Pré-mercado — 16/07/2026

Pré-mercado de 16/07: a tarifa de 25% dos EUA entra em vigor, Ásia cai e o Ibovespa (176.011, −0,36% ontem) enfrenta overnight de aversão a risco.

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Pré-mercado

Pré-mercado — 16/07/2026

15/07/2026 · Briefing do dia — B3 abre sob tarifa de 25% dos EUA e Ásia no vermelho

A B3 abre nesta quinta-feira (16/07) com o vento contra: a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entra em vigor hoje, e o overnight veio de aversão a risco — Ásia no vermelho, Europa mole e futuros americanos levemente negativos. O Ibovespa parte do fechamento de ontem em 176.011 pontos (−0,36%), um pregão segurado pela mineração e derrubado por utilities e consumo.

Placar overnight

S&P 500 (fut.)
7.602
−0,16% · à vista +0,36% ontem
Nasdaq (fut.)
29.516
−0,60% agora
USD/BRL
5,07
−0,86% · 14/07
Brent
US$ 84,63
−0,38% agora
Minério (Dalian)
759,5
estável agora
VIX
15,99
+2,0% agora
Ajuste WIN
177.844
15/07
Ajuste WDO
5.096,25
15/07

O tom lá fora azedou na madrugada. Depois de o S&P 500 fechar ontem em leve alta (+0,36%), os futuros americanos giraram para o negativo (S&P fut. −0,16%, Nasdaq fut. −0,60%) e o VIX subiu para 15,99 (+2,0%). Petróleo e minério recuam de leve, mas seguem em patamar elevado. WIN e WDO estão fechados no pré-mercado (só abrem às 09:00) — as referências são os ajustes de ontem: 177.844 no mini-índice e 5.096,25 no mini-dólar.

Madrugada e pré-abertura

Nikkei (hoje)−1,55%
CSI 300 (hoje)−1,85%
ASX 200 (hoje)−0,48%
Rússia RTS (hoje)−2,63%
FTSE 100 (abrindo)+0,03%
DAX (abrindo)−0,58%
CAC 40 (abrindo)−0,67%
S&P 500 (ontem)+0,36%
Dow (ontem)+0,29%
Nasdaq-100 (ontem)−0,28%

A Ásia — sessão de hoje, já fechada/fechando — puxou o clima para baixo: Nikkei −1,55%, CSI 300 −1,85%, ASX 200 −0,48% e a bolsa russa −2,63%. A Europa, em andamento, abriu mista para negativa (DAX −0,58%, CAC −0,67%, FTSE de lado). Nos EUA, referência é o fechamento de ontem (S&P +0,36%, Dow +0,29%, Nasdaq-100 −0,28%), com a agenda de indicadores concentrada no meio da manhã de hoje.

Commodity / JuroNívelVar (agora)
OuroUS$ 4.030−0,74%
PrataUS$ 56,84−1,66%
Cobre13.618+0,26%
Níquel17.132+1,74%
Minério (Dalian)759,50,0%
BrentUS$ 84,63−0,38%
WTIUS$ 79,48−0,16%
Treasury 10 anos4,57%+0,57%
Moeda (vs USD)CotaçãoVar
Peso mexicano17,41+0,13%
Rand sul-africano16,36+0,18%
Peso chileno925,1−0,04%
Yuan (offshore)6,770,0%
Lira turca47,05+0,05%
Peso colombiano3.230+0,06%
Rúpia indiana96,35+0,06%
Euro1,1466+0,02%

Nas commodities, o quadro é dividido: metais industriais firmes (níquel +1,74%, cobre +0,26%) e minério estável dão suporte às mineradoras, enquanto ouro (−0,74%) e prata (−1,66%) corrigem. O petróleo recua de leve no pré (Brent US$ 84,63, −0,38%), mas continua no alto por causa da tensão no Oriente Médio — os EUA lançaram ataques contra o Irã e o noticiário fala em pressão sobre a Ilha de Kharg, terminal de exportação iraniano. No câmbio, o real vinha firme (PTAX 5,07 em 14/07, −0,86%) e os pares emergentes amanheceram de lado, com o dólar apenas marginalmente mais forte lá fora (DXY em torno de 120). O Treasury de 10 anos sobe a 4,57%.

