Pré-mercado — 14/07/2026
Petróleo dispara ~4% (Brent em máxima de ~1 mês) com escalada EUA-Irã; CPI dos EUA às 9h30 e aposta de Fed duro pesam. IBOV vem de −1,2%, dólar a R$ 5,12.
Pré-mercado — 14/07/2026
O overnight é sobre petróleo e geopolítica. A escalada entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz jogou o Brent para a máxima de cerca de um mês (+4,35%, ~US$ 87) e o WTI para ~US$ 81 (+3,29%), com a Ásia no verde, a Europa morna na abertura e os EUA vindo de um pregão negativo na segunda. A B3 chega de um −1,20% (IBOV 175.739) e o dia fica refém de dois eventos: o CPI dos EUA às 09:30 e a temporada de balanços dos grandes bancos americanos — tudo isso com o mercado voltando a precificar a chance de um Fed mais duro.
Placar overnight
Os futuros de Nova York vêm mistos antes do CPI — S&P futuro de lado (−0,06%) e Nasdaq futuro no azul (+0,44%), depois de a bolsa americana ter fechado a segunda em queda puxada pela tecnologia. O fio condutor é o óleo: enquanto o petróleo dispara com o risco de oferta, o VIX subiu ~16% na segunda (para 17,4) e o Treasury de 10 anos ronda 4,62% — pano de fundo de aversão a risco que já derrubou a maioria dos ativos ontem, com exceção da própria energia.
Madrugada e pré-abertura
| Praça / Índice | Nível | Var | Sessão |
|---|---|---|---|
| Ásia · Nikkei 225 | 67.740 | +1,07% | hoje |
| Ásia · CSI 300 | 4.796 | +2,15% | hoje |
| Ásia · ASX 200 | 8.780 | −0,22% | hoje |
| Europa · FTSE 100 | 10.464 | −0,35% | em andamento |
| Europa · DAX | 25.001 | −0,45% | em andamento |
| Europa · CAC 40 | 8.307 | −0,07% | em andamento |
| EUA · S&P 500 | 7.512 | −0,83% | fechou 13/07 |
| EUA · Nasdaq 100 | 29.264 | −1,88% | fechou 13/07 |
| EUA · Dow Jones | 52.499 | −0,26% | fechou 13/07 |
| EUA · S&P futuro | 7.558 | −0,06% | pré-abertura |
| EUA · Nasdaq futuro | 29.606 | +0,44% | pré-abertura |
| EUA · Treasury 10 anos | 4,62% | −0,09% | pré-abertura |
A Ásia fechou hoje no positivo (China e Japão à frente); a Europa opera de lado a levemente negativa na largada; e os EUA são o fechamento de segunda — não há sessão americana de hoje ainda. O bloco de commodities é o destaque, com energia à frente e os metálicos acompanhando:
No câmbio, o dólar vem misto contra os pares desenvolvidos (euro +0,18%) e quase de lado ante os emergentes — peso mexicano, rand e peso chileno praticamente parados, com o peso colombiano e a rúpia um pouco mais fracos. O real fechou a segunda a R$ 5,12 (Ptax, +0,19%), sob pressão leve do humor global de risco. Entre os ADRs, PBR (+0,98%) e VALE (+1,08%) aparecem no azul no pré-mercado de Nova York, acompanhando óleo e minério.
| Par | Cotação | Var |
|---|---|---|
| USD/BRL (Ptax 13/07) | 5,1183 | +0,19% |
| EUR/USD | 1,1401 | +0,18% |
| USD/MXN | 17,51 | −0,09% |
| USD/ZAR | 16,48 | +0,07% |
| USD/CLP | 931,6 | +0,01% |
| USD/CNH | 6,78 | −0,06% |
| USD/COP | 3.244 | +0,20% |
| USD/INR | 96,20 | +0,36% |
Agenda do dia
| Hora (BRT) | Evento | Praça | Relev. |
|---|---|---|---|
| 09:15 | ADP semanal de emprego | EUA | média |
| 09:30 | CPI/IPC de junho — a/a (consenso 3,8% vs 4,2%) | EUA | ALTA |
| 09:30 | Núcleo do CPI — a/a 2,8% · m/m 0,2% | EUA | ALTA |
| No dia | Balanços de grandes bancos (JPMorgan, Goldman, Wells Fargo, Citi) | EUA | alta |
| 13:40–15:55 | Fed: Barr, Goolsbee, Cook e Bowman | EUA | média |
| 17:30 | Estoques semanais de petróleo (API) | EUA | média |
| Manhã | Resultados: ITR 1T de Camil (CAML) e 2T de Romi (ROMI) | BR | média |
| 14/07 | Data-ex de JCP: PINE3 / PINE4 | BR | — |
O CPI americano das 09:30 é o número do dia: o consenso aponta desaceleração para 3,8% no ano (de 4,2%) e núcleo em 2,8%, mas o salto recente do petróleo joga contra a leitura benigna. Na segunda, os futuros de juros americanos passaram a embutir perto de 50% de chance de alta do Fed em julho (ante ~35% no começo do dia) — daí a sensibilidade do dado. A agenda doméstica é leve: sai o balanço trimestral de Camil e Romi, e PINE3/PINE4 passam a negociar ex-JCP.
Como foi o pregão de ontem (13/07)
Foi um dia de risk-off quase generalizado: o Ibovespa recuou 1,20%, aos 175.739 pontos, com um único setor no verde — Petróleo e Gás (+1,89%), embalado pela disparada do óleo. Do outro lado, o Financeiro caiu 1,85% com breadth de apenas 3,1% (praticamente todos os bancos no vermelho), e os setores mais sensíveis a juros lideraram as perdas: Consumo Cíclico −2,55% e Imobiliário −2,50%, num pregão em que a curva DI voltou a abrir.
