Fechamento de Mercado — 14/07/2026

Ibovespa +0,51% (176.641 pts) puxado quase só pela Vale; dólar cai a R$ 5,07 após CPI fraco nos EUA e Merrill despeja R$ 287 mi em Ultrapar.

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Fechamento

Fechamento de Mercado — 14/07/2026

13/07/2026

O Ibovespa fechou esta terça-feira (14/07) em leve alta de +0,51%, aos 176.641 pontos (+902 pts no dia), mas o número redondo esconde um pregão de baixa convicção: o índice abriu no piso (que coincidiu com o fechamento de ontem), chegou a subir +0,84% na máxima (177.223) e devolveu parte do fôlego na reta final. O combustível veio de fora — o CPI de junho nos EUA veio bem abaixo do esperado (cheio a 3,5% ante 3,8%; núcleo mensal em 0,0%), esfriando apostas de aperto do Fed, derrubando o dólar e os DIs no Brasil e destravando um humor de risco lá fora. Na bolsa local, porém, a alta foi quase inteiramente obra de uma ação: a Vale.

Ibovespa
176.641
+0,51% · +902 pts
USD/BRL
R$ 5,07
−0,86%
DI Jan/27
13,90%
−6 bps
S&P 500
7.542
+0,35% · fechou hoje
Nasdaq 100
29.586
+1,10% · fechou hoje
VIX
16,5
−3,85%
Minério (Dalian)
759,5
+0,80%
Petróleo WTI
US$ 79,8
+2,20%

1. Como o dia se desenhou

Foi um pregão de dispersão baixa e giro concentrado. O real liderou o alívio: o dólar recuou −0,86%, para R$ 5,0742, acompanhando a fraqueza global da moeda americana (EUR/USD +0,37%) e a leitura benigna de inflação nos EUA. A curva de DI cedeu em bloco — o miolo caiu de 15 a 22 bps —, sinal de que o mercado local importou o alívio de juros de fora. Nos índices amplos, o avanço foi disseminado mas modesto: IBrX 50 e IBrX 100 acompanharam o Ibovespa (+0,51% a +0,54%) e o Small Cap subiu +0,73%. A liderança setorial ficou com Consumo (+0,98%), Imobiliário e Elétricas, enquanto Materiais Básicos (+0,14%) e Industrial (+0,10%) ficaram para trás — a despeito de a Vale, sozinha, ter carregado o índice. USD e DI no fechamento reforçam o mesmo recado: dia de alívio importado, com a bolsa mais reagindo ao lá-fora do que a um driver doméstico próprio.

2. Destaques da bolsa

Nas pontas, o tema dominante foi de casos específicos mais que de tendência de mercado. Entre as altas, a Oncoclínicas (ONCO3, +25%) disparou depois de aprovar pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 5,1 bi em dívidas — com a IG4 negociando entrada no capital —, mas é papel de R$ 0,95 e giro pequeno; a Paranapanema (PMAM3, +16,7%) é penny em recuperação judicial que divulgou o 1T26. Com liquidez de verdade, destacaram-se CVC (+10,4%), Hapvida (+6,3%, R$ 60 mi), Brava Energia (BRAV3, +6,3%, R$ 195 mi) e Vamos (+5,0%). Do lado das quedas, a CSN Mineração (CMIN3, −6,4%) foi o oposto da controladora Vale — pressionada por salto na taxa de aluguel —, seguida de Raízen (−6,1%), Pão de Açúcar (−5,8%) e as construtoras Gafisa e EZTec.

Maiores altas

ONCO3 · rec. extrajud.
+25,0%
PMAM3 · penny
+16,7%
CVCB3
+10,4%
HAPV3
+6,3%
BRAV3
+6,3%
VAMO3
+5,0%
FRAS3
+4,1%

Maiores baixas

CMIN3
−6,4%
RAIZ4
−6,1%
PCAR3
−5,8%
GFSA3
−3,5%
TRIS3
−3,0%
EZTC3
−2,3%
UGPA3
−2,2%

No volume financeiro, o pregão teve um nome acima de todos: Ultrapar (UGPA3) girou R$ 1,84 bi — mais que Petrobras (R$ 1,33 bi) e Vale (R$ 1,09 bi) —, com AVAT de 9,98× a média (quase dez vezes o normal). É um giro atípico que não combina com a queda contida de −2,2%: sinal de troca de mãos em bloco, não de fluxo orgânico. Logo atrás em volume relativo apareceram Frasle (AVAT 3,49×), Gafisa (3,17×), EZTec (2,41×) e Equatorial (1,90×).

