nacional

No dia 24/07, o estrangeiro saiu R$ 1,23 bi da bolsa, terceira retirada em quatro pregões, tendo do outro lado institucionais (+R$ 674 mi), pessoa física (+R$ 381 mi) e bancos (+R$ 185 mi). No acumulado do mês, porém, o quadro se inverte: o estrangeiro segue positivo em +R$ 2,40 bi em julho, enquanto os institucionais locais acumulam saída de −R$ 6,44 bi. Ou seja: quem tem sustentado a bolsa no mês é o capital externo somado à pessoa física (+R$ 1,95 bi) e aos bancos (+R$ 2,15 bi) — e quem vende é a indústria de fundos doméstica.

Institucionais
+R$ 674 mi
Pessoa física
+R$ 381 mi
Bancos
+R$ 185 mi
Outros
−R$ 8 mi
Estrangeiro
−R$ 1,23 bi

No acumulado de 10 pregões (13/07 a 24/07) dentro da carteira do Ibovespa, o fluxo por corretora mostra os estrangeiros divididos entre si — não é um bloco. Do lado comprador, Morgan +R$ 1,20 bi, Citigroup +R$ 963 mi, UBS +R$ 417 mi e JP Morgan +R$ 397 mi. Do lado vendedor, Merrill −R$ 1,55 bi e Goldman −R$ 987 mi. Somados, os grandes bancos globais ficam ligeiramente compradores no período. Entre as casas locais, Santander (+R$ 435 mi), BTG (+R$ 412 mi) e BGC (+R$ 493 mi) acumularam, enquanto a XP distribuiu R$ 930 mi e o Itaú, R$ 305 mi. Vale a ressalva de sempre: corretora de banco global é executora de fluxo de cliente — o saldo diz por onde o dinheiro passou, não de quem é a tese.

Morgan
+R$ 1,20 bi
Citigroup
+R$ 963 mi
BGC
+R$ 493 mi
Santander
+R$ 435 mi
UBS
+R$ 417 mi
BTG
+R$ 412 mi
JP Morgan
+R$ 397 mi
Itau
−R$ 305 mi
XP
−R$ 930 mi
Goldman
−R$ 987 mi
Merrill
−R$ 1,55 bi

No detalhe por papel, três mudanças de comportamento chamaram atenção em 24/07: a Morgan inverteu para comprador em AXIA3, com saldo de +R$ 174,7 mi contra uma média histórica vendedora de −R$ 12,7 mi por dia — na direção oposta da UBS, que virou vendedora de R$ 32,6 mi no mesmo papel. O BTG acelerou como comprador em PETR3 (+R$ 58,0 mi) e a XP em BBAS3 (+R$ 39,2 mi).

Futuros — posicionamento de WIN e WDO em 24/07

No mini-índice, a foto de saldo líquido do dia mostrou dois grandes vendidos e vários comprados menores: Morgan com net de −56.115 contratos (−R$ 1,98 bi) e Goldman com −37.712 contratos (−R$ 1,33 bi) de um lado; XP (+18.491), JP Morgan (+16.677), Ativa (+12.669) e Ideal (+11.564) do outro. O giro do dia somou 13,99 milhões de contratos entre 31 corretoras, a um preço médio de 176.008 pontos.

No mini-dólar, o desenho foi mais concentrado: JP Morgan comprado em 53.669 contratos (+R$ 2,73 bi) e Necton em 41.900 (+R$ 2,13 bi), tendo como contraparte Ativa (−25.597), XP (−24.776), Renascença (−22.530) e BTG (−19.375). Foram 2,03 milhões de contratos a um preço médio de 5.081,58.

ContratoPlayerSaldo líquido (ctr)Saldo (R$)
WINMorgan−56.115 ctr−R$ 1,98 bi
WINGoldman−37.712 ctr−R$ 1,33 bi
WINXP+18.491 ctr+R$ 654 mi
WINJP Morgan+16.677 ctr+R$ 587 mi
WINAtiva+12.669 ctr+R$ 445 mi
WINIdeal+11.564 ctr+R$ 401 mi
WDOJP Morgan+53.669 ctr+R$ 2,73 bi
WDONecton+41.900 ctr+R$ 2,13 bi
WDOAtiva−25.597 ctr−R$ 1,30 bi
WDOXP−24.776 ctr−R$ 1,26 bi
WDORenascença−22.530 ctr−R$ 1,15 bi
WDOBTG−19.375 ctr−R$ 983 mi

Derivativos e aluguel

O Put/Call ratio de 27/07 ficou em 0,895 por volume e 0,963 por posição em aberto — livro equilibrado, sem viés defensivo marcado. No aluguel de ações (posições de 24/07), as maiores altas de taxa no dia foram CMIN3, saltando 831 bps para 53,55% ao ano, Light (LIGT3) com +459 bps a 25,89%, e Natura (NATU3) com +251 bps a 203,90% — três nomes em território de dificuldade de tomada. Na direção contrária, BRAV3 aliviou 362 bps, para 7,28%, e Engie (EGIE3), 142 bps, para 2,84%. Em 21 pregões, os maiores avanços de estoque alugado foram VVEO3 (+677,7%), SANB3 (+323,6%), SANB4 (+318,9%) e ISAE4 (+283,7%) — este último combinando estoque alugado em forte expansão com a queda de 7,06% no dia e o balanço marcado para 30/07.

