Pré-mercado — 24/07/2026
Rout de tech na Ásia (Kospi −5,7%), tarifaço de 12,5% dos EUA em vigor hoje, Brent devolvendo os US$ 100 e curva DI +20 bps: os fios da abertura da B3.
Pré-mercado — 24/07/2026
Sexta-feira de rotação lá fora: um rout de tecnologia varreu a Ásia na madrugada — Kospi −5,72% e Taiwan −2,67% — depois de Wall Street fechar ontem no vermelho puxada pelo Nasdaq (−1,87%). Do outro lado, a velha economia segurou: metálicas no azul e Europa abrindo em alta. No Brasil, a abertura carrega três fios de uma vez — o tarifaço de 12,5% dos EUA sobre produtos brasileiros que entra em vigor HOJE, o petróleo devolvendo o susto dos US$ 100 (Brent −3,7% nesta manhã) e uma curva DI que subiu ~20 bps ontem no medo inflacionário.
Madrugada e pré-abertura
O fio da noite é uma rotação para fora de tecnologia. A Ásia de hoje despencou onde tem mais chip e crescimento — Kospi −5,72% (Coreia) e Taiwan −2,67%, proxies de tech-EM — na esteira do Nasdaq (−1,87% ontem) e de uma Tesla que caiu 10,8% (o BDR TSLA34 liderou as quedas da B3). CSI 300 −1,67% e Nikkei −0,55% acompanharam de leve; a Austrália (ASX +0,10%), mais pesada em bancos e mineração, quase não sentiu. A Europa em andamento abre no positivo (DAX +0,90%, FTSE +0,58%, CAC +0,34%) e os futuros de NY ensaiam um repique de fôlego curto (S&P +0,27%, Nasdaq +0,24%).
| Praça / Índice | Nível | Var. | Sessão |
|---|---|---|---|
| Kospi (Coreia) | 6.691 | −5,72% | hoje |
| Taiwan (TWII) | 43.655 | −2,67% | hoje |
| CSI 300 (China) | 4.649 | −1,67% | hoje |
| Nikkei 225 | 65.028 | −0,55% | hoje |
| ASX 200 | 8.803 | +0,10% | hoje |
| S&P 500 | 7.423 | −1,01% | fechou ontem |
| Nasdaq 100 | 28.455 | −1,87% | fechou ontem |
| Dow Jones | 51.712 | −0,97% | fechou ontem |
| Futuro S&P | — | +0,27% | em andamento |
| DAX (Alemanha) | 24.987 | +0,90% | em andamento |
| FTSE 100 | 10.687 | +0,58% | em andamento |
| CAC 40 (França) | 8.332 | +0,34% | em andamento |
Nas commodities, o petróleo é o personagem: depois de furar os US$ 100 ontem no intradia com os ataques no Mar Vermelho (Irã/Houthis), o Brent recua −3,7% para ~US$ 96,9 nesta manhã e o WTI −3,5% (~US$ 89) — devolvem parte do prêmio de risco. O bloco metálico segue firme (cobre +0,5%, prata +1,4%, níquel +0,8%, ouro +0,2%), com o minério de ferro de lado (US$ 746, −0,1%). No câmbio, o dólar global cede (DXY 101,4, −0,1%) e o peso mexicano se firma (−0,3%), pano de fundo benigno para o real — que fechou ontem perto de R$ 5,09/5,10 pelo mini. Nos ADRs em NY (pré-abertura, fino), Vale +0,6% e Petrobras −0,4%. Treasury de 10 anos em 4,68%.
Leitura HALO: o dia favorece a velha economia sobre tech. Ásia de chip esfacelada (Kospi/Taiwan) × metálicas firmes, Dow segurando melhor que o Nasdaq e Europa no azul desenham uma preferência por valor/commodity — configuração que, isolada, cai bem na composição do Ibovespa (pesada em Vale, Petro e bancos, leve em tech). O contrapeso local vem do tarifaço e da curva de juros.
