Fechamento de Mercado — 03/07/2026

Ibovespa fecha a 174.247 pts (+0,84%) com Vale e bancos; dólar a R$ 5,17 e curva DI em queda após emprego fraco nos EUA reforçar aposta em Fed dovish.

Assessoria NomosRelatórios exclusivos todos os dias para nossos clientes Falar com assessor
Fechamento

Fechamento de Mercado — 03/07/2026

02/07/2026 · Panorama do pregão · sexta-feira, 03 de julho de 2026

A B3 fechou a semana no verde e com baixa volatilidade: o Ibovespa avançou +0,84% aos 174.247 pontos (~+1.459 pts sobre os 172.788 de quinta), num pregão de alta ameda e alta em quase todas as pontas. O combustível veio de fora — um relatório de emprego fraco nos EUA derrubou a aposta de juros mais altos e reacendeu o cenário de Fed mais dovish, jogando as bolsas asiáticas para cima (Nikkei +2,26%), enfraquecendo o dólar contra emergentes e fazendo a curva de juros brasileira ceder ao longo do dia. Com Wall Street fechada pelo feriado do Dia da Independência, o Brasil operou no compasso do humor global e de nomes próprios: Vale, os grandes bancos e o bloco de óleo & gás sustentaram o índice.

1 · Resumo do dia

Ibovespa
174.247
+0,84% · ~+1.459 pts
USD/BRL (à vista)
R$ 5,17
−0,7%
DI jan/27
14,00%
−0,04 pp no dia
S&P 500
7.483
estável · fechou qui 02/07
Brent
US$ 71,94
+0,19%
Minério (Dalian)
739
+0,27%
VIX
15,81
−4,7%
Estrangeiro (junho)
−R$ 7,8 bi
saída no mês

O índice abriu firme e foi construindo ganhos ao longo do dia, sem sustos e sem realização relevante na reta final — fechou perto da máxima. O dólar à vista recuou para a casa dos R$ 5,17 (−0,7%), acompanhando a firmeza generalizada das moedas emergentes num dia de apetite por risco. Nos juros, a curva DI cedeu de ponta a ponta (−4 a −14 pontos-base): o vértice curto (jan/27) foi a 14,00% e a parte longa recuou para ~14,4%, refletindo o repricing global de um Fed menos apertado e um pano de fundo doméstico de inflação ainda alta, porém com o Copom em ciclo de corte. O VIX comprimiu para 15,81 (−4,7%), coerente com o tom de "risk-on".

2 · Destaques da bolsa

Maiores altas

ONCO3
+11,93%
PCAR3 (Pão de Açúcar)
+10,04%
VVEO3
+6,35%
CSNA3 (CSN)
+4,33%
MGLU3 (Magazine Luiza)
+4,22%
GMAT3 (Grupo Mateus)
+3,88%
UGPA3 (Ultrapar)
+3,50%
CASH3 (Méliuz)
+3,27%

Maiores baixas

ISAE4
−4,29%
LIGT3 (Light)
−3,06%
HBSA3 (Hidrovias)
−2,87%
TFCO4 (Track&Field)
−2,15%
ARML3 (Armac)
−1,99%
GFSA3 (Gafisa)
−1,96%
SAPR11 (Sanepar)
−1,96%
HBRE3
−1,52%

As maiores oscilações ficaram nas pontas de menor liquidez — ONCO3 (+11,93%, girando 2,2× o volume médio) e PCAR3 (+10,04%) lideraram, enquanto do lado negativo ISAE4 caiu 4,29% no maior AVAT do dia (2,28×), com fluxo pesado nos dois sentidos. Entre os pesos-pesados, o giro se concentrou em Vale e bancos. Os maiores volumes financeiros do pregão:

VALE3 (Vale)
R$ 612 mi
BPAC11 (BTG Pactual)
R$ 602 mi
AXIA3 (Eletrobras/Axia)
R$ 539 mi
ITUB4 (Itaú)
R$ 421 mi
PRIO3 (PRIO)
R$ 410 mi
PETR4 (Petrobras)
R$ 395 mi
SBSP3 (Sabesp)
R$ 318 mi
EMBJ3 (Embraer)
R$ 273 mi

Volume relativo (AVAT) — quem girou muito acima da própria média: ISAE4 (2,28×), GFSA3 (2,24×), ONCO3 (2,23×), HBRE3 (1,91×) e, com destaque entre as líquidas, CXSE3 (Caixa Seguridade, 1,86×), que subiu 1,84% e concentrou fluxo comprador e atividade anômala de opções — sinal de mesa se posicionando.

