Pré-mercado — 08/07/2026
Cessar-fogo EUA–Irã rompido: Brent +6%, VIX +15% e bolsas globais em queda; IBOV parte de 172 mil pts com varejo às 9h e ata do FOMC às 15h.
Pré-mercado — 08/07/2026
A madrugada redesenhou o dia. O cessar-fogo entre EUA e Irã ruiu — bombardeio americano em retaliação à ofensiva iraniana no Estreito de Ormuz, resposta de Teerã contra 85 instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait, e Trump decretando o acordo encerrado (manchetes de 06:19 às 07:01 BRT). O petróleo dispara mais de 6%, o VIX salta 15% e as bolsas globais amanhecem vendidas. O Ibovespa, que fechou ontem (07/07) a 172.020,68 pts (−0,25%) já rachado entre petróleo forte e consumo fraco, abre hoje com esse cabo de guerra elevado ao quadrado.
Madrugada e pré-abertura
A sequência da noite: depois da ofensiva iraniana no Estreito de Ormuz, os EUA bombardearam alvos no Irã — incluindo área urbana, com vídeo publicado pelo próprio Trump — e Teerã respondeu atacando 85 instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, entre elas as bases de Bandar Salman e Ali Al Salem. Na cúpula da OTAN em Ancara, Trump declarou que o cessar-fogo acabou, e o secretário-geral Mark Rutte classificou os ataques americanos como necessários, citando violação do acordo pelo Irã. É choque de oferta de petróleo somado a aversão a risco — combinação que mexe com cada peça do board abaixo.
| Ativo | Último | Var. | Sessão |
|---|---|---|---|
| Nikkei 225 — Tóquio | 65.717 | −2,64% | hoje, fechada |
| CSI 300 — China | 4.755,5 | −0,77% | hoje, encerrando |
| DAX — Frankfurt | 24.860 | −2,38% | em andamento |
| CAC 40 — Paris | 8.248,7 | −1,91% | em andamento |
| FTSE 100 — Londres | 10.498 | −1,59% | em andamento |
| S&P 500 | 7.504,1 | −0,44% | fechou ontem (07/07) |
| Nasdaq 100 | 29.173 | −1,77% | fechou ontem (07/07) |
| Dow Jones | 52.925 | −0,25% | fechou ontem (07/07) |
| S&P 500 futuro | 7.474,8 | −1,01% | agora, 07:00 BRT |
| Nasdaq 100 futuro | 28.969 | −1,44% | agora, 07:00 BRT |
| Treasury 10 anos | 4,57% | +2 bps | agora, 07:00 BRT |
| VIX | 18,6 | +15,3% | agora, 07:00 BRT |
A Ásia encerrou a sessão de hoje em queda firme — Nikkei −2,64%, a pior entre os grandes, com o futuro do índice japonês apontando −2,91% — e a Europa negocia em vermelho profundo desde a abertura (DAX −2,38%, CAC −1,91%). Nos EUA, o estrago começou ontem: o Nasdaq 100 fechou em queda de 1,77% na terça, e os futuros ampliam a pressão nesta manhã. Detalhe que muda a leitura: o Treasury de 10 anos sobe para ~4,57% — não há fuga clássica para qualidade, porque o choque de petróleo é inflacionário e pressiona juros. Até o ouro cede 1,50%, num movimento com cara de realização ampla para liquidez.
Commodities
| Commodity | Último | Var. na manhã |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | US$ 78,65 | +6,05% |
| Petróleo WTI | US$ 74,79 | +6,18% |
| Ouro | US$ 4.044,47 | −1,50% |
| Prata | US$ 58,40 | −2,62% |
| Cobre | US$ 13.210,75 | −0,93% |
| Níquel | US$ 16.380 | +0,58% |
| Minério de ferro (Dalian) | 746 CNY/t | +0,88% |
O barril acumula dois dias de disparada desde a ruptura da trégua: no fechamento de ontem o Brent já havia subido 5,4% (US$ 76,05 no EOD de 07/07) e nesta manhã roda a US$ 78,65. As metálicas industriais não acompanham — cobre −0,93% e prata −2,62% refletem o medo de atividade global, enquanto o minério de ferro em Dalian segura alta de 0,88%, um suporte para a ponta de mineração da B3 que o ADR da Vale, como se vê adiante, ignora por ora.
