Fechamento de Mercado — 10/07/2026

Ibovespa saltou 2,97% aos 177.866 pts e rompeu os 176 mil com o IPCA de junho a 0,16%; DIs caíram ~20 bps e bancos lideraram o rali.

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Fechamento

Fechamento de Mercado — 10/07/2026

09/07/2026

O IPCA de junho a 0,16% — abaixo do esperado — foi o estopim de um pregão de forte alta. O Ibovespa disparou 2,97%, rompeu os 176 mil pontos pela primeira vez desde maio e fechou praticamente na máxima do dia, com as taxas dos DIs recuando mais de 20 pontos-base e um rali amplo comandado pelos setores mais sensíveis a juro.

Ibovespa
177.866
+2,97% · +5.130 pts
USD/BRL
5,1088
−0,47%
DIs (dia)
−20 bps
IPCA jun 0,16%
Financeiro (IFNC)
19.055
+4,12%
S&P 500
7.575,69
+0,42% · fechou hoje
VIX
15,03
−5,11%
Brent
US$ 76,01
−0,38%
Minério
US$ 750
+0,27%

1 · Resumo do dia

A leitura de inflação de junho (0,16% no mês, contra expectativa mais alta; 4,64% em 12 meses, vindo de 4,72%) reprecificou toda a curva de juros e destravou a renda variável. O índice abriu perto do fechamento anterior (mínima em 172.742) e subiu em linha praticamente reta ao longo da sessão, cravando a máxima em 177.887 e encerrando o dia a 177.866 pontos — a apenas 0,01% do topo intradiário, sinal de fechamento comprador e sem realização na ponta. O dólar acompanhou o alívio e recuou para R$ 5,1088 (−0,47%), com o real na esteira de moedas emergentes majoritariamente firmes. Na renda fixa, a mensagem foi ainda mais direta: os DIs cederam mais de 20 pontos-base, embutindo mais folga para a continuidade do ciclo de corte da Selic.

O traço definidor do pregão foi a amplitude: todos os grandes setores fecharam no azul, e a liderança ficou com os papéis que mais se beneficiam de juro em queda — bancos, elétricas, saneamento, construção e small caps. Foi um movimento de origem doméstica: o exterior operou morno (S&P +0,42%) e as commodities andaram de lado, de modo que o gatilho foi local — inflação e juros.

2 · Destaques da bolsa

Entre as pontas, mineração e siderurgia dividiram o topo com o varejo alavancado — combinação clássica de dia de juro em queda com apetite a risco. Do lado negativo, a lista foi curta e idiossincrática, dominada por ONCO3, que desabou quase 20% com amplitude de 25% no dia.

Maiores altas

CMIN3
+8,28%
AURE3
+8,22%
CSNA3
+7,92%
LIGT3
+7,85%
MGLU3
+7,41%
TUPY3
+7,32%
ARML3
+7,19%
ANIM3
+7,09%

Maiores baixas

ONCO3
−19,35%
AMBP3
−5,88%
RAIZ4
−5,41%
AZEV4
−4,72%
GFSA3
−1,56%
HBOR3
−1,46%
PCAR3
−1,09%
HBRE3
−0,86%

Maiores volumes financeiros

VALE3
R$ 1,64 bi
ITUB4
R$ 1,26 bi
PETR4
R$ 1,08 bi
BBDC4
R$ 890 mi
BPAC11
R$ 876 mi
AXIA3
R$ 766 mi
B3SA3
R$ 638 mi
ABEV3
R$ 550 mi

VALE3 liderou o giro (R$ 1,64 bi) mesmo com alta modesta de 1,41% — o dinheiro grosso foi para os bancos, com ITUB4, BBDC4 e BPAC11 somando volume e valorização. No radar de volume relativo (AVAT), FRAS3 girou 8,4× a média e subiu 6,71%, sinal de dinheiro entrando com convicção; ONCO3 apareceu com 2,7× a média, mas na direção oposta.