AtivoVolumeVar %AVAT
UGPA3R$ 1,84 bi−2,2%9,98×
PETR4R$ 1,33 bi−0,2%0,76×
VALE3R$ 1,09 bi+1,5%0,81×
BBDC4R$ 989 mi−1,0%1,77×
BPAC11R$ 725 mi+1,1%1,24×
ITUB4R$ 671 mi0,0%0,53×
EQTL3R$ 636 mi+1,6%1,90×
A distorção do dia — Ultrapar. O giro anômalo de UGPA3 tem dono: a Merrill vendeu 45,5 milhões de ações — 38,6× o seu volume mediano no papel — despejando −R$ 287 mi líquidos, contra a UBS na ponta compradora (+R$ 90 mi, ~4× o normal). É uma distribuição em bloco de um único vendedor institucional, não uma reprecificação de fundamento — a ação absorveu o fluxo caindo apenas −2,2%. UGPA3 foi, também, o maior peso negativo do Ibovespa no dia (−63 pts).

3. Setorial & atribuição do índice

O tabuleiro setorial fechou todo no verde, porém em tom pastel: nenhum setor amplo passou de +1%. Consumo (ICON +0,98%) puxou, à frente de Imobiliário (+0,69%), Energia Elétrica (+0,58%), Utilidade Pública (+0,57%) e Financeiro (+0,55%). Materiais Básicos (+0,14%) e Industrial (+0,10%) ficaram na lanterna — um paradoxo aparente, já que a mineração foi justamente quem sustentou os pontos do índice (o índice setorial é média simples; o Ibovespa é ponderado, e o peso da Vale distorce a favor).

Consumo+0,98%
Small Caps+0,73%
Imobiliário+0,69%
Energia Elétrica+0,58%
Utilidade Púb.+0,57%
Financeiro+0,55%
Dividendos+0,44%
Materiais Básicos+0,14%
Industrial+0,10%

A atribuição em pontos deixa a dependência explícita: a Vale (VALE3, +1,59%) somou +295 pts sozinha — mais que a soma dos oito nomes seguintes. Sem ela, o Ibovespa teria fechado praticamente de lado. B3, Banco do Brasil, Equatorial, Vibra e Gerdau completaram o lado positivo. Do outro lado, Ultrapar (−63 pts, a distribuição da Merrill), Bradesco PN (−51 pts), CSN Mineração (−42 pts) e Petrobras ON (−37 pts) drenaram pontos e explicam por que a alta ficou contida.

Empurraram o índice (pts)

VALE3
+295,4 pts
B3SA3
+75,6 pts
BBAS3
+71,6 pts
EQTL3
+66,5 pts
VBBR3
+46,4 pts
GGBR4
+45,3 pts
ITUB4
+40,0 pts

Derrubaram o índice (pts)

UGPA3
−63,1 pts
BBDC4
−51,4 pts
CMIN3
−41,5 pts
PETR3
−37,1 pts
EMBJ3
−26,7 pts
WEGE3
−20,3 pts
TOTS3
−19,2 pts

4. Fluxo — quem moveu o dinheiro

A leitura de tape do dia foi um duelo entre bancos estrangeiros. Na cesta do Ibovespa, o Citigroup liderou as compras (+R$ 540 mi líquidos), comprando Vale, Bradesco PN, Itaú, Petrobras ON e Prio; do lado oposto, a Merrill dominou as vendas (−R$ 548 mi) — puxadas justamente pela distribuição em Ultrapar. Como essas corretoras são executoras de fluxo de cliente, o lado oscila muito dia a dia; ainda assim, o placar de hoje foi de gringo comprando de gringo, com a casa doméstica BTG (−R$ 92 mi) e a XP (−R$ 88 mi) também na ponta vendedora.

Citigroup
+R$ 540 mi
UBS
+R$ 147 mi
JP Morgan
+R$ 82 mi
BGC
+R$ 78 mi
Morgan Stanley
+R$ 76 mi
Terra
−R$ 61 mi
Goldman
−R$ 74 mi
XP
−R$ 88 mi
BTG
−R$ 92 mi
Merrill
−R$ 548 mi

No fluxo por categoria — cujo último dado consolidado pela B3 é de 10/07 (o pós-fechamento de hoje ainda não fecha) —, o estrangeiro entrou com +R$ 1,52 bi naquele pregão, contra saída do institucional local (−R$ 841 mi) e da pessoa física (−R$ 641 mi). O padrão do mês reforça o retrato: no acumulado de julho (até 10/07) o gringo é comprador líquido de +R$ 1,31 bi, enquanto o institucional doméstico é o grande vendedor, com −R$ 2,52 bi.

