Estudo Fundamentalista — VIVT3 — Telefônica Brasil — 28/07/2026
Telefônica Brasil (VIVT3): lucro de R$ 1,6 bi no 2T26, EV/EBITDA de 4,95x e um preço que embute custo de capital de 13,8% a.a. — abaixo do juro longo.
Estudo Fundamentalista — VIVT3 — Telefônica Brasil — 28/07/2026
Escolhida pelo balanço: a Telefônica Brasil abriu o 2T26 na noite do pregão de 27/07 com lucro de R$ 1,6 bi (+17% a/a) e fluxo de caixa operacional de R$ 8,2 bi no semestre — o resultado mais pesado do dia entre as blue chips, num papel que já vinha de +2,2% no pregão anterior com R$ 132 mi girados.
Tese em um parágrafo
A Vivo é hoje um ativo de caixa previsível e crescente: receita subiu de R$ 44,0 bi (2021) para R$ 59,6 bi (2025), o EBITDA de R$ 19,1 bi para R$ 24,8 bi, a margem EBITDA voltou a 41,6% e a alavancagem caiu a 0,54× — a menor da série. O 2T26 confirmou a trajetória (receita +7,6%, EBITDA +10,9%, lucro +17%). O problema não é operacional; é de preço contra taxa de juros. Com o Tesouro 10 anos a 14,80% a.a. e o IPCA projetado em 5,12%, o juro real longo está em ~9,2% — e o earnings yield do papel, em 5,57%. Descontando o fluxo de caixa livre normalizado a um WACC construído sobre esse mesmo juro (17,5%), o valor de referência sai bem abaixo da tela. Dito de outro modo: o preço de R$ 35,47 embute uma taxa de desconto de ~13,8% a.a. — cerca de 1 ponto percentual abaixo do juro soberano longo, ou seja, sem prêmio de risco de ação. É uma posição em duration disfarçada de ação defensiva.
1. A empresa, o controle e quem detém
Telefônica Brasil S.A. (marca Vivo), CNPJ 02.558.157/0001-62, listada na B3 desde 09/11/1998, sede em São Paulo, setor Comunicações / Telecomunicações. Controle privado e estrangeiro: o grupo espanhol Telefónica detém 77,13% do capital votante por duas pontas diretas — Telefónica S.A. (39,32%) e Telefónica Latinoamérica Holding (37,80%). Classe única: 3.226.546.622 ações ordinárias, zero preferenciais. O free float é de 707,1 mi de ações (21,9% do capital, ~R$ 25,1 bi a preço de 24/07), com 233,3 mil acionistas pessoa física, 39,8 mil pessoas jurídicas e 571 institucionais. Integra o Ibovespa.
707,1 mi ações ON · ~R$ 25,1 bi
| Acionista | Nível | %ON | Origem |
|---|---|---|---|
| Telefónica S.A. | direto (controlador) | 39,32% | Espanha |
| Telefónica Latinoamérica Holding | direto (controlador) | 37,80% | Espanha |
| Demais (mercado) | direto | 21,92% | — |
| SEPI (estatal espanhola) | indireto via Telefónica | 10,00% | Espanha |
| Public Investment Fund | indireto via Telefónica | 9,97% | Arábia Saudita |
| BlackRock | indireto via Telefónica | 5,08% | EUA |
| BBVA | indireto via Telefónica | 5,01% | Espanha |
| Criteria Caixa | indireto via Telefónica | 5,01% | Espanha |
As participações indiretas são posições na holding espanhola, base distinta das diretas — não somar níveis. A árvore direta fecha em 100%.
Fundos brasileiros que carregam o papel
São 138 fundos com posição declarada. O perfil da base é revelador: fundações e fundos de dividendos — PREVI, FUNCEF, Brasilprev, Caixa/Vinci. É clientela de renda, não de crescimento, o que ajuda a explicar por que o papel se comporta como título indexado.
Carteiras com data-base de 31/05/2026.
2. Preço e desempenho
Doze meses de dois regimes. De julho de 2025 a meados de janeiro de 2026 o papel andou de lado entre R$ 30 e R$ 33. Em 20/01 destravou e subiu quase sem pausa até R$ 41,22 em 27/02 — o pico da série disponível. De março a maio devolveu tudo: caiu a R$ 32,40 em 19/06, um recuo de 21% do topo. Desde então recuperou para a faixa de R$ 34–36. No fechamento de 24/07 estava a R$ 35,47, 14,5% abaixo da máxima de 52 semanas (R$ 41,49) e 25,3% acima da mínima (R$ 28,31).
