Pré-mercado — 20/07/2026

Pré-mercado 20/07: Coreia −4,46% na ressaca dos chips, mas futuros dos EUA e metais firmam; Ibovespa vem de sexta de lado (173.714), Petrobras segura e bancos pesam.

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Pré-mercado

Pré-mercado — 20/07/2026

19/07/2026

Segunda-feira começa com ressaca de chips no exterior, mas sem pânico: a Coreia desabou sozinha enquanto China, Japão e os futuros americanos tentam se descolar. Na B3, a herança é uma sexta que terminou praticamente de lado — Petrobras segurando o índice, bancos pesando — e uma semana que só ganha corpo de quinta em diante, quando a temporada de balanços do 2º trimestre engata de vez.

Ibovespa
173.714
sexta −0,06%
S&P 500 (fut.)
+0,30%
cash −1,04% sexta
Kospi (Coreia)
−4,46%
hoje · chips
USD/BRL
R$ 5,12
PTAX sexta +0,4%
Brent
US$ 88,0
sexta +4,1%
Minério (Dalian)
US$ 758
−0,4% hoje
VIX
18,4
pico sexta 18,8
WIN (ajuste)
175.208
ref. sexta · abre 9h

Madrugada e pré-abertura

O destaque da noite é a Coreia: o Kospi despencou −4,46% na sessão de hoje, digerindo com atraso a liquidação de ações de semicondutores que derrubou a Nasdaq na sexta (−1,49%). O estrago, porém, ficou concentrado — a China avançou +1,53% (CSI 300), o Nikkei subiu +0,60% e Taiwan recuou apenas −0,52%. Na Europa, em andamento, o tom é levemente positivo (DAX +0,34%, CAC +0,28%). E os futuros americanos operam no verde neste momento (S&P +0,30%, Nasdaq +0,59%, Dow +0,26%), tentando devolver parte da queda de sexta, quando Wall Street fechou a −1,04% no susto combinado dos chips com a escalada militar entre EUA e Irã.

MercadoNívelVar.Sessão
Nikkei 225 (Japão)65.342+0,60%hoje
CSI 300 (China)4.598+1,53%hoje
Kospi (Coreia)6.516−4,46%hoje
Taiwan42.450−0,52%hoje
DAX (Alemanha)24.915+0,34%em andamento
CAC 40 (França)8.360+0,28%em andamento
FTSE 100 (R. Unido)10.566−0,12%em andamento
Dow Jones52.146−0,77%fechou sexta
S&P 5007.455−1,04%fechou sexta
Nasdaq 10028.593−1,49%fechou sexta

Nas commodities, o quadro favorece a velha economia. Os metais estão firmes — prata +1,74%, cobre +0,51%, ouro estável perto de US$ 4.019 —, enquanto a energia recua de leve após o salto de sexta (Brent −0,08% a US$ 88,0; WTI −0,69%). O petróleo segue como fio geopolítico: a possível escalada no Oriente Médio manteve o barril esticado (+4,1% na sexta) e é o que mais interessa à Petrobras na abertura. O minério em Dalian cede −0,39% (US$ 758), variação pequena, com a China no positivo dando algum suporte à tese de Vale e siderúrgicas.

Prata+1,74%
Cobre+0,51%
Ouro+0,04%
Níquel−0,03%
Brent−0,08%
Minério−0,39%
WTI−0,69%

No câmbio, o dólar está de lado no mundo — o DXY praticamente inalterado (100,8, +0,06%) —, mas as moedas emergentes amanheceram mais firmes: yuan (+0,43%), rand (+0,41%) e peso mexicano (+0,26%) ganham terreno frente ao dólar. É um pano de fundo de alívio para o real, que na sexta havia se depreciado para R$ 5,12 (PTAX). Juntando as peças, a leitura do dia é de dispersão, não de aversão generalizada: quem apanha é o tech-EM (Coreia), enquanto commodity e velha economia — metais firmes, China no azul, petróleo alto — seguram o humor. Para um Ibovespa pesado em Petrobras, Vale e bancos, o exterior chega mais amigo do que a queda de Wall Street na sexta sugeriria.

