Long & Short — 10/07/2026
Estudo de pares long & short da B3: 12 cointegrados e correlacionados esticados; BRAP4/VALE3 alinha as 3 lentes, PRIO3/UGPA3 e CMIN3/YDUQ3 no radar.
Long & Short — 10/07/2026
Placar do dia
O screen estatístico rodou para o pregão de 10/07 sobre os fechamentos consolidados de 09/07 (bolsa em curso hoje, com o Ibovespa acima de 176 mil após o IPCA de junho em 0,16%). O stress de pares está concentrado em Materiais Básicos e Petróleo: CMIN3 é a perna comum de 5 pares cointegrados esticados — mineração de ferro que disparou no curto prazo (6 altas seguidas) contra vários setores. A cointegração (janela 200, spread testado por ADF) devolveu 12 pares |z|≥2; a correlação (desvio do ratio vs a MM20, lente mais curta) devolveu menos e mais concentrada em construção civil e financeiro.
A diferença entre as lentes importa: a cointegração pega desvios estruturais estacionários; a correlação pega esticões recentes — CYRE3/DIRR3, por exemplo, aparece na correlação, mas o ratio de 90 pregões ainda está dentro da banda (é um esticão de ~2 semanas). No filtro que separa par tradável de par de papel — a disponibilidade da ponta vendida —, das 6 pontas short dos destaques só CMIN3 está cara e esquentando (taxa 4,3% a.a., percentil 82 em 18 meses, ~15 pregões para recobrir, estoque de aluguel +55% em 21 pregões). As outras cinco têm aluguel barato e execução folgada — a maioria dos setups sai do papel.
Cointegração — ranking livre (10)
Spread estacionário (ADF), regressão de preços na janela de 200 pregões; a montagem é a do motor, β-neutro por quantidade (não dollar-neutral): a perna-âncora fica em ~R$ 100 mil e a outra escala pelo β — por isso os dois notionais diferem. z<0 = spread abaixo da média (comprar a perna B); z>0 = acima (vender a perna B).
| Par | Setor (A→B) | z | ½-vida | ADF | β | Montagem (motor) | Notional (R$ mil) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| CMIN3/YDUQ3 | Mineração → Educação | −3,17 | 4,8 | estac. | 1,44 | V 20.703 CMIN3 / C 7.984 YDUQ3 | 100 / 69 |
| PRIO3/UGPA3 | Petróleo (mesmo) | +3,08 | 9,0 | estac. | 0,59 | C 1.798 PRIO3 / V 5.587 UGPA3 | 100 / 168 |
| CMIN3/SBFG3 | Mineração → Consumo | −2,82 | 6,9 | estac. | 0,80 | V 20.703 CMIN3 / C 12.853 SBFG3 | 100 / 126 |
| BRAP4/VALE3 | Mineração (mesmo) | −2,57 | 5,6 | estac. | 0,94 | V 4.712 BRAP4 / C 1.455 VALE3 | 100 / 106 |
| CMIN3/RAPT4 | Mineração → Bens Ind. | −2,50 | 5,6 | estac. | 1,10 | V 20.703 CMIN3 / C 19.902 RAPT4 | 100 / 91 |
| ENGI11/MOVI3 | Utilidade → Consumo | −2,38 | 9,0 | estac. | 2,58 | V 1.996 ENGI11 / C 4.423 MOVI3 | 100 / 39 |
| ITUB3/RIAA3 | Financeiro → Consumo | −2,31 | 5,0 | estac. | 0,81 | V 2.229 ITUB3 / C 14.286 RIAA3 | 100 / 124 |
| CMIN3/TOTS3 | Mineração → Tecnologia | −2,23 | 5,9 | estac. | 1,51 | V 20.703 CMIN3 / C 2.236 TOTS3 | 100 / 66 |
| BPAC11/IGTI11 | Financeiro (mesmo) | −2,14 | 4,8 | estac. | 0,76 | V 1.795 BPAC11 / C 5.162 IGTI11 | 100 / 131 |
| PRIO3/VBBR3 | Petróleo (mesmo) | +2,14 | 6,4 | estac. | 0,54 | C 1.798 PRIO3 / V 5.775 VBBR3 | 100 / 185 |
A perna esticada é recorrente: CMIN3 aparece em 5 dos 10 pares (vendida em todos), o que reforça que o desvio está na própria CMIN3, não numa contraparte específica.