Na janela curta (63 pregões, 27/04 → 24/07) a história é de fundo em 19/06 e reconstrução: o papel perdeu 21% entre 27/04 e 19/06, virou na semana seguinte e recuperou 9,4% do vale. O retorno de 63 dias segue negativo em 7,6%, mas o de 21 dias já é positivo em 2,8%.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Retorno 1 pregão | +2,22% |
| Retorno 5 pregões | −0,14% |
| Retorno 21 pregões | +2,78% |
| Retorno 63 pregões | −7,63% |
| Retorno 126 pregões | +7,78% |
| Retorno 252 pregões | +24,85% |
| Retorno no ano (YTD) | +12,50% |
| Máxima 52 semanas | R$ 41,49 (−14,51%) |
| Mínima 52 semanas | R$ 28,31 (+25,29%) |
| Drawdown vs pico | −13,95% |
| Vol. realizada 21d / 63d / 252d | 24,2% / 27,1% / 24,5% a.a. |
| Beta vs Ibovespa (63d / 252d) | 0,94 / 0,80 |
| Correlação vs Ibovespa (252d) | 0,56 |
| Retorno em 3 anos / 5 anos | +108,9% / +124,5% |
Estatísticas fechadas em 24/07. O fechamento de 27/07 ainda não estava consolidado no arquivo diário na montagem deste estudo — a referência do livro de opções daquele pregão aponta R$ 35,52 (lacuna registrada). Preços sem ajuste por proventos.
3. Resultados — cinco exercícios
Cinco anos de crescimento composto disciplinado. A receita cresceu 35,3% no período (média de 7,8% ao ano), o EBITDA 29,7% e o fluxo de caixa operacional 14,6%. O ponto fora da curva é 2022: o lucro caiu 34,9% e o fluxo de investimento saltou a R$ 14,2 bi — o exercício da absorção de ativos e do salto de capacidade. A partir de 2023 o padrão se normaliza: geração de caixa livre estável na casa dos R$ 10,7–11,0 bi ao ano, dívida líquida caindo e ROE subindo de 5,9% para 9,0%.
| R$ bi | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Receita líquida | 44,03 | 48,04 | 52,10 | 55,85 | 59,60 |
| Lucro bruto | 19,25 | 20,61 | 22,68 | 24,49 | 26,67 |
| EBITDA | 19,12 | 19,26 | 21,31 | 22,88 | 24,80 |
| Margem EBITDA | 43,4% | 40,1% | 40,9% | 41,0% | 41,6% |
| EBIT | 7,09 | 6,60 | 7,92 | 8,67 | 9,86 |
| Resultado financeiro | −1,13 | −1,77 | −2,34 | −1,91 | −2,59 |
| Lucro líquido | 6,23 | 4,06 | 5,04 | 5,56 | 6,18 |
| Margem líquida | 14,2% | 8,5% | 9,7% | 10,0% | 10,4% |
| Fluxo de caixa operacional | 18,07 | 18,94 | 18,79 | 19,88 | 20,72 |
| Fluxo de investimento | −8,13 | −14,20 | −7,85 | −8,91 | −10,02 |
| Caixa livre (FCO + FCI) | 9,95 | 4,74 | 10,94 | 10,96 | 10,70 |
| Patrimônio líquido | 70,01 | 68,46 | 69,63 | 69,80 | 69,00 |
| Dívida líquida | 10,49 | 17,03 | 14,38 | 14,06 | 13,31 |
| Dív. líquida/EBITDA | 0,55× | 0,88× | 0,67× | 0,61× | 0,54× |
| ROE | 8,9% | 5,9% | 7,2% | 8,0% | 9,0% |
| ROA | 5,4% | 3,4% | 4,2% | 4,5% | 4,8% |
O trimestre mais recente
O 1T26 já vinha forte: receita de R$ 15,46 bi (+7,4% a/a), EBITDA de R$ 6,21 bi (+8,9%) com margem de 40,2%, lucro de R$ 1,26 bi (+19,0%). O 2T26, divulgado na noite de 27/07, reforçou: receita total +7,6% a/a, EBITDA de R$ 6,581 bi (+10,9%), lucro de R$ 1,6 bi (+17%). No semestre, lucro de R$ 2,8 bi (+17,9%) e fluxo de caixa operacional de R$ 8,2 bi (+11,3%). Os juros sobre capital próprio deliberados no ano somam R$ 2,2 bi, alta de 34,5%.
