Estudo Fundamentalista — UGPA3 — Ultrapar — 15/07/2026

UGPA3 girou R$ 1,84 bi em 14/07 (11,7× a média de 12m), o maior volume da bolsa, com Merrill em 59% do giro e sem fato relevante — dossiê de fundamentos, fluxo, opções, aluguel e DCF.

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Estudo Fundamentalista

Estudo Fundamentalista — UGPA3 — Ultrapar — 15/07/2026

15/07/2026 · O maior giro da bolsa inteira, sem fato relevante que o explique

Escolhida pelo giro: R$ 1,84 bi no pregão de 14/07 — o maior volume de toda a bolsa, acima de PETR4 e VALE3, em um papel cuja média de 12 meses é de R$ 157 mi/dia (11,7× o normal), com queda de 1,98% e sem nenhum fato relevante da companhia que o explique.

Fechamento (14/07)
R$ 30,24
−1,98% · abriu em 29,40
Giro no dia
R$ 1,84 bi
62,4 mi ações · RVOL 11,7×
Valor de mercado
R$ 33,74 bi
1,116 bi ações ON
12 meses
+88,5%
mín. 52s R$ 14,62
P/L · EV/EBITDA
11,3× · 6,6×
LTM · ROE 16,2%
Dív. líq./EBITDA
2,84×
1T26: dív. líq. R$ 17,26 bi
Aluguel (taxa)
0,05% a.a.
estoque +45,8% em 21d
Contribuição IBOV
−63,1 pts
maior detrator do dia

A tese em um parágrafo

A Ultrapar chega a 14/07 depois de uma das maiores reprecificações da bolsa: +88,5% em 12 meses, saindo de R$ 16,04 para R$ 30,24, sustentada por uma virada operacional real — o EBITDA saiu de R$ 2,68 bi (2021) para R$ 6,57 bi (2025) e o 1T26 veio com EBITDA +105,3% e lucro +151,7% na comparação anual. O pregão de 14/07 quebra o padrão: o papel girou o maior volume do mercado inteiro e caiu, com uma única mesa (Merrill) respondendo por 59,2% do giro nas duas pontas — assinatura de cruzamento de bloco, não de formação de posição. Nenhum fato relevante foi publicado. O que o levantamento encontra é uma tensão nítida: os múltiplos dizem que o papel está barato contra a concorrente direta (EV/EBITDA 6,6× contra 8,2× da VBBR3), enquanto um fluxo de caixa descontado ancorado no juro longo brasileiro de 14,46% diz o oposto — para justificar R$ 30,24 é preciso descontar a empresa a 12,71% a.a., 1,75 pp abaixo do próprio título soberano de 10 anos.

1. A empresa

Holding de energia e infraestrutura do setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis Exploração, Refino e Distribuição, listada no Novo Mercado com classe única de ações ordinárias. Opera por quatro frentes: Ipiranga (distribuição de combustíveis, o motor de receita), Ultragaz (GLP), Ultracargo (armazenagem de granéis líquidos) e Hidrovias do Brasil (logística hidroviária, consolidada e responsável por parte relevante do salto de EBITDA no 1T26). São 29.246 acionistas pessoa física, 334 pessoa jurídica e 1.028 institucionais.

Estrutura de capital

100% ON
1,116 bi ações ordinárias

Sem ações preferenciais — classe única, Novo Mercado

Não há perna PN: a companhia tem 0 ação preferencial em circulação, então todo o estudo de fluxo e derivativos abaixo corre sobre a classe ON.

Controle — uma companhia sem controlador

Não há controlador definido. O que existe é um bloco de 32,73% do capital votante vinculado por acordo de acionistas: Ultra S.A. Participações (25,06%) e Parth do Brasil (7,68%). A BlackRock aparece com 5,00% direto e os 58,05% restantes são dispersos. Na árvore indireta, Fabio Igel (50,1%) e Marcos Marinho Lutz (49,9%) dividem a IgelPar, e o Pátria Private Equity VI detém 20,06% da Ultra S.A.

AcionistaTipoNívelVínculo% ON
Outrosdireto58,05%
Ultra S.A. ParticipaçõesPJdiretoacordo25,06%
Parth do Brasil ParticipaçõesPJdiretoacordo7,68%
BlackRock Inc.PJdireto5,00%
Fabio IgelPFindireto via IgelParcontrolador+acordo50,10%
Marcos Marinho LutzPFindireto via IgelParacordo49,90%
Pátria Private Equity VI FIPPJindireto via Ultra S.A.acordo20,06%

Percentuais diretos e indiretos têm bases diferentes e não se somam. O registro de free float da bolsa (atualizado em 30/04/2026) traz 1.067,87 mi ações — medida que não desconta o bloco do acordo, por não haver controlador formal declarado.

Fundos que detêm o papel

São 136 fundos com posição declarada, somando R$ 376,76 mi e 14,26 mi ações (posições de referência de abr–mai/26) — cerca de 1,1% do valor de mercado. É uma base compradora institucional local pequena para uma empresa deste porte, concentrada em fundações e indexados.

