Fechamento de Mercado — 30/06/2026

Ibovespa recua 0,68% a 172.024 pts, pressionado por Petrobras, bancos e elétricas; DI e dólar cedem e bolsas dos EUA fecham o trimestre em alta.

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Fechamento

Fechamento de Mercado — 30/06/2026

29/06/2026 · Panorama do pregão — fim do 1º semestre e do 2º trimestre

No último pregão do semestre, o Ibovespa fechou em baixa de 0,68%, aos 172.024 pontos (−1.181 pontos), com o peso pesado da bolsa — Petrobras, grandes bancos e elétricas — no vermelho. O dólar à vista cedeu a R$ 5,16 e os juros futuros recuaram ao longo de toda a curva. Lá fora, o quadro era oposto: Wall Street fechou o trimestre em alta e o VIX recuou, num descolamento entre o humor global e a praça doméstica.

Ibovespa
172.024
−0,68% −1.181 pts
Dólar à vista
R$ 5,16
−0,23% real firmou
DI jan/27
14,00%
−3 bps curva cedeu
S&P 500
7.494
+0,72% fechou hoje
Brent
US$ 73,4
−0,3%
Minério (Dalian)
743
−0,3%
VIX
16,5
−6,8% menos medo
CDS Brasil 5A
126 bps
−1,2% risco-país

1 · Resumo do dia

O pano de fundo macro segue marcado pela combinação de juros altos e fiscal frouxo. A Selic está em 14,25% desde o corte de 25 pontos-base do Copom em 17/junho — decisão unânime, sem viés e data-dependent, com o Comitê reforçando cautela diante de uma inflação ainda elevada (IPCA de 4,72% em 12 meses até maio) e expectativas desancoradas. No campo fiscal, os números reforçaram o desconforto: a Dívida Bruta/PIB subiu para 81,1% em maio (de 80,2%) e o setor público central registrou déficit primário no mês. Pelo lado positivo, o risco-país recuou — o CDS de 5 anos caiu a ~126 pontos — e o exterior jogou a favor, com o S&P 500 e o Nasdaq encerrando o melhor trimestre desde 2020.

O arco intradiário foi de queda contida. A bolsa abriu perto da estabilidade, perdeu força ao longo da manhã e buscou a mínima por volta das 10h40–11h, quando chegou a ceder mais de 1%. À tarde recuperou parte do terreno — flertando com o zero a zero por volta das 15h —, mas voltou a perder fôlego no fim e fechou em baixa de 0,68%. O giro se concentrou nos pesos-pesados: Itaú (R$ 1,7 bi), Petrobras (R$ 1,2 bi) e Vale (R$ 0,9 bi) lideraram o volume financeiro. O dólar à vista terminou em leve baixa, a R$ 5,16, acompanhando um dólar globalmente mais fraco frente a emergentes, enquanto o DI recuou de 3 a 16 pontos-base ao longo da curva.

2 · Destaques da bolsa

Maiores altas

VVEO3
+12,5%
NATU3
+4,58%
ORVR3
+2,53%
BRAV3
+2,36%
SMTO3
+2,15%
EGIE3
+1,96%
EMBJ3
+1,96%

Maiores baixas

ONCO3
−8,15%
AMER3
−7,73%
RAIZ4
−5,00%
BRKM5
−3,93%
ALPA4
−3,69%
RAPT4
−3,66%

Entre as pontas, o ganho de dois dígitos de VVEO3 (+12,5%) veio sobre giro magro (R$ 5,4 mi) e na esteira do tombo de quase 18% da véspera — um repique técnico, não um movimento de fundo. Com liquidez de verdade, os destaques de alta foram Natura (+4,58%), com R$ 122 mi negociados, Orizon (+2,53%), Brava (+2,36%), São Martinho (+2,15%) e Engie (+1,96%). Embraer (+1,96%, R$ 362 mi) foi o nome relevante do dia — voltarei a ela na atribuição. Do lado negativo, o sinal de alerta líquido ficou em Raízen (−5,0%), Braskem (−3,93%) — esta com volume relativo (AVAT) de 1,97×, quase o dobro da média — além de Alpargatas (−3,69%) e Randon (−3,66%).

