Pré-mercado — 02/07/2026
Payroll de junho às 09:30 BRT comanda o dia: dólar acima de R$ 5,20, DI longo +14 bps e IBOV vindo de −0,20% a 171.689 no pregão de 01/07.
Pré-mercado — 02/07/2026
Quinta-feira de semana curta nos EUA e um único protagonista no relógio: o payroll de junho sai às 09:30 BRT — o mesmo vetor de juros americanos que ontem levou o dólar à casa dos R$ 5,20, abriu a ponta longa do DI em até 14 bps e tirou o Ibovespa do azul. O overnight chega dividido: China pesada, Europa firme, techs vindo de um tombo em NY, ouro em alta e petróleo em queda.
Madrugada e pré-abertura
A Ásia encerrou a sessão de hoje dividida: o CSI 300 despencou 2,96% na China e o Nikkei cedeu 1,07%, com o iene apreciando 0,85% enquanto o juro de 10 anos do Japão subia ~7 bps, para 2,78% — aperto de condições que drena o carry global. Na contramão, a Austrália subiu 0,65% e a Europa abriu no azul (CAC +0,71%, FTSE +0,59%, DAX +0,50%, em andamento). Nos EUA, o fechamento de ontem teve rotação anti-tech: Nasdaq 100 −1,54%, S&P 500 −0,25% e Dow praticamente estável; os futuros agora rodam perto do zero à espera do payroll, e o Treasury de 10 anos marca 4,49%, em leve alta no overnight.
| Índices & juros | Último | Var. | Sessão |
|---|---|---|---|
| Nikkei 225 | 68.792 | −1,07% | hoje, fechada |
| CSI 300 (China) | 4.812 | −2,96% | hoje, fechada |
| ASX 200 (Austrália) | 8.758 | +0,65% | hoje, fechada |
| DAX (Alemanha) | 25.164 | +0,50% | em andamento |
| FTSE 100 (Londres) | 10.537 | +0,59% | em andamento |
| CAC 40 (Paris) | 8.399 | +0,71% | em andamento |
| S&P 500 | 7.481 | −0,25% | fechou ontem |
| Nasdaq 100 | 29.809 | −1,54% | fechou ontem |
| Dow Jones | 52.305 | −0,03% | fechou ontem |
| Treasury 10a | 4,49% | +1 bp | agora |
| Bund 10a (Alemanha) | 2,92% | +4 bps | agora |
| JGB 10a (Japão) | 2,78% | +7 bps | agora |
| Commodities, moedas & ADRs | Último | Var. | Sessão |
|---|---|---|---|
| Ouro | US$ 4.065 | +0,84% | agora |
| Prata | US$ 59,82 | +1,14% | agora |
| Cobre | US$ 13.231 | −0,76% | agora |
| Níquel | US$ 16.185 | −1,16% | agora |
| Minério de ferro (Dalian) | ¥ 740 | +0,48% | agora |
| Brent | US$ 70,56 | −1,41% | agora |
| WTI | US$ 67,57 | −1,50% | agora |
| EUR/USD | 1,1409 | +0,27% | agora |
| USD/JPY | 161,22 | −0,85% | agora |
| USD/CNH (yuan) | 6,79 | −0,05% | agora |
| USD/MXN · USD/ZAR | 17,55 · 16,38 | −0,04% · −0,17% | agora |
| USD/CLP · USD/COP | 925,9 · 3.389 | 0,00% · +0,25% | agora |
| USD/TRY · USD/INR | 46,69 · 95,38 | +0,06% · +0,15% | agora |
| PBR (ADR Petrobras) | US$ 16,01 | +0,12% | pré de NY |
| VALE (ADR Vale) | US$ 14,97 | +0,48% | pré de NY |
Nas commodities, o quadro é de preciosos fortes e industriais fracos: ouro a US$ 4.065 (+0,84%) e prata +1,14%, contra cobre −0,76% e níquel −1,16% — eco direto da fraqueza chinesa da madrugada. O petróleo devolve (Brent −1,41%, WTI −1,50%), enquanto o minério em Dalian segura +0,48%. Nas moedas, o dólar cede contra as desenvolvidas (EUR/USD +0,27%, iene +0,85%) e os emergentes rodam sem stress — peso mexicano, rand, chileno e yuan praticamente parados. Os ADRs brasileiros abrem o pré de NY levemente construtivos: VALE +0,48% e PBR +0,12% sobre o fechamento de ontem.