PREVI Renda Variável Ativa
R$ 49,82 mi
LAB FIF Ações (BTG)
R$ 41,39 mi
Caixa Master Ações Livre Quant.
R$ 25,29 mi
Caieiras FIF MM (Morgan Stanley)
R$ 20,06 mi
BrasilPrev Top A (BB)
R$ 18,46 mi
ETF Bradesco Ibovespa
R$ 17,76 mi
Kapitalo Master I
R$ 17,19 mi
Dom Bosco (FUNCEF)
R$ 13,25 mi
Iceberg (BofA)
R$ 12,04 mi
Itaú Index Ibovespa
R$ 10,52 mi

2. Preço & desempenho

Os 12 meses contam uma história de recuperação em duas pernas: uma alta contínua de julho/25 a abril/26 (R$ 16,04 → R$ 30,50), uma correção de ~21% até meados de junho (R$ 24,02 em 15/06) e um repique violento de +24,9% em 21 pregões que devolveu o papel à máxima de 52 semanas em 13/07 (R$ 31,22 na máxima intradiária) — véspera exata do pregão de giro recorde.

3016
UGPA3R$ · fechamentos mensais (jul/25 → 14/07/26)

Na janela curta, o desenho é de fundo em V: o papel perdeu 21,2% entre 17/04 e 15/06 e recuperou tudo em quatro semanas. Repare no último ponto — a queda de 14/07 vem de uma abertura em R$ 29,40, um gap de −4,7% contra o fechamento anterior de R$ 30,85, com mínima em R$ 29,11 e recuperação até R$ 30,24 no fechamento. Abrir muito abaixo e fechar perto do topo do dia, com giro de 11,7× a média, é o desenho típico de oferta grande absorvida.

3124
UGPA3R$ · últimos 63 pregões (14/04 → 14/07)
MétricaValorLeitura
Retorno 12 meses+88,5%de R$ 16,04 (11/07/25) a R$ 30,24
Retorno no ano+44,7%vs R$ 20,90 no fechamento de 2025
Retorno 21 pregões+24,9%o repique que precedeu o bloco
Retorno 63 pregões−1,4%vaivém: caiu 21% e voltou
Faixa 52 semanasR$ 14,62 – R$ 31,22fechou 3,1% abaixo da máxima
Vol. realizada 21d25,8% a.a.abaixo da de 252d (31,5%)
Vol. realizada 252d31,5% a.a.
Beta vs IBOV (252d)1,107correlação 0,594 — só parcialmente explicado pelo índice
Beta vs IBOV (63d)0,937correlação 0,518

Retornos calculados sobre preço, sem reinvestimento de proventos. A série disponível começa em 2017 — os extremos citados são da janela de 52 semanas, não recordes históricos.

3. Resultados (5 anos)

A leitura essencial: a receita mal cresceu e o EBITDA mais que dobrou. Entre 2021 e 2025 a receita subiu 29,7% (R$ 109,7 bi → R$ 142,4 bi), enquanto o EBITDA saltou 144,7% (R$ 2,68 bi → R$ 6,57 bi). Isso é margem, não volume: a margem EBITDA saiu de 2,45% para 4,61%. Em um distribuidor de combustíveis — negócio de centavos por litro sobre um faturamento gigante — cada décimo de margem vale bilhões, e essa é a alavanca inteira da tese.

R$ bi20212022202320242025
Receita líquida109,73143,63126,05133,50142,37
Lucro bruto4,907,369,329,699,36
EBITDA2,684,375,726,166,57
Margem EBITDA2,45%3,04%4,54%4,61%4,61%
EBIT1,773,354,584,944,98
Resultado financeiro−0,76−1,47−1,00−0,93−1,17
Lucro líquido0,881,842,522,532,54
Margem líquida0,81%1,28%2,00%1,89%1,79%
LPA (R$)0,781,652,232,142,29
ROE8,44%15,11%17,95%15,96%14,34%
ROA2,27%5,05%6,58%6,39%5,15%
Dívida líquida15,457,657,3713,7218,66
Dív. líq./EBITDA5,76×1,75×1,29×2,23×2,84×
Patrimônio líquido10,4712,1714,0315,8217,73
Caixa operacional (FCO)2,592,003,853,745,45
CAPEX0,931,291,792,01
Fluxo de caixa livre1,082,561,953,45

CAPEX de 2022 registrado apenas como aquisição de imobilizado; de 2023 em diante, imobilizado e intangível — bases não perfeitamente comparáveis. CAPEX de 2021 não isolável na demonstração. Fluxo de caixa livre = FCO − CAPEX.

EBITDA 2025
R$ 6,57 bi
EBITDA 2024
R$ 6,16 bi
EBITDA 2023
R$ 5,72 bi
EBITDA 2022
R$ 4,37 bi
EBITDA 2021
R$ 2,68 bi

O 1T26 é o dado mais atual — e é o melhor da série

Trimestre encerrado em 31/03/2026: receita de R$ 36,75 bi (+10,3%), EBITDA de R$ 2,25 bi (+105,3%) e lucro líquido de R$ 914,2 mi (+151,7%) contra o mesmo trimestre de 2025. A margem EBITDA foi a 6,12% — acima de qualquer ano fechado da série — puxada por Ipiranga e pela consolidação da Hidrovias. A dívida líquida recuou para R$ 17,26 bi e o patrimônio líquido subiu a R$ 18,51 bi. É este trimestre que sustenta a reprecificação de 88% do papel; o próximo teste sai em 12/08.

