Fechamento de Mercado — 26/06/2026

Ibovespa fecha +0,76% aos 173.295 pts e descola do mundo num dia de aversão a risco global; bancos, utilities e consumo sustentam, dólar cai a R$ 5,17 e Materiais Básicos pesam.

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Fechamento

Fechamento de Mercado — 26/06/2026

25/06/2026 · Brasil sobe sozinho num mundo em risk-off — domésticos puxam, commodities pesam

Resumo do dia

Ibovespa
173.295
+0,76% +1.305 pts
USD/BRL (PTAX)
R$ 5,1695
−0,38% real firme
DI jan/27
14,05%
−4 bps miolo recuou
S&P 500
7.344
−0,17% fechou hoje
Brent
US$ 72,54
−4,3% petróleo cedeu
Minério (Dalian)
745
+0,54%

O Ibovespa fechou a sexta-feira aos 173.295 pontos, em alta de 0,76% (+1.305 pts), e fez o que o resto do mundo não conseguiu: subir. Foi um dia de aversão a risco lá fora — Ásia derretendo (Nikkei −2,28%, CSI 300 −3,03%), Europa no vermelho (DAX −1,29%) e os EUA fechando negativos (S&P 500 −0,17%, Nasdaq-100 −1,09%) —, com novos ataques militares dos EUA no Estreito de Ormuz como pano de fundo. Mesmo assim, a bolsa brasileira descolou, movida pela combinação que tem comandado o mercado doméstico: dólar em queda (PTAX a R$ 5,1695, −0,38%) e curva de juros recuando no miolo (DI jan/27 a 14,05%, −4 bps). O índice abriu perto da estabilidade, esboçou queda na primeira hora acompanhando o exterior, mas engatou recuperação a partir do meio da manhã e firmou-se no positivo à tarde — o mini-índice (WINQ26) chegou a tocar 176.920 antes de acomodar. Bancos, utilities, consumo e imobiliário sustentaram o pregão; Materiais Básicos foram o único setor amplo no vermelho.

B3 ao vivo (as_of 26/06 ~18:31 BRT, pregão recém-fechado — lote EOD da B3 ainda não saiu); internacional fechou hoje; macro as_of 26/06. Fontes: market.session.summary, economics.snapshot, market.opening.snapshot.

Destaques da bolsa

Maiores altas
ESPA3
+9,2%
ARML3
+7,93%
LIGT3
+5,97%
LAVV3
+5,66%
TOTS3
+5,63%
LWSA3
+5,33%
Maiores baixas
VVEO3
−37,4%
RCSL4
−19,67%
BRKM5
−8,36%
ONCO3
−7,38%
SUZB3
−4,5%
AZZA3
−4,09%

As pontas do dia foram dominadas por dois eventos de empresa. O destaque negativo absoluto foi a VVEO3 (CM Hospitalar / Grupo Viveo), que despencou 37,4% girando 15,75× o volume médio (AVAT) — reação ao anúncio de aumento de capital de até R$ 869,8 milhões, com emissão de até 966,4 milhões de ações ON a R$ 0,90 e deságio de 29,79% sobre a média dos últimos 30 pregões. Logo atrás, a BRKM5 caiu 8,36% (R$ 120 mi, AVAT 2,75×) depois de a S&P rebaixar a Braskem de "CCC−" para "D" (default) — a ADR BAK afundou 6,28% lá fora. SUZB3 (−4,5%, R$ 469 mi) liderou o bloco de papel & celulose e siderurgia (USIM5 −2,71%, CSNA3 −1,87%). Do lado das altas, TOTS3 (+5,63%, R$ 142 mi) foi o grande nome líquido, com LWSA3 (+5,33%), TUPY3 (+4,29%), Banrisul BRSR6 (+3,91%) e Light LIGT3 (+5,97%); ESPA3 e ARML3 subiram mais, porém com liquidez fina.

