Pré-mercado — 14/07/2026

Petróleo dispara ~4% (Brent em máxima de ~1 mês) com escalada EUA-Irã; CPI dos EUA às 9h30 e aposta de Fed duro pesam. IBOV vem de −1,2%, dólar a R$ 5,12.

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Pré-mercado

Pré-mercado — 14/07/2026

13/07/2026

O overnight é sobre petróleo e geopolítica. A escalada entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz jogou o Brent para a máxima de cerca de um mês (+4,35%, ~US$ 87) e o WTI para ~US$ 81 (+3,29%), com a Ásia no verde, a Europa morna na abertura e os EUA vindo de um pregão negativo na segunda. A B3 chega de um −1,20% (IBOV 175.739) e o dia fica refém de dois eventos: o CPI dos EUA às 09:30 e a temporada de balanços dos grandes bancos americanos — tudo isso com o mercado voltando a precificar a chance de um Fed mais duro.

Placar overnight

Brent
US$ 86,92
+4,35% · máx ~1 mês
WTI
US$ 80,72
+3,29%
Ouro
US$ 4.021
+0,46%
S&P 500
7.512
−0,83% · fechou 13/07
Nasdaq 100
29.264
−1,88% · fechou 13/07
VIX
17,3
+15,8% na segunda
Dólar (Ptax)
R$ 5,12
+0,19% · 13/07
WIN (ajuste)
177.537
−1,73% · 13/07

Os futuros de Nova York vêm mistos antes do CPI — S&P futuro de lado (−0,06%) e Nasdaq futuro no azul (+0,44%), depois de a bolsa americana ter fechado a segunda em queda puxada pela tecnologia. O fio condutor é o óleo: enquanto o petróleo dispara com o risco de oferta, o VIX subiu ~16% na segunda (para 17,4) e o Treasury de 10 anos ronda 4,62% — pano de fundo de aversão a risco que já derrubou a maioria dos ativos ontem, com exceção da própria energia.

Madrugada e pré-abertura

Praça / ÍndiceNívelVarSessão
Ásia · Nikkei 22567.740+1,07%hoje
Ásia · CSI 3004.796+2,15%hoje
Ásia · ASX 2008.780−0,22%hoje
Europa · FTSE 10010.464−0,35%em andamento
Europa · DAX25.001−0,45%em andamento
Europa · CAC 408.307−0,07%em andamento
EUA · S&P 5007.512−0,83%fechou 13/07
EUA · Nasdaq 10029.264−1,88%fechou 13/07
EUA · Dow Jones52.499−0,26%fechou 13/07
EUA · S&P futuro7.558−0,06%pré-abertura
EUA · Nasdaq futuro29.606+0,44%pré-abertura
EUA · Treasury 10 anos4,62%−0,09%pré-abertura

A Ásia fechou hoje no positivo (China e Japão à frente); a Europa opera de lado a levemente negativa na largada; e os EUA são o fechamento de segunda — não há sessão americana de hoje ainda. O bloco de commodities é o destaque, com energia à frente e os metálicos acompanhando:

Brent+4,35%
WTI+3,29%
Minério+1,81%
Cobre+1,08%
Prata+0,77%
Ouro+0,46%
Níquel+0,18%

No câmbio, o dólar vem misto contra os pares desenvolvidos (euro +0,18%) e quase de lado ante os emergentes — peso mexicano, rand e peso chileno praticamente parados, com o peso colombiano e a rúpia um pouco mais fracos. O real fechou a segunda a R$ 5,12 (Ptax, +0,19%), sob pressão leve do humor global de risco. Entre os ADRs, PBR (+0,98%) e VALE (+1,08%) aparecem no azul no pré-mercado de Nova York, acompanhando óleo e minério.

ParCotaçãoVar
USD/BRL (Ptax 13/07)5,1183+0,19%
EUR/USD1,1401+0,18%
USD/MXN17,51−0,09%
USD/ZAR16,48+0,07%
USD/CLP931,6+0,01%
USD/CNH6,78−0,06%
USD/COP3.244+0,20%
USD/INR96,20+0,36%