TickerAVATVar %Volume
FRAS38,36×+6,71%R$ 34,7 mi
TRIS34,51×+6,43%R$ 7,2 mi
LAVV32,58×+5,78%R$ 16,4 mi
MILS31,93×−0,06%R$ 33,6 mi
BRAP41,92×+2,26%R$ 81,0 mi
MDIA31,92×+2,74%R$ 18,4 mi
ONCO32,71×−19,35%R$ 18,7 mi

3 · Setorial & atribuição do índice

O mapa setorial ficou inteiramente verde, com a intensidade concentrada nos juro-sensíveis: Financeiro (+4,12%), Utilidade Pública (+3,91%), Imobiliário (+3,90%) e Energia Elétrica (+3,75%) na dianteira; Materiais Básicos (+2,33%) e Industrial (+1,77%) subiram menos, refletindo o exterior fraco de commodities.

Financeiro+4,12%
Utilidade Pública+3,91%
Imobiliário+3,90%
Energia Elétrica+3,75%
Small Cap+3,46%
Dividendos+3,15%
Consumo+2,88%
Mats. Básicos+2,33%
Industrial+1,77%

Na conta de quem efetivamente moveu o Ibovespa, os bancos dominaram: ITUB4 sozinho contribuiu com +622 pontos, seguido por AXIA3 (+373), BBDC4 (+316), BPAC11 (+262) e ITSA4 (+249). VALE3, apesar do peso maior no índice, entregou +262 pontos com alta contida. Praticamente não houve contraponto — PRIO3 foi o único nome relevante do lado negativo, drenando apenas 9 pontos.

ITUB4
+621,9 pts
AXIA3
+372,8 pts
BBDC4
+315,9 pts
BPAC11
+262,4 pts
VALE3
+262,3 pts
ITSA4
+249,4 pts
SBSP3
+229,5 pts
B3SA3
+226,7 pts
ENEV3
+186,0 pts
PETR4
+139,8 pts
PRIO3
−8,7 pts

4 · Fluxo

Na fita ao vivo, o dia teve um recado claro: enquanto parte da mesa nacional distribuía, os grandes bancos estrangeiros compraram o índice. Morgan Stanley (+R$ 890,7 mi), Citigroup (+R$ 590,4 mi) e Goldman (+R$ 260,6 mi) lideraram o lado comprador; do lado vendedor apareceram UBS (−R$ 456,4 mi), BTG (−R$ 411,4 mi), Itaú (−R$ 346,4 mi) e XP (−R$ 314,7 mi). São fluxos que passaram pela corretora — não necessariamente posição própria da casa —, mas a fotografia do dia mostra o balcão de fora do lado comprado.

Morgan
+R$ 890,7 mi
Citigroup
+R$ 590,4 mi
Ágora
+R$ 388,4 mi
Goldman
+R$ 260,6 mi
Ativa
+R$ 119,1 mi
Merrill
−R$ 206,2 mi
XP
−R$ 314,7 mi
Itaú
−R$ 346,4 mi
BTG
−R$ 411,4 mi
UBS
−R$ 456,4 mi

O saldo consolidado por categoria de investidor da B3 sai com defasagem e ainda não está consolidado para hoje. No último dado fechado (08/07), o estrangeiro estava vendedor em R$ 607,6 mi no dia, com institucionais (+R$ 172,4 mi) e pessoa física (+R$ 220,4 mi) do lado comprador. O ponto relevante é a tendência do mês: no acumulado de julho até 08/07, a saída estrangeira é de apenas R$ 419,8 mi — uma desaceleração enorme frente aos cerca de R$ 7,8 bilhões que o gringo retirou ao longo de junho —, enquanto a pessoa física acumula +R$ 1,04 bi no mês.

Pessoa física
+R$ 220,4 mi
Institucional
+R$ 172,4 mi
Outros
+R$ 147,8 mi
Inst. financeira
+R$ 67,0 mi
Estrangeiro
−R$ 607,6 mi

Saldo por categoria referente a 08/07 — último pregão consolidado pela B3.

5 · Futuros, juros & derivativos

No mini-índice (WINQ26), o posicionamento reforçou a leitura do fluxo à vista: os estrangeiros terminaram o dia comprados e no lucro. Goldman fechou com saldo líquido de +49.834 contratos e P&L aberto de +R$ 21,4 mi; JP Morgan, +20.673 contratos (+R$ 11,9 mi). Do outro lado, XP carregava saldo vendedor de 14,5 mil contratos com o pior resultado aberto da mesa (−R$ 30,7 mi) — vender contra um pregão de alta reta cobra caro.

