Fechamento de Mercado — 23/07/2026

Ibovespa cai 0,46% a 176.723 pts com Brent acima de US$ 100 e nova tarifa de 12,5% dos EUA; curva DI abre até 22 bps e só o petróleo segura o índice.

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Fechamento

Fechamento de Mercado — 23/07/2026

22/07/2026

Um pregão de duas forças opostas. O petróleo rompeu US$ 100 e transformou Petrobras, Vibra, Ultrapar e PRIO nas únicas âncoras do Ibovespa; do outro lado, a curva de juros abriu até 22 bps, o índice financeiro cedeu 1,07% e, faltando 45 minutos para o fechamento, os EUA anunciaram uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros com vigência já à 0h01 desta sexta. O Ibovespa terminou a 176.723,62 pontos, em queda de 0,46% — cerca de 817 pontos —, com todos os setoriais no vermelho.

Ibovespa
176.723,62
−0,46% · −817 pts
USD/BRL
5,0807
+0,33%
DI jan/29
14,705% a.a.
+21,5 bps
S&P 500
7.423,50
−1,01% · fechou hoje
Brent
US$ 100,67
~+6% · rompeu US$ 100
Minério
743,5
−0,47%
VIX
18,70
+12,4%
WIN (Q26)
177.830
−945 pts · −0,53%

1. Resumo do dia

O Ibovespa abriu firme e chegou a marcar 177.915,80 na máxima, mas perdeu tração ao longo da manhã e passou a tarde inteira colado no piso — a mínima de 176.260,87 saiu já na reta final. O fechamento em 176.723,62 pontos representa queda de 0,46%, aproximadamente 817 pontos. A amplitude do dia foi estreita (0,94% entre topo e fundo), o que diz muito sobre o desenho do pregão: não houve pânico, houve erosão.

O motor da erosão foi juros. A curva DI abriu em bloco — o vértice jan/29 saltou de 14,490% para 14,705% a.a. (+21,5 bps) e o jan/33 foi de 14,705% para 14,880% a.a. (+17,5 bps) —, comprimindo simultaneamente bancos, consumo, imobiliário e small caps. O gatilho é direto: com o Brent acima de US$ 100 e o governo prorrogando por mais dois meses o subsídio de R$ 0,44/litro à gasolina e R$ 1,12/litro ao diesel, o mercado remarcou para cima o risco inflacionário e fiscal de uma só vez.

O dólar acompanhou de forma contida: o USD/BRL fechou a 5,0807 (+0,33%) e o mini-dólar em 5.091,5 (+0,42%, +21,5 pontos), performance melhor que a de vários pares emergentes no mesmo dia — o rand sul-africano perdeu 2,56% e o peso chileno 0,91% contra o dólar, enquanto o índice DXY ficou praticamente parado, em 101,442 (−0,01%). Ou seja: a fraqueza foi de emergentes, não do dólar global, e o real ficou no grupo menos castigado.

2. Destaques da bolsa

A ponta de alta foi dominada por nomes de baixíssimo valor de mercado — AZEV3 disparou 29,73% com giro de apenas R$ 3,6 milhões e AVAT de 2,2×, um movimento de liquidez, não de fluxo institucional. Entre os nomes com corpo, SIMH3 (+4,79%) reagiu à venda do CS Porto Aratu para a ICTSI Americas por enterprise value de R$ 1,8 bilhão, e LIGT3 (+4,62%) subiu no dia em que se confirmou que o BTG Pactual passou a deter 18,76% da Light após o aumento de capital. Na ponta de baixo, o setor de saúde apanhou em bloco (HAPV3 −7,99%, QUAL3 −7,84%) e a tecnologia levou o pior golpe de peso: TOTS3 caiu 6,13% com R$ 173 milhões negociados.