Agenda do dia

Hora (BRT)EventoPraçaRelev.
09:15ADP semanal de empregoEUAmédia
09:30CPI/IPC de junho — a/a (consenso 3,8% vs 4,2%)EUAALTA
09:30Núcleo do CPI — a/a 2,8% · m/m 0,2%EUAALTA
No diaBalanços de grandes bancos (JPMorgan, Goldman, Wells Fargo, Citi)EUAalta
13:40–15:55Fed: Barr, Goolsbee, Cook e BowmanEUAmédia
17:30Estoques semanais de petróleo (API)EUAmédia
ManhãResultados: ITR 1T de Camil (CAML) e 2T de Romi (ROMI)BRmédia
14/07Data-ex de JCP: PINE3 / PINE4BR

O CPI americano das 09:30 é o número do dia: o consenso aponta desaceleração para 3,8% no ano (de 4,2%) e núcleo em 2,8%, mas o salto recente do petróleo joga contra a leitura benigna. Na segunda, os futuros de juros americanos passaram a embutir perto de 50% de chance de alta do Fed em julho (ante ~35% no começo do dia) — daí a sensibilidade do dado. A agenda doméstica é leve: sai o balanço trimestral de Camil e Romi, e PINE3/PINE4 passam a negociar ex-JCP.

Como foi o pregão de ontem (13/07)

Foi um dia de risk-off quase generalizado: o Ibovespa recuou 1,20%, aos 175.739 pontos, com um único setor no verde — Petróleo e Gás (+1,89%), embalado pela disparada do óleo. Do outro lado, o Financeiro caiu 1,85% com breadth de apenas 3,1% (praticamente todos os bancos no vermelho), e os setores mais sensíveis a juros lideraram as perdas: Consumo Cíclico −2,55% e Imobiliário −2,50%, num pregão em que a curva DI voltou a abrir.

Petróleo e Gás+1,89%
Bens Industriais−0,29%
Materiais Básicos−0,46%
Tecnologia−1,07%
Consumo n-cíclico−1,13%
Financeiro−1,85%
Comunicações−1,92%
Saúde−2,21%
Utilidade Pública−2,46%
Consumo Cíclico−2,55%

Maiores altas (líquidas)

CMIN3
+3,64%
PRIO3
+3,12%
PETR3
+3,00%
PETR4
+2,78%
BRKM5
+2,67%

Maiores baixas (líquidas)

MRVE3
−5,59%
WEGE3
−4,96%
B3SA3
−2,97%
BPAC11
−2,68%
VALE3
−2,43%

Os pesos-pesados que puxaram o índice para baixo foram VALE3 (−2,43%), ITUB4 (−2,05%), WEGE3 (−4,96%) e BPAC11 (−2,68%); do lado que segurou a queda, o bloco de óleo (PETR4 +2,78%, PETR3 +3,00%, PRIO3 +3,12%) e CMIN3 (+3,64%). O giro se concentrou nos suspeitos de sempre:

PETR4
R$ 1,75 bi
VALE3
R$ 1,19 bi
ITUB4
R$ 776 mi
PRIO3
R$ 529 mi
PETR3
R$ 514 mi
ABEV3
R$ 494 mi

Fluxo e posicionamento

No fluxo acumulado dentro do Ibovespa nos últimos 10 pregões (30/06 a 13/07), Morgan Stanley aparece como maior comprador líquido (+R$ 2,29 bi), contra UBS (−R$ 1,19 bi) e Merrill (−R$ 1,15 bi) como principais distribuidores. No recorte só de segunda, o comprado do dia ficou com Morgan, XP, Santander e Merrill; o vendido, com Citi, Goldman, Itaú e UBS.

Morgan Stanley
+R$ 2,29 bi
Ágora
+R$ 874 mi
Goldman
+R$ 583 mi
Santander
+R$ 532 mi
XP
+R$ 223 mi
Itaú
−R$ 488 mi
Citigroup
−R$ 627 mi
Merrill
−R$ 1,15 bi
UBS
−R$ 1,19 bi

No fluxo oficial por participante (dado mais recente consolidado, de 10/07), o estrangeiro está comprador no mês de julho (+R$ 1,31 bi), com forte entrada de +R$ 1,52 bi no dia 10 — o melhor dia da janela. Do outro lado, o institucional local segue vendedor pesado (−R$ 2,52 bi no mês), num descolamento clássico entre gringo comprando e a indústria local realizando.

