Fechamento de Mercado — 29/06/2026
Ibovespa de lado (−0,05%, 173.205 pts) num pregão de cabo-de-guerra travado pela agenda fiscal e de juros, ignorando o rali de risco global (Nasdaq-100 +2,25%, VIX a 17,6); gringo seguiu vendedor (−R$8,8 bi no mês).</summary> <parameter name="subtitle">Panorama completo do pregão — segunda-feira, 29 de junho de 2026
Fechamento de Mercado — 29/06/2026
Pregão travado e de baixa convicção: o Ibovespa fechou praticamente de lado, em 173.205 pontos (−0,05%, −87 pts), num cabo-de-guerra entre os bancões e o bloco industrial — e na contramão do rali de risco lá fora, onde a Nasdaq-100 subiu +2,25% e o VIX recuou para 17,6. A agenda doméstica (fiscal frouxo, juros ainda em 14,25% e expectativas desancorando) pesou mais que o vento favorável global.
1 · Resumo do dia
O Ibovespa passou o pregão de hoje (29/06) preso numa faixa estreita — oscilou entre a mínima de 172.569 (−0,42%) e a máxima de 173.884 (+0,34%), amplitude de apenas ~1.300 pontos — e terminou colado no zero, a 173.205 pts (−0,05%). Foi um dia de braço-de-ferro: o lado comprador veio dos bancos (Bradesco +1,4%, Itaú +0,4%) e da Ultrapar (+2,8%), enquanto o industrial/transporte EMBJ3 (−2,1%), a elétrica AXIA3 (−0,9%), a B3 (−1,3%) e a Ambev (−0,8%) seguraram o índice. O contraste com o exterior foi o tema do dia: lá fora, máquina de risco ligada (Nasdaq-100 +2,25%, S&P +1,12%, VIX a 17,6, distensão EUA-Irã); aqui, o investidor preferiu olhar para a própria agenda — déficit primário de R$ 53,3 bi em maio, novo pacote de crédito de R$ 4 bi do governo e uma curva de juros que não cede de 14%.
O dólar (PTAX) fechou praticamente de lado, a R$ 5,1717 (+0,04%), num movimento mais firme dos pares emergentes do que do real. A parte curta da curva DI segue ancorada ao redor de 14,05%–14,15%, refletindo a Selic em 14,25% e o pouco espaço de corte que o mercado ainda enxerga para 2026.
2 · Destaques da bolsa
A ponta de alta foi de protéicas, agro e consumo, com a química BRKM5 no topo. Do outro lado, o dia teve dois blow-ups de small caps: AZEV4 derreteu num papel fininho e a VVEO3 desabou no maior giro relativo do pregão — AVAT de 6,3× a média, com o aluguel (BTB) explodindo +585%, assinatura de pressão vendida/short.
Maiores altas
Maiores baixas
Maiores giros financeiros
O giro do dia ficou concentrado nas blue chips — Itaú e Vale sozinhos somaram R$ 1,76 bi — num tom de tape institucional, sem grande dispersão para a ponta especulativa.
3 · Setorial & atribuição
A dispersão setorial foi mínima — coerente com um índice de lado. Nenhum bloco amplo se moveu mais que meio ponto: Financeiro e Dividendos ficaram marginalmente no azul, e a pressão (também tênue) veio de Materiais Básicos e Industrial. É um mapa de calor pálido, retrato de um pregão sem tese dominante.
Na atribuição em pontos, o índice foi um quase-empate: Bradesco (+92 pts), Itaú (+62 pts) e Ultrapar (+55 pts) puxaram, mas foram neutralizados por EMBJ3 (−88 pts), AXIA3 (−79 pts) e B3 (−76 pts). O eixo financeiro segurou o que o industrial e a elétrica tiraram.
