Pré-mercado — 17/07/2026

Taiwan tem a maior queda em pontos de sua história e a Coreia fecha por feriado; IBOV vem de −1,24% com 10 setores no vermelho e a tarifa de 25% a 3 pregões.

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Pré-mercado

Pré-mercado — 17/07/2026

16/07/2026 · Recorde de queda em Taiwan, Coreia fechada e o relógio da tarifa marcando 3 pregões

A madrugada entregou um dos maiores estragos de um único dia na Ásia tecnológica — e o Brasil abre a sexta-feira com o relógio da tarifa americana de 25% marcando três pregões. São dois choques de naturezas diferentes chegando ao mesmo tempo: um global e de composição (semicondutores), outro local e de calendário (comércio).

Placar overnight

S&P 500 fut
7.511,38
−0,88%
Nasdaq 100 fut
28.725,75
−1,71%
VIX
18,28
+9,26%
DXY
100,777
+0,04%
Brent
US$ 85,47
+1,47%
Minério de ferro
762
+0,53%
WIN — ajuste 16/07
175.423
−1,50% · −2.665 pts
WDO — ajuste 16/07
5.120,76
+0,46% · +23,5

O desenho é de aversão a risco seletiva, não de pânico generalizado. O VIX salta 9,26% e os futuros americanos caem, mas a queda é claramente hierarquizada: quanto mais tecnologia, pior. O dólar, que costuma ser o termômetro do medo, mal se mexeu — o DXY sobe 0,04%. Isso muda a leitura: o estresse de hoje é de composição setorial, não de fuga de moeda. WIN e WDO só abrem às 09:00; os números acima são o ajuste do pregão de ontem, não cotação em curso.

Madrugada e pré-abertura

TAIEX (Taiwan)
−6,47%
CSI 300 (China)
−3,60%
Nikkei 225 (Japão)
−2,90%
Nasdaq 100 fut
−1,71%
S&P 500 fut
−0,88%
DAX (Alemanha)
−0,87%
Dow fut
−0,67%
CAC 40 (França)
−0,51%
ASX 200 (Austrália)
−0,23%
FTSE 100 (Reino Unido)
−0,01%

Taiwan é a manchete. O TAIEX fechou a sessão de hoje a 42.671,27 pontos, −6,47% — uma perda de 2.953,71 pontos, a maior em pontos num único dia da história do índice. O gatilho veio do complexo de semicondutores: TSMC caiu 7,29%, mesmo tendo entregue um segundo trimestre forte, e a MediaTek perdeu 8,92%. Quando um balanço bom não segura a ação, o que está sendo vendido não é a empresa — é a exposição à classe. O Nikkei acompanhou com −2,90% e o CSI 300 com −3,60%.

Um detalhe importa para a leitura: a Coreia não teve pregão — o Kospi está fechado pelo Dia da Constituição, feriado reinstaurado neste ano. A variação de 0,00% que aparece nos terminais é ausência de sessão, não estabilidade. Na prática, o principal par de comparação da Taiwan sumiu justamente hoje, e o retrato do risco tech-emergente ficou apoiado em Taipei e Tóquio.

PraçaÍndiceNívelVarSessão
TaiwanTAIEX42.671,27−6,47%fechou hoje
ChinaCSI 3004.529,09−3,60%fechou hoje
JapãoNikkei 22563.967−2,90%fechou hoje
AustráliaASX 2008.795,40−0,23%fechou hoje
CoreiaKospi6.820,60sem pregão (feriado)
AlemanhaDAX24.697,74−0,87%em andamento
FrançaCAC 408.287,70−0,51%em andamento
Reino UnidoFTSE 10010.567,05−0,01%em andamento
EUANasdaq 10029.025,77−1,62%fechou ontem
EUAS&P 5007.530,04−0,56%fechou ontem
EUADow Jones52.552,97−0,20%fechou ontem

Leitura HALO — o dia favorece a velha economia, mas só metade dela

A divergência está escancarada: Nasdaq futuro cai 1,71% contra 0,67% do Dow — 104 pontos-base de diferença — e o FTSE 100, o mais pesado em energia e valor entre os europeus, está praticamente parado (−0,01%) enquanto o DAX perde 0,87%. Até aí, é o roteiro clássico de rotação para a velha economia. Só que a velha economia não está subindo em bloco. A energia sobe (Brent +1,47%, WTI +1,76%, com Shell +2,12% e Exxon +0,90%), mas as metálicas caem junto com o tech: cobre −0,95%, níquel −1,56%, e as mineradoras globais no vermelho — BHP −1,85%, Rio Tinto −1,44%, Freeport −1,50%. O ouro sobe 0,52% e o Treasury de 10 anos cede 0,61%.

