Fechamento de Mercado — 21/07/2026

Ibovespa fecha estável (173.359 pts, −0,01%) e descola de um rali global tech; Petrobras e bancos seguram o índice, saúde e utilities drenam.

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Fechamento

Fechamento de Mercado — 21/07/2026

20/07/2026

O Ibovespa fechou o pregão desta terça-feira (21/07) praticamente colado à estabilidade, aos 173.359 pontos (−0,01%), num descolamento nítido do bom humor global: enquanto a Ásia disparava e Nova York renovava ganhos puxada por tecnologia, a bolsa brasileira passou o dia de lado. Chegou a recuar 0,68% na mínima (172.194) e recuperou tudo até o fim (máxima em 173.781, +0,24%), mas não pegou carona no rali lá fora.

Ibovespa
173.359
−0,01% · 172.194–173.781 no dia
USD/BRL
5,078
−0,22% · real levemente firme
DI 1 ano
14,15%
curva estável
S&P 500
7.505
+0,83% · fechou hoje
Brent
US$ 91,6
petróleo firme
Minério
US$ 746
−0,1%

O pano de fundo doméstico seguiu ancorado: a Selic está em 14,25% a.a. (o Copom cortou 25 pb em 17/06 e volta a se reunir em 05/08, sem viés explícito e data-dependente), o Focus projeta Selic a 14,00% no fim de 2026 e IPCA de 5,15% — que vem cedendo semana a semana —, e o CDI roda a 14,15%. Lá fora, o Fed mantém os juros em 3,75% e o Treasury de 10 anos subiu a 4,63% (+0,79% no dia). O que chamou atenção foi o contraste de humor: mesmo com o noticiário de conflito no Oriente Médio, o VIX desabou 8,6%, para 17,05, e o petróleo firmou (WTI +2,1%). O dia foi de apetite por risco no mundo — só que a B3 ficou de fora.

Destaques da bolsa

Entre os pesos-pesados, o dia foi de petróleo e bancos sustentando contra saúde e utilities drenando. Banco do Brasil (+3,17%) foi a grande blue-chip do pregão, seguido por Minerva (+4,06%) e pela siderurgia (USIM5 +3,06%, CMIN3 +2,97%). Do lado das quedas, Casas Bahia (−9,90%) e Movida (−6,50%) lideraram, com Hypera (−5,93%) apanhando em volume elevado (R$ 124 mi, AVAT 1,87×) — o desconto do dia entre as líquidas.

Maiores altas

AZEV3
+13,33%
PCAR3
+4,62%
MBRF3
+4,06%
CVCB3
+3,70%
BBAS3
+3,17%
USIM5
+3,06%
CMIN3
+2,97%
ONCO3
+2,94%

Maiores baixas

BHIA3
−9,90%
ENJU3
−8,60%
MOVI3
−6,50%
LIGT3
−6,12%
HYPE3
−5,93%
PMAM3
−5,88%
PLPL3
−4,95%
HBOR3
−4,93%

Maiores volumes financeiros

PETR4
R$ 1,60 bi
VALE3
R$ 915 mi
BBAS3
R$ 522 mi
AXIA3
R$ 508 mi
B3SA3
R$ 442 mi
ITUB4
R$ 417 mi
WEGE3
R$ 392 mi
BBDC4
R$ 359 mi

Petrobras concentrou R$ 1,60 bi em giro (o maior do dia) e Vale R$ 915 mi; a novidade foi o volume anormal em Santander (SANB11), que girou 2,29× a média (R$ 191 mi) mesmo subindo modestos 1,04%. A tabela abaixo destaca quem girou mais acima do normal (AVAT = volume relativo à média):

PapelAVATVar%Volume R$
AZEV32,80×+13,33%R$ 4,1 mi
BHIA32,64×−9,90%R$ 11,6 mi
GFSA32,58×0,00%R$ 2,0 mi
DESK32,39×+0,84%R$ 18,6 mi
SANB112,29×+1,04%R$ 191,4 mi
ORVR31,98×−3,97%R$ 98,0 mi
MDIA31,98×−0,06%R$ 19,3 mi
ANIM31,95×−4,59%R$ 35,5 mi

Setorial & atribuição do índice

No recorte por índices setoriais (ao vivo), o Financeiro (IFNC +0,53%) e o de Dividendos (IDIV +0,55%) foram os únicos claramente no azul, enquanto Consumo (ICON −1,31%), Utilities (UTIL −0,85%) e Imobiliário (IMOB −0,78%) pesaram. Materiais Básicos (IMAT +0,18%) ficou perto da linha zero, sustentado pela siderurgia.