Agenda do dia
Dia sem indicador brasileiro de peso e sem balanço grande na B3 — o foco externo é a saúde da economia americana pela leva de PMIs e imóveis, num momento em que o mercado pesa crescimento contra a última perna de aversão a risco em tech.
| Hora (BRT) | País | Evento | Relevância |
|---|---|---|---|
| 09:00 | 🇺🇸 | Licenças de Construção (jun) | média |
| 10:45 | 🇺🇸 | PMI de Serviços (jul) | alta |
| 10:45 | 🇺🇸 | PMI Industrial (jul) | alta |
| 10:45 | 🇺🇸 | PMI Composto S&P Global (jul) | média |
| 11:00 | 🇺🇸 | Venda de Casas Novas (jun) | alta |
| 14:00 | 🇺🇸 | Sondas de petróleo Baker Hughes | média |
| 16:30 | 🌎 | Posições de especuladores (CFTC) | baixa |
Radar da semana (por que hoje é a calmaria antes do movimento): segunda tem Boletim Focus (08:25) e o começo da temporada pesada de balanços — VIVT3 e TIM em 27/07, Bradesco em 29/07 e um 30/07 lotado (Vale, Ambev, Usiminas, ISA Energia, Multiplan). No macro, IPCA-15 de julho em 28/07 (09:00) e a decisão do Fed em 29/07 (comunicado 15:00, coletiva de Powell 15:30) — a taxa deve ficar em 3,75%, mas o tom pesa na curva americana e, por tabela, no dólar e no juro brasileiro. Nos proventos, a agenda à frente está rala: a data-ex relevante mais próxima é a JCP da Caixa Seguridade (CXSE3), R$ 0,35/ação, ex em 03/08.
Pregão de ontem (23/07)
O Ibovespa fechou a 176.724 pontos, −0,46%, num pregão de viés vendedor com breadth ruim — só 2 dos 10 setores no azul. A liderança negativa saiu do Financeiro (−0,81%, IFNC −1,07%) — ITUB4 −0,86%, BPAC11 −1,4%, B3SA3 −1,45% — somado a WEGE3 −2,16% e ao castigo em tecnologia/consumo. O amortecedor veio do petróleo: com o Brent furando os US$ 100 no dia, Petróleo & Gás subiu +1,25% (PETR3 +1,52%, PETR4 +1,01%) e Vale segurou de lado (−0,05%), evitando um tombo maior do índice.
Maiores altas e baixas
Do lado positivo, Simpar (SIMH3 +4,36%) reagiu à venda do terminal CS Porto Aratu para a ICTSI por enterprise value de R$ 1,8 bi. Na ponta negativa, o dia foi de tech e saúde: QUAL3 −8,44%, HAPV3 −8,15%, TOTS3 −5,77% e MGLU3 −4,68%, com o BDR da Tesla (TSLA34) despencando 10,8% — o termômetro local do rout global de tecnologia.
Maiores volumes financeiros
O giro se concentrou no de sempre — Vale e Petro no topo (R$ 1,2 bi e R$ 1,1 bi) —, com destaque para SBSP3 (R$ 1,08 bi, RVOL 2,7×), que girou bem acima da média mesmo caindo −1,22%.
Mapa setorial
O gradiente é claro: energia no topo pelo petróleo, tecnologia no fundo (−2,53%) pelo contágio de NY, com consumo e saúde logo acima. Rotação de livro de texto para um dia de commodity forte e crescimento sob suspeita.
Fluxo
No consolidado da B3 (dado de 22/07, defasado um pregão), o gringo seguiu comprador (+R$ 278 mi no dia) e o mês reforça a tese: +R$ 4,61 bi de estrangeiro em julho contra um institucional local pesadamente vendido (−R$ 7,70 bi) — o descolamento que vem sustentando o índice apesar da fraqueza doméstica.
Dentro do Ibovespa, quem empurrou pela ponta compradora ontem foi o BTG (+R$ 669 mi, 18,2% do volume), seguido de Itaú e UBS; do lado vendedor, os fluxos passaram por XP (−R$ 208 mi) e Goldman (−R$ 202 mi).
| Compradores (IBOV) | Net R$ | | | Vendedores (IBOV) | Net R$ |
|---|---|---|---|---|
| BTG | +R$ 669 mi | | | XP | −R$ 208 mi |
| Itaú | +R$ 137 mi | | | Goldman | −R$ 202 mi |
| UBS | +R$ 121 mi | | | Merrill | −R$ 113 mi |
| Genial | +R$ 112 mi | | | Safra | −R$ 96 mi |
| JP Morgan | +R$ 75 mi | | | Necton | −R$ 85 mi |
Futuros — WIN e WDO (posição final por saldo líquido)
No mini-Ibovespa (WINQ26), que ajustou perto de 178.025 pts (−0,42%), o maior líquido vendedor do dia foi a Ágora (−26,6 mil contratos), contra os compradores Merrill (+17,3 mil), XP (+15,7 mil) e Genial (+13,7 mil); JP Morgan ficou vendido (−15,4 mil). No mini-dólar (WDOQ26, +0,42%), a Ativa disparou no lado comprador (+37,0 mil, volume 1,8× a mediana), enquanto XP, Ágora e BTG terminaram líquidos vendedores. Lembrando que o saldo aqui é lado do negócio, não agressão — nos bancos estrangeiros é fluxo de cliente passando pela mesa.
