Fechamento de Mercado — 23/07/2026
Ibovespa cai 0,46% a 176.723 pts com Brent acima de US$ 100 e nova tarifa de 12,5% dos EUA; curva DI abre até 22 bps e só o petróleo segura o índice.
Fechamento de Mercado — 23/07/2026
Um pregão de duas forças opostas. O petróleo rompeu US$ 100 e transformou Petrobras, Vibra, Ultrapar e PRIO nas únicas âncoras do Ibovespa; do outro lado, a curva de juros abriu até 22 bps, o índice financeiro cedeu 1,07% e, faltando 45 minutos para o fechamento, os EUA anunciaram uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros com vigência já à 0h01 desta sexta. O Ibovespa terminou a 176.723,62 pontos, em queda de 0,46% — cerca de 817 pontos —, com todos os setoriais no vermelho.
1. Resumo do dia
O Ibovespa abriu firme e chegou a marcar 177.915,80 na máxima, mas perdeu tração ao longo da manhã e passou a tarde inteira colado no piso — a mínima de 176.260,87 saiu já na reta final. O fechamento em 176.723,62 pontos representa queda de 0,46%, aproximadamente 817 pontos. A amplitude do dia foi estreita (0,94% entre topo e fundo), o que diz muito sobre o desenho do pregão: não houve pânico, houve erosão.
O motor da erosão foi juros. A curva DI abriu em bloco — o vértice jan/29 saltou de 14,490% para 14,705% a.a. (+21,5 bps) e o jan/33 foi de 14,705% para 14,880% a.a. (+17,5 bps) —, comprimindo simultaneamente bancos, consumo, imobiliário e small caps. O gatilho é direto: com o Brent acima de US$ 100 e o governo prorrogando por mais dois meses o subsídio de R$ 0,44/litro à gasolina e R$ 1,12/litro ao diesel, o mercado remarcou para cima o risco inflacionário e fiscal de uma só vez.
O dólar acompanhou de forma contida: o USD/BRL fechou a 5,0807 (+0,33%) e o mini-dólar em 5.091,5 (+0,42%, +21,5 pontos), performance melhor que a de vários pares emergentes no mesmo dia — o rand sul-africano perdeu 2,56% e o peso chileno 0,91% contra o dólar, enquanto o índice DXY ficou praticamente parado, em 101,442 (−0,01%). Ou seja: a fraqueza foi de emergentes, não do dólar global, e o real ficou no grupo menos castigado.
2. Destaques da bolsa
A ponta de alta foi dominada por nomes de baixíssimo valor de mercado — AZEV3 disparou 29,73% com giro de apenas R$ 3,6 milhões e AVAT de 2,2×, um movimento de liquidez, não de fluxo institucional. Entre os nomes com corpo, SIMH3 (+4,79%) reagiu à venda do CS Porto Aratu para a ICTSI Americas por enterprise value de R$ 1,8 bilhão, e LIGT3 (+4,62%) subiu no dia em que se confirmou que o BTG Pactual passou a deter 18,76% da Light após o aumento de capital. Na ponta de baixo, o setor de saúde apanhou em bloco (HAPV3 −7,99%, QUAL3 −7,84%) e a tecnologia levou o pior golpe de peso: TOTS3 caiu 6,13% com R$ 173 milhões negociados.