3 · Setorial & atribuição do índice

Materiais Básicos+0,88%
Financeiro+0,82%
Imobiliário+0,71%
Industrial+0,70%
Small Caps+0,69%
Consumo+0,54%
Dividendos+0,32%
Utilities+0,37%
Energia Elétrica+0,11%

Foi uma alta de base larga: praticamente todos os índices setoriais fecharam no positivo, liderados por Materiais Básicos (+0,88%) e Financeiro (+0,82%). O único bolsão de fraqueza foi a energia elétrica (+0,11%), travada por nomes de transmissão e geração (AXIA3, ISAE4, EGIE3, CPLE3) que aparecem, não à toa, entre os que mais pesaram sobre o índice. Na conta de pontos por ação (quanto cada papel empurrou ou derrubou o Ibovespa hoje):

VALE3
+152,7 pts
BPAC11
+111,8 pts
ITUB4
+98,1 pts
SBSP3
+95,0 pts
PETR4
+92,0 pts
EMBJ3
+88,6 pts
UGPA3
+71,5 pts
ENEV3
+56,5 pts
B3SA3
+53,9 pts
AXIA3
−43,5 pts
ISAE4
−37,1 pts
BBAS3
−4,1 pts

A Vale sozinha adicionou +152,7 pts ao Ibovespa (+0,77%, sustentada pelo minério firme), seguida por BTG Pactual (+111,8), Itaú (+98,1), Sabesp (+95,0) e Petrobras (+92,0). Do outro lado, AXIA3 (−43,5) e ISAE4 (−37,1) foram os principais freios — mas em magnitude muito menor que os motores da alta.

4 · Fluxo

Pelo lado dos investidores, o dado mais recente consolidado pela B3 é o de 01/07 (a bolsa divulga o fluxo por categoria com defasagem): naquele pregão o estrangeiro saiu −R$ 590 mi, com institucionais (+R$ 199 mi) e pessoa física (+R$ 187 mi) do lado comprador.

Institucional
+R$ 199 mi
Pessoa Física
+R$ 187 mi
Inst. Financeiras
+R$ 120 mi
Outros
+R$ 84 mi
Estrangeiro
−R$ 590 mi

O pano de fundo importa: junho fechou com saída estrangeira de −R$ 7,8 bi, compensada por institucionais (+R$ 1,8 bi) e, sobretudo, pessoa física (+R$ 3,2 bi). Ou seja, a bolsa vem subindo apesar do gringo — não por causa dele. Isso apareceu de novo hoje na leitura ao vivo do fluxo de corretoras no IBOV: enquanto o índice subia, os grandes executores de fluxo estrangeiro (UBS, JP Morgan, Goldman) e as domésticas XP/BTG apareciam do lado vendedor, com a ponta compradora concentrada no Morgan Stanley.

Morgan
+R$ 388 mi
BGC
+R$ 69 mi
Ativa
+R$ 66 mi
Itau
+R$ 62 mi
Necton
+R$ 50 mi
Goldman
−R$ 54 mi
JP Morgan
−R$ 75 mi
BTG
−R$ 122 mi
XP
−R$ 137 mi
UBS
−R$ 169 mi

Fluxo por corretora é o LADO do negócio (compra × venda), não agressão; as casas estrangeiras executam ordem de cliente, então o lado oscila muito dia a dia — não é "posição da casa".

Smart-money no radar: a Caixa Seguridade (CXSE3) teve um comprador (Necton) operando ~5,9× acima do volume normal, somado a atividade de opções 15× a média e AVAT de 1,86× — o tipo de confluência (fluxo anômalo + opções + giro) que costuma indicar mesa montando posição. Papel fechou +1,84%.

5 · Futuros & derivativos

Mini-Índice (WIN) — quem carregou posição

O mini-Ibovespa (WINQ26) subiu de 175.725 na abertura para ~176.785 no fim da tarde (+0,6%, máx 177.175 / mín 175.300). A leitura de posição por corretora mostra um cabo de guerra claro: o Morgan Stanley acumulou o maior saldo vendido (−25.577 contratos) e segurou contra a alta — com preço médio em 176.213, a posição fechou com prejuízo aberto de −R$ 2,93 mi. Do lado comprado e no lucro estavam Genial (+19.823 ctr, +R$ 1,19 mi) e Goldman (+17.832 ctr, +R$ 2,15 mi). A XP, que chegou a estar vendida em mais de 48 mil contratos no início da tarde, recomprou boa parte e terminou −15.518.

