Estudo Fundamentalista — VIVT3 — Telefônica Brasil — 28/07/2026

Telefônica Brasil (VIVT3): lucro de R$ 1,6 bi no 2T26, EV/EBITDA de 4,95x e um preço que embute custo de capital de 13,8% a.a. — abaixo do juro longo.

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Estudo Fundamentalista

Estudo Fundamentalista — VIVT3 — Telefônica Brasil — 28/07/2026

27/07/2026 · Dossiê completo: resultado 2T26, fluxo de caixa, DCF, players, derivativos e governança

Escolhida pelo balanço: a Telefônica Brasil abriu o 2T26 na noite do pregão de 27/07 com lucro de R$ 1,6 bi (+17% a/a) e fluxo de caixa operacional de R$ 8,2 bi no semestre — o resultado mais pesado do dia entre as blue chips, num papel que já vinha de +2,2% no pregão anterior com R$ 132 mi girados.

Fechamento (24/07)
R$ 35,47
12m +24,9% · YTD +12,5%
Valor de mercado
R$ 114,4 bi
3,23 bi de ações ON
P/L LTM
18,0×
earnings yield 5,57%
EV/EBITDA LTM
4,95×
EBITDA R$ 25,3 bi
Dív. líq./EBITDA
0,54×
menor da série de 5 anos
ROE LTM
9,1%
P/VP 1,64×
Lucro 2T26
R$ 1,6 bi
+17% a/a · 1S26 R$ 2,8 bi
Aluguel (taxa)
0,10% a.a.
percentil 12 em 412 pregões

Tese em um parágrafo

A Vivo é hoje um ativo de caixa previsível e crescente: receita subiu de R$ 44,0 bi (2021) para R$ 59,6 bi (2025), o EBITDA de R$ 19,1 bi para R$ 24,8 bi, a margem EBITDA voltou a 41,6% e a alavancagem caiu a 0,54× — a menor da série. O 2T26 confirmou a trajetória (receita +7,6%, EBITDA +10,9%, lucro +17%). O problema não é operacional; é de preço contra taxa de juros. Com o Tesouro 10 anos a 14,80% a.a. e o IPCA projetado em 5,12%, o juro real longo está em ~9,2% — e o earnings yield do papel, em 5,57%. Descontando o fluxo de caixa livre normalizado a um WACC construído sobre esse mesmo juro (17,5%), o valor de referência sai bem abaixo da tela. Dito de outro modo: o preço de R$ 35,47 embute uma taxa de desconto de ~13,8% a.a. — cerca de 1 ponto percentual abaixo do juro soberano longo, ou seja, sem prêmio de risco de ação. É uma posição em duration disfarçada de ação defensiva.

1. A empresa, o controle e quem detém

Telefônica Brasil S.A. (marca Vivo), CNPJ 02.558.157/0001-62, listada na B3 desde 09/11/1998, sede em São Paulo, setor Comunicações / Telecomunicações. Controle privado e estrangeiro: o grupo espanhol Telefónica detém 77,13% do capital votante por duas pontas diretas — Telefónica S.A. (39,32%) e Telefónica Latinoamérica Holding (37,80%). Classe única: 3.226.546.622 ações ordinárias, zero preferenciais. O free float é de 707,1 mi de ações (21,9% do capital, ~R$ 25,1 bi a preço de 24/07), com 233,3 mil acionistas pessoa física, 39,8 mil pessoas jurídicas e 571 institucionais. Integra o Ibovespa.

21,9%
Free float

707,1 mi ações ON · ~R$ 25,1 bi

AcionistaNível%ONOrigem
Telefónica S.A.direto (controlador)39,32%Espanha
Telefónica Latinoamérica Holdingdireto (controlador)37,80%Espanha
Demais (mercado)direto21,92%
SEPI (estatal espanhola)indireto via Telefónica10,00%Espanha
Public Investment Fundindireto via Telefónica9,97%Arábia Saudita
BlackRockindireto via Telefónica5,08%EUA
BBVAindireto via Telefónica5,01%Espanha
Criteria Caixaindireto via Telefónica5,01%Espanha

As participações indiretas são posições na holding espanhola, base distinta das diretas — não somar níveis. A árvore direta fecha em 100%.

Fundos brasileiros que carregam o papel

São 138 fundos com posição declarada. O perfil da base é revelador: fundações e fundos de dividendos — PREVI, FUNCEF, Brasilprev, Caixa/Vinci. É clientela de renda, não de crescimento, o que ajuda a explicar por que o papel se comporta como título indexado.

PREVI Renda Variável Ativa
R$ 42,9 mi
Parkia (Andbank)
R$ 41,9 mi
Caixa Vinci Valor Dividendos
R$ 27,1 mi
Caieiras (Morgan Stanley)
R$ 23,9 mi
Brasilprev Top A
R$ 16,0 mi
EclipseON (Ujay Capital)
R$ 14,6 mi
Investfort Penedo
R$ 14,2 mi
Caixa Vinci Valor
R$ 11,3 mi
Brasília (FUNCEF)
R$ 10,6 mi
Caixa Infraestrutura
R$ 10,2 mi

Carteiras com data-base de 31/05/2026.

2. Preço e desempenho

Doze meses de dois regimes. De julho de 2025 a meados de janeiro de 2026 o papel andou de lado entre R$ 30 e R$ 33. Em 20/01 destravou e subiu quase sem pausa até R$ 41,22 em 27/02 — o pico da série disponível. De março a maio devolveu tudo: caiu a R$ 32,40 em 19/06, um recuo de 21% do topo. Desde então recuperou para a faixa de R$ 34–36. No fechamento de 24/07 estava a R$ 35,47, 14,5% abaixo da máxima de 52 semanas (R$ 41,49) e 25,3% acima da mínima (R$ 28,31).