Maiores altas
Maiores baixas
Maiores volumes financeiros
Volume relativo — quem girou acima da própria média (AVAT)
| Ativo | Fechamento | Variação | AVAT | Volume | Amplitude |
|---|---|---|---|---|---|
| GFSA3 | R$ 0,36 | −5,26% | 2,95× | R$ 2,9 mi | 25,0% |
| TRIS3 | R$ 4,20 | +1,94% | 2,83× | R$ 4,6 mi | 2,4% |
| SBSP3 | R$ 29,08 | −0,72% | 2,71× | R$ 1,079 bi | 2,0% |
| QUAL3 | R$ 1,41 | −7,84% | 2,70× | R$ 12,9 mi | 9,9% |
| BLAU3 | R$ 8,98 | −0,77% | 2,33× | R$ 4,5 mi | 3,1% |
| AZEV3 | R$ 2,40 | +29,73% | 2,20× | R$ 3,6 mi | 23,8% |
| SIMH3 | R$ 7,66 | +4,79% | 1,80× | R$ 34,9 mi | 5,7% |
| TIMS3 | R$ 21,26 | −3,89% | 1,73× | R$ 208,4 mi | 4,0% |
| WEGE3 | R$ 45,69 | −2,25% | 1,72× | R$ 618,7 mi | 4,8% |
Dois nomes merecem destaque no cruzamento AVAT × volume absoluto. SBSP3 girou R$ 1,08 bilhão — o terceiro maior volume da bolsa — a 2,71× sua média, e ainda assim fechou praticamente de lado (−0,72%): volume desse tamanho sem deslocamento de preço é troca de mãos, não direção. E WEGE3, que consta do calendário da CVM com a publicação do 2º trimestre nesta data, devolveu 2,25% girando R$ 619 milhões a 1,72× da média — realização em cima da forte alta da véspera.
3. Setorial & atribuição do índice
Nenhum setorial fechou no azul. O menos castigado foi Materiais Básicos (−0,24%), segurado por Vale; na outra ponta, Imobiliário (−1,93%), Consumo (−1,62%) e Small Caps (−1,62%) — exatamente os três blocos de maior duration em relação à curva de juros. O Financeiro caiu 1,07% e o Industrial, 1,28%. Isso define a natureza do dia: o que segurou o Ibovespa não foi um setor, foi um punhado de papéis de petróleo e mineração operando na contramão do próprio índice.
Quem moveu o Ibovespa hoje (em pontos de índice)
A conta é brutalmente clara: Vale, Petrobras ON e Petrobras PN sozinhas somaram +394 pontos ao índice, e com Vibra, Ultrapar e PRIO o bloco de commodities entregou cerca de +532 pontos. Do outro lado, Itaú PN (−123,7 pts), WEG (−114,5 pts), Bradesco PN (−91,8 pts) e B3 (−90,0 pts) tiraram sozinhas mais de 420 pontos. Sem o petróleo, este teria sido um pregão de queda perto de 1%.
4. Fluxo — quem comprou e quem vendeu
No tape das ações do Ibovespa, o BTG foi o comprador isolado do dia: +R$ 669,07 milhões líquidos, um ritmo de R$ 1,41 milhão por minuto, quase cinco vezes o segundo colocado. Do lado vendedor, XP (−R$ 207,99 mi) e Goldman (−R$ 202,09 mi) dividiram a liderança, seguidos por Merrill e Safra. Vale a ressalva de sempre: bancos estrangeiros aqui são executores de fluxo de cliente — o lado que aparece é o fluxo que passou pela corretora, não a tese da casa.
Volume anômalo por corretora — os grandes matchups do dia
O tape acusou seis pares de negociação muito acima do padrão de 60 pregões. O mais expressivo foi em BPAC11: o Goldman comprou 9,83 milhões de papéis (4,62× a mediana histórica, +R$ 549,9 milhões ao preço médio de R$ 56,45) contra 9,61 milhões vendidos pelo Santander (4,76×, −R$ 542,6 milhões a R$ 56,46). É praticamente uma transferência de bloco de meio bilhão de reais entre duas mesas — e o papel ainda assim caiu 1,28%. Em ITUB4 o desenho é idêntico com os lados trocados: Santander comprador de R$ 319,5 milhões, Goldman vendedor de R$ 328,6 milhões. Em RENT3, Santander comprou 6,13 milhões (3,96×) contra Goldman vendendo 6,11 milhões (3,31×).