O contraponto: a alavancagem dobrou para financiar a virada

A dívida líquida saiu de R$ 7,37 bi (2023) para R$ 18,66 bi (2025) e a relação dívida líquida/EBITDA foi de 1,29× para 2,84× em dois anos — a compra da Hidrovias custou R$ 6,39 bi de saída de caixa em 2024. Com o CDI a 14,15% a.a., carregar R$ 21,83 bi de dívida bruta é caro: o resultado financeiro consumiu R$ 1,17 bi em 2025, ou 23% do EBIT. O ROE caiu de 17,95% (2023) para 14,34% (2025) mesmo com o lucro estável, porque o patrimônio cresceu mais rápido que o resultado.

4. Valuation — múltiplos & fluxo de caixa descontado

Contra os pares do setor

Comparada à concorrente direta na distribuição de combustíveis, a Vibra (VBBR3), a Ultrapar sai mais barata em lucro (P/L 11,3× contra 13,2×) e em operação (EV/EBITDA 6,6× contra 8,2×), com ROE maior (16,2% contra 13,8%). Contra o setor amplo, porém, o quadro inverte: PETR4 negocia a 3,9× EV/EBITDA com ROE de 24,1%, e a RECV3 a 4,5× com dividendo de 36%. A comparação honesta é com a Vibra — as demais são produtoras de petróleo, negócio com outra estrutura de risco e de retorno.

TickerEmpresaP/LP/VPEV/EBITDADYROEEarnings yield
UGPA3Ultrapar11,26×1,82×6,61×8,60%16,19%8,88%
VBBR3Vibra Energia13,15×1,81×8,19×11,87%13,76%7,60%
PETR4Petrobras5,19×1,25×3,88×14,70%24,10%19,27%
RECV3PetroRecôncavo4,80×0,73×4,49×35,99%15,21%20,85%
PRIO3PRIO19,27×1,87×7,84×9,72%5,19%
OPCT3OceanPact18,42×2,23×5,39×0,87%12,13%5,43%
BRAV3Brava Energia39,95×0,81×4,59×1,24%2,04%2,50%

Múltiplos LTM, preços de 14/07. O rendimento de dividendo desta tela usa base própria de cálculo e difere do provento efetivamente pago em 12 meses (ver seção 5).

O fluxo de caixa descontado

Estimativa com premissas explícitas — não é recomendação. A faixa de sensibilidade, e não o número central, é o resultado.

PremissaValorAncoragem
FCF baseR$ 3,45 biFCO 2025 (R$ 5,45 bi) − CAPEX 2025 (R$ 2,01 bi)
Crescimento 5 anos7,0% a.a.CAGR de receita 5a (6,7%) e PIB nominal projetado (~7,2%)
Crescimento na perpetuidade5,0% a.a.inflação projetada de longo prazo (IPCA 5,16%)
Taxa livre de risco14,458%título soberano de 10 anos
Prêmio de risco de mercado5,0 pppadrão do modelo
Beta (252d)1,107medido contra o IBOV
Custo do capital próprio (Ke)19,99%14,458% + 1,107 × 5,0%
Custo da dívida (Kd)15,0% nominalpremissa: DI de 1 ano (14,15%) + spread de crédito
Kd após imposto (34%)9,90%
Estrutura de capital60,7% capital / 39,3% dívidaR$ 33,74 bi de valor de mercado vs R$ 21,83 bi de dívida bruta
WACC16,03%
Dívida líquida (ponte)R$ 17,26 biposição de 31/03/2026
Ações1,116 biconsistente com o LPA do 1T26

Com essas premissas, o valor presente dos fluxos projetados soma R$ 13,6 bi e o valor terminal (Gordon) R$ 21,9 bi, para um valor de firma de R$ 35,5 bi. Descontada a dívida líquida, sobram R$ 18,3 bi de valor para o acionista, ou R$ 16,34 por ação — 46% abaixo dos R$ 30,24. Usando o fluxo de caixa livre médio dos últimos 3 anos (R$ 2,65 bi) em vez do de 2025, o exercício cai para R$ 9,01.

Sensibilidade — valor justo por ação (R$)

WACC / g perpétuo4,0%5,0%6,0%
13,0%24,8628,5533,29
14,5%19,0021,5324,65
16,0% (base)14,6116,4218,60
17,5%11,2012,5514,13

O achado central: o preço embute um desconto abaixo do soberano

Invertendo o modelo — que taxa de desconto justifica exatamente R$ 30,24? A resposta é 12,71% a.a. (com perpetuidade a 5% e fluxo base de R$ 3,45 bi). Isso é 1,75 pp abaixo do rendimento do título soberano brasileiro de 10 anos (14,46%). Em outras palavras: ao preço atual, o mercado remunera o risco de renda variável de uma holding alavancada em 2,84× abaixo do que paga o próprio Tesouro brasileiro sem risco de crédito corporativo. Isso não significa que o papel esteja "errado" — significa que o preço já embute ou uma queda relevante do juro longo, ou uma trajetória de fluxo bem acima da que a série histórica sustenta, ou ambas. O 1T26 (EBITDA +105%) é o argumento a favor da segunda hipótese; o Focus, que subiu a Selic projetada de 13,25% para 14,00% entre maio e julho, é o argumento contra a primeira.

