Pré-mercado — 17/07/2026
Taiwan tem a maior queda em pontos de sua história e a Coreia fecha por feriado; IBOV vem de −1,24% com 10 setores no vermelho e a tarifa de 25% a 3 pregões.
Pré-mercado — 17/07/2026
A madrugada entregou um dos maiores estragos de um único dia na Ásia tecnológica — e o Brasil abre a sexta-feira com o relógio da tarifa americana de 25% marcando três pregões. São dois choques de naturezas diferentes chegando ao mesmo tempo: um global e de composição (semicondutores), outro local e de calendário (comércio).
Placar overnight
O desenho é de aversão a risco seletiva, não de pânico generalizado. O VIX salta 9,26% e os futuros americanos caem, mas a queda é claramente hierarquizada: quanto mais tecnologia, pior. O dólar, que costuma ser o termômetro do medo, mal se mexeu — o DXY sobe 0,04%. Isso muda a leitura: o estresse de hoje é de composição setorial, não de fuga de moeda. WIN e WDO só abrem às 09:00; os números acima são o ajuste do pregão de ontem, não cotação em curso.
Madrugada e pré-abertura
Taiwan é a manchete. O TAIEX fechou a sessão de hoje a 42.671,27 pontos, −6,47% — uma perda de 2.953,71 pontos, a maior em pontos num único dia da história do índice. O gatilho veio do complexo de semicondutores: TSMC caiu 7,29%, mesmo tendo entregue um segundo trimestre forte, e a MediaTek perdeu 8,92%. Quando um balanço bom não segura a ação, o que está sendo vendido não é a empresa — é a exposição à classe. O Nikkei acompanhou com −2,90% e o CSI 300 com −3,60%.
Um detalhe importa para a leitura: a Coreia não teve pregão — o Kospi está fechado pelo Dia da Constituição, feriado reinstaurado neste ano. A variação de 0,00% que aparece nos terminais é ausência de sessão, não estabilidade. Na prática, o principal par de comparação da Taiwan sumiu justamente hoje, e o retrato do risco tech-emergente ficou apoiado em Taipei e Tóquio.
| Praça | Índice | Nível | Var | Sessão |
|---|---|---|---|---|
| Taiwan | TAIEX | 42.671,27 | −6,47% | fechou hoje |
| China | CSI 300 | 4.529,09 | −3,60% | fechou hoje |
| Japão | Nikkei 225 | 63.967 | −2,90% | fechou hoje |
| Austrália | ASX 200 | 8.795,40 | −0,23% | fechou hoje |
| Coreia | Kospi | 6.820,60 | — | sem pregão (feriado) |
| Alemanha | DAX | 24.697,74 | −0,87% | em andamento |
| França | CAC 40 | 8.287,70 | −0,51% | em andamento |
| Reino Unido | FTSE 100 | 10.567,05 | −0,01% | em andamento |
| EUA | Nasdaq 100 | 29.025,77 | −1,62% | fechou ontem |
| EUA | S&P 500 | 7.530,04 | −0,56% | fechou ontem |
| EUA | Dow Jones | 52.552,97 | −0,20% | fechou ontem |
Leitura HALO — o dia favorece a velha economia, mas só metade dela
A divergência está escancarada: Nasdaq futuro cai 1,71% contra 0,67% do Dow — 104 pontos-base de diferença — e o FTSE 100, o mais pesado em energia e valor entre os europeus, está praticamente parado (−0,01%) enquanto o DAX perde 0,87%. Até aí, é o roteiro clássico de rotação para a velha economia. Só que a velha economia não está subindo em bloco. A energia sobe (Brent +1,47%, WTI +1,76%, com Shell +2,12% e Exxon +0,90%), mas as metálicas caem junto com o tech: cobre −0,95%, níquel −1,56%, e as mineradoras globais no vermelho — BHP −1,85%, Rio Tinto −1,44%, Freeport −1,50%. O ouro sobe 0,52% e o Treasury de 10 anos cede 0,61%.
