Pré-mercado — 21/07/2026
Overnight risk-on: tech asiático dispara (Taiwan +4,2%, Coreia +3,6%) e metálicas sobem; minério −1,1% pesa na Vale; Ibovespa vem de 4 quedas seguidas.
Pré-mercado — 21/07/2026
Briefing do pregão de 21/07/2026, antes da abertura. A madrugada veio comprada, puxada por um forte rali de tecnologia na Ásia — Taiwan +4,2%, Coreia +3,6%, China +3,1% — e por metálicas firmes, com dólar fraco no mundo e o VIX recuando para 17,6. O contraponto é local: o Ibovespa chega cansado, na quarta queda seguida, e o minério de ferro rema na contramão (−1,1%), tirando força justamente da Vale. Hoje começa, na prática, a temporada de resultados do 2º trimestre.
1 · Placar overnight
Os futuros americanos apontam para cima depois de um pregão fraco em Nova York ontem: o S&P 500 futuro sobe +0,53% e o Nasdaq 100 futuro +1,3%, com o VIX recuando quase 6% para a casa de 17,6 — leitura de apetite por risco. O mini índice e o mini dólar da B3 estão fechados a esta hora (só abrem às 9h); as referências são os ajustes de ontem — WIN a 174.782 pts e WDO a 5.106,05.
2 · Madrugada e pré-abertura
| Praça | Índice | Último | Var% | Sessão |
|---|---|---|---|---|
| Taiwan | TWII | 44.232,87 | +4,20% | fechou hoje |
| Coreia | Kospi | 6.747,95 | +3,56% | fechou hoje |
| China | CSI 300 | 4.739,23 | +3,06% | fechou hoje |
| Japão | Nikkei 225 | 66.143 | +1,67% | fechou hoje |
| Austrália | ASX 200 | 8.783,20 | +0,34% | fechou hoje |
| Reino Unido | FTSE 100 | 10.554,95 | +0,83% | em andamento |
| França | CAC 40 | 8.365,40 | +0,96% | em andamento |
| Alemanha | DAX | 24.937,76 | +0,37% | em andamento |
| EUA | Dow Jones | 51.839,26 | −0,59% | fechou ontem |
| EUA | S&P 500 | 7.441,35 | −0,22% | fechou ontem |
| EUA | Nasdaq 100 | 28.604,23 | +0,04% | fechou ontem |
| EUA | S&P 500 fut | 7.524 | +0,53% | agora |
| EUA | Nasdaq 100 fut | 29.159 | +1,32% | agora |
A Ásia (sessão de hoje, já encerrada) foi o motor: um rali de semicondutores levou Taiwan a +4,2% e a Coreia a +3,6%, com a China (CSI 300) +3,1% e o Nikkei +1,7%. A Europa (em andamento) abriu no verde (Londres +0,8%, Paris +1,0%). Nos EUA, ontem o fechamento foi negativo (Dow −0,6%, S&P −0,2%), mas os futuros de hoje viram para cima, puxados pela tecnologia.
Commodities (agora)
Moedas (agora)
As metálicas acompanharam o humor: prata +4,7%, cobre +1,5%, ouro +1,5% e níquel +1,4% — só o minério de ferro ficou para trás, −1,1%. No petróleo, Brent a US$ 89,8 (+0,6%) e WTI a US$ 83,9 (+0,8%). No câmbio, o dólar está fraco lá fora: o DXY praticamente estável, mas com as moedas emergentes firmes — rand −0,6%, peso mexicano e rúpia −0,3%, yuan −0,1% —, pano de fundo que costuma favorecer o real. O treasury de 10 anos está em 4,60%. Nos ADRs em Nova York (pré-abertura), Vale +1,9% e Petrobras +0,3%.