Ou seja: não é rotação, é defesa com prêmio geopolítico. O que sustenta a energia não é apetite por risco cíclico — são os novos ataques americanos ao Irã e a ameaça de fechamento do Bab el-Mandeb. Para o Ibovespa, essa distinção é tudo, porque separa exatamente os dois maiores pesos do índice.

CommodityNívelVar
BrentUS$ 85,47+1,47%
WTIUS$ 80,32+1,76%
OuroUS$ 3.997,23+0,52%
PrataUS$ 55,52−0,01%
Minério de ferro762+0,53%
Cobre13.416,75−0,95%
Níquel16.850−1,56%
ParNívelVar
DXY100,777+0,04%
EUR/USD1,1440−0,03%
GBP/USD1,3442−0,28%
USD/JPY162,37−0,01%
USD/CNH6,7782+0,09%
USD/ZAR16,4922+0,55%
USD/MXN17,4755+0,31%
USD/CLP924,63−0,01%
USD/COP3.236,52+0,05%
USD/TRY47,1075+0,02%
USD/INR96,2644−0,09%

No câmbio, a bússola está quieta. O DXY sobe 0,04% e o euro não se move (−0,03%) — a oscilação principal não está no dólar contra desenvolvidas, mas nas moedas ligadas a ciclo e commodity metálica: libra −0,28% e dólar australiano −0,38%. Entre emergentes, o movimento é modesto e coerente com risco leve: rand −0,55% e peso mexicano −0,31% contra o dólar, com peso chileno, lira e rúpia praticamente de lado. Não há, neste momento, um choque de dólar chegando ao real — o que o real tem para enfrentar hoje é de fabricação doméstica.

Título 10 anosTaxaVar no dia
EUA4,526%−0,61%
Reino Unido4,935%−0,60%
Alemanha3,119%−0,45%
Japão2,691%−0,74%
China1,732%−0,23%
Referência Brasil no exteriorNívelVarSessão
PBR (ADR Petrobras)US$ 17,61+0,81%pré-abertura
VALE (ADR Vale)US$ 14,14−0,59%pré-abertura
EWZ (ETF Brasil)US$ 34,77−1,57%pré-abertura

As pontas brasileiras lá fora já contam a história do dia antes de ela começar: a Petrobras é a única verde (+0,81%, carregada pelo petróleo), a Vale cede 0,59% e o ETF de Brasil recua 1,57% — mais do que qualquer uma das duas isoladamente, o que sugere que o desconto que está sendo aplicado é ao país, não às empresas.

Agenda do dia

Hora (BRT)PaísEventoRelevânciaAnteriorProjeção
08:00BRIGP-10 (jul)Média−0,3%−1,0%
09:00BRIBC-Br (mai)Alta+0,50%
09:30USPreços de bens importados (jun)Média+1,9%−0,7%
09:30USConstrução de novas casas (jun)Média1,177 mi1,310 mi
10:15USProdução industrial (jun)Média+0,1%+0,2%
11:00USMichigan — percepção do consumidor (jul, final)Média49,551,0
11:00USMichigan — expectativa de inflação 1 ano (jul)Média4,6%
11:45USGDPNow do Fed de Atlanta (2ºT)Média
14:00USContagem de sondas Baker HughesMédia
16:30BRPosição especulativa em BRL (CFTC)Média30,8 mil ctr

Dois horários mandam. O IBC-Br das 09:00 é a única leitura de relevância alta do dia e chega numa semana em que a curva DI já vinha empinando — atividade forte reforça o movimento. E o Michigan das 11:00 traz a expectativa de inflação de 1 ano, hoje em 4,6%, que é o número com maior poder de mexer no Treasury de 10 anos, o mesmo que agora cede 0,61%. À tarde, a posição especulativa em real na CFTC (30,8 mil contratos na leitura anterior) sai às 16:30 e ganha peso extra na semana da tarifa.