Maiores volumes financeiros (R$ bi)

ITUB4
1,69
PETR4
1,21
VALE3
0,88
SBSP3
0,78
PETR3
0,61
AXIA3
0,52

Quem girou acima da média (AVAT)

O volume relativo apontou interesse concentrado em poucos nomes do bloco financeiro e de saneamento. VVEO3 liderou o AVAT (3,48×), mas a leitura mais informativa veio de Caixa Seguridade (3,09×), Grupo Mateus (2,46×), Sabesp (2,21×), Bradesco ON (2,17×) e BB Seguridade (1,77×) — papéis com fluxo bem acima do normal, mesmo quando a variação no preço foi pequena.

3 · Setorial & atribuição do índice

A queda foi de espectro largo: todos os índices setoriais terminaram no negativo no pregão de hoje. O consumo discricionário foi o elo mais fraco, enquanto o industrial e o de dividendos seguraram melhor.

Industrial−0,20%
Dividendos−0,56%
Small Caps−0,63%
Imobiliário−0,70%
Energia Elétrica−0,72%
Utilidade Pública−0,73%
Financeiro−0,75%
Materiais Básicos−0,82%
Consumo−1,05%

Na conta de pontos do índice, a história fica clara: o estrago concentrou-se nas elétricas e no petróleo. AXIA3 (elétricas, 4,9% do índice) tirou sozinha 113 pontos, e Petrobras (ON+PN) subtraiu cerca de 193 pontos combinados, num dia em que o governo anunciou a retirada gradual do subsídio aos combustíveis e mudança no cálculo do preço do gás natural. Somaram-se Ambev (−1,81%), Itaú, Banco do Brasil (−1,73%) e Equatorial (−2,01%). Do outro lado, quem sustentou o índice foi sobretudo a Embraer, que contribuiu com +85 pontos sozinha — o maior ponto de apoio do dia, com o ADR avançando 2,65% lá fora.

Empurraram pra cima (pts no dia)

EMBJ3
+85,5
NATU3
+25,9
MBRF3
+18,1
EGIE3
+16,7
WEGE3
+12,8

Pressionaram pra baixo (pts no dia)

AXIA3
−113,3
PETR4
−107,9
ABEV3
−92,3
PETR3
−85,3
ITUB4
−83,6
EQTL3
−71,8
BBAS3
−71,6

4 · Fluxo

Dentro da cesta do Ibovespa, o saldo por corretora ao longo do dia mostrou casas estrangeiras dos dois lados do livro — um lembrete de que esses participantes operam fluxo de clientes, não uma tese própria. JP Morgan e Goldman apareceram como os maiores compradores líquidos; BGC, Ativa, Citigroup e Merrill, como os maiores vendedores.

Compradores líquidos no IBOV (R$ mi)

JP Morgan
+448
Goldman
+213
Ágora
+100
Morgan
+85
Genial
+81

Vendedores líquidos no IBOV (R$ mi)

BGC
−205
Ativa
−195
Citigroup
−158
Merrill
−157
BTG
−89

No tape, três nomes concentraram movimentação atípica de corretora: BB Seguridade (JP Morgan comprando ~4,5× o normal de um lado, BGC vendendo ~5,3× do outro), Lojas Renner (Morgan comprando, Ativa vendendo — incluindo um bloco de R$ 206 mi cruzado pela manhã a R$ 14,73) e Sabesp (Citigroup comprando ~3×). O saldo consolidado por tipo de investidor da B3 ainda não fechou para hoje; o dado mais recente é de 26/06, e o retrato do mês continua o mesmo: no acumulado de junho (até 26/06), o estrangeiro saiu de cerca de R$ 8,8 bi da bolsa, com o institucional local (+R$ 3,4 bi) e a pessoa física (+R$ 2,8 bi) do lado comprador.