Puxaram o índice (+pts)
Pressionaram o índice (−pts)
4 · Fluxo
O dado oficial de fluxo por categoria ainda não consolidou para hoje — a leitura mais recente é a do fechamento de 25/06, e ela mantém o roteiro do mês: estrangeiro vendedor (−R$ 410,8 mi no dia), com o institucional local (+R$ 237,2 mi) e os bancos (+R$ 221,1 mi) do lado comprador, e a pessoa física de leve no negativo (−R$ 69,9 mi). No acumulado de junho, o gringo já sacou −R$ 8,79 bi, absorvidos pelo institucional (+R$ 3,0 bi), pela PF (+R$ 2,93 bi) e pelas instituições financeiras (+R$ 2,49 bi). É o pano de fundo que ajuda a explicar por que a bolsa não embarcou no risk-on global.
Saldo líquido por categoria (compras − vendas), em R$ — fechamento de 25/06.
No tape ao vivo de hoje, a ponta compradora do Ibovespa foi liderada pela Ágora (+R$ 218 mi), seguida de BTG (+R$ 73 mi) e XP (+R$ 69 mi); do lado vendedor, mesas de gringo dominaram — JP Morgan (−R$ 128 mi), UBS (−R$ 119 mi) e Merrill (−R$ 114 mi). O desenho casa com o saldo por categoria: estrangeiro saindo, varejo/local comprando.
| Compradoras (net R$) | Saldo | Vendedoras (net R$) | Saldo |
|---|---|---|---|
| Ágora | +218 mi | JP Morgan | −128 mi |
| BTG | +73 mi | UBS | −119 mi |
| XP | +69 mi | Merrill | −114 mi |
| Santander | +55 mi | Itaú | −81 mi |
| Goldman | +43 mi | Morgan Stanley | −42 mi |
Saldo líquido por corretora na cesta do Ibovespa — leitura ao vivo do pregão de hoje (17h05).
5 · Futuros & derivativos
No mini-índice (WINQ26) o jogo terminou empatado — coerente com um índice que andou de lado: o P&L aberto agregado da mesa foi de meros +R$ 1,9 mil. A Ágora ficou na maior ponta vendida (−14,8 mil contratos), contra os comprados Ideal (+13,2 mil) e XP (+10,4 mil). No mini-dólar (WDON26), BGC (+42,8 mil) e XP (+40,3 mil) montaram comprados em dólar, com Ágora (−27,3 mil) e UBS (−26,5 mil) do lado vendido.
WIN · saldo por player (contratos)
| Player | Net | P&L aberto |
|---|---|---|
| Ideal | +13.150 | −2,52 mi |
| XP | +10.421 | +1,73 mi |
| JP Morgan | +9.108 | −0,41 mi |
| Genial | −8.758 | +0,24 mi |
| UBS | −8.800 | +0,70 mi |
| Ágora | −14.774 | +0,20 mi |
WDO · saldo por player (contratos)
| Player | Net | P&L aberto |
|---|---|---|
| BGC | +42.818 | +43,0 mil |
| XP | +40.271 | +244,7 mil |
| Morgan Stanley | +13.239 | +80,1 mil |
| Necton | −11.549 | −215,8 mil |
| UBS | −26.515 | −85,7 mil |
| Ágora | −27.278 | −52,0 mil |
Curva de juros (DI) & Selic precificada
A curva DI segue quase plana e ancorada ao redor de 14%, sem prêmio relevante de inclinação (2a–10a em ~+0,27 pp): do vértice jan/27 (14,05%) ao longo (14,4% em jan/33), o mercado precifica uma Selic que mal sai do nível atual. No Focus de 19/06, a mediana da Selic para o fim de 2026 foi revisada para cima, de 13,75% para 14,00% — ou seja, o mercado passou a esperar menos corte. O IPCA projetado subiu a 5,33% (acima do teto), confirmando a desancoragem que o próprio Copom apontou.