Checagem de coerência contra os múltiplos: o valor de firma implícito pelo fluxo descontado (R$ 35,5 bi) equivale a 5,4× o EBITDA de 2025, contra os 6,6× que o mercado paga e os 8,2× da Vibra. Ou seja: os dois métodos discordam de forma organizada — o múltiplo relativo diz que a Ultrapar é a barata do par, o fluxo descontado diz que o par inteiro está caro contra um juro real de dois dígitos. Ambas as leituras podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.

5. Proventos

O histórico coletado mostra R$ 1,30 por ação distribuídos nos últimos 12 meses — R$ 0,30 com data-ex em 21/08/2025 e R$ 1,00 com data-ex em 05/12/2025 — o que dá ~4,3% sobre os R$ 30,24 de hoje, ou 6,4% se medido contra os preços vigentes nas respectivas datas-ex. A companhia alterna dividendo e juros sobre capital próprio: o JSCP de R$ 0,45 (ex em 06/03/2025) rendeu 2,81% no preço de então (R$ 16,00).

dez/25 — dividendo (2º sem./25)
R$ 1,00 / ação
ago/25 — dividendo (1º sem./25)
R$ 0,30 / ação
mar/25 — JSCP (2º sem./24)
R$ 0,45 / ação
ago/24 — JSCP (1º sem./24)
R$ 0,25 / ação

Lacunas declaradas nesta seção

Não há nenhum provento futuro anunciado na janela de 180 dias — o calendário de datas-ex está vazio. Além disso, a última distribuição registrada tem data-ex de 05/12/2025, há cerca de 222 dias: pode haver provento mais recente ainda não capturado no levantamento. O rendimento de 8,60% que aparece na tela setorial da seção 4 usa base de cálculo distinta e não reconcilia com os R$ 1,30 efetivamente pagos; tratamos o histórico pago como o número firme.

Contra a renda fixa: um rendimento de dividendo de ~4,3% frente a um CDI de 14,15% a.a. deixa claro que a Ultrapar não é, hoje, um caso de renda. O earnings yield de 8,88% também fica abaixo do CDI e próximo do juro real longo (~9%). Quem compra o papel aqui está comprando crescimento de margem, não carrego.

6. Fluxo de players — 12 meses e 3 meses

O padrão é limpo e consistente nas duas janelas: mesas estrangeiras acumulam, mesas locais e varejo distribuem — enquanto o papel subiu 88%. UBS, JP Morgan, Citigroup e Morgan compraram líquidos R$ 1,54 bi em 12 meses; Itaú, Merrill, Necton, XP, Genial e C6 venderam R$ 1,42 bi. As persistências contam o resto da história: os compradores estrangeiros aparecem como comprador líquido em 50–56% dos dias (acumulação metódica), não em pancadas isoladas.

12 meses (252 pregões, 11/07/25 → 14/07/26)

UBS
+R$ 499,06 mi
JP Morgan
+R$ 485,70 mi
Citigroup
+R$ 285,34 mi
Morgan
+R$ 273,74 mi
BGC
+R$ 135,89 mi
Mirae
+R$ 88,95 mi
Terra
−R$ 18,20 mi
Inter
−R$ 34,19 mi
Safra
−R$ 110,84 mi
C6
−R$ 128,16 mi
Genial
−R$ 147,41 mi
XP
−R$ 172,87 mi
Necton
−R$ 288,51 mi
Merrill
−R$ 487,82 mi
Itaú
−R$ 576,25 mi

Persistência dos acumuladores: UBS 54,8% · JP Morgan 56,0% · Citigroup 53,8% · Morgan 50,4% dos dias ativos como comprador líquido. Itaú foi comprador em apenas 42,5% dos dias.

3 meses (63 pregões, 14/04 → 14/07)

Morgan
+R$ 264,85 mi
UBS
+R$ 263,42 mi
Santander
+R$ 186,95 mi
JP Morgan
+R$ 169,56 mi
BGC
+R$ 83,90 mi
Goldman
+R$ 79,33 mi
Ativa
−R$ 17,34 mi
Safra
−R$ 26,28 mi
Necton
−R$ 38,86 mi
C6
−R$ 88,18 mi
Genial
−R$ 101,84 mi
Ágora
−R$ 103,19 mi
Itaú
−R$ 113,21 mi
XP
−R$ 233,75 mi
Merrill
−R$ 361,08 mi

Santander entra como novo acumulador (persistência de 61,9%, a maior da tabela). Merrill acelerou a distribuição — comprador líquido em apenas 31,7% dos dias.

O pregão de 14/07 — a assinatura de um cruzamento de bloco

No dia do giro recorde, a Merrill comprou 35,7 mi ações e vendeu 45,5 mi, terminando com saldo líquido de −9,7 mi ações a um preço médio de R$ 29,53. Sozinha, respondeu por 59,2% de todo o volume financeiro da janela. Estar nas duas pontas com esse tamanho não é montar posição — é intermediar. Do outro lado, as mesas que vinham acumulando há 12 meses absorveram o papel: UBS +3,05 mi ações a R$ 29,55, Citigroup +2,94 mi a R$ 29,34, JP Morgan +2,18 mi a R$ 29,92, Morgan +1,42 mi a R$ 30,28 e BGC +0,82 mi a R$ 29,40.