Agenda do dia

Hora (BRT)LocalEventoRelevânciaProjeção
09:00BRVendas no Varejo (mai, mensal)Alta+0,5%
09:00BRVendas no Varejo (mai, anual)Alta+1,2%
09:30EUAVendas no Varejo (jun, mensal)Alta+0,2%
09:30EUANúcleo Vendas no Varejo (jun)Alta0,0%
09:30EUAPedidos iniciais seguro-desempregoAlta216 mil
09:30EUAFed Filadélfia — indústria (jul)Alta12,7
11:00EUAVendas pendentes de moradias (jun)Média−0,5%
22:00EUADiscurso de TrumpAlta

Dia de varejo dos dois lados: às 09:00 saem as Vendas no Varejo brasileiras de maio (alta relevância) e às 09:30 a versão americana de junho, junto com o seguro-desemprego e o Fed de Filadélfia — combinação que mexe diretamente com os juros dos EUA e o humor global. À noite, às 22:00, discurso de Trump entra como evento de alta relevância, no mesmo dia em que a tarifa de 25% passa a valer. Amanhã (17/07) o foco vira ao IBC-Br de maio (09:00), a prévia do PIB.

Agenda corporativa: a temporada de balanços do 2º trimestre engata na semana que vem — WEG (WEGE3) reporta em 22/07 e Neoenergia (NEOE3) em 21/07; hoje a Aliança Saúde (AALR) divulga resultado anual e edital de AGO. Não há datas-ex de proventos relevantes na janela dos próximos dias — nenhuma queda de hoje deve ser lida como "ex-dividendo".

Pregão de ontem — como a B3 fechou 15/07

O Ibovespa cedeu 0,36%, aos 176.011 pontos, num pregão de breadth fraca: sete dos dez setores no vermelho. O índice foi segurado pela mineração e siderurgia — Materiais Básicos liderou (+1,07%), com VALE3 (+0,92%, R$ 1,15 bi girados, maior volume do dia) e a dobradinha Gerdau (GGBR4 +4,04%, GOAU4 +3,24%). Do outro lado, o peso veio das utilities (elétricas −2,02% no IEEX, com EGIE3 desabando −5,88% após anunciar follow-on de R$ 8,36 bi para incorporar Jirau) e do consumo (Cíclico −2,53%, não-Cíclico −2,13%). Os grandes bancos ficaram mistos (ITUB4 −0,92%, BPAC11 −1,93%; B3SA3 +2,21%), deixando o Financeiro praticamente de lado (−0,06%).

Os movers

Maiores altas

PMAM3
+17,86%
PCAR3
+7,38%
TOTS3
+4,15%
GGBR4
+4,04%
GOAU4
+3,24%
UGPA3
+2,91%

Maiores baixas

ANIM3
−33,10%
CAML3
−18,06%
BRKM5
−5,90%
EGIE3
−5,88%
ISAE4
−4,89%
AXIA3
−4,01%

A ponta de baixa teve nomes de história própria: ANIM3 −33,1% (a Ânima despencou após acordo para comprar a FMU e corte de recomendação do BTG; volume relativo 8,7× a média), CAML3 −18,1% (Camil) e BRKM5 −5,9% (Braskem). Do lado positivo, PMAM3 +17,9% disparou com um fato relevante de oferta de investimento de US$ 40 milhões, e a onda de BDRs de tecnologia (AAPL34 +4,4%, BABA34 +5,2%, AMZO34 +3,6%, ORCL34 +3,6%) refletiu o bom humor com o setor lá fora — Nvidia e parcerias de IA no Japão dominaram o noticiário. No volume relativo, além da Ânima, destacaram-se EGIE3 (4,6×) e o BDR JBSS32 (3,6×).

Rotação setorial

Materiais Básicos+1,07%
Tecnologia+0,91%
Petróleo e Gás−0,05%
Financeiro−0,71%
Comunicações−0,93%
Utilidade Pública−1,44%
Bens Industriais−1,46%
Saúde−1,66%
Consumo não Cíclico−2,13%
Consumo Cíclico−2,53%

Só Materiais Básicos e Tecnologia salvaram o dia; petróleo ficou neutro e todo o resto perdeu. É a assinatura de um mercado defensivo: commodity metálica firme sustentando as blue chips exportadoras enquanto o doméstico (consumo, saúde, indústria) apanha.

Fluxo — quem girou o índice

Morgan Stanley
+R$ 854 mi
Citigroup
+R$ 274 mi
BGC
+R$ 224 mi
Necton
+R$ 141 mi
Itaú
−R$ 116 mi
UBS
−R$ 307 mi
Goldman
−R$ 515 mi
Merrill
−R$ 654 mi

Dentro do Ibovespa, o dia foi de gringo contra gringo: Morgan Stanley liderou a compra (net +R$ 854 mi) enquanto Merrill (−R$ 654 mi), Goldman (−R$ 515 mi) e UBS (−R$ 307 mi) estiveram do lado vendedor. No agregado de participantes (dado consolidado até 14/07), o estrangeiro seguia comprador e o institucional local vendido — uma divergência que já dura o mês inteiro.

