Fechamento de Mercado — 24/07/2026

Ibovespa cai 1,52% aos 174 mil e destoa do exterior favorável: Petrobras, bancos e elétricas puxam; dólar recua a R$ 5,07 e curva DI cede até 25 bps.

Assessoria NomosRelatórios exclusivos todos os dias para nossos clientes Falar com assessor
Fechamento

Fechamento de Mercado — 24/07/2026

24/07/2026 · Panorama do pregão · Ibovespa destoa do exterior favorável

O Ibovespa fechou esta sexta-feira em queda de 1,52%, aos 174.042 pontos (−2.686 pts), e destoou de um pano de fundo externo que jogava a favor: petróleo recuando mais de 2%, rendimentos dos Treasuries cedendo, bolsas europeias no positivo e, dentro de casa, o dólar caindo a R$ 5,07 e a curva de DI perdendo de 15 a 25 pontos-base. O freio veio de dentro — Petrobras (com o barril mais barato), o bloco de bancos e, sobretudo, o setor de energia elétrica, o pior do dia, num pregão marcado pela precificação da oferta da ISA Energia e pela entrada em vigor da sobretaxa de 12,5% dos EUA sobre produtos brasileiros.

1 · Resumo do dia

Ibovespa
174.042
−1,52% · −2.686 pts
USD/BRL
5,0666
−0,28%
DI jan/29
14,46%
−0,25 pp no dia
S&P 500
7.414
+0,07% · fechou hoje
Brent
US$ 98,34
−2,33%
Minério 62%
US$ 744
+0,13%
Dólar (DXY)
101,47
+0,02%
VIX
18,58
−0,64%

O roteiro externo era de alívio: com o petróleo em queda e os juros longos americanos cedendo, o dólar perdeu força ante o real (a R$ 5,0666, −0,28%) e a curva local de juros futuros recuou em bloco. Faltou, porém, o índice acompanhar. A bolsa abriu no vermelho e ali permaneceu — o alívio de câmbio e juros foi mais do que compensado pela composição pesada em Petrobras, bancos e utilities, exatamente os grupos que puxaram o índice para baixo. O resultado foi um descolamento nítido: renda fixa e moeda premiando o cenário benigno, a renda variável presa aos vetores domésticos.

2 · Destaques da bolsa

Maiores altas

DASA3
+6,23%
AZEV3
+5,04%
RCSL4
+3,57%
YDUQ3
+3,05%
HBSA3
+2,40%
CVCB3
+2,29%
VIVT3
+2,22%
PLPL3
+2,17%

Maiores baixas

ISAE4
−7,16%
ANIM3
−5,53%
HAPV3
−5,25%
CXSE3
−5,21%
MBRF3
−4,81%
AZEV4
−4,65%
SMTO3
−4,20%
BEEF3
−3,93%

Maiores volumes financeiros

PETR4
R$ 1,23 bi
VALE3
R$ 649 mi
B3SA3
R$ 546 mi
AXIA3
R$ 450 mi
ITUB4
R$ 440 mi
EMBJ3
R$ 429 mi
PETR3
R$ 366 mi
WEGE3
R$ 353 mi

Volume relativo (AVAT) — quem girou muito acima da média

PapelAVATVar. dia
ISAE43,92×−7,16%
ANIM32,32×−5,53%
AZEV32,23×+5,04%
POMO32,23×+0,83%
CXSE32,00×−5,21%
GFSA31,98×−2,78%
DASA31,89×+6,23%
BLAU31,75×−1,89%

A ponta vendedora dominou os extremos. A maior baixa e o maior giro relativo do dia foram de ISAE4 (−7,16%, AVAT 3,9×), pressionada pela precificação da oferta primária da ISA Energia a R$ 27,00 — o papel fechou abaixo do preço da operação. Logo atrás, um bloco defensivo e cíclico rodou no vermelho: saúde/educação (HAPV3 −5,25%, ANIM3 −5,53%), seguros (CXSE3 −5,21%) e proteína/agro (MBRF3 −4,81%, BEEF3 −3,93%, SMTO3 −4,20%). Do lado positivo, os ganhos ficaram em nomes de menor porte e alta volatilidade (DASA3 +6,23%, AZEV3 +5,04%), com destaque de peso apenas para VIVT3 (+2,22%, na véspera do balanço) e para o setor de máquinas via WEG. O giro seguiu concentrado em PETR4, sozinha com R$ 1,23 bi negociado.

