Fechamento de Mercado — 23/06/2026

Ibovespa engata o 3º pregão de alta (proxy WIN +0,76%) e descola do exterior — Nikkei −5,2%, Nasdaq −3,3%, VIX +12,6% — sustentado pela queda do miolo da curva DI após a ata do Copom; Vale e siderurgia pesam no rastro do tombo dos global miners.

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Fechamento

Fechamento de Mercado — 23/06/2026

22/06/2026 · Brasil descola do exterior: bolsa sobe com a queda do DI pós-ata do Copom enquanto o mundo vende risco

Resumo do dia

Ibovespa fut. (WIN)
174.810
+0,76% +1.320 pts
USD/BRL (PTAX)
5,1743
+0,68% dólar global firme
DI jan/27
14,18%
−3 bps ata do Copom
S&P 500
7.374
−1,32% fechou hoje
Nasdaq 100
29.347
−3,29% rota da tech
Brent
76,94
−1,16% US$/barril
Minério (Dalian)
743,5
+0,68% ¥/ton
VIX
19,5
+12,6% medo lá fora

Foi um dia de descolamento. Enquanto o mundo vendia risco — Nikkei −5,21% sob ameaça de intervenção no iene em mínima de 40 anos, Nasdaq 100 −3,29% numa rota de tecnologia, e o VIX saltando +12,6% para 19,5 —, a B3 subiu. O combustível foi doméstico: as taxas curtas e do miolo da curva DI recuaram depois que a ata do Copom (divulgada hoje, 23/06) foi lida como construtiva, e bancos, elétricas e saneamento puxaram o índice. O fechamento oficial do Ibovespa à vista ainda não consolidou (o lote EOD da B3 sai por volta das 21h); pela leitura ao vivo, o mini-índice (WIN, venc. agosto) fechou a 174.810 pts, +0,76% ante o ajuste e +1,5% acima da abertura (172.205), no terceiro pregão seguido de alta e perto da máxima (174.940), bem distante da mínima (171.400). À vista, a última referência consolidada é o fechamento de 22/06 a 170.370 pts (+1,21%). O dólar subiu a R$ 5,1743 (PTAX, +0,68%) acompanhando a força global da moeda americana, mas o CDS de 5 anos do Brasil ficou estável em 124,7 bps — o estresse lá fora não contaminou o prêmio de risco-país. Fontes: market.session.summary, market.opening.snapshot, economics.snapshot — as_of 23/06 (intraday ao vivo)

Destaques da bolsa

Maiores altas
MBRF3
+10,4%
GFSA3
+9,9%
TTEN3
+6,4%
VIVA3
+4,8%
ASAI3
+3,8%
RAIL3
+3,7%
AZZA3
+3,6%
Maiores baixas
MGLU3
−5,2%
USIM3
−5,1%
USIM5
−4,6%
ARML3
−3,7%
AMER3
−3,2%
HAPV3
−3,1%
COGN3
−3,0%
Maiores volumes financeiros
VALE3
R$ 1,46 bi · −1,9%
PETR4
R$ 1,08 bi · +0,5%
B3SA3
R$ 1,04 bi · +0,4%
ITUB4
R$ 865 mi · +0,3%
PRIO3
R$ 627 mi · −0,8%
AXIA3
R$ 614 mi · +2,9%
BPAC11
R$ 601 mi · +1,2%
ABEV3
R$ 450 mi · +1,5%

A liderança de alta teve cara de defensivo doméstico e proteína: MBRF3 disparou +10,4% (a maior alta do dia, com amplitude de 11%), seguida por 3tentos (TTEN3 +6,4%) e Assaí (ASAI3 +3,8%). Do outro lado, o castigo veio do setor exposto ao ciclo global e a juros: a siderurgia foi esmagada (USIM3 −5,1%, USIM5 −4,6%) junto com os mineradores lá fora, e o varejo digital/alavancado afundou (MGLU3 −5,2%, Americanas −3,2%). Em AVAT (volume relativo), os destaques foram B3SA3 1,8× girando mais de R$ 1 bi praticamente de lado (+0,4%), TIMS3 2,2× e AZZA3 1,9× — volume muito acima da média sinalizando reposicionamento institucional. market.realtime.screener — as_of 23/06 ao vivo

Setorial

Direção ao vivo pelos líderes de cada bloco no pregão de hoje (23/06); a quebra completa de breadth por setor consolida no lote EOD (~21h).