4. Valuation — múltiplos contra pares
Dentro do setor a Vivo é a única grande com lucro LTM positivo e múltiplo de lucro apurável. O contraste entre um EV/EBITDA de 4,95× (barato) e um P/L de 18,0× (caro) é a assinatura de um negócio com depreciação enorme: entre EBITDA (R$ 24,8 bi) e EBIT (R$ 9,86 bi) em 2025 há R$ 14,9 bi de depreciação e amortização. Quem olha só EV/EBITDA vê desconto; quem olha lucro contábil vê prêmio. A conciliação passa pelo caixa livre — e é o que o DCF abaixo faz.
| Empresa | Ticker | Valor de mercado | P/L | P/VP | EV/EBITDA | DY 12m | ROE |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Telefônica Brasil | VIVT3 | R$ 114,4 bi | 18,0× | 1,64× | 4,95× | 14,2% | 9,1% |
| TIM | TIMS3 | R$ 51,4 bi | — | 2,11× | 15,44× | 16,1% | — |
| Unifique | FIQE3 | R$ 2,22 bi | 8,55× | 1,90× | 4,07× | 35,8% | 22,3% |
| Desktop | DESK3 | R$ 2,11 bi | 34,2× | 1,45× | 5,13× | 1,4% | 4,2% |
| Brisanet | BRST3 | R$ 1,21 bi | 30,6× | 0,77× | 4,68× | 4,5% | 2,5% |
| Telebrás | TELB4 | R$ 1,01 bi | — | — | — | — | — |
| Oi (em RJ) | OIBR3 | R$ 43,3 mi | — | — | — | — | — |
Múltiplos correntes com preços de 24/07 e fundamento LTM. TIM aparece sem P/L e com EV/EBITDA de 15,4× porque a série LTM da companhia está consolidando parcialmente o trimestre (receita LTM de R$ 6,8 bi, incompatível com a escala real da empresa) — leia essa linha com ressalva. Telebrás e Oi entram com patrimônio líquido negativo e liquidez residual: servem de contexto, não de comparação. A metodologia de DY do ranking difere da soma por ação apurada na seção 5.
5. Valuation — fluxo de caixa descontado
Premissas
| Premissa | Valor | Como foi construída |
|---|---|---|
| Caixa livre base | R$ 10,2 bi | Média entre os 5 exercícios (R$ 9,46 bi) e os 3 últimos (R$ 10,87 bi); FCO menos fluxo de investimento, normalizando o exercício atípico de 2022 |
| Crescimento projetado (5 anos) | 6,0% a.a. | Entre o IPCA projetado (5,12%) e o crescimento de receita observado (6,7% em 2025; +7,6% no 2T26) |
| Taxa livre de risco | 14,80% a.a. | Tesouro Brasil 10 anos |
| Beta vs Ibovespa | 0,80 | 252 pregões |
| Prêmio de risco de ações | 5,0 pp | Padrão, ajustado pelo beta → 4,0 pp |
| Custo do capital próprio (Ke) | 18,80% a.a. | 14,80% + 0,80 × 5,0 pp |
| Custo da dívida (Kd) | 14,00% a.a. | Ancorado no DI 1 ano (14,15%); sem emissão pública registrada da companhia na janela para ancorar cupom — lacuna registrada |
| Kd após impostos | 10,50% a.a. | Alíquota normalizada de 25% |
| Estrutura de capital | 84,9% equity / 15,1% dívida | Valor de mercado R$ 114,4 bi × dívida bruta R$ 20,35 bi |
| WACC | 17,5% a.a. | 0,849 × 18,80% + 0,151 × 10,50% |
| Crescimento na perpetuidade | 5,1% a.a. | IPCA projetado (Focus) |
| Base de ações | 3.226.546.622 | Mesma base do valor de mercado; validada pelo JCP de R$ 0,1565/ação aprovado em 16/07, equivalente a ~R$ 505 mi |
Resultado
| WACC \ g na perpetuidade | 4,1% | 5,1% | 6,1% |
|---|---|---|---|
| 15,5% | R$ 26,98 | R$ 28,98 | R$ 31,41 |
| 17,5% | R$ 22,28 | R$ 23,61 | R$ 25,18 |
| 19,5% | R$ 18,80 | R$ 19,73 | R$ 20,81 |
A faixa inteira — de R$ 18,80 a R$ 31,41 — fica abaixo dos R$ 35,47 da tela. Nenhuma combinação plausível de WACC e crescimento perpétuo, partindo do juro longo de hoje, alcança o preço. Isso não significa que a empresa esteja mal; significa que o preço já não pertence ao mesmo regime de juros.