Agenda corporativa

Hoje a B3 não tem resultado relevante — só informes de governança de Cemig e Sanepar. A semana que vem concentra: Neoenergia com o ITR do 2º trimestre em 21/07 e WEG em 22/07 — exatamente o dia em que a tarifa americana entra em vigor, uma coincidência de calendário desconfortável para uma exportadora de bens de capital. Em 23/07 vêm os informes de CSN Mineração e AXIA e a AGO da Jalles Machado.

Lacuna declarada: não há datas-ex de proventos registradas na janela dos próximos 14 dias. Vale notar que a Telefônica Brasil (VIVT3) aprovou ontem JSCP de R$ 500 milhões, mas a data-ex correspondente ainda não constava no calendário no fechamento desta edição — nenhuma queda por ex-dividendo deve ser esperada hoje.

O pregão de ontem — 16/07

O Ibovespa fechou em 173.825,27 pontos, −1,24%, num dia sem sobreviventes: os 10 setores da bolsa fecharam no vermelho, e nenhum deles teve mais de 37,5% das ações em alta. Não foi um dia de rotação, foi um dia de saída — o mercado reagindo ao anúncio da tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência marcada para 22 de julho, enquanto o dólar encostava em R$ 5,10.

Tecnologia da Informação−0,47%
Comunicações−0,53%
Bens Industriais−0,64%
Consumo não Cíclico−0,66%
Petróleo e Gás−0,66%
Materiais Básicos−0,76%
Utilidade Pública−0,85%
Financeiro−0,87%
Saúde−1,11%
Consumo Cíclico−1,16%

Quem derrubou o índice

VALE3
−389,57 pts
PETR4
−222,35 pts
ITUB4
−214,58 pts
PETR3
−143,43 pts
SBSP3
−140,57 pts
ENEV3
−137,79 pts
B3SA3
−107,96 pts
AXIA3
−107,17 pts
UGPA3
+68,44 pts
VBBR3
+53,22 pts
BBAS3
+42,99 pts
CMIN3
+24,90 pts

A atribuição é brutalmente concentrada. Vale, Petrobras e Itaú tiraram sozinhas 826 pontos do índice — VALE3 (peso de 10,78%) respondeu por −389,57 pontos, PETR4 (7,33%) por −222,35 e ITUB4 (8,91%) por −214,58. Somando PETR3, o bloco de commodities e banco explicou a maior parte do estrago. Do outro lado, a resistência veio de onde o petróleo ajuda: Ultrapar (+68,44 pontos) e Vibra (+53,22), com Banco do Brasil (+42,99) e CSN Mineração (+24,90) completando. É a mesma fratura que a madrugada agora aprofunda.

Pontas do pregão

Maiores altas

ANIM3
+9,90%
LIGT3
+5,26%
CMIN3
+4,02%
UGPA3
+2,54%
JHSF3
+2,13%
VAMO3
+1,94%

Maiores baixas

ONCO3
−5,62%
MDNE3
−5,00%
BRKM5
−4,69%
PINE4
−4,58%
PLPL3
−4,58%
ECOR3
−4,50%

Duas altas têm assinatura de aperto em posição vendida. A Ânima subiu 9,90% girando 2,78 vezes o volume médio de 60 pregões, e o estoque de ações alugadas do papel cresceu 224,62% em 21 pregões — quando a demanda por aluguel explode e o papel sobe 10%, quem está vendido paga a conta. A CSN Mineração subiu 4,02% com a taxa de aluguel saltando 273 pontos-base, para 25,25% ao ano: shortear CMIN3 ficou caro justamente enquanto ela subia. Do lado das quedas, Oncoclínicas caiu 5,62% mesmo com a oferta não vinculante de R$ 500 milhões da IG4 Capital para debêntures conversíveis, e Braskem perdeu 4,69%. Fora do corte de liquidez, Gafisa (GFSA3) foi o pior papel do consumo cíclico, com −10,2%.

