Pré-mercado — 22/07/2026
Tarifaço de 25% em vigor, Brent a US$ 95 com escalada EUA–Irã, WEG divulga o 2T26 e gringas na compra do IBOV: o mapa do pregão de 22/07.
Pré-mercado — 22/07/2026
O dia abre com dois choques externos na mesa: o tarifaço adicional de 25% dos EUA sobre cerca de 3.000 itens brasileiros entrou em vigor à 1h01 desta quarta — com até US$ 11 bi em exportações na mira —, e o petróleo disparou no overnight (Brent +4,6%, acima de US$ 95) com a escalada militar entre EUA e Irã. O Ibovespa vem de um pregão travado (−0,03%, aos 173.325 pts) e o teste de hoje é duplo: exportadoras sob tarifa de um lado, petroleiras com vento a favor do outro — com a WEG abrindo a temporada de balanços do 2T26 e discurso de Trump às 16h no radar.
Placar overnight
Futuros americanos em leve realização depois de um fechamento forte em NY, VIX subindo na margem e petróleo carregando prêmio geopolítico — o risco global amanhece defensivo, mas sem stress. WIN e WDO estão fechados até as 09:00; os ajustes de ontem (174.590 e 5.083,87 pts) são a referência de partida.
Madrugada e pré-abertura
| Praça | Índice | Nível | Var | Sessão |
|---|---|---|---|---|
| Japão | Nikkei 225 | 65.888 | −1,88% | fechou hoje |
| Coreia | Kospi | 6.797,70 | +0,74% | fechou hoje |
| Taiwan | TWII | 44.825,78 | +1,34% | fechou hoje |
| China | CSI 300 | 4.717,25 | −0,46% | fechando hoje |
| Austrália | ASX 200 | 8.847,20 | +0,63% | fechou hoje |
| Reino Unido | FTSE 100 | 10.693,65 | +0,83% | em andamento |
| Alemanha | DAX | 25.174,29 | +0,65% | em andamento |
| França | CAC 40 | 8.422,60 | +0,42% | em andamento |
| EUA | S&P 500 | 7.505,24 | +0,83% | fechou ontem |
| EUA | Nasdaq 100 | 29.155,18 | +1,93% | fechou ontem |
| EUA | Dow Jones | 52.224,64 | +0,74% | fechou ontem |
| ADR | PBR (Petrobras) | US$ 18,84 | +1,61% | pré-NY em andamento |
| ADR | VALE | US$ 14,28 | +0,23% | pré-NY em andamento |
Leitura HALO: Kospi (+0,74%) e Taiwan (+1,34%) — as proxies tech-EM — seguem o rali de ontem do Nasdaq (+1,93%), enquanto o Nikkei (−1,88%) apanha com o juro japonês de 10 anos esticando a 2,75%. A Europa de velha economia sobe moderada com o impulso de energia. Mas o driver marginal desta manhã não é tech: é energia e defensivos — futuros US em queda leve, ouro acima de US$ 4.100 (+0,99%) e Brent +4,6%. Pra B3, o pêndulo favorece a velha economia petroleira e deixa o beta global mais frágil.
| Commodity / taxa | Último | Var |
|---|---|---|
| Brent | US$ 95,19 | +4,59% |
| WTI | US$ 88,31 | +4,71% |
| Ouro | US$ 4.117,22 | +0,99% |
| Prata | US$ 59,41 | +1,05% |
| Cobre | US$ 13.885,75/t | −0,15% |
| Níquel | US$ 17.127,50/t | +0,20% |
| Minério 62% (Dalian) | 739,50 CNY/t | −1,00% |
| Treasury 10a | 4,63% | vs 4,60% no fech. de 20/07 |
No câmbio, o DXY está parado em 101,16 (−0,04%): euro (1,1405, +0,06%), libra (1,337) e yuan (6,77) sem direção. A oscilação real está nas moedas de importadores de energia — iene a 163,03 e rúpia indiana +0,26% pro dólar — reflexo direto do salto do petróleo. Entre os peers do real, sem stress: peso mexicano +0,13%, rand +0,04%, peso chileno e colombiano estáveis. As metálicas industriais (cobre −0,15%, minério −1,0% em Dalian) não confirmam o tom de reflação — o choque é de oferta de energia, não de demanda.
