Fechamento de Mercado — 13/07/2026

Ibovespa cai 1,2% aos 175.739 pontos com salto do petróleo (Brent +9%) e disparada dos juros; Vale, bancos e utilities pesam, Petrobras e PRIO sobem.

Assessoria NomosRelatórios exclusivos todos os dias para nossos clientes Falar com assessor
Fechamento

Fechamento de Mercado — 13/07/2026

12/07/2026

O petróleo mandou no pregão desta segunda-feira. Com a escalada militar no Golfo Pérsico e o temor de fechamento do Estreito de Ormuz, o Brent saltou +9,2% (US$ 82,97) e o WTI +8,9%, empurrando o mundo para o modo aversão a risco: juros globais dispararam, o VIX subiu quase 16% e o mercado passou a precificar cerca de 50% de chance de alta de juros do Fed ainda neste mês. Em São Paulo, nem Petrobras e PRIO surfando o petróleo seguraram o índice: o Ibovespa recuou 1,20%, aos 175.739 pontos (−2.127 pts).

Ibovespa
175.739
−1,20% · −2.127 pts
USD/BRL
R$ 5,12
+0,2%
DI jan/27
13,96%
belly +20 bps
S&P 500
7.512
−0,83% · fechou hoje
Brent
US$ 82,97
+9,2%
Minério de ferro
+0,5%
estável
VIX
17,4
+15,8%

Resumo do dia

O tabuleiro foi o de um choque de oferta de energia: ganhou quem produz petróleo, perdeu quem sofre com juro mais alto. A curva de juros DI subiu cerca de 20 bps num único dia, e os setores mais sensíveis a juros foram os mais castigados — imobiliário (−2,5%), elétricas/utilities (−2,4%) e small caps (−1,8%). Vale (−2,2%), Itaú (−2,1%) e WEG (−4,7%) lideraram a pressão sobre o índice, enquanto o bloco de óleo & gás puxava na direção oposta. O giro se concentrou nos pesos-pesados: PETR4 girou R$ 1,75 bi e VALE3, R$ 1,19 bi.

O real aguentou melhor que os pares emergentes: o dólar fechou perto de R$ 5,12 (+0,2%), com o dólar futuro ao redor de 5.160, enquanto peso mexicano, rand sul-africano e rúpia indiana cederam bem mais — o Brasil, agora exportador líquido de petróleo, colhe algum alívio do choque que penaliza importadores.

Destaques da bolsa

Entre as grandes, o petróleo dominou as pontas de alta; do lado da queda, o retrato foi de construtoras e varejo — os nomes mais alavancados a juro — apanhando forte.

Maiores altas (líquidas)

BRKM5
+4,68%
HBOR3
+4,46%
CMIN3
+4,21%
HBRE3
+3,91%
PETR3
+3,35%
PRIO3
+3,16%
PETR4
+2,65%

Maiores baixas

GFSA3
−7,94%
AMER3
−6,83%
BHIA3
−6,31%
MTRE3
−6,31%
RAIZ4
−5,71%
MRVE3
−5,59%
LJQQ3
−5,56%
PCAR3
−5,49%

Nas microcaps de serviços de petróleo houve euforia à parte — AZTE3 (+23,9%), AZEV3 (+15,1%) e AZEV4 (+5,8%) dispararam no embalo do Brent, mas com giro pequeno (R$ 1,4–6 mi), leitura de baixa liquidez. Entre os líquidos, CMIN3 (+4,2%) e Braskem (+4,7%) foram os destaques fora do óleo puro.