Agenda do dia

Segunda-feira esvaziada no calendário macro. O único evento doméstico é o Boletim Focus, às 8h25; nos EUA, o índice de indicadores antecedentes de junho (11h, previsto em −0,1%) e leilões de curtíssimo prazo. O grosso da semana vem depois: os PMIs americanos na quinta (24/07), o IPCA-15 e as contas externas do Brasil em 28/07 e a decisão do Fed em 29/07.

Horário (BRT)LocalEventoRelevância
08:25BrasilBoletim Focus (semanal)média
11:00EUAIndicadores Antecedentes (jun)média
12:30EUALeilões de T-Bills 3m e 6mbaixa

No corporativo, a temporada de balanços do 2º trimestre começa a esquentar: Neoenergia abre amanhã (21/07), a WEG traz o primeiro peso-pesado na quarta (22/07), Telefônica e TIM vêm em 27/07, o Bradesco inaugura os grandes bancos em 29/07 e o dia 30/07 concentra um bloco cheio — Vale, Ambev, CSN, Lojas Renner, Multiplan e Ecorodovias. Na agenda de proventos, a data-ex à frente é da Caixa Seguridade (CXSE3): JCP de R$ 0,35 por ação, com corte em 03/08.

O pregão de sexta

O Ibovespa fechou a sexta em 173.714 pontos, −0,06% — de lado, mas com uma disputa clara por dentro. De um lado, a Petrobras puxou o índice para cima na esteira do petróleo (PETR3 +2,90%, PETR4 +2,33% e o maior giro do dia, R$ 1,31 bi); de outro, os bancos pesaram — ITUB4 −1,44%, BBAS3 −1,49%, BBDC4 −0,49% —, deixando o Financeiro como o penúltimo setor do dia, com breadth de apenas 13% (4 altas contra 26 baixas em 30 papéis). O apetite por risco doméstico ficou fraco: o Consumo Cíclico caiu −1,18% (CVCB3 −8,89%, MRVE3 −2,89%) e o Imobiliário recuou −1,82%. Chamou atenção o giro anômalo em EGIE3 (volume quase 5× a média), com uma corretora estrangeira invertendo para o lado vendedor.

Maiores altas · sexta

AMER3
+6,70%
ANIM3
+6,64%
USIM5
+4,57%
HAPV3
+3,75%
PETR3
+2,90%
PETR4
+2,33%

Maiores baixas · sexta

CVCB3
−8,89%
ONCO3
−7,14%
LIGT3
−5,29%
VIVA3
−4,63%
PLPL3
−3,81%
MRVE3
−2,89%

No mapa setorial (média simples das ações de cada setor), só petróleo, materiais básicos, comunicações e bens industriais fecharam no azul — o resto ficou no vermelho, puxado por Consumo Cíclico e Financeiro.

Petróleo e Gás+0,99%
Materiais Básicos+0,53%
Comunicações+0,46%
Bens Industriais+0,34%
Tecnologia−0,06%
Consumo não Cíclico−0,22%
Utilidade Pública−0,38%
Saúde−0,53%
Financeiro−0,80%
Consumo Cíclico−1,18%

No fluxo institucional do dia, entre as corretoras que mais compraram o índice à vista apareceram Santander (+R$ 235 mi), Morgan Stanley (+R$ 217 mi), UBS (+R$ 80 mi) e Itaú (+R$ 68 mi); do lado vendedor, JP Morgan (−R$ 239 mi), XP (−R$ 153 mi) e Goldman Sachs (−R$ 142 mi). Vale a régua de sempre para os bancos estrangeiros: esses saldos são fluxo de cliente que passou pela mesa, não posição própria da casa. No agregado do mês (consolidado até 16/07), o desenho é o de um estrangeiro comprador (+R$ 2,35 bi) contra um institucional local pesadamente vendedor (−R$ 4,39 bi), com a pessoa física do outro lado (+R$ 1,14 bi).