Estrangeiro (mês)
+R$ 1,31 bi
melhor dia 10/07: +R$ 1,52 bi
Institucional (mês)
−R$ 2,52 bi
vendedor líquido
Pessoa Física (mês)
+R$ 149 mi
comprador

Nos mini-índice e mini-dólar, o posicionamento final de segunda (saldo líquido pelo lado do negócio, não por agressão) mostra Ideal e XP comprados no WIN e Ágora e Goldman vendidos; no WDO, JP Morgan terminou fortemente comprado em dólar (+48,5 mil contratos), com Necton do lado oposto. Vale a leitura de sempre: bancos estrangeiros aqui executam fluxo de cliente, então o lado oscila muito dia a dia.

ContratoPlayerNet (ctr)Net (R$)Posição
WINIdeal+46.357+R$ 1,66 bicomprado
WINXP+38.905+R$ 1,40 bicomprado
WINÁgora−80.431−R$ 2,88 bivendido
WINGoldman−38.361−R$ 1,36 bivendido
WDOJP Morgan+48.534+R$ 2,50 bicomprado (dólar)
WDONecton−42.974−R$ 2,21 bivendido (dólar)

Curva de juros e expectativas

A curva DI voltou a abrir na segunda — a barriga subiu cerca de 25 bps (o vencimento de jan/29 saltou para 14,23%), com o miolo da curva ancorado perto de 14,4% ao ano. É o reflexo doméstico do petróleo em alta e da precificação de um Fed mais duro lá fora, e explica boa parte da pressão sobre construtoras e bancos ontem.

1414
Curva DI (fech. 13/07)% a.a. · vértice DI (jan/27 → jan/34)

Do lado das expectativas, o Focus trouxe alívio na inflação: a mediana do IPCA 2026 foi revisada para baixo, a 5,16% (de 5,30%), quarta semana consecutiva de recuo, enquanto a Selic projetada segue estável em 14,00% e o câmbio em R$ 5,20. É a leitura de desinflação gradual que convive com uma política monetária ainda restritiva.

5.35.2
IPCA 2026 (mediana)% · Focus IPCA 2026 — últimas 4 leituras
Selic meta
14,25%
−25 bp em 17/06
Focus Selic 2026
14,00%
estável
Focus IPCA 2026
5,16%
▼ de 5,30%
Fed Funds
3,75%
~50% aposta de alta jul
Spread BR-US 10a
9,95 pp
DI 1a 14,15%

No calendário do BC, a Selic-meta está em 14,25% (último corte de 25 bps em 17/06, em decisão unânime e de tom cauteloso, sem viés explícito), com a próxima decisão do Copom no início de agosto e o Comitê totalmente dependente dos dados. Nos EUA, o Fed segue em 3,75% — mas, como visto, o mercado voltou a flertar com uma alta ainda em julho, o que mantém o Treasury de 10 anos firme em 4,62%.

O Ibovespa hoje

O tabuleiro de hoje é uma disputa entre petróleo alto (a favor) e juros americanos duros (contra). Pelo lado positivo, PETR4, PETR3 e PRIO3 — pesos relevantes no índice — chegam com o Brent na máxima de um mês e já mostraram fôlego ontem; VALE3, que caiu 2,43% na segunda, encontra minério (+1,81%) e ADR (+1,08%) no azul como contrapeso. Pelo lado negativo, o CPI das 09:30 e a aposta de Fed mais duro seguram bancos e ativos sensíveis a juros, exatamente os que já apanharam ontem com a curva DI abrindo. O real a ~R$ 5,12 e o VIX em 17,3 completam o pano de fundo de cautela que deve ditar o beta do mini-índice.

O que observar na abertura

  • Cesta de óleo × inflação. Brent +4,35% (~US$ 87) sustenta PETR4/PETR3/PRIO3 e RECV, mas petróleo caro realimenta inflação global e a tese de Fed mais duro — o mesmo gatilho joga dos dois lados.
  • CPI dos EUA às 09:30. Consenso de 3,8% a/a (vs 4,2%); leitura quente reforça a chance (~50%) de alta do Fed em julho e pressiona bolsa e real, leitura fria alivia os juros longos daqui e devolve fôlego aos rate-sensitive.
  • VALE3 e os bancos. Minério e metálicos no verde dão sopro à mineração; do outro lado, ITUB4/BPAC11/BBAS3 e as construtoras seguem no fio da curva DI, que voltou a abrir na segunda.

Números datados pelo respectivo pregão de referência: B3 e fluxo de 13/07 (último pregão fechado); fluxo por participante de 10/07 (consolidado mais recente); internacional e commodities do overnight de 14/07, com a sessão rotulada em cada bloco. Este material é um estudo informativo e não constitui recomendação de investimento.