Fechamento de Mercado — 07/07/2026
Petróleo +5,4% com Ormuz segura o Ibovespa em 172.021 (−0,25%); VALE3 tira 405 pts, DI sobe até 10 bps e o dólar futuro fecha a 5.192.
Fechamento de Mercado — 07/07/2026
Resumo do dia
A escalada entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz reprecificou o petróleo e desenhou o pregão: o Ibovespa chegou a subir 0,64% na máxima da manhã (173.551) com o óleo em disparada, perdeu o fôlego com a pressão em VALE3 e no consumo, tocou 171.406 na mínima (−0,60%) e fechou em 172.020,68 — queda de 0,25% (−352 pts), com amplitude de 2.144 pts no dia.
A tarde trouxe o risk-off: novos ataques dos EUA ao Irã e a revogação da licença de venda do petróleo iraniano derrubaram Wall Street (Nasdaq 100 −1,77%), levaram o Treasury de 10 anos a 4,55% (+8 bps) e o DI local acompanhou, com a barriga da curva abrindo 7–10 bps. O dólar futuro de agosto fechou a 5.192 (+0,66%), ainda que a PTAX do dia, formada antes da piora, tenha saído a R$ 5,1458 (−0,41% ante a véspera). No caixa, PETR4 (R$ 1,53 bi) e VALE3 (R$ 1,29 bi) concentraram o giro — uma na ponta que segurou o índice, a outra na que o derrubou.
Destaques da bolsa
Maiores altas
Maiores baixas
CASH3 liderou as altas com giro 3,1× acima da média; PRIO3 (+5,02%, R$ 750 mi negociados) foi a cara do dia do petróleo; PINE4 subiu 4,02% depois de o banco aprovar JCP de R$ 69 mi. Na outra ponta, o imobiliário concentrou o estrago: MDNE3 −8,94% com volume relativo de 3,7×, PLPL3 −6,08% e TEND3 −4,97% após a prévia operacional do 2T26 (vendas líquidas de R$ 84,2 mi, VSO líquida de 36,5%) — o papel girou R$ 163 mi, 1,7× a média.
Onde o dinheiro girou
Volume relativo (AVAT) — giro fora do padrão
| Ticker | Var. do dia | AVAT | Volume |
|---|---|---|---|
| HBRE3 | −2,44% | 5,6× | R$ 4,1 mi |
| AMBP3 | −6,25% | 3,8× | R$ 2,4 mi |
| MDNE3 | −8,94% | 3,7× | R$ 110,0 mi |
| OPCT3 | +1,15% | 3,4× | R$ 18,2 mi |
| CASH3 | +7,08% | 3,1× | R$ 16,3 mi |
| GFSA3 | −2,90% | 2,7× | R$ 3,0 mi |
| TEND3 | −4,97% | 1,7× | R$ 163,0 mi |
O padrão do dia no AVAT é de distribuição em incorporadoras (MDNE3, TEND3, HBOR3 com 2,3×) e giro comprador anômalo nos vencedores (CASH3, OPCT3) — volume incomum sinaliza atividade elevada, não direção.
Setorial & atribuição
Pela régua dos índices setoriais no fechamento (a consolidação por ação sai no lote noturno da B3), só energia elétrica (+0,26%) e a carteira de dividendos (+0,22%) escaparam. O imobiliário (−2,00%) foi o pior do dia — juro longo abrindo e prévias operacionais fracas —, seguido de consumo (−1,56%) e industrial (−1,10%). O financeiro cedeu 0,55%, e materiais básicos (−0,14%) só não caíram mais porque CMIN3 (+4,39%) amorteceu a queda da VALE3.
Quem moveu o Ibovespa hoje (pontos no índice)
O placar de atribuição conta o dia inteiro: os cinco papéis de petróleo e distribuição entre os dez maiores contribuintes (PETR4, PETR3, PRIO3, VBBR3 e UGPA3) somaram cerca de +620 pts, enquanto VALE3 — 11,5% do índice — tirou 405 pts sozinha, com RENT3, ABEV3 e o bloco financeiro completando a pressão. Sem o petróleo, o fechamento teria sido bem mais fundo que −0,25%.
