Fechamento de Mercado — 15/07/2026

Ibovespa cai 0,36% a 176.010 pts com o setor elétrico: AXIA3 tira 343 pts após dois follow-ons; Ânima desaba 33% e materiais básicos seguram o índice.

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Fechamento

Fechamento de Mercado — 15/07/2026

14/07/2026 · O elétrico derrubou o índice; materiais básicos seguraram

O Ibovespa fechou o pregão de 15 de julho em 176.010,90 pontos, com queda de 0,36% — cerca de 636 pts. O número esconde o que realmente aconteceu: mais da metade da perda veio de uma ação só, e o índice passou o dia inteiro sendo puxado para baixo por um setor específico enquanto o resto do mercado ia para o outro lado.

Ibovespa
176.010,90
−0,36% · −636 pts
USD/BRL (PTAX)
5,0727
−0,03%
DI jan/27
13,89%
−0,5 bps
S&P 500
7.570,86
+0,36% · fechou hoje
Brent
US$ 85,12
−0,58%
Minério
US$ 759,50
0,00%
VIX
15,67
−5,03%
WIN (fech.)
177.795
−405 pts · −0,23%

1. Resumo do dia

O pano de fundo era de risco. Às 07:24 BRT, o comando central dos EUA informou ter começado uma onda de ataques contra o Irã; à tarde, o noticiário trouxe que a tomada da Ilha de Kharg — o terminal por onde escoa a exportação de petróleo iraniana — teria sido discutida em reunião. O mercado simplesmente não comprou o susto: o Brent recuou 0,58%, para US$ 85,12, o VIX caiu 5,03%, para 15,67, e o ouro andou de lado (+0,19%, US$ 4.060,55). A leitura de risco ficou concentrada na periferia — os índices russos RTST (−3,35%) e MMVB (−2,77%) foram os que pagaram a conta.

Sem choque externo, o pregão brasileiro virou uma história doméstica e, mais precisamente, uma história de oferta de papel. Duas emissões de ações do setor elétrico foram anunciadas no mesmo dia — Engie e ISA Energia — e o setor inteiro reprecificou. O IEEX caiu 2,02% e o UTIL, 1,89%, os dois piores do dia, enquanto materiais básicos (IMAT) subiam 1,50%, na contramão.

No mini-índice, o arco intraday foi de decepção mansa: abriu em 178.050, esticou até a máxima de 178.665 nos primeiros 30 minutos, perdeu força a partir das 10h, escorregou até a mínima de 176.980 e voltou de leve no fim, fechando em 177.795 (−405 pts, −0,23%). A amplitude de 1.685 pts ficou bem abaixo da média de 2.869 pts dos últimos 9 pregões — foi um dia estreito, sem convicção, decidido por fluxo setorial e não por macro.

No câmbio, o dólar cedeu de forma generalizada e o real seguiu junto, mas sem brilho: a PTAX fechou a 5,0727 (−0,03%) e o mini-dólar em 5.098 (+0,04%). Curiosamente, foi o real que menos aproveitou — peso colombiano (+0,91%), rand (+0,37%) e peso mexicano (+0,24%) todos ganharam mais do dólar do que o real.

2. Destaques da bolsa

A ponta perdedora foi dominada por eventos de empresa, não por macro. A Ânima (ANIM3) desabou 33,10%, para R$ 1,92, depois de anunciar acordo para comprar a FMU e ver a recomendação cortada por casa grande — girou R$ 181,3 mi, um volume 14,6× a média, de longe o maior descolamento do dia. Logo atrás, a Camil (CAML3) caiu 18,37% com giro 6,9× a média, no mesmo dia em que a companhia tinha na agenda a publicação dos números do 1º trimestre.

