Pré-mercado — 13/07/2026
Sexta eufórica (+2,97%, IPCA fraco) encontra segunda de aversão a risco: conflito no Golfo dispara o petróleo, derruba a Ásia e pressiona os futuros dos EUA.
Pré-mercado — 13/07/2026
A sexta foi festa e a segunda amanhece tensa. A B3 vem do pregão de 10/07, quando o Ibovespa disparou +2,97% aos 177.866 pontos (~+5,1 mil pts) — o maior patamar desde maio — depois que o IPCA de junho veio a 0,16%, abaixo do esperado, derrubou os DIs em mais de 20 pontos-base e acendeu os bancos. Só que a madrugada virou a mesa: a escalada do conflito no Golfo, com sinalização de fechamento do Estreito de Ormuz, jogou o petróleo para cima (Brent +2,4%), derrubou a Ásia (Nikkei −2,1%) e deixou os futuros dos EUA no vermelho, com o VIX saltando +7,5%. O dia abre com a bolsa cara depois do rali e um pano de fundo global defensivo.
1 · Placar overnight
Contraste que define o dia: de um lado, a B3 encerrou a semana no ponto mais alto em quase dois meses; de outro, a energia dispara e o risco global recua. O petróleo é a peça central — ajuda Petrobras e o setor de óleo, mas um choque de oferta é combustível para a inflação justo na semana do CPI americano. Lembrete de pregão: WIN, WDO e a curva de DI só abrem às 09:00 — os números de sexta são referência de fechamento, não cotação ao vivo.
2 · Madrugada e pré-abertura
A sessão asiática de hoje fechou pesada: Nikkei −2,14% e CSI 300 (China) −1,79%, castigadas pela alta do petróleo e pela fuga de risco. A Europa abre mista e em andamento (DAX +0,33%, FTSE −0,30%), enquanto os futuros dos EUA — que fecharam sexta no positivo (S&P à vista +0,42%) — recuam agora no overnight, puxados pela Nasdaq (−0,85%).
| Índice | Último | Var. | Sessão |
|---|---|---|---|
| Nikkei 225 (Japão) | 67.792 | −2,14% | Ásia — hoje, fechada |
| CSI 300 (China) | 4.695 | −1,79% | China — hoje |
| S&P 500 fut. | 7.602 | −0,24% | overnight — em andamento |
| Nasdaq-100 fut. | 29.775 | −0,85% | overnight — em andamento |
| S&P 500 (à vista) | 7.575 | +0,42% | fechou sexta (10/07) |
| DAX (Alemanha) | 25.151 | +0,33% | Europa — em andamento |
| FTSE 100 (Reino Unido) | 10.510 | −0,30% | Europa — em andamento |
No pano de fundo das commodities, a divisão é nítida: energia sobe forte enquanto o complexo metálico recua — ouro (−1,2%), prata (−2,3%), cobre e níquel no vermelho e o minério de ferro praticamente de lado (−0,5%), com a China fraca. É a fotografia de um choque de oferta de petróleo, não de uma corrida a ativos de proteção.
No câmbio, o dólar está firme contra os pares emergentes, mas sem estresse agudo: lira turca (−0,47%) e rúpia indiana (−0,23%) as mais pressionadas, enquanto peso mexicano, rand e peso chileno andam de lado. O Treasury de 10 anos ronda 4,57% e o juro japonês de 10a subiu (+1,7%). Nas criptos, Bitcoin −1,1% confirma o tom de aversão a risco. Entre os ADRs, referência para VALE3 e PETR4: PBR fechou sexta a US$ 17,32 (+1,7%) e segue comprada no pré (~+0,6%); VALE encerrou a US$ 14,46 (+1,7%), mas terá pela frente a China e o minério fracos de hoje.