O que não se encontra: nenhum fato relevante da companhia sobre oferta ou alienação em 14/07, e apenas R$ 29,63 mi registrados como negócio direto casado (Merrill nas duas pontas, 1,00 mi de ações a R$ 29,60, às 12:04). O resto do R$ 1,84 bi passou pelo mercado aberto. O contexto que existe é de 02/06: o fundo de pensão canadense CPPIB comunicou ter reduzido a participação para 4,94% — 55,1 mi ações ON, ordem de grandeza compatível com o giro de 14/07. Abaixo de 5%, não há mais obrigação de comunicar. Isto é hipótese com evidência circunstancial, não fato confirmado — o registro público não amarra a ponta vendedora a nenhum nome.

7. Derivativos — opções

A posição em aberto é modesta para o tamanho da empresa (8,52 mi de calls e 6,41 mi de puts), mas dobrou no dia 14/07 e de forma perfeitamente pareada: as calls saltaram de 6,39 mi para 8,52 mi (+2,13 mi) e as puts de 4,33 mi para 6,41 mi (+2,08 mi). Abertura simétrica de call e put é assinatura de estrutura sintética, não de aposta direcional.

0,75
Put/Call de posição em aberto

Percentil 58,6 — mais call que put

0,80
Put/Call de volume

Percentil 68,8

34,6%
IV no dinheiro

Rank 45,9 em 252d · prêmio de 8,81 pp sobre o realizado

Paredes e ímãs — tudo em um único strike

No vencimento de 18/09, a estrutura é atípica: a parede de call (3.500.700 contratos) e a parede de put (3.501.100 contratos) estão no mesmíssimo strike de R$ 28,50, que é também o max pain. Não são muros opostos — são as duas pernas da mesma montagem. O strike concentra R$ 1.683,4 mi de gama absoluta contra R$ 1,6 mi do segundo colocado (R$ 30,75).

StrikeOI callOI putOI totalPapel
R$ 28,503.500.7003.501.1007.001.800parede de call + parede de put + max pain
R$ 30,756.00006.000
R$ 25,2561.200061.200
R$ 39,2504.6004.600
R$ 23,2504.2004.200

Exposição gama: o total está em +R$ 46,0 mi por ponto (calls +867,03 mi, puts −821,03 mi), com gama-zero em R$ 27,77. Gama líquida positiva coloca as mesas compradas em gama — vendendo força e comprando fraqueza —, o que empurra para reversão à média e ancoragem perto do ímã. Vale a ressalva: com 96% da gama concentrada num único strike de uma estrutura casada, o sinal de "regime de dealer" aqui é mecânico e frágil, não uma leitura de posicionamento do mercado.

Perfil de volatilidade — o mercado precifica o balanço de agosto

A IV no dinheiro está em 34,64%, com rank de 45,9 em 252 dias mas 61,96 na janela de 63 dias — a volatilidade implícita saiu de 29% no fim de junho para 35% agora, subindo junto com o papel. O prêmio sobre a volatilidade realizada de 21 dias é de +8,81 pp (34,64% contra 25,83%): as opções estão pagando bem acima do que o papel entregou.

3729
IV ATM% · IV no dinheiro, 21 pregões (16/06 → 14/07)

A estrutura a termo entrega o achado mais acionável da seção: a curva está em contango, mas com uma corcova em agosto — a IV do vencimento de 17/07 é 32,17%, a de 21/08 salta para 41,58% e a de 18/09 volta para 33,47%. O vencimento de agosto é exatamente o que abarca a divulgação do resultado do 2T26, marcada para 12/08. O mercado está pagando ~9 pp a mais de volatilidade para carregar esse evento.

VencimentoIV no dinheiroSériesObservação
17/07/202632,17%58
21/08/202641,58%62engloba o resultado do 2T26 (12/08)
18/09/202633,47%16vencimento das paredes em R$ 28,50
18/06/202734,35%2ponta longa — pouca liquidez

O skew reforça: no vencimento de 21/08, a put fora do dinheiro (strike 25,25) negocia a 60,07% de IV contra 33,20% da call fora do dinheiro (strike 31,25) — um skew de +26,87 pp. Depois de uma alta de 88%, a proteção contra queda custa quase o dobro da aposta em alta.

Fluxo e montagens

Em 14/07 o número de negócios em opções explodiu para 1.990, contra uma média de 450 (4,4×), e 71,3% do dinheiro foi para puts (razão de fluxo 2,48) — proteção sendo comprada no dia do bloco. Na janela de 21 pregões, porém, o fluxo acumulado ainda é 59,3% em calls.

Foram 12 negócios diretos casados (mesma corretora nas duas pontas) — UBS (5), XP (4) e BTG (3). Os do BTG desenham a estrutura de R$ 28,50: em 26/06, 1,50 mi de calls UGPAI285 a R$ 0,97; em 06/07, mais 2,00 mi de calls a R$ 1,91 e 2,00 mi de puts UGPAU285 a R$ 1,7496 — call e put, mesmo strike, mesmo vencimento, mesmo tamanho, mesmo dia. É o desenho de uma conversão/reversão: sintético de ações montado com opções. Direta casada é tesouraria, não fluxo de mercado — e o EOD não revela o lado das pernas, então o sentido da montagem permanece hipótese.