Maiores altas

PMAM3
+17,86%
ENJU3
+9,52%
PCAR3
+6,94%
TOTS3
+3,97%
GGBR4
+3,73%
UGPA3
+3,35%
GOAU4
+2,93%
B3SA3
+2,61%

Maiores baixas

ANIM3
−33,10%
CAML3
−18,37%
GFSA3
−12,50%
ONCO3
−7,29%
CASH3
−7,14%
RAIZ4
−6,45%
BRKM5
−6,30%
EVEN3
−5,91%

Do lado comprador, a Paranapanema (PMAM3) subiu 17,86% com a maior amplitude do pregão (42,4%) e giro 6,2× a média. Vale o registro de sequência: a alta veio durante o pregão, e o fato relevante com a proposta vinculante de investimento de US$ 40 milhões só foi protocolado às 18:11, depois do fechamento.

Onde o dinheiro girou

VALE3
R$ 1,15 bi
PETR4
R$ 1,04 bi
AXIA3
R$ 969 mi
ITUB4
R$ 820 mi
B3SA3
R$ 576 mi
ABEV3
R$ 490 mi
BPAC11
R$ 444 mi
UGPA3
R$ 420 mi

O giro se concentrou nas blue chips de sempre, com uma exceção reveladora: AXIA3 apareceu em 3º lugar, com R$ 969 mi e volume relativo de 1,94× — a única grande com giro anormal na lista. Foi ali que o índice foi decidido.

Volume relativo (AVAT) — quem fugiu da média

PapelFecha.Var %GiroAVAT (× média)Amplitude
ANIM3R$ 1,92−33,10%R$ 181,3 mi14,69,4%
CAML3R$ 4,40−18,37%R$ 35,3 mi6,920,9%
PMAM3R$ 0,33+17,86%R$ 6,7 mi6,242,4%
EGIE3R$ 30,40−5,79%R$ 369,7 mi5,14,0%
GFSA3R$ 0,49−12,50%R$ 4,0 mi4,714,3%
POMO3R$ 5,04−3,08%R$ 14,7 mi3,54,8%
ISAE4R$ 27,80−4,96%R$ 224,2 mi3,04,8%
ONCO3R$ 0,89−7,29%R$ 25,0 mi2,919,1%
BLAU3R$ 9,80−4,76%R$ 5,2 mi2,63,8%
MELK3R$ 3,01−5,05%R$ 3,6 mi2,56,0%

A tabela de AVAT é a mais eloquente do dia: das dez ações que mais fugiram da própria média de giro, nove caíram. E duas delas — EGIE3 e ISAE4 — são exatamente as duas emissoras de ações do setor elétrico.

3. Setorial & atribuição — onde o índice foi perdido

Materiais Básicos (IMAT)+1,50%
Financeiro (IFNC)−0,06%
Industrial (INDX)−0,28%
Small Cap (SMLL)−0,63%
Dividendos (IDIV)−0,76%
Imobiliário (IMOB)−0,92%
Consumo (ICON)−1,16%
Utilidade Pública (UTIL)−1,89%
Energia Elétrica (IEEX)−2,02%

A dispersão foi enorme para um dia de −0,36% no índice: 3,52 pontos percentuais separam materiais básicos (+1,50%) de energia elétrica (−2,02%). Não foi um dia de aversão a risco — foi um dia de rotação forçada para fora de um setor.

Quem moveu o Ibovespa hoje (em pontos de índice)

B3SA3
+129,6 pts
VALE3
+127,3 pts
GGBR4
+79,7 pts
UGPA3
+76,1 pts
TOTS3
+46,2 pts
VBBR3
+38,6 pts
GOAU4
+17,4 pts
CMIN3
+16,6 pts
EGIE3
−42,5 pts
ISAE4
−44,0 pts
EQTL3
−55,7 pts
ABEV3
−73,9 pts
SBSP3
−74,4 pts
BPAC11
−78,3 pts
ITUB4
−178,2 pts
AXIA3
−343,2 pts

AXIA3 sozinha tirou 343,2 pontos54% de toda a queda de 636 pts do Ibovespa. Somada às outras elétricas do índice (EQTL3 −55,7, ISAE4 −44,0, EGIE3 −42,5, CPLE3 −40,6), a conta do setor chega a −526 pts. Sem o elétrico, o Ibovespa teria fechado no azul.