4129
VIVT3 · 12 mesesR$ · pregões (23/07/25 → 24/07/26)

Na janela curta (63 pregões, 27/04 → 24/07) a história é de fundo em 19/06 e reconstrução: o papel perdeu 21% entre 27/04 e 19/06, virou na semana seguinte e recuperou 9,4% do vale. O retorno de 63 dias segue negativo em 7,6%, mas o de 21 dias já é positivo em 2,8%.

3832
VIVT3 · 90 diasR$ · pregões (27/04 → 24/07)
MétricaValor
Retorno 1 pregão+2,22%
Retorno 5 pregões−0,14%
Retorno 21 pregões+2,78%
Retorno 63 pregões−7,63%
Retorno 126 pregões+7,78%
Retorno 252 pregões+24,85%
Retorno no ano (YTD)+12,50%
Máxima 52 semanasR$ 41,49 (−14,51%)
Mínima 52 semanasR$ 28,31 (+25,29%)
Drawdown vs pico−13,95%
Vol. realizada 21d / 63d / 252d24,2% / 27,1% / 24,5% a.a.
Beta vs Ibovespa (63d / 252d)0,94 / 0,80
Correlação vs Ibovespa (252d)0,56
Retorno em 3 anos / 5 anos+108,9% / +124,5%

Estatísticas fechadas em 24/07. O fechamento de 27/07 ainda não estava consolidado no arquivo diário na montagem deste estudo — a referência do livro de opções daquele pregão aponta R$ 35,52 (lacuna registrada). Preços sem ajuste por proventos.

3. Resultados — cinco exercícios

Cinco anos de crescimento composto disciplinado. A receita cresceu 35,3% no período (média de 7,8% ao ano), o EBITDA 29,7% e o fluxo de caixa operacional 14,6%. O ponto fora da curva é 2022: o lucro caiu 34,9% e o fluxo de investimento saltou a R$ 14,2 bi — o exercício da absorção de ativos e do salto de capacidade. A partir de 2023 o padrão se normaliza: geração de caixa livre estável na casa dos R$ 10,7–11,0 bi ao ano, dívida líquida caindo e ROE subindo de 5,9% para 9,0%.

R$ bi20212022202320242025
Receita líquida44,0348,0452,1055,8559,60
Lucro bruto19,2520,6122,6824,4926,67
EBITDA19,1219,2621,3122,8824,80
Margem EBITDA43,4%40,1%40,9%41,0%41,6%
EBIT7,096,607,928,679,86
Resultado financeiro−1,13−1,77−2,34−1,91−2,59
Lucro líquido6,234,065,045,566,18
Margem líquida14,2%8,5%9,7%10,0%10,4%
Fluxo de caixa operacional18,0718,9418,7919,8820,72
Fluxo de investimento−8,13−14,20−7,85−8,91−10,02
Caixa livre (FCO + FCI)9,954,7410,9410,9610,70
Patrimônio líquido70,0168,4669,6369,8069,00
Dívida líquida10,4917,0314,3814,0613,31
Dív. líquida/EBITDA0,55×0,88×0,67×0,61×0,54×
ROE8,9%5,9%7,2%8,0%9,0%
ROA5,4%3,4%4,2%4,5%4,8%
60196.24.1
Receita líquidaEBITDALucro líquido (eixo →)R$ bi · exercício (2021 → 2025)

O trimestre mais recente

O 1T26 já vinha forte: receita de R$ 15,46 bi (+7,4% a/a), EBITDA de R$ 6,21 bi (+8,9%) com margem de 40,2%, lucro de R$ 1,26 bi (+19,0%). O 2T26, divulgado na noite de 27/07, reforçou: receita total +7,6% a/a, EBITDA de R$ 6,581 bi (+10,9%), lucro de R$ 1,6 bi (+17%). No semestre, lucro de R$ 2,8 bi (+17,9%) e fluxo de caixa operacional de R$ 8,2 bi (+11,3%). Os juros sobre capital próprio deliberados no ano somam R$ 2,2 bi, alta de 34,5%.

O que os números do 2T26 dizem: a margem EBITDA continua se expandindo (o EBITDA cresce mais rápido que a receita há dois trimestres seguidos) e o lucro cresce mais rápido que o EBITDA — sinal de que o resultado financeiro e a carga tributária, esta última aliviada pelo uso intensivo de JCP, estão jogando a favor. A dívida líquida em 0,54× EBITDA dá espaço largo tanto para a recompra quanto para a distribuição.

4. Valuation — múltiplos contra pares

Dentro do setor a Vivo é a única grande com lucro LTM positivo e múltiplo de lucro apurável. O contraste entre um EV/EBITDA de 4,95× (barato) e um P/L de 18,0× (caro) é a assinatura de um negócio com depreciação enorme: entre EBITDA (R$ 24,8 bi) e EBIT (R$ 9,86 bi) em 2025 há R$ 14,9 bi de depreciação e amortização. Quem olha só EV/EBITDA vê desconto; quem olha lucro contábil vê prêmio. A conciliação passa pelo caixa livre — e é o que o DCF abaixo faz.