Estrangeiro · jun (até 26/06)
−R$ 8,8 bi
Institucional · jun
+R$ 3,4 bi
Pessoa física · jun
+R$ 2,8 bi

5 · Futuros & derivativos

No mini-Ibovespa (contrato da frente), o índice futuro oscilou num intervalo de ~1,8% — máxima de 176.140 logo cedo e mínima de 173.025 na manhã — e fechou perto de 174.590, em baixa. Pelo posicionamento líquido (compras menos vendas) ao fim do dia, Morgan terminou como o maior vendido (~25,2 mil contratos), enquanto JP Morgan (+16,0 mil) e UBS (+10,9 mil) ficaram do lado comprado; a Ideal inverteu de vendida para comprada no decorrer do pregão. No mini-dólar, o saldo ficou dividido — Necton e BGC líquidos comprados, Ágora e Morgan líquidos vendidos.

Mini-Ibov (WIN) — saldo no fim do diaNet (contratos)Lado
Morgan−25.180vendido
JP Morgan+15.954comprado
UBS+10.894comprado · cobriu shorts
Renascença−10.714vendido
Ideal+10.419comprado · inverteu de vendido

Curva DI — vértices de janeiro (% a.a.)

jan/27jan/36

Curva quase plana entre 14,0% e 14,25%, com leve barriga no miolo. Todos os vértices cederam hoje (3 a 16 bps); o DI de 1 ano voltou para perto de 14,05%, abaixo da Selic de 14,25% — sinal de que o mercado ainda precifica mais um passo de corte, em linha com o Focus (Selic 2026 em 14,00%).

Sentimento em opções — Put/Call

2,11
PCR por volume = 2,11

As puts dominaram o giro do dia (R$ 1,96 bi contra R$ 0,93 bi em calls — 68% do volume), no 82º percentil histórico: leitura defensiva/de proteção. Por posições em aberto, porém, o PCR ficou em 0,97 — equilibrado. A atividade anômala de opções apareceu em Lojas Renner (14× a média) e B3 (6×).

6 · Internacional & câmbio

O fim de trimestre foi de apetite por risco lá fora. Nos EUA, S&P 500 e Nasdaq encerraram o melhor 2º trimestre desde 2020; o VIX caiu para 16,5. A contrapartida foi o Treasury de 10 anos voltando a subir, para ~4,47% (+9 bps), com o noticiário girando em torno de riscos ligados ao Fed — o que ajuda a explicar por que a América Latina interrompeu hoje sua sequência de ganhos trimestrais.

AtivoNívelVar.Sessão
S&P 5007.494+0,72%fechou hoje (30/06)
Nasdaq-10030.276+1,68%fechou hoje (30/06)
Dow Jones52.319+0,26%fechou hoje (30/06)
DAX (Alemanha)24.996+1,50%fechou hoje (30/06)
FTSE 100 (Londres)10.524−0,04%fechou hoje (30/06)
Nikkei 225 (Tóquio)70.914+0,50%fechou hoje (30/06)
CSI 300 (China)4.979+1,07%fechou hoje (30/06)
VIX16,5−6,8%intradia (18h)
Treasury 10 anos4,47%+9 bpsfechou hoje (30/06)
ADR Petrobras (PBR)US$ 16,14−0,83%fechou hoje (30/06)
ADR ValeUS$ 15,03−0,27%fechou ontem (29/06)

No câmbio, o dólar veio globalmente mais fraco frente aos emergentes, e o real acompanhou: o peso colombiano (−0,64% no par com o dólar), o yuan (−0,15%) e o rand (−0,16%) também se valorizaram, enquanto peso mexicano, peso chileno e lira ficaram quase de lado. O real terminou perto de R$ 5,16, com o dólar à vista em queda de 0,23%. À margem, o bitcoin destoou do humor das bolsas e recuou ~2,7%.