Cointegração — mesmo setor (6)
Pares cujas duas pernas dividem o setor B3 — hedge setorial mais limpo. As duas últimas linhas têm |z| entre 1,5 e 2 (piso de |z| afrouxado uma vez para 1,5, pois só 4 pares batiam |z|≥2).
| Par | Setor | z | ½-vida | ADF | β | Montagem (motor) | Notional (R$ mil) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| PRIO3/UGPA3 | Petróleo | +3,08 | 9,0 | estac. | 0,59 | C 1.798 PRIO3 / V 5.587 UGPA3 | 100 / 168 |
| BRAP4/VALE3 | Mineração | −2,57 | 5,6 | estac. | 0,94 | V 4.712 BRAP4 / C 1.455 VALE3 | 100 / 106 |
| BPAC11/IGTI11 | Financeiro | −2,14 | 4,8 | estac. | 0,76 | V 1.795 BPAC11 / C 5.162 IGTI11 | 100 / 131 |
| PRIO3/VBBR3 | Petróleo | +2,14 | 6,4 | estac. | 0,54 | C 1.798 PRIO3 / V 5.775 VBBR3 | 100 / 185 |
| KLBN11/KLBN4 | Papel e Celulose | −1,59 | 2,0 | estac. | 0,98 | V 5.747 KLBN11 / C 29.411 KLBN4 | 100 / 102 |
| EGIE3/ISAE4 | Energia Elétrica | +1,58 | 6,5 | estac. | 1,07 | C 3.065 EGIE3 / V 3.200 ISAE4 | 100 / 94 |
Os quatro primeiros também lideram o ranking livre — são pares setor-neutro por natureza. KLBN11/KLBN4 (unit × PN da mesma Klabin) tem R²=0,99 e meia-vida de 2 pregões: reversão rápida, mas |z| ainda modesto.
Cointegração — destaques (dossiê dos 3 melhores setups)
CMIN3 / YDUQ3 maior |z| do dia
Operação: Vender CMIN3 / Comprar YDUQ3
| Perna | Lado | Preço | Qtd | Notional |
|---|---|---|---|---|
| CMIN3 | Vender | 4,83 | 20.703 | R$ 99.995 |
| YDUQ3 | Comprar | 8,68 | 7.984 | R$ 69.301 |
Montagem do motor · β-neutro (razão do hedge ratio β=1,44) · por QUANTIDADE, não financeiro · notionais 100k / 69k (1,44× — levemente desbalanceado, não dollar-neutral).
Tradabilidade. A ponta vendida (CMIN3) é a única cara do relatório: taxa de aluguel 4,3% a.a. (percentil 82 em 18 meses), ~15 pregões para recobrir e estoque de aluguel +55% em 21 pregões — hard-to-borrow subindo, risco de squeeze se o rally de minério persistir. Execução folgada nas duas pernas (CMIN3 0,27% e YDUQ3 0,22% do volume diário no tamanho da ordem). Vol realizada alta em ambas (CMIN3 30%, YDUQ3 44% a.a.).
YDUQ3 — comprar (perna longa)
- Momentum: −27% em 63d, −43% em 12m; a −44% da máxima de 52 semanas; drawdown −42%. Chão estrutural.
- Fundamento: educação (Yduqs) — setor em contração; é a ponta "barata" da tese.
- Driver: a Amundi cruzou 5,06% do capital (fato relevante de 26/06) — fundo global montando posição no papel afundado. Nova unidade Ibmec anunciada (marca = 11% do EBITDA).
- Fluxo (21d): UBS +R$ 12,7 mi e BTG +R$ 13,0 mi (comprador 67% dos dias) acumulando; casa com o fundo entrando.
CMIN3 — vender (perna curta)
- Momentum: +14% em 5d, +12% em 21d, 6 altas seguidas; a −24% da máxima de 52 semanas. Esticada no curto prazo.
- Fundamento: mineração de ferro (CSN Mineração); a ponta "cara" após o rally, comum a 5 pares.
- Driver: sem notícia própria na janela (última há >2 semanas) — rally sem catalisador claro nas manchetes. Lacuna de notícia registrada.
- Fluxo (21d): Goldman distribuindo forte (−R$ 74 mi, comprador só 5% dos dias); a distribuição casa com o lado vendedor.