3 · Setorial & atribuição do índice

Desempenho por setor (intradiário)

Materiais (IMAT)−0,44%
Industrial (INDX)−0,71%
Imobiliário (IMOB)−0,89%
Small Caps (SMLL)−1,07%
Consumo (ICON)−1,34%
Financeiro (IFNC)−1,81%
Dividendos (IDIV)−1,98%
Utilities (UTIL)−2,38%
Energia Elétrica (IEEX)−2,46%

Quem derrubou o Ibovespa (pontos)

PETR4
−235 pts
PETR3
−185 pts
AXIA3
−176 pts
ITUB4
−167 pts
BPAC11
−140 pts
SBSP3
−128 pts
ITSA4
−120 pts
BBAS3
−119 pts
VALE3
−112 pts
ENEV3
−110 pts

Quem sustentou (pontos)

VIVT3
+39 pts
WEGE3
+34 pts
GGBR4
+18 pts
TOTS3
+16 pts
TIMS3
+12 pts
YDUQ3
+4 pts
CSNA3
+3 pts
HYPE3
+3 pts

O mapa foi todo vermelho, com a fraqueza concentrada nos setores de juro longo: energia elétrica (IEEX −2,46%) e utilities (−2,38%) na lanterna — vítimas da oferta da ISA Energia e da sensibilidade do grupo à taxa de desconto — seguidos do financeiro (IFNC −1,81%), cujo peso no índice amplificou o estrago. Na ponta oposta, materiais básicos (−0,44%) resistiram, amparados pelos metais firmes lá fora. Na conta em pontos, a Petrobras sozinha (PETR4 −235 + PETR3 −185) tirou mais de 420 pontos do índice, seguida do peso-pesado de energia elétrica AXIA3 (−176) e do bloco bancário (Itaú, BTG, Itaúsa e Banco do Brasil somando outros ~550 pontos negativos). Do lado positivo, a defesa coube a telecom (VIVT3, TIMS3), à WEG e às siderúrgicas (GGBR4, CSNA3), na esteira dos metais.

4 · Fluxo

Saldo por participante — acumulado de julho (até o pregão de 22/07)

Estrangeiro
+R$ 4,61 bi
Inst. financeiras
+R$ 1,73 bi
Pessoa física
+R$ 1,30 bi
Institucional local
−R$ 7,70 bi

O mês segue com um cabo de guerra clássico: o estrangeiro comprador líquido de R$ 4,61 bi em julho (dado consolidado até 22/07) contra o institucional local vendedor de R$ 7,70 bi — fundos domésticos realizando enquanto o de fora sustenta. No pregão de hoje, a leitura ao vivo do livro à vista do Ibovespa mostra a BTG como maior compradora (+R$ 245 mi) — a mesma casa que aparece como compradora anômala na liquidação da oferta de ISAE4 —, seguida de XP (+R$ 131 mi), UBS (+R$ 112 mi) e JP Morgan (+R$ 88 mi). Do outro lado, a Morgan Stanley liderou as vendas (−R$ 217 mi), à frente de Ágora (−R$ 130 mi) e Necton (−R$ 100 mi).

BTG
+R$ 245 mi
XP
+R$ 131 mi
UBS
+R$ 112 mi
JP Morgan
+R$ 88 mi
Itaú
+R$ 42 mi
Ativa
−R$ 67 mi
Citigroup
−R$ 89 mi
Necton
−R$ 100 mi
Ágora
−R$ 130 mi
Morgan
−R$ 217 mi

5 · Futuros & derivativos

Mini-índice (WIN) — saldo líquido

CorretoraNet (ctr)Lado
Morgan−56.115vendedor
Goldman−37.712vendedor
XP+17.896comprador
JP Morgan+16.452comprador
Ativa+12.427comprador

Mini-dólar (WDO) — saldo líquido

CorretoraNet (ctr)Lado
JP Morgan+53.669comprador
Necton+41.900comprador
Ativa−25.597vendedor
XP−24.776vendedor
Renascença−22.530vendedor

Nos minis, o WIN fechou o ajuste em 174.700 pontos (−1,87%) com bancos estrangeiros no lado vendedor do fluxo (Morgan e Goldman com os maiores saldos líquidos vendedores) — leitura de posição executada, não de tese direcional da casa, já que esses nomes intermedeiam ordem de cliente e trocam de lado de um pregão para o outro. No mini-dólar, o saldo líquido comprador ficou com JP Morgan (+53,7 mil) e Necton (+41,9 mil).