A leitura inversa: qual taxa o preço embute
Inverter o cálculo é mais informativo que o valor justo. Mantendo caixa livre base de R$ 10,2 bi, crescimento de 6% por cinco anos e 5,1% na perpetuidade, a taxa de desconto que faz o valor do equity bater exatamente nos R$ 114,4 bi de mercado é de 13,8% a.a. — cerca de 1 ponto percentual abaixo do Tesouro 10 anos (14,80%). Ou seja: o mercado precifica o fluxo da Vivo com desconto menor que o do soberano, sem prêmio de risco de ação. É uma posição comprada em queda de juros. Para dimensionar: a um WACC de 12,0% (equivalente a um Tesouro longo perto de 9,3%), a mesma conta devolve R$ 45,88 por ação, +29% sobre a tela.
6. Proventos
Pagamento em pingadeira mensal de JCP mais um evento grande no início do ano. Nos últimos 12 meses (por data-ex) foram treze eventos somando R$ 2,59 por ação — 7,3% sobre o fechamento de 24/07. Desses, R$ 1,25 vieram de um único evento, a restituição de capital com data-ex em 22/05/2026 e pagamento em 14/07/2026. Excluindo essa parcela extraordinária, o fluxo recorrente de JCP soma R$ 1,33 por ação, ou 3,8% ao ano. O último provento tem data-ex em 27/07/2026: JCP de R$ 0,1565 por ação (~R$ 505 mi), com crédito programado para 30/04/2027.
Por ano civil, e sempre pela data-ex: 2025 somou R$ 2,47 por ação (incluindo a restituição de R$ 1,23 com ex em 27/02/2025) e 2026 já soma R$ 1,95 em sete eventos. Multiplicando pelo capital, os proventos declarados em 2025 equivalem a ~R$ 7,97 bi contra um lucro de R$ 6,18 bi — mas a parcela de restituição de capital não sai do lucro; excluindo-a, o payout sobre o resultado de 2025 fica em torno de 65%, folgado diante de um caixa livre de R$ 10,7 bi.
Comparação relevante para quem está no papel por renda: o fluxo recorrente de 3,8% ao ano em JCP roda muito abaixo do CDI implícito no DI de 1 ano (14,15%). Somando a restituição extraordinária, os 7,3% de 12 meses ainda ficam metade do juro nominal curto. A tese de renda em VIVT3 só fecha com valorização de capital — que é, por sua vez, uma aposta em queda da curva.
7. Fluxo de players — 12 meses e 3 meses
O papel tem classe única, então a leitura é uma só. E ela conta uma história de rotação estrangeira.
Acumulado em 12 meses (252 pregões)
Acumulado em 3 meses (63 pregões)
| Corretora | Net 12m | Persist. 12m | Net 3m | Persist. 3m | Share do giro | Leitura |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Merrill | +R$ 448,0 mi | 61,1% | +R$ 117,5 mi | 63,5% | 4,0% → 5,4% | Acumulador consistente nas duas janelas |
| Citigroup | +R$ 439,8 mi | 59,8% | +R$ 252,0 mi | 63,5% | 4,1% → 5,8% | Acelerou: 57% do acumulado de 12m veio nos últimos 3 |
| Ágora | +R$ 267,9 mi | 52,8% | +R$ 50,1 mi | 54,0% | 7,9% → 6,8% | Comprador estável, ritmo menor |
| Morgan Stanley | +R$ 189,1 mi | 49,2% | −R$ 36,4 mi | 46,0% | 8,6% → 9,3% | Inverteu para vendedor no trimestre |
| JP Morgan | +R$ 127,4 mi | 52,4% | −R$ 72,3 mi | 42,9% | 8,2% → 9,0% | Inverteu para vendedor no trimestre |
| UBS | −R$ 99,8 mi | 53,6% | +R$ 82,1 mi | 61,9% | 12,9% → 12,7% | Inverteu para comprador no trimestre |
| Goldman | −R$ 238,7 mi | 44,4% | −R$ 92,2 mi | 42,9% | 7,2% → 6,8% | Distribuidor nas duas janelas |
| XP | −R$ 448,8 mi | 45,2% | −R$ 52,6 mi | 42,9% | 6,1% → 4,5% | Distribuidor; ritmo desacelerou |
| BTG | −R$ 642,0 mi | 37,3% | −R$ 200,6 mi | 38,1% | 22,7% → 21,5% | Maior vendedor líquido e maior giro do papel |
Três movimentos merecem destaque. Primeiro, Citigroup e Merrill são os únicos que compram nas duas janelas com persistência acima de 59% — não é pancada pontual, é acumulação diária. O Citi concentrou R$ 252,0 mi dos R$ 439,8 mi de doze meses nos últimos três, ou seja, acelerou justamente durante a queda de abril a junho. Segundo, o UBS virou: era vendedor líquido de R$ 99,8 mi em doze meses e virou comprador de R$ 82,1 mi no trimestre, com persistência subindo de 53,6% para 61,9%. Terceiro, na direção oposta, Morgan Stanley e JP Morgan inverteram de comprador para vendedor exatamente no trimestre em que o papel caiu e se recuperou.