Maiores altas

AZEV3
+29,73%
AZEV4
+8,47%
AZTE3
+7,69%
PINE4
+5,96%
SIMH3
+4,79%
LIGT3
+4,62%
PCAR3
+4,36%
RCSL4
+3,70%

Maiores baixas

HAPV3
−7,99%
QUAL3
−7,84%
TOTS3
−6,13%
ALPA4
−5,68%
GFSA3
−5,26%
IRBR3
−4,57%
PLPL3
−4,42%
MGLU3
−4,28%

Maiores volumes financeiros

VALE3
R$ 1,205 bi
PETR4
R$ 1,091 bi
SBSP3
R$ 1,079 bi
ITUB4
R$ 960 mi
BPAC11
R$ 836 mi
B3SA3
R$ 647 mi
WEGE3
R$ 619 mi
PETR3
R$ 563 mi
AXIA3
R$ 501 mi
RENT3
R$ 487 mi

Volume relativo — quem girou acima da própria média (AVAT)

AtivoFechamentoVariaçãoAVATVolumeAmplitude
GFSA3R$ 0,36−5,26%2,95×R$ 2,9 mi25,0%
TRIS3R$ 4,20+1,94%2,83×R$ 4,6 mi2,4%
SBSP3R$ 29,08−0,72%2,71×R$ 1,079 bi2,0%
QUAL3R$ 1,41−7,84%2,70×R$ 12,9 mi9,9%
BLAU3R$ 8,98−0,77%2,33×R$ 4,5 mi3,1%
AZEV3R$ 2,40+29,73%2,20×R$ 3,6 mi23,8%
SIMH3R$ 7,66+4,79%1,80×R$ 34,9 mi5,7%
TIMS3R$ 21,26−3,89%1,73×R$ 208,4 mi4,0%
WEGE3R$ 45,69−2,25%1,72×R$ 618,7 mi4,8%

Dois nomes merecem destaque no cruzamento AVAT × volume absoluto. SBSP3 girou R$ 1,08 bilhão — o terceiro maior volume da bolsa — a 2,71× sua média, e ainda assim fechou praticamente de lado (−0,72%): volume desse tamanho sem deslocamento de preço é troca de mãos, não direção. E WEGE3, que consta do calendário da CVM com a publicação do 2º trimestre nesta data, devolveu 2,25% girando R$ 619 milhões a 1,72× da média — realização em cima da forte alta da véspera.

3. Setorial & atribuição do índice

Nenhum setorial fechou no azul. O menos castigado foi Materiais Básicos (−0,24%), segurado por Vale; na outra ponta, Imobiliário (−1,93%), Consumo (−1,62%) e Small Caps (−1,62%) — exatamente os três blocos de maior duration em relação à curva de juros. O Financeiro caiu 1,07% e o Industrial, 1,28%. Isso define a natureza do dia: o que segurou o Ibovespa não foi um setor, foi um punhado de papéis de petróleo e mineração operando na contramão do próprio índice.

Materiais Básicos−0,24%
Dividendos−0,53%
Energia Elétrica−0,66%
Utilidade Pública−0,70%
Financeiro−1,07%
Industrial−1,28%
Consumo−1,62%
Small Cap−1,62%
Imobiliário−1,93%

Quem moveu o Ibovespa hoje (em pontos de índice)

VALE3
+147,7 pts
PETR3
+128,9 pts
PETR4
+117,5 pts
VBBR3
+53,2 pts
UGPA3
+43,1 pts
PRIO3
+42,0 pts
RAIL3
+28,1 pts
ITSA4
−38,7 pts
AXIA3
−45,0 pts
TIMS3
−48,7 pts
SBSP3
−60,0 pts
BPAC11
−62,0 pts
RDOR3
−64,5 pts
ABEV3
−64,6 pts
TOTS3
−70,8 pts
B3SA3
−90,0 pts
BBDC4
−91,8 pts
WEGE3
−114,5 pts
ITUB4
−123,7 pts

A conta é brutalmente clara: Vale, Petrobras ON e Petrobras PN sozinhas somaram +394 pontos ao índice, e com Vibra, Ultrapar e PRIO o bloco de commodities entregou cerca de +532 pontos. Do outro lado, Itaú PN (−123,7 pts), WEG (−114,5 pts), Bradesco PN (−91,8 pts) e B3 (−90,0 pts) tiraram sozinhas mais de 420 pontos. Sem o petróleo, este teria sido um pregão de queda perto de 1%.