Há um sinal antecipatório que passou batido ontem: o bloco de BDRs de tecnologia já estava sendo despejado na B3, com volume relativo muito acima do normal — Intel (ITLC34) −6,40% girando 2,16 vezes a média, Oracle (ORCL34) −5,64%, Netflix (NFLX34) −5,61%, Goldman (GSGI34) −5,13% a 3,47 vezes a média e AMD (A1MD34) −4,72% a 3,20 vezes. O TSMC34 girou 1,82 vezes a média um dia antes de a matriz cair 7,29% em Taipei. O índice de BDRs fechou em −0,76%. Quem lia o tape de BDRs ontem já tinha o aviso da madrugada de hoje.

Fluxo

XP
+R$ 176,0 mi
BTG
+R$ 174,5 mi
UBS
+R$ 172,2 mi
Santander
+R$ 170,6 mi
JP Morgan
+R$ 109,7 mi
CM Capital
−R$ 85,8 mi
Citigroup
−R$ 105,6 mi
BGC
−R$ 109,3 mi
Merrill
−R$ 158,1 mi
Ágora
−R$ 237,6 mi

O fluxo de corretoras dentro do Ibovespa desmente a tese fácil de "o gringo fugiu". As casas estrangeiras ficaram divididas: UBS (+R$ 172,2 mi) e JP Morgan (+R$ 109,7 mi) compraram, enquanto Merrill (−R$ 158,1 mi) e Citigroup (−R$ 105,6 mi) venderam — um saldo somado de apenas +R$ 18,2 milhões, ou seja, praticamente neutro. A pressão vendedora concentrada veio da Ágora, com −R$ 237,6 milhões, a maior ponta vendida do dia. Do lado nacional, XP, BTG e Santander apareceram comprando entre R$ 170 e R$ 176 milhões cada. Não houve nenhuma anomalia de fluxo registrada no pregão.

Estrangeiro
+R$ 703,4 mi
Pessoa física
+R$ 295,2 mi
Outros
+R$ 61,7 mi
Bancos
−R$ 435,3 mi
Institucional
−R$ 625,1 mi

No fluxo oficial por participante — cuja última consolidação disponível é de 15/07, ainda sem o dado de 16/07 —, o estrangeiro entrou com +R$ 703,4 milhões, o terceiro dia seguido de compra, contra saída de R$ 625,1 milhões do institucional local. É o padrão do mês inteiro: no acumulado de julho o gringo está comprado em R$ 2,29 bilhões enquanto o institucional brasileiro já vendeu R$ 4,07 bilhões, com a pessoa física em +R$ 915,3 milhões. O descolamento é grande e vem se mantendo — quem está saindo da bolsa em julho é o gestor local, não o estrangeiro.

Futuros — posicionamento final

ContratoPlayerNet (contratos)Net (R$)
WINQ26Goldman−23.792 ctr−R$ 838,39 mi
WINQ26Ágora−19.225 ctr−R$ 679,14 mi
WINQ26XP+18.649 ctr+R$ 658,11 mi
WDOQ26BGC−21.304 ctr−R$ 1,09 bi
WDOQ26Tullett+17.341 ctr+R$ 887,57 mi
WDOQ26JP Morgan+13.054 ctr+R$ 668,29 mi

No mini-índice, que girou 16,29 milhões de contratos a um preço médio de 176.393,52, as duas maiores pontas líquidas vendidas foram Goldman (−23.792 contratos) e Ágora (−19.225), com a XP do outro lado (+18.649). Vale a ressalva de sempre: são saldos por lado do negócio, e as casas estrangeiras aqui são executoras de fluxo de cliente — o lado delas vira de um pregão para o outro e não deve ser lido como convicção da casa. No mini-dólar, BGC ficou líquida vendida em 21.304 contratos contra Tullett (+17.341) e JP Morgan (+13.054). A tela de anomalia acusou volume incomum da INTL no WIN (8,2 vezes a mediana), sinal de volume a confirmar, sem direção implícita. No book de opções, o put/call por volume ficou em 1,139 e por posição em aberto em 0,935.