8. Derivativos — aluguel (BTB) e termo

Estoque em aluguel
30,84 mi ações
R$ 826,57 mi
Taxa do tomador
0,05% a.a.
percentil 16,6 em 18 meses
Short interest
2,76%
2,89% do free float
Days to cover
3,43 dias
sobre o giro médio de 21d
Δ estoque 21 dias
+45,8%
de 21,15 mi para 30,84 mi
Δ estoque vs 30/06
+28,0%
de 24,10 mi ações

Aqui está a peça que fecha o quebra-cabeça. O estoque de aluguel cresceu 45,8% em 21 pregões — mas a taxa está em 0,05% a.a., no percentil 16,6 dos últimos 18 meses. Isso é aluguel de graça. Quando o estoque incha e a taxa não reage, não há disputa por papel para vender a descoberto: há papel sendo emprestado para financiar/liquidar posição — perna à vista de estrutura, não aposta na queda. O short interest de 2,76% das ações emitidas confirma: não existe posição vendida relevante para espremer.

34243126
Estoque em aluguel (mi ações)Preço (R$) (eixo →)mi ações · estoque em aluguel vs preço (30/06 → 14/07)

Repare no encaixe: o estoque subiu junto com o preço até o pico de 33,64 mi em 10/07 e começou a cair antes do bloco — recuou para 32,36 mi em 13/07 e 30,84 mi em 14/07, devolvendo 2,80 mi de ações justamente nos dois pregões do cruzamento. Empréstimo montado na subida e desmontado na entrega é comportamento de liquidação de operação, não de tese direcional.

Quem empresta e quem toma (24/06 → 15/07)

PlayerTomadoDoadoSaldo tomadorTaxa tomadaShare
XP Investimentos4.679.9953.495.111+1.184.8840,0486%22,99%
BTG Pactual3.790.5763.989.238−198.6620,0411%18,62%
Merrill Lynch1.584.7321.584.73200,0573%7,78%
Morgan Stanley1.371.432927.028+444.4040,0395%6,74%
Necton1.217.3041.151.487+65.8170,0257%5,98%
Mirae Asset822.500376.630+445.8700,0416%4,04%
Safra770.441794.159−23.7180,2188%3,78%
Banco do Brasil01.382.238−1.382.2380%
Santander76.5001.270.791−1.194.2910,0538%0,38%
Itaú555.6111.083.610−527.9990,0346%2,73%
C6534.70034.700+500.0000,0942%2,63%
Daycoval500.00020.100+479.9000,1000%2,46%

Doadores líquidos: Banco do Brasil (−1,38 mi) e Santander (−1,19 mi) são as fontes do papel. Merrill aparece com 1.584.732 tomados e exatamente 1.584.732 doados — saldo zero, as duas pontas, mais uma vez o desenho de intermediação. Concentração dos tomadores (HHI) em 1.121, com 27 participantes.

Termo

Irrelevante e vale dizer que é: 14 contratos, 69.900 ações, R$ 1,77 mi de valor de referência, preço médio implícito de R$ 25,37 — o equivalente a 0,01 dia de volume negociado. Não há posição a termo capaz de influenciar nada neste papel.

9. Papel nos índices

A Ultrapar integra o Ibovespa com peso de 1,35%. No pregão de 14/07 foi o maior detrator individual do índice: −63,06 pontos, à frente de BBDC4 (−51,43) e CMIN3 (−41,50). O índice ainda assim fechou em alta de 0,51%, aos 176.641 pontos, carregado por VALE3 (+295,36 pontos). Ou seja: num dia de bolsa comprada, a Ultrapar foi a maior âncora — coerente com uma oferta grande sendo digerida, e não com uma reação a notícia setorial.

VALE3 (empurrando)
+295,36 pts
B3SA3
+75,57 pts
BBAS3
+71,64 pts
VBBR3
+46,35 pts
BRAV3
+40,67 pts
TOTS3
−19,23 pts
WEGE3
−20,33 pts
PETR3
−37,07 pts
CMIN3
−41,50 pts
BBDC4
−51,43 pts
UGPA3 (derrubando)
−63,06 pts

Contribuição em pontos no fechamento de 14/07. A atribuição do índice usa base de preço própria, ligeiramente distinta do fechamento consolidado citado no restante do estudo. Não há índice setorial específico de distribuição de combustíveis; a comparável direta VBBR3 somou +46,35 pontos no mesmo dia — subindo enquanto a Ultrapar caía, o que reforça a leitura de evento idiossincrático e não setorial.

10. Liquidez & risco de execução

Giro médio diário (252d)
R$ 157,38 mi
US$ 29,78 mi
Posição de liquidez
36ª de 537
percentil 93,5
Share do mercado
0,784%
negociou em 252 de 252 pregões
Giro médio (21d)
R$ 250,99 mi
inflado pelo bloco de 14/07

Liquidez confortável para o tamanho típico de ordem institucional: uma ordem de R$ 1 mi representa 0,64% do giro médio e é plenamente operável. O ponto de atenção começa em R$ 5 mi (3,18% do giro), já na faixa de cautela — e é justamente aí que se entende por que 55 mi de ações precisariam de uma mesa cruzando bloco em vez de irem ao mercado aberto: seriam ~10,5× o giro diário médio.