4. Fluxo — quem comprou e quem vendeu

No tape das ações do Ibovespa, o BTG foi o comprador isolado do dia: +R$ 669,07 milhões líquidos, um ritmo de R$ 1,41 milhão por minuto, quase cinco vezes o segundo colocado. Do lado vendedor, XP (−R$ 207,99 mi) e Goldman (−R$ 202,09 mi) dividiram a liderança, seguidos por Merrill e Safra. Vale a ressalva de sempre: bancos estrangeiros aqui são executores de fluxo de cliente — o lado que aparece é o fluxo que passou pela corretora, não a tese da casa.

BTG
+R$ 669 mi
Itaú
+R$ 137 mi
UBS
+R$ 121 mi
Genial
+R$ 112 mi
JP Morgan
+R$ 75 mi
Ágora
+R$ 55 mi
Citigroup
+R$ 48 mi
Santander
−R$ 58 mi
BGC
−R$ 80 mi
LEV
−R$ 83 mi
Necton
−R$ 85 mi
Safra
−R$ 96 mi
Merrill
−R$ 113 mi
Goldman
−R$ 202 mi
XP
−R$ 208 mi

Volume anômalo por corretora — os grandes matchups do dia

O tape acusou seis pares de negociação muito acima do padrão de 60 pregões. O mais expressivo foi em BPAC11: o Goldman comprou 9,83 milhões de papéis (4,62× a mediana histórica, +R$ 549,9 milhões ao preço médio de R$ 56,45) contra 9,61 milhões vendidos pelo Santander (4,76×, −R$ 542,6 milhões a R$ 56,46). É praticamente uma transferência de bloco de meio bilhão de reais entre duas mesas — e o papel ainda assim caiu 1,28%. Em ITUB4 o desenho é idêntico com os lados trocados: Santander comprador de R$ 319,5 milhões, Goldman vendedor de R$ 328,6 milhões. Em RENT3, Santander comprou 6,13 milhões (3,96×) contra Goldman vendendo 6,11 milhões (3,31×).

AtivoComprador anômalo× vs P50Vendedor anômalo× vs P50Variação do papel
BPAC11Goldman (+R$ 549,9 mi)4,62×Santander (−R$ 542,6 mi)4,76×−1,28%
RENT3Santander (+R$ 225,9 mi)3,96×Goldman (−R$ 191,6 mi)3,31×−0,27%
ITUB4Santander (+R$ 319,5 mi)1,98×Goldman (−R$ 328,6 mi)2,16×−0,86%
PETR3BTG (+R$ 180,3 mi)3,26×BGC (−R$ 54,6 mi)+1,36%
UGPA3JP Morgan (+R$ 105,5 mi)2,67×LEV (−R$ 83,5 mi)2,13×+1,10%
WEGE3UBS (+R$ 47,3 mi)1,89×Goldman (−R$ 37,6 mi)−2,29%

Um detalhe que costura os dias: o UBS já havia acelerado como comprador de WEGE3 no pregão anterior, com saldo de R$ 384,5 milhões contra uma média diária de R$ 3,4 milhões na base. Hoje voltou a comprar 1,89× acima do normal, agora contra realização de preço.

Saldo por categoria de investidor

O dado consolidado por categoria só é divulgado após o fechamento — a leitura mais recente disponível é a do pregão de 21/07. Nela, o estrangeiro voltou a entrar em ritmo modesto (+R$ 120,0 milhões), com bancos (+R$ 226,6 mi) e pessoa física (+R$ 148,7 mi) do mesmo lado, contra saída do institucional local (−R$ 315,2 mi). O saldo de hoje ainda não está consolidado.