PlayerNet (ctr)Preço médioP&L aberto
Goldman+49.834178.462+R$ 21,4 mi
JP Morgan+20.673177.735+R$ 11,9 mi
Genial+13.131179.719+R$ 2,3 mi
BTG−16.452176.963−R$ 12,0 mi
Ideal−16.248183.627+R$ 9,8 mi
XP−14.551170.057−R$ 30,7 mi

No mini-dólar (WDOQ26), o quadro foi de resultado próximo de zero para o conjunto, coerente com um dólar de baixa volatilidade: XP liderou o saldo comprador (+37.766 contratos), seguida de Necton (+20.262) e Ágora (+19.292), com o lado vendedor pulverizado entre BGC, CM Capital e Ativa.

Curva de juros & expectativas

A curva DI abaixo é o ajuste de 09/07 (véspera do dado), com inclinação de apenas 37 pontos-base entre o vértice curto e o longo. O IPCA desta sexta empurrou toda a estrutura para baixo em mais de 20 bps, precificando um ciclo de corte um pouco mais generoso. Como referência de nível, a Selic está em 14,25% (corte de 25 bps em 17/06, decisão unânime e sem viés explícito, totalmente data-dependent), e o Focus projeta a Selic terminando o ciclo em 14,00% com IPCA de 5,30% para 2026 — a próxima reunião do Copom acontece no fim de julho. Nos EUA, o Fed segue na faixa de 3,50%–3,75%.

1414
Curva DI (ajuste 09/07)% a.a. · vértice DI (jan/27 → jan/36)

Opções — proteção desmontando

O sentimento de opções confirmou a virada de humor. O Put/Call ratio de volume fechou em 0,99 e o de posições em aberto em 0,94 — equilíbrio, com leve viés comprador. O detalhe está na trajetória: no início de julho o PCR de volume rodava em 2,1–2,7 (muito mais put que call, hedge pesado); a normalização para perto de 1,0 mostra a proteção sendo desmontada à medida que o índice engatou a alta. Entre as maiores atividades anômalas do dia apareceram ITUB3 (10,6× a média de 21 dias), CPLE3 (6,4×), CXSE3 (4,0×) e ENGI11 (3,7×).

0,99
Put/Call · volume

equilíbrio (percentil 60)

0,94
Put/Call · OI

leve viés comprador

6 · Internacional & câmbio

O exterior deu pouco combustível — o que reforça o caráter doméstico do rali. Nos EUA, que fecharam hoje, os índices subiram de forma discreta (S&P +0,42%, Nasdaq 100 +0,33%, Dow +0,28%), com o VIX recuando para 15,0. A Europa foi mista (FTSE +0,68%, DAX −0,20%) e a Ásia divergiu, com a China (CSI 300 −1,96%) na contramão do Japão (Nikkei +0,42%).

Índice / ativoFech.Var %Sessão
S&P 5007.575,69+0,42%fechou hoje
Nasdaq 10029.825,11+0,33%fechou hoje
Dow Jones52.637,01+0,28%fechou hoje
FTSE 10010.540,65+0,68%fechou hoje
DAX25.067,09−0,20%fechou hoje
CAC 408.338,00+0,19%fechou hoje
Nikkei 22569.273,00+0,42%fechou hoje
CSI 3004.780,79−1,96%fechou hoje
VIX15,03−5,11%ao vivo

Os ADRs brasileiros negociados em Nova York espelharam a força local: ITUB +4,10%, Bradesco (BBD) +5,03%, CSN (SID) +6,59%, Braskem (BAK) +3,51% e Gerdau (GGB) +3,07%. Vale e Petrobras, cujos recibos fecharam ontem (09/07) a +1,21% e −1,22%, acompanharam o tom mais firme do dia. No câmbio, o real seguiu a toada de emergentes majoritariamente valorizados frente ao dólar — peso colombiano (−1,39%), peso mexicano (−0,43%) e peso chileno (−0,33%) na frente; a lira turca foi exceção (+0,23%).

ParCotaçãoVar %
USD/BRL5,1088−0,47%
USD/MXN17,47−0,43%
USD/CLP924,55−0,33%
USD/COP3.249,53−1,39%
USD/ZAR16,32−0,02%
USD/CNH6,7976−0,02%
USD/TRY46,99+0,23%

Em pares USD/moeda, variação negativa = dólar mais fraco / moeda local mais forte.