Moedas
| Par | Último | Var. | Leitura |
|---|---|---|---|
| USD/ZAR (rand) | 16,42 | +0,78% | dólar comprado |
| USD/CLP (peso chileno) | 926,97 | +0,61% | dólar comprado |
| USD/MXN (peso mexicano) | 17,61 | +0,50% | dólar comprado |
| USD/INR (rúpia) | 95,58 | +0,34% | dólar comprado |
| USD/JPY (iene) | 162,46 | +0,21% | dólar comprado |
| USD/TRY (lira) | 46,85 | +0,03% | estável |
| USD/CNH (yuan) | 6,81 | +0,02% | estável |
| EUR/USD | 1,1406 | −0,06% | dólar comprado |
| GBP/USD | 1,3343 | −0,12% | dólar comprado |
| USD/COP (peso colombiano) | 3.339,78 | −2,66% | na contramão: petróleo |
O dólar amanhece comprado contra praticamente todos os emergentes — rand, peso chileno, peso mexicano e rúpia cedem em bloco. A exceção conta a história do dia: o peso colombiano dispara 2,66% contra o dólar, prêmio de moeda de exportador de petróleo. O real, que fechou ontem com PTAX a R$ 5,1458 (−0,41% no dia) mas viu o mini-dólar terminar em alta de 0,66% a 5.192 pts, entra nesse jogo com o mesmo amortecedor petroleiro — e com o DI reabrindo às 09:00 depois de uma terça de abertura firme na curva.
Nos ADRs, o pré-mercado de NY já precifica a dispersão: PBR sobe 3,35% (US$ 17,22, após fechar ontem a US$ 16,66) enquanto VALE cai 1,61% (US$ 14,45, ante US$ 14,69 no fechamento de ontem).
Agenda do dia
| Hora (BRT) | País | Evento | Relevância | Proj. / Anterior |
|---|---|---|---|---|
| 09:00 | Brasil | Vendas no varejo (mai) — m/m e a/a | Alta | ant.: −1,5% m/m · +1,0% a/a |
| 11:30 | EUA | Estoques de petróleo bruto (EIA, semanal) | Alta | proj.: −1,9 mi bbl · ant.: −3,8 mi |
| 12:30 | EUA | GDPNow do Fed de Atlanta (2T) | Média | proj.: 1,4% |
| 14:00 | EUA | Leilão de Treasury Note 10 anos | Média | ant.: 4,538% |
| 14:30 | Brasil | Fluxo cambial estrangeiro (semanal) | Média | ant.: −US$ 1,03 bi |
| 15:00 | EUA | Ata do FOMC | Alta | — |
| 16:00 | EUA | Crédito ao consumidor (mai) | Baixa | proj.: US$ 16,9 bi |
Dois eventos mandam no dia: o varejo de maio às 09:00 — termômetro da atividade doméstica que o Copom declarou estar observando — e a ata do FOMC às 15:00, com o dado semanal de estoques de petróleo da EIA às 11:30 valendo mais que o normal num dia de Brent a US$ 78. Amanhã, seguro-desemprego semanal nos EUA (09:30) e vendas de casas usadas (11:00).
Na agenda corporativa, dia leve: nenhuma divulgação de resultado relevante hoje. Na semana, AALR entrega FRE (11/07), Paranapanema e Camil divulgam 1T26 (13–14/07) e Romi abre o 2T26 (14/07). A Petrobras marcou as datas do seu 2T26 em comunicado de ontem à noite: produção e vendas em 28/07, resultado financeiro em 06/08. Proventos: nenhuma data-ex nos próximos 7 dias na varredura de mercado.
Pregão de ontem (07/07)
A terça já foi um ensaio do que a madrugada consolidou: o Ibovespa caiu 0,25% a 172.020,68 pts, mas o número esconde uma dispersão violenta. O bloco de petróleo segurou o índice — PETR3 +2,90%, PETR4 +1,91%, PRIO3 +5,24%, VBBR3 +2,52%, setor com 90% das ações em alta — enquanto a ponta doméstica derreteu: IMOB −2,00%, ICON −1,56%, INDX −1,10% e IFNC −0,55% entre os setoriais, com VALE3 −2,17% drenando o lado de mineração. No giro, PETR4 liderou com R$ 1,53 bi.
Maiores altas
Maiores baixas
Nos volumes relativos, duas histórias com giro anormal: CASH3 subiu 8,83% movimentando 3,4× a média de 60 pregões, e MDNE3 despencou 8,88% com 3,5× a média e R$ 110 mi — a maior pancada do imobiliário num dia em que Tendência (−4,94%) e Plano&Plano (−6,08%) também apanharam. AURA33 (−6,49%) acompanhou a realização do ouro. E os BDRs de tecnologia refletiram o Nasdaq: quedas de 7% a 10% em nomes como L1RC34 (−10,64%) e ITLC34 (−9,56%).