Saldo do pregão de 21/07 (R$ mi)

Bancos
+R$ 226,6 mi
Pessoa física
+R$ 148,7 mi
Estrangeiro
+R$ 120,0 mi
Outros
−R$ 180,2 mi
Institucional
−R$ 315,2 mi

Acumulado de julho até 21/07 (R$ bi)

Estrangeiro
+R$ 4,34 bi
Pessoa física
+R$ 1,63 bi
Inst. financeiras
+R$ 1,58 bi
Outros
+R$ 287 mi
Institucional
−R$ 7,83 bi

O mês tem um vencedor e um perdedor evidentes: o estrangeiro acumula +R$ 4,34 bilhões em julho, enquanto o institucional local carrega −R$ 7,83 bilhões. É a foto quantitativa do que gestoras da Ibiúna, Encore e Guepardo descreveram nesta quinta como "pessimismo extremo" na bolsa doméstica após a queda de 11% do Ibovespa desde abril — o dinheiro de fora comprando o que o dinheiro de dentro está vendendo.

5. Futuros & derivativos

Mini-índice (WINQ26) — posicionamento e trajetória

O contrato da frente fechou em 177.830 pontos (−945 pontos, −0,53%), depois de abrir a 178.400, marcar máxima de 179.125 e mínima de 177.400. Foram 15,37 milhões de contratos negociados entre 31 corretoras. A leitura do posicionamento (líquido = compras − vendas, pelo lado do negócio) mostra uma disputa clara entre dois perfis: quem carregou vendido com preço médio bem acima do fechamento e quem se posicionou comprado com preço médio abaixo.

CorretoraSaldo líquidoLadoPreço médioResultado abertoTrajetória
Ágora−26.644 ctrVendedor178.297+R$ 1,45 miacumulou vendido e segurou
Merrill+17.303 ctrComprador178.955−R$ 3,22 miacumulou comprado e segurou
XP+15.660 ctrComprador177.412+R$ 1,92 miacumulou comprado e segurou
JP Morgan−15.388 ctrVendedor178.190+R$ 507 milacumulou vendido e segurou
Genial+13.731 ctrComprador177.759+R$ 730 milacumulou comprado e segurou
Morgan−12.417 ctrVendedor178.753+R$ 1,81 mi

O caso mais chamativo é o da Merrill: 17.303 contratos comprados com preço médio de 178.955, ou seja, 1.125 pontos acima do fechamento — a maior posição perdedora do dia, com R$ 3,22 milhões de resultado aberto negativo. A posição foi montada de uma vez, num único bloco por volta das 10h45, e não se moveu mais até o fim do pregão. Do lado oposto, a Ágora foi ampliando a venda em degraus ao longo de toda a tarde, saindo de −20 mil para −26.644 contratos depois das 16h30, com preço médio de 178.297 e resultado aberto positivo de R$ 1,45 milhão.

18.990-26.644178.705177.545
MerrillXPGenialJP MorganÁgoraWIN (pts) (eixo →)contratos (saldo acumulado) · WIN em pontos no eixo direito · pregão (09:00→18:30)

A curva de preço no gráfico conta a história do pregão melhor que qualquer narrativa: pico às 11h15 em 178.705, quebra às 12h15 para 177.590 e um longo arrasto lateral entre 177.5 mil e 178 mil pela tarde inteira. O alinhamento contemporâneo entre fluxo e retorno ficou neutro para todos os cinco players — ninguém "empurrou" o preço; a direção veio de fora do book de futuros.