7 · Commodities

Dia de trégua nas commodities, o que ajuda a explicar por que mineração e petróleo ficaram atrás dos bancos no pregão. O minério de ferro subiu 0,27% (~US$ 750) e o níquel avançou 0,36%, dando sustentação marginal a Vale, CSN e CSN Mineração — embora o salto de CMIN3 (+8,28%) e CSNA3 (+7,92%) tenha sido muito mais história de juro/risco do que de minério. No petróleo, Brent (−0,38%) e WTI (−0,79%) recuaram, e Petrobras teve alta contida (+1,12%), com PRIO3 no negativo. Ouro e prata ficaram praticamente de lado.

CommodityPreçoVar %
Minério de ferroUS$ 750+0,27%
NíquelUS$ 16.660+0,36%
CobreUS$ 13.482−0,04%
OuroUS$ 4.120−0,09%
PrataUS$ 59,87−0,14%
BrentUS$ 76,01−0,38%
WTIUS$ 71,52−0,79%

8 · Fatos & notícias

O noticiário corporativo trouxe governança e reorganizações societárias, com destaque para o comunicado da Fleury esclarecendo à CVM uma notícia de imprensa sobre M&A e alavancagem. Vale aprovou os materiais de sua AGE de 2026, Dasa deliberou incorporação com assembleia marcada para 03/08, e Iochpe-Maxion aprovou o resgate de notas 2028 e aumento de capital em controlada.

EmpresaAssunto
Fleury (FLRY3)Esclarece à CVM notícia de imprensa sobre M&A e alavancagem
Vale (VALE3)Conselho aprova materiais para a AGE de 2026
Dasa (DASA3)Conselho aprova incorporação; AGE em 03/08
Braskem (BRKM5)Eleição de diretor estatutário
Iochpe-Maxion (MYPK3)Resgate das notes 2028 e aumento de capital em controlada
Grazziotin (CGRA4)Homologação de aumento de capital social

No campo macro e político, além do IPCA que dominou o dia, a ANP abriu apuração de ofício sobre a disputa entre Petrobras e PPSA por acesso a gasodutos e instalações de processamento de gás — leitura vista como abertura do mercado de distribuição de gás natural. O governo sinalizou que aguardará a nova fase do tarifaço dos EUA, prevista para 15/07, antes de calibrar eventuais retaliações. E o CADE aprovou sem restrições a venda de ativos da Raízen Energia na Argentina, embora RAIZ4 tenha caído 5,41% no dia.

9 · Fechamento & radar

O que importou hoje:

  • IPCA de 0,16% em junho foi o gatilho único e suficiente: DIs −20 bps e rali amplo liderado por juro-sensíveis (bancos +4–5%, elétricas, imobiliário e small caps).
  • Ibovespa a 177.866 (+2,97%) rompeu os 176 mil pela primeira vez desde maio e fechou colado na máxima, com breadth total — todos os setores no azul.
  • Movimento doméstico: exterior morno (S&P +0,42%) e commodities de lado; o driver foi juro e inflação locais, com estrangeiro comprador na fita à vista e no mini-índice.

O radar da próxima semana é pesado e girará em torno de inflação e atividade dos dois lados. Nos EUA, o CPI de junho (14/07) é o evento central, seguido do PPI (15/07) e das vendas no varejo (16/07); a nova fase do tarifaço americano entra em vigor em 15/07. No Brasil, saem o setor de serviços (15/07), as vendas no varejo (16/07) e o IBC-Br (17/07), proxy mensal do PIB, além do Boletim Focus na segunda. Na temporada de balanços do 2º tri, Camil reporta em 14/07 e WEG em 22/07.

DataEventoRelevância
Seg 13/07Boletim Focus (08:25)Média
Ter 14/07CPI EUA — junho (09:30); Camil ITR 1TAlta
Qua 15/07PMS Serviços BR (09:00) · PPI EUA (09:30) · nova fase do tarifaço EUA · Livro BegeAlta
Qui 16/07Vendas no varejo BR (09:00) e EUA (09:30)Alta
Sex 17/07IBC-Br — maio (09:00)Alta
Qua 22/07WEG — resultado do 2º tri