EmpresaTickerValor de mercadoP/LP/VPEV/EBITDADY 12mROE
Telefônica BrasilVIVT3R$ 114,4 bi18,0×1,64×4,95×14,2%9,1%
TIMTIMS3R$ 51,4 bi2,11×15,44×16,1%
UnifiqueFIQE3R$ 2,22 bi8,55×1,90×4,07×35,8%22,3%
DesktopDESK3R$ 2,11 bi34,2×1,45×5,13×1,4%4,2%
BrisanetBRST3R$ 1,21 bi30,6×0,77×4,68×4,5%2,5%
TelebrásTELB4R$ 1,01 bi
Oi (em RJ)OIBR3R$ 43,3 mi

Múltiplos correntes com preços de 24/07 e fundamento LTM. TIM aparece sem P/L e com EV/EBITDA de 15,4× porque a série LTM da companhia está consolidando parcialmente o trimestre (receita LTM de R$ 6,8 bi, incompatível com a escala real da empresa) — leia essa linha com ressalva. Telebrás e Oi entram com patrimônio líquido negativo e liquidez residual: servem de contexto, não de comparação. A metodologia de DY do ranking difere da soma por ação apurada na seção 5.

5. Valuation — fluxo de caixa descontado

Estimativa com premissas explícitas — não é recomendação. O exercício abaixo desconta o caixa livre histórico normalizado; a faixa de sensibilidade, e não o número central, é o resultado.

Premissas

PremissaValorComo foi construída
Caixa livre baseR$ 10,2 biMédia entre os 5 exercícios (R$ 9,46 bi) e os 3 últimos (R$ 10,87 bi); FCO menos fluxo de investimento, normalizando o exercício atípico de 2022
Crescimento projetado (5 anos)6,0% a.a.Entre o IPCA projetado (5,12%) e o crescimento de receita observado (6,7% em 2025; +7,6% no 2T26)
Taxa livre de risco14,80% a.a.Tesouro Brasil 10 anos
Beta vs Ibovespa0,80252 pregões
Prêmio de risco de ações5,0 ppPadrão, ajustado pelo beta → 4,0 pp
Custo do capital próprio (Ke)18,80% a.a.14,80% + 0,80 × 5,0 pp
Custo da dívida (Kd)14,00% a.a.Ancorado no DI 1 ano (14,15%); sem emissão pública registrada da companhia na janela para ancorar cupom — lacuna registrada
Kd após impostos10,50% a.a.Alíquota normalizada de 25%
Estrutura de capital84,9% equity / 15,1% dívidaValor de mercado R$ 114,4 bi × dívida bruta R$ 20,35 bi
WACC17,5% a.a.0,849 × 18,80% + 0,151 × 10,50%
Crescimento na perpetuidade5,1% a.a.IPCA projetado (Focus)
Base de ações3.226.546.622Mesma base do valor de mercado; validada pelo JCP de R$ 0,1565/ação aprovado em 16/07, equivalente a ~R$ 505 mi

Resultado

VP dos fluxos 1–5
R$ 37,8 bi
VP do valor terminal
R$ 51,7 bi
Valor da firma
R$ 89,5 bi
Valor do equity
R$ 76,2 bi
vs R$ 114,4 bi de mercado
Referência por ação
R$ 23,61
−33,4% vs R$ 35,47
WACC \ g na perpetuidade4,1%5,1%6,1%
15,5%R$ 26,98R$ 28,98R$ 31,41
17,5%R$ 22,28R$ 23,61R$ 25,18
19,5%R$ 18,80R$ 19,73R$ 20,81

A faixa inteira — de R$ 18,80 a R$ 31,41 — fica abaixo dos R$ 35,47 da tela. Nenhuma combinação plausível de WACC e crescimento perpétuo, partindo do juro longo de hoje, alcança o preço. Isso não significa que a empresa esteja mal; significa que o preço já não pertence ao mesmo regime de juros.

A leitura inversa: qual taxa o preço embute

Inverter o cálculo é mais informativo que o valor justo. Mantendo caixa livre base de R$ 10,2 bi, crescimento de 6% por cinco anos e 5,1% na perpetuidade, a taxa de desconto que faz o valor do equity bater exatamente nos R$ 114,4 bi de mercado é de 13,8% a.a. — cerca de 1 ponto percentual abaixo do Tesouro 10 anos (14,80%). Ou seja: o mercado precifica o fluxo da Vivo com desconto menor que o do soberano, sem prêmio de risco de ação. É uma posição comprada em queda de juros. Para dimensionar: a um WACC de 12,0% (equivalente a um Tesouro longo perto de 9,3%), a mesma conta devolve R$ 45,88 por ação, +29% sobre a tela.

Conciliação com os múltiplos. O EV implícito no DCF (R$ 89,5 bi) equivale a 3,54× o EBITDA LTM, contra os 4,95× de mercado. E o earnings yield de 5,57% roda 3,6 pontos percentuais abaixo do juro real longo (~9,2%). Os três caminhos — DCF, múltiplo de EBITDA e prêmio sobre juro real — apontam na mesma direção.

6. Proventos

Pagamento em pingadeira mensal de JCP mais um evento grande no início do ano. Nos últimos 12 meses (por data-ex) foram treze eventos somando R$ 2,59 por ação — 7,3% sobre o fechamento de 24/07. Desses, R$ 1,25 vieram de um único evento, a restituição de capital com data-ex em 22/05/2026 e pagamento em 14/07/2026. Excluindo essa parcela extraordinária, o fluxo recorrente de JCP soma R$ 1,33 por ação, ou 3,8% ao ano. O último provento tem data-ex em 27/07/2026: JCP de R$ 0,1565 por ação (~R$ 505 mi), com crédito programado para 30/04/2027.