Frigoríficos/AlimentosMBRF3 +10,4%
Locação/ConsumoRENT3 +2,5%
Elétricas/SaneamentoEQTL3 +1,8%
BancosBBAS3 +1,4%
PetróleoPETR3 +1,3%
Papel & CeluloseSUZB3 −0,3%
MineraçãoVALE3 −1,9%
SaúdeHAPV3 −3,1%
SiderurgiaUSIM5 −4,6%
Varejo digitalMGLU3 −5,2%

O mapa de calor explica o descolamento: o que puxou o índice foi a perna doméstica e sensível a juros — bancos (BBAS3, BBDC4, BPAC11), elétricas e saneamento (EQTL3 +1,8%, CPLE3 +1,3%, SBSP3 +0,9%) e locação (RENT3 +2,5%) reagindo bem à queda do DI. O peso morto foi o bloco ligado ao ciclo global de commodities: Mineração e Siderurgia caíram no rastro do tombo dos global miners (RIO −3,3%, BHP −3,9%, Freeport −6,6% em NY) — e nem o minério em Dalian (+0,7%) blindou a Vale, que ainda carregou ruído de governança no conselho. Petróleo segurou-se no azul (Petrobras +0,5%) apesar do Brent em queda, ajudado pelo memorando com a Pemex. Leitura ao vivo por líderes — market.realtime.player_scanner/screener, as_of 23/06

Fluxo

Fluxo acumulado em junho (até 19/06, último consolidado pela B3)
Estrangeiro
−R$ 4,37 bi
Pessoa Física
+R$ 2,58 bi
Inst. financeiras
+R$ 1,64 bi
Institucional
+R$ 0,11 bi

A foto estrutural do mês mostra o estrangeiro como vendedor líquido em junho (−R$ 4,37 bi), com a ponta compradora bancada por pessoa física (+R$ 2,58 bi) e instituições financeiras (+R$ 1,64 bi). No último dia consolidado (19/06), o gringo ficou praticamente zerado (−R$ 1,7 mi) e o institucional saiu forte (−R$ 2,73 bi). O fluxo por categoria de hoje (23/06) ainda não consolidou — a B3 divulga só após o fechamento.

No tape-reading ao vivo, as mesas grandes deixaram digitais claras: em PETR4, o BTG foi o maior vendedor do dia (−R$ 158 mi) contra a compra do Citigroup (+R$ 64 mi); em VALE3, a Merrill liderou a venda (−R$ 75 mi) e o Goldman comprou (+R$ 62 mi); o Morgan Stanley foi o top buyer de BPAC11 (+R$ 84 mi). Entre as anomalias de fluxo (corretora muito acima do seu normal de 60 dias), saltaram a UBS vendendo TIMS3 a 4,3× o usual (com o Citi comprando do outro lado, TIM +1,8%) e a XP vendendo B3SA3 a 2,7×. flow.foreign (as_of 19/06) · market.realtime.player_scanner (as_of 23/06 ao vivo)

Futuros & derivativos

WIN — saldo por corretora (contratos)
Morgan
−33.915 V
Citigroup
+20.528 C
Goldman
+17.302 C
Itaú
+12.421 C
Ideal
−9.171 V
WDO — saldo por corretora (contratos)
Itaú
+31.492 C
UBS
+28.559 C
XP
−27.006 V
Goldman
+22.714 C
BGC
−22.223 V

No mini-índice, a alta pegou os vendidos na contramão: o Morgan Stanley segurou um short de 33,9 mil contratos o dia inteiro e fechou com P&L aberto de −R$ 9,4 mi enquanto o índice subia de 172.205 (abertura) para 174.810; do lado comprado, Goldman (+R$ 8,2 mi) e Citigroup (+R$ 6,6 mi) embolsaram o movimento. No dólar futuro, Itaú e UBS estavam comprados (long dólar) e ganharam com a alta da moeda; a XP, vendida em 27 mil contratos, ficou no vermelho.