Mini-dólar (WDOQ26)

O mini-dólar fechou a 5.091,5 (+21,5 pontos, +0,42%), oscilando entre 5.079,5 e 5.103,5 — 1,88 milhão de contratos. A Ativa terminou como maior comprada (+36.988 contratos, preço médio 5.089,17) contra XP (−29.789 ctr), Ágora (−28.985 ctr) e BTG (−26.051 ctr) vendidos. O Goldman ficou comprado em 13.581 contratos, mas com preço médio de 5.099,84 — acima do fechamento, resultado aberto de −R$ 113 mil.

CorretoraSaldo líquidoPreço médioResultado aberto
Ativa+36.988 ctr5.089,17+R$ 86 mil
XP−29.789 ctr5.097,21+R$ 170 mil
Ágora−28.985 ctr5.093,01+R$ 44 mil
BTG−26.051 ctr5.093,10+R$ 42 mil
Goldman+13.581 ctr5.099,84−R$ 113 mil
BGC+12.497 ctr5.089,75+R$ 22 mil

Curva DI — a abertura que definiu o dia

Este é o gráfico mais importante do pregão. A curva subiu em toda a extensão, com o miolo levando a maior parte do golpe: +21,5 bps no jan/29, +20,5 bps no jan/28 e no jan/31, +17,5 bps no jan/33. O vértice curto (jan/27) abriu 9,5 bps, para 14,045% a.a. A inclinação entre jan/27 e jan/33 ficou em 83,5 bps.

1514
23/0722/07% a.a. · vértices DI1 (jan/27 → jan/37)

Para dimensionar o pano de fundo: a Selic vigente está em 14,25% a.a. desde a reunião de 17 de junho, quando o Copom cortou 75 bps por unanimidade sem oferecer viés, num comunicado que já sinalizava explicitamente os "impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta (petróleo/derivados)" como principal risco de alta. Um mês depois, o choque materializou. O Focus de 17/07 ainda projeta Selic de 14,00% no fim do ano e IPCA de 5,15% (revisado marginalmente para baixo, −0,01 pp na semana), com câmbio estável em R$ 5,20 — projeções que a abertura de hoje começa a testar. No exterior, o Treasury de 10 anos subiu para 4,694% e o de 2 anos está em 4,31%, uma inclinação 2s10s de +36 bps; o spread Brasil−EUA de 10 anos segue em 10,19 pp.

Opções — o put/call desabou

O put/call por volume financeiro fechou em 0,24, o percentil 6,7 em 135 pregões de histórico — praticamente o extremo inferior da série. Foram R$ 3,19 bilhões girados em calls contra R$ 767 milhões em puts. O put/call por posição em aberto, porém, mal se moveu: 0,953, no percentil 64,4. A divergência entre os dois é o ponto: houve um evento de volume em calls, não uma virada estrutural do livro.

0,24
Put/Call por volume

Percentil 6,7 · extremo de call

0,95
Put/Call por posição em aberto

Percentil 64,4 · livro equilibrado

2.80.24
PCR volumeput/call por volume · últimos 21 pregões (25/06 → 23/07)

A origem do desvio é rastreável: o livro de opções sobre o índice concentrou R$ 2,94 bilhões de giro — 3,75× a média de 21 dias — com put/call de apenas 0,105, quase tudo em call. Isso responde por cerca de três quartos de todo o volume de opções do dia e explica sozinho o colapso do indicador agregado. Entre os nomes individuais, a atividade anômala se concentrou em ISAE4 (5,68× a média), ONCO3 (4,73×), RAPT4 (4,10×) e EZTC3 (3,12×).

No aluguel de ações — dado publicado com um pregão de defasagem, referente a 22/07 —, os maiores avanços de estoque em 21 dias seguem em VVEO3 (+783%), SANB4 (+375%), SANB3 (+370%) e ISAE4 (+272%, R$ 1,50 bilhão em posição). Nas taxas, o movimento foi de alívio generalizado: NATU3 recuou 232 bps (para 2,10% a.a.), EGIE3 213 bps e FIQE3 133 bps. Na contramão, BHIA3 subiu 61 bps.