23.445-48.517176.995175.560
MorganGenialGoldmanXPPreço (eixo →)09:00 → 18:20

No mini-dólar (WDO), com a moeda em queda, os vendidos levaram a melhor: CM Capital (−17.624 ctr, +R$ 190 mil) e BGC (−12.529 ctr, +R$ 44 mil) fecharam no lucro, enquanto BTG (+12.788) e Santander (+11.440) ficaram comprados.

Juros & expectativas

Selic meta
14,25%
−25 bp em 17/06
Focus Selic 2026
14,00%
1 corte residual
IPCA 12m (mai)
4,72%
acima do teto
CDS Brasil 5 anos
126 bps
+0,3%
1414
Curva DI (03/07)% a.a. · vencimento (jan/27 → jan/36)

A curva DI segue com inclinação positiva de ~40 pontos-base entre o curto e o longo, mas cedeu por inteiro hoje. O Copom cortou a Selic em 25 bp para 14,25% em 17/06, na sequência do "ciclo de calibração" — decisão unânime, de ação dovish mas comunicação cautelosa e sem viés explícito, totalmente dependente dos dados. O Focus projeta Selic a 14,00% no fim de 2026 (um corte residual precificado) e IPCA de 5,33% — ainda desancorado da meta, com o IPCA cheio a 4,72% em 12 meses, acima do teto.

Opções — apetite por proteção

1,51
Put/Call · volume

Viés defensivo · percentil 72

0,96
Put/Call · posições (OI)

Posições equilibradas

O Put/Call por volume financeiro fechou em 1,51 (mais puts que calls, no 72º percentil histórico) — ainda um viés defensivo, mas em forte desaceleração: a razão vinha de 2,76 na segunda e 2,16 na quinta, sinal de que a demanda por proteção esfriou ao longo da semana. Por posições em aberto (OI), o quadro é equilibrado (0,96). Atividade anômala de opções concentrada em CXSE3, CMIG4 e BBDC4.

6 · Internacional & câmbio

Com Wall Street fechada pelo feriado do Dia da Independência, a referência dos EUA é o fechamento de quinta (02/07), com o S&P 500 praticamente estável em 7.483; os futuros indicavam leve alta, capturando o repricing dovish. A sessão asiática de hoje reagiu com força ao dado de emprego fraco (Nikkei +2,26%), e a Europa fechou mista para cima.

AtivoFechamentoVarSessão
S&P 5007.483estávelfechou qui 02/07
Nasdaq 100 (fut.)29.903+1,17%indicativo
Nikkei 22569.753+2,26%fechou hoje
CSI 300 (China)4.842+0,62%fechou hoje
DAX (Alemanha)25.779+0,78%fechou hoje
CAC 40 (França)8.502+0,38%fechou hoje
FTSE 100 (R. Unido)10.645−0,29%fechou hoje
ADR Petrobras (PBR)US$ 16,11+0,75%fechou qui 02/07
ADR Vale (VALE)US$ 14,99+0,60%fechou qui 02/07
VIX15,81−4,7%hoje

No câmbio, o dólar perdeu força de forma generalizada contra emergentes num dia de apetite por risco — real, peso chileno (−0,50%), rand (−0,15%) e peso mexicano firmes; do outro lado, yuan (+0,33%) e lira (+0,29%) cederam. O real acompanhou o grupo, com o dólar à vista na casa dos R$ 5,17.

ParCotaçãoVar dia
USD/BRL (à vista)R$ 5,17−0,7%
USD/MXN (México)17,47−0,02%
USD/ZAR (África do Sul)16,23−0,15%
USD/CLP (Chile)921,0−0,50%
USD/CNH (China)6,81+0,33%
USD/TRY (Turquia)46,86+0,29%

7 · Commodities

Prata+2,46%
Ouro+1,32%
Cobre+0,58%
Níquel+0,43%
Minério de ferro+0,27%
Brent+0,19%
WTI+0,13%

Os metais preciosos foram o destaque do dia — prata +2,46% e ouro +1,32% (a US$ 4.176), impulsionados justamente pelo dólar mais fraco e pela perspectiva de juros americanos menores. O minério de ferro subiu 0,27% (referência de Dalian em 739), dando sustentação à Vale e às siderúrgicas — CSN (+4,33%) foi uma das maiores altas do pregão. O petróleo operou de lado (Brent US$ 71,94, +0,19%; WTI US$ 68,78), um pano de fundo neutro para Petrobras, que ainda assim contribuiu +92 pts para o índice. Cobre (+0,58%) e níquel (+0,43%) ajudaram o bloco de mineração.