Maiores volumes financeiros

PETR4
R$ 1,75 bi
VALE3
R$ 1,19 bi
ITUB4
R$ 776 mi
PRIO3
R$ 529 mi
PETR3
R$ 514 mi
ABEV3
R$ 494 mi
BPAC11
R$ 480 mi
WEGE3
R$ 456 mi

Volume relativo (AVAT) — giro muito acima da média

AtivoAVATVar%Volume
ONCO35,08×0,00%R$ 32,3 mi
MTRE34,58×−6,31%R$ 8,9 mi
GFSA33,39×−7,94%R$ 3,2 mi
CMIN32,68×+4,21%R$ 131,4 mi
GGPS32,26×+1,56%R$ 107,2 mi

O AVAT confirma para onde correu o dinheiro nervoso: CMIN3 e GGPS3 giraram acima de 2× a média com preço subindo (fluxo comprador em mineração/logística), enquanto MTRE3 e GFSA3 uniram volume anômalo à forte queda — distribuição em construtoras.

Setorial & atribuição do índice

Todos os grandes setores fecharam no vermelho — a diferença foi de grau. Materiais Básicos quase escapou (−0,4%), amparado pelas mineradoras de minério (CMIN3, CSNA3) que subiram apesar da Vale; no outro extremo, imobiliário e energia elétrica levaram a pior com o salto dos juros.

Mat. Básicos−0,42%
Dividendos−1,13%
Financeiro−1,47%
Consumo−1,49%
Industrial−1,58%
Small Caps−1,79%
Utilidades−2,42%
Energia Elétrica−2,42%
Imobiliário−2,50%

Na conta ponto a ponto de quem moveu o Ibovespa hoje, o petróleo somou perto de +660 pts (PETR4, PETR3 e PRIO3), mas foi soterrado por Vale, o bloco bancário (ITUB4, ITSA4, BPAC11, BBAS3, B3SA3) e as elétricas (AXIA3, SBSP3, ENEV3, CPLE3), além de WEG.

PETR4
+321 pts
PETR3
+245 pts
PRIO3
+95 pts
CMIN3
+26 pts
UGPA3
+17 pts
ITSA4
−150 pts
SBSP3
−153 pts
WEGE3
−227 pts
AXIA3
−256 pts
ITUB4
−284 pts
VALE3
−339 pts

Fluxo

No book ao vivo do Ibovespa, as casas estrangeiras se dividiram, mas o peso da venda ficou com elas: Citigroup (−R$ 240 mi), Goldman (−R$ 196 mi), UBS (−R$ 140 mi) e JP Morgan (−R$ 117 mi) na ponta vendedora, contra Morgan Stanley (+R$ 176 mi) e Merrill (+R$ 154 mi) comprando. Entre os nacionais, XP e Santander apareceram do lado comprador; o Itaú, vendedor.

Morgan Stanley
+R$ 176 mi
XP
+R$ 160 mi
Santander
+R$ 159 mi
Merrill
+R$ 154 mi
BGC
+R$ 110 mi
JP Morgan
−R$ 117 mi
UBS
−R$ 140 mi
Itaú
−R$ 158 mi
Goldman
−R$ 196 mi
Citigroup
−R$ 240 mi

No saldo consolidado por participante — cuja última leitura fechada é de 09/07 (a B3 ainda não publicou 10 e 13/07) —, o mês de julho segue com o estrangeiro no vermelho (−R$ 213 mi acumulados) e os institucionais bem negativos (−R$ 1,68 bi), na contramão da pessoa física, que segue comprando (+R$ 790 mi).

Pessoa física
+R$ 790 mi
Inst. financeiras
+R$ 579 mi
Outros
+R$ 522 mi
Estrangeiro
−R$ 213 mi
Institucionais
−R$ 1,68 bi

Saldo líquido por categoria, acumulado de julho até 09/07 — última consolidação disponível.

Futuros, juros & derivativos

Nos minis, o fluxo do dia (contado pelo lado das corretoras, líquido de compras e vendas) teve a Ágora como maior vendedora líquida do WINQ26 (−80.389 ctr) e a Ideal do outro lado (+46.357 ctr); no mini-dólar, o JP Morgan liderou a compra líquida (+48.534 ctr) contra a Necton vendida (−42.974 ctr). São posições de execução de fluxo, não teses da casa.