Fluxo
A B3 consolida o fluxo por categoria em D+2 — o saldo de hoje ainda não está fechado. No último consolidado (pregão de 03/07), o estrangeiro comprou +R$ 698 mi no secundário, contra venda de R$ 680 mi do institucional local:
Julho abriu com o gringo comprador: +R$ 676 mi acumulados até 03/07, depois de um junho de saída pesada (−R$ 7,79 bi no mês). O institucional local segue na outra ponta, com −R$ 600 mi no acumulado do mês.
Corretoras no Ibovespa hoje (saldo líquido do dia, ao vivo)
No papel a papel, o dia teve rotação clara: BTG terminou líquido vendedor de R$ 193,6 mi em PETR4 na alta (Merrill do outro lado, +R$ 111,1 mi), mas foi o maior comprador líquido de VALE3 (+R$ 216,2 mi) na queda de 2%. Goldman comprou ITUB4 (+R$ 127,4 mi) contra o Itaú (−R$ 110,7 mi) e vendeu R$ 114,7 mi líquidos de PRIO3 na alta de 5%.
| Fluxo anômalo (vs mediana 60 pregões) | Lado | Corretora | Intensidade | Papel no dia |
|---|---|---|---|---|
| VBBR3 | venda | Morgan | 3,6× | +2,4% |
| ABEV3 | compra | BTG | 1,8× | −2,0% |
| PRIO3 | compra | BTG | 1,8× | +4,9% |
| BPAC11 | compra | Morgan | 1,5× | −1,5% |
Futuros & derivativos
O mini-índice de agosto (WINQ26) fechou a 173.600 (−0,54%, −935 pts), entre 173.545 e 175.795 — amplitude de 2.250 pts, abaixo da média de ~2.740 dos últimos 9 pregões — com ajuste em 174.658. O mini-dólar (WDOQ26) fechou a 5.192 (+0,66%). O lote noturno consolidado de players ainda não saiu; a leitura ao vivo do saldo acumulado do dia mostra o desenho abaixo.
No WIN, Morgan terminou como o grande comprador líquido do dia: +33.438 ctr, montados em duas pernadas (manhã e a partir das 16:50), com 64% do giro agredindo o book e breakeven do saldo em ~174.448 — acumulou e segurou até o sino. Merrill (+12.142 ctr) foi do mesmo lado. Na outra ponta, Mirae (−11.955 ctr) montou o short cedo e não mexeu mais; UBS chegou a −40.759 ctr às 10:32 e recomprou ao longo do dia, fechando em −11.219 ctr; Goldman construiu −9.751 ctr gradualmente da tarde em diante.
Mini-dólar — saldo líquido do dia
No WDO, UBS vendeu e segurou (−28.289 ctr, breakeven ~5.172,7); XP foi a compradora dominante (+24.299 ctr, 27,8% de todo o giro do contrato), com Goldman (+11.968 ctr) do mesmo lado, contra Tullett (−19.614 ctr) e Necton (−11.653 ctr).
Curva de juros — DI abriu na barriga
O dia foi de abertura de taxas concentrada no miolo: jan/28 +9 bps (14,12%), jan/29 +9,5 bps (14,28%) e jan/31 +8 bps (14,37%), com as pontas curta (jan/27 +3 bps, 14,02%) e longa (jan/36 +3 bps, 14,33%) mais defendidas. Com a Selic em 14,25% desde 17/06 (corte de 25 bps, decisão unânime do ciclo de calibração, sem viés declarado), o jan/27 perto de 14,0% embute pouco mais de um corte de 25 bps no horizonte de um ano — mesma Selic terminal de 14,00% que o Focus de 03/07 projeta para o fim de 2026, com IPCA em 5,30%, câmbio em R$ 5,20 e PIB de 1,99%. Nos EUA, o Fed segue na faixa de 3,50%–3,75%; a ata do FOMC sai amanhã às 15:00.