8 · Fatos & notícias

Do lado das empresas (comunicados à CVM ao longo do dia):

  • Alupar (ALUP) — venceu o Lote 7 do Leilão de Transmissão da ANEEL 01/26 (2ª etapa), com RAP de R$ 96,7 mi, capex estimado de R$ 1,09 bi e prazo de concessão de 30 anos (atende a Região Metropolitana de SP e o ABC).
  • Gafisa (GFSA) — o FII Suno Recebíveis Imobiliários passou a deter 10,12% do capital, em movimento declarado como estritamente de investimento. Ainda assim, a ação caiu 1,96% no dia.
  • Portobello / PBG (PTBL) — Conselho autorizou a potencial alienação dos ativos e da marca da unidade Pointer para a Cerâmica Almeida, sujeita a condições e à aprovação do CADE.
  • EcoRodovias (ECOR) — assumiu hoje o sistema rodoviário BR-251/MG e BR-116/MG (Ecovias das Gerais), 734,9 km sob concessão de 30 anos.
  • Corsan (RSAN) — declarou JSCP de R$ 219,4 mi referentes ao 1º semestre.
  • Raízen (RAIZ) e Light (LIGT) — ambas em processo de reestruturação: a AGDEB da Raízen reprovou impugnação ao plano de Recuperação Extrajudicial; a Light aditou seu programa de ADRs e aprovou derivativo para juros de dívida externa. LIGT3 caiu 3,06%.

Nas manchetes que moveram o humor: a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 9,8 bi em junho (acima dos US$ 7,8 bi de maio) — dado forte, embora a produção industrial de maio (−0,2% no mês) tenha vindo abaixo do esperado. No exterior, o fio condutor foi o relatório de emprego fraco nos EUA, que reduziu as apostas de juros altos e reacendeu o cenário de Fed dovish, dando o tom de "risk-on" para Ásia, metais e moedas emergentes. Na política doméstica, o STF prorrogou a prisão domiciliar de Bolsonaro — sem impacto relevante nos ativos.

9 · Fechamento & radar

O que importou hoje:
  • Alta de base larga e baixa volatilidade (+0,84%), puxada por Vale, bancos e óleo & gás, com quase todos os setores no verde e juros cedendo — reflexo direto do repricing dovish do Fed lá fora.
  • Fluxo ambíguo: gringo executor (UBS/JPM/Goldman) e domésticas apareceram vendedores no à vista, o estrangeiro ainda carrega −R$ 7,8 bi de saída em junho, mas a alta se sustenta na pessoa física e no institucional — e o Morgan puxou a ponta compradora.
  • A demanda por proteção esfriou (Put/Call de volume de 2,76 na segunda para 1,51 hoje) e o VIX comprimiu — o mercado entrou o fim de semana menos defensivo.

Radar para a próxima semana (horários em BRT):

QuandoEventoRelevância
Seg 06/07 · 08:25Boletim Focus (BCB)média
Seg 06/07 · 11:00PMI/ISM de Serviços (EUA)alta
Seg 06/07 · 15:00Balança Comercial (BR, jun)alta
Qua 08/07 · 09:00Vendas no Varejo (BR, mai)alta
Qua 08/07 · 15:00Ata do FOMCalta
Qui 09/07 · 09:30Pedidos de seguro-desemprego (EUA)alta
Sex 10/07 · 09:00IPCA de junho (BR)alta

O grande evento doméstico é o IPCA de junho, na sexta (10/07) — leitura-chave para calibrar as apostas do próximo passo do Copom. No meio do caminho, a Ata do FOMC (08/07) deve detalhar o debate que o dado de emprego fraco reacendeu. Na agenda corporativa, os primeiros resultados trimestrais começam a pingar a partir de 14/07 (ROMI, Camil, Paranapanema).