22/05/26 · restituição de capital
R$ 1,2517
27/05/26 · JCP
R$ 0,1878
27/07/26 · JCP
R$ 0,1565
22/09/25 · JCP
R$ 0,1248
27/10/25 · JCP
R$ 0,1186
27/04/26 · JCP
R$ 0,1142
29/12/25 · JCP
R$ 0,1095
24/11/25 · JCP
R$ 0,1063
25/07/25 · JCP
R$ 0,1025
23/02/26 · JCP
R$ 0,1017
25/08/25 · JCP
R$ 0,0779
26/06/26 · JCP
R$ 0,0720
25/03/26 · JCP
R$ 0,0626

Por ano civil, e sempre pela data-ex: 2025 somou R$ 2,47 por ação (incluindo a restituição de R$ 1,23 com ex em 27/02/2025) e 2026 já soma R$ 1,95 em sete eventos. Multiplicando pelo capital, os proventos declarados em 2025 equivalem a ~R$ 7,97 bi contra um lucro de R$ 6,18 bi — mas a parcela de restituição de capital não sai do lucro; excluindo-a, o payout sobre o resultado de 2025 fica em torno de 65%, folgado diante de um caixa livre de R$ 10,7 bi.

Calendário à frente: não há provento com data-ex já divulgada para os próximos 180 dias — o padrão da companhia é deliberar mês a mês. A referência histórica é uma aprovação mensal de JCP na segunda quinzena, com data-ex no fim do mês seguinte.

Comparação relevante para quem está no papel por renda: o fluxo recorrente de 3,8% ao ano em JCP roda muito abaixo do CDI implícito no DI de 1 ano (14,15%). Somando a restituição extraordinária, os 7,3% de 12 meses ainda ficam metade do juro nominal curto. A tese de renda em VIVT3 só fecha com valorização de capital — que é, por sua vez, uma aposta em queda da curva.

7. Fluxo de players — 12 meses e 3 meses

O papel tem classe única, então a leitura é uma só. E ela conta uma história de rotação estrangeira.

Acumulado em 12 meses (252 pregões)

Merrill
+R$ 448,0 mi
Citigroup
+R$ 439,8 mi
Ágora
+R$ 267,9 mi
Morgan Stanley
+R$ 189,1 mi
JP Morgan
+R$ 127,4 mi
Genial
+R$ 122,0 mi
Santander
+R$ 116,6 mi
UBS
−R$ 99,8 mi
Safra
−R$ 130,5 mi
Goldman
−R$ 238,7 mi
XP
−R$ 448,8 mi
BTG
−R$ 642,0 mi

Acumulado em 3 meses (63 pregões)

Citigroup
+R$ 252,0 mi
Merrill
+R$ 117,5 mi
UBS
+R$ 82,1 mi
CM Capital
+R$ 53,1 mi
Ágora
+R$ 50,1 mi
Santander
+R$ 46,6 mi
Ativa
+R$ 30,8 mi
Morgan Stanley
−R$ 36,4 mi
XP
−R$ 52,6 mi
Mirae
−R$ 55,8 mi
JP Morgan
−R$ 72,3 mi
Goldman
−R$ 92,2 mi
BTG
−R$ 200,6 mi
CorretoraNet 12mPersist. 12mNet 3mPersist. 3mShare do giroLeitura
Merrill+R$ 448,0 mi61,1%+R$ 117,5 mi63,5%4,0% → 5,4%Acumulador consistente nas duas janelas
Citigroup+R$ 439,8 mi59,8%+R$ 252,0 mi63,5%4,1% → 5,8%Acelerou: 57% do acumulado de 12m veio nos últimos 3
Ágora+R$ 267,9 mi52,8%+R$ 50,1 mi54,0%7,9% → 6,8%Comprador estável, ritmo menor
Morgan Stanley+R$ 189,1 mi49,2%−R$ 36,4 mi46,0%8,6% → 9,3%Inverteu para vendedor no trimestre
JP Morgan+R$ 127,4 mi52,4%−R$ 72,3 mi42,9%8,2% → 9,0%Inverteu para vendedor no trimestre
UBS−R$ 99,8 mi53,6%+R$ 82,1 mi61,9%12,9% → 12,7%Inverteu para comprador no trimestre
Goldman−R$ 238,7 mi44,4%−R$ 92,2 mi42,9%7,2% → 6,8%Distribuidor nas duas janelas
XP−R$ 448,8 mi45,2%−R$ 52,6 mi42,9%6,1% → 4,5%Distribuidor; ritmo desacelerou
BTG−R$ 642,0 mi37,3%−R$ 200,6 mi38,1%22,7% → 21,5%Maior vendedor líquido e maior giro do papel

Três movimentos merecem destaque. Primeiro, Citigroup e Merrill são os únicos que compram nas duas janelas com persistência acima de 59% — não é pancada pontual, é acumulação diária. O Citi concentrou R$ 252,0 mi dos R$ 439,8 mi de doze meses nos últimos três, ou seja, acelerou justamente durante a queda de abril a junho. Segundo, o UBS virou: era vendedor líquido de R$ 99,8 mi em doze meses e virou comprador de R$ 82,1 mi no trimestre, com persistência subindo de 53,6% para 61,9%. Terceiro, na direção oposta, Morgan Stanley e JP Morgan inverteram de comprador para vendedor exatamente no trimestre em que o papel caiu e se recuperou.