Opções — proteção cara, mas cedendo
63% do giro em puts · percentil 73
O dia girou R$ 1,28 bi em puts contra R$ 758 mi em calls — put/call de 1,69 por volume, percentil 73 do histórico recente: proteção ainda cara, mas em queda pelo segundo pregão seguido desde o pico de 2,76 em 01/07. Pelo OI, o indicador está em 0,96, equilibrado.
| Atividade anômala em opções | Volume vs média 21d | PCR do dia |
|---|---|---|
| CXSE3 | 7,8× | 58,5 |
| SBFG3 | 5,9× | 8,3 |
| ITUB3 | 4,4× | 0,0 |
| CSMG3 | 3,0× | 5,0 |
| CMIG4 | 2,8× | 43,4 |
CXSE3 girou 7,8× o volume típico em opções, quase tudo em puts (PCR 58,5), e CMIG4 repetiu o padrão (2,8×, PCR 43,4) — proteção pesada em nomes regulados. No aluguel de ações (último dado publicado, 06/07), a taxa de LIGT3 saltou 873 bps em um dia, para 23,5% a.a.; BHIA3 (25,3% a.a.) e BRKM5 (23,8% a.a.) seguem com short caro.
Internacional & câmbio
| Praça | Fechamento | Var. | Sessão |
|---|---|---|---|
| S&P 500 | 7.504 | −0,44% | fechou hoje |
| Nasdaq 100 | 29.173 | −1,77% | fechou hoje |
| Dow Jones | 52.925 | −0,25% | fechou hoje |
| VIX | 16,1 | +3,6% | hoje |
| DAX | 25.465 | −1,37% | fechou hoje |
| FTSE 100 | 10.660 | −0,06% | fechou hoje |
| CAC 40 | 8.402 | −0,10% | fechou hoje |
| Nikkei 225 | 67.348 | −0,22% | fechou hoje (madrugada BRT) |
| CSI 300 | 4.792 | −1,03% | fechou hoje (madrugada BRT) |
| Treasury 10 anos | 4,55% | +8 bps | hoje |
| PBR (ADR) | US$ 16,66 | +2,5% | fechou hoje |
| VALE (ADR) | US$ 14,69 | −2,7% | fechou hoje |
A queda de NY foi puxada por tecnologia — Nasdaq 100 −1,77% — com o VIX de volta à casa de 16; na Europa, o DAX (−1,37%) devolveu mais que os vizinhos. Os ADRs brasileiros espelharam a B3: PBR +2,5% e VALE −2,7%.
| Câmbio | Nível | Var. do dia |
|---|---|---|
| USD/BRL (PTAX) | 5,1458 | −0,41% |
| Dólar futuro ago (WDO) | 5.192 | +0,66% |
| USD/MXN | 17,52 | +0,8% |
| USD/ZAR | 16,32 | +0,7% |
| USD/CNH | 6,80 | +0,1% |
| USD/CLP | 927 | 0,0% |
| USD/TRY | 46,84 | 0,0% |
| EUR/USD | 1,141 | −0,3% |
O dólar ganhou dos emergentes (peso mexicano −0,8%, rand −0,7%) e do euro (−0,3%). O real destoou na PTAX (−0,41%), formada antes da piora, mas o futuro subiu 0,66% — o estresse chegou à moeda no fim do dia. O CDS Brasil de 5 anos ficou parado em ~125 bps.
Commodities
A energia descolou do resto: Brent +5,4% e WTI +5,2% com os ataques a navios-tanque em Ormuz, os novos bombardeios dos EUA ao Irã e a revogação da licença de venda do petróleo iraniano — combustível direto para PETR3/PETR4, PRIO3 e VBBR3 na B3. As metálicas foram na direção oposta: cobre −0,6%, níquel −1,3% e minério −0,34%, pano de fundo da queda de 2,1% da VALE3. O ouro, a US$ 4.132, cedeu 0,6% mesmo com o ruído geopolítico — o dólar global firmou. Sem cotação consolidada de soja nesta edição; o relatório WASDE de sexta-feira recoloca os grãos no radar.