VALE3
R$ 1,98 bi
BBDC4
R$ 980 mi
ITUB4
R$ 973 mi
PETR4
R$ 886 mi
B3SA3
R$ 861 mi
SBSP3
R$ 540 mi

No giro financeiro, VALE3 liderou com R$ 1,98 bi (mesmo caindo 0,65%), seguida do bloco bancário — BBDC4 (+1,7%) e ITUB4 (+1,29%) — e de PETR4 (−1,01%) e B3SA3 (+2,12%). Além de VVEO3 e BRKM5, o radar de volume relativo (AVAT) acendeu em BBDC3 (2,25×), Vulcabras VULC3 (2,18×) e Natura NATU3 (2,05×) — esta última também com atividade anômala em opções (3,2× a média).

Mercado e AVAT: market.realtime.screener (live, as_of 26/06 17:05 BRT). AZEV4 (+1918%) omitida por ser artefato de evento corporativo.

Setorial

Imobiliário (IMOB)+1,72%
Consumo (ICON)+1,64%
Utilities (UTIL)+1,53%
Financeiro (IFNC)+1,39%
Small Caps (SMLL)+1,25%
Energia Elétrica (IEEX)+1,13%
Dividendos (IDIV)+0,86%
Industrial (INDX)+0,69%
Materiais Básicos (IMAT)−1,37%

O mapa setorial foi o retrato fiel do dia: praticamente tudo verde, exceto commodities. Imobiliário (+1,72%), Consumo (+1,64%), Utilities (+1,53%) e Financeiro (+1,39%) — os setores mais sensíveis a juros e câmbio — lideraram, alimentados pela queda do dólar e do DI. Energia Elétrica (+1,13%) e Small Caps (+1,25%) acompanharam. Na contramão, Materiais Básicos (IMAT −1,37%) foi o único índice amplo no negativo, sob o peso de Suzano, Braskem e das siderúrgicas, num pregão em que o petróleo recuou 4% e a Ásia desabou. O índice foi puxado, portanto, pelo lado doméstico/bond-proxy e freado pelo lado exportador/cíclico global.

Variação dos índices ao vivo: market.realtime.index_quote (Calc-Indices, as_of 26/06).

Fluxo

Estrangeiro
−R$ 855,5 mi
Institucional
+R$ 339,7 mi
Pessoa Física
+R$ 262,4 mi
Bancos
+R$ 143,1 mi
Outros
+R$ 110,4 mi

O fluxo por participante reforça a tese do descolamento. No último dado consolidado pela B3 (24/06 — o órgão só divulga após o fechamento, então o de hoje ainda não saiu), o investidor estrangeiro sacou R$ 855,5 milhões do mercado à vista, acumulando saída de R$ 8,4 bilhões em junho. Quem segura a bolsa é o dinheiro local: institucionais (+R$ 339,7 mi no dia, +R$ 2,76 bi no mês) e pessoa física (+R$ 262,4 mi; +R$ 3,0 bi no mês). É o doméstico comprando o que o gringo vende.

BTG
+R$ 442 mi
Morgan Stanley
+R$ 133 mi
Ágora
+R$ 92 mi
Goldman
−R$ 151 mi
Merrill
−R$ 160 mi
JP Morgan
−R$ 200 mi
XP
−R$ 241 mi
UBS
−R$ 333 mi

No tape de hoje, a foto bate com o estrutural: no book do Ibovespa, o BTG foi o maior comprador líquido (+R$ 442 mi), enquanto as casas de fluxo estrangeiro dominaram a venda — UBS (−R$ 333 mi), XP (−R$ 241 mi), JP Morgan (−R$ 200 mi), Merrill (−R$ 160 mi) e Goldman (−R$ 151 mi). No radar de fluxo anômalo, a XP apareceu vendendo B3SA3 a 3,97× o normal e LREN3 a 2,81×, ao passo que o BTG comprava SUZB3 a 2,08× — acumulando justamente na queda de 4,5% do papel.

Corretoras e fluxo anômalo: market.realtime.index_flow + market.realtime.screener (live, 26/06). Saldo por categoria: flow.foreign (B3, último consolidado 24/06).

