Fechamento B3 — Sexta, 05/06/2026 + Apanhado da Semana

Nasdaq -4,2% no pior dia desde 2025 (chips + payroll forte + sombra do mega-IPO da SpaceX); Ibovespa resiliente a -0,77% após feriado de Corpus Christi.

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Fechamento B3 — Sexta, 05/06/2026 + Apanhado da Semana

Briefing do pregão · 05/06/2026 · Rout global de tech derruba Wall Street; B3 digere dois dias num só pregão
O resumo do dia: Wall Street viveu o pior pregão desde a turbulência tarifária de 2025 — um rout de semicondutores que virou liquidação ampla de tech, turbinado por um payroll forte demais e pela sombra do mega-IPO da SpaceX drenando liquidez. A B3, fechada na quinta (Corpus Christi), precificou dois dias de deterioração externa num só pregão e ainda assim segurou melhor que os pares: Ibovespa -0,77%.

Pano de fundo macro

O humor virou azedo lá fora e contaminou todo mundo. O dólar (PTAX) subiu para R$ 5,1244 (+1,64%) refletindo a aversão a risco global. As commodities caíram em bloco — WTI -2,69%, Brent -2,25% e até a prata desabou ~8%, enquanto o ouro recuou 3,27%, sinal de liquidação generalizada, com gente vendendo até o que costuma proteger. O VIX explodiu de 15,4 para ~21,6 (+40%), confirmando o medo no preço. No Brasil, a Selic segue em 14,5%, IPCA acelerando a 4,39% a/a, IGP-M saltando a +1,96% a/a (+217% vs leitura anterior) e CDS 5Y estável em ~121 bps. Fed parado em 3,75%.

A causa da queda dos EUA: foi tech, e foi violento

Não foi macro genérico nem Oriente Médio — foi um rout específico de semicondutores que se transformou em liquidação ampla de tech. O Nasdaq Composite desabou 4,18% para 25.709 pts, a maior queda desde a turbulência tarifária do início de 2025. S&P 500 -2,64% (7.383) e Dow -1,35% (50.866). Foram três gatilhos sobrepostos:

1) O estopim foi nos chips. O catalisador veio na quarta à noite: a decepção com a Broadcom, que não elevou a projeção de chips de IA, derrubou o grupo na quinta — e na sexta a venda atingiu nova intensidade. O massacre foi brutal: Marvell -16%, Micron -13%, Intel e AMD ~-11%, Nvidia ~-6%. A tese de fundo é valuation: analistas vinham alertando que as empresas de tech beneficiadas pela IA podem ter ficado caras demais.

2) O payroll já saiu — e veio forte demais. A folha não-agrícola subiu 172 mil em maio (vs ~85 mil esperado), com desemprego inalterado em 4,3%, e ainda revisões para cima (março: +214 mil; abril: +179 mil; 93 mil empregos a mais que o reportado). Mercado de trabalho resiliente liga o alerta de Fed mais duro: os juros do Treasury subiram, com o 20Y e o 30Y voltando acima de 5%, reacendendo o medo inflacionário. Curiosidade: economistas apontaram a Copa do Mundo nos EUA (começa em 11/jun) como um dos motores do ganho surpreendente.

3) Pressão técnica de oferta de papel. A Meta estaria avaliando vender bilhões em novas ações, dias depois de a Alphabet ter levantado US$ 80 bi para sustentar capex — META caiu ~7%. Mais ações no mercado = diluição e drenagem de liquidez.

O IPO da SpaceX: o elefante na sala da liquidez

Conectado diretamente à drenagem. A SpaceX fixou o preço em US$ 135/ação para 555,6 milhões de ações — fundraise de US$ 75 bilhões a um valuation de US$ 1,77 trilhão, estreia na Nasdaq em 12 de junho sob o ticker SPCX. Será o maior IPO da história, superando o recorde de US$ 29,4 bi da Saudi Aramco (2019). O roadshow começou em 04/jun. O detonante de fundo da angústia em Wall Street: o filing inicia o cronômetro de um verão quente de mega-IPOs, com Anthropic e OpenAI rumoradas para seguir (a Anthropic protocolou prospecto confidencial na segunda). A pergunta no mercado é se há dinheiro suficiente nos mercados públicos para absorver todos. Ou seja: a perspectiva de US$ 75 bi sendo sugados em poucos dias é exatamente o tipo de evento que faz o smart money realizar lucro em tech sobrevalorizada antes da janela.