Casando com o preço da seção 2: o trecho em que Citi, Merrill e UBS mais compraram (maio e junho) é o mesmo em que o papel foi de R$ 38 a R$ 32,40. Foi compra em fraqueza, e o fundo veio em seguida. O BTG, com 21,5% de todo o giro do papel, é vendedor líquido persistente — mas com 38% de dias comprador, o perfil é de mesa de distribuição de fluxo de cliente, não de posição direcional.
O tape ao vivo do pregão corrente não estava disponível na janela de montagem (pré-abertura) — a leitura de quem está na ponta agora fica como lacuna desta edição.
8. Derivativos — opções
Livro pequeno em relação ao tamanho da empresa, mas com sinal claro. No fechamento de 27/07 havia 1.203.100 contratos de call e 635.300 de put em aberto, um Put/Call por posição de 0,528. O detalhe importa: esse valor está no percentil 4,4 do histórico de 137 pregões — ou seja, o livro raramente esteve tão inclinado para o lado das calls. Por volume financeiro do dia, o PCR foi de 0,491 (percentil 45,3, normal). Em três semanas o quadro girou por completo: em 29/06 o PCR por posição era 1,454 (mais put que call) e o de volume, 3,43.
percentil 4,4 · livro inclinado a call
percentil 45,3 · dentro da normalidade
percentil 76 em 252 pregões
Paredes, max pain e o ímã de agosto
No vencimento de 21/08 (19 pregões úteis à frente), com referência de R$ 35,52, o desenho é apertado: call wall em R$ 35,82 (278.300 contratos, apenas 0,8% acima), put wall em R$ 33,82 (81.000 contratos, 4,8% abaixo) e max pain em R$ 34,82 (2,0% abaixo). A concentração de open interest está toda espremida entre R$ 35,32 e R$ 35,82 — 530 mil contratos nos dois strikes juntos, quase um terço de todo o livro do vencimento.
Gamma e regime
Somando todos os vencimentos, a exposição de gamma dos dealers é positiva em R$ 320,4 mi por ponto do ativo (R$ 548,1 mi em calls contra −R$ 227,7 mi em puts). O nível de virada — gamma-zero — está em R$ 35,59, apenas 0,2% acima da referência: o papel opera colado na fronteira. Acima dela, o regime é de dealers comprados em gamma, que vendem força e compram fraqueza — amortecimento de volatilidade e pinning. O ímã mais forte é justamente R$ 35,82, com R$ 126,3 mi de gamma, o mesmo strike da call wall. Abaixo de R$ 34,82 a exposição vira negativa e o efeito se inverte, acelerando movimentos.
| Strike | Gamma dos dealers | Séries | Papel |
|---|---|---|---|
| R$ 35,82 | +R$ 126,3 mi | 5 | Ímã principal · call wall |
| R$ 36,82 | +R$ 50,3 mi | 4 | Ímã acima |
| R$ 36,07 | +R$ 38,5 mi | 4 | Ímã acima |
| R$ 35,32 | +R$ 34,5 mi | 5 | Segunda maior concentração de OI |
| R$ 35,57 | +R$ 28,9 mi | 5 | Colado no gamma-zero |
| R$ 34,32 | −R$ 27,9 mi | 5 | Zona negativa · acelera queda |
| R$ 33,82 | −R$ 18,1 mi | 4 | Put wall · zona negativa |
Perfil de volatilidade
A volatilidade implícita ATM fechou 24/07 em 26,99%, contra volatilidade realizada de 21 dias em 24,22% — prêmio de 2,77 pontos percentuais, ou seja, as opções pagam acima do que o papel entregou. O rank de 252 pregões está em 48,3 (meio da faixa de 17,24%–37,45%), mas o percentil em 76,2: a implícita esteve abaixo do nível atual em três de cada quatro dias do último ano. A curva vinha de 22,4% em 26/06 e subiu quase 5 pontos em um mês — trajetória típica de aproximação de balanço.
