Pré-mercado — 10/07/2026
Pré-mercado 10/07: Ibovespa fechou a 172.742 (+1,22%) no pregão mais espraiado do mês, puxado por bancos; IPCA de junho às 9h e DI em queda ditam a abertura.
Pré-mercado — 10/07/2026
Sexta-feira de dado pesado no Brasil: o IPCA de junho sai às 9h, logo na largada, e chega com o mercado local já em clima de risco — o Ibovespa fechou ontem no pregão mais espraiado do mês, aos 172.742 pontos (+1,22%), e a curva de juros recuou. Lá fora, a noite foi de calmaria: Ásia mista com a China na ponta negativa, Europa perto da estabilidade e futuros americanos devolvendo uma fração depois de Wall Street renovar fôlego ontem.
1 · Placar overnight
O pano de fundo da madrugada é neutro-construtivo para a B3: minério no azul, dólar fraco ante os emergentes e Treasury de 10 anos cedendo, contra futuros de S&P levemente negativos. WIN e WDO só voltam a negociar às 9h — os ajustes de ontem (175.049 e 5.146,66) servem de referência, não são cotação ao vivo.
2 · Madrugada e pré-abertura
| Praça | Nível | Var % | Sessão |
|---|---|---|---|
| Nikkei 225 (Ásia) | 68.813 | -0,24% | hoje 10/07 |
| CSI 300 (China) | 4.781 | -1,96% | hoje 10/07 |
| ASX 200 (Austrália) | 8.814 | +0,62% | hoje 10/07 |
| FTSE 100 (Londres) | 10.497 | +0,27% | em andamento |
| CAC 40 (Paris) | 8.334 | +0,15% | em andamento |
| DAX (Frankfurt) | 25.099 | -0,07% | em andamento |
| S&P 500 | 7.540 | +0,77% | fechou 09/07 |
| Nasdaq-100 | 29.727 | +1,62% | fechou 09/07 |
| Dow Jones | 52.487 | +0,27% | fechou 09/07 |
| Futuro S&P 500 | 7.583 | -0,08% | agora |
Commodities (tempo real)
Dólar × emergentes (tempo real)
| Par | Cotação | Var % | Leitura |
|---|---|---|---|
| USD/MXN | 17,52 | -0,16% | peso mexicano firme |
| USD/ZAR | 16,29 | -0,23% | rand firme |
| USD/CNH | 6,78 | -0,29% | yuan firme |
| USD/CLP | 927,8 | +0,02% | peso chileno estável |
| USD/TRY | 46,96 | +0,16% | lira mais fraca |
| EUR/USD | 1,1428 | -0,02% | euro de lado |
Na Ásia (sessão de hoje), Tóquio fechou de lado e a China destoou para baixo (CSI 300 −1,96%), enquanto a Austrália subiu 0,62%; a Europa abre perto da estabilidade. Nos EUA, o fechamento de ontem foi de alta (S&P +0,77%, Nasdaq-100 +1,62%), mas os futuros devolvem uma fração nesta manhã, com o VIX ancorado perto de 16. No câmbio, o dólar recua ante a maioria dos emergentes — construtivo para o real; nos metais, o minério sobe 0,87% e dá suporte à Vale, com cobre e ouro de lado. Petróleo quase parado, Brent em US$ 76. Juros longos globais cedem (T10Y a 4,53%).
3 · Agenda do dia
| Hora BRT | Praça | Evento | Relev. | Consenso | Anterior |
|---|---|---|---|---|---|
| 06:00 | 🇺🇸 EUA | Relatório mensal da IEA (energia) | Média | — | — |
| 09:00 | 🇧🇷 BR | IPCA — junho | Alta | +0,31% m/m · 4,80% a/12m | +0,58% m/m · 4,72% |
| 13:00 | 🇺🇸 EUA | Relatório WASDE (grãos) | Média | — | — |
| 14:00 | 🇺🇸 EUA | Sondas de petróleo — Baker Hughes | Média | — | 445 |
| 16:30 | 🇧🇷🇺🇸 | Posições de especuladores — CFTC | Média | — | BRL 44,7K |
O dia gira em torno do IPCA de junho, às 9h: o consenso aponta forte desaceleração na margem (+0,31% ante +0,58% em maio), ainda que o acumulado em 12 meses deva subir para ~4,80%. Número em linha ou abaixo referenda a queda recente do DI; surpresa para cima trava o rali. A agenda externa de hoje é de segunda linha — o grande teste lá fora é o CPI americano na terça (14/7).
Radar da semana: seg 13/7 — Boletim Focus (8h25), reunião da OPEP e falas do Fed (Bowman, Waller); ter 14/7 — CPI dos EUA de junho (núcleo +0,3% m/m / +2,9% a/a). Balanços 2T: CAML e ROMI (14/7), NEOE (21/7) e o marquee WEG (WEGE3) em 22/7. Sem datas-ex relevantes nos próximos pregões.