3 · Agenda do dia
O grande evento da semana é o CPI dos EUA (junho), amanhã (14/07) às 09:30 — com núcleo projetado em +0,3% no mês. Num dia em que o petróleo dispara, um dado de inflação acima do esperado reforçaria o risco de a energia contaminar os preços e adiar o afrouxamento do Fed. Hoje, o destaque local é o Boletim Focus (08:25); lá fora, a reunião da OPEP e discursos de dirigentes do Fed (Bowman e Waller).
| Quando (BRT) | Local | Evento | Relevância |
|---|---|---|---|
| Hoje 08:25 | Brasil | Boletim Focus (BCB) | média |
| Hoje 07:00 | Global | Reunião da OPEP | média |
| Hoje 13:30 | EUA | Discurso de Waller (Fed) | média |
| Hoje 15:00 | EUA | Balanço Orçamentário Federal (jun) | média |
| Ter 14/07 09:30 | EUA | CPI / IPC dos EUA (jun) — núcleo +0,3% esp. | ALTA |
| Qua 15/07 09:00 | Brasil | PMS · Setor de Serviços (mai) | alta |
| Qui 16/07 09:00 | Brasil | Vendas no Varejo (mai) | alta |
| Sex 17/07 09:00 | Brasil | IBC-Br · atividade (mai) | alta |
Na agenda corporativa, a temporada de resultados ainda é morna: Camil (CAML3) e Romi (ROMI3) entregam ITR amanhã; a semana que vem traz os pesos-pesados Neoenergia (21/07) e WEG (WEGE3, 22/07). Em proventos, não há datas-ex relevantes de mercado nos próximos 15 pregões — sem quedas técnicas "ex-dividendo" à vista. Vale registrar que o Santander Brasil aprovou na sexta R$ 2 bilhões em juros sobre capital próprio (data-ex ainda a definir).
4 · O pregão de ontem (10/07)
Foi um rali de amplitude rara: praticamente tudo verde. O gatilho foi o IPCA de 0,16%, que reancorou a aposta de continuidade dos cortes de juros e fez os DIs despencarem. O resultado apareceu na liderança setorial — Financeiro +2,96% (IFNC +4,12%), Utilidade Pública +3,43% e Consumo Cíclico +3,61%, exatamente os setores mais sensíveis a juros. Entre os pesos do índice, o motor foram os bancos: ITUB4 +3,75% (R$ 1,26 bi girados), BBDC4 +4,66%, BPAC11 +5,53% e B3SA3 +4,46%. VALE3 (+1,6%) e PETR4 (+0,97%), as mais negociadas em volume (R$ 1,64 bi e R$ 1,08 bi), acompanharam de forma comedida.
Maiores altas (top 8)
Setores no pregão
A amplitude foi impressionante: Materiais Básicos com 100% dos papéis em alta, Utilidade em 95,7% e Financeiro em 93,5%. Na ponta positiva, mineração e siderurgia brilharam (CMIN3 +8,3%, CSNA3 +7,66%) num dia em que o minério ainda estava firme. A única mancha relevante no tabuleiro foi ONCO3 (−18,5%), que despencou na contramão do mercado — o grande destaque negativo de um dia com pouquíssimas baixas.
Quem estava do lado comprador e vendedor dos minis (net de sexta)
Pela ótica do saldo líquido (compras − vendas) — não da agressão —, as mesas estrangeiras dominaram o lado comprado do mini-índice, enquanto as locais distribuíram:
| Player · WIN | Net ctr | Net R$ |
|---|---|---|
| Goldman | +49.834 | +R$ 1,78 bi |
| JP Morgan | +20.673 | +R$ 735 mi |
| Ideal | −16.248 | −R$ 597 mi |
| XP | −15.352 | −R$ 524 mi |
| BTG | −14.089 | −R$ 497 mi |
| Player · WDO | Net ctr | Net R$ |
|---|---|---|
| XP | +37.766 | +R$ 1,94 bi |
| Necton | +20.262 | +R$ 1,04 bi |
| Ágora | +19.292 | +R$ 990 mi |
| BGC | −18.428 | −R$ 947 mi |
| CM Capital | −14.285 | −R$ 733 mi |
No mini-índice, Goldman (+49,8 mil ctr) e JP Morgan (+20,7 mil) apareceram fortemente comprados — fluxo de cliente passando pela corretora, não tese própria da casa —, com Ideal, XP e BTG do outro lado. O mesmo padrão aparece dentro do IBOV à vista: na sexta, as mesas Morgan (+R$ 891 mi), Citi (+R$ 590 mi) e Goldman (+R$ 261 mi) foram compradoras líquidas dos papéis do índice, contra UBS (−R$ 456 mi), BTG (−R$ 411 mi) e Itaú (−R$ 349 mi) na venda. No WDO, o saldo comprador ficou concentrado em XP e Necton.