Confluência: 2 de 3 lentes (cointegração z=−3,17 + ratio simples 90d z=+2,53, percentil 98%; a correlação não pegou o par). Tese: spread no extremo com meia-vida de ~5 pregões, YDUQ sobrevendida e com fundo comprando, CMIN esticada e com smart money distribuindo — mas a ponta vendida está cara e esquentando (4,3% a.a., ~15 pregões p/ recobrir), o atrito que pode segurar o par. Setores distintos: é convergência estatística pura, não hedge setorial.
PRIO3 / UGPA3 Petróleo · mesmo setor
Operação: Comprar PRIO3 / Vender UGPA3
| Perna | Lado | Preço | Qtd | Notional |
|---|---|---|---|---|
| PRIO3 | Comprar | 55,61 | 1.798 | R$ 99.987 |
| UGPA3 | Vender | 30,10 | 5.587 | R$ 168.169 |
Montagem do motor · β-neutro (razão β=0,59) · por QUANTIDADE · notionais 100k / 168k (1,68× — exposição desbalanceada; β-neutro, não dollar-neutral, a perna UGPA3 é maior em R$).
Tradabilidade. A ponta vendida (UGPA3) é barata e fácil: taxa 0,06% a.a. (percentil 27), ~5 pregões para recobrir; o estoque de aluguel subiu +75% em 21d mas a taxa segue quase nula. Execução folgada mesmo na perna gorda (UGPA3 a R$ 168 mil = 0,11% do volume diário). Vol 35% (PRIO3) e 27% (UGPA3).
PRIO3 — comprar (perna longa)
- Momentum: −12% em 21d e −13% em 63d (corrigiu), mas +36% em 126d e +33% no ano; a −24% da máxima de 52 semanas. Beta ~0 vs Ibovespa (petróleo descorrelacionado).
- Fundamento: E&P de petróleo (produtora); a ponta que ficou para trás no par.
- Driver: governo prorrogou por 60 dias o imposto de exportação de óleo bruto (12%) — leve pressão setorial sobre exportadores.
UGPA3 — vender (perna curta)
- Momentum: +13% em 5d, +20% em 21d, +81% em 12m, 6 altas seguidas; a −2,3% da máxima de 52 semanas. No topo, muito esticada.
- Fundamento: distribuição de combustíveis (Ultrapar); a ponta "cara" no topo.
- Driver: recompra de até 18 mi de ações (1,61% do capital) aprovada em 17/06 — há um comprador estrutural sob o papel (ressalva para shortar o topo).
- Fluxo (21d): Goldman distribuindo −R$ 217 mi (comprador só 14% dos dias), a maior saída do papel — casa forte com o lado vendedor; do outro lado, Morgan +R$ 142 mi e Itaú +R$ 113 mi (recompra e momentum).
Confluência: 2 de 3 lentes (cointegração z=+3,08 + ratio 90d z=−2,56; a correlação pegou UGPA3/VBBR3, não este par). Tese: spread esticado no mesmo setor, UGPA no topo de 52 semanas com Goldman distribuindo pesado e aluguel baratíssimo (0,06% a.a.), PRIO corrigida mas em tendência de alta — ressalva: a recompra da Ultra é um piso sob o short.
BRAP4 / VALE3 confluência 3/3 · máxima convicção
Operação: Vender BRAP4 / Comprar VALE3
| Perna | Lado | Preço | Qtd | Notional |
|---|---|---|---|---|
| BRAP4 | Vender | 21,22 | 4.712 | R$ 99.989 |
| VALE3 | Comprar | 73,15 | 1.455 | R$ 106.433 |
Montagem do motor · β-neutro (razão β=0,94) · por QUANTIDADE · notionais 100k / 106k (1,06× — como β≈1, a montagem sai quase dollar-neutral).
Tradabilidade. A ponta vendida (BRAP4) tem aluguel baratíssimo: taxa 0,04% a.a. (percentil 8), ~9,5 pregões para recobrir, estoque estável. Execução limpa: VALE3 é a ação mais líquida do pregão (1ª de 537, impacto 0,01% no tamanho da ordem) e BRAP4 opera a 0,16%. β=0,94 deixa a montagem quase dollar-neutral. Vol contida (BRAP4 24%, VALE3 25% a.a.).
VALE3 — comprar (perna longa)
- Momentum: −6,5% em 5d, −15% em 63d; a −20% da máxima de 52 semanas; drawdown −19%. Corrigida, longe do topo.
- Fundamento: maior mineradora — a operação real por trás da holding.
- Driver: BTG reiterou compra em 09/07 (geração de caixa livre de 9% e desconto vs pares); ressalva: em 07/07 caiu 2% com a renúncia do presidente do conselho e a queda do minério na China (overhang de governança).