| Skew 25 delta (venc. 21/08) | Valor |
|---|---|
| IV da put OTM (strike R$ 34,07) | 26,96% |
| IV da call OTM (strike R$ 38,32) | 27,68% |
| Skew (put − call) | −0,72 pp |
| Skew normalizado | −3,5% |
| Leitura | Calls OTM relativamente caras — apetite por alta ou cobertura de posição vendida, pouco hedge de queda |
| Estrutura a prazo (IV ATM) | Valor |
|---|---|
| 21/08/2026 | 20,82% |
| 18/09/2026 | 21,96% |
| 16/10/2026 | 26,86% |
| 18/12/2026 | 27,72% |
| 18/06/2027 | 22,32% |
| Inclinação curto → longo | +1,5 pp (contango) |
| Leitura | Curto calmo, incerteza precificada mais adiante |
Montagens no livro
Os negócios diretos casados dos dias 23 e 24/07 mostram uma mesa trabalhando o papel por dentro. A XP internalizou, no mesmo dia, 30.000 contratos da call de strike R$ 36,82 a R$ 0,60 (23,8% do volume da série), além de puts nos strikes R$ 35,32 e R$ 34,07 e calls em R$ 38,32 e R$ 41,82. O padrão — call OTM comprada e put ATM negociada em bloco na mesma corretora nas duas pontas — é assinatura de estrutura montada sob medida para cliente, não de fluxo direcional. Na ação à vista, houve um bloco direto de 248.000 ações a R$ 35,17 pela Merrill em 23/07 (R$ 8,72 mi, 5,1% do volume do dia) — coerente com a acumulação persistente da corretora vista na seção 7.
9. Aluguel e termo
Não há pressão vendida no papel. O estoque de aluguel é de 32,28 mi de ações (R$ 1,124 bi), o que representa 1,0% das ações emitidas e 4,56% do free float. A taxa do tomador está em 0,10% ao ano — percentil 12,1 em 412 pregões de histórico, ou seja, entre as mais baratas já observadas. Days-to-cover de 6,96 (praticamente sete pregões de volume médio para recomprar tudo).
| Janela | Δ estoque (qtd) | Δ estoque (R$) | Taxa na data-base | Taxa vs média |
|---|---|---|---|---|
| 5 pregões | +6,49% | +7,64% | 0,10% a.a. | 1,00× |
| 21 pregões | +4,22% | +7,95% | 0,12% a.a. | 0,94× |
| 63 pregões | +2,56% | −13,03% | 0,07% a.a. | 0,77× |
Termo
Praticamente inexistente: 14 contratos em aberto (2.300 ações, R$ 91,3 mil de valor a termo) em 24/07, contra 18 contratos e 2.840 ações no dia anterior. Não é um mercado que informe posicionamento neste papel.
10. Liquidez e execução
O papel é institucionalmente operável sem esforço. ADTV de R$ 164,7 mi (US$ 31,2 mi) na janela de 252 pregões, 33ª ação mais líquida entre 534, percentil 94, com 0,824% de todo o giro do mercado à vista. Negociou em todos os 252 pregões da janela.
| Tamanho da ordem | % do ADTV | Classe |
|---|---|---|
| R$ 10 mil | 0,01% | Operável |
| R$ 50 mil | 0,03% | Operável |
| R$ 100 mil | 0,06% | Operável |
| R$ 500 mil | 0,30% | Operável |
| R$ 1 milhão | 0,61% | Operável |
| R$ 5 milhões | 3,04% | Operável com cautela |
Uma ordem de R$ 1 milhão consome 0,61% do giro médio — irrelevante. Só a partir de R$ 5 milhões o impacto começa a exigir fatiamento. Para referência de escala: o programa de recompra autorizado (42,9 mi de ações, ~R$ 1,52 bi ao preço atual) equivale a 9,2 pregões inteiros de volume médio do papel.
11. Sinais qualitativos e smart money
No cruzamento de sinais independentes de acumulação, VIVT3 dispara apenas um dos quatro: recompra ativa (5,81% do capital autorizado). Não há net buy relevante de insiders em volume, não há corretora com dominância compradora no critério do scanner e não há cobertura de short em curso — coerente com um short interest já mínimo. A leitura honesta é de confluência fraca: a compra estrangeira persistente do Citi e da Merrill aparece no fluxo bruto, mas não com a dominância diária que o filtro exige.