O contrapeso veio de dois lugares. A B3 (+129,6 pts) foi a maior contribuição positiva do dia, e o bloco de mineração e siderurgia — VALE3 (+127,3), GGBR4 (+79,7), GOAU4 (+17,4) e CMIN3 (+16,6) — somou +241 pts, sustentado por níquel em alta (+0,58%) e minério estável em US$ 759,50. O ADR da Gerdau confirmou o movimento fechando +3,49% em Nova York.

Nos bancos, a leitura foi mista e pesou: ITUB4 (−178,2 pts) foi o segundo maior detrator do índice apesar de o setor financeiro como um todo ter ficado praticamente de lado (IFNC −0,06%) — a queda de 1,21% do Itaú, dado o peso de 8,98% no índice, vale sozinha mais do que todo o bloco de mineração ganhou.

4. Fluxo — quem estava dos dois lados

Saldo líquido das corretoras no Ibovespa (ao vivo)

Morgan
+R$ 853,6 mi
Citigroup
+R$ 274,4 mi
BGC
+R$ 224,3 mi
Necton
+R$ 141,1 mi
JP Morgan
+R$ 126,2 mi
Tullett
−R$ 90,0 mi
Itau
−R$ 115,8 mi
UBS
−R$ 307,1 mi
Goldman
−R$ 515,2 mi
Merrill
−R$ 653,6 mi

O fluxo que passou pelas corretoras estrangeiras foi o mais visível — e estava dividido entre elas, não contra o mercado local. A Morgan liderou o lado comprador com +R$ 853,6 mi, espalhados por 64 ativos (top buyer de VALE3, PETR4, ITUB4, BBDC4, BPAC11, GGBR4 e WEGE3), enquanto Merrill (−R$ 653,6 mi) e Goldman (−R$ 515,2 mi) estavam do lado oposto, com a Goldman como maior vendedora de VALE3, B3SA3 e GGBR4. Um comprando o que a outra vendia, nos mesmos papéis — é rodízio de carteira institucional, não convicção de casa.

Saldo por categoria de investidor

Pregão de 13/07 (R$ mi)

Pessoa física
+R$ 370,6 mi
Bancos
+R$ 154,8 mi
Outros
−R$ 23,1 mi
Estrangeiro
−R$ 177,5 mi
Institucional
−R$ 324,9 mi

Acumulado de julho (R$ mi)

Estrangeiro
+R$ 1,13 bi
Inst. financeiras
+R$ 705,2 mi
Pessoa física
+R$ 519,8 mi
Outros
+R$ 488,0 mi
Institucional
−R$ 2,84 bi

O saldo por categoria está publicado até o pregão de 13/07os dias 14 e 15/07 ainda não foram consolidados. Até ali, o mês tinha um desenho nítido: o estrangeiro somava +R$ 1,13 bi de entrada em julho, contra −R$ 2,84 bi de saída do institucional local. É o institucional brasileiro, e não o gringo, quem vem entregando papel neste mês.

Fluxo anômalo — volume incomum do dia

AtivoLadoCorretoraQtd. hojeMediana 60dMúltiploVar % do ativo
IBOV11vendaItaú1.082.95626.14541,4×−0,19%
IBOV11compraUBS1.091.48130.05636,3×−0,19%
JBSS32vendaGoldman5.045.137273.96318,4×+2,61%
EGIE3compraBTG1.625.800364.9004,5×−4,87%
EGIE3vendaMorgan1.229.200404.6503,0×−4,87%
AXIA3vendaItaú4.772.4001.711.9002,8×−4,14%
UGPA3compraUBS2.797.6001.251.2002,2×+3,22%
AXIA3compraUBS3.167.4001.851.2001,7×−4,14%

O sinal aqui é de volume incomum, não de direção. Duas leituras se destacam. A primeira é o instrumento de índice IBOV11, com Itaú vendendo 41,4× e UBS comprando 36,3× as respectivas medianas de 60 dias — uma troca de mãos de exposição indexada de porte muito fora do normal, dos dois lados ao mesmo tempo. A segunda é o cruzamento que explica o dia: em EGIE3, o BTG apareceu comprando 4,5× o normal e a Morgan vendendo 3,0×, exatamente o padrão de liquidação de um follow-on; em AXIA3, o Itaú foi o maior vendedor (−R$ 115,4 mi) contra a UBS comprando (+R$ 46,1 mi).