Agenda do dia
| Hora (BRT) | País | Evento | Relevância | Referência |
|---|---|---|---|---|
| 01:01 | BR/US | Tarifaço adicional de 25% sobre ~3.000 itens BR entra em vigor | alta | até US$ 11 bi em exportações |
| 08:00 | US | Pedidos de hipotecas MBA (semanal) | baixa | ant. −2,7% |
| 11:30 | US | Estoques de petróleo bruto (EIA) | alta | consenso −2,0 mi barris |
| 11:30 | US | Estoques em Cushing (EIA) | média | ant. +0,43 mi |
| 14:00 | US | Leilão de Treasuries de 20 anos | média | último: 4,927% |
| 14:30 | BR | Fluxo cambial estrangeiro (semanal) | média | ant. +US$ 1,01 bi |
| 16:00 | US | Discurso de Trump | alta | tarifas / Irã no radar |
| 23/07 09:30 | US | Pedidos de seguro-desemprego | alta | consenso 211 mil |
Na agenda corporativa, a WEG (WEGE3) entrega o ITR do 2T26 hoje, com apresentação pública amanhã (23/07) — primeiro peso pesado do índice na temporada; a Neoenergia (NEOE3) também tem divulgação do 2T prevista pra hoje no calendário CVM. Na semana: Telefônica (VIVT3) e TIM (TIMS3) em 27–28/07 e Bradesco (BBDC3) em 29/07, junto de Intelbras, Kepler Weber e Motiva. Amanhã o Tesouro oferta LTN e NTN-F (prefixados). Sem datas-ex de proventos relevantes mapeadas pra janela dos próximos 10 dias.
Pregão de ontem (21/07): índice travado, saúde e consumo no vermelho
O Ibovespa fechou a terça praticamente no zero (−0,03%, aos 173.325,65 pts) — mais um dia de indefinição, espremido entre os sinais conflitantes da guerra EUA–Irã e a véspera do tarifaço. O financeiro segurou o índice (IFNC +0,53%), com BBAS3 +3,28% liderando entre os líquidos e girando R$ 522 mi; PETR4 (+1,22%) concentrou R$ 1,6 bi de giro. Na outra ponta, saúde (−1,68%) e consumo cíclico (−1,42%) apanharam: HYPE3 −6,15% com volume 1,7× a média de 60 pregões e RDOR3 −4,57% com R$ 357 mi. Os BDRs de semicondutores ecoaram o Nasdaq — MUTC34 +11,8%, A1MD34 +7,7%, TSMC34 +5,2% — e o BDRX subiu +0,92%.
Maiores giros financeiros do pregão (R$ mi):
Repare no detalhe: bens industriais −0,59%, com TUPY3 −4,43% e RAPT4 −4,13% — o mercado já antecipava o tarifaço na véspera, penalizando exatamente os exportadores de bens de capital.
Quem moveu o índice
O padrão do mês se repetiu no pregão: fluxo gringo na ponta compradora do IBOV — UBS, Goldman e JP Morgan somaram +R$ 424 mi líquidos nos papéis do índice —, enquanto as casas de varejo/local (XP, BTG, Ágora) venderam. Nos papéis, os destaques de comportamento: Morgan inverteu pra comprador em AXIA3 (+R$ 73,2 mi), XP inverteu pra vendedor em BBAS3 (−R$ 72,7 mi) e BTG acelerou compra em RDOR3 (+R$ 24,9 mi) na queda — fluxo contra o preço nas duas pontas.
No consolidado da B3 (dado fecha em D-2), o estrangeiro sacou R$ 497 mi no dia 20/07, interrompendo a sequência forte da semana anterior (+R$ 2,36 bi em 17/07). No mês, o gringo segue positivo em +R$ 4,22 bi, contra −R$ 7,52 bi do institucional local e +R$ 1,48 bi da pessoa física — o descolamento gringo × institucional continua sendo a espinha dorsal do fluxo de julho.
Futuros: posicionamento final em WIN e WDO
| WIN — player | Net (ctr) | Net (R$) |
|---|---|---|
| Genial | −20.358 ctr | −R$ 710,0 mi |
| Itaú | +16.189 ctr | +R$ 565,7 mi |
| Ágora | +15.271 ctr | +R$ 532,6 mi |
| Goldman | +11.576 ctr | +R$ 403,3 mi |
| Morgan | −10.017 ctr | −R$ 349,5 mi |
| WDO — player | Net (ctr) | Net (R$) |
|---|---|---|
| Ativa | −23.017 ctr | −R$ 1,17 bi |
| BGC | +21.244 ctr | +R$ 1,08 bi |
| XP | +17.620 ctr | +R$ 896,3 mi |
| UBS | −15.678 ctr | −R$ 797,0 mi |
| Morgan | −11.159 ctr | −R$ 568,0 mi |
No mini-índice, a Genial fechou o dia como maior líquida vendedora (−20,4 mil ctr) — invertendo o lado comprador que vinha carregando desde 16/07 —, com Itaú, Ágora e Goldman na ponta líquida compradora. No mini-dólar, Ativa ampliou a ponta vendedora (−23 mil ctr, terceiro dia seguido no lado vendido) contra BGC e XP compradores. Duas anomalias de volume (não de direção): Ativa girou 95,3 mil ctr de WIN na venda bruta (2× a mediana) e Safra comprou 8,7 mil ctr de WDO (3,4× a mediana) — bases curtas de comparação, volume elevado a confirmar.