Casando com o preço da seção 2: o trecho em que Citi, Merrill e UBS mais compraram (maio e junho) é o mesmo em que o papel foi de R$ 38 a R$ 32,40. Foi compra em fraqueza, e o fundo veio em seguida. O BTG, com 21,5% de todo o giro do papel, é vendedor líquido persistente — mas com 38% de dias comprador, o perfil é de mesa de distribuição de fluxo de cliente, não de posição direcional.

O tape ao vivo do pregão corrente não estava disponível na janela de montagem (pré-abertura) — a leitura de quem está na ponta agora fica como lacuna desta edição.

8. Derivativos — opções

Livro pequeno em relação ao tamanho da empresa, mas com sinal claro. No fechamento de 27/07 havia 1.203.100 contratos de call e 635.300 de put em aberto, um Put/Call por posição de 0,528. O detalhe importa: esse valor está no percentil 4,4 do histórico de 137 pregões — ou seja, o livro raramente esteve tão inclinado para o lado das calls. Por volume financeiro do dia, o PCR foi de 0,491 (percentil 45,3, normal). Em três semanas o quadro girou por completo: em 29/06 o PCR por posição era 1,454 (mais put que call) e o de volume, 3,43.

0,53
Put/Call por posição

percentil 4,4 · livro inclinado a call

0,49
Put/Call por volume

percentil 45,3 · dentro da normalidade

27,0%
IV ATM

percentil 76 em 252 pregões

Paredes, max pain e o ímã de agosto

No vencimento de 21/08 (19 pregões úteis à frente), com referência de R$ 35,52, o desenho é apertado: call wall em R$ 35,82 (278.300 contratos, apenas 0,8% acima), put wall em R$ 33,82 (81.000 contratos, 4,8% abaixo) e max pain em R$ 34,82 (2,0% abaixo). A concentração de open interest está toda espremida entre R$ 35,32 e R$ 35,82 — 530 mil contratos nos dois strikes juntos, quase um terço de todo o livro do vencimento.

R$ 35,82 (call wall)
293,4 mil ctr
R$ 35,32
236,6 mil ctr
R$ 36,82
125,6 mil ctr
R$ 33,82 (put wall)
115,5 mil ctr
R$ 38,82
86,7 mil ctr
R$ 35,57
64,5 mil ctr
R$ 38,32
55,3 mil ctr
R$ 39,32
54,6 mil ctr
R$ 32,32
52,7 mil ctr
R$ 37,32
52,2 mil ctr
R$ 34,57
50,6 mil ctr
R$ 34,32
47,1 mil ctr

Gamma e regime

Somando todos os vencimentos, a exposição de gamma dos dealers é positiva em R$ 320,4 mi por ponto do ativo (R$ 548,1 mi em calls contra −R$ 227,7 mi em puts). O nível de virada — gamma-zero — está em R$ 35,59, apenas 0,2% acima da referência: o papel opera colado na fronteira. Acima dela, o regime é de dealers comprados em gamma, que vendem força e compram fraqueza — amortecimento de volatilidade e pinning. O ímã mais forte é justamente R$ 35,82, com R$ 126,3 mi de gamma, o mesmo strike da call wall. Abaixo de R$ 34,82 a exposição vira negativa e o efeito se inverte, acelerando movimentos.

StrikeGamma dos dealersSériesPapel
R$ 35,82+R$ 126,3 mi5Ímã principal · call wall
R$ 36,82+R$ 50,3 mi4Ímã acima
R$ 36,07+R$ 38,5 mi4Ímã acima
R$ 35,32+R$ 34,5 mi5Segunda maior concentração de OI
R$ 35,57+R$ 28,9 mi5Colado no gamma-zero
R$ 34,32−R$ 27,9 mi5Zona negativa · acelera queda
R$ 33,82−R$ 18,1 mi4Put wall · zona negativa

Perfil de volatilidade

A volatilidade implícita ATM fechou 24/07 em 26,99%, contra volatilidade realizada de 21 dias em 24,22% — prêmio de 2,77 pontos percentuais, ou seja, as opções pagam acima do que o papel entregou. O rank de 252 pregões está em 48,3 (meio da faixa de 17,24%–37,45%), mas o percentil em 76,2: a implícita esteve abaixo do nível atual em três de cada quatro dias do último ano. A curva vinha de 22,4% em 26/06 e subiu quase 5 pontos em um mês — trajetória típica de aproximação de balanço.

Skew 25 delta (venc. 21/08)Valor
IV da put OTM (strike R$ 34,07)26,96%
IV da call OTM (strike R$ 38,32)27,68%
Skew (put − call)−0,72 pp
Skew normalizado−3,5%
LeituraCalls OTM relativamente caras — apetite por alta ou cobertura de posição vendida, pouco hedge de queda
Estrutura a prazo (IV ATM)Valor
21/08/202620,82%
18/09/202621,96%
16/10/202626,86%
18/12/202627,72%
18/06/202722,32%
Inclinação curto → longo+1,5 pp (contango)
LeituraCurto calmo, incerteza precificada mais adiante

Montagens no livro

Os negócios diretos casados dos dias 23 e 24/07 mostram uma mesa trabalhando o papel por dentro. A XP internalizou, no mesmo dia, 30.000 contratos da call de strike R$ 36,82 a R$ 0,60 (23,8% do volume da série), além de puts nos strikes R$ 35,32 e R$ 34,07 e calls em R$ 38,32 e R$ 41,82. O padrão — call OTM comprada e put ATM negociada em bloco na mesma corretora nas duas pontas — é assinatura de estrutura montada sob medida para cliente, não de fluxo direcional. Na ação à vista, houve um bloco direto de 248.000 ações a R$ 35,17 pela Merrill em 23/07 (R$ 8,72 mi, 5,1% do volume do dia) — coerente com a acumulação persistente da corretora vista na seção 7.