- Fluxo (21d): XP +R$ 830 mi e JP Morgan +R$ 420 mi (comprador 86% dos dias) acumulando — smart money persistente do lado comprador.
BRAP4 — vender (perna curta)
- Momentum: −5,1% em 5d, −13% em 63d; a −17% da máxima de 52 semanas. Também corrigiu, mas menos que a VALE em 5 dias — por isso o ratio BRAP/VALE subiu (BRAP ficou relativamente rica).
- Fundamento: Bradespar — holding cujo ativo principal é a fatia na Vale; um proxy que oscila em desconto/prêmio sobre a operação.
- Driver: sem notícia própria — o driver é a própria Vale/minério; a divergência é o desconto de holding esticando.
- Fluxo (21d): misto — Merrill +R$ 32 mi e UBS +R$ 26 mi comprando, Ativa −R$ 34 mi e Goldman −R$ 16 mi vendendo. Não confirma forte o short (há comprador).
Confluência: 3 de 3 lentes — cointegração z=−2,57 (R²=0,99, meia-vida 5,6), correlação z=+2,72 (corr 0,92) e ratio 90d z=+2,45 (percentil 98,9%): as três apontam o mesmo lado. Tese: a única confluência 3/3 do dia, mesmo setor/subsetor/segmento (mineração), VALE corrigida com JP Morgan acumulando 86% dos dias e BTG comprador, BRAP relativamente rica; short barato (0,04% a.a.), execução limpa e montagem quase dollar-neutral. O setup mais tradável do relatório.
Correlação — ranking livre (10)
Ações que andam juntas (correlação ≥ 0,7) cujo ratio esticou vs a MM20 — montagem caixa-neutro (~R$ 100 mil por perna, financeiros iguais). z>0 = ratio acima da média → vender a perna A / comprar a perna B. Linhas com |z| entre 1,5 e 2 marcam o piso afrouxado (só 5 pares batiam |z|≥2).
| Par | Setor | Corr. | z | dist. MM20 | Lado | Fin./perna |
|---|---|---|---|---|---|---|
| BRAP4/VALE3 | Mineração (mesmo) | 0,92 | +2,72 | +2,57% | V BRAP4 / C VALE3 | ~R$ 100k |
| CYRE3/DIRR3 | Construção (mesmo) | 0,73 | +2,28 | +6,91% | V CYRE3 / C DIRR3 | ~R$ 100k |
| BBDC3/BBDC4 | Bancos (mesmo) | 0,97 | +2,19 | +2,01% | V BBDC3 / C BBDC4 | ~R$ 100k |
| MULT3/RENT3 | Financ. → Consumo | 0,76 | +2,17 | +4,99% | V MULT3 / C RENT3 | ~R$ 100k |
| CURY3/DIRR3 | Construção (mesmo) | 0,81 | +2,00 | +3,62% | V CURY3 / C DIRR3 | ~R$ 100k |
| BBDC3/RENT3 | Financ. → Consumo | 0,71 | +1,92 | +6,16% | V BBDC3 / C RENT3 | ~R$ 100k |
| MOVI3/SIMH3 | Consumo → Financ. | 0,77 | −1,92 | −6,34% | C MOVI3 / V SIMH3 | ~R$ 100k |
| SIMH3/VAMO3 | Financ. → Consumo | 0,77 | −1,86 | −3,81% | C SIMH3 / V VAMO3 | ~R$ 100k |
| B3SA3/RENT3 | Financ. → Consumo | 0,70 | +1,85 | +4,55% | V B3SA3 / C RENT3 | ~R$ 100k |
| ITSA4/RENT3 | Financ. → Consumo | 0,72 | +1,82 | +5,90% | V ITSA4 / C RENT3 | ~R$ 100k |
RENT3 (Localiza) puxa a ponta comprada de 5 pares — recorrência do lado, análoga ao papel da CMIN3 na cointegração, mas aqui como a perna a comprar.