Fatos & notícias
| Hora | Manchete | Fonte |
|---|---|---|
| 18:31 | EUA revogam licença do Irã para venda de petróleo após ataques a navios-tanque perto de Ormuz | Reuters/UOL |
| 18:28 | Forças dos EUA lançam nova onda de ataques contra o Irã | Bloomberg |
| 18:48 | GIP (BlackRock) e Stonepeak avaliam propostas por porto brasileiro de US$ 5 bi | Bloomberg |
| 18:43 | Brasil manterá tarifa sobre etanol dos EUA, diz MDIC | Poder360 |
| 17:13 | Exportações brasileiras aos EUA crescem 3,7% em junho — 1ª alta desde o tarifaço | Poder360 |
| 16:38 | Petrobras assina termo de conciliação com a ANP para adequar 335 poços marítimos | Reuters |
| 14:47 | Oncoclínicas prepara pedido de recuperação extrajudicial para quarta-feira | Reuters/O Globo |
| 09:23 | Aegea convoca AGE (28/07) para aumento de capital de R$ 1,5–2,1 bi; Itaúsa pode subscrever até R$ 1,5 bi | Reuters |
| 18:29 | Norges Bank reduz participação na Raízen para 4,47% das PN | Reuters |
No radar corporativo da CVM: a Tenda divulgou prévia do 2T26 (vendas líquidas de R$ 84,2 mi, VSO líquida de 36,5%) e TEND3 caiu 4,97%; o Banco Pine aprovou JCP de R$ 69 mi (PINE4 +4,02%); a Mitre aprovou R$ 9 mi em dividendos intermediários (primeira parcela em 24/07); a Ferbasa captou R$ 43,8 mi no BNDES para a planta de biorredutor; o Porto Sudeste ampliou de 2 para até 3 Mt/ano o contrato de embarque de minério a partir de 2031; a Sabesp deliberou a liquidação da subsidiária Infranext; e o recurso da Ecopetrol sobre a OPA da Brava foi remetido ao colegiado da CVM.
Fechamento & radar
• Ormuz reprecificou o petróleo (+5,4%) e segurou a B3: o bloco de óleo somou ~+620 pts no Ibovespa, VALE3 tirou 405 pts e o índice fechou em 172.021 (−0,25%).
• O risk-off da tarde derrubou Wall Street (Nasdaq 100 −1,77%), abriu o DI em 7–10 bps e levou o dólar futuro a +0,66%.
• O gringo abriu julho comprador (+R$ 676 mi até 03/07) depois de tirar R$ 7,8 bi em junho; no pregão de hoje, XP e BTG lideraram a compra no Ibovespa contra Citigroup na venda.
Radar — próximos dias
| Quando | Hora (BRT) | Evento |
|---|---|---|
| qua 08/07 | 09:00 | Vendas no varejo BR (mai) — relevância alta |
| qua 08/07 | 14:30 | Fluxo cambial semanal (BCB) |
| qua 08/07 | 15:00 | Ata do FOMC — relevância alta |
| qua 08/07 | — | Oncoclínicas: protocolo esperado da recuperação extrajudicial |
| qui 09/07 | 09:30 | Seguro-desemprego semanal EUA |
| qui 09/07 | 11:00 | Vendas de casas usadas EUA (jun) |
| sex 10/07 | 09:00 | IPCA de junho — relevância alta (12m anterior: 4,72%) |
| sex 10/07 | 13:00 | WASDE (grãos) |
| sex 10/07 | 16:30 | CFTC: posição especulativa em BRL |
| ter 14/07 | 09:30 | CPI dos EUA (jun) — relevância alta |
| ter 14/07 | — | ITRs: Camil (1T) e Romi (2T) |
Sem datas-ex de proventos relevantes na janela dos próximos 10 dias. A quarta abre com o varejo de maio no Brasil e fecha com a ata do FOMC; na sexta, o IPCA de junho testa a curva que hoje abriu 7–10 bps — com Ormuz seguindo como a variável que pode mexer com petróleo, câmbio e juros ao mesmo tempo.