Estrangeiro
+R$ 1,52 bi
Inst. financeiras
−R$ 28,8 mi
Outros
−R$ 10,9 mi
Pessoa física
−R$ 640,9 mi
Institucional local
−R$ 840,8 mi

Saldo líquido por participante — pregão de 10/07 (último consolidado). No mês (até 10/07): estrangeiro +R$ 1,31 bi · institucional −R$ 2,52 bi · PF +R$ 149 mi.

5. Futuros & derivativos

No mini-Ibovespa (WINQ26, que fechou perto de 178.200 pts, +0,45%), a fotografia de posições ao vivo mostra o JP Morgan como o grande comprado líquido — +31.881 contratos, com preço médio ~178.155 e P&L aberto positivo de +R$ 829 mil. Do lado vendido, a XP aparece com −16.947 contratos (P&L −R$ 337 mil) e a Genial com −9.338 (ganhando +R$ 1,73 mi por estar vendida de um preço mais alto). No mini-dólar (WDOQ26, 5.096, −1,24% no dia), a XP puxou o lado comprado (+42.794 contratos, perdendo R$ 450 mil com a queda da moeda), contra Renascença e Terra vendidas.

WIN — saldoNet (ctr)Preço médioP&L aberto
JP Morgan+31.881178.155+R$ 828,9 mil
LEV+8.620178.257+R$ 48,2 mil
Ágora+8.479178.633−R$ 590,0 mil
Genial−9.338179.214+R$ 1,73 mi
Goldman−10.439178.288+R$ 7,2 mil
XP−16.947178.186−R$ 336,7 mil

A curva de juros recuou em toda a extensão, importando o alívio do CPI americano: o vértice curto (Jan/27) foi a 13,90% e o miolo/longo, para a casa dos 14,28%. Com a Selic meta em 14,25% e a mediana Focus em 14,00% para o fim do ciclo, o mercado segue precificando um afrouxamento gradual à frente.

1414
Curva DI · fechamento 14/07% a.a. · vértice DI (Jan)

Em opções, o Put/Call ratio por volume fechou em 1,13 (percentil 64) — ou seja, um leve predomínio de puts, mas muito longe do pânico defensivo do fim de junho (quando o PCR beirou 3,0). A demanda por proteção vem caindo à medida que a bolsa se recompôs; por posição em aberto o PCR é 0,94 (mais call que put). A atividade anômala do dia concentrou-se em Fleury (13,2× a média), Itaú ON, Copel e Lojas Quero-Quero; na montagem de OI, houve forte abertura de calls em Gerdau (+82%), Vibra (+38%) e Santander (+38%). No aluguel (dado de 13/07), a taxa de BRAV3 saltou +2.363 bps e a de CMIN3 +1.138 bps — pressão de tomadores que ajuda a explicar o tombo de −6,4% da CSN Mineração.

1,13
Put/Call · volume

percentil 64 — proteção moderada

0,94
Put/Call · posição aberta

mais call que put

6. Internacional & câmbio

O gatilho externo do dia foi o CPI de junho nos EUA: cheio a 3,5% (ante 3,8% esperado e 4,2% anterior) e núcleo mensal em 0,0%, uma surpresa desinflacionária que reduziu apostas de novo aperto do Fed e derrubou a Treasury de 10 anos a 4,59% (−0,7%). O resultado foi risco ligado: em Nova York (sessão já encerrada), o Nasdaq 100 subiu +1,10% e o S&P 500 +0,35%, com o VIX cedendo a 16,5. Ásia fechou forte (CSI 300 +2,15%, Nikkei +1,68%) e a Europa ficou de lado. Os ADRs brasileiros acompanharam o bom humor — Vale +2,86%, Tim +3,79%, Vivo +3,36%, Itaú +2,02% —, com a exceção de Ultrapar (−1,0%), coerente com a distribuição na B3.

Praça / índiceVar %Sessão
S&P 500+0,35%fechou hoje
Nasdaq 100+1,10%fechou hoje
Dow Jones+0,02%fechou hoje
VIX−3,85%fechou hoje
Nikkei 225+1,68%fechou hoje
CSI 300 (China)+2,15%fechou hoje
DAX+0,13%fechou hoje
CAC 40+0,28%fechou hoje
FTSE 100−0,07%fechou hoje

No câmbio, foi um dia de dólar fraco no mundo — e o real surfou junto. A moeda americana cedeu contra praticamente todos os pares emergentes: peso mexicano (−0,63%), rand sul-africano (−0,70%), peso chileno (−0,58%) e yuan (−0,19%) se valorizaram, na mesma direção do real (USD/BRL −0,86%). Ficaram na contramão o peso colombiano (+0,65%) e a rúpia indiana (+0,53%). O bitcoin subiu +3,7%, mais um termômetro do apetite por risco.