Maiores volumes financeiros
Setorial
A amplitude confirma o pregão de dois mercados: 90% de altas no petróleo contra breadth de 9% em Bens Industriais e 15% no Consumo Cíclico. No meio do caminho, o Financeiro cedeu 0,73% com apenas 6 dos 30 nomes em alta — juro abrindo não ajudou.
Fluxo — quem comprou e quem vendeu o índice
Nas ações do Ibovespa, o saldo líquido do pregão de ontem ficou com XP (+R$ 158 mi) e BTG (+R$ 141 mi) na ponta compradora, contra Citigroup (−R$ 147 mi) e UBS (−R$ 80 mi) do lado vendedor — fluxo que passa pelas mesas, vale lembrar, não posição proprietária das casas. Sem fluxo anômalo relevante detectado em ações no dia.
No recorte por participante (consolidação oficial disponível até 06/07), o estrangeiro sacou R$ 500 mi na segunda-feira e o institucional retirou R$ 392 mi, com a pessoa física na outra ponta (+R$ 465 mi). No acumulado de julho o gringo ainda está positivo em R$ 176 mi — depois de um junho pesado, encerrado com saída de R$ 7,79 bi. Institucional segue vendedor no mês (−R$ 992 mi).
Futuros — posicionamento final em WIN e WDO
WIN (WINQ26) — saldo líquido, ctr
WDO (WDOQ26) — saldo líquido, ctr
No mini-índice, que fechou a 173.600 pts (−0,54%) com ajuste em 174.095 e preço médio de execução do dia a 174.574, o destaque foi o fluxo via Morgan: net comprador de 33.438 contratos (~R$ 1,17 bi), o maior saldo do pregão, seguido de Merrill (+12.142 ctr) — este com volume 1,7× o p90 dos últimos pregões, base curta, a confirmar. Do outro lado, Mirae (−11.955 ctr), UBS (−11.219 ctr) e Goldman (−9.751 ctr) terminaram líquidos vendedores. No mini-dólar (fechou a 5.192, +0,66%, ajuste 5.186,43), o fluxo por UBS foi net vendedor de 28.289 contratos (~R$ 1,46 bi) contra XP net compradora de 24.299 — contagem pelo lado do negócio, sem inferência de agressão; bancos estrangeiros aqui executam fluxo de cliente, que muda de mão dia a dia.
Derivativos e aluguel
63% do giro de opções em puts
estoque equilibrado
O giro de opções de ontem foi defensivo — put/call de volume a 1,70, bem acima do equilíbrio, ainda que o estoque de posições em aberto siga parelho (0,96). No posicionamento por série, chamam atenção as puts: ALOS +28,6% de OI (15,0 mi) e SANB +27,9% (10,1 mi), contra calls de ECOR +124% (3,4 mi). No aluguel, o estoque tomado de BBDC3 cresceu 215% em 21 pregões (R$ 2,03 bi) e o de CXSE3 106% (R$ 1,85 bi); nas taxas, BHIA3 saltou ~10 p.p. no dia para ~35% a.a. e NATU3 segue esticada perto de 147% a.a. — short caro e pressionado nos dois nomes.
Radar corporativo da noite
- Petrobras: Termo de Conciliação com a ANP — paga R$ 300 mi e cede banco de dados geoquímicos; em troca, ganha 10 anos adicionais para adequar 335 poços e suspende multas estimadas em R$ 550 mi (protocolo de 07/07, 19:44). A companhia também confirmou o calendário do 2T26: produção em 28/07, resultado em 06/08.
- Cury: prévia do 2T26 — lançamentos de R$ 2,26 bi (+1,4% a/a), mas vendas líquidas de R$ 2,05 bi (−9,5% a/a) e VSO de 40,5% (−7,0 p.p.). Desaceleração de vendas em plena semana de IMOB a −2,0%.
- Light: aumento de capital de R$ 1,5 bi integralmente subscrito; sobras de 41,2 mi de ações saíram a R$ 6,29 (R$ 259,4 mi).
- Atom Educação (ATED): CVM deu prazo à ofertante da OPA para sanear irregularidade; a intermediária rescindiu o contrato em junho.
- QI Tech (não listada) comprou 100% da Autobanking e estreia no crédito automotivo — consolidação seguindo no financeiro.