6. Internacional & câmbio

Foi um dia de aversão a risco sincronizada — e todas as praças já fecharam. Nova York caiu com a tecnologia liderando a baixa (Nasdaq 100 −1,87%), a Europa cedeu entre 0,93% e 1,58%, e o VIX saltou 12,4% para 18,70. A combinação de petróleo em disparada, juros longos abrindo globalmente (Treasury 10a +0,83%, Bund 10a +1,01%, Gilt 10a +1,35%) e traders precificando integralmente 50 bps de alta do BoE até o fim do ano compõe o quadro: o mercado voltou a se preocupar com inflação, não com crescimento.

AtivoNívelVariaçãoSessão
S&P 5007.423,50−1,01%fechou hoje
Nasdaq 10028.454,81−1,87%fechou hoje
Dow Jones51.711,65−0,97%fechou hoje
VIX18,70+12,38%fechou hoje
DAX (Alemanha)24.763,12−1,56%fechou hoje
CAC 40 (França)8.304,40−1,58%fechou hoje
FTSE 100 (Reino Unido)10.625,05−0,93%fechou hoje
Nikkei 225 (Japão)65.388−1,35%fechou hoje
ASX 200 (Austrália)8.793,80−0,93%fechou hoje
CSI 300 (China)4.728+0,23%fechou hoje
Treasury 10 anos4,694%+0,83%fechou hoje
Bund 10 anos3,202%+1,01%fechou hoje

ADRs brasileiros

Os recibos acompanharam a divisão vista na B3 — petróleo em alta, bancos e telecom em baixa. PBR subiu 1,26%, a US$ 19,13, e AXIA avançou 1,58%. Do lado negativo, VIV −3,41%, BBD −2,37%, NU −1,97%, ABEV −1,54%, SUZ −1,34% e ITUB −0,44%. A leitura do recibo da Vale (VALE) disponível está travada no início da sessão americana, com −0,17% — o fechamento do papel ainda não está consolidado nesta edição.

Câmbio — o real no pelotão da frente dos emergentes

O DXY ficou praticamente parado em 101,442 (−0,01%), o que torna a leitura mais interessante: como o dólar global não se moveu, tudo o que aconteceu nas moedas emergentes foi risco idiossincrático. E o real se saiu bem — com alta de apenas 0,33% do dólar, ficou à frente do rand sul-africano, do peso chileno, do peso mexicano e da rúpia indiana.

USD/ZAR (rand)
+2,56%
USD/CLP (peso chileno)
+0,91%
USD/MXN (peso mexicano)
+0,66%
USD/BRL (real)
+0,33%
USD/INR (rúpia)
+0,27%
USD/TRY (lira)
+0,15%
USD/CNH (yuan)
−0,02%
USD/COP (peso colombiano)
−0,32%

Nas moedas desenvolvidas, o euro cedeu 0,31% (EUR/USD a 1,1378), a libra 0,44% (GBP/USD a 1,3318) e o iene 0,43% (USD/JPY a 163,86).

7. Commodities

O eixo do dia. O Brent voltou a superar US$ 100 — fechou o board a US$ 100,67, com alta na casa de 6% ante o pregão anterior — e o WTI subiu 6,4%, para US$ 92,38. O estopim foram os ataques a petroleiros no Mar Vermelho e o relato de que o Irã enviou comandantes da Guarda Revolucionária e equipamento ligado a mísseis aos Houthis do Iêmen neste mês, somados a ameaças americanas.