ADRs Brasil (NY, hoje)Var %
Tim (TIMB)+3,79%
Vivo (VIV)+3,36%
Vale (VALE)+2,86%
Nubank (NU)+2,18%
Itaú (ITUB)+2,02%
Gerdau (GGB)+2,00%
Ultrapar (UGP)−1,00%
Azul (AZUL)−1,71%

7. Commodities

O complexo de metais deu suporte à tese da mineração doméstica: minério de ferro +0,80% (Dalian) e cobre +0,86% ajudaram Vale e Gerdau, que puxaram o índice; o níquel ficou de lado. O ouro subiu +1,26%, a US$ 4.053 — um bid defensivo que convive com o dia de risco ligado, ajudado pela fraqueza do dólar. No petróleo, o WTI avançou +2,2% (US$ 79,8) e o Brent oscilou perto da estabilidade na casa dos US$ 85; a alta do barril, porém, não se traduziu na Petrobras (PETR3 −0,5%), num dia em que o noticiário de combustíveis — aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% e barreira à importação de biodiesel — pesou sobre o setor.

CommodityPreçoVar %Leitura p/ B3
Minério (Dalian)759,5+0,80%Vale, CSN
CobreUS$ 13.596+0,86%Vale, mineração
NíquelUS$ 16.743−0,03%neutro
OuroUS$ 4.053+1,26%defensivo
PrataUS$ 58,70+1,80%
WTIUS$ 79,84+2,20%Petrobras, Prio
BrentUS$ 85,10−0,37%Petrobras

8. Fatos & notícias que moveram o dia

Fatos e comunicados (CVM)

  • Ânima (ANIM) — fato relevante: aquisição da FMU por R$ 410 mi, com apresentação ao mercado.
  • ISA Energia (ISAE) — conselho aprova 23ª emissão de debêntures de R$ 1,5 bi.
  • Camil (CAML) — apresentação de resultados do 1T26 e reestruturação de comitês/diretoria.
  • Cemig (CMIG) — UBS reduz participação em derivativos de PN para 0,03%.
  • Helbor (HBOR) — Caixa Asset comunica participação acionária relevante.
  • Marfrig (MBRF) — novo plano de remuneração baseado em ações; Méliuz (CASH), aumento de capital.

Manchetes do pregão

  • EUA: CPI de junho abaixo do esperado (3,5%) reduz apostas de aperto do Fed — dólar e DIs caem no Brasil (13:22).
  • Combustíveis: CNPE eleva mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% por 180 dias e barra biodiesel importado (11:04–17:00).
  • Oncoclínicas (ONCO): recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bi; IG4 negocia entrada — ação +25% (09:01).
  • Energia: CNPE reconhece interesse público na suspensão das dívidas de Angra 3 (17:09).
  • Comércio exterior: Brasil seria o 2º país com maiores tarifas dos EUA caso Trump confirme tarifaço até quarta (15) (16:00).

9. Fechamento & radar para amanhã

O que importou hoje:
  • Um pregão de alívio importado — CPI fraco nos EUA derrubou dólar (−0,86%, R$ 5,07) e DIs, e ligou o risco global; a bolsa subiu na carona, sem driver doméstico próprio.
  • A alta de +0,51% foi quase toda da Vale (+295 pts): tirando a mineradora, o índice teria ficado de lado, com bancos, Petrobras e Ultrapar drenando pontos.
  • A distorção de fluxo em Ultrapar (Merrill −R$ 287 mi, giro de R$ 1,84 bi / AVAT ~10×) foi o evento técnico do dia, sem fato relevante que a justifique.

O radar de amanhã (15/07) tem inflação de novo no centro: sai o PPI de junho nos EUA (o próximo teste após o CPI benigno), além do Empire State e do Livro Bege do Fed. No Brasil, o dado de Serviços de maio abre a manhã, e o Fluxo Cambial da B3 à tarde. Fora da agenda, o mercado monitora a possível confirmação de tarifas de Trump sobre o Brasil — prometida "até quarta-feira" — como o principal risco de curto prazo.

Horário (BRT)EventoRelevância
09:00BR — Crescimento do setor de Serviços (mai)Alta
09:30EUA — PPI de junhoAlta
09:30EUA — Empire State (jul)Média
09:45EUA — Discurso de Williams (FOMC)Média
14:30BR — Fluxo Cambial EstrangeiroMédia
15:00EUA — Livro Bege do FedMédia
Decisão de tarifas de Trump sobre o Brasil (até 15/07)Radar

Agenda corporativa à frente: resultados de Camil (APUB 1T26), Aliança Saúde (DFP) e Romi nos próximos dias; Neoenergia (21/07) e WEG (2T26, 22/07) na sequência. Petrobras paga provento a debenturistas (R$ 30,48) em 15/07.