Fechamento de Mercado — 09/07/2026
Ibovespa +1,22% aos 172.742 pts, puxado por bancos (ITUB4 +255 pts) e small caps; petróleo e a elétrica AXIA3 pesam, curva DI cede ~15 bps e o dólar recua a R$ 5,13.
Fechamento de Mercado — 09/07/2026
O Ibovespa fechou o pregão desta quinta-feira aos 172.742 pontos, alta de +1,22% (+2.089 pts), num dia de apetite por risco lá fora e alívio de juros aqui dentro. A liderança foi do bloco financeiro — o índice de bancos subiu +2,35% —, com participação forte de imobiliário (+2,81%) e small caps (+2,08%), enquanto o complexo de petróleo e a elétrica AXIA3 remaram contra. Por trás do humor: bolsas americanas em alta (Nasdaq 100 +1,62%), VIX cedendo a 15,84 (−6,3%), Treasury de 10 anos em queda e um dólar global mais fraco que levou o real a R$ 5,13 (−0,43%). No book de juros, a curva DI recuou ~15 bps no miolo, ajudada por um Focus de IPCA que já cede (5,30%) e pela leitura de inflação que sai amanhã.
1 · Resumo do dia
O dia se desenhou comprador do início ao fim. Com o exterior calmo — os índices americanos fecharam no azul e o VIX afundou mais de 6% — e o dólar em retração global, o investidor voltou a comprar Brasil, e o Ibovespa acompanhou a força dos bancos. O real firmou a R$ 5,13 e a curva de juros aliviou em bloco: o vencimento DI de janeiro/2028 recuou de 14,20% para 14,02% (−18 bps). O contrapeso veio do petróleo — PETR4 −1,08%, PETR3 −1,22%, PRIO3 −1,28% — num pregão em que o WTI caiu ~2% e o governo reforçou a manutenção do desconto na gasolina. Fora do setor de óleo, o único grande peso negativo foi a elétrica AXIA3, que despencou 2,53% no maior volume financeiro do dia.
2 · Destaques da bolsa
Maiores altas
Maiores baixas
Maiores volumes financeiros
Volume relativo (RVOL) — quem girou muito acima da média
| Ticker | RVOL | Preço | Var | Volume |
|---|---|---|---|---|
| HBOR3 | 5,77× | R$ 2,02 | +12,22% | R$ 12,5 mi |
| HBRE3 | 4,52× | R$ 2,32 | +11,00% | R$ 4,0 mi |
| FIQE3 | 4,50× | R$ 5,81 | −2,52% | R$ 17,3 mi |
| AMBP3 | 4,50× | R$ 0,17 | +6,25% | R$ 3,3 mi |
| ONCO3 | 3,11× | R$ 0,92 | −13,21% | R$ 23,7 mi |
| DIRR3 | 2,66× | R$ 12,60 | +0,16% | R$ 238,2 mi |
| FLRY3 | 2,49× | R$ 15,67 | +1,69% | R$ 85,8 mi |
No varejo, MGLU3 (+7,54%) e AMER3 (+7,16%) foram os destaques líquidos da ponta de alta, embalados pelo apetite por risco e pela queda dos juros. A ponta de baixa teve como líder ONCO3 (−13,21%), que fechou perto da mínima com giro 3× acima do normal, e AZEV4 (−6,57%). Entre as pesos-pesados, VALE3 e PETR4 dividiram a liderança de volume (R$ 1,38 bi e R$ 1,31 bi), mas o dado que chama atenção é DIRR3: a construtora girou R$ 238 mi (RVOL 2,66×) praticamente de lado (+0,16%) — sinal de troca de mãos relevante, que reaparece no fluxo anômalo mais adiante.