| Ativo | Comprador anômalo | × vs P50 | Vendedor anômalo | × vs P50 | Variação do papel |
|---|---|---|---|---|---|
| BPAC11 | Goldman (+R$ 549,9 mi) | 4,62× | Santander (−R$ 542,6 mi) | 4,76× | −1,28% |
| RENT3 | Santander (+R$ 225,9 mi) | 3,96× | Goldman (−R$ 191,6 mi) | 3,31× | −0,27% |
| ITUB4 | Santander (+R$ 319,5 mi) | 1,98× | Goldman (−R$ 328,6 mi) | 2,16× | −0,86% |
| PETR3 | BTG (+R$ 180,3 mi) | 3,26× | BGC (−R$ 54,6 mi) | — | +1,36% |
| UGPA3 | JP Morgan (+R$ 105,5 mi) | 2,67× | LEV (−R$ 83,5 mi) | 2,13× | +1,10% |
| WEGE3 | UBS (+R$ 47,3 mi) | 1,89× | Goldman (−R$ 37,6 mi) | — | −2,29% |
Um detalhe que costura os dias: o UBS já havia acelerado como comprador de WEGE3 no pregão anterior, com saldo de R$ 384,5 milhões contra uma média diária de R$ 3,4 milhões na base. Hoje voltou a comprar 1,89× acima do normal, agora contra realização de preço.
Saldo por categoria de investidor
O dado consolidado por categoria só é divulgado após o fechamento — a leitura mais recente disponível é a do pregão de 21/07. Nela, o estrangeiro voltou a entrar em ritmo modesto (+R$ 120,0 milhões), com bancos (+R$ 226,6 mi) e pessoa física (+R$ 148,7 mi) do mesmo lado, contra saída do institucional local (−R$ 315,2 mi). O saldo de hoje ainda não está consolidado.
Saldo do pregão de 21/07 (R$ mi)
Acumulado de julho até 21/07 (R$ bi)
O mês tem um vencedor e um perdedor evidentes: o estrangeiro acumula +R$ 4,34 bilhões em julho, enquanto o institucional local carrega −R$ 7,83 bilhões. É a foto quantitativa do que gestoras da Ibiúna, Encore e Guepardo descreveram nesta quinta como "pessimismo extremo" na bolsa doméstica após a queda de 11% do Ibovespa desde abril — o dinheiro de fora comprando o que o dinheiro de dentro está vendendo.
5. Futuros & derivativos
Mini-índice (WINQ26) — posicionamento e trajetória
O contrato da frente fechou em 177.830 pontos (−945 pontos, −0,53%), depois de abrir a 178.400, marcar máxima de 179.125 e mínima de 177.400. Foram 15,37 milhões de contratos negociados entre 31 corretoras. A leitura do posicionamento (líquido = compras − vendas, pelo lado do negócio) mostra uma disputa clara entre dois perfis: quem carregou vendido com preço médio bem acima do fechamento e quem se posicionou comprado com preço médio abaixo.
| Corretora | Saldo líquido | Lado | Preço médio | Resultado aberto | Trajetória |
|---|---|---|---|---|---|
| Ágora | −26.644 ctr | Vendedor | 178.297 | +R$ 1,45 mi | acumulou vendido e segurou |
| Merrill | +17.303 ctr | Comprador | 178.955 | −R$ 3,22 mi | acumulou comprado e segurou |
| XP | +15.660 ctr | Comprador | 177.412 | +R$ 1,92 mi | acumulou comprado e segurou |
| JP Morgan | −15.388 ctr | Vendedor | 178.190 | +R$ 507 mil | acumulou vendido e segurou |
| Genial | +13.731 ctr | Comprador | 177.759 | +R$ 730 mil | acumulou comprado e segurou |
| Morgan | −12.417 ctr | Vendedor | 178.753 | +R$ 1,81 mi | — |
O caso mais chamativo é o da Merrill: 17.303 contratos comprados com preço médio de 178.955, ou seja, 1.125 pontos acima do fechamento — a maior posição perdedora do dia, com R$ 3,22 milhões de resultado aberto negativo. A posição foi montada de uma vez, num único bloco por volta das 10h45, e não se moveu mais até o fim do pregão. Do lado oposto, a Ágora foi ampliando a venda em degraus ao longo de toda a tarde, saindo de −20 mil para −26.644 contratos depois das 16h30, com preço médio de 178.297 e resultado aberto positivo de R$ 1,45 milhão.
A curva de preço no gráfico conta a história do pregão melhor que qualquer narrativa: pico às 11h15 em 178.705, quebra às 12h15 para 177.590 e um longo arrasto lateral entre 177.5 mil e 178 mil pela tarde inteira. O alinhamento contemporâneo entre fluxo e retorno ficou neutro para todos os cinco players — ninguém "empurrou" o preço; a direção veio de fora do book de futuros.