9. Aluguel e termo

Não há pressão vendida no papel. O estoque de aluguel é de 32,28 mi de ações (R$ 1,124 bi), o que representa 1,0% das ações emitidas e 4,56% do free float. A taxa do tomador está em 0,10% ao ano — percentil 12,1 em 412 pregões de histórico, ou seja, entre as mais baratas já observadas. Days-to-cover de 6,96 (praticamente sete pregões de volume médio para recomprar tudo).

Estoque BTB
R$ 1,124 bi
32,28 mi de ações
Taxa tomador
0,10% a.a.
percentil 12 em 412 pregões
Short interest
1,0%
das ações emitidas
Short vs free float
4,56%
base 707,1 mi de ações
Days-to-cover
6,96
volume médio 4,64 mi/dia
Δ estoque 5 pregões
+6,5%
21d +4,2% · 63d +2,6%
JanelaΔ estoque (qtd)Δ estoque (R$)Taxa na data-baseTaxa vs média
5 pregões+6,49%+7,64%0,10% a.a.1,00×
21 pregões+4,22%+7,95%0,12% a.a.0,94×
63 pregões+2,56%−13,03%0,07% a.a.0,77×
Cuidado na leitura do salto de estoque. O aumento de 6,5% em cinco pregões coincide com a data-ex do JCP em 27/07. Aluguel que incha na véspera do ex é, tipicamente, captura de provento — arbitragem tributária entre doador e tomador —, não posicionamento vendido. A taxa parada em 0,10% ao ano confirma: não há disputa por papel. Do lado da tradabilidade do short, portanto, o papel é fácil de alugar e barato — o que não impede a operação, mas também não sinaliza aposta de queda montada.

Termo

Praticamente inexistente: 14 contratos em aberto (2.300 ações, R$ 91,3 mil de valor a termo) em 24/07, contra 18 contratos e 2.840 ações no dia anterior. Não é um mercado que informe posicionamento neste papel.

10. Liquidez e execução

O papel é institucionalmente operável sem esforço. ADTV de R$ 164,7 mi (US$ 31,2 mi) na janela de 252 pregões, 33ª ação mais líquida entre 534, percentil 94, com 0,824% de todo o giro do mercado à vista. Negociou em todos os 252 pregões da janela.

ADTV 252 pregões
R$ 164,7 mi
US$ 31,2 mi
Posição no ranking
33ª de 534
percentil 94
Share do mercado
0,824%
pregões negociados: 252/252
Negócios médios/dia
13.160
4,64 mi de ações
Tamanho da ordem% do ADTVClasse
R$ 10 mil0,01%Operável
R$ 50 mil0,03%Operável
R$ 100 mil0,06%Operável
R$ 500 mil0,30%Operável
R$ 1 milhão0,61%Operável
R$ 5 milhões3,04%Operável com cautela

Uma ordem de R$ 1 milhão consome 0,61% do giro médio — irrelevante. Só a partir de R$ 5 milhões o impacto começa a exigir fatiamento. Para referência de escala: o programa de recompra autorizado (42,9 mi de ações, ~R$ 1,52 bi ao preço atual) equivale a 9,2 pregões inteiros de volume médio do papel.

11. Sinais qualitativos e smart money

No cruzamento de sinais independentes de acumulação, VIVT3 dispara apenas um dos quatro: recompra ativa (5,81% do capital autorizado). Não há net buy relevante de insiders em volume, não há corretora com dominância compradora no critério do scanner e não há cobertura de short em curso — coerente com um short interest já mínimo. A leitura honesta é de confluência fraca: a compra estrangeira persistente do Citi e da Merrill aparece no fluxo bruto, mas não com a dominância diária que o filtro exige.

O cruzamento que vale a pena registrar: as corretoras contratadas pela companhia para executar o programa de recompra são Ágora, BTG Pactual, Citigroup e Morgan Stanley. Três delas — Ágora (+R$ 267,9 mi), Citigroup (+R$ 439,8 mi) e Morgan Stanley (+R$ 189,1 mi) — figuram entre os maiores acumuladores líquidos de doze meses. A quarta, o BTG, é o maior vendedor líquido do período (−R$ 642,0 mi), com 22,7% de todo o giro: ali o fluxo de clientes domina qualquer execução de tesouraria. O programa foi aprovado em 20/02/2026, justificado pelo "desconto atual das ações no mercado", e ainda não reportou execução — restam 209 dias de vigência.

12. Governança, pessoas ligadas e CVM 44

Negociações de administradores

Desde janeiro de 2025 há 15 compras contra 5 vendas registradas. Em doze meses o saldo em quantidade é comprador em todos os órgãos: Diretoria +127.363 ações, Conselho de Administração +1.033, Conselho Fiscal +11. Os maiores movimentos ficaram em abril de 2025 — 410.649 ações compradas pelo Conselho de Administração e 160.191 pela Diretoria, ambas via Computershare, o agente do plano de ações. As vendas relevantes foram duas de 100.000 ações cada em junho de 2025, também no Conselho.