Ou seja: não é rotação, é defesa com prêmio geopolítico. O que sustenta a energia não é apetite por risco cíclico — são os novos ataques americanos ao Irã e a ameaça de fechamento do Bab el-Mandeb. Para o Ibovespa, essa distinção é tudo, porque separa exatamente os dois maiores pesos do índice.
| Commodity | Nível | Var |
|---|---|---|
| Brent | US$ 85,47 | +1,47% |
| WTI | US$ 80,32 | +1,76% |
| Ouro | US$ 3.997,23 | +0,52% |
| Prata | US$ 55,52 | −0,01% |
| Minério de ferro | 762 | +0,53% |
| Cobre | 13.416,75 | −0,95% |
| Níquel | 16.850 | −1,56% |
| Par | Nível | Var |
|---|---|---|
| DXY | 100,777 | +0,04% |
| EUR/USD | 1,1440 | −0,03% |
| GBP/USD | 1,3442 | −0,28% |
| USD/JPY | 162,37 | −0,01% |
| USD/CNH | 6,7782 | +0,09% |
| USD/ZAR | 16,4922 | +0,55% |
| USD/MXN | 17,4755 | +0,31% |
| USD/CLP | 924,63 | −0,01% |
| USD/COP | 3.236,52 | +0,05% |
| USD/TRY | 47,1075 | +0,02% |
| USD/INR | 96,2644 | −0,09% |
No câmbio, a bússola está quieta. O DXY sobe 0,04% e o euro não se move (−0,03%) — a oscilação principal não está no dólar contra desenvolvidas, mas nas moedas ligadas a ciclo e commodity metálica: libra −0,28% e dólar australiano −0,38%. Entre emergentes, o movimento é modesto e coerente com risco leve: rand −0,55% e peso mexicano −0,31% contra o dólar, com peso chileno, lira e rúpia praticamente de lado. Não há, neste momento, um choque de dólar chegando ao real — o que o real tem para enfrentar hoje é de fabricação doméstica.
| Título 10 anos | Taxa | Var no dia |
|---|---|---|
| EUA | 4,526% | −0,61% |
| Reino Unido | 4,935% | −0,60% |
| Alemanha | 3,119% | −0,45% |
| Japão | 2,691% | −0,74% |
| China | 1,732% | −0,23% |
| Referência Brasil no exterior | Nível | Var | Sessão |
|---|---|---|---|
| PBR (ADR Petrobras) | US$ 17,61 | +0,81% | pré-abertura |
| VALE (ADR Vale) | US$ 14,14 | −0,59% | pré-abertura |
| EWZ (ETF Brasil) | US$ 34,77 | −1,57% | pré-abertura |
As pontas brasileiras lá fora já contam a história do dia antes de ela começar: a Petrobras é a única verde (+0,81%, carregada pelo petróleo), a Vale cede 0,59% e o ETF de Brasil recua 1,57% — mais do que qualquer uma das duas isoladamente, o que sugere que o desconto que está sendo aplicado é ao país, não às empresas.
Agenda do dia
| Hora (BRT) | País | Evento | Relevância | Anterior | Projeção |
|---|---|---|---|---|---|
| 08:00 | BR | IGP-10 (jul) | Média | −0,3% | −1,0% |
| 09:00 | BR | IBC-Br (mai) | Alta | +0,50% | — |
| 09:30 | US | Preços de bens importados (jun) | Média | +1,9% | −0,7% |
| 09:30 | US | Construção de novas casas (jun) | Média | 1,177 mi | 1,310 mi |
| 10:15 | US | Produção industrial (jun) | Média | +0,1% | +0,2% |
| 11:00 | US | Michigan — percepção do consumidor (jul, final) | Média | 49,5 | 51,0 |
| 11:00 | US | Michigan — expectativa de inflação 1 ano (jul) | Média | 4,6% | — |
| 11:45 | US | GDPNow do Fed de Atlanta (2ºT) | Média | — | — |
| 14:00 | US | Contagem de sondas Baker Hughes | Média | — | — |
| 16:30 | BR | Posição especulativa em BRL (CFTC) | Média | 30,8 mil ctr | — |
Dois horários mandam. O IBC-Br das 09:00 é a única leitura de relevância alta do dia e chega numa semana em que a curva DI já vinha empinando — atividade forte reforça o movimento. E o Michigan das 11:00 traz a expectativa de inflação de 1 ano, hoje em 4,6%, que é o número com maior poder de mexer no Treasury de 10 anos, o mesmo que agora cede 0,61%. À tarde, a posição especulativa em real na CFTC (30,8 mil contratos na leitura anterior) sai às 16:30 e ganha peso extra na semana da tarifa.
Agenda corporativa
Hoje a B3 não tem resultado relevante — só informes de governança de Cemig e Sanepar. A semana que vem concentra: Neoenergia com o ITR do 2º trimestre em 21/07 e WEG em 22/07 — exatamente o dia em que a tarifa americana entra em vigor, uma coincidência de calendário desconfortável para uma exportadora de bens de capital. Em 23/07 vêm os informes de CSN Mineração e AXIA e a AGO da Jalles Machado.