12. Governança, pessoas ligadas e CVM 44
Negociações de administradores
Desde janeiro de 2025 há 15 compras contra 5 vendas registradas. Em doze meses o saldo em quantidade é comprador em todos os órgãos: Diretoria +127.363 ações, Conselho de Administração +1.033, Conselho Fiscal +11. Os maiores movimentos ficaram em abril de 2025 — 410.649 ações compradas pelo Conselho de Administração e 160.191 pela Diretoria, ambas via Computershare, o agente do plano de ações. As vendas relevantes foram duas de 100.000 ações cada em junho de 2025, também no Conselho.
| Órgão | Compras | Vendas | Saldo em ações (12m) |
|---|---|---|---|
| Diretoria | 2 | 0 | +127.363 |
| Conselho de Administração | 1 | 0 | +1.033 |
| Conselho Fiscal | 1 | 0 | +11 |
Os registros de VLMO desta companhia vêm com preço zerado, então o saldo financeiro em reais não é apurável — só a quantidade. Lacuna registrada. Não há indício de operação concentrada nos 30 dias que antecedem fato relevante ou provento nos registros disponíveis.
Remuneração
O orçamento de 2026 prevê R$ 69,6 mi para toda a companhia, alta de 9,4% sobre os R$ 63,6 mi de 2025. A Diretoria Estatutária, com 5 membros, concentra R$ 62,0 mi (89% do total) — dos quais R$ 16,4 mi de salário, R$ 22,3 mi de participação nos lucros e R$ 19,3 mi em ações. Conselho de Administração: R$ 6,7 mi para 11 membros; Conselho Fiscal: R$ 0,90 mi para 3.
| Órgão | Exercício | Membros | Total do órgão | Salário | Part. lucros | Em ações |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Diretoria Estatutária | 2026 | 5 | R$ 62,02 mi | R$ 16,41 mi | R$ 22,29 mi | R$ 19,27 mi |
| Diretoria Estatutária | 2025 | 5 | R$ 57,43 mi | R$ 14,86 mi | R$ 21,29 mi | R$ 17,38 mi |
| Conselho de Administração | 2026 | 11 | R$ 6,70 mi | R$ 6,51 mi | — | — |
| Conselho de Administração | 2025 | 12 | R$ 5,33 mi | R$ 5,16 mi | — | — |
| Conselho Fiscal | 2026 | 3 | R$ 0,90 mi | R$ 0,90 mi | — | — |
Auditor e partes relacionadas
O auditor vigente é a PricewaterhouseCoopers, contratada a partir do exercício de 2025 em substituição à Baker Tilly 4Partners — que, por sua vez, havia substituído a própria PwC em 2022. O histórico registra 9 trocas desde 2011, quase todas com motivo declarado de rodízio obrigatório. O motivo da última troca é "término do contrato e decisão pela não renovação a fim de aumentar a sinergia operacional". Sócios responsáveis atuais: Nelson Varandas dos Santos e Sergio Eduardo Zamora. Não há transações com partes relacionadas acima de R$ 100 mi no último formulário de referência — nenhum empréstimo a controlador, nenhuma taxa fora de mercado.
13. Recompra, fatos e agenda
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Programa de recompra | Aprovado em 20/02/2026, vigente até 22/02/2027 (209 dias restantes) |
| Autorização | 42.861.656 ações — 5,81% do capital em circulação declarado no programa |
| Execução reportada | 0% até a data deste estudo |
| Destino | Permanência em tesouraria, com possibilidade de cancelamento |
| Motivo declarado | "Desconto atual das ações no mercado" |
| Corretoras | Ágora, BTG Pactual, Citigroup e Morgan Stanley |
O que saiu no pregão de 27/07
- Resultados do 2T26 e 1S26 protocolados após o fechamento: lucro de R$ 1,6 bi no trimestre (+17% a/a) e R$ 2,8 bi no semestre (+17,9%); EBITDA de R$ 6,581 bi (+10,9%); receita total +7,6%; fluxo de caixa operacional de R$ 8,2 bi no semestre (+11,3%); JCP deliberados no ano de R$ 2,2 bi (+34,5%).
- Ata do Conselho de Administração (reunião de 23/07) aprovando o Plano de Ação Climática 2026, a alteração do regimento interno do Conselho e dos comitês, a atualização da Política de Direitos Humanos e uma normativa de governança de Inteligência Artificial.
- Em 16/07 o Conselho havia aprovado R$ 500 mi em JCP — o provento de R$ 0,1565 por ação com data-ex em 27/07.