CommodityCotaçãoVariação do diaLeitura para a B3
BrentUS$ 100,67~+6%Petrobras, PRIO, Vibra, Ultrapar — o bloco que segurou o índice
WTIUS$ 92,38+6,39%confirma o choque de oferta, não de demanda
OuroUS$ 4.049,47−1,96%defensivo cedendo apesar do risco — juro real subindo pesa mais
PrataUS$ 57,620,00%sem direção
CobreUS$ 13.565,50−1,71%sinal de desaceleração industrial — pressiona metálicas
NíquelUS$ 17.295+0,77%alívio isolado
Minério de ferro743,5−0,47%Vale subiu apesar do minério fraco

Há uma tensão que vale registrar: o ouro caiu 1,96% num dia de risco geopolítico agudo e VIX subindo 12%. Quando o metal não funciona como refúgio numa sessão dessas, normalmente é porque a alta dos juros reais está pesando mais na conta do que o prêmio de risco — o que é coerente com a abertura simultânea das curvas americana, alemã e britânica. E o cobre em queda de 1,71%, junto ao minério negativo, reforça que a alta de commodities de hoje foi energia, não um movimento amplo de matérias-primas — o que explica Vale ter subido apenas 0,77% enquanto a Petrobras ON avançava 1,67%.

8. Fatos & notícias que moveram o dia

Fatos relevantes e comunicados (CVM)

HoraEmpresaAssunto
17:56Arteris (ARTR)Fato Relevante — resultado do processo competitivo da BR-116/SP/PR: alienação do controle da Régis Bittencourt e indenização
18:23AXIA Energia (AXIA)Parecer do Conselho Fiscal sobre a incorporação de subsidiárias
18:19Movida (MOVI)Comunicado — participação acionária relevante adquirida via derivativos
18:11Equatorial Pará (EQPA)Conselho aprova captação externa de R$ 200 milhões (Operação 4131, Banco Bocom)
17:44Allos (ALOS)Aprovação de provento de R$ 0,29 por ação
17:42BrasilAgro (AGRO)Ratificação de emissão de dívida junto ao BB, swap para dólares e revisão da política de hedge
17:203tentos (TTEN)Fato Relevante — contratação de formador de mercado

Manchetes

  • 18:15 · Poder360 / G1 / Folha — EUA anunciam sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a Seção 301 (alegação de trabalho forçado), elevando a tarifa total a 37,5% e com vigência já à 0h01 de sexta, 24/07. As tarifas da Seção 122 se encerram na mesma data; produtos que atendem ao USMCA ficam isentos.
  • 13:50 · Agência Brasil — Preço do petróleo supera os US$ 100 após ataques no Mar Vermelho.
  • 11:15 · Financial Juice — Irã enviou comandantes da Guarda Revolucionária e equipamento ligado a mísseis aos Houthis do Iêmen neste mês, segundo quatro fontes.
  • 12:15 · Reuters — Conselho da Vale decide destituir o conselheiro Marcelo Gasparino após investigação apontar vazamento de informações confidenciais de reunião de 19 de junho.
  • 18:05 · G1 — Governo prorroga por mais dois meses o subsídio de R$ 0,44/litro à gasolina e R$ 1,12/litro ao diesel, em função da guerra no Oriente Médio.
  • 17:40 · Brazil Journal — Gestores da Ibiúna, Encore e Guepardo veem "pessimismo extremo" na bolsa após queda de 11% do Ibovespa desde abril.
  • 17:30 · Poder360 — BTG Pactual assume 18,76% da Light após adquirir 114,6 milhões de ações no aumento de capital.
  • 07:24 · Reuters — Simpar vende o CS Porto Aratu para a ICTSI Americas por enterprise value de R$ 1,8 bilhão em contrato vinculante.
  • 11:36 · Financial Juice — Traders passam a precificar integralmente 50 bps de alta de juros do Banco da Inglaterra até o fim do ano.
  • 17:02 · Reuters — Intel projeta receita e lucro trimestrais acima do esperado, puxada pela demanda por CPUs de servidor voltadas a IA.