O pregão de ontem — 16/07
O Ibovespa fechou em 173.825,27 pontos, −1,24%, num dia sem sobreviventes: os 10 setores da bolsa fecharam no vermelho, e nenhum deles teve mais de 37,5% das ações em alta. Não foi um dia de rotação, foi um dia de saída — o mercado reagindo ao anúncio da tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência marcada para 22 de julho, enquanto o dólar encostava em R$ 5,10.
Quem derrubou o índice
A atribuição é brutalmente concentrada. Vale, Petrobras e Itaú tiraram sozinhas 826 pontos do índice — VALE3 (peso de 10,78%) respondeu por −389,57 pontos, PETR4 (7,33%) por −222,35 e ITUB4 (8,91%) por −214,58. Somando PETR3, o bloco de commodities e banco explicou a maior parte do estrago. Do outro lado, a resistência veio de onde o petróleo ajuda: Ultrapar (+68,44 pontos) e Vibra (+53,22), com Banco do Brasil (+42,99) e CSN Mineração (+24,90) completando. É a mesma fratura que a madrugada agora aprofunda.
Pontas do pregão
Maiores altas
Maiores baixas
Duas altas têm assinatura de aperto em posição vendida. A Ânima subiu 9,90% girando 2,78 vezes o volume médio de 60 pregões, e o estoque de ações alugadas do papel cresceu 224,62% em 21 pregões — quando a demanda por aluguel explode e o papel sobe 10%, quem está vendido paga a conta. A CSN Mineração subiu 4,02% com a taxa de aluguel saltando 273 pontos-base, para 25,25% ao ano: shortear CMIN3 ficou caro justamente enquanto ela subia. Do lado das quedas, Oncoclínicas caiu 5,62% mesmo com a oferta não vinculante de R$ 500 milhões da IG4 Capital para debêntures conversíveis, e Braskem perdeu 4,69%. Fora do corte de liquidez, Gafisa (GFSA3) foi o pior papel do consumo cíclico, com −10,2%.
Há um sinal antecipatório que passou batido ontem: o bloco de BDRs de tecnologia já estava sendo despejado na B3, com volume relativo muito acima do normal — Intel (ITLC34) −6,40% girando 2,16 vezes a média, Oracle (ORCL34) −5,64%, Netflix (NFLX34) −5,61%, Goldman (GSGI34) −5,13% a 3,47 vezes a média e AMD (A1MD34) −4,72% a 3,20 vezes. O TSMC34 girou 1,82 vezes a média um dia antes de a matriz cair 7,29% em Taipei. O índice de BDRs fechou em −0,76%. Quem lia o tape de BDRs ontem já tinha o aviso da madrugada de hoje.
Fluxo
O fluxo de corretoras dentro do Ibovespa desmente a tese fácil de "o gringo fugiu". As casas estrangeiras ficaram divididas: UBS (+R$ 172,2 mi) e JP Morgan (+R$ 109,7 mi) compraram, enquanto Merrill (−R$ 158,1 mi) e Citigroup (−R$ 105,6 mi) venderam — um saldo somado de apenas +R$ 18,2 milhões, ou seja, praticamente neutro. A pressão vendedora concentrada veio da Ágora, com −R$ 237,6 milhões, a maior ponta vendida do dia. Do lado nacional, XP, BTG e Santander apareceram comprando entre R$ 170 e R$ 176 milhões cada. Não houve nenhuma anomalia de fluxo registrada no pregão.
No fluxo oficial por participante — cuja última consolidação disponível é de 15/07, ainda sem o dado de 16/07 —, o estrangeiro entrou com +R$ 703,4 milhões, o terceiro dia seguido de compra, contra saída de R$ 625,1 milhões do institucional local. É o padrão do mês inteiro: no acumulado de julho o gringo está comprado em R$ 2,29 bilhões enquanto o institucional brasileiro já vendeu R$ 4,07 bilhões, com a pessoa física em +R$ 915,3 milhões. O descolamento é grande e vem se mantendo — quem está saindo da bolsa em julho é o gestor local, não o estrangeiro.