4 · O pregão de ontem (09/07)
Alta rara em amplitude: nove dos dez setores da B3 fecharam no verde e a maioria dos papéis subiu — 93% das ações do Financeiro e 92% do Consumo Cíclico terminaram em alta. O Ibovespa somou +1,22% (≈ +2.081 pts), aos 172.742, empurrado por bancos (ITUB4 +2,25%, BBAS3 +2,41%, BPAC11 +3,87%) e por saneamento/utilities (SBSP3 +3,22%). A Vale (+0,76%) segurou a ponta pesada com o maior giro do dia. Na contramão, Petrobras (PETR4 −1,08%, PETR3 −1,40%) e PRIO (−1,42%) drenaram pontos, pressionadas pela extensão por 60 dias do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.
Maiores altas
Maiores baixas
Onde girou o dinheiro
| Ativo | Volume financeiro | Var % |
|---|---|---|
| VALE3 | R$ 1,38 bi | +0,76% |
| PETR4 | R$ 1,31 bi | -1,08% |
| AXIA3 | R$ 1,08 bi | -2,16% |
| ITUB4 | R$ 793 mi | +2,25% |
| BBAS3 | R$ 613 mi | +2,41% |
| PETR3 | R$ 475 mi | -1,40% |
Mapa setorial
O verde foi generalizado; só Comunicações ficou no vermelho (−0,38%). Petróleo e Gás foi o único bloco pesado efetivamente para baixo (Petrobras e PRIO em queda, ~55% dos papéis do setor no vermelho).
Fluxo — acumulado do mês (dado consolidado de 08/07)
O estrangeiro segue vendido — −R$ 420 mi em julho e −R$ 4,6 bi nos últimos 20 pregões —, com a ponta compradora sustentada por pessoa física (+R$ 1,04 bi) e instituições financeiras. Dentro do Ibovespa, ontem, o fluxo por corretora ficou dividido:
Uma casa estrangeira apareceu na maior ponta compradora (+R$ 764 mi, ~10% do giro do índice) enquanto Merrill, Citi e JP Morgan ficaram líquidas vendedoras. Ressalva: esses bancos executam ordens de clientes — o lado oscila muito de um dia para o outro e não representa "aposta da casa".
Posicionamento final nos minis (por saldo líquido)
| Contrato | Ajuste 09/07 | Maior comprado (net) | Maior vendido (net) |
|---|---|---|---|
| WIN (WINQ26) | 175.049 | Morgan +40.958 ctr · +R$ 1,42 bi | XP -53.758 ctr · -R$ 1,88 bi |
| WDO (WDOQ26) | 5.146,66 | BGC +36.043 ctr · +R$ 1,86 bi | UBS -37.160 ctr · -R$ 1,92 bi |
No índice (WIN), Morgan e Goldman terminaram comprados contra a XP fortemente vendida; no dólar (WDO), o BGC comprado contra a UBS na maior ponta vendida.
5 · Curva de juros & expectativas
| Projeção Focus (2026) | Mediana | Revisão na semana |
|---|---|---|
| Selic (fim de 2026) | 14,00% | estável |
| IPCA | 5,30% | -0,03 pp |
| Câmbio (USD/BRL) | 5,20 | estável |
| PIB | 1,99% | estável |
| IGP-M | 5,68% | -0,47 pp |
A curva de DI recuou cerca de 15 pontos-base na barriga ontem, num movimento de alívio que acompanhou o humor de risco e a expectativa de inflação mais comportada. O mercado precifica a continuidade do afrouxamento: a Selic está em 14,25% (corte unânime de 25 pb em 17/6, sem viés explícito) e o Focus projeta 14,00% no fim de 2026. Lá fora, o Fed segue parado na faixa de 3,50%–3,75%, com o debate interno já inclinado a discutir cortes — o spread de 10 anos Brasil–EUA está em ~10 pontos percentuais. O IPCA de hoje é o próximo gatilho da curva.
6 · Ibovespa hoje
Os drivers externos apontam para uma abertura sem grande impulso, com viés levemente construtivo: minério em alta e dólar fraco ante emergentes ajudam Vale e bancos — justamente quem liderou ontem —, enquanto os futuros americanos de lado a levemente negativos e a China em queda tiram fôlego do beta global. No par de peso do índice, Vale e Petrobras puxam para lados opostos: minério apoia a mineradora, mas a petroleira segue sob a sombra do imposto de exportação e do petróleo de lado. O gringo vendido no mês deixa a sustentação do rali dependente do dado doméstico — e o IPCA das 9h é o fiel da balança.
O que observar na abertura
- IPCA de junho, 9h — consenso +0,31% m/m (4,80% em 12m). Abaixo disso reforça a queda do DI e favorece bancos e ativos de duration; acima trava o rali de juros.
- Vale × Petrobras — minério +0,87% no exterior sustenta VALE3; PETR4/PRIO seguem pressionadas pelo imposto de exportação e pelo Brent de lado (~US$ 76).
- Fôlego do rali — com o estrangeiro vendido no mês (−R$ 420 mi), a alta de ontem se apoiou em fluxo local e pontual; sem o gringo comprando, o dado de inflação define o tom.