Maiores altas (líquidas)
Maiores baixas (líquidas)
Os pesos-pesados que puxaram o índice para baixo foram VALE3 (−2,43%), ITUB4 (−2,05%), WEGE3 (−4,96%) e BPAC11 (−2,68%); do lado que segurou a queda, o bloco de óleo (PETR4 +2,78%, PETR3 +3,00%, PRIO3 +3,12%) e CMIN3 (+3,64%). O giro se concentrou nos suspeitos de sempre:
Fluxo e posicionamento
No fluxo acumulado dentro do Ibovespa nos últimos 10 pregões (30/06 a 13/07), Morgan Stanley aparece como maior comprador líquido (+R$ 2,29 bi), contra UBS (−R$ 1,19 bi) e Merrill (−R$ 1,15 bi) como principais distribuidores. No recorte só de segunda, o comprado do dia ficou com Morgan, XP, Santander e Merrill; o vendido, com Citi, Goldman, Itaú e UBS.
No fluxo oficial por participante (dado mais recente consolidado, de 10/07), o estrangeiro está comprador no mês de julho (+R$ 1,31 bi), com forte entrada de +R$ 1,52 bi no dia 10 — o melhor dia da janela. Do outro lado, o institucional local segue vendedor pesado (−R$ 2,52 bi no mês), num descolamento clássico entre gringo comprando e a indústria local realizando.
Nos mini-índice e mini-dólar, o posicionamento final de segunda (saldo líquido pelo lado do negócio, não por agressão) mostra Ideal e XP comprados no WIN e Ágora e Goldman vendidos; no WDO, JP Morgan terminou fortemente comprado em dólar (+48,5 mil contratos), com Necton do lado oposto. Vale a leitura de sempre: bancos estrangeiros aqui executam fluxo de cliente, então o lado oscila muito dia a dia.
| Contrato | Player | Net (ctr) | Net (R$) | Posição |
|---|---|---|---|---|
| WIN | Ideal | +46.357 | +R$ 1,66 bi | comprado |
| WIN | XP | +38.905 | +R$ 1,40 bi | comprado |
| WIN | Ágora | −80.431 | −R$ 2,88 bi | vendido |
| WIN | Goldman | −38.361 | −R$ 1,36 bi | vendido |
| WDO | JP Morgan | +48.534 | +R$ 2,50 bi | comprado (dólar) |
| WDO | Necton | −42.974 | −R$ 2,21 bi | vendido (dólar) |
Curva de juros e expectativas
A curva DI voltou a abrir na segunda — a barriga subiu cerca de 25 bps (o vencimento de jan/29 saltou para 14,23%), com o miolo da curva ancorado perto de 14,4% ao ano. É o reflexo doméstico do petróleo em alta e da precificação de um Fed mais duro lá fora, e explica boa parte da pressão sobre construtoras e bancos ontem.
Do lado das expectativas, o Focus trouxe alívio na inflação: a mediana do IPCA 2026 foi revisada para baixo, a 5,16% (de 5,30%), quarta semana consecutiva de recuo, enquanto a Selic projetada segue estável em 14,00% e o câmbio em R$ 5,20. É a leitura de desinflação gradual que convive com uma política monetária ainda restritiva.
No calendário do BC, a Selic-meta está em 14,25% (último corte de 25 bps em 17/06, em decisão unânime e de tom cauteloso, sem viés explícito), com a próxima decisão do Copom no início de agosto e o Comitê totalmente dependente dos dados. Nos EUA, o Fed segue em 3,75% — mas, como visto, o mercado voltou a flertar com uma alta ainda em julho, o que mantém o Treasury de 10 anos firme em 4,62%.
O Ibovespa hoje
O tabuleiro de hoje é uma disputa entre petróleo alto (a favor) e juros americanos duros (contra). Pelo lado positivo, PETR4, PETR3 e PRIO3 — pesos relevantes no índice — chegam com o Brent na máxima de um mês e já mostraram fôlego ontem; VALE3, que caiu 2,43% na segunda, encontra minério (+1,81%) e ADR (+1,08%) no azul como contrapeso. Pelo lado negativo, o CPI das 09:30 e a aposta de Fed mais duro seguram bancos e ativos sensíveis a juros, exatamente os que já apanharam ontem com a curva DI abrindo. O real a ~R$ 5,12 e o VIX em 17,3 completam o pano de fundo de cautela que deve ditar o beta do mini-índice.
O que observar na abertura
- Cesta de óleo × inflação. Brent +4,35% (~US$ 87) sustenta PETR4/PETR3/PRIO3 e RECV, mas petróleo caro realimenta inflação global e a tese de Fed mais duro — o mesmo gatilho joga dos dois lados.
- CPI dos EUA às 09:30. Consenso de 3,8% a/a (vs 4,2%); leitura quente reforça a chance (~50%) de alta do Fed em julho e pressiona bolsa e real, leitura fria alivia os juros longos daqui e devolve fôlego aos rate-sensitive.
- VALE3 e os bancos. Minério e metálicos no verde dão sopro à mineração; do outro lado, ITUB4/BPAC11/BBAS3 e as construtoras seguem no fio da curva DI, que voltou a abrir na segunda.
Números datados pelo respectivo pregão de referência: B3 e fluxo de 13/07 (último pregão fechado); fluxo por participante de 10/07 (consolidado mais recente); internacional e commodities do overnight de 14/07, com a sessão rotulada em cada bloco. Este material é um estudo informativo e não constitui recomendação de investimento.