Mini-dólar (WDOQ26)
O mini-dólar fechou a 5.091,5 (+21,5 pontos, +0,42%), oscilando entre 5.079,5 e 5.103,5 — 1,88 milhão de contratos. A Ativa terminou como maior comprada (+36.988 contratos, preço médio 5.089,17) contra XP (−29.789 ctr), Ágora (−28.985 ctr) e BTG (−26.051 ctr) vendidos. O Goldman ficou comprado em 13.581 contratos, mas com preço médio de 5.099,84 — acima do fechamento, resultado aberto de −R$ 113 mil.
| Corretora | Saldo líquido | Preço médio | Resultado aberto |
|---|---|---|---|
| Ativa | +36.988 ctr | 5.089,17 | +R$ 86 mil |
| XP | −29.789 ctr | 5.097,21 | +R$ 170 mil |
| Ágora | −28.985 ctr | 5.093,01 | +R$ 44 mil |
| BTG | −26.051 ctr | 5.093,10 | +R$ 42 mil |
| Goldman | +13.581 ctr | 5.099,84 | −R$ 113 mil |
| BGC | +12.497 ctr | 5.089,75 | +R$ 22 mil |
Curva DI — a abertura que definiu o dia
Este é o gráfico mais importante do pregão. A curva subiu em toda a extensão, com o miolo levando a maior parte do golpe: +21,5 bps no jan/29, +20,5 bps no jan/28 e no jan/31, +17,5 bps no jan/33. O vértice curto (jan/27) abriu 9,5 bps, para 14,045% a.a. A inclinação entre jan/27 e jan/33 ficou em 83,5 bps.
Para dimensionar o pano de fundo: a Selic vigente está em 14,25% a.a. desde a reunião de 17 de junho, quando o Copom cortou 75 bps por unanimidade sem oferecer viés, num comunicado que já sinalizava explicitamente os "impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta (petróleo/derivados)" como principal risco de alta. Um mês depois, o choque materializou. O Focus de 17/07 ainda projeta Selic de 14,00% no fim do ano e IPCA de 5,15% (revisado marginalmente para baixo, −0,01 pp na semana), com câmbio estável em R$ 5,20 — projeções que a abertura de hoje começa a testar. No exterior, o Treasury de 10 anos subiu para 4,694% e o de 2 anos está em 4,31%, uma inclinação 2s10s de +36 bps; o spread Brasil−EUA de 10 anos segue em 10,19 pp.
Opções — o put/call desabou
O put/call por volume financeiro fechou em 0,24, o percentil 6,7 em 135 pregões de histórico — praticamente o extremo inferior da série. Foram R$ 3,19 bilhões girados em calls contra R$ 767 milhões em puts. O put/call por posição em aberto, porém, mal se moveu: 0,953, no percentil 64,4. A divergência entre os dois é o ponto: houve um evento de volume em calls, não uma virada estrutural do livro.
Percentil 6,7 · extremo de call
Percentil 64,4 · livro equilibrado
A origem do desvio é rastreável: o livro de opções sobre o índice concentrou R$ 2,94 bilhões de giro — 3,75× a média de 21 dias — com put/call de apenas 0,105, quase tudo em call. Isso responde por cerca de três quartos de todo o volume de opções do dia e explica sozinho o colapso do indicador agregado. Entre os nomes individuais, a atividade anômala se concentrou em ISAE4 (5,68× a média), ONCO3 (4,73×), RAPT4 (4,10×) e EZTC3 (3,12×).
No aluguel de ações — dado publicado com um pregão de defasagem, referente a 22/07 —, os maiores avanços de estoque em 21 dias seguem em VVEO3 (+783%), SANB4 (+375%), SANB3 (+370%) e ISAE4 (+272%, R$ 1,50 bilhão em posição). Nas taxas, o movimento foi de alívio generalizado: NATU3 recuou 232 bps (para 2,10% a.a.), EGIE3 213 bps e FIQE3 133 bps. Na contramão, BHIA3 subiu 61 bps.