Tamanho da ordem% do giro médio diárioClasse
R$ 10 mil0,01%Operável
R$ 50 mil0,03%Operável
R$ 100 mil0,06%Operável
R$ 500 mil0,32%Operável
R$ 1 mi0,64%Operável
R$ 5 mi3,18%Operável com cautela

11. Smart-money & fluxo qualitativo

O levantamento de confluência de sinais (compra de insider em mercado, recompra ativa, dominância de corretora compradora, recompra de aluguel) retorna zero sinais ativos na janela de 21 pregões. Não é omissão — é o resultado: apesar do movimento de preço, nenhum dos gatilhos clássicos de acumulação qualificada está aceso agora.

Histórico de acerto por mesa neste papel

Sobre 382 pregões, com a maré do mercado descontada (o papel andou +0,95% em média a cada 5 pregões no período):

CorretoraClassificaçãoSinais de compraRetorno após compra (5d)AcertoEdge
ItaúSEGUIR — compra antecipa alta72+2,22%66,7%+1,26 pp
CitigroupSEGUIR — compra antecipa alta90+1,26%61,1%+0,31 pp
SafraSEGUIR — compra antecipa alta33+1,17%60,6%+0,22 pp
JP MorganSEGUIR — compra antecipa alta107+1,14%64,5%+0,19 pp
MerrillFADEAR — compra antecipa queda80+0,43%53,8%−0,52 pp
GoldmanFADEAR — compra antecipa queda92+0,28%52,2%−0,67 pp
XPFADEAR — compra antecipa queda78+0,24%50,0%−0,71 pp

Estatística dentro da amostra, bruta de custos, descritiva — não é recomendação. Há uma ironia útil na tabela: o Itaú, cuja compra tem o melhor histórico preditivo do papel (+1,26 pp de edge, 66,7% de acerto), foi o maior vendedor líquido dos 12 meses (−R$ 576,25 mi). O sinal de venda dele, porém, não tem edge (−0,12 pp).

Negócios diretos casados no papel

Nos últimos pregões, além do cruzamento de R$ 29,63 mi da Merrill em 14/07, houve uma sequência concentrada em 08–09/07, todos com a mesma mesa nas duas pontas: Goldman 503.500 ações a R$ 29,85 (R$ 15,03 mi) e 302.000 a R$ 29,82; JP Morgan 518.100 a R$ 29,10 (R$ 15,08 mi); Merrill 503.400 a R$ 28,95 (R$ 14,57 mi); Morgan 286.100 a R$ 30,00. São R$ 74,3 mi de blocos casados na semana que antecedeu o giro recorde — a operação estava sendo preparada em fatias antes de sair a grande.

12. Governança & pessoas ligadas (CVM 44)

O que os administradores fizeram

Em 12 meses foram 14 aquisições e nenhuma venda, somando +R$ 65,47 mi — mas o número bruto engana e precisa ser aberto. Quase tudo é outorga de plano de remuneração em ações, não compra no mercado. Filtrando só negócios efetivamente executados em bolsa, restam três, todos do Conselho de Administração e todos em dezembro de 2025:

DataÓrgãoTipoQuantidadePreçoVolume
29/12/2025Conselho de AdministraçãoCompra à vista130.000R$ 20,766R$ 2,70 mi
26/12/2025Conselho de AdministraçãoCompra à vista245.300R$ 20,3758R$ 5,00 mi
23/12/2025Conselho de AdministraçãoCompra40R$ 20,44R$ 817,60
19/05/2026Conselho + DiretoriaPlano de remuneração768.984R$ 14,50R$ 11,15 mi
30/04/2026DiretoriaPlano de remuneração113.394R$ 29,12R$ 3,30 mi
27/03/2026Conselho de AdministraçãoPlano de remuneração1.064.639R$ 26,55R$ 28,27 mi
28/11/2025DiretoriaPlano de remuneração675.000R$ 22,30R$ 15,05 mi

A leitura: o Conselho pôs R$ 7,70 mi do próprio bolso a ~R$ 20,50 em dezembro de 2025 — o papel está hoje 47% acima disso. Foi uma compra pequena em valor absoluto, mas bem cronometrada. Desde então, a posição do Conselho subiu de 8,31 mi para 10,01 mi de ações ON (jun/26) e a da Diretoria de 2,98 mi para 3,22 mi — crescimento que veio de outorga, não de convicção comprada em bolsa. Não há registro de venda por administradores em toda a janela.