5. Futuros & derivativos

Saldo acumulado dos players no WIN × preço do índice

20.514-11.317178.525177.150
IdealMorganJP MorganCitigroupWIN (pts) (eixo →)contratos (saldo acumulado) · pregão (09:00→18:30)

O gráfico conta o melhor sub-enredo do dia. A Morgan abriu o pregão montando comprado e chegou a +18.508 contratos às 10:56 — e terminou o dia vendida em 10.636. É um giro de ~29,1 mil contratos de ponta a ponta, com a virada acontecendo entre 15h e 17h, justamente quando o índice ensaiava a recuperação da mínima. Do outro lado, a Ideal segurou o comprado o dia inteiro (+16.754 ao fim, pico de 23.107 às 12:22), e Citigroup e JP Morgan foram acumulando vendido sem sobressalto.

ContratoCorretoraSaldo (ctr)Preço médioP&L abertoTrajetória
WINIdeal+16.754178.728−R$ 3,13 miacumulou comprado e segurou
WINMorgan−10.636177.060−R$ 1,56 miinverteu (de comprado)
WINJP Morgan−10.269177.690−R$ 216 milacumulou vendido e segurou
WINCitigroup−9.554177.668−R$ 243 milacumulou vendido e segurou
WINNecton−9.439177.847+R$ 98 mil
WDOUBS+83.5325.096,85+R$ 96 milmaior comprado do dia
WDOMorgan−34.8165.099,88+R$ 66 mil
WDOBTG−24.0745.101,67+R$ 88 mil
WDOXP−15.1585.105,17+R$ 109 mil

A Ideal fechou o dia com o comprado marcado a 178.728 contra um índice em 177.795 — 933 pts abaixo do próprio preço médio, o que explica o prejuízo aberto de R$ 3,13 mi. No mini-dólar, a UBS carregou o maior comprado do pregão (+83.532 contratos) a um preço médio de 5.096,85, ligeiramente no lucro com o fechamento em 5.098.

Curva DI — a ponta longa é que se mexeu

1414
Fechamento de hojeFechamento anterior% a.a. · vencimento (jan/27 → jan/39)

A curva de juros abriu a boca: a ponta curta cedeu de leve (jan/27 a 13,89%, −0,5 bps; jan/28 a 13,845%, −1,0 bps) enquanto a longa subiu com força (jan/39 a 14,345%, +13,0 bps; jan/35 a 14,335%, +6,0 bps). É empinamento clássico de prêmio de risco fiscal e inflacionário — e ele tem endereço: às 15:28 a projeção oficial de inflação do governo subiu para 5,1%, com estouro da meta, convergindo para onde as expectativas de mercado já estavam.

Vale notar o contraste de leituras. O Focus de 10/07 foi na direção oposta e revisou o IPCA de 5,30% para 5,1625% (−0,14 pp), com Selic mantida em 14,00%, câmbio em 5,20 e PIB em 1,99%. A Selic segue em 14,25% desde 18/06, quando o Copom cortou 25 bps em decisão unânime de 7 a 0, sem viés explícito e explicitamente data-dependent. Hoje a ponta curta carrega pouco mais de um corte de 25 bps até o início de 2027 (jan/27 a 13,89% contra CDI de 14,15%) — mas a ponta longa passou o dia dizendo que o problema não é a Selic.

Na comparação internacional, o Tesouro BR de 10 anos está em 14,47% e o Treasury de 10 anos em 4,549% (−0,92% no dia) — um spread de ~9,9 pp. A inclinação 2a–10a brasileira (+0,55 pp) segue mais aberta que a americana (+0,40 pp).