0,895
Put/Call ratio (volume)

Livro equilibrado — 27/07

0,963
Put/Call ratio (posição em aberto)

Sem viés defensivo marcado

Fatos relevantes

A Simpar divulgou prévia do 2º trimestre com receita líquida de serviços de R$ 9,4 bi, alta de 13,2% na comparação anual, alavancagem consolidada reduzida para 2,8× e a monetização de 100% da CS Porto Aratu por R$ 1,8 bi em enterprise value, além de aumentos de capital privados de R$ 3,0 bi em Simpar, Movida e Vamos. Na Vale, o conselho aprovou por unanimidade a destituição do conselheiro Marcelo Gasparino da Silva por vazamento de informações confidenciais, com convocação de assembleia para deliberar — três dias antes do resultado trimestral. No mercado de dívida, o dia foi intenso: Localiza encerrou emissão de R$ 5,64 bi em debêntures (mais R$ 1,42 bi na Localiza Fleet), Axia Energia precificou R$ 500 mi com rating brAAA e JBS iniciou oferta de R$ 400 mi.

4. Juros e renda fixa

Estados Unidos

Com o FOMC amanhã, a Treasury de 2 anos — o vértice que melhor baliza a expectativa de Fed — está em 4,33%, contra 4,69% na de 10 anos: inclinação 2s10s de +0,36 pp, curva positivamente inclinada e sem sinal de recessão precificada. O fed funds segue na faixa de 3,75% e a projeção para amanhã é de manutenção. No overnight, a 10 anos cede a 4,619%. É importante notar a assimetria do debate atual: com dados de inflação mais baixos, o mercado passou a considerar cenários alternativos, mas a barreira para qualquer mudança de rumo nesta semana permanece elevada.

Brasil — curva DI e vértices-chave

A curva DI de 27/07 tem formato em "U": cai da ponta curtíssima até meados de 2027 e depois sobe de forma contínua. O DI de janeiro/27 está em 13,90%, abaixo da Selic de 14,25% — a curva embute continuidade do ciclo de calibração. Os dois vértices-âncora de médio e longo prazo: DI janeiro/29 a 14,31% e DI janeiro/33 a 14,65%. Do vértice de agosto/26 (14,16%) ao de janeiro/36 (14,66%), a inclinação total é de +50 bps. Na comparação internacional, o spread Brasil–EUA de 10 anos está em 10,155 pp, com o Tesouro brasileiro de 10 anos a 14,845% e inclinação doméstica 2s10s de +0,655 pp.

1514
Curva DI — 27/07% a.a. · vencimento (ago/26 → jan/37)

NTN-B longas — juro real

Na ponta longa indexada à inflação, o juro real de 27/07 segue abaixo de 8% a partir de 2037: a NTN-B 2037 paga 8,02%, a 2040 paga 7,86%, a 2045 paga 7,70%, a 2050 paga 7,67% e a 2060 paga 7,57%. A curva real é descendente no longo prazo — o mercado exige menos prêmio real quanto mais longo o papel, o inverso do que ocorre na curva nominal. Essa divergência entre curva nominal ascendente e curva real descendente é a expressão do prêmio de inflação embutido nos prefixados longos.

VencimentoTaxa indicativaPU
NTN-B 20358,16%4.195,14
NTN-B 20378,02%4.149,88
NTN-B 20407,86%4.159,30
NTN-B 20457,70%4.042,41
NTN-B 20507,67%4.043,20
NTN-B 20557,59%3.962,30
NTN-B 20607,57%4.001,25

Leilões do Tesouro

Hoje é terça-feira, dia de LFT e NTN-B — inclui, portanto, as B longas. A referência mais recente de taxa de corte vem do leilão de 21/07: NTN-B de 10 anos a 7,95%, NTN-B de 35 anos a 7,47%, NTN-B de 5 anos a 8,30% e LFT de 6 anos a 0,12%. Comparando com o secundário de ontem, a B de 2037 fechou a 8,02% — praticamente colada no corte de 10 anos da semana passada, o que sugere demanda estável. Na quinta vem o leilão de prefixados (LTN e NTN-F), cujos últimos cortes saíram em 14,85% para a NTN-F de 10 anos e 14,77% para a LTN de 48 meses.