jan/27 · 14,19% jan/29 · 14,63% jan/36 · 14,36%

A curva DI tem formato corcunda — sobe da ponta curta (jan/27 a 14,19%) até um topo no miolo (jan/29 a 14,63%) e depois cede na ponta longa (jan/36 a 14,36%). O recado do dia foi o fechamento (queda) do miolo e da parte longa em 10 a 15 bps após a ata do Copom (jan/28 −15 bps, jan/29 −13 bps), com a ponta curta quase de lado — um bull-flattening que destravou o apetite por ações domésticas. A Selic-meta segue em 14,25% (próxima reunião em agosto) e o mercado precifica ~14% à frente (Focus). Nos derivativos de opções, o Put/Call ratio (volume) fechou em 1,74 — percentil 80: defensivo.

1,74
Put/Call ratio (volume)

63% do giro financeiro de opções (R$ 1,85 bi) foi em puts contra R$ 1,07 bi em calls — viés de proteção/hedge mesmo com a bolsa no azul, eco do estresse lá fora. Atividade anômala concentrada em puts de MULT3 e TOTS3; calls em RDOR3 e ABEV3.

market.realtime.futures_players/futures_flow (as_of 23/06 ao vivo) · market.opening.snapshot curva_di (23/06) · derivatives.options.sentiment (23/06)

Internacional

Índice / ativoÚltimoVar.Sessão
S&P 500 (EUA)7.374−1,32%fechou hoje
Nasdaq 100 (EUA)29.347−3,29%fechou hoje
Dow Jones (EUA)51.667−0,09%fechou hoje
DAX (Alemanha)24.894−0,98%fechou hoje
CAC 40 (França)8.355−0,56%fechou hoje
FTSE 100 (R. Unido)10.459+0,15%fechou hoje
Nikkei 225 (Japão)69.242−5,21%fechou hoje
CSI 300 (China)4.919−2,77%fechou hoje
VIX19,5+12,6%hoje
ADR Vale (NY)15,30−2,61%fechou hoje
ADR Nubank (NY)12,59−1,57%fechou hoje
ADR Gerdau (NY)4,37+2,82%fechou hoje

O pano de fundo foi de aversão a risco generalizada: a Ásia liderou a queda com o Nikkei desabando 5,21% (iene perto da mínima de 40 anos, USD/JPY a 161,5, com o Japão ameaçando intervir) e o CSI 300 chinês −2,77%; a Europa fechou no vermelho (DAX −1,0%); e os EUA caíram puxados pela tecnologia (Nasdaq 100 −3,29%, S&P −1,3%, Dow de lado), com o VIX disparando para 19,5. Entre os ADRs brasileiros, a Vale acompanhou os mineradores globais (−2,6% em NY, alinhada à VALE3 na B3) e o Nubank caiu −1,6%, mas Gerdau (+2,8%) e Telefônica/TIM destoaram. PBR (Petrobras ADR) não teve fechamento de hoje consolidado no feed EOD — última referência US$ 17,01 em 22/06; na B3, PETR4 fechou +0,5%. O DXY (último consolidado 18/06: 120,4) e o EUR/USD −0,4% confirmam o dólar global firme. market.opening.snapshot (23/06 ao vivo) · market.intl.quote (EOD 22/06)

Commodities

CommodityÚltimoVar. dia
Petróleo BrentUS$ 76,94−1,16%
Petróleo WTIUS$ 73,37−1,20%
OuroUS$ 4.196,78+0,20%
Minério de ferro (Dalian)¥ 743,5+0,68%
PrataUS$ 61,58−5,36%
NíquelUS$ 17.220−2,79%

O quadro de commodities foi de realização generalizada nos metais: a prata desabou −5,4% e o níquel −2,8%, num movimento de risk-off que derrubou os mineradores no mundo todo e respingou em Vale e siderúrgicas brasileiras. O petróleo cedeu mais de 1% (Brent US$ 76,94) com o alívio geopolítico — Trump sinalizou que o Estreito de Ormuz permanece aberto. Curiosamente, o minério em Dalian subiu +0,68% e o ouro segurou-se de lado (US$ 4.197, +0,2%) como porto seguro, mas não evitou a pressão sobre o setor de materiais básicos. Preço da soja não disponível nesta leitura; o agro apareceu na ponta de alta via 3tentos (TTEN3 +6,4%). economics.snapshot (23/06) · market.opening.snapshot (23/06)