O feriado de quinta (04/06) — efeito Corpus Christi

Ponto operacional decisivo para ler o dia: a B3 ficou fechada na quinta (Corpus Christi), sem pregão em renda variável, derivativos, renda fixa privada e Tesouro Direto. Os EUA operaram normalmente. Resultado: a B3 "comeu" toda a queda de quinta dos EUA de uma vez na sexta — o pregão brasileiro precificou dois dias de deterioração externa concentrados. O recuo de apenas -0,77% do Ibovespa (~169.019 pts) é, nesse contexto, notavelmente resiliente: absorveu o tombo de chips de quinta + o payroll/rout de sexta e ainda caiu menos que qualquer índice americano.

B3 hoje: quem apanhou e quem reagiu

As siderúrgicas e materials lideraram a queda, junto com a Vale (-3,78%, R$ 1,8bi de giro) e o tombo de commodities:

TickerVar %Giro (R$)AVATObservação
CSNA3-10,18%212M2,4xADR SID -8,85% lá fora
BRKM5-6,89%89M1,7xFato relevante: aditamento do acordo de acionistas; ADR BAK -7,7%
CSMG3-5,25%514M2,1x
CYRE3-4,94%131M0,9x

Do lado positivo, EMBJ3 +3,82% (R$ 518M de giro) brilhou isolada — a Azorra fez novo pedido firme de 15 E195-E2, elevando o total para 54 unidades. CEAB3 +3,84% e LOGG3 +3,36% (AVAT 2,7x) completaram as altas.

Fluxo institucional (equities, hoje)

O destaque anômalo gritante: Goldman vendendo JBSS32 a 10,15x o normal (2,66M vs p50 262k) com o papel subindo +4,34%, Merrill comprando do outro lado. XP comprando BBAS3 pesado (4x, 20,3M contratos, AVAT 2,07x) na baixa do Banco do Brasil (-1,84%) — alguém grande montando posição. BTG comprador em EQTL3 e CSMG3; Morgan em SBSP3.

Estrangeiro (último pregão publicado): gringo negativo (-R$ 45M no dia, -R$ 930M no mês), com institucionais locais sustentando o índice (+R$ 397M dia, +R$ 1,8bi mês).

Fluxo de futuros (WIN/WDO) de hoje não incluído: a ingestão EOD de 05/06 ainda não rodou no fechamento e o feed live já zerou. Será acrescentado quando a base consolidar.

Derivativos / Aluguel (BTB, último pregão)

Taxa de HBSA3 disparou +312 bps (short montando), enquanto TOTS3 (-254 bps) e ITUB3 (-279 bps) viram alívio de pressão vendedora. Em posição, COIN11 (+110%) e KLBN4 (+87%) lideraram a alta de saldo de aluguel.

Comunicados de companhia (CVM, hoje)

O fato relevante doméstico mais relevante foi o da Braskem (BRKM5): comunicado sobre correspondência do Shine I FIP a respeito da assinatura do Primeiro Aditivo ao Novo Acordo de Acionistas, com mudanças na governança — papel reagiu com -6,89%. O restante do fluxo de comunicados foi dominado por disponibilização de informações de BDRs (Datadog, DocuSign, GoDaddy, Brookfield, AppLovin, entre dezenas de outros), sem fatos relevantes domésticos adicionais de peso.

Apanhado da semana

Fio condutor doméstico — o tarifaço. Proposta dos EUA de 25% sobre mercadorias brasileiras via Seção 301 do USTR, classificada como "mais séria e com potencial eleitoral". Governo Lula tenta estender a negociação até 15 de julho, em meio a ruído político (Flávio Bolsonaro, caso Banco Master no STF, pré-campanha).

Lá fora, a semana virou no meio. O S&P 500 teve seu pior dia desde outubro e a sexta marcou sua primeira semana de perdas nas últimas 10 — depois de o índice ter fechado acima de 7.600 pela primeira vez na terça, com o boom de chips. A rotação saiu de tech após Broadcom + payroll + a sombra dos mega-IPOs (SpaceX/Anthropic/OpenAI) drenando liquidez. No ano, o S&P 500 ainda acumula +7,9%.

Postura à frente: o Brasil entrou na sexta tendo que digerir dois dias de risk-off num pregão só (efeito feriado), com siderurgia/materials no epicentro e Embraer como exceção. O risco adiante é duplo — externo (rotação anti-tech + drenagem de liquidez pelos IPOs + juros US subindo) e doméstico (tarifa + inflação resistente + ruído eleitoral).