Curva de juros & expectativas
A curva DI fechou ontem inteira para cima, com a barriga liderando: jan/28 +9 bps a 14,12%, jan/29 +9,5 bps a 14,275% e jan/30 +9 bps a 14,355% — petróleo em alta e risco global batendo direto no prêmio. A inclinação 2a–10a brasileira está em +0,40 p.p. e o spread de 10 anos Brasil–EUA roda em ~10 p.p., com o CDS de 5 anos comportado a 124,6 bps (07/07). Nos EUA, o Treasury de 10 anos saiu de 4,48% no EOD de segunda para ~4,57% nesta manhã. Lembrete de pré-abertura: DI, WIN e WDO só reabrem às 09:00 — os níveis acima são fechamento de ontem, não cotação ao vivo.
| Focus (04/07) — 2026 | Projeção | Semana anterior | Revisão |
|---|---|---|---|
| Selic — fim de 2026 | 14,00% | 14,00% | estável |
| IPCA | 5,30% | 5,33% | −0,03 p.p. |
| IGP-M | 5,68% | 6,15% | −0,47 p.p. |
| Câmbio (USD/BRL) | R$ 5,20 | R$ 5,20 | estável |
| PIB | 1,99% | 1,99% | estável |
| Dívida líquida/PIB | 69,84% | 69,82% | +0,02 p.p. |
No Focus mais recente (leitura de 03/07), a mediana segue vendo Selic a 14,00% no fim de 2026 — ou seja, mais um corte de 25 bps além do atual — com IPCA em lenta melhora (5,30%, terceira semana seguida de recuo marginal) e IGP-M com a maior revisão da semana (−0,47 p.p.). O Copom, que em 17/06 cortou a Selic em 25 bps para 14,25% a.a. por unanimidade, vendeu um ciclo de calibração 100% dependente de dados, sem viés declarado e com horizonte migrando para o 1T28; a próxima decisão sai em 05/08 — e um choque de petróleo como o desta madrugada entra exatamente na lista de riscos altistas que o comitê listou. Nos EUA, os fed funds seguem em 3,50%–3,75%; na última decisão registrada o comitê manteve a taxa com quatro dissidências, e a ata de hoje (15:00 BRT) será lida atrás do placar dessa divisão interna — o noticiário da manhã já fala em conter os estragos da briga familiar na comunicação.
Ibovespa hoje
A conta da abertura tem três vetores. Primeiro, o petróleo: Brent a US$ 78,65 empurra o bloco Petrobras — que pesa na casa de 15% do índice e cujo ADR sobe 3,35% no pré de NY — além de PRIO3, VBBR3 e BRAV3, repetindo o roteiro de ontem. Segundo, o beta global contra: VIX a 18,6, futuros americanos em queda de 1% a 1,4% e Ásia/Europa vendidas jogam contra o índice como um todo, e o ADR da Vale cai 1,61% no pré mesmo com minério positivo em Dalian — a régua do WIN é o ajuste de 174.095 pts após fechamento a 173.600. Terceiro, o juro: choque de oferta de petróleo é inflacionário, o DI já abriu 9 bps na barriga ontem e reabre hoje com Treasury em alta e varejo às 09:00 no radar do Copom. No pano de fundo doméstico, a pesquisa eleitoral da manhã (rejeição de 46,4% para Lula e 43,4% para Flávio Bolsonaro, empate técnico em cenário de 2º turno) adiciona um ingrediente de reprecificação de prêmio local que o mercado vinha deixando de lado.
- Petróleo × beta global — o cabo de guerra que decidiu ontem (Petróleo +1,96% vs Consumo Cíclico −2,03%) tende a se ampliar: PBR +3,35% no pré de NY contra S&P futuro −1,01%. A dispersão setorial importa mais que a direção do índice.
- Juros e câmbio na reabertura das 09:00 — DI vem de +9 bps na barriga com petróleo inflacionário e Treasury a 4,57%; varejo de maio às 09:00, estoques EIA às 11:30 e ata do FOMC às 15:00 são os três gatilhos do dia. No câmbio, dólar comprado contra emergentes, mas o peso colombiano (−2,66%) mostra o amortecedor de exportador de petróleo que também vale para o real.
- Continuidade dos fluxos de ontem — no WIN, o fluxo via Morgan fechou net comprador de 33,4 mil ctr na contramão de Mirae, UBS e Goldman vendidos; no WDO, UBS net vendedora de 28,3 mil ctr contra XP compradora. Vale acompanhar se esses saldos se repetem ou se desmontam na reabertura.