Agenda do dia — quinta, 02/07
| Hora (BRT) | País | Evento | Relevância | Consenso | Anterior |
|---|---|---|---|---|---|
| 06:00 | BR | IPC-Fipe (jun) — divulgado: +0,18%, arrefecimento na margem | média | — | +0,45% |
| 08:45 | US | Discurso de Mary Daly (Fed) | média | — | — |
| 09:30 | US | Payroll não-agrícola (jun) | alta | 114 mil | 172 mil |
| 09:30 | US | Taxa de desemprego (jun) | alta | 4,3% | 4,3% |
| 09:30 | US | Ganho médio por hora, m/m (jun) | alta | +0,3% | +0,3% |
| 09:30 | US | Pedidos iniciais de seguro-desemprego | alta | 219 mil | 215 mil |
| 11:00 | US | Encomendas à indústria (mai) | média | −1,7% | +4,8% |
| 14:00 | US | Baker Hughes — contagem de sondas | média | — | 573 |
| 17:30 | US | Balanço patrimonial do Fed | alta | — | US$ 6,74 tri |
Semana rasa, típica do intervalo entre temporadas: AGO da São Martinho (SMTO3) amanhã (03/07), Alliança Saúde (AALR3) em 06/07 e Sequoia (SEQL3) em 07/07 — esta com divulgação do 1T26 prevista para a mesma data.
Hoje é o último dia com direito ao JCP do 2T26 do Bradesco: R$ 0,3154/ação (BBDC3) e R$ 0,3469/ação (BBDC4), yield de ~1,9–2,0%. Os papéis abrem ex amanhã (03/07); pagamento em 29/01/2027 — quedas de abertura na casa de 2% amanhã serão ajuste, não venda.
Pregão de ontem — B3, 01/07
O índice passou o dia colado no zero e fechou em leve baixa: as blue chips seguraram — VALE3 +0,27% com R$ 1,2 bi girados e ITUB4 +0,62% com R$ 1,1 bi —, mas a amplitude foi fraca, com 7 dos 10 setores no vermelho. As elétricas foram o maior peso (IEEX −0,97%, puxado por EGIE3 −5,88%) e Tecnologia teve o pior retorno médio setorial (−2,85%). No câmbio, o dólar à vista encerrou acima de R$ 5,20 e o WDO de agosto ajustou a 5.247,5 (+0,82%) — pano de fundo de juros americanos que também abriu a curva DI local.
Maiores altas
Maiores baixas
Entre os BDRs, M1TA34 (Meta) saltou 10,04% com R$ 81 mi girados, na contramão do tombo dos semicondutores — TSMC34 −5,12% e ASML34 −6,08% ecoaram o Nasdaq.
Volume & giro anômalo
O giro anômalo do dia foi CXSE3: R$ 481 mi negociados, 6,1× a média de 60 pregões, alta contida de 0,56% — e as posições em aberto de opções do papel saltando nas duas pontas (puts +157%, calls +124% em contratos). Volume institucional montando posição em um papel fora do bloco líquido tradicional é o tipo de movimento que costuma anteceder notícia ou rebalanceamento.
Quem moveu: corretoras no Ibovespa
Compra líquida (R$ mi)
Venda líquida (R$ mi)
O desenho de ontem no índice foi claro: mesas ligadas a varejo e institucional local (Ágora, XP, Itaú) na ponta compradora, enquanto o fluxo que passou por JP Morgan, Merrill e Morgan Stanley — casas executoras de ordem estrangeira — pesou na venda, somando ~R$ 395 mi líquidos vendidos entre as três. É fluxo de cliente que transita por essas corretoras, não posição proprietária das casas.
Futuros: players de WIN e WDO (fechamento de 01/07)
WIN ago/26 — saldo líquido (contratos)
WDO ago/26 — saldo líquido (contratos)
No mini-índice (15,7 mi de contratos no dia), a XP fechou líquida vendedora de ~30,7 mil contratos — vinha de apenas −1,2 mil na véspera — enquanto o fluxo via Morgan Stanley inverteu de −25,2 mil (30/06) para +26,9 mil ontem. No mini-dólar, o desenho foi de pontas gigantes e simétricas: XP +40,8 mil e BTG +38,6 mil líquidos comprados (o volume de compra do BTG rodou ~3× o padrão recente — volume incomum, base curta, a confirmar) contra Tullett −39,9 mil e Necton −24,9 mil. O destaque acumulado é o fluxo via Morgan Stanley no WDO: ~−71 mil contratos líquidos em 3 pregões (−8,0 mil → −32,6 mil → −30,4 mil) — fluxo de cliente atravessando a casa, mas persistente e na direção contrária à alta do dólar.