Futuros & derivativos

WINQ26 — saldo dos players (contratos)
Ativa
+17.425
Itaú
+15.028
XP
−14.935
Goldman
−14.105
BTG
−12.373
Curva DI futura (% a.a.)
jan/27jan/37

Miolo cedeu, longo subiu — Selic ancorada perto de 14% (meta 14,25%).

68%
Puts = 68% do giro em opções

PCR-volume 2,17 (percentil 84) — proteção comprada no risk-off global; posição em aberto ainda equilibrada (PCR-OI 0,97).

Nos futuros, o WINQ26 subiu 1,29% no intradia (máxima de 176.920), com Ativa (+17,4 mil contratos) e Itaú (+15,0 mil) montados comprados e XP (−14,9 mil), Goldman (−14,1 mil) e BTG (−12,4 mil) vendidos. No dólar, o WDON26 ficou de lado (−0,09%, R$ 5.179,5), com Itaú e Necton comprados e UBS/Renascença vendidos. A curva DI desenhou um leve bull-steepening doméstico: o miolo recuou (jan/29 −7 bps, jan/30 −5 bps) na esteira do petróleo e do dólar mais baixos, enquanto o longo subiu (jan/37 +10 bps, jan/38 +12 bps), refletindo o ruído fiscal — a Dívida Pública Federal subiu 2,66% em maio e ultrapassou R$ 9 trilhões. Em opções, o tom foi defensivo: as puts responderam por 68% do giro financeiro (PCR-volume 2,17), com a atividade anômala concentrada em CMIG4, MULT3 e Natura.

Futuros: market.realtime.futures_players/_flow (live, 26/06). Curva DI: market.opening.snapshot (live, 26/06). Opções: derivatives.options.sentiment (as_of 26/06).

Internacional

CSI 300 🇨🇳−3,03%
Nikkei 225 🇯🇵−2,28%
DAX 🇩🇪−1,29%
Nasdaq-100 🇺🇸−1,09%
CAC 40 🇫🇷−0,82%
FTSE 100 🇬🇧−0,47%
S&P 500 🇺🇸−0,17%
Dow Jones 🇺🇸−0,09%
AtivoÚltimoVar %Sessão
S&P 5007.344−0,17%fechou hoje
Nasdaq-10029.118−1,09%fechou hoje
Dow Jones51.876−0,09%fechou hoje
VIX18,41−2,54%fechou hoje
ADR Nubank (NU)+5,48%em andamento
ADR Itaú (ITUB)+1,78%em andamento
ADR Petrobras (PBR)−1,36%em andamento
ADR Braskem (BAK)−6,28%em andamento
ETF Brasil (EWZ)34,65+1,38%em andamento

Lá fora foi dia de fuga de risco generalizada. A Ásia abriu a sequência negativa (Nikkei −2,28%, CSI 300 −3,03%), a Europa seguiu (DAX −1,29%, CAC −0,82%) e Wall Street fechou no vermelho leve (S&P 500 −0,17%, Dow −0,09%), com a Nasdaq-100 (−1,09%) penalizada pela tecnologia. Ainda assim, o VIX cedeu a 18,41 (−2,54%) — o mercado tratou o ruído geopolítico do Ormuz como contido. Entre os ADRs brasileiros, o tom foi oposto ao global e acompanhou a B3: Nubank (+5,48%), Itaú (+1,78%) e Bradesco (+1,7%) subiram, contra as quedas de Braskem (BAK −6,28%), Suzano (SUZ −4,69%) e Petrobras (PBR −1,36%).

Índices/ADRs: market.opening.snapshot (live, fechou hoje, 26/06). ADRs em negociação no after; valores de fechamento ancorados em market.intl.quote.