Curva DI — taxa a.a. por vencimento (ajuste 26/06)
Focus · mediana Selic fim-2026 (% a.a.) — desancorando
Em política monetária, o Copom cortou a Selic para 14,25% em 17/06 (−25 pb, unânime), acumulando 75 pb de afrouxamento no "ciclo de calibração" desde os 15,00%. Mas a comunicação foi de corte cauteloso: sem viés explícito, totalmente data-dependent, com o horizonte relevante migrando para o 1ºT2028 e riscos bilaterais (fiscal doméstico + petróleo/Oriente Médio). Spread de 10 anos Brasil−EUA em ~10 pp.
Opções — sentimento
Das opções negociadas hoje, ~69% do volume em R$ foi em puts. O PCR por volume saltou a 2,21 (percentil 84 do histórico) — proteção/hedge elevado. Já o PCR por posições em aberto (0,97) segue neutro: posicionamento estrutural equilibrado, o nervosismo é de fluxo do dia.
Atividade anômala de opções (vol vs média 21d)
| Ativo | Vol vs média | PCR |
|---|---|---|
| CMIG4 | 8,9× | 22,0 |
| ROXO34 | 8,1× | 19,5 |
| B3SA3 | 5,9× | 3,6 |
| MOVI3 | 4,3× | 9,1 |
| MULT3 | 4,1× | 18,1 |
6 · Internacional & câmbio
O exterior fechou em tom de risco, liderado pela tecnologia americana e empurrado pela distensão entre EUA e Irã (que retomaram negociações, com reunião marcada para amanhã em Doha). A Nasdaq-100 subiu +2,25% e o S&P +1,12%; a Europa fechou mista e a Ásia em alta. O VIX caiu a 17,6. Nada disso transbordou para a B3 — o real ficou de lado enquanto os pares emergentes se firmaram de leve com o dólar global mais fraco (DXY no negativo, EUR/USD +0,27%).
| Praça / ativo | Var. | Sessão |
|---|---|---|
| Nasdaq-100 | +2,25% | fechou hoje |
| S&P 500 | +1,12% | fechou hoje |
| Dow Jones | +0,59% | fechou hoje |
| Nikkei 225 (Japão) | +1,42% | fechou hoje |
| CSI 300 (China) | +1,21% | fechou hoje |
| FTSE 100 (Reino Unido) | +0,27% | fechou hoje |
| CAC 40 (França) | +0,28% | fechou hoje |
| DAX (Alemanha) | −0,18% | fechou hoje |
| VIX | −4,1% | 17,6 pts |
Câmbio de emergentes (vs USD)
| Moeda | USD/moeda | Var. |
|---|---|---|
| Peso mexicano | 17,47 | −0,33% |
| Rand sul-africano | 16,44 | −0,16% |
| Peso chileno | 922,3 | −0,05% |
| Yuan (offshore) | 6,80 | −0,02% |
| Lira turca | 46,64 | +0,04% |
| Real (PTAX) | 5,17 | +0,04% |
Var. negativa = moeda apreciando contra o dólar. EM majoritariamente firme; o real ficou para trás.
ADRs brasileiros em NY (ao vivo)
| ADR | Var. |
|---|---|
| Ultrapar (UGP) | +3,20% |
| Gerdau (GGB) | +3,09% |
| Bradesco (BBD) | +1,01% |
| EMBJ3 (EMBJ) | −1,08% |
| Ambev (ABEV) | −1,86% |
| AXIA3 (AXIA) | −0,65% |
7 · Commodities
O quadro de commodities foi misto, com viés de pressão nos metais. O petróleo firmou (WTI +1,7%) apesar da distensão geopolítica — sustentado por estoques apertados nos EUA, que caíram à reserva estratégica (SPR) no menor nível desde 1983. O minério de ferro subiu de leve (+0,6%, contrato de Dalian), mas não foi suficiente para sustentar Vale (VALE3 −0,3%) nem o bloco de Materiais Básicos (IMAT −0,48%, o setor mais fraco). Os metais industriais recuaram — níquel −2,7%, prata −1,5% — e o ouro ficou estável a US$ 4.015.