Fluxo por participante (saldo de 09/07, último consolidado)
O saldo por tipo de investidor ainda está consolidado só até quarta (09/07) — sexta não fechou. Naquele dia o estrangeiro voltou a entrar (+R$ 206 mi) e os bancos somaram +R$ 287 mi, com institucionais (−R$ 281 mi) e pessoa física (−R$ 248 mi) do lado vendedor. No acumulado de julho, porém, o quadro ainda é de estrangeiro levemente negativo (~−R$ 213 mi) e institucional bem vendido (~−R$ 1,68 bi) — ou seja, o rali de sexta não foi bancado por uma enxurrada de gringo no mês. No mercado de opções, o Put/Call ficou equilibrado (PCR de volume ≈ 0,99), sem viés defensivo pronunciado.
5 · Curva de juros & expectativas
Foi na renda fixa que a sexta se desenhou: com o IPCA fraco, a curva de DI caiu em bloco — o vencimento jan/28 recuou para 13,83% e o miolo longo cedeu ~16 pontos-base. A curva segue com inclinação modesta (~35 bps entre o curto e o longo), refletindo um mercado que ainda enxerga espaço para cortes, mas sem exagero.
| Referência | Brasil | EUA |
|---|---|---|
| Juro básico (Selic / Fed) | 14,25% | 3,50–3,75% |
| 2 anos | 13,85% | 4,16% |
| 10 anos | 14,34% | 4,54% |
O spread Brasil−EUA de 10 anos segue perto de 9,8 pontos percentuais — o prêmio que sustenta o carrego do real. No Focus de sexta, a mediana da Selic para 2026 ficou estável em 14,00% (o mercado ainda vê ao menos mais um corte), o IPCA cedeu de leve para 5,30%, o câmbio segue em R$ 5,20 e — destaque — o IGP-M foi revisado forte para baixo, de 6,15% para 5,68%. A Selic está em 14,25% (cortada em 25 bps em 17/06; o "ciclo de calibração" já acumula −75 bps desde os 15,00%), com o Copom data-dependente e próxima decisão no fim de julho. Nos EUA, o Fed segue em 3,50–3,75%, com viés de afrouxamento no comunicado, mas repetindo o risco de energia/Oriente Médio — exatamente o que o mercado revive nesta madrugada. O CPI de amanhã é o fiel da balança.
6 · Ibovespa hoje
O índice chega à abertura preso a uma queda de braço. A favor, a inércia da sexta e o petróleo em alta, que deve dar fôlego a PETR4, PRIO3 e o setor de óleo — o único bolso claramente beneficiado pelo choque no Golfo. Contra, quase todo o resto: a Ásia em queda e os futuros dos EUA no vermelho pressionam o beta global do WIN; a China fraca e o minério de lado tiram tração de VALE3, CSNA3 e a mineração que lideraram sexta; e um eventual susto de inflação no CPI americano ameaça justamente a tese de juros em queda que fez os bancos dispararem. Depois de um salto de quase 3%, o índice abre caro e mais exposto a uma realização do que a uma continuação automática.
O que observar na abertura
- Petróleo × resto da bolsa. Brent +2,4% coloca Petrobras e o setor de óleo como possível âncora positiva; mas, se o risk-off global prevalecer, o ganho de PETR pode não segurar um índice pressionado pelo beta. É o duelo do dia.
- China e minério contra as commodities metálicas. CSI −1,8% e minério de lado são vento contra para VALE3 e a siderurgia (CMIN3, CSNA3) — justamente as estrelas de sexta. Atenção a uma possível troca de liderança setorial.
- Rali de juros na berlinda. O motor de sexta (DIs em queda → bancos e sensíveis a juros) depende de a inflação seguir comportada. Com o petróleo em choque e o CPI dos EUA amanhã, qualquer surpresa altista tira o combustível do movimento que levou o IBOV ao topo desde maio.