3 · Agenda do dia
Dia de agenda macro doméstica esvaziada — sem indicadores brasileiros de peso. O foco externo fica em dados secundários dos EUA e, cada vez mais, nos balanços.
| Hora (BRT) | Evento | Relevância | Anterior |
|---|---|---|---|
| 09:15 | EUA — Emprego semanal ADP | Média | 19,80 K |
| 09:55 | EUA — Índice Redbook (anual) | Baixa | 8,2% |
| 17:30 | EUA — Estoques semanais de petróleo (API) | Média | −0,056 M |
Agenda corporativa — abre a temporada do 2T26
| Data | Empresa | Evento |
|---|---|---|
| 21/07 | Neoenergia (NEOE3) | Resultado 2T26 |
| 22/07 | WEG (WEGE3) | Resultado 2T26 |
| 27/07 | Telefônica (VIVT3) · TIM (TIMS3) | Resultado 2T26 |
| 29/07 | Bradesco (BBDC3) | Resultado 2T26 |
| 30/07 | Vale · Ambev · Multiplan · Ecorodovias | Resultado 2T26 |
A Neoenergia divulga o 2º trimestre hoje e a WEG amanhã, abrindo a temporada; a semana que vem concentra os pesos-pesados — Vale, Ambev e Bradesco entre 29 e 30/07. Não há datas-ex de proventos relevantes na janela imediata.
4 · Como foi o pregão de ontem (20/07)
O Ibovespa fechou a 173.371 pts (−0,20%), a quarta baixa seguida, num pregão de viés defensivo. O índice foi segurado pela dobradinha Itaú (ITUB4 +1,0%) e Petrobras (PETR4 +0,6%, PETR3 +1,3%), mas perdeu tração com Vale (VALE3 −1,0%) e Banco do Brasil (BBAS3 −1,4%) na ponta negativa. No recorte setorial, só o Financeiro (+0,4%) ficou no positivo; o Consumo Cíclico (−2,0%) foi o pior, com varejo e educação apanhando.
Maiores baixas
Maiores volumes
Do lado das quedas, CVC (−13,8%) e Oncoclínicas (−11,5%) desabaram, e a Ânima (−4,0%) caiu após esclarecer à CVM uma notícia sobre uma potencial opção de venda (put) da FMU. A ponta de alta foi dominada por BDRs de tecnologia e cripto (MicroStrategy, Alibaba, Palantir, Nubank), com poucos nomes locais — destaque para a Méliuz (CASH3 +3,2%), que girou 9,3× o volume médio (o maior giro relativo do dia), e o Santander (SANB3), a 3,8×.
Setores (20/07)
Fluxo — quem estava dos dois lados
Participantes (consolidado até 17/07)
Corretoras no IBOV (20/07, net)
O estrangeiro segue como o pivô comprador: colocou +R$ 2,36 bi na bolsa na sexta (17/07) e acumula +R$ 4,71 bi em julho, do outro lado do institucional local, que sacou −R$ 3,41 bi no dia e −R$ 7,80 bi no mês. Já no fluxo das corretoras dentro do índice ontem, os gringos ficaram divididos — UBS na ponta compradora (+R$ 85 mi), mas Goldman (−R$ 141 mi), Merrill e Morgan vendendo —, enquanto as casas nacionais BGC, BTG e Genial sustentaram a compra. (O lado é apurado pela corretora compradora × vendedora, não por agressão.)
Mini índice e mini dólar (20/07, saldo líquido)
| Futuro · player | Net (contratos) | Net (R$) |
|---|---|---|
| WIN · UBS | +11.475 ctr | +R$ 400,7 mi |
| WIN · Ideal | +10.359 ctr | +R$ 364,8 mi |
| WIN · Goldman | −9.940 ctr | −R$ 347,3 mi |
| WIN · Ágora | −8.288 ctr | −R$ 290,3 mi |
| WDO · Necton | +43.581 ctr | +R$ 2,23 bi |
| WDO · XP | +24.637 ctr | +R$ 1,26 bi |
| WDO · Ativa | −19.850 ctr | −R$ 1,01 bi |
| WDO · UBS | −16.733 ctr | −R$ 855,1 mi |
No WIN, UBS e Ideal terminaram o dia como maiores compradores líquidos, contra Goldman e Ágora do lado vendido. No WDO, Necton (+43,6 mil contratos líquidos) e XP dominaram a compra, com Ativa, UBS e Itaú vendidos. Vale lembrar que bancos estrangeiros executam fluxo de cliente — o lado oscila muito de um dia para o outro.