Fluxo por participante
Consolidado até 30/06 (a B3 divulga em D+2; o dado de 01/07 ainda não consolidou): o estrangeiro comprou +R$ 302 mi no último dia de junho, segundo pregão seguido no azul (+R$ 667 mi em 29/06) — mas fechou o mês com saída líquida de R$ 7,79 bi. Do outro lado, junho terminou com PF +R$ 3,16 bi, instituições financeiras +R$ 2,37 bi e institucional +R$ 1,79 bi absorvendo o que o gringo vendeu.
73% do volume de opções girou em puts (PCR 2,76; PCR de posições em aberto: 0,96) — o mercado chegou ao payroll carregado de proteção.
Manchetes que armam o dia
Juros & expectativas
A curva DI fechou ontem com abertura concentrada na barriga e na ponta longa: jan/27 a 14,02% (+2 bps), jan/29 a 14,23% (+11,5 bps), jan/31 a 14,33% (+12 bps) e jan/34 a 14,36% (+14,5 bps) — steepening importado da reprecificação de juros americanos, não de piora local (o IPC-Fipe de hoje cedo, +0,18%, veio abaixo da leitura anterior). Nos EUA, a referência de 2 anos fechou 30/06 a 4,14% e a de 10 anos a 4,44% (4,49% no overnight); o spread Brasil−EUA de 10 anos roda em ~10,0 pp.
| Focus (leitura de 26/06) | Projeção | Revisão na semana | Tendência de junho |
|---|---|---|---|
| Selic fim-2026 | 14,00% | 0 | subiu de 13,50% (05/06) para 14,00% — mercado tirou cortes da conta |
| IPCA 2026 | 5,33% | −0,01 pp | estável em nível alto, acima do teto da meta |
| Câmbio fim-2026 | R$ 5,20 | 0 | parado há 4 semanas — e o spot já negocia em cima dele |
| PIB 2026 | +1,99% | +0,00 pp | revisões marginais para cima |
| IGP-M 2026 | 6,15% | −0,01 pp | estável |
Terceiro corte de 25 bps do "ciclo de calibração" veio em 17/06 (unânime, 75 bps acumulados desde 15,00%), vigente desde 18/06. Comunicado sem viés e totalmente data-dependent: expectativas seguem desancoradas (projeção do comitê de 3,7% para o 4T27) e a inflação corrente acima do teto — ritmo adiante depende dos dados.
Faixa mantida na última decisão, com comitê dividido (4 dissensos entre cortar já e não sinalizar afrouxamento). O payroll de hoje é exatamente o tipo de dado que arbitra esse racha — consenso de 114 mil vagas, desaceleração ante 172 mil.
Ibovespa hoje — o que abre o dia
A transmissão para a B3 está armada em três correias. Commodities: minério positivo e ADR da Vale +0,48% no pré dão sustentação a VALE3 e mineração, enquanto Brent abaixo de US$ 71 (e a revisão da subvenção da gasolina no radar da semana) pesa contra PETR4/PETR3 e BRAV3 — ontem a BRAV3 já caiu 5,40%. Juros e câmbio: com o dólar à vista acima de R$ 5,20, DI longo +14 bps e Treasury 10a a 4,49%, bancos e as proxies de duration (IDIV −0,31% ontem, elétricas) ficam reféns do número das 09:30 — payroll fraco alivia a curva inteira; forte, estende o movimento de ontem. Beta global: China −2,96% e Nasdaq −1,54% (fechamento de ontem) seguram o apetite na abertura, com futuros americanos ainda levemente negativos. Referências operacionais: WIN ajustado a 174.269, com amplitude média de ~2.700 pontos nos últimos 9 pregões (σ ~710); WDO a 5.247,5, amplitude média de ~41 pontos. O posicionamento defensivo em opções (PCR de volume 2,76) sugere mercado mais protegido do que otimista na largada.
- 09:30 BRT — payroll de junho (consenso 114 mil; desemprego 4,3%): reprecifica Treasuries, dólar global e a ponta longa do DI em minutos; com a NYSE fechada amanhã, a reação fica toda concentrada no pregão de hoje.
- Câmbio e curva: dólar sustentado acima de R$ 5,20 com DI longo abrindo pelo segundo dia manteria a pressão sobre bancos, IDIV e o miolo do índice; o fluxo via Morgan Stanley no WDO (~−71 mil contratos em 3 pregões) contra XP/BTG compradas ontem marca o campo de batalha do mini-dólar.
- Micro do dia: AMER3 sob o efeito da operação da PF contra Sicupira; CXSE3 depois do giro de 6× a média com OI de opções dobrando; EGIE3 após −5,88%; e Bradesco no último dia com direito ao JCP (ex amanhã).