No balcão de derivativos, o mercado de opções fechou equilibrado (put/call de volume em 0,93 e de OI em 0,95). O sinal quente ficou no aluguel: a taxa de CMIN3 saltou de ~31% pra ~43% a.a. em um dia — hard-to-borrow extremo num papel que subiu +3,74% no à vista, pressão clássica sobre posições vendidas. ISAE4 acumula +273% de crescimento do estoque de aluguel em 21 pregões (R$ 1,5 bi), na esteira da 24ª emissão de debêntures anunciada ontem. Entre os fatos da noite: Braskem esclareceu, após questionamento, a notícia sobre proposta de reestruturação de dívida; Oncoclínicas fez o mesmo sobre recuperação extrajudicial; Minerva homologou aumento de capital por exercício de bônus; e a produção de minério da Vale no 2T veio em 84,3 mi t (+0,8%), com vendas +3,1%.
Juros & renda fixa
Nos EUA, a Treasury de 2 anos — a que mais baliza o Fed — marcou 4,21% no fechamento de 20/07, com a de 10 anos a 4,63% nesta manhã (vs 4,60% no fechamento de 20/07) e inclinação 2s10s em +39 bps. O Fed segue com a banda em 3,50%–3,75%: na última decisão (29/04) o comitê manteve os juros com quatro dissidências — uma pró-corte e três contra o viés de flexibilização no comunicado — e a próxima reunião é na semana que vem (28–29/07), a uma semana do tarifaço em pleno efeito.
No Brasil, a curva DI subiu em bloco no pregão de ontem: o vértice-chave jan/29 fechou a 14,41% (+5,5 bps) e o jan/33 a 14,65% (+3,5 bps), com a inclinação jan/27→jan/33 em ~71 bps. O DI de 1 ano a 14,15% contra Selic de 14,25% precifica pouco além de um corte de 25 bps no horizonte de 12 meses — coerente com um Copom que cortou a 14,25% em 17/06 (terceiro movimento do "ciclo de calibração", que já soma 75 bps desde os 15,00%) mas segue sem viés declarado e totalmente dependente de dados. Próxima decisão em 4–5/08. O spread Brasil–EUA de 10 anos está em 10,11 pp.
Nas B longas, o juro real segue gordo mas invertido na curva: NTN-B 2035 a 8,15%, 2037 a 8,00%, 2045 a 7,66% e 2060 a 7,51%. O leilão de ontem (terça é dia de LFT/NTN-B) saiu com taxa de corte de 8,30% na B de 5 anos, 7,95% na de 10 anos e 7,47% na de 35 anos — cortes colados no secundário, sem prêmio de colocação relevante. Hoje não há leilão; amanhã o Tesouro oferta LTN e NTN-F, cujas últimas taxas de corte foram 13,90% (LTN 12m), 14,51% (LTN 72m) e 14,59% (NTN-F 10 anos).
O Focus de 17/07 trouxe a quarta semana seguida de queda na mediana de IPCA 2026 (5,33% → 5,15% em um mês) com Selic e câmbio parados — desinflação lenta nas expectativas, ainda longe da meta. O risco novo é exógeno: petróleo +4,6% e tarifaço são choques de custo que o Copom citou nominalmente como risco altista.
Ibovespa hoje
A composição do índice deixa o dia bem mapeado. O petróleo a US$ 95 favorece o bloco PETR4/PETR3 (ADR +1,6% no pré-NY) e as juniores de óleo (PRIO3, RECV3, BRAV3 — esta com leilão da OPA da Ecopetrol marcado pra 5/8); os estoques EIA às 11:30 podem esticar ou devolver parte do prêmio. VALE3 digere o relatório de produção (84,3 mi t no 2T, vendas +3,1%) com minério −1,0% em Dalian e ADR levemente positiva — vetor neutro. O tarifaço pressiona os exportadores industriais que já apanharam ontem (Tupy, Randon, bens de capital) e proteínas, enquanto o discurso de Trump às 16h é o headline risk da última hora do pregão. No pano de fundo, juro americano de 10 anos a 4,63% e curva DI reprecificando pra cima limitam o múltiplo doméstico — mas o gringo comprador (+R$ 4,2 bi no mês) e o dólar a R$ 5,07 (menor nível em um mês) seguram o beta. A WEG entrega o 2T26 hoje — maior evento idiossincrático do índice, com o papel vindo de −1,11%. A amplitude média do WIN nos últimos 9 pregões roda em ~2.600 pts: com esse cardápio de catalisadores, o dia tem combustível pra usar o range inteiro.
• Tarifaço em vigor + Trump às 16h — reação de bens de capital, proteínas e aço; headline risk concentrado no fim do pregão, e o fluxo cambial semanal do BC sai às 14:30.
• Petróleo com prêmio geopolítico — Brent +4,6% acima de US$ 95 puxa o bloco Petrobras; estoques EIA às 11:30 são o teste do movimento.
• WEG (2T26 hoje) e a curva DI — primeiro balanço pesado da temporada define o tom de industriais; jan/29 a 14,41% após alta em bloco de ontem limita o espaço de valuation doméstico.