ÓrgãoComprasVendasSaldo em ações (12m)
Diretoria20+127.363
Conselho de Administração10+1.033
Conselho Fiscal10+11

Os registros de VLMO desta companhia vêm com preço zerado, então o saldo financeiro em reais não é apurável — só a quantidade. Lacuna registrada. Não há indício de operação concentrada nos 30 dias que antecedem fato relevante ou provento nos registros disponíveis.

Remuneração

O orçamento de 2026 prevê R$ 69,6 mi para toda a companhia, alta de 9,4% sobre os R$ 63,6 mi de 2025. A Diretoria Estatutária, com 5 membros, concentra R$ 62,0 mi (89% do total) — dos quais R$ 16,4 mi de salário, R$ 22,3 mi de participação nos lucros e R$ 19,3 mi em ações. Conselho de Administração: R$ 6,7 mi para 11 membros; Conselho Fiscal: R$ 0,90 mi para 3.

ÓrgãoExercícioMembrosTotal do órgãoSalárioPart. lucrosEm ações
Diretoria Estatutária20265R$ 62,02 miR$ 16,41 miR$ 22,29 miR$ 19,27 mi
Diretoria Estatutária20255R$ 57,43 miR$ 14,86 miR$ 21,29 miR$ 17,38 mi
Conselho de Administração202611R$ 6,70 miR$ 6,51 mi
Conselho de Administração202512R$ 5,33 miR$ 5,16 mi
Conselho Fiscal20263R$ 0,90 miR$ 0,90 mi
Alvo × realizado: no exercício de 2025 a participação nos lucros da Diretoria tinha alvo de R$ 12,15 mi e foi paga em R$ 21,29 mi — 175% do alvo. A maior remuneração individual da Diretoria foi de R$ 25,72 mi, contra média de R$ 11,49 mi e mínima de R$ 4,04 mi: uma dispersão de 6,4× dentro do mesmo órgão. Foram entregues 120.469 ações no ano, diluição desprezível (0,004% do capital).

Auditor e partes relacionadas

O auditor vigente é a PricewaterhouseCoopers, contratada a partir do exercício de 2025 em substituição à Baker Tilly 4Partners — que, por sua vez, havia substituído a própria PwC em 2022. O histórico registra 9 trocas desde 2011, quase todas com motivo declarado de rodízio obrigatório. O motivo da última troca é "término do contrato e decisão pela não renovação a fim de aumentar a sinergia operacional". Sócios responsáveis atuais: Nelson Varandas dos Santos e Sergio Eduardo Zamora. Não há transações com partes relacionadas acima de R$ 100 mi no último formulário de referência — nenhum empréstimo a controlador, nenhuma taxa fora de mercado.

13. Recompra, fatos e agenda

ItemDetalhe
Programa de recompraAprovado em 20/02/2026, vigente até 22/02/2027 (209 dias restantes)
Autorização42.861.656 ações — 5,81% do capital em circulação declarado no programa
Execução reportada0% até a data deste estudo
DestinoPermanência em tesouraria, com possibilidade de cancelamento
Motivo declarado"Desconto atual das ações no mercado"
CorretorasÁgora, BTG Pactual, Citigroup e Morgan Stanley

O que saiu no pregão de 27/07

  • Resultados do 2T26 e 1S26 protocolados após o fechamento: lucro de R$ 1,6 bi no trimestre (+17% a/a) e R$ 2,8 bi no semestre (+17,9%); EBITDA de R$ 6,581 bi (+10,9%); receita total +7,6%; fluxo de caixa operacional de R$ 8,2 bi no semestre (+11,3%); JCP deliberados no ano de R$ 2,2 bi (+34,5%).
  • Ata do Conselho de Administração (reunião de 23/07) aprovando o Plano de Ação Climática 2026, a alteração do regimento interno do Conselho e dos comitês, a atualização da Política de Direitos Humanos e uma normativa de governança de Inteligência Artificial.
  • Em 16/07 o Conselho havia aprovado R$ 500 mi em JCP — o provento de R$ 0,1565 por ação com data-ex em 27/07.
Agenda à frente: 31/07/2026 — Informe sobre o Código Brasileiro de Governança Corporativa. 10/11/2026 — divulgação do ITR do 3º trimestre. Não há assembleia nem provento com data-ex declarados na janela. O evento vivo é o programa de recompra, ainda sem execução reportada e com nove meses de prazo.

14. Notícias que moveram o papel

DataManchete
27/07 · 19h27Telefônica Brasil tem lucro líquido de R$ 1,6 bi no 2º trimestre, alta de 17% ante o ano anterior
27/07 · 17h36Ibovespa fecha em alta puxado por bancos e Vale em meio a otimismo com trégua EUA-Irã e queda do petróleo, apesar de Petrobras
27/07 · 14h38Agenda de balanços do 2º trimestre das listadas na B3 atualizada com dados da CVM
16/07 · 18h48Conselho da Telefônica Brasil aprova R$ 500 mi em JCP
22/07 · 18h06Ibovespa fecha em alta firme, superando 177 mil pontos, com impulso de blue chips após balanços do 2º trimestre

O noticiário do papel nos últimos doze meses é notavelmente pobre em eventos idiossincráticos — não há disputa societária, litígio relevante, mudança de controle ou movimento de fusões e aquisições. A cobertura é quase toda de resultado e provento. Isso reforça o diagnóstico: o que move VIVT3 não é a empresa, é a curva de juros.