Leitura para a B3: petróleo firme dá suporte a Petrobras (que ainda anunciou recorde de produção em Búzios); minério/níquel fracos no relativo explicam a mineração na lanterna setorial.
8 · Fatos & notícias
A química liderou os ganhos no maior giro relativo entre as líquidas (AVAT 1,7×), no mesmo pregão em que comunicou ao mercado a revisão de notas de crédito por Fitch e S&P e uma tutela de urgência cautelar. O custo do aluguel do papel subiu +232 bps — pano de fundo de short squeeze/disputa de posição.
O campo de Búzios, na Bacia de Santos, marcou novo recorde de 1,2 milhão de barris/dia, impulsionado por novas plataformas. Notícia construtiva para a estatal, que fechou estável (PETR4 +0,1%) num dia de petróleo firme.
A companhia lançou edital de OPA marcado para 20 de julho, visando o cancelamento de registro de companhia aberta junto à CVM.
Infracommerce (IFCM): término do prazo para ajuste de posições no grupamento de ações. Raízen (RAIZ4): ata da assembleia de debenturistas da 4ª emissão. Demais comunicados do dia foram informes rotineiros de BDRs.
Manchetes que pautaram o humor
| Hora | Manchete |
|---|---|
| 07:39 | EUA e Irã suspendem hostilidades e retomam negociações (reunião em Doha amanhã) — gatilho do risk-on global |
| 10:51 | IGP-M recua −0,5% em junho; gasolina, etanol e café puxam a deflação no atacado |
| 13:36 | Lula lança "Desenrola Adimplentes" e "Fies Empreendedor" com R$ 4 bi do Tesouro |
| 14:12 | Estoques de petróleo na SPR dos EUA no menor nível desde 1983 (−5,5 mi barris) |
| 15:16 | Governo central registra déficit primário de R$ 53,3 bi em maio |
9 · Fechamento & radar
- Descolamento Brasil × mundo: com a Nasdaq-100 +2,25% e o VIX a 17,6, o Ibovespa parado em −0,05% mostra que a trava é doméstica — fiscal (déficit de R$ 53,3 bi, novo pacote de crédito de R$ 4 bi) e juros (Selic 14,25%, Focus revisando corte para menos).
- Fluxo gringo segue saindo: −R$ 8,8 bi no mês (até 25/06), absorvidos por institucional e PF — o teto técnico do índice no curto prazo.
- Hedge no derivativo: PCR de volume a 2,21 (percentil 84) sinaliza proteção comprada, mesmo com o posicionamento estrutural (PCR de OI 0,97) neutro.
Radar para amanhã e a semana
| Data | Evento | Relevância |
|---|---|---|
| 30/06 (ter) | BR — Resultado primário do Gov. Central, Dívida Bruta/PIB e CAGED (mai) | alta |
| 30/06 (ter) | EUA — JOLTS (vagas, mai) e Confiança do Consumidor CB (jun) | alta |
| 01/07 (qua) | EUA — ADP (emprego privado) e ISM Industrial (jun); discurso de Warsh (Fed) | alta |
| 02/07 (qui) | EUA — Payroll (NFP) e desemprego (jun), antecipados por causa do feriado de 4/jul | alta |
| 03/07 (sex) | BR — Produção industrial (mai) e Balança comercial (jun) | média |
| Semana | Corporativo — DFP/ITR de Agrogalaxy (em RJ) e Raízen; AGOs de Camil (30/06) e São Martinho (03/07) | média |
A semana é de mercado de trabalho americano (ADP→JOLTS→Payroll) condensado até quinta — o principal driver externo para risco e dólar. No doméstico, o foco volta ao fiscal (primário e dívida) e à atividade (produção industrial, balança).