7 · Commodities

CommodityNívelVar. diaLeitura para a B3
Petróleo BrentUS$ 73,4−0,3%morno — pesa pouco em Petrobras/Brava
Petróleo WTIUS$ 70,0−0,5%
Minério (Dalian)743−0,3%fraco — Vale, CSN, CMIN
Cobre13.383+0,32%firme — metais de transformação
Níquel16.328−0,18%de lado
Ouro~US$ 4.000≈ estáveldefensivo, sem prêmio de risco hoje

O quadro de commodities foi de pouca convicção: minério de ferro e petróleo levemente no negativo, cobre firme e ouro perto da estabilidade ao redor de US$ 4 mil. Para a bolsa local, é um pano de fundo neutro-a-ligeiramente-negativo para o bloco de materiais básicos — o minério fraco ajuda a explicar Vale na ponta vendedora do índice — e sem alívio relevante para Petrobras, que no fim das contas foi penalizada mais pelo noticiário regulatório (subsídio a combustíveis e preço do gás) do que pela cotação do barril.

8 · Fatos & notícias que moveram o dia

Empresas (CVM e mercado)

  • Gerdau (GGBR3) — T. Rowe Price elevou a participação acionária para 5,12% (18h06).
  • Trisul (TRIS3) — aprovado novo programa de recompra de até 8,9 mi de ações (18h26).
  • Raízen (RAIZ4 −5,0%) — conselho aprovou as demonstrações financeiras do exercício encerrado em 31/03 e convocou AGO para 30/07.
  • Caixa Seguridade (CXSE3) — ata do conselho sobre o orçamento de 2027 (PDG); papel girou 3,1× a média.
  • Rede D'Or (RDOR3) — protocolou o Formulário de Referência. Tigre (TIGR3) — AGE sobre JCP e recompra de ações.

Macro, setor e exterior

  • Plano Safra 2026/27 de R$ 525,1 bi anunciado; o agro reclamou dos juros altos apesar do recorde de recursos.
  • Combustíveis — governo inicia retirada do subsídio (diesel −R$ 0,35/litro a partir de 1º/julho; gasolina a seguir) e Petrobras muda o cálculo do preço do gás natural.
  • Fiscal — Dívida Bruta/PIB a 81,1% e déficit primário em maio; no Congresso, a "pauta-bomba" da PEC dos agentes de saúde (R$ 27,9 bi em 10 anos) foi adiada — alívio de curto prazo.
  • Emprego — CAGED de maio criou 72,96 mil vagas, abaixo do esperado (115 mil).
  • Exterior — S&P e Nasdaq fecham o melhor trimestre desde 2020; LatAm interrompe a sequência de ganhos trimestrais.

9 · Fechamento & radar

  • Dia de descolamento: bolsa doméstica em baixa de 0,68% mesmo com Wall Street fechando o trimestre em alta — o peso de Petrobras, bancos e elétricas falou mais alto.
  • Regulatório no comando das pontas: a retirada do subsídio a combustíveis e a mudança no preço do gás derrubaram o bloco de petróleo, enquanto Embraer segurou o índice praticamente sozinha (+85 pts).
  • Juros e risco-país a favor: DI cedeu na curva inteira, CDS recuou e o real firmou — mas o estrangeiro segue vendedor no acumulado do mês (−R$ 8,8 bi até 26/06).

Radar para amanhã e a semana

DataEventoReferência
01/07PMI Industrial S&P Global (jun)anterior 49,1 (contração)
01/07Empréstimos bancários · Fluxo cambial
01/07Início da retirada do subsídio ao diesel−R$ 0,35/litro
02/07IPC-Fipe (jun)anterior +0,45%
03/07Produção Industrial (mai) · Balança Comercial (jun) · PMI Serviços
03/07AGO São Martinho (SMTO3)
10/07IPCA de junhoanterior +0,58% / 4,72% em 12m
fim de julPróximo CopomSelic 14,25%, sem viés, data-dependent

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