Dividendos (IDIV)+0,55%
Financeiro (IFNC)+0,53%
Materiais (IMAT)+0,18%
IBrX-1000,00%
Industrial (INDX)−0,44%
Energia Elétr. (IEEX)−0,74%
Small Caps (SMLL)−0,75%
Imobiliário (IMOB)−0,78%
Utilities (UTIL)−0,85%
Consumo (ICON)−1,31%

A decomposição do IBOV em pontos mostra por que o índice ficou no zero a zero: Petrobras (+162 pts), Banco do Brasil (+145 pts) e Vale (+112 pts) puxaram para cima, com PETR3 (+106 pts), Itaú (+84 pts) e Bradesco (+51 pts) reforçando. Do outro lado, Rede D0r (−120 pts) — que caiu 4,6% —, Copel (−86 pts), Sabesp (−79 pts), WEG (−71 pts), Localiza (−66 pts) e Raia Drogasil (−53 pts) anularam a força dos bancos e do petróleo.

PETR4
+162 pts
BBAS3
+145 pts
VALE3
+112 pts
PETR3
+106 pts
ITUB4
+84 pts
BBDC4
+51 pts
RADL3
−53 pts
RENT3
−66 pts
WEGE3
−71 pts
SBSP3
−79 pts
CPLE3
−86 pts
RDOR3
−120 pts

Fluxo

No livro do IBOV ao vivo, o padrão foi gringo comprando, casa nacional vendendo: UBS (+R$ 177 mi), Goldman (+R$ 127 mi) e JP Morgan (+R$ 120 mi) lideraram a ponta compradora, enquanto XP (−R$ 188 mi), BTG (−R$ 164 mi) e Ágora (−R$ 104 mi) despejaram do outro lado. É o mesmo filme do mês: o estrangeiro segue positivo, o institucional local no vermelho.

UBS
+R$ 177 mi
Goldman
+R$ 127 mi
JP Morgan
+R$ 120 mi
Genial
+R$ 75 mi
BGC
+R$ 72 mi
Ativa
−R$ 58 mi
Citigroup
−R$ 89 mi
Ágora
−R$ 104 mi
BTG
−R$ 164 mi
XP
−R$ 188 mi

O saldo por categoria da B3 ainda não consolidou o pregão de hoje; a última leitura fechada (17/07) trouxe o estrangeiro comprador em R$ 2,36 bi num só dia, contra institucional vendedor de R$ 3,41 bi. No acumulado de julho, o desenho é o mesmo e mais forte: gringo +R$ 4,71 bi no mês contra institucional −R$ 7,80 bi, com pessoa física (+R$ 1,31 bi) e bancos (+R$ 1,24 bi) do lado comprador.

Estrangeiro
+R$ 4,71 bi
Pessoa Física
+R$ 1,31 bi
Inst. Financeiras
+R$ 1,24 bi
Outros
+R$ 538 mi
Institucional
−R$ 7,80 bi

Saldo por categoria e acumulado do mês referentes a 17/07 (último pregão consolidado); fluxo de corretoras no IBOV ao vivo, 21/07.

Futuros & derivativos

No mini-índice (WINQ26, marcado a ~174.650), o dia terminou equilibrado — como manda a natureza soma-zero do contrato. Por saldo líquido (compras − vendas), Itaú ficou o mais comprado (+16.194 ctr), com Ágora (+15.290 ctr) e Goldman (+11.576 ctr) também no azul, contra Morgan (−10.017 ctr) e Genial no maior líquido vendedor (−20.356 ctr). No mini-dólar (WDOQ26, ~5.086), a ponta compradora ficou com BGC (+21.244 ctr) e XP (+17.620 ctr), e a vendedora com Ativa (−23.017 ctr) e UBS (−15.678 ctr).