Correlação — mesmo setor (6)
Pares intra-setor; as duas últimas linhas com |z| entre 1,5 e 2 (piso afrouxado).
| Par | Setor | Corr. | z | dist. MM20 | Lado | Fin./perna |
|---|---|---|---|---|---|---|
| BRAP4/VALE3 | Mineração | 0,92 | +2,72 | +2,57% | V BRAP4 / C VALE3 | ~R$ 100k |
| CYRE3/DIRR3 | Construção | 0,73 | +2,28 | +6,91% | V CYRE3 / C DIRR3 | ~R$ 100k |
| BBDC3/BBDC4 | Bancos | 0,97 | +2,19 | +2,01% | V BBDC3 / C BBDC4 | ~R$ 100k |
| CURY3/DIRR3 | Construção | 0,81 | +2,00 | +3,62% | V CURY3 / C DIRR3 | ~R$ 100k |
| UGPA3/VBBR3 | Petróleo | 0,72 | +1,81 | +5,41% | V UGPA3 / C VBBR3 | ~R$ 100k |
| CURY3/CYRE3 | Construção | 0,73 | −1,60 | −3,12% | C CURY3 / V CYRE3 | ~R$ 100k |
Correlação — destaques (dossiê dos 3 melhores setups)
BRAP4 / VALE3 também 3/3 nas lentes
Operação: Vender BRAP4 / Comprar VALE3 — caixa-neutro (~R$ 100 mil por perna).
| Perna | Lado | Preço | Qtd | Notional |
|---|---|---|---|---|
| BRAP4 | Vender | 21,22 | 4.700 | R$ 99.734 |
| VALE3 | Comprar | 73,15 | 1.400 | R$ 102.410 |
Caixa-neutro: ~R$ 100 mil por perna (financeiros iguais, quantidades arredondadas a lote de 100).
Confluência 3/3 e executabilidade. Mesmo par que lidera a cointegração — aqui pela lente do ratio vs MM20 (z=+2,72) e pelo ratio simples de 90d no percentil 98,9%. Aluguel do short barato (BRAP4 0,04% a.a.), VALE3 a mais líquida da bolsa, fluxo comprador persistente na VALE (JP Morgan 86% dos dias). Detalhes por perna no dossiê da seção de cointegração acima. Tese: a leitura de correlação apenas confirma o que cointegração e ratio já diziam — três lentes, um lado só, o setup de maior convicção do dia.
CYRE3 / DIRR3 Construção · mesmo setor
Operação: Vender CYRE3 / Comprar DIRR3 — caixa-neutro (~R$ 100 mil por perna).
| Perna | Lado | Preço | Qtd | Notional |
|---|---|---|---|---|
| CYRE3 | Vender | 22,17 | 4.500 | R$ 99.765 |
| DIRR3 | Comprar | 12,69 | 7.900 | R$ 100.251 |
Caixa-neutro: ~R$ 100 mil por perna. Preços do fechamento de 09/07 (o z da lente usa o ratio até o pregão em curso).
Tradabilidade. Ponta vendida (CYRE3) com aluguel baixíssimo: taxa 0,07% a.a. (percentil 4), ~5 pregões para recobrir, apesar de 8,9% do free float vendido. Execução folgada (CYRE3 0,06%, DIRR3 0,11% do volume diário). Beta alto em ambas (1,5–1,9 vs Ibovespa) — incorporadoras sensíveis a juros.
DIRR3 — comprar (perna longa)
- Momentum: −9% em 5d, −0,9% em 21d; a −26% da máxima de 52 semanas. Corrigiu no curtíssimo prazo.
- Fundamento: Direcional — incorporadora, mesmo segmento da Cyrela.
- Driver: prévia operacional do 2º tri (09/07): vendas líquidas de R$ 1,7 bi (em linha na base anual) e vendas brutas de R$ 2,0 bi. Operação sólida.
- Fluxo: não coberto por perna nesta edição. Lacuna registrada (dimensão opcional).
CYRE3 — vender (perna curta)
- Momentum: +8,8% em 21d (superou a DIRR), −19% em 63d; a −31% da máxima de 52 semanas. Subiu mais que a DIRR no mês — foi o que esticou o ratio.
- Fundamento: Cyrela — incorporadora de maior porte.
- Driver: sem notícia própria na janela. Lacuna de notícia registrada.
- Fluxo: não coberto por perna nesta edição.
Confluência: 1 de 3 lentes — só a correlação (z=+2,28 vs MM20); o ratio de 90d ainda está dentro da banda (z=−0,27) e a cointegração não listou o par. O esticão é recente (~2 semanas), capturado pela MM20 curta mas não pela janela longa. Tese: desvio recente entre incorporadoras coladas 0,73, CYRE outperformando e DIRR com prévia sólida, short barato — porém uma só lente e correlação moderada pedem cautela: é o setup de menor convicção dos destaques.