6. Internacional & câmbio
Foi um dia de aversão a risco sincronizada — e todas as praças já fecharam. Nova York caiu com a tecnologia liderando a baixa (Nasdaq 100 −1,87%), a Europa cedeu entre 0,93% e 1,58%, e o VIX saltou 12,4% para 18,70. A combinação de petróleo em disparada, juros longos abrindo globalmente (Treasury 10a +0,83%, Bund 10a +1,01%, Gilt 10a +1,35%) e traders precificando integralmente 50 bps de alta do BoE até o fim do ano compõe o quadro: o mercado voltou a se preocupar com inflação, não com crescimento.
| Ativo | Nível | Variação | Sessão |
|---|---|---|---|
| S&P 500 | 7.423,50 | −1,01% | fechou hoje |
| Nasdaq 100 | 28.454,81 | −1,87% | fechou hoje |
| Dow Jones | 51.711,65 | −0,97% | fechou hoje |
| VIX | 18,70 | +12,38% | fechou hoje |
| DAX (Alemanha) | 24.763,12 | −1,56% | fechou hoje |
| CAC 40 (França) | 8.304,40 | −1,58% | fechou hoje |
| FTSE 100 (Reino Unido) | 10.625,05 | −0,93% | fechou hoje |
| Nikkei 225 (Japão) | 65.388 | −1,35% | fechou hoje |
| ASX 200 (Austrália) | 8.793,80 | −0,93% | fechou hoje |
| CSI 300 (China) | 4.728 | +0,23% | fechou hoje |
| Treasury 10 anos | 4,694% | +0,83% | fechou hoje |
| Bund 10 anos | 3,202% | +1,01% | fechou hoje |
ADRs brasileiros
Os recibos acompanharam a divisão vista na B3 — petróleo em alta, bancos e telecom em baixa. PBR subiu 1,26%, a US$ 19,13, e AXIA avançou 1,58%. Do lado negativo, VIV −3,41%, BBD −2,37%, NU −1,97%, ABEV −1,54%, SUZ −1,34% e ITUB −0,44%. A leitura do recibo da Vale (VALE) disponível está travada no início da sessão americana, com −0,17% — o fechamento do papel ainda não está consolidado nesta edição.
Câmbio — o real no pelotão da frente dos emergentes
O DXY ficou praticamente parado em 101,442 (−0,01%), o que torna a leitura mais interessante: como o dólar global não se moveu, tudo o que aconteceu nas moedas emergentes foi risco idiossincrático. E o real se saiu bem — com alta de apenas 0,33% do dólar, ficou à frente do rand sul-africano, do peso chileno, do peso mexicano e da rúpia indiana.
Nas moedas desenvolvidas, o euro cedeu 0,31% (EUR/USD a 1,1378), a libra 0,44% (GBP/USD a 1,3318) e o iene 0,43% (USD/JPY a 163,86).
7. Commodities
O eixo do dia. O Brent voltou a superar US$ 100 — fechou o board a US$ 100,67, com alta na casa de 6% ante o pregão anterior — e o WTI subiu 6,4%, para US$ 92,38. O estopim foram os ataques a petroleiros no Mar Vermelho e o relato de que o Irã enviou comandantes da Guarda Revolucionária e equipamento ligado a mísseis aos Houthis do Iêmen neste mês, somados a ameaças americanas.
| Commodity | Cotação | Variação do dia | Leitura para a B3 |
|---|---|---|---|
| Brent | US$ 100,67 | ~+6% | Petrobras, PRIO, Vibra, Ultrapar — o bloco que segurou o índice |
| WTI | US$ 92,38 | +6,39% | confirma o choque de oferta, não de demanda |
| Ouro | US$ 4.049,47 | −1,96% | defensivo cedendo apesar do risco — juro real subindo pesa mais |
| Prata | US$ 57,62 | 0,00% | sem direção |
| Cobre | US$ 13.565,50 | −1,71% | sinal de desaceleração industrial — pressiona metálicas |
| Níquel | US$ 17.295 | +0,77% | alívio isolado |
| Minério de ferro | 743,5 | −0,47% | Vale subiu apesar do minério fraco |
Há uma tensão que vale registrar: o ouro caiu 1,96% num dia de risco geopolítico agudo e VIX subindo 12%. Quando o metal não funciona como refúgio numa sessão dessas, normalmente é porque a alta dos juros reais está pesando mais na conta do que o prêmio de risco — o que é coerente com a abertura simultânea das curvas americana, alemã e britânica. E o cobre em queda de 1,71%, junto ao minério negativo, reforça que a alta de commodities de hoje foi energia, não um movimento amplo de matérias-primas — o que explica Vale ter subido apenas 0,77% enquanto a Petrobras ON avançava 1,67%.