Saldo líquido — mini-índice (WIN)

Ideal
+46.357 ctr
XP
+37.201 ctr
BTG
+15.263 ctr
Goldman
−38.361 ctr
Ágora
−80.389 ctr

Saldo líquido — mini-dólar (WDO)

JP Morgan
+48.534 ctr
Morgan
+20.573 ctr
Terra
+12.957 ctr
BTG
−19.941 ctr
Necton
−42.974 ctr

Curva de juros DI — deslocamento do dia

O grande recado do pregão veio da renda fixa: a curva inteira subiu de forma quase paralela, com a barriga (2027–2029) puxando +21 a +25 bps. É a tradução direta do medo de inflação via petróleo — e do repique dos juros lá fora, com o Treasury de 10 anos batendo 4,63%.

1414
Hoje 13/07Sexta 10/07% a.a. · vértice DI1 (jan)

No pano de fundo doméstico, a Selic está em 14,25% (terceiro corte seguido do "ciclo de calibração", sem viés explícito e totalmente dependente de dados), e o Focus divulgado hoje trouxe a mediana de IPCA de 2026 recuando para 5,16%, com a Selic projetada em 14,00% no fim do ano. Nos EUA, o Fed segue em 3,50%–3,75%, mas o choque do petróleo virou a chave: os juros futuros passaram a embutir quase 50% de probabilidade de alta ainda em julho.

Opções — sentimento

1,24
Put/Call por volume (R$)

Puts dominam · 68º percentil

O Put/Call por volume subiu para 1,24 (de 0,99 na sexta) — mais dinheiro em puts que em calls, viés defensivo no 68º percentil histórico. A atividade anômala do dia concentrou-se em proteção nos setores mais fragilizados: puts pesadas em Copel (CPLE3), Energisa (ENGI11) e Caixa Seguridade (CXSE3).

Put/Call e OI de opções referentes ao fechamento de hoje (13/07); aluguel/BTB e saldo do estrangeiro por categoria seguem o último pregão consolidado.

Internacional & câmbio

Foi um dia negativo em todas as praças. Nos EUA, a tecnologia levou a pior com os juros em alta — Nasdaq 100 −1,9%, S&P 500 −0,8% —, enquanto o Dow (mais exposto a energia) segurou. A Ásia amanheceu pesada, com o Nikkei desabando 3,3%. As ADRs brasileiras espelharam o pregão local: Petrobras (PBR) +3,5% na esteira do óleo, contra Vale −2,3%.

Índice / ativoFechamentoVar%Sessão
S&P 5007.512−0,83%fechou hoje
Nasdaq 10029.264−1,88%fechou hoje
Dow Jones52.499−0,26%fechou hoje
DAX (Alemanha)25.114+0,19%fechou hoje
FTSE 100 (R.Unido)10.501−0,38%fechou hoje
Nikkei 225 (Japão)67.020−3,25%fechou hoje
CSI 300 (China)4.695−1,79%fechou hoje
PBR — ADR PetrobrasUS$ 17,93+3,54%fechou hoje
VALE — ADRUS$ 14,13−2,25%fechou hoje
EWZ — ETF BrasilUS$ 35,54−1,09%fechou hoje
VIX17,4+15,8%fechou hoje

No câmbio, o dólar se fortaleceu contra praticamente todos os emergentes — e é aí que o real se destacou: com apenas +0,2% no par, o BRL sofreu menos que peso chileno (+0,62%), rúpia (+0,68%), rand (+0,54%) e peso mexicano (+0,28%).