Futuros — posicionamento final
| Contrato | Player | Net (contratos) | Net (R$) |
|---|---|---|---|
| WINQ26 | Goldman | −23.792 ctr | −R$ 838,39 mi |
| WINQ26 | Ágora | −19.225 ctr | −R$ 679,14 mi |
| WINQ26 | XP | +18.649 ctr | +R$ 658,11 mi |
| WDOQ26 | BGC | −21.304 ctr | −R$ 1,09 bi |
| WDOQ26 | Tullett | +17.341 ctr | +R$ 887,57 mi |
| WDOQ26 | JP Morgan | +13.054 ctr | +R$ 668,29 mi |
No mini-índice, que girou 16,29 milhões de contratos a um preço médio de 176.393,52, as duas maiores pontas líquidas vendidas foram Goldman (−23.792 contratos) e Ágora (−19.225), com a XP do outro lado (+18.649). Vale a ressalva de sempre: são saldos por lado do negócio, e as casas estrangeiras aqui são executoras de fluxo de cliente — o lado delas vira de um pregão para o outro e não deve ser lido como convicção da casa. No mini-dólar, BGC ficou líquida vendida em 21.304 contratos contra Tullett (+17.341) e JP Morgan (+13.054). A tela de anomalia acusou volume incomum da INTL no WIN (8,2 vezes a mediana), sinal de volume a confirmar, sem direção implícita. No book de opções, o put/call por volume ficou em 1,139 e por posição em aberto em 0,935.
Juros & renda fixa
Estados Unidos
O Fed segue com os fed funds em 3,75%. A curva americana está positivamente inclinada em 0,42 ponto percentual entre 2 e 10 anos, com o 2 anos — o vértice que melhor baliza a expectativa de Fed — em 4,13% e o 10 anos em 4,55% no fechamento. Nesta madrugada o 10 anos cede 0,61%, para 4,526%: é o pedaço da tela que confirma o caráter defensivo do movimento — quando o dinheiro sai de semicondutor e entra em Treasury, o problema é apetite por risco, não inflação.
Brasil — a curva empinou
Este é o gráfico mais informativo do dia, e ele passou despercebido no barulho da tarifa. A ponta curta caiu e todo o resto subiu. O DI jan/27 cedeu 1,5 ponto-base, para 13,875%, enquanto o jan/29 subiu 7,0 pontos-base, para 14,095%, e o jan/33 avançou 6,5 pontos-base, para 14,395%. A inclinação entre a ponta curta e 2036 está em 50 pontos-base. A mensagem é limpa: o mercado não mudou o que espera da Selic dos próximos meses — mudou o prêmio que exige para carregar risco brasileiro longo. Tarifa e fiscal entram na curva pelo meio e pela ponta, não pelo vértice de política monetária.
O Copom mantém a Selic em 14,25% ao ano, vigente desde 18/06, após o corte de 25 pontos-base decidido por unanimidade (7 votos a 0) na reunião de 17 de junho — o terceiro corte seguido de mesmo tamanho, acumulando 75 pontos-base de queda desde os 15,00% no chamado ciclo de calibração. O comunicado não trouxe viés explícito e amarrou os próximos passos aos dados, com o horizonte relevante migrando para o 1º trimestre de 2028. Entre os riscos citados estavam justamente os dois que estão na tela hoje: petróleo/Oriente Médio e câmbio persistentemente depreciado. O cenário de referência do Copom parte de R$ 5,10 por dólar — exatamente onde o dólar encostou ontem.
Boletim Focus — 10/07
| Projeção | Mediana | Revisão na semana |
|---|---|---|
| Selic 2026 | 14,00% | 0,00 pp |
| IPCA 2026 | 5,1625% | −0,1376 pp |
| IGP-M 2026 | 5,6081% | −0,0712 pp |
| Câmbio 2026 | R$ 5,20 | 0,00 |
| PIB 2026 | 1,9865% | +0,0006 pp |
| Dívida líquida/PIB | 69,8688% | +0,0312 pp |
IPCA projetado — 4 semanas
O Focus traz uma tensão interessante. A projeção de IPCA para 2026 caiu pela quarta semana seguida, de 5,3322% para 5,1625% — uma revisão de 0,1376 ponto percentual só na última leitura, o maior recuo do período. Mas a projeção de Selic não se moveu um centésimo: segue cravada em 14,00% há quatro semanas. O mercado está ficando mais otimista com a inflação sem ficar mais otimista com o juro — coerente com a curva que empinou ontem, e com um IPCA corrente que já cedeu de 4,72% para 4,64% em junho. O IGP-M vai na direção oposta, saltando de 1,9645% para 3,1777% no acumulado em 12 meses.