8. Fatos & notícias que moveram o dia
Fatos relevantes e comunicados (CVM)
| Hora | Empresa | Assunto |
|---|---|---|
| 17:56 | Arteris (ARTR) | Fato Relevante — resultado do processo competitivo da BR-116/SP/PR: alienação do controle da Régis Bittencourt e indenização |
| 18:23 | AXIA Energia (AXIA) | Parecer do Conselho Fiscal sobre a incorporação de subsidiárias |
| 18:19 | Movida (MOVI) | Comunicado — participação acionária relevante adquirida via derivativos |
| 18:11 | Equatorial Pará (EQPA) | Conselho aprova captação externa de R$ 200 milhões (Operação 4131, Banco Bocom) |
| 17:44 | Allos (ALOS) | Aprovação de provento de R$ 0,29 por ação |
| 17:42 | BrasilAgro (AGRO) | Ratificação de emissão de dívida junto ao BB, swap para dólares e revisão da política de hedge |
| 17:20 | 3tentos (TTEN) | Fato Relevante — contratação de formador de mercado |
Manchetes
- 18:15 · Poder360 / G1 / Folha — EUA anunciam sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a Seção 301 (alegação de trabalho forçado), elevando a tarifa total a 37,5% e com vigência já à 0h01 de sexta, 24/07. As tarifas da Seção 122 se encerram na mesma data; produtos que atendem ao USMCA ficam isentos.
- 13:50 · Agência Brasil — Preço do petróleo supera os US$ 100 após ataques no Mar Vermelho.
- 11:15 · Financial Juice — Irã enviou comandantes da Guarda Revolucionária e equipamento ligado a mísseis aos Houthis do Iêmen neste mês, segundo quatro fontes.
- 12:15 · Reuters — Conselho da Vale decide destituir o conselheiro Marcelo Gasparino após investigação apontar vazamento de informações confidenciais de reunião de 19 de junho.
- 18:05 · G1 — Governo prorroga por mais dois meses o subsídio de R$ 0,44/litro à gasolina e R$ 1,12/litro ao diesel, em função da guerra no Oriente Médio.
- 17:40 · Brazil Journal — Gestores da Ibiúna, Encore e Guepardo veem "pessimismo extremo" na bolsa após queda de 11% do Ibovespa desde abril.
- 17:30 · Poder360 — BTG Pactual assume 18,76% da Light após adquirir 114,6 milhões de ações no aumento de capital.
- 07:24 · Reuters — Simpar vende o CS Porto Aratu para a ICTSI Americas por enterprise value de R$ 1,8 bilhão em contrato vinculante.
- 11:36 · Financial Juice — Traders passam a precificar integralmente 50 bps de alta de juros do Banco da Inglaterra até o fim do ano.
- 17:02 · Reuters — Intel projeta receita e lucro trimestrais acima do esperado, puxada pela demanda por CPUs de servidor voltadas a IA.
9. Fechamento & radar
O que importou hoje
- O petróleo salvou o índice de uma queda de 1%. Vale, Petrobras ON e PN entregaram +394 pontos e o bloco de energia somou ~+532 pontos; sem eles, o placar seria muito pior. Nenhum setorial fechou positivo.
- A curva DI abriu em bloco (até +21,5 bps no jan/29). É o canal pelo qual o choque do petróleo virou queda de bancos, consumo, imobiliário e small caps — os três últimos, os piores setoriais do dia.