3 · Setorial & atribuição do índice
Desempenho por índice (ao vivo, fechamento)
Quem moveu o Ibovespa hoje (em pontos)
A alta foi um evento de bancos. Sozinho, o ITUB4 colocou +255 pontos no Ibovespa, seguido por B3SA3 (+198), BPAC11 (+149), BBDC4 (+114), ITSA4 (+112) e BBAS3 (+96) — o setor financeiro respondeu por mais da metade do avanço do índice. Somaram-se SBSP3 (+155, saneamento), EMBJ3 (+121, Embraer) e VALE3 (+115), que segurou a mineração no positivo mesmo com o dia morno de commodities. Do lado que segurou o índice, o quadro é nítido: AXIA3 tirou 221 pontos sozinha e o trio Petrobras/PRIO retirou outros ~285 pontos. No mapa setorial, todos os grandes índices fecharam no verde — a queda ficou concentrada no nível de ação (óleo e a elétrica), não no setorial amplo.
4 · Fluxo
Saldo por participante — acumulado do mês (até 07/07, R$ mi)
Top corretoras no Ibovespa — saldo líquido do dia (ao vivo, R$ mi)
No tape ao vivo, quem empurrou a cesta do Ibovespa foi a Morgan Stanley, net compradora de R$ 764 mi (68 ativos no lado da compra) — a mesma casa que aparece como compradora anômala em UGPA3 e SBSP3. Do lado vendedor, Merrill (−R$ 455 mi), Citigroup (−R$ 219 mi) e JP Morgan (−R$ 127 mi): as mesas estrangeiras dividiram-se, com o fluxo de compra de uma superando a distribuição das outras. É fluxo de execução de cliente passando pela corretora — não posição proprietária. Na foto por categoria (que a B3 consolida com defasagem, aqui até 07/07 e ainda não fechada para hoje), o mês tem o institucional local como grande vendedor (−R$ 1,57 bi), contra pessoa física (+R$ 818 mi) e estrangeiro (+R$ 188 mi) do lado comprador — inversão do junho, quando o gringo saiu pesado.
Fluxo anômalo do dia (corretora ≥1,5× o normal de 60 pregões)
| Ativo | Comprador anômalo | Vendedor anômalo | Var |
|---|---|---|---|
| DIRR3 | BTG (3,0×) | UBS (3,0×) | +0,16% |
| UGPA3 | Morgan (2,3×) | Goldman (1,7×) | +2,52% |
| BBAS3 | — | Citigroup (2,0×) | +2,41% |
| EQTL3 | — | Citigroup (1,7×) | +2,66% |
| SBSP3 | Morgan (1,6×) | — | +3,04% |
O grande duelo do dia foi em DIRR3: BTG comprando ~3× o normal contra UBS vendendo na mesma intensidade — troca de mãos que explica o giro de R$ 238 mi na construtora, de lado no preço. Citigroup, por sua vez, distribuiu BBAS3 e EQTL3 na alta, enquanto a Morgan reforçou compras em UGPA3 e SBSP3.
5 · Futuros & derivativos
Mini-índice (WINQ26) — posição por player
| Player | Net (ctr) | Preço médio | P&L aberto |
|---|---|---|---|
| XP | −54.314 | 174.545 | −R$ 9,18 mi |
| Morgan Stanley | +40.958 | 173.883 | +R$ 12,35 mi |
| Goldman | +33.942 | 174.468 | +R$ 6,26 mi |
| Merrill | −12.323 | 174.360 | −R$ 2,54 mi |
| Genial | +9.651 | 174.507 | +R$ 1,70 mi |
Mini-dólar (WDOQ26) — posição por player
| Player | Net (ctr) | Preço médio | P&L aberto |
|---|---|---|---|
| UBS | −37.160 | 5.156,4 | +R$ 535 mil |
| BGC | +36.043 | 5.157,0 | −R$ 542 mil |
| Morgan Stanley | −14.936 | 5.149,5 | +R$ 112 mil |
| Necton | +13.770 | 5.145,5 | −R$ 48 mil |
| Ativa | −11.652 | 5.154,7 | +R$ 148 mil |
No mini-índice, a XP terminou o dia mais vendida (net −54,3 mil contratos) e amargou o maior prejuízo aberto (−R$ 9,2 mi) num pregão de alta; do lado oposto, Morgan Stanley (+41,0 mil) e Goldman (+33,9 mil) fecharam comprados e no azul — coerente com a mesma Morgan liderando as compras à vista. No mini-dólar, a UBS puxou o lado vendido (net −37,2 mil contratos) e capturou o recuo do dólar (P&L +R$ 535 mil), tendo a BGC como principal contraparte comprada. Vale a régua: aqui o lado é medido por corretora compradora × vendedora, não por agressão — e bancos estrangeiros operam fluxo de cliente.