Opções — a proteção esvaziou

1,09
Put/Call por volume

Percentil 63 em 129 pregões

0,94
Put/Call por posições em aberto

Percentil 54

O put/call por volume fechou em 1,09 (R$ 748,3 mi em puts contra R$ 686,6 mi em calls) — tecnicamente ainda mais put que call, mas o movimento das últimas semanas é o que importa: o indicador vinha de 2,76 em 01/07 e de 3,20 em 17/06, e desmontou para pouco acima de 1,00. A demanda por proteção que dominou o fim de junho simplesmente evaporou, o que casa com o VIX a 15,67. Por posição em aberto, o quadro é neutro há semanas (0,94, percentil 54).

Na atividade fora da curva, chamam atenção FLRY3 (giro 8,2× a média de 21 dias, put/call 1,98), ITUB3 (4,5×, só call) e CPLE3 (3,5×, put/call 12,9 — quase só put). No aluguel de ações, referente ao pregão de 14/07, a posição de ISAE4 saltou 158,9% em 21 pregões — o short foi montado antes do anúncio da oferta. BBDC3 (+235,2%) e CXSE3 (+153,1%) também tiveram forte tomada no período.

6. Internacional & câmbio

AtivoNívelVar %Sessão
S&P 5007.570,86+0,36%fechou hoje
Dow Jones52.658,64+0,29%fechou hoje
Nasdaq 10029.502,60−0,28%fechou hoje
VIX15,67−5,03%fechou hoje
CAC 408.381,00+0,53%fechou hoje
FTSE 10010.489,45−0,04%fechou hoje
DAX24.999,53−0,59%fechou hoje
Nikkei 22567.605,00−0,80%fechou hoje
CSI 3004.786,78−0,20%fechou hoje
ASX 2008.848,60+0,04%fechou hoje
RTS (Rússia)851,69−3,35%fechou hoje
Treasury 10 anos4,549%−0,92%fechou hoje

Sessão sem drama nos mercados desenvolvidos: EUA em alta com o S&P e o Dow, mas com o Nasdaq 100 na contramão (−0,28%) — rotação para fora de tecnologia, não risk-off. A Europa fechou dividida e a Ásia, levemente negativa. O Treasury de 10 anos cedeu para 4,549%, ajudado pela fala do presidente do Fed de Nova York às 11:25, de que forward guidance não é apropriado neste momento.

ADRs brasileiros (fecharam hoje)

GGB (Gerdau)
+3,49%
AZUL
+2,60%
UGP (Ultrapar)
+2,27%
EMBJ (Embraer)
+1,97%
SID (CSN)
+0,56%
CIG (Cemig)
−0,69%
SBS (Sabesp)
−0,75%
ITUB (Itaú)
−1,11%
TIMB (TIM)
−1,63%
ABEV (Ambev)
−1,71%
AXIA
−2,15%
BAK (Braskem)
−5,06%

Os ADRs replicaram fielmente o pregão local — Gerdau e Ultrapar no topo, Axia e Braskem no fundo —, o que confirma que o movimento do dia foi lido como brasileiro e setorial, e não como reflexo de fluxo global. Os recibos de PBR e VALE não entraram no board ao vivo desta edição; a série de fechamento consolidada para eles vai até 14/07 e foi deixada de fora para não misturar sessões.

Câmbio — o dólar cedeu contra quase tudo

ParCotaçãoVar % do dólarLeitura
USD/BRL (PTAX)5,0727−0,03%real de lado
USD/COP3.226,39−0,91%peso colombiano forte
USD/ZAR16,3150−0,37%rand forte
USD/MXN17,3854−0,24%peso mexicano forte
USD/CNH6,7687−0,15%yuan forte
USD/CLP925,50−0,10%peso chileno forte
USD/TRY47,0379+0,01%lira de lado
USD/INR96,5302+0,39%rúpia fraca
EUR/USD1,1466+0,39%euro forte
GBP/USD1,3536+1,08%libra forte

Dia de dólar fraco no mundo — libra (+1,08%) e euro (+0,39%) lideraram, e os emergentes latinos acompanharam. O real foi o que menos aproveitou, praticamente parado em 5,0727, ficando atrás de peso colombiano, rand, peso mexicano e peso chileno. Com a projeção oficial de inflação subindo e a ponta longa da curva abrindo no mesmo dia, o prêmio doméstico anulou o vento favorável externo.