Nos fatos: a BlackRock comunicou participação acionária relevante na B3 (B3SA3); a Copel precificou a 12ª emissão de debêntures (R$ 1,3 bi); a Celesc concluiu a venda da Dona Francisca por R$ 153,9 mi; e seguiu a novela Banco Master/BRB, com relato de carteira de crédito vendida ao BRB que já havia sido cedida ao BTG.
5 · Juros & renda fixa
Curva DI (ajuste 20/07)
NTN-B longas (juro real, 20/07)
| Vencimento | Juro real (a.a.) |
|---|---|
| 2035 | 8,08% |
| 2037 | 7,94% |
| 2040 | 7,78% |
| 2045 | 7,59% |
| 2050 | 7,55% |
| 2060 | 7,45% |
A curva de DI está positivamente inclinada (~64 pts do vértice curto ao longo): jan/27 a 13,92%, jan/29 a 14,36% e jan/33 a 14,62%, com o longo estacionado perto de 14,6%. Nas NTN-B longas, o juro real vai de 8,08% (2035) a 7,45% (2060). Nos EUA, o treasury de 2 anos — o mais sensível ao Fed — está em 4,18% e o de 10 anos em 4,55% (inclinação 2s10s de +0,37 pp); o spread Brasil–EUA de 10 anos segue elevado, em ~10,2 pp. Hoje há leilão do Tesouro (LFT e NTN-B, incluindo as longas); no último giro, a NTN-B de 30 anos saiu com corte de 7,44%.
Expectativas — Boletim Focus (17/07)
| Projeção 2026 | Mediana | vs sem. anterior |
|---|---|---|
| Selic (fim de ano) | 14,00% | 0,00 |
| IPCA | 5,15% | −0,01 |
| Câmbio (R$/US$) | 5,20 | 0,00 |
| PIB | 1,99% | 0,00 |
| IGP-M | 5,55% | −0,05 |
A Selic está em 14,25% desde o corte de 25 pb em junho, num ciclo que o Copom descreve como de "calibração", sem viés explícito e dependente dos dados. O mercado (Focus) projeta a taxa terminando 2026 em 14,00% — ou seja, ainda precifica mais um corte — e voltou a reduzir a projeção de IPCA, para 5,15%. O Fed, do outro lado, mantém os juros em 3,75%.
6 · Ibovespa hoje
O roteiro externo é construtivo: apetite por risco global, dólar fraco e um estrangeiro que não para de comprar (+R$ 4,71 bi no mês) formam vento a favor para a bolsa e para o real, depois de quatro pregões no vermelho. A tradução para o índice passa pelos pesos: a Petrobras ganha suporte do petróleo firme (Brent +0,6%, ADR +0,3%); os bancos — únicos no verde ontem e alvo do fluxo gringo — são o candidato natural a puxar; e o WIN, de beta global, tende a acompanhar o risco lá fora. O nó é a Vale: com o minério na contramão (−1,1%), o embate com as metálicas fortes (e o ADR +1,9%) define se a mineração ajuda ou atrapalha.
- Vale × minério. O minério −1,1% joga contra, mas cobre (+1,5%), prata (+4,7%) e o ADR (+1,9%) jogam a favor — esse cabo de guerra decide o peso do papel mais importante do índice.
- O gringo sustenta os bancos? Com o risco global comprado e o estrangeiro somando +R$ 4,71 bi no mês, o teste é se o fluxo mantém o Financeiro (único setor no azul ontem) na liderança e tira o Ibovespa da sequência de quedas.
- Começa a temporada do 2T. Neoenergia hoje e WEG amanhã abrem os resultados, com Vale, Ambev e Bradesco no radar da semana que vem; a agenda macro doméstica vazia joga o foco para o exterior e para os balanços.