Itaú
+16.194 ctr
Ágora
+15.290 ctr
Goldman
+11.576 ctr
Morgan
−10.017 ctr
Genial
−20.356 ctr

Na curva de juros, o DI segue com inclinação positiva de 64 bps entre o vértice curto (fev/27, 13,96%) e o longo (jan/36, 14,60%) — o mercado ainda precifica um patamar de juros alto e estável por anos. No comparativo internacional, o Tesouro brasileiro de 10 anos paga 14,71% contra 4,60% do Treasury americano, um spread de 10,1 pp; a inclinação 2s10s é de +0,53 pp aqui e +0,39 pp nos EUA.

1514
Curva DI% a.a. · vértice curto → longo

Em opções, o mercado fechou com viés levemente comprador: a razão Put/Call por volume caiu a 0,90 (percentil 50 no histórico), sinal de que a demanda por proteção — que chegou a 2,76 em 01/07 — foi esvaziando ao longo do mês. Combinado ao VIX em queda, é um tom mais calmo, apesar do ruído geopolítico.

0,90
Put/Call (volume)

Mais call que put — hedge de baixa esvaziou

Internacional & câmbio

O dia foi de risk-on liderado por tecnologia. A Ásia disparou — Taiwan +4,2%, Kospi +3,6%, Nikkei +3,2% e CSI 300 +3,1% —, a Europa fechou no positivo (FTSE +1,3%, CAC +1,2%) e Nova York renovou ganhos com o Nasdaq-100 subindo 1,9%. O VIX caiu 8,6%. Nesse ambiente, os ADRs brasileiros acompanharam (Petrobras +1,85%, Vale +0,66%), mas o índice à vista não — a leitura do dia é de uma B3 que ficou para trás de um rali global de apetite ao risco.

MercadoNívelVar%Sessão
S&P 5007.505,24+0,83%fechou hoje
Nasdaq-10029.155,18+1,93%fechou hoje
Dow Jones52.224,64+0,74%fechou hoje
VIX17,05−8,58%fechou hoje
FTSE 100 (RU)10.605,55+1,31%fechou hoje
CAC 40 (FR)8.387,00+1,22%fechou hoje
DAX (AL)25.011,35+0,66%fechou hoje
Nikkei 225 (JP)67.151+3,22%fechou hoje
Taiwan (TWII)44.232+4,20%fechou hoje
Kospi (KR)6.748+3,56%fechou hoje
CSI 300 (CN)4.739+3,06%fechou hoje
PBR (ADR)US$ 18,53+1,85%fechou hoje
VALE (ADR)US$ 14,19+0,66%fechou hoje

No câmbio, o real fechou levemente firme (USD/BRL 5,078, −0,22%) num dia de dólar global de lado ante as moedas fortes. Os pares emergentes acompanharam o tom construtivo: rand sul-africano (−0,38%), peso colombiano (−0,90%) e yuan (−0,07%) todos ganharam terreno contra o dólar; peso mexicano e lira turca ficaram estáveis.

ParCotaçãoVar%Leitura
USD/BRL5,078−0,22%real levemente firme
USD/MXN17,42−0,06%peso mexicano estável
USD/ZAR16,47−0,38%rand firme
USD/CNH6,77−0,07%yuan firme
USD/COP3.225−0,90%peso colombiano firme
USD/TRY47,21+0,08%lira estável

Commodities

O tabuleiro de matérias-primas reforçou o dia de risco. A prata disparou 4,2% e o cobre subiu 2,0%, acompanhando o apetite metálico; o petróleo firmou (WTI +2,1% a US$ 85, Brent a US$ 91,6), sustentado pela tensão no Oriente Médio. O ouro ficou estável (US$ 4.077) e o minério de ferro lateral (US$ 746, −0,1%).