WIN · saldo líquido (contratos)
WDO · saldo líquido (contratos)
Juros & renda fixa (BR + EUA)
O grande recado de ontem veio da curva DI, que subiu ~20 bps do miolo à ponta longa no susto inflacionário do petróleo — DI jan/29 a 14,71% (+21 bps) e DI jan/33 a 14,88% (+18 bps). Do lado americano, a Treasury de 2 anos (a mais sensível ao Fed) está em 4,31% e a de 10 anos em 4,67%, com a curva positivamente inclinada (2s10s +0,36 pp) às vésperas do FOMC de quarta.
| EUA | Yield |
|---|---|
| Fed Funds | 3,75% |
| Treasury 2a | 4,31% |
| Treasury 10a | 4,67% |
| Inclinação 2s10s | +0,36 pp |
| Brasil | Yield |
|---|---|
| Selic meta | 14,25% |
| DI jan/29 | 14,71% |
| DI jan/33 | 14,88% |
| Tesouro 10a | 14,86% |
| Inclinação 2s10s | +0,45 pp |
| Spread BR−EUA 10a | 10,19 pp |
Nas NTN-B longas, o juro real de ponta segue perto de 7,6% (2050/2060) e ~8,2% no vértice de 2035 — patamar que ancora a discussão de valuation da bolsa. Não há leilão do Tesouro hoje (sexta); os próximos são 28/07 (LFT + NTN-B) e 30/07 (LTN + NTN-F). Como referência de demanda, a última taxa de corte do prefixado saiu ontem com a NTN-F de 10 anos a 14,85%, e a NTN-B de 35 anos a 7,47% (21/07).
| NTN-B (juro real) | Venc. | Taxa |
|---|---|---|
| B 2035 | 2035 | 8,24% |
| B 2037 | 2037 | 8,07% |
| B 2040 | 2040 | 7,90% |
| B 2045 | 2045 | 7,72% |
| B 2050 | 2050 | 7,68% |
| B 2060 | 2060 | 7,58% |
Expectativas & política monetária
O Focus segue estacionado: mediana de Selic em 14,00% para o fim de 2026 (mercado ainda vê espaço para mais um ajuste fino), IPCA em 5,15% (levíssima revisão para baixo na semana), câmbio em R$ 5,20 e PIB em 1,99%. O Copom trouxe a Selic a 14,25% no corte unânime de junho, mas com comunicação data-dependent e sem viés explícito — um "corte cauteloso" com a inflação cheia (IPCA 4,64% a/a) ainda acima da meta e expectativas desancoradas. Nos EUA, o Fed decide quarta: consenso de manutenção em 3,75%, com o peso todo no tom de Powell.
| Focus (mediana) | 2026 | Revisão sem. |
|---|---|---|
| Selic | 14,00% | 0,00 |
| IPCA | 5,15% | −0,01 |
| Câmbio (R$/US$) | 5,20 | 0,00 |
| PIB | 1,99% | −0,00 |
Ibovespa hoje — o que abre o dia
A abertura é um cabo de guerra. A favor: a rotação global para commodity/valor cai bem na composição do índice (Vale, Petro e bancos pesam muito mais que tech), o dólar global fraco (DXY −0,1%) alivia o real e o gringo continua comprador no mês. Contra: o tarifaço de 12,5% entra em vigor hoje e mira exportadores para os EUA (siderurgia, calçados, café, carnes, aviação), a curva DI mais alta pressiona os setores sensíveis a juro e duration (bancos, construtoras, consumo) e o petróleo em recuo tira parte do fôlego que sustentou Petrobras ontem. O beta global do WIN fica refém de qual narrativa vence — o repique dos futuros de NY ou a ressaca do tech asiático.
- Tarifaço 12,5% em vigor hoje — reação dos exportadores para os EUA (CSN/Usiminas, Embraer, frigoríficos, calçados) e o humor de risco doméstico diante da escalada comercial.
- Petróleo devolvendo os US$ 100 (Brent −3,7% a ~US$ 97) — impacto em PETR3/PETR4 e no alívio (ou não) da curva DI, que subiu ~20 bps ontem no susto inflacionário.
- Rout de tech (Kospi −5,7%, Nasdaq −1,9%, Tesla −10,8%) × metálicas firmes — TOTS3 e tech local seguem na berlinda, mas Vale e mineração ganham do lado da rotação; olho no gap entre os futuros verdes de NY e a Ásia vermelha.