Curva DI — recuo generalizado no dia
Put/Call ratio do mercado (volume)
Neutro — proteção saindo
O sentimento em opções normalizou: o Put/Call por volume caiu a 0,97 (e 0,95 por posições em aberto), depois de rodar entre 1,5 e 2,7 na primeira semana do mês — leitura de que a demanda por proteção está saindo à medida que a bolsa sobe. No radar de atividade anômala, CXSE3 (5,9× a média), ENGI11 (4,1×) e GOAU4 (3,7×) concentraram o giro incomum de opções. A curva DI, por sua vez, cedeu ao longo de toda a extensão, com o miolo (jan/28–jan/31) perdendo 15–18 bps — o mercado embutindo mais alívio à frente da Selic de 14,25%.
6 · Internacional & câmbio
| Praça | Nível | Var | Sessão |
|---|---|---|---|
| S&P 500 | 7.540 | +0,77% | fechou hoje |
| Nasdaq 100 | 29.727 | +1,62% | fechou hoje |
| Dow Jones | 52.487 | +0,27% | fechou hoje |
| DAX (Alemanha) | 25.118 | +0,89% | fechou hoje |
| FTSE 100 (Londres) | 10.469 | −0,24% | fechou hoje |
| Nikkei 225 (Japão) | 68.982 | +2,08% | fechou hoje |
| CSI 300 (China) | 4.876 | +2,54% | fechou hoje |
| VIX | 15,84 | −6,3% | hoje |
| Treasury 10a | 4,55% | −0,6% | hoje |
Foi um dia de risco ligado no exterior. Wall Street fechou no azul puxada pela tecnologia (Nasdaq 100 +1,62%), a Ásia teve sessão forte (Nikkei +2,08%, CSI 300 +2,54%) e a Europa terminou mista para positiva. O medo recuou — o VIX perdeu mais de 6% para 15,84 — e o juro americano de 10 anos aliviou para 4,55%. Esse pano de fundo derrubou o dólar no mundo e favoreceu a moeda dos emergentes.
Dólar contra emergentes (queda = moeda local se valorizando)
| Par | Cotação | Var (dólar) |
|---|---|---|
| USD/BRL | 5,13 | −0,43% |
| USD/COP (Colômbia) | 3.292,8 | −1,45% |
| USD/CLP (Chile) | 927,6 | −0,73% |
| USD/ZAR (Áf. do Sul) | 16,32 | −0,58% |
| USD/MXN (México) | 17,53 | −0,25% |
| USD/CNH (China) | 6,80 | −0,08% |
O real (−0,43%) acompanhou a valorização generalizada dos pares — peso colombiano, peso chileno e rand na frente. Em Nova York, o complexo Brasil subiu junto: o ETF EWZ ganhou +2,13% e os recibos de Gerdau (+2,78%), Ultrapar (+2,73%), Sabesp (+2,63%), Embraer (+2,13%), Nubank (+1,93%) e Itaú (+1,63%) fecharam em alta.