15. Pano de fundo macro

DI 1 ano
14,15%
a.a.
Tesouro BR 10 anos
14,80%
inclinação 2a-10a +0,64 pp
Treasury 10 anos
4,69%
Fed Funds 3,75%
Spread BR − EUA (10a)
10,11 pp
prêmio soberano
Selic projetada
14,00%
estável há 3 semanas
IPCA projetado
5,12%
revisão −0,03 pp
Câmbio projetado
R$ 5,20
sem revisão
PIB projetado
1,99%
praticamente estável

Este é o ponto que decide a tese. Com o Tesouro 10 anos a 14,80% e o IPCA projetado em 5,12%, o juro real longo está em torno de 9,2% ao ano. O earnings yield da Vivo é 5,57% — 3,6 pontos percentuais abaixo de um título soberano indexado. O fluxo recorrente de JCP, de 3,8% ao ano, roda a um quarto do DI de um ano. Do lado do balanço, a boa notícia é simétrica: com dívida líquida em 0,54× EBITDA e caixa de R$ 7,0 bi, a companhia é pouco sensível ao custo da dívida — o juro alto machuca o múltiplo, não a operação.

A sensibilidade em um número. Mantidas todas as demais premissas do DCF, cada ponto percentual a menos no WACC adiciona cerca de R$ 3,00 por ação ao valor de referência na faixa relevante. É por isso que o papel subiu 33% entre 20/01 e 27/02 e devolveu 21% entre abril e junho sem que nada tenha mudado no negócio: quem compra VIVT3 hoje está, na prática, comprado em duration brasileira com uma operação de telecom em cima.

16. Síntese — forças e riscos

Forças

  • Crescimento consistente e acelerando: receita +6,7% em 2025 e +7,6% no 2T26; EBITDA crescendo mais rápido que a receita há dois trimestres; lucro do 2T26 +17%.
  • Balanço quase sem alavancagem: 0,54× EBITDA, a menor razão em cinco anos, com R$ 7,0 bi em caixa.
  • Caixa livre robusto e estável: ~R$ 10,7–11,0 bi ao ano desde 2023, sem sobressaltos de capex.
  • EV/EBITDA de 4,95×, o menor entre as grandes do setor com resultado apurável.
  • Compra estrangeira persistente: Citi e Merrill acumulando nas duas janelas, com o Citi acelerando durante a queda; UBS invertendo para comprador no trimestre.
  • Recompra de 5,81% do capital autorizada e integralmente por executar, com nove meses de prazo.
  • Tradabilidade impecável: 33ª ação mais líquida, aluguel a 0,10% ao ano, ordem de R$ 1 mi consumindo 0,61% do giro diário.
  • Governança sem red flag material: sem transações com partes relacionadas relevantes, sem empréstimo a controlador, auditor de primeira linha.

Riscos

  • Preço sem prêmio de risco: os R$ 35,47 embutem uma taxa de desconto de ~13,8% ao ano, abaixo do Tesouro 10 anos (14,80%).
  • Toda a faixa de sensibilidade do DCF fica abaixo da tela — de R$ 18,80 a R$ 31,41, contra R$ 35,47.
  • Earnings yield de 5,57% contra juro real longo de ~9,2%: o gap de 3,6 pontos percentuais é o custo de oportunidade da posição.
  • Renda recorrente magra: 3,8% ao ano em JCP recorrente contra DI de 14,15%; os 7,3% de doze meses dependem de uma restituição de capital não recorrente.
  • P/L de 18,0× num negócio de crescimento de um dígito, com R$ 14,9 bi anuais de depreciação separando EBITDA de lucro.
  • Free float de apenas 21,9% sob controle estrangeiro de 77,13% — decisões de capital passam por Madri.
  • Rotação de institucionais nas duas direções: Morgan Stanley e JP Morgan inverteram para vendedores no trimestre.
  • Beta baixo é faca de dois gumes: 0,80 contra o Ibovespa protege na queda, mas deixa o papel para trás em rali de risco.
Fechando o raciocínio. A Telefônica Brasil é uma operação saudável, pouco alavancada, com caixa crescente e um trimestre acima do próprio ritmo. O estudo não encontra fragilidade operacional. O que encontra é uma desconexão entre o preço e o custo de capital vigente no país: aos R$ 35,47, o mercado desconta o fluxo da companhia a uma taxa menor que a do título soberano de dez anos. Essa é uma escolha legítima de quem acredita que a curva vai ceder — a R$ 45,88 por ação o DCF fecha com um WACC de 12,0%. Mas é uma escolha sobre juros, não sobre telecomunicações, e vale ser feita com essa consciência.

Lacunas desta edição

  • Fechamento do pregão de 27/07 ainda não consolidado no arquivo diário de preços na montagem deste estudo — retornos, estatísticas e fluxo de corretoras estão fechados em 24/07; o livro de derivativos já traz 27/07.
  • Papel nos índices: confirmada a presença no Ibovespa, mas o peso exato na carteira teórica e a contribuição em pontos ao índice não foram apurados (a atribuição ao vivo não devolveu dados na janela de pré-abertura).
  • Tape ao vivo de quem está comprando e vendendo no pregão corrente indisponível na janela de montagem.
  • Volume financeiro das operações de administradores (CVM 44) não apurável — os registros vêm com preço zerado; só a quantidade está disponível.
  • Cupom de emissão pública da companhia não localizado na janela consultada para ancorar o custo da dívida do DCF; o Kd foi ancorado no DI de 1 ano.
  • Série de proventos anteriores a agosto de 2024 incompleta na base — o histórico por ano civil cobre 2025 e 2026.