Focus e Copom

O Boletim Focus de 17/07 manteve a Selic projetada em 14,00% pela quarta semana seguida e trouxe revisões marginais para baixo: IPCA a 5,15% (−0,01 pp na semana, vindo de 5,33% um mês antes), IGP-M a 5,55% (−0,05 pp) e PIB em 1,99%. O câmbio projetado segue em R$ 5,20 — acima da PTAX de ontem, de R$ 5,1005. A Selic vigente é de 14,25% desde 18/06, quando o Copom cortou 75 bps por unanimidade de 7 votos, sem viés explícito e com a magnitude total do ciclo declarada como dependente dos dados. A trajetória descendente do IPCA no Focus — de 5,33% para 5,15% em quatro semanas — é o que sustenta a precificação de corte embutida na ponta curta do DI, e o IPCA-15 de hoje é o próximo teste dessa tese.

IndicadorProjeção atualSemana anteriorRevisão
Selic (fim de 2026)14,00%14,00%0,00 pp
IPCA5,1514%5,1625%−0,0111 pp
IGP-M5,5537%5,6081%−0,0544 pp
Câmbio (USD/BRL)R$ 5,20R$ 5,200,00
PIB1,9859%1,9865%−0,0006 pp
Dívida líquida / PIB69,82%69,87%−0,05 pp

5. O Ibovespa hoje

A pergunta prática é simples: quanto do choque asiático chega aqui? O Ibovespa é um índice de commodities, bancos e utilidades — a exposição direta a semicondutores é residual. O canal de transmissão relevante não é setorial, é de apetite por risco em emergentes. E esse canal, nesta madrugada, está silencioso: o dólar não se moveu contra rand, peso mexicano ou peso chileno, e o real não tem por que se comportar diferente dos pares.

Onde o índice realmente se conecta com o overnight é em commodities, e aí a leitura se divide. O minério praticamente estável (−0,20%) protege o bloco de mineração e siderurgia — e a Vale reporta o 2º trimestre na quinta, com a matéria-prima colaborando enquanto o resto do complexo metálico cede. Já o petróleo continua caindo (Brent −2,49%), prolongando a perna que derrubou cerca de 4% o ADR da Petrobras ontem: PETR4, PETR3 e PRIO3 ficam no caminho direto dessa pressão, e as três estiveram entre os dez maiores volumes da última sessão consolidada. Nos juros, a Treasury de 10 anos cedendo a 4,619% e o DXY quase parado aliviam marginalmente a ponta longa da curva local — bom para o bloco de juro longo (imobiliário e consumo), justamente o que mais apanhou no mês.

O evento doméstico do dia chega antes da abertura: o IPCA-15 às 09:00. Uma leitura em linha ou abaixo de 0,19% reforça o corte já embutido no DI de janeiro/27 a 13,90% e favorece os setores de duration. Uma surpresa altista faz o caminho inverso. E tudo isso acontece na véspera do Fed, com a bolsa vindo de alta de 0,74% num pregão em que a maior ação do índice caiu 4% — sinal de que a demanda por ativos brasileiros tem vindo de outro lugar que não as commodities.

O que observar na abertura

  • Se o choque vira contágio ou fica contido. O sinal a vigiar não é a bolsa asiática — é o câmbio. Enquanto DXY, rand e peso mexicano seguirem parados como estão agora (+0,10%, +0,21% e +0,15%), o episódio permanece setorial. Real destoando dos pares seria o primeiro indício de que virou algo maior.
  • Petróleo × minério dentro do índice. O Brent em queda (−2,49%) pressiona PETR4, PETR3 e PRIO3, que já sentiram o golpe ontem; o minério estável (−0,20%) protege VALE3, CSNA3 e CMIN3 às vésperas do balanço da Vale. É um índice puxado por forças opostas na abertura — a atribuição vai valer mais que o número do índice.
  • IPCA-15 às 09:00 e a ponta curta do DI. Com o DI de janeiro/27 a 13,90% já abaixo da Selic de 14,25%, a curva não tem muita margem para comemorar um número bom, mas tem bastante para reagir a um número ruim. Financeiro e Dividendos, líderes do mês, são os termômetros; Imobiliário e Consumo, os mais alavancados na resposta.

Nota de cobertura: o lote consolidado da B3 referente ao pregão de 27/07 não estava disponível no fechamento desta edição. Em consequência, esta edição não traz a atribuição por ação do Ibovespa de 27/07, nem o detalhamento setorial e os rankings de altas/baixas daquele pregão — esses blocos foram reportados com base em 24/07, última sessão integralmente consolidada, e estão datados como tal ao longo do texto. Níveis de índice, ajustes de futuros, curva DI, NTN-B, PTAX e Put/Call ratio referem-se a 27/07.