ParCotaçãoVar%
USD/BRL5,12+0,2%
USD/MXN17,53+0,28%
USD/CLP931,6+0,62%
USD/ZAR16,43+0,54%
USD/CNH6,79+0,26%
USD/TRY46,99+0,45%
USD/INR96,06+0,68%

Commodities

A energia foi a única classe em festa. Brent e WTI subiram cerca de 9% com a escalada no Golfo, arrastando as petroleiras — em Nova York, ExxonMobil (+4,2%), Chevron (+3,4%) e BP (+4,6%) acompanharam. Os metais, ao contrário, ficaram de lado: minério de ferro, cobre e níquel praticamente estáveis (o que explica a Vale cair mais por aversão a risco do que por fundamento do ferro). E, curiosamente, o ouro não funcionou como porto-seguro — recuou 0,7%, atropelado pela alta simultânea do dólar e dos juros reais; a prata caiu 3,7%.

CommodityPreçoVar%
Petróleo BrentUS$ 82,97+9,2%
Petróleo WTIUS$ 77,78+8,9%
Minério de ferro750,5+0,5%
Níquel16.750+0,5%
Cobre13.480−0,0%
PrataUS$ 57,66−3,7%
OuroUS$ 4.057−0,7%

Leitura para a B3: petróleo forte sustenta Petrobras, PRIO e o óleo & gás; minério de pé é neutro-negativo para Vale num dia de fuga do risco; ouro sem brilho tira suporte das produtoras defensivas.

Fatos & notícias que moveram o dia

A pauta foi macro e geopolítica, não corporativa. O fio condutor foram os ataques no Golfo Pérsico e a ameaça de bloqueio ao Estreito de Ormuz, que jogaram o petróleo para cima; somaram-se a isso a virada hawkish nas apostas de juros do Fed (~50% de chance de alta em julho) e do BCE (alta de 25 bps precificada até setembro), e o Focus doméstico com IPCA recuando a 5,16%. No Brasil, o noticiário político pesou no humor — Congresso caminha para o recesso sem votar a PEC 6x1, decisões do STF envolvendo a família Bolsonaro e o caso Marielle, e o governo monitorando paralisações de caminhoneiros.

Na CVM, o dia foi de comunicados de rotina: a Sabesp (SBSP3) avisou resgate antecipado de debêntures; o Bradesco (BBDC) teve posse de diretor homologada pelo BC; Frasle (FRAS) e distribuidoras da EDP aprovaram JCP; a Cogna (COGN) trocou o vice-presidente do conselho; e a T4F (SHOW) publicou o parecer do conselho sobre a OPA para cancelamento de registro. Nada com potencial de mover o índice.

Fechamento & radar para amanhã

O que ficou do pregão:

  • Choque de petróleo comandou tudo — Brent +9% inverteu o sinal do dia; Petrobras e PRIO subiram, mas Vale, bancos, elétricas e construtoras derrubaram o Ibovespa em 1,2%.
  • Juros reprecificaram forte — a curva DI saltou ~20 bps e o mercado passou a ver quase 50% de chance de alta do Fed em julho; por isso imobiliário (−2,5%) e elétricas (−2,4%) foram o fundo do poço.
  • Real resiliente — cedeu bem menos que os pares emergentes, amparado pela condição de exportador de petróleo e pelo carry elevado.

O radar de amanhã tem um evento que domina tudo: o IPC (CPI) dos EUA de junho, às 9h30. Depois do susto inflacionário do petróleo, uma leitura quente reforçaria a tese de Fed mais duro e manteria a pressão sobre juros e bolsas; uma leitura fria aliviaria. Na agenda corporativa e macro da semana:

Data · hora BRTEventoRelevância
14/07 · 09:30EUA — IPC (CPI) de junho (anual e núcleo)alta
14/07BR — resultados 2T: Camil (CAML), Romi (ROMI)
15/07 · 09:00BR — Setor de Serviços (maio)alta
15/07 · 09:30EUA — IPP (PPI) de junhoalta
15/07 · 14:30BR — Fluxo Cambial estrangeiro (semanal)média
16/07 · 09:00BR — Vendas no Varejo (maio)alta
16/07 · 09:30EUA — Vendas no Varejo + Philly Fedalta
17/07 · 09:00BR — IBC-Br (maio)alta
22/07BR — resultado 2T: WEG (WEGE3)