BBDC3 / BBDC4 Bancos · ON × PN, corr 0,97
Operação: Vender BBDC3 / Comprar BBDC4 — caixa-neutro (~R$ 100 mil por perna).
| Perna | Lado | Preço | Qtd | Notional |
|---|---|---|---|---|
| BBDC3 | Vender | 15,70 | 6.400 | R$ 100.480 |
| BBDC4 | Comprar | 18,00 | 5.600 | R$ 100.800 |
Caixa-neutro: ~R$ 100 mil por perna. Preços do fechamento de 09/07 (bancos em alta hoje com o IPCA benigno — o movimento ergue as duas pernas, o spread ON×PN é neutro a ele).
Tradabilidade. Ponta vendida (BBDC3) com aluguel baratíssimo: taxa 0,10% a.a. Atenção ao ruído: o estoque de aluguel saltou +225% em 21 pregões, mas o papel ficou ex-JSCP em 03/07 — o inchaço é captura de proventos, não short direcional (não sinaliza squeeze). Execução trivial: ambas ultra-líquidas (BBDC4 0,02%, BBDC3 0,09% do volume diário). Vol baixa (15–17% a.a.).
BBDC4 — comprar (perna longa, PN)
- Momentum: +4,3% em 21d, −0,9% em 5d; a −19% da máxima de 52 semanas. A PN ficou levemente atrás da ON no mês.
- Fundamento: Bradesco PN — a mais líquida do par (99º percentil de liquidez), a que entra em índices e ETFs.
- Driver: bancos em alta com o IPCA de junho em 0,16% (abaixo do esperado) e os DIs caindo >20 pontos-base — corte de juros no radar move o setor (as duas pernas).
BBDC3 — vender (perna curta, ON)
- Momentum: +6,1% em 21d (superou a PN), +0,7% em 5d; a −14% da máxima de 52 semanas. A ON subiu mais que a PN — foi o que esticou o ratio ON/PN.
- Fundamento: Bradesco ON — menos líquida que a PN (atípico), sem driver idiossincrático vs a PN.
- Fluxo (21d): UBS +R$ 58 mi (comprador 76% dos dias) e Merrill +R$ 33 mi acumulando a ON; Morgan −R$ 52 mi e XP −R$ 45 mi do outro lado. Misto.
Confluência: 2 de 3 lentes (correlação z=+2,19 + ratio 90d z=+2,36, percentil 97%; a cointegração não listou). ON e PN do mesmo emissor = correlação 0,97, o par mais colado dos destaques. Tese: spread ON×PN do Bradesco esticado com a ON à frente da PN no mês; execução trivial (ambas ultra-líquidas), short barato e com o salto de estoque explicado por JSCP (não squeeze) — o setup mais "limpo" e de menor risco idiossincrático, embora de spread pequeno (dist. MM20 de só 2%).
Leitura
Onde está o stress de pares hoje. A concentração é setorial: Materiais Básicos (mineração, com CMIN3 e BRAP4 como pernas recorrentes) e Petróleo dominam a cointegração; a correlação puxa mais construção civil e financeiro, com RENT3 como perna comprada recorrente.
Cointegração × correlação. A cointegração (janela 200, spread estacionário por ADF, montagem β-neutro do motor) mede reversão estatística testada — daí os 12 pares com meia-vida mediana de ~5,8 pregões. A correlação (desvio do ratio vs MM20, caixa-neutro) mede desvio de uma relação histórica de curto prazo — mais rasa e mais sujeita a esticões passageiros, como o CYRE3/DIRR3, esticado só na lente curta.
A confluência é o filtro nº 1. BRAP4/VALE3 é o único par esticado nas três lentes (cointegração, correlação e ratio simples), todas mandando vender BRAP4 / comprar VALE3 — mesmo setor, aluguel barato (0,04% a.a.), execução limpa e montagem quase dollar-neutral. Convicção acima de qualquer |z| isolado.
Tradabilidade separa sinal de papel. Das seis pontas vendidas dos destaques, cinco têm aluguel barato e execução folgada; a exceção é CMIN3 (4,3% a.a., percentil 82, ~15 pregões para recobrir, estoque +55% em 21d) — um |z| alto que a ponta short cara pode não deixar sair do papel. E há ruídos a filtrar: o salto de estoque de aluguel da BBDC3 é captura de JSCP (ex em 03/07), não short direcional; a recompra da Ultrapar é um piso sob o short de UGPA3. Leitura estatística e de posicionamento, sem recomendação direcional.