Panorama de Abertura — 29/06/2026
Overnight risk-on (trégua EUA-Irã, Nasdaq fut +1,5%, VIX caindo), mas IBOV abre no negativo com metais fracos puxando VALE e siderúrgicas; gringo segue vendedor.
Panorama de Abertura — 29/06/2026
Madrugada e pré-abertura
O mundo amanheceu comprado. A faísca veio da geopolítica: EUA e Irã suspenderam as hostilidades e voltaram à mesa — Trump confirmou reunião em Doha amanhã —, e o mercado tratou o desarme como gatilho de risco. Os futuros americanos lideram, com Nasdaq 100 +1,45% e S&P 500 +0,91%, prolongando a sessão de ontem (o S&P fechou sexta praticamente de lado, 7.354). O VIX cai a 17,98 (−2,3%), confirmando o apetite.
Na Ásia (fechada hoje), sinal verde generalizado: Nikkei +0,6%, CSI 300 +1,2%, e as bolsas russas dispararam (RTS +1,9%, MOEX +2,9%) na esteira da distensão. A Europa (em andamento) abriu mista e morna — FTSE +0,18%, CAC +0,27%, mas o DAX recua 0,18%.
Nas commodities, o petróleo é o destaque do dia: Brent +1,7% (US$ 73,85) e WTI +2,0%, subindo apesar da trégua — leitura clássica de prêmio de risco sendo reprecificado com a reunião ainda no ar. Do lado oposto, os metais apanham: ouro −1,5%, prata −1,8% e níquel −2,9% — rotação defensivo → risco. O minério segura leve alta (+0,6%) e o cobre fica de lado (−0,3%). O real vem firme no overnight: USD/BRL na faixa de 5,17, com o dólar perdendo terreno globalmente (EUR/USD +0,25%, GBP +0,33%) e os pares emergentes — peso mexicano, rand, peso chileno — todos no azul contra o dólar. Treasury 10 anos em 4,38%, estável.
Nos ADRs (em andamento em NY), cautela seletiva com Brasil: VALE −1,4% acompanhando metais, CSN (SID) −3,7% e Gerdau (GGB) −2,3% pressionando a tese de siderurgia/mineração; do lado positivo, Ultrapar (UGP) +2,1%.
Agenda do dia & da semana
A manhã já entregou o IGP-M de junho: −0,50% (vs −0,45% esperado), puxado por gasolina, etanol e café — desinflação na ponta atacadista, ainda que o índice em 12 meses tenha acelerado para 3,18%. Sai também o Boletim Focus.
| Quando | Evento | Relevância |
|---|---|---|
| Hoje 08:00 | BR · IGP-M jun (−0,50%, já saiu) | Alta |
| Ter 08:30 | BR · Dívida Bruta/PIB, Resultado Primário (mai) | Alta |
| Ter 11:00 | US · JOLTS (vagas) + Confiança do Consumidor CB | Alta |
| Qua 09:15 | US · ADP (emprego privado) | Alta |
| Qua 11:00 | US · ISM Industrial jun | Alta |
| Qua 14:30 | BR · CAGED (mai) | Alta |
| Qui 09:30 | US · Payroll de junho (NFP, antecipado pelo feriado) | Alta |
Semana curta nos EUA (4 de julho), com o payroll antecipado para quinta — é o evento que pode mexer com a curva americana e, por tabela, com o real e o WIN.
Como o pregão de hoje se desenha na B3
Apesar do humor externo comprado, o Ibovespa abriu no negativo, em torno de 172.761 pontos (−0,31%) — o índice está sendo segurado justamente pelas commodities metálicas que apanham lá fora. O IMAT (materiais básicos) cai −1,4% e o INDX −0,9%, os piores setoriais; do outro lado, defensivos e consumo seguram melhor (IDIV, ICON e IFNC quase no zero a zero). Ou seja: a B3 está descontando minério/ouro fracos mais do que celebrando o risk-on global.
Entre os papéis, VALE −1,2% e SUZB3 −1,5% pesam no topo do índice por volume, enquanto ITUB4 +0,5% e ITSA4 +0,5% equilibram pelo lado dos bancos. Nos destaques de ponta, Magazine Luiza (MGLU3) +3,6% com giro forte (R$ 102 mi) e AVAT 1,2×, Ultrapar +2,9% e Natura +4,0% aparecem entre as maiores altas. No lado oposto, Azevedo (AZEV3 −20,8%, AZEV4 −14,9%) desaba em dia de estresse, e Viveo (VVEO3 −9,1%) chama atenção com AVAT 7,6× — volume relativo explosivo — somado a um salto de aluguel (BTB) de quase +600% em 21 pregões: short pesando.
No fluxo institucional (último consolidado, 25/06), o estrangeiro seguiu vendedor (−R$ 411 mi no dia, −R$ 8,8 bi no mês), com os institucionais locais (+R$ 237 mi) e bancos (+R$ 221 mi) do outro lado. No tape de hoje, XP (+R$ 127 mi) e BTG (+R$ 56 mi) lideram a compra no IBOV; UBS (−R$ 75 mi), Merrill (−R$ 71 mi) e Goldman (−R$ 53 mi) — as mesas de gringo — dominam a venda. Mesmo padrão de aversão seletiva.
Nos futuros (WIN ao vivo), o saldo está dividido: XP (+17,7k) e Ideal (+17,6k) comprados, contra Ágora (−16,3k) e UBS (−15,0k) vendidos — UBS é o smart money tradicional do lado short. No mini-dólar, BGC (+42,4k) e XP comprados; UBS (−17,0k) e Necton vendidos.
Juros & expectativas
A curva DI brasileira está empinada e parada no alto: DI 1 ano em 14,15%, vértice longo (2036) em 14,38%, inclinação de apenas 33 bps — mercado precificando juro alto por mais tempo. O Copom cortou a Selic para 14,25% na reunião de 17/06 (corte de 75 bps no acumulado do "ciclo de calibração"), em decisão unânime, mas com comunicação cautelosa e sem viés: inflação cheia e núcleos acima do teto, expectativas desancoradas. O Focus projeta Selic a 14,00% no fim do ciclo (revisão de alta na semana), IPCA 5,33% para 2026 e câmbio 5,20. Próxima reunião é totalmente data-dependent.
Nos EUA, o Fed Funds em 3,75% e o Treasury 10a em 4,40% mantêm o spread Brasil−EUA de 10 anos em torno de 10 pontos percentuais — diferencial de juro que continua sustentando o real. O payroll de quinta é o teste da semana para essa âncora.
O que observar na abertura
- Commodities mandam no índice: minério segura, mas ouro/prata/níquel apanhando puxam VALE, CSN e siderúrgicas para baixo — o IMAT é o fiel da balança hoje. Petróleo em alta favorece PETR4 na contramão.
- Risk-on lá fora vs. gringo vendedor aqui: Nasdaq +1,5% e VIX caindo dão suporte ao WIN, mas o estrangeiro segue saindo da bolsa (−R$ 8,8 bi no mês) e as mesas UBS/Merrill/Goldman vendem no tape. A briga é entre beta global comprado e fluxo local vendido.
- Radar de estresse idiossincrático: AZEV3/4 desabando e VVEO3 com AVAT 7,6× + aluguel explodindo são os nomes para vigiar — movimento de short, não de mercado.