ParticipanteSaldo 14/07Acum. mês
Estrangeiro+R$ 459 mi+R$ 1,59 bi
Institucional−R$ 601 mi−R$ 3,44 bi
Pessoa Física+R$ 100 mi+R$ 620 mi
Inst. Financeiras−R$ 115 mi+R$ 590 mi

WIN & WDO — posição final dos players

Ideal
+16.754 ctr
Genial
+5.509 ctr
UBS
+3.732 ctr
XP
+3.221 ctr
Necton
−9.139 ctr
Citigroup
−9.554 ctr
Morgan
−10.636 ctr
JP Morgan
−11.317 ctr

No mini-índice (WIN), o dia fechou com a Ideal fortemente compradora (net +16.754 contratos, ~R$ 599 mi) contra o trio vendedor JP Morgan (−11.317), Morgan Stanley (−10.636) e Citigroup (−9.554). No mini-dólar (WDO), o destaque foi a UBS montando comprada relevante (net +83.532 contratos, ~R$ 4,26 bi) enquanto Morgan (−34.816) e BTG (−24.074) ficaram vendidos — com volume de dólar 2× a 3× acima do normal em vários bancos, sinal de um pregão de giro pesado no câmbio futuro. Vale a régua de sempre: bancos estrangeiros aqui são executores de fluxo de cliente, então o lado muda rápido de um pregão para o outro.

Curva de juros & expectativas

1414
Curva DI% a.a. · vencimentos jan (F27 → F34)

A curva de DI segue positivamente inclinada e o trecho longo abriu ontem: o vértice de 2033 subiu para 14,33% (+4,5 pontos-base). É a curva precificando prêmio de risco fiscal e a cautela do Copom, mesmo com a Selic já em corte. A inclinação 2 anos–10 anos está em +0,55 pp no Brasil (contra +0,40 pp nos EUA), e o spread do 10 anos Brasil–EUA é de quase 10 pontos percentuais.

PrazoBrasilEUA
Curto13,89% (DI 1a)3,75% (Fed)
2 anos13,92%4,18%
5 anos14,39%
10 anos14,47%4,58%
Inclinação 2a–10a+0,55 pp+0,40 pp
FocusProjeção 2026Revisão semana
Selic (fim de ano)14,00%estável
IPCA5,16%−0,14 pp
CâmbioR$ 5,20estável
PIB1,99%+0,00 pp
IGP-M5,61%−0,07 pp

O Copom cortou a Selic para 14,25% na reunião de 17/06 (o terceiro corte de 25 pb do "ciclo de calibração", acumulando 75 pb desde os 15,00%), mas sem viés explícito e totalmente dependente dos dados — um "corte cauteloso" com a inflação ainda acima do teto e expectativas desancoradas. O Focus reforça: a mediana de Selic para o fim de 2026 está em 14,00% (ou seja, o mercado ainda vê espaço para mais um corte), e a projeção de IPCA recuou para 5,16%. Nos EUA, o Fed segue em 3,75% e o dirigente Williams reiterou ontem que "forward guidance não é apropriado neste momento". Nos derivativos da B3, o Put/Call de opções em volume fechou levemente comprado em 1,09 — sem estresse direcional relevante; no aluguel, chamaram atenção a explosão de posição em ISAE4 (na esteira da oferta primária) e a queda forte da taxa de BRAV3 após a CVM revogar a suspensão da OPA da Brava.

Ibovespa hoje — o que conecta os pontos

O roteiro do dia é uma queda de braço entre âncora de commodity e risco de tarifa. De um lado, minério estável e metais industriais no azul, mais um petróleo ainda alto, dão sustentação a VALE3, à siderurgia e à Petrobras — o eixo que segurou o índice ontem. De outro, a entrada em vigor da tarifa de 25% dos EUA joga holofote sobre os exportadores (siderurgia, proteína, celulose, calçados, café, Embraer) e adiciona um risco de cauda ao real, que vinha firme. O beta global joga contra na largada: Ásia no vermelho e futuros americanos negativos tendem a pesar sobre o WIN na abertura.

O que observar na abertura

  • Tarifaço de 25% em vigor hoje. Exportadores no centro das atenções e o real como termômetro do humor; o discurso de Trump às 22:00 pode reprecificar o tema no after.
  • Commodity como amortecedor. Minério estável (759) e VALE ADR −1,2% no pré, com cobre/níquel firmes; petróleo em ~US$ 84-85 sustenta a Petrobras mesmo com o Brent recuando de leve agora.
  • Agenda que mexe com juros. Vendas no Varejo BR (09:00) e EUA (09:30) + seguro-desemprego + Philly Fed — sequência que move o Treasury (10a a 4,57%) e o apetite por risco; lembrando que o DI longo já abriu ontem.