7. Commodities

WTI
+1,13% · US$ 80,24
Níquel
+0,58% · US$ 16.840
Ouro
+0,19% · US$ 4.060,55
Minério de ferro
0,00% · US$ 759,50
Prata
−0,01% · US$ 57,79
Cobre
−0,09% · US$ 13.584
Brent
−0,58% · US$ 85,12

A leitura mais interessante do quadro de commodities é o que não aconteceu. Num dia em que os EUA iniciaram ataques ao Irã e se noticiou discussão sobre tomar o principal terminal de exportação de petróleo iraniano, o Brent caiu 0,58% e o WTI subiu apenas 1,13%, com o spread entre os dois se fechando. O petróleo já carrega prêmio geopolítico há semanas (Brent em US$ 85) e o mercado tratou a escalada como ruído — o que também tirou pressão de PETR4, que fechou de lado (−0,25%).

Para a B3, o que importou foi o complexo metálico: níquel +0,58% e minério estável em US$ 759,50 deram o suporte que sustentou VALE3 (+0,84%), GGBR4 (+3,73%), GOAU4 (+2,93%) e CMIN3 — o único bloco que segurou o índice. O ouro em US$ 4.060,55, praticamente parado, reforça a leitura de que não houve corrida para defensivos.

8. Fatos & notícias que moveram o dia

Engie Brasil (EGIE3) — 08:21

Follow-on de R$ 8,36 bi: 274 milhões de ações a R$ 30,50, para a incorporação de Jirau. A ação caiu 5,79% e fechou a R$ 30,40abaixo do preço da própria oferta. Giro 5,1× a média, com BTG comprando e Morgan vendendo bem acima do normal.

ISA Energia (ISAE4) — 10:04

Oferta primária de 22,2 milhões de ações preferenciais, com precificação marcada para 23 de julho. Caiu 4,96%, girou R$ 224,2 mi (3,0× a média) e tirou 44,0 pts do índice. A posição de aluguel do papel já havia subido 158,9% em 21 pregões.

Ânima (ANIM3) — 11:21

Desabou 33,10% após o acordo para comprar a FMU, com corte de recomendação por casa grande. Foi a maior queda e o maior descolamento de volume do pregão (14,6× a média, R$ 181,3 mi).

Paranapanema (PMAM3) — 18:11

Fato relevante com proposta vinculante de investimento de US$ 40 milhões, protocolado após o fechamento. A ação já havia subido 17,86% durante o pregão, com amplitude de 42,4%.

Multiplan (MULT3) — 18:02

Squadra Investimentos aumentou a participação para 5,01%, cruzando o limite de comunicação obrigatória.

MRV (MRVE3) — 12:34

Memorando com a JiveMauá Real Estate para estruturar a venda de três ativos da Luggo por R$ 166 milhões. A posição em aberto no termo de MRVE saltou 117,1%.

Nos comunicados à CVM, o dia foi dominado por rotina — Iguatemi (IGTI) publicou avisos de pagamento de dividendos/JSCP e recompra de ações, a Copel emitiu quatro avisos de pagamento de juros de debêntures e um bloco de BDRs (Medtronic, Altria, NetApp, Phillips 66, entre outros) comunicou mudança de paridade e desdobramento. Fatos relevantes de fato foram dois: o da Paranapanema e o da Monark (BMKS), sobre migração para o regime FACIL e registro de companhia de menor porte.