Curva de juros DI — recuo generalizado no dia

1514
HojeFechamento anterior% a.a. · vértice (jan)

A curva cedeu em bloco e ganhou inclinação de baixa (bull-flattening): o vértice curto jan/27 caiu a 13,96% (−0,09 pp) e a barriga/longo perdeu de 0,19 a 0,25 pp, com jan/29 a 14,46% e jan/33 a 14,69%. É a tradução, em juro local, do petróleo mais barato e dos Treasuries em queda — o mercado de renda fixa comprou o cenário benigno que a bolsa ignorou.

Put/Call ratio (fechamento de hoje)

0,87
PCR volume

Neutro · percentil 46

0,97
PCR posições (OI)

Defensivo · percentil 77

No mercado de opções, o put/call por volume voltou a território neutro (0,87, percentil 46) depois do dia atípico de véspera, mas o put/call por posições em aberto em 0,97 (percentil 77) sinaliza um estoque de proteção acima do usual — viés defensivo montado, não desmontado. Entre as atividades anômalas, chamaram atenção as calls de BRAV3 (giro 2,6× a média, PCR 0,51), no compasso da recomendação do conselho pela OPA, além de VBBR3 e CPFE3, também concentradas em compra de call.

6 · Internacional & câmbio

PraçaNívelVar. diaSessão
Dow Jones51.947+0,46%fechou hoje
S&P 5007.414+0,07%fechou hoje
Nasdaq-10028.128−1,15%fechou hoje
DAX (Alemanha)25.099+1,36%fechou hoje
FTSE 100 (R. Unido)10.721+0,90%fechou hoje
Nikkei (Japão)64.250−1,74%fechou hoje
CSI 300 (China)4.649−1,67%fechou hoje
Taiwan (TWII)43.655−2,67%fechou hoje
VIX18,58−0,64%hoje
DXY (dólar)101,47+0,02%hoje

O dia lá fora foi de rotação para fora da tecnologia: o Dow (+0,46%) e as bolsas europeias (DAX +1,36%, FTSE +0,90%) subiram, enquanto o Nasdaq-100 (−1,15%) e as praças asiáticas de tecnologia recuaram — Taiwan −2,67%, Nikkei −1,74% e a Coreia em queda mais acentuada. É o padrão "velha economia > tech", que em tese favoreceria uma bolsa de perfil cíclico e de commodities como a brasileira; hoje, porém, os vetores domésticos falaram mais alto. Nos ADRs, a Petrobras caiu 1,26% em Nova York (negócios de hoje) e a Vale saiu praticamente estável na véspera (−0,13%, sessão de 23/07). O VIX ficou de lado (18,58) e o índice do dólar (DXY) mal se mexeu.

Câmbio — real lidera entre os pares emergentes

ParCotaçãoVar. diaLeitura
USD/BRL5,07−0,28%real firme
USD/MXN17,48−0,24%peso mexicano firme
USD/CNH6,77−0,05%yuan estável
USD/ZAR16,83+0,02%rand estável
USD/TRY47,36+0,20%lira cede
USD/CLP948+0,43%peso chileno cede
USD/COP3.218+0,51%peso colombiano cede

Com o dólar global de lado, a diferenciação veio dos emergentes: real e peso mexicano se valorizaram (queda do par dólar), enquanto os pesos chileno e colombiano cederam. O real foi um dos mais firmes do grupo, coerente com a entrada estrangeira do mês e com a queda dos juros externos.