9. Fechamento & radar

O que importou hoje

  • O petróleo salvou o índice de uma queda de 1%. Vale, Petrobras ON e PN entregaram +394 pontos e o bloco de energia somou ~+532 pontos; sem eles, o placar seria muito pior. Nenhum setorial fechou positivo.
  • A curva DI abriu em bloco (até +21,5 bps no jan/29). É o canal pelo qual o choque do petróleo virou queda de bancos, consumo, imobiliário e small caps — os três últimos, os piores setoriais do dia.
  • A sobretaxa de 12,5% saiu com o mercado já fechado e entra em vigor à 0h01 desta sexta, elevando a tarifa total sobre produtos brasileiros a 37,5%. O pregão de hoje não a precificou.
  • O descolamento de fluxo do mês continua: estrangeiro +R$ 4,34 bi em julho contra institucional local −R$ 7,83 bi (dado até 21/07).

Agenda macro — amanhã (sexta, 24/07)

Hora (BRT)PaísEventoAnteriorProjeção
00:01USEntrada em vigor das novas tarifas da Seção 301
09:00USLicenças de Construção (jun)1,410 M1,367 M
10:45USPMI Industrial (jul)53,954,5
10:45USPMI do Setor de Serviços (jul)51,251,4
10:45USPMI Composto S&P Global (jul)51,9
11:00USVenda de Casas Novas (jun)580 K604 K
14:00USContagem de sondas Baker Hughes452
16:30US/BRPosições de especuladores CFTC (petróleo, ouro, S&P 500, BRL)BRL: 32,8 K

Radar da semana que vem

DataHora (BRT)EventoRelevância
27/0708:25Boletim Focus (BCB) — primeira leitura pós-choque do petróleoMédia
27/0708:00Confiança do Consumidor FGV (jul)Média
28/0709:00IPCA-15 de julho (ant. 0,41% no mês, 4,80% em 12 meses)Alta
28/0708:30Transações correntes e IED (jun)Alta
29/0715:00Decisão de juros do Fed (atual 3,75%) + comunicado; coletiva às 15:30Alta
30/0709:30Núcleo do PCE (jun) e PIB dos EUA do 2º trimestreAlta
30/0708:00IGP-M de julho (ant. −0,50%)Alta
30/0709:00Taxa de desemprego no Brasil (jun, ant. 5,6%)Alta
30/0714:30CAGED (jun, ant. 72,96 mil vagas)Alta
31/0708:30Dívida bruta/PIB e resultado primário (jun)Alta

Agenda corporativa

A temporada de balanços do 2º trimestre entra no seu pico na próxima semana. Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM (TIMS3) abrem em 27 e 28 de julho — as duas caíram hoje, com TIMS3 recuando 3,89% a 1,73× seu volume médio. Na quarta, Bradesco (BBDC3), Intelbras, Kepler Weber e Motiva. Na quinta, Ambev (ABEV3), Multiplan, EcoRodovias e ISA Energia.

DataEmpresaEvento
27/07Telefônica Brasil (VIVT3)Resultado do 2º trimestre
27/07 e 28/07TIM (TIMS3)Resultado do 2º trimestre
29/07Bradesco (BBDC3)Resultado do 2º trimestre
29/07Intelbras (INTB) · Kepler Weber (KEPL3) · Motiva (MOTV)Resultado do 2º trimestre
30/07Ambev (ABEV3)Resultado do 2º trimestre
30/07Multiplan (MULT) · EcoRodovias (ECOR) · ISA Energia (ISAE3)Resultado do 2º trimestre

Notas de frescor. Índices, movers, AVAT, fluxo de corretoras, futuros, câmbio, commodities, internacional e opções são do pregão de 23/07/2026. O saldo por categoria de investidor (estrangeiro, institucional, pessoa física) e a posição de aluguel de ações têm divulgação apenas após o fechamento e estão na leitura de 21/07 e 22/07, respectivamente — o saldo de hoje ainda não está consolidado. O fechamento do recibo da Vale em Nova York também não consolidou nesta edição. A performance setorial usa os índices setoriais ao vivo da B3.