7 · Commodities
| Commodity | Var no dia | Leitura para a B3 |
|---|---|---|
| Prata | +2,90% | risk-on em metais |
| Cobre | +1,78% | + mineração / Vale, CSN |
| Níquel | +1,22% | + metais básicos |
| Ouro | +1,13% | defensivo / reflação |
| Minério de ferro | +0,27% | + Vale, siderurgia |
| Brent | +0,13% | ~ estável |
| WTI | −1,96% | − Petrobras, PRIO |
O tabuleiro de commodities ajudou a mineração e atrapalhou o petróleo — exatamente o que se viu no índice. Os metais tiveram dia forte (prata +2,9%, cobre +1,8%, níquel +1,2%) e o minério de ferro seguiu firme, sustentando VALE3 no positivo e o setor de materiais básicos. O ouro em alta (+1,1%) num ambiente de dólar fraco reforça o pano de reflação. Já a energia divergiu: o WTI caiu ~2% e o Brent ficou de lado, e a combinação com a notícia de que o governo manterá o desconto na gasolina pressionou Petrobras e PRIO ao longo do dia.
8 · Fatos & notícias
Fatos relevantes e comunicados (empresas brasileiras)
| Empresa | Assunto |
|---|---|
| BBAS3 — Banco do Brasil | Conselho revisa Plano Diretor e reprograma o orçamento |
| RAIL3 — Rumo | BNP Paribas eleva participação relevante a 5,09% |
| SLCE3 — SLC Agrícola | Acordo para alienação do Bloco Mato Grosso |
| TRAD3 — Economatica | Rescinde operação com a Ibirá e assina MOU vinculante com a EQI |
| CSMG3 — Copasa | Comunica transação com parte relacionada (Estado de MG) |
Manchetes que pautaram o pregão
- 13:57 — Petrobras pode retomar produção na Bolívia e ajudar a reestruturar a estatal YPFB, com negociações técnicas na próxima semana (PETR3).
- 16:45 — Governo prolonga o subsídio e mantém o desconto na gasolina por causa da guerra, limitando a repassagem de preços.
- 12:07 — USTR (Jamieson Greer) diz que EUA e Brasil estão "longe de um acordo" sobre o tarifaço, mas que a decisão sairá "muito em breve".
- 16:36 — Banco Master: PF deflagra operação por uso de influenciadores contra o BC; reportagens apontam dossiê encomendado contra o CEO do Itaú.
- 08:18 — Mercados globais em sessão mais calma, de olho nas tensões no Oriente Médio após declaração de Trump sobre o Irã.
9 · Fechamento & radar
- Risk-on global (Nasdaq +1,62%, VIX −6%, juros US e curva DI em queda) levou o Ibovespa a 172.742 (+1,22%), com bancos como motor e o real firme a R$ 5,13.
- Rotação clara: financeiro, imobiliário e small caps na liderança; petróleo (WTI −1,96%) e a elétrica AXIA3 (−221 pts) na contramão.
- Morgan Stanley dominou a compra da cesta do Ibovespa (+R$ 764 mi); o put/call recuou a 0,97, sinal de proteção saindo.
Radar para amanhã e a semana
| Quando | Evento | Relevância |
|---|---|---|
| Sex 10/07 · 09:00 | IPCA de junho (12m anterior 4,72%; mensal 0,58%) | Alta — dado do dia |
| Sex 10/07 · 06:00 / 13:00 | Relatório mensal da IEA / WASDE (commodities) | Média |
| Seg 13/07 · 07:00 / 08:25 | Reunião da OPEP / Boletim Focus | Média |
| Ter 14/07 · 09:30 | CPI de junho dos EUA (anterior 4,2% a/a) | Alta — chave p/ o Fed |
| Semana | ITRs de CAML e ROMI (14/07); FRE da AALR (11/07) | Baixa — temporada 2T ainda incipiente |
O jogo de amanhã é o IPCA de junho, às 09:00. Com o Focus de inflação já cedendo (5,30%) e a curva DI perdendo ~15 bps hoje, a leitura confirma ou desmente o espaço para o Banco Central seguir com o "ciclo de calibração" — a Selic está em 14,25% e a próxima decisão é em 5 de agosto. Na semana, o CPI americano (14/07) fecha o quadro externo antes do próximo Fed. A temporada de balanços do 2º trimestre ainda não engatou entre as blue chips; a agenda corporativa dos próximos dias fica com nomes menores.