- A sobretaxa de 12,5% saiu com o mercado já fechado e entra em vigor à 0h01 desta sexta, elevando a tarifa total sobre produtos brasileiros a 37,5%. O pregão de hoje não a precificou.
- O descolamento de fluxo do mês continua: estrangeiro +R$ 4,34 bi em julho contra institucional local −R$ 7,83 bi (dado até 21/07).
Agenda macro — amanhã (sexta, 24/07)
| Hora (BRT) | País | Evento | Anterior | Projeção |
|---|---|---|---|---|
| 00:01 | US | Entrada em vigor das novas tarifas da Seção 301 | — | — |
| 09:00 | US | Licenças de Construção (jun) | 1,410 M | 1,367 M |
| 10:45 | US | PMI Industrial (jul) | 53,9 | 54,5 |
| 10:45 | US | PMI do Setor de Serviços (jul) | 51,2 | 51,4 |
| 10:45 | US | PMI Composto S&P Global (jul) | 51,9 | — |
| 11:00 | US | Venda de Casas Novas (jun) | 580 K | 604 K |
| 14:00 | US | Contagem de sondas Baker Hughes | 452 | — |
| 16:30 | US/BR | Posições de especuladores CFTC (petróleo, ouro, S&P 500, BRL) | BRL: 32,8 K | — |
Radar da semana que vem
| Data | Hora (BRT) | Evento | Relevância |
|---|---|---|---|
| 27/07 | 08:25 | Boletim Focus (BCB) — primeira leitura pós-choque do petróleo | Média |
| 27/07 | 08:00 | Confiança do Consumidor FGV (jul) | Média |
| 28/07 | 09:00 | IPCA-15 de julho (ant. 0,41% no mês, 4,80% em 12 meses) | Alta |
| 28/07 | 08:30 | Transações correntes e IED (jun) | Alta |
| 29/07 | 15:00 | Decisão de juros do Fed (atual 3,75%) + comunicado; coletiva às 15:30 | Alta |
| 30/07 | 09:30 | Núcleo do PCE (jun) e PIB dos EUA do 2º trimestre | Alta |
| 30/07 | 08:00 | IGP-M de julho (ant. −0,50%) | Alta |
| 30/07 | 09:00 | Taxa de desemprego no Brasil (jun, ant. 5,6%) | Alta |
| 30/07 | 14:30 | CAGED (jun, ant. 72,96 mil vagas) | Alta |
| 31/07 | 08:30 | Dívida bruta/PIB e resultado primário (jun) | Alta |
Agenda corporativa
A temporada de balanços do 2º trimestre entra no seu pico na próxima semana. Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM (TIMS3) abrem em 27 e 28 de julho — as duas caíram hoje, com TIMS3 recuando 3,89% a 1,73× seu volume médio. Na quarta, Bradesco (BBDC3), Intelbras, Kepler Weber e Motiva. Na quinta, Ambev (ABEV3), Multiplan, EcoRodovias e ISA Energia.
| Data | Empresa | Evento |
|---|---|---|
| 27/07 | Telefônica Brasil (VIVT3) | Resultado do 2º trimestre |
| 27/07 e 28/07 | TIM (TIMS3) | Resultado do 2º trimestre |
| 29/07 | Bradesco (BBDC3) | Resultado do 2º trimestre |
| 29/07 | Intelbras (INTB) · Kepler Weber (KEPL3) · Motiva (MOTV) | Resultado do 2º trimestre |
| 30/07 | Ambev (ABEV3) | Resultado do 2º trimestre |
| 30/07 | Multiplan (MULT) · EcoRodovias (ECOR) · ISA Energia (ISAE3) | Resultado do 2º trimestre |
Notas de frescor. Índices, movers, AVAT, fluxo de corretoras, futuros, câmbio, commodities, internacional e opções são do pregão de 23/07/2026. O saldo por categoria de investidor (estrangeiro, institucional, pessoa física) e a posição de aluguel de ações têm divulgação apenas após o fechamento e estão na leitura de 21/07 e 22/07, respectivamente — o saldo de hoje ainda não está consolidado. O fechamento do recibo da Vale em Nova York também não consolidou nesta edição. A performance setorial usa os índices setoriais ao vivo da B3.