14. Notícias que moveram o papel
| Data | Manchete |
|---|---|
| 27/07 · 19h27 | Telefônica Brasil tem lucro líquido de R$ 1,6 bi no 2º trimestre, alta de 17% ante o ano anterior |
| 27/07 · 17h36 | Ibovespa fecha em alta puxado por bancos e Vale em meio a otimismo com trégua EUA-Irã e queda do petróleo, apesar de Petrobras |
| 27/07 · 14h38 | Agenda de balanços do 2º trimestre das listadas na B3 atualizada com dados da CVM |
| 16/07 · 18h48 | Conselho da Telefônica Brasil aprova R$ 500 mi em JCP |
| 22/07 · 18h06 | Ibovespa fecha em alta firme, superando 177 mil pontos, com impulso de blue chips após balanços do 2º trimestre |
O noticiário do papel nos últimos doze meses é notavelmente pobre em eventos idiossincráticos — não há disputa societária, litígio relevante, mudança de controle ou movimento de fusões e aquisições. A cobertura é quase toda de resultado e provento. Isso reforça o diagnóstico: o que move VIVT3 não é a empresa, é a curva de juros.
15. Pano de fundo macro
Este é o ponto que decide a tese. Com o Tesouro 10 anos a 14,80% e o IPCA projetado em 5,12%, o juro real longo está em torno de 9,2% ao ano. O earnings yield da Vivo é 5,57% — 3,6 pontos percentuais abaixo de um título soberano indexado. O fluxo recorrente de JCP, de 3,8% ao ano, roda a um quarto do DI de um ano. Do lado do balanço, a boa notícia é simétrica: com dívida líquida em 0,54× EBITDA e caixa de R$ 7,0 bi, a companhia é pouco sensível ao custo da dívida — o juro alto machuca o múltiplo, não a operação.
16. Síntese — forças e riscos
Forças
- Crescimento consistente e acelerando: receita +6,7% em 2025 e +7,6% no 2T26; EBITDA crescendo mais rápido que a receita há dois trimestres; lucro do 2T26 +17%.
- Balanço quase sem alavancagem: 0,54× EBITDA, a menor razão em cinco anos, com R$ 7,0 bi em caixa.
- Caixa livre robusto e estável: ~R$ 10,7–11,0 bi ao ano desde 2023, sem sobressaltos de capex.
- EV/EBITDA de 4,95×, o menor entre as grandes do setor com resultado apurável.
- Compra estrangeira persistente: Citi e Merrill acumulando nas duas janelas, com o Citi acelerando durante a queda; UBS invertendo para comprador no trimestre.
- Recompra de 5,81% do capital autorizada e integralmente por executar, com nove meses de prazo.
- Tradabilidade impecável: 33ª ação mais líquida, aluguel a 0,10% ao ano, ordem de R$ 1 mi consumindo 0,61% do giro diário.
- Governança sem red flag material: sem transações com partes relacionadas relevantes, sem empréstimo a controlador, auditor de primeira linha.
Riscos
- Preço sem prêmio de risco: os R$ 35,47 embutem uma taxa de desconto de ~13,8% ao ano, abaixo do Tesouro 10 anos (14,80%).
- Toda a faixa de sensibilidade do DCF fica abaixo da tela — de R$ 18,80 a R$ 31,41, contra R$ 35,47.
- Earnings yield de 5,57% contra juro real longo de ~9,2%: o gap de 3,6 pontos percentuais é o custo de oportunidade da posição.
- Renda recorrente magra: 3,8% ao ano em JCP recorrente contra DI de 14,15%; os 7,3% de doze meses dependem de uma restituição de capital não recorrente.
- P/L de 18,0× num negócio de crescimento de um dígito, com R$ 14,9 bi anuais de depreciação separando EBITDA de lucro.
- Free float de apenas 21,9% sob controle estrangeiro de 77,13% — decisões de capital passam por Madri.
- Rotação de institucionais nas duas direções: Morgan Stanley e JP Morgan inverteram para vendedores no trimestre.
- Beta baixo é faca de dois gumes: 0,80 contra o Ibovespa protege na queda, mas deixa o papel para trás em rali de risco.
Lacunas desta edição
- Fechamento do pregão de 27/07 ainda não consolidado no arquivo diário de preços na montagem deste estudo — retornos, estatísticas e fluxo de corretoras estão fechados em 24/07; o livro de derivativos já traz 27/07.
- Papel nos índices: confirmada a presença no Ibovespa, mas o peso exato na carteira teórica e a contribuição em pontos ao índice não foram apurados (a atribuição ao vivo não devolveu dados na janela de pré-abertura).
- Tape ao vivo de quem está comprando e vendendo no pregão corrente indisponível na janela de montagem.
- Volume financeiro das operações de administradores (CVM 44) não apurável — os registros vêm com preço zerado; só a quantidade está disponível.
- Cupom de emissão pública da companhia não localizado na janela consultada para ancorar o custo da dívida do DCF; o Kd foi ancorado no DI de 1 ano.
- Série de proventos anteriores a agosto de 2024 incompleta na base — o histórico por ano civil cobre 2025 e 2026.