Fatos & notícias

O grande fato corporativo veio após o fechamento: o Bradesco aprovou R$ 3,5 bilhões em JCP (R$ 0,32 por ON e R$ 0,347 por PN — Reuters, 18:26), reforçando a tese de remuneração robusta dos bancões; o BBDC4 já havia subido +1,2% no pregão. Outros destaques da CVM/B3 hoje: Track&Field (TFCO) aprovou JCP bruto de R$ 12,9 mi; Axia Energia (AXIA3) aprovou a 9ª emissão de debêntures de R$ 800 mi — e a ação saltou +2,9% com R$ 614 mi de giro; Espaçolaser/MPM (ESPA) abriu oferta secundária (Fundo Magnólia) de até ~R$ 37,2 mi com roadshow; e a Moody's afirmou rating AA+.br da Quantum.

HoraMancheteFonte
13:11Taxas curtas dos DIs caem após ata do Copom; dólar sobe ante o realReuters
16:36Conselheiro da Vale vê conflito de interesse em voto de Daniel Stieler sobre sua destituiçãoReuters
15:44Petrobras e Pemex assinam memorando de cooperação em E&PG1
12:59PF deflagra Operação Miragem contra o Banco Digimais (Edir Macedo)Reuters
16:49Liquidação do Digimais pode elevar fatura do FGC para R$ 60 biUOL
01:31Iene perto da mínima de 40 anos; Japão ameaça intervençãoReuters
14:33Dia fraco para tecnologia em NY; SpaceX volátilReuters
05:00IG4 busca garantir o controle da Raízen (RAIZ4) até mar/2027Reuters

No campo macro-doméstico, a ata do Copom dominou as atenções e ancorou a queda do DI; o BC reforçou que "melhores práticas recomendam não reagir a choques de oferta". A Operação Miragem da PF contra o Banco Digimais trouxe ruído ao setor financeiro (com o paralelo ao caso Banco Master), mas não contaminou os grandes bancos. market.session.summary — notícias/fatos as_of 23/06; comunicados de BDR via Banco B3 filtrados como ruído

Fechamento

O que importou hoje
  • Descolamento. A B3 subiu (mini-índice +0,76%, 3º pregão de alta) na contramão de um dia de forte aversão a risco global — Nikkei −5,2%, Nasdaq −3,3%, VIX +12,6% —, sustentada pelo fechamento do miolo da curva DI (−10 a −15 bps) após a ata do Copom e pela liderança de bancos, elétricas e saneamento.
  • Vale e siderurgia pesaram. O bloco de materiais básicos caiu no rastro do tombo dos global miners (RIO/BHP/Freeport) e da realização nos metais (prata −5,4%, níquel −2,8%); o minério em Dalian (+0,7%) não blindou, e ainda houve ruído de governança no conselho da Vale.
  • Dólar firme, risco-país estável. USD/BRL a R$ 5,1743 (+0,68%) sob a força global da moeda americana, mas o CDS de 5 anos ficou cravado em 124,7 bps — o estresse externo não cobrou prêmio de risco do Brasil.
No radar para amanhã
  • Consolidação do fechamento oficial do Ibovespa à vista e dos fluxos por categoria da B3 (lote EOD ~21h) — hoje ainda não fechados.
  • Repercussão do JCP de R$ 3,5 bi do Bradesco e do calendário de proventos (Track&Field).
  • Humor externo no comando do beta: rota da tech em NY, o tombo do Nikkei/iene e o Treasury de 10 anos a 4,51% seguem ditando o apetite por risco; de olho também no dólar (PTAX 5,17) sob DXY firme.

Fontes: B3, CVM, BCB — Trade Hunter MCP. Dados de 23/06/2026 em leitura intraday ao vivo, salvo onde indicado (fluxo estrangeiro consolidado até 19/06; aluguel/opções por ativo e ADR PBR referentes a 22/06; DXY a 18/06). O fechamento oficial do índice à vista e o lote EOD da B3 consolidam por volta das 21h.