Juros & renda fixa

Selic meta
14,25%
vigente desde 18/06
DI jan/29
14,095%
+7,0 bp
DI jan/33
14,395%
+6,5 bp
Treasury 2a
4,13%
2s10s +0,42 pp
Treasury 10a
4,526%
−0,61% na madrugada
Spread BR−EUA 10a
9,99 pp
CDS 5a 123,57 bps

Estados Unidos

O Fed segue com os fed funds em 3,75%. A curva americana está positivamente inclinada em 0,42 ponto percentual entre 2 e 10 anos, com o 2 anos — o vértice que melhor baliza a expectativa de Fed — em 4,13% e o 10 anos em 4,55% no fechamento. Nesta madrugada o 10 anos cede 0,61%, para 4,526%: é o pedaço da tela que confirma o caráter defensivo do movimento — quando o dinheiro sai de semicondutor e entra em Treasury, o problema é apetite por risco, não inflação.

Brasil — a curva empinou

1414
DI 16/07DI 15/07% a.a. · vencimento (jan/27 → jan/34)

Este é o gráfico mais informativo do dia, e ele passou despercebido no barulho da tarifa. A ponta curta caiu e todo o resto subiu. O DI jan/27 cedeu 1,5 ponto-base, para 13,875%, enquanto o jan/29 subiu 7,0 pontos-base, para 14,095%, e o jan/33 avançou 6,5 pontos-base, para 14,395%. A inclinação entre a ponta curta e 2036 está em 50 pontos-base. A mensagem é limpa: o mercado não mudou o que espera da Selic dos próximos meses — mudou o prêmio que exige para carregar risco brasileiro longo. Tarifa e fiscal entram na curva pelo meio e pela ponta, não pelo vértice de política monetária.

O Copom mantém a Selic em 14,25% ao ano, vigente desde 18/06, após o corte de 25 pontos-base decidido por unanimidade (7 votos a 0) na reunião de 17 de junho — o terceiro corte seguido de mesmo tamanho, acumulando 75 pontos-base de queda desde os 15,00% no chamado ciclo de calibração. O comunicado não trouxe viés explícito e amarrou os próximos passos aos dados, com o horizonte relevante migrando para o 1º trimestre de 2028. Entre os riscos citados estavam justamente os dois que estão na tela hoje: petróleo/Oriente Médio e câmbio persistentemente depreciado. O cenário de referência do Copom parte de R$ 5,10 por dólar — exatamente onde o dólar encostou ontem.

Boletim Focus — 10/07

ProjeçãoMedianaRevisão na semana
Selic 202614,00%0,00 pp
IPCA 20265,1625%−0,1376 pp
IGP-M 20265,6081%−0,0712 pp
Câmbio 2026R$ 5,200,00
PIB 20261,9865%+0,0006 pp
Dívida líquida/PIB69,8688%+0,0312 pp

IPCA projetado — 4 semanas

5.35.2
Focus IPCA% — IPCA 2026 · boletim semanal (19/06 → 10/07)

O Focus traz uma tensão interessante. A projeção de IPCA para 2026 caiu pela quarta semana seguida, de 5,3322% para 5,1625% — uma revisão de 0,1376 ponto percentual só na última leitura, o maior recuo do período. Mas a projeção de Selic não se moveu um centésimo: segue cravada em 14,00% há quatro semanas. O mercado está ficando mais otimista com a inflação sem ficar mais otimista com o juro — coerente com a curva que empinou ontem, e com um IPCA corrente que já cedeu de 4,72% para 4,64% em junho. O IGP-M vai na direção oposta, saltando de 1,9645% para 3,1777% no acumulado em 12 meses.

NTN-B longas e leilões

8.47.4
NTN-B — taxa indicativa 16/07% a.a. — juro real · vencimento (mai/27 → ago/60)
NTN-B 2035
8,00%
juro real
NTN-B 2037
7,88%
juro real
NTN-B 2045
7,55%
juro real
NTN-B 2060
7,41%
juro real

As B longas seguem pagando juro real alto: 8,00% na 2035, 7,88% na 2037 e caindo suavemente até 7,41% na 2060. A curva real é descendente do miolo para a ponta — o inverso da curva nominal DI, que empinou. É o retrato de um mercado que cobra prêmio de inflação e risco no nominal, mas continua aceitando travar juro real de 7,4% a 8,0% por décadas.