No noticiário macro doméstico, além da revisão da projeção oficial de inflação para 5,1%, a Câmara aprovou créditos extras para defesa civil e meio ambiente, dívidas rurais passarão a ser reguladas por medida provisória e a Fazenda sinalizou endurecimento das restrições a sites de apostas.

9. Fechamento & radar

O que importou hoje

  • O índice não caiu — o elétrico caiu. AXIA3 tirou 343 dos 636 pts perdidos, e o setor todo, 526 pts. Duas emissões de ações anunciadas no mesmo dia (Engie, R$ 8,36 bi, e ISA Energia, 22,2 mi de PN) reprecificaram o setor inteiro; EGIE3 fechou abaixo do preço da própria oferta. IEEX −2,02%, UTIL −1,89%.
  • A dispersão foi a notícia. 3,52 pp separaram materiais básicos (+1,50%) de energia elétrica (−2,02%) num dia de −0,36% no índice. Mineração e siderurgia somaram +241 pts e quase compensaram sozinhas o buraco. Não foi aversão a risco: foi rotação forçada.
  • O risco geopolítico foi ignorado e o fiscal, não. Ataques dos EUA ao Irã não moveram o petróleo (Brent −0,58%) nem o VIX (−5,03%). Já a projeção oficial de inflação em 5,1% com estouro da meta veio junto com a abertura da ponta longa da curva (jan/39 +13 bps) e com o real ficando para trás de todos os pares emergentes.

Radar para 16/07 (quinta-feira)

Hora (BRT)PaísEventoProjeçãoAnterior
09:00BRVendas no Varejo (mai) — mensal−1,5%
09:00BRVendas no Varejo (mai) — anual+1,0%
09:30EUAVendas no Varejo (jun) — mensal+0,3%+0,9%
09:30EUANúcleo de Vendas no Varejo (jun)−0,1%+0,8%
09:30EUAPedidos iniciais de seguro-desemprego215 mil215 mil
09:30EUAFed Filadélfia — atividade industrial (jul)12,110,3
11:00EUAVendas pendentes de moradias (jun)−0,3%+3,8%
12:30EUAGDPNow do Fed de Atlanta (2ºT)1,3%1,3%
13:30EUADiscurso de Logan (Fed)
14:25EUADiscurso de Schmid (Fed)
20:00EUADiscurso de Jefferson (governador do Fed)

O varejo brasileiro de maio abre o dia às 09:00, vindo de uma contração de 1,5% na leitura anterior. Em seguida, às 09:30, três indicadores americanos de alta relevância saem juntos — varejo, seguro-desemprego e Fed da Filadélfia —, com o núcleo do varejo projetado em −0,1% contra +0,8% anteriores, uma desaceleração forte se confirmada. Três dirigentes do Fed falam ao longo do dia.

Agenda corporativa

DataEmpresaEvento
16/07Alliança Saúde (AALR)Resultado anual + proposta e edital da AGO
17/07Cemig (CMIG) e Sanepar (SAPR)Informe de governança corporativa
17/07BrasilIGP-10 (08:00) e IBC-Br de maio (09:00)
21/07Neoenergia (NEOE)Resultados do 2º trimestre
22/07WEG (WEGE3)Resultados do 2º trimestre
23/07ISA Energia (ISAE4)Precificação da oferta primária
23/07Axia Energia (AXIA)Informe de governança corporativa
23/07CSN Mineração (CMIN3)Informe de governança corporativa

A semana ganha corpo a partir do dia 21, com Neoenergia e WEG abrindo a temporada do 2º trimestre. E o dia 23/07 é o que fecha o arco deste pregão: é quando a oferta da ISA Energia será precificada — o desfecho do evento que, junto com a Engie, derrubou o índice hoje.

Frescor desta edição: mercado, movimentos, atribuição do índice, fluxo de corretoras, futuros, curva DI e opções são do pregão de 15/07. O saldo por categoria de investidor (estrangeiro, institucional, pessoa física) está consolidado até 13/07 e o aluguel de ações até 14/07. Os recibos de PBR e VALE ficaram fora do board internacional por não terem fechamento consolidado de hoje.