Commodities

Brent
US$ 72,54
−4,3%
WTI
US$ 69,23
−4,07%
Ouro
US$ 4.024
+0,26%
Minério (Dalian)
745
+0,54%
Prata
US$ 59,15
+2,23%

No complexo de commodities, o petróleo foi o protagonista: o Brent recuou 4,3% para US$ 72,54 e o WTI caiu 4,07% para US$ 69,23, mesmo com os ataques no Estreito de Ormuz — o mercado leu o acordo-quadro Israel–Líbano e a ausência de dano efetivo à oferta como alívio, o que pressionou Petrobras e PRIO. O ouro ficou estável (US$ 4.024, +0,26%), mantendo o bid de proteção, e o minério de ferro subiu 0,54% (Dalian 745) — o que não impediu a Vale de fechar levemente negativa, contaminada pelo humor global. Para a B3 a leitura é dúbia: petróleo mais barato ajuda a inflação e os juros (bom para os domésticos), mas tira receita das petrolíferas e das exportadoras de materiais.

Brent/WTI/Ouro: economics.snapshot (as_of 26/06). Minério/Prata: market.opening.snapshot (live, 26/06).

Fatos & notícias

VVEO3 CM Hospitalar (Viveo)

Conselho Fiscal aprovou aumento de capital de até R$ 869,8 mi — até 966,4 mi de novas ações ON a R$ 0,90, com deságio de 29,79% sobre a média de 30 pregões. Papel caiu 37,4% no dia.

COGN Cogna Educação

Via Somos, adquiriu 47% da Educbank por R$ 46,3 mi (pagamento à vista), passando a deter 90% da plataforma de gestão financeira escolar.

Renda fixa Coqueiros Transmissora

Encerramento da oferta pública (4ª emissão): 500 mil debêntures integralizadas, totalizando R$ 500 mi.

Macro BR Fiscal & externo

Dívida Pública Federal +2,66% em maio, acima de R$ 9 tri; déficit em conta corrente de R$ 3,2 bi no mês (BC).

HoraFonteManchete
18:27ReutersS&P rebaixa a Braskem de "CCC−" para "D" (default)
17:37Financial JuiceForças dos EUA realizam ataques no Estreito de Ormuz, em resposta a ataque a navio comercial
18:28Poder360Trump ameaça tarifa de 100% a países que criarem imposto sobre serviços digitais
17:16Agência BrasilDívida Pública sobe 2,66% em maio e supera R$ 9 trilhões
18:13BloombergS&P mantém rating soberano dos EUA em AA+ com perspectiva estável
14:50AxiosIsrael e Líbano assinam acordo-quadro

A pauta de empresas teve dois nomes que explicam as pontas da bolsa — o aumento de capital diluidor da Viveo e o rebaixamento da Braskem a "D". No campo macro, o ruído geopolítico (ataques no Ormuz) e a ameaça tarifária de Trump conviveram com um VIX em queda; no Brasil, os dados fiscais (dívida acima de R$ 9 tri) ajudam a explicar a pressão no longo da curva DI.

Notícias/fatos: market.realtime.screener + news.feed + fundamentals.material_facts (26/06). Comunicados de BDR/SEC (6-K, 11-K, 144) filtrados por ruído.

Fechamento

O que importou hoje
  • Brasil descolou: IBOV +0,76% aos 173.295 pts num dia de risk-off global, sustentado por bancos, utilities, consumo e imobiliário — com dólar a R$ 5,17 (−0,38%) e o miolo da curva DI em queda.
  • Dois eventos idiossincráticos dominaram as pontas: VVEO3 −37,4% (aumento de capital com deságio de ~30%) e BRKM5 −8,36% (S&P rebaixou a Braskem a "D").
  • Fluxo estrutural intacto: gringo segue sacando (−R$ 8,4 bi no mês), institucional e PF comprando — e no tape de hoje o BTG comprou o índice enquanto UBS, XP e os bancos americanos venderam.
No radar

Desdobramentos do Estreito de Ormuz e a trajetória do petróleo; a operação de capitalização da Viveo; o ruído fiscal pressionando o longo da curva; e a continuidade (ou não) da saída do investidor estrangeiro, num índice que vem sendo sustentado pelo dinheiro doméstico.