BenchmarkTaxa de corteData
LTN 12 meses13,90%16/07
LTN 36 meses14,29%16/07
LTN 72 meses14,51%16/07
NTN-F 5 anos14,47%16/07
NTN-F 7 anos14,57%16/07
NTN-F 10 anos14,59%16/07
NTN-B 30 anos7,44%14/07
NTN-B 10 anos8,00%07/07

Não há leilão do Tesouro hoje. O próximo é na terça, 21/07, de LFT e NTN-B — o dia em que as B longas voltam à mesa —, seguido de LTN e NTN-F na quinta, 23/07. No leilão de ontem, a taxa de corte da LTN de 72 meses saiu a 14,51% e a da NTN-F de 10 anos a 14,59%, coerentes com a curva que subiu no secundário.

O Ibovespa hoje

O índice chega à abertura com uma composição que separa os choques em vez de somá-los. Ontem os dois maiores pesos caíram juntos — Vale e Petrobras tiraram 612 pontos combinados. Hoje eles se olham de lados opostos: o petróleo virou vento a favor (Brent +1,47%, WTI +1,76%, PBR +0,81% no pré-mercado) para um bloco que vale cerca de 11,5% do índice entre PETR4 e PETR3, mais Vibra e Ultrapar, que já foram os melhores contribuidores de ontem. As metálicas viraram vento contra para a Vale, que sozinha pesa 10,78%: cobre −0,95%, níquel −1,56%, mineradoras globais entre −1,4% e −1,9%, e o ADR em −0,59% — com o minério de ferro (+0,53%) como único contrapeso.

O choque de semicondutores, por sua vez, chega ao Brasil pela porta do beta, não da composição: a bolsa brasileira quase não tem tecnologia — o setor de TI pesa pouco e caiu apenas 0,47% ontem, o menos ruim do pregão. O que a queda de Taiwan faz aqui é encarecer risco emergente em geral e pressionar o WIN, cuja amplitude média nos últimos 9 pregões é de 2.628,89 pontos, com desvio-padrão de 937,24. Nos bancos, o quadro é neutro: o setor financeiro americano fechou de lado (XLF +0,04%) e o Treasury cede — o que dói em ITUB4 e B3SA3 é a curva DI local, não a americana.

O que observar na abertura

  • Petróleo contra metálicas dentro do índice. É a briga que decide o dia. PETR4 e PETR3 somam ~11,5% do Ibovespa com Brent em alta de 1,47%; VALE3 pesa 10,78% com o complexo metálico global vendido. Ontem os dois lados andaram juntos para baixo e custaram 612 pontos ao índice — hoje eles se separam, e o saldo dessa divergência define se o Ibovespa segura os 173,8 mil pontos.
  • IBC-Br às 09:00 e Michigan às 11:00 contra uma curva que já empinou. O DI jan/29 e o jan/33 subiram cerca de 7 pontos-base ontem com a ponta curta ancorada em 13,875%. Atividade doméstica forte reforça o empinamento; a expectativa de inflação de 1 ano do Michigan (4,6% na leitura anterior) mexe no Treasury de 10 anos, que hoje cede 0,61%. Utilities e bancos — SBSP3, ENEV3, AXIA3 e ITUB4 tiraram 600 pontos do índice ontem — são os mais sensíveis a esse vértice.
  • O relógio da tarifa: 3 pregões. A tarifa de 25% entra em vigor em 22/07, mesmo dia do balanço do 2º trimestre da WEG. Aeronaves, óleo, café e carne ficaram de fora da lista, e o governo prepara plano de socorro aos setores atingidos além de estudar a Lei de Reciprocidade. O EWZ caindo 1,57% no pré-mercado — mais que PBR e VALE isoladas — indica que o prêmio de risco-país ainda está sendo montado, não desmontado. A posição especulativa em real da CFTC sai às 16:30.