Prata
+4,2%
WTI
+2,1%
Cobre
+2,0%
Níquel
+1,1%
Brent
+0,1%
Ouro
0,0%
Minério
−0,1%

Para a B3, a leitura é direta: energia firme sustenta a Petrobras (PETR4 +1,24% no dia), e os metais industriais ajudam a siderurgia e a mineração menor (CMIN3 +2,97%, USIM5 +3,06%). Mas o minério de pé limita a Vale (VALE3 +0,54%) — e a ausência de corrida ao ouro confirma que não houve fuga para defensivos, apesar do noticiário de guerra.

Fatos & notícias

A pauta corporativa do dia foi dominada por dividendos, JCP e movimentos societários. O destaque de radar é a WEG, que aprovou uma linha de crédito e divulga o resultado do 2º trimestre já amanhã (22/07) — a ação caiu 1,16% na véspera. Também saíram avisos de proventos de Unifique (JCP de R$ 30 mi) e Afluente (dividendos de R$ 10 mi), aumento de capital da Minerva por exercício de bônus e emissões de debêntures da CASAN.

EmpresaComunicado do dia
WEG (WEGE3)Linha de crédito aprovada; resultado do 2T sai amanhã (22/07)
Minerva (BEEF)Aumento de capital por exercício de bônus de subscrição
Unifique (FIQE)Distribuição de JCP de R$ 30 mi
Afluente (AFLT)Dividendos de R$ 10 mi da reserva especial
CASAN (CASN)Emissão de debêntures (R$ 175 mi + R$ 90 mi)
Frasle (FRAS)Operações financeiras BNDES + swap

No noticiário que moveu o humor:

  • Oriente Médio — o Irã afirmou ter atacado um data center da Amazon no Bahrein e o Reino Unido autorizou o uso de bases para eventuais ataques dos EUA ao Irã; ainda assim, o mercado reagiu com o VIX em queda e petróleo firme, não com pânico.
  • Embraer (EMBJ3) — o Grupo Abra (controlador de Avianca e Gol) fechou acordo para adquirir até 45 jatos E195-E2 (20 firmes); a ação, porém, cedeu 0,71% no dia.
  • B3 (B3SA3) — a BlackRock elevou a participação e passou a deter 10,03% das ações ordinárias da bolsa em nome de clientes.
  • Brava Energia (BRAV3) — o leilão da OPA da colombiana Ecopetrol pelo controle foi marcado para 5 de agosto.
  • Vale (VALE3) — o indicado da Previ, apelidado de Ollie, se aproxima da presidência do conselho de administração.
  • Tarifaço — o governo federal reuniu setores industriais afetados pelas tarifas dos EUA, que pedem reforço às medidas de apoio.

Fechamento & radar

O que importou hoje
  • Descolamento. A B3 fechou no zero a zero (−0,01%) num dia de rali global tech (Ásia +3% a +4%, Nasdaq +1,9%). Petrobras, Banco do Brasil e Vale seguraram o índice; saúde (Rede D0r −4,6%), utilities (Copel, Sabesp) e WEG drenaram na mesma proporção.
  • Fluxo. Gringo comprador (UBS, Goldman, JP Morgan) contra casas nacionais vendedoras (XP, BTG, Ágora) — coerente com o estrangeiro +R$ 4,71 bi no mês ante institucional −R$ 7,80 bi.
  • Tom calmo. VIX −8,6% e Put/Call normalizando (de 2,76 em 01/07 para 0,90) mostram hedges se esvaziando, apesar do noticiário de conflito e do tarifaço.

O radar de amanhã e da semana concentra-se em petróleo, atividade nos EUA e a próxima referência de inflação doméstica antes do Copom de 05/08:

QuandoEventoHora BRT
22/07WEG (WEGE3) — resultado do 2T26
22/07EIA · estoques de petróleo (EUA)11:30
22/07Fluxo Cambial Estrangeiro (BR)14:30
23/07Pedidos de seguro-desemprego (EUA)09:30
24/07PMIs industrial e de serviços (EUA)10:45
27/07Telefônica (VIVT3) e TIM — resultado do 2T
28/07IPCA-15 de julho (BR)09:00