7 · Commodities

Prata+1,00%
Cobre+0,35%
Níquel+0,16%
Minério 62%+0,13%
Ouro+0,08%
WTI−1,85%
Brent−2,33%

O grande motor do dia foi o petróleo em queda (Brent US$ 98,34, −2,33%; WTI US$ 90,48, −1,85%) — e, curiosamente, apesar da notícia de ataques de caças do Bahrein e do Kuwait ao Irã, prevaleceram a leitura de oferta e o receio de demanda. É a raiz da liderança da Petrobras entre os pesos negativos do Ibovespa. Do lado dos metais, o quadro foi firme (cobre +0,35%, prata +1,00%, níquel +0,16%, minério +0,13%), o que amparou Vale, Gerdau e CSN e explica a resiliência do setor de materiais. O ouro ficou de lado (US$ 4.052), sem prêmio de risco relevante.

8 · Fatos & notícias

Comunicados de empresas (hoje)

EmpresaDestaque
Brava Energia (BRAV3)Conselho recomenda a aceitação da OPA
Localiza (RENT3)Dynamo adquire participação relevante em ações PN
Light (LIGT3)Aumento de capital, conversão de debêntures e homologação de bônus de subscrição
Embraer (EMBJ3)Carteira de pedidos +16%, a US$ 34,5 bi; 65 jatos entregues no 2º tri
WEG (WEGE3)Apresentação a investidores
Triunfo (TPIS3)Termo de autocomposição Concebra–TCU

Manchetes que moveram o dia (BRT)

HoraManchete
13:28Dólar e juros caem no Brasil em sintonia com o exterior favorável; Ibovespa destoa
17:51Sobretaxa de 12,5% dos EUA entra em vigor hoje — afeta US$ 12,4 bi em vendas (CNI)
16:34Governo mantém subvenção a diesel e gasolina; R$ 6,3 bi até o fim do ano
16:06Com precatórios, previsão de déficit primário sobe para R$ 52 bilhões
06:01ISA Energia precifica oferta primária a R$ 27,00; até R$ 1,20 bi com lote adicional
13:31Caças do Bahrein e do Kuwait atacam o Irã — rara retaliação no Golfo

O gatilho doméstico do dia foi tributário: a sobretaxa de 12,5% dos EUA sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta sexta, atingindo cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações (2,9% do total, pela conta da CNI) — pano de fundo que ajuda a explicar por que o fluxo estrangeiro do mês não segurou o índice hoje. No corporativo, a novela da OPA da Brava Energia ganhou capítulo com a recomendação favorável do conselho, a Localiza comunicou a entrada relevante da Dynamo em suas preferenciais e a Embraer reportou carteira recorde de US$ 34,5 bilhões — ainda que a ação tenha cedido no pregão.

9 · Fechamento & radar

O que importou hoje

  • Descolamento do exterior. Com petróleo e Treasuries em queda, dólar e DI recuaram no Brasil — mas o Ibovespa caiu 1,52%, preso a Petrobras, bancos e elétricas.
  • Elétricas na lanterna. A precificação da oferta da ISA Energia (R$ 27,00) puxou ISAE4 (−7,16%) e afundou os setores de energia elétrica (−2,46%) e utilities (−2,38%).
  • Rotação global anti-tech. Dow e Europa em alta, Nasdaq e Ásia de tecnologia em queda — e, no câmbio, o real entre os emergentes mais firmes.

Radar da semana que vem

DataEvento
Seg 27/07Boletim Focus · resultados de Telefônica (VIVT3) e TIM (TIMS3)
Ter 28/07IPCA-15 de julho (alta relevância) · contas externas e IED · confiança do consumidor nos EUA
Qua 29/07Decisão de juros do Fed (FOMC) e entrevista de Powell
Qui 30/07Núcleo do PCE e PIB do 2º tri dos EUA · desemprego no Brasil · resultados de Vale, Ambev, Usiminas, Bradesco e ISA Energia
Sex 31/07Dívida/PIB e resultado primário no Brasil · sentimento da Universidade de Michigan (EUA)

A semana entrante é densa: começa com o Focus e os balanços de telecom, tem o IPCA-15 como termômetro de inflação na terça, a decisão do Fed na quarta e um encerramento de temporada de resultados carregado (Vale, Ambev, Bradesco e Usiminas reportam na quinta), com o núcleo do PCE americano no mesmo dia. No pano de fundo doméstico ficam a sobretaxa americana já em vigor e a próxima reunião do Copom, prevista para o início de agosto (Selic hoje em 14,25%, sem viés explícito e dependente dos dados). Nenhuma leitura direcional — apenas o que estará no radar.