Institucional
−R$ 4,39 bi
Estrangeiro
+R$ 2,35 bi
Pessoa física
+R$ 1,14 bi
Outros
+R$ 762 mi
Inst. financeiras
+R$ 131 mi

Nos mini-índices, o posicionamento de fechamento (saldo líquido, não a ponta bruta) teve o Goldman terminando comprado em ~17,6 mil contratos de WIN (+R$ 616 mi) e o Ideal em +14,1 mil (+R$ 493 mi), contra Ágora (−17,5 mil) e JP Morgan (−10,8 mil) do lado vendido — preço médio do dia em 175.330. Curioso o contraste do Goldman: líquido vendedor no índice à vista, líquido comprado no futuro. No mini-dólar, o UBS despontou net comprador em 47,3 mil contratos (+R$ 2,43 bi), sozinho contra XP, Tullett e Ideal — coerente com o dia de dólar mais forte.

Goldman (WIN)
+R$ 616 mi · +17,6k ctr
Ágora (WIN)
−R$ 614 mi · −17,5k ctr
Ideal (WIN)
+R$ 493 mi · +14,1k ctr
JP Morgan (WIN)
−R$ 378 mi · −10,8k ctr
BTG (WIN)
+R$ 278 mi · +7,9k ctr

Juros e renda fixa

Selic
14,25%
Copom em 4–5/ago
DI jan/29
14,335%
avançou 24 bps na sexta
DI jan/33
14,60%
avançou 21 bps na sexta
Treasury 10a
4,56%
2 anos em 4,16%

A sexta foi de juros em alta na B3, no reflexo do dólar firme e da aversão global: a curva de DI subiu em toda a extensão, com o vencimento de jan/29 a 14,335% (+24 bps) e o jan/33 a 14,60% (+21 bps). A inclinação segue positiva — cerca de 60 bps entre a ponta curta (jan/27, 13,96%) e o jan/33 —, sinal de um mercado que ainda embute prêmio para o longo prazo mesmo com o ciclo de corte da Selic em andamento.

1514
Curva DI · fechamento de sexta% a.a. · vértice DI (jan)

Lá fora, o Treasury de 10 anos está em 4,56% e o de 2 anos — o mais sensível ao Fed — em 4,16%, com a decisão do Fed marcada para 29/07 (faixa atual de 3,75%). No juro real brasileiro, as NTN-B longas fecharam a sexta entre 7,4% e 8,1% ao ano. Não há leilão do Tesouro hoje; amanhã (terça) entram LFT e NTN-B — incluindo as longas —, e na quinta os prefixados (LTN e NTN-F); a última taxa de corte da NTN-B de 30 anos saiu a 7,44% (14/07). No campo das expectativas, o Focus mais recente (10/07) trouxe alívio na inflação: a mediana do IPCA para 2026 caiu para 5,16% (de 5,30%), com Selic projetada em 14,00% no fim do ano, câmbio em R$ 5,20 e PIB em 1,99%.

NTN-B (vencimento)Taxa real (% a.a.)
20358,07%
20407,76%
20457,59%
20507,54%
20607,44%

Ibovespa hoje

Amarrando as pontas: o exterior entrega um saldo mais construtivo do que a queda de Wall Street na sexta sugeriria — futuros americanos no verde, China e metais firmes, moedas emergentes em alívio —, e isso favorece o núcleo de commodities do Ibovespa. O petróleo alto e o minério estável dão suporte a Petrobras e Vale (a ADR da PBR está estável e a da Vale sobe +0,8% no pré-mercado). O contrapeso está nos juros e nos bancos: o DI subiu na sexta, o Financeiro já era o setor mais fraco e a temporada de resultados dos grandes bancos só começa em 29/07 — ou seja, o gatilho local de curto prazo é mais macro (câmbio e curva) do que micro. Sem agenda relevante hoje, o pregão tende a ser de exterior e fluxo.

O que observar na abertura
  • Âncora de commodities: Brent perto de US$ 88 e minério estável sustentam PETR4 e VALE3; PBR estável e VALE +0,8% lá fora no pré-mercado.
  • Juros e bancos no contrapeso: o DI subiu na sexta e o Treasury de 2 anos segue em 4,16%; com o Financeiro já fragilizado (breadth de 13%), o humor de juros decide se o índice sai do lugar.
  • Beta global e chips: o Kospi (−4,46%) mostra que a ressaca de semicondutores ainda cobra preço, mas os futuros dos EUA no verde e a Ásia mista tiram o pior cenário; o WIN abre às 9h ancorado no ajuste de 175.208.