NTN-B longas e leilões
As B longas seguem pagando juro real alto: 8,00% na 2035, 7,88% na 2037 e caindo suavemente até 7,41% na 2060. A curva real é descendente do miolo para a ponta — o inverso da curva nominal DI, que empinou. É o retrato de um mercado que cobra prêmio de inflação e risco no nominal, mas continua aceitando travar juro real de 7,4% a 8,0% por décadas.
| Benchmark | Taxa de corte | Data |
|---|---|---|
| LTN 12 meses | 13,90% | 16/07 |
| LTN 36 meses | 14,29% | 16/07 |
| LTN 72 meses | 14,51% | 16/07 |
| NTN-F 5 anos | 14,47% | 16/07 |
| NTN-F 7 anos | 14,57% | 16/07 |
| NTN-F 10 anos | 14,59% | 16/07 |
| NTN-B 30 anos | 7,44% | 14/07 |
| NTN-B 10 anos | 8,00% | 07/07 |
Não há leilão do Tesouro hoje. O próximo é na terça, 21/07, de LFT e NTN-B — o dia em que as B longas voltam à mesa —, seguido de LTN e NTN-F na quinta, 23/07. No leilão de ontem, a taxa de corte da LTN de 72 meses saiu a 14,51% e a da NTN-F de 10 anos a 14,59%, coerentes com a curva que subiu no secundário.
O Ibovespa hoje
O índice chega à abertura com uma composição que separa os choques em vez de somá-los. Ontem os dois maiores pesos caíram juntos — Vale e Petrobras tiraram 612 pontos combinados. Hoje eles se olham de lados opostos: o petróleo virou vento a favor (Brent +1,47%, WTI +1,76%, PBR +0,81% no pré-mercado) para um bloco que vale cerca de 11,5% do índice entre PETR4 e PETR3, mais Vibra e Ultrapar, que já foram os melhores contribuidores de ontem. As metálicas viraram vento contra para a Vale, que sozinha pesa 10,78%: cobre −0,95%, níquel −1,56%, mineradoras globais entre −1,4% e −1,9%, e o ADR em −0,59% — com o minério de ferro (+0,53%) como único contrapeso.
O choque de semicondutores, por sua vez, chega ao Brasil pela porta do beta, não da composição: a bolsa brasileira quase não tem tecnologia — o setor de TI pesa pouco e caiu apenas 0,47% ontem, o menos ruim do pregão. O que a queda de Taiwan faz aqui é encarecer risco emergente em geral e pressionar o WIN, cuja amplitude média nos últimos 9 pregões é de 2.628,89 pontos, com desvio-padrão de 937,24. Nos bancos, o quadro é neutro: o setor financeiro americano fechou de lado (XLF +0,04%) e o Treasury cede — o que dói em ITUB4 e B3SA3 é a curva DI local, não a americana.
O que observar na abertura
- Petróleo contra metálicas dentro do índice. É a briga que decide o dia. PETR4 e PETR3 somam ~11,5% do Ibovespa com Brent em alta de 1,47%; VALE3 pesa 10,78% com o complexo metálico global vendido. Ontem os dois lados andaram juntos para baixo e custaram 612 pontos ao índice — hoje eles se separam, e o saldo dessa divergência define se o Ibovespa segura os 173,8 mil pontos.
- IBC-Br às 09:00 e Michigan às 11:00 contra uma curva que já empinou. O DI jan/29 e o jan/33 subiram cerca de 7 pontos-base ontem com a ponta curta ancorada em 13,875%. Atividade doméstica forte reforça o empinamento; a expectativa de inflação de 1 ano do Michigan (4,6% na leitura anterior) mexe no Treasury de 10 anos, que hoje cede 0,61%. Utilities e bancos — SBSP3, ENEV3, AXIA3 e ITUB4 tiraram 600 pontos do índice ontem — são os mais sensíveis a esse vértice.
- O relógio da tarifa: 3 pregões. A tarifa de 25% entra em vigor em 22/07, mesmo dia do balanço do 2º trimestre da WEG. Aeronaves, óleo, café e carne ficaram de fora da lista, e o governo prepara plano de socorro aos setores atingidos além de estudar a Lei de Reciprocidade. O EWZ caindo 1,57% no pré-mercado — mais que PBR e VALE isoladas — indica que o prêmio de risco-país ainda está sendo montado, não desmontado. A posição especulativa em real da CFTC sai às 16:30.