Remuneração — o ponto que merece o olho

ExercícioTotal da companhiaDiretoria EstatutáriaEm açõesMaior remuneração individual
2023R$ 73,60 miR$ 62,94 mi (5 membros)R$ 24,29 miR$ 21,03 mi
2024R$ 88,75 miR$ 78,38 mi (5 membros)R$ 44,54 miR$ 36,58 mi
2025R$ 104,44 miR$ 92,49 mi (4 membros)R$ 70,06 miR$ 52,35 mi
2026 (orçado)R$ 108,45 miR$ 79,78 mi (4 membros)R$ 56,33 mi

A remuneração total da companhia cresceu 42% em dois anos (R$ 73,60 mi → R$ 104,44 mi) enquanto o lucro líquido ficou praticamente parado (R$ 2,52 bi → R$ 2,54 bi). Em 2025, a Diretoria Estatutária — quatro pessoas — custou R$ 92,49 mi, dos quais R$ 70,06 mi (76%) em ações, e um único executivo recebeu R$ 52,35 mi, contra R$ 1,35 mi do menor remunerado do mesmo órgão. A participação nos lucros ficou em 94% do alvo (R$ 9,86 mi contra R$ 10,49 mi). Foram entregues 676.157 ações à Diretoria e 281.196 ao Conselho em 2025. Estrutura fortemente atrelada a ações alinha executivo e acionista na direção certa — mas com essa concentração, também explica boa parte do "insider comprando" que aparece no dado bruto de CVM 44 e que, na prática, não é compra.

Auditor e partes relacionadas

Deloitte Touche Tohmatsu é a auditora vigente desde 2022 (sócio responsável: Daniel Correa de Sá). Há 6 trocas no histórico, todas com motivo declarado de rodízio obrigatório de cinco anos — alternando Deloitte e KPMG desde 2007. É rotação regulatória de rotina, não troca perto de problema; não vejo aqui um sinal de alerta.

Nas transações com partes relacionadas (posições de 31/12/2025), o destaque são compras operacionais: R$ 726,4 mi da Refinaria de Petróleo Riograndense (controlada em conjunto, 33,2% dividida com Braskem e Petrobras), R$ 638,6 mi da Chevron Products e R$ 269,1 mi da Chevron Oronite — insumos de lubrificantes e combustível para a Ipiranga. Há uma aplicação financeira intercompany com a Ultracargo (nota comercial, saldo de R$ 307,99 mi a 106% do CDI, prazo de 1 ano). Não há empréstimo a controlador — coerente com uma companhia sem controlador. Em 30/03/2026 foi comunicada a emissão de debêntures conversíveis pela Riograndense, de R$ 451,3 mi, remuneradas a CDI. Nenhuma taxa fora de mercado identificada.

13. Acionistas & recompras

Em 17/06/2026 o Conselho aprovou um programa de recompra de até 18.000.000 de ações ordinárias (1,61% do capital), com vigência até 17/06/2027, lastreado em reservas de lucros de R$ 7,66 bi (posição de 31/03/2026). As ações podem ir para tesouraria, para o plano de incentivo ou ser canceladas. Até a data deste estudo não há execução reportada — o registro de recompras traz apenas seis programas antigos, todos encerrados, o mais recente de 2014/2015.

Vale o cruzamento: um programa de recompra de 18 mi de ações foi aprovado em 17/06, com o papel a ~R$ 24,05. Menos de um mês depois, 62,4 mi de ações trocaram de mãos a ~R$ 29,50. Se a companhia estivesse comprando, seria o momento óbvio — mas nada foi reportado, e o programa autoriza menos de um terço do que girou no dia.

Do lado dos relevantes, o movimento do ano é a saída do CPPIB: em 02/06/2026 o fundo canadense declarou ter cruzado para baixo o limiar de 5%, ficando com 4,94% (55.117.773 ações ON), afirmando não pretender alterar o controle nem a estrutura administrativa. Não há registro de direitos de subscrição em aberto — nenhum evento diluitivo pendente além do plano de incentivo.

14. Fatos, comunicados & agenda

DataDocumentoConteúdo
17/06/2026Fato relevantePrograma de recompra de até 18 mi de ações ON (1,61% do capital), até 17/06/2027
02/06/2026Comunicado ao mercadoCPPIB reduz participação a 4,94% (55,1 mi ações ON) — alienação relevante
29/05/2026Formulário de ReferênciaFRE do exercício corrente
07/05/2026Comunicado ao mercadoApresentação do 1T26: lucro de R$ 914 mi (+152%), EBITDA recorrente de R$ 2,32 bi (+96%), alavancagem a 1,5×
28/04/2026Bolsas estrangeirasArquivamento do Formulário 20-F de 2025
15/04/2026AGO/EHomologação da alteração do número de ações ON e reforma estatutária
01/04/2026Fato relevanteNovos programas de incentivo em ações; alteração da Política de Remuneração Executiva
30/03/2026Partes relacionadasDebêntures conversíveis da Refinaria Riograndense: R$ 451,3 mi a CDI
10/03/2026Comunicado ao mercadoEsclarecimentos sobre questionamento da CVM/B3 a respeito de notícia divulgada na mídia

Agenda — o próximo catalisador tem data marcada

12/08/2026 — resultado do 2T26 (com apresentação a agentes de mercado em 13/08). É o evento que a estrutura a termo de volatilidade está precificando com 9 pp de prêmio no vencimento de agosto, e o teste da sustentação do salto de margem do 1T26. Antes disso, 31/07 traz o informe do Código Brasileiro de Governança Corporativa. Depois, 11/11 para o 3T26. Não há AGO nem evento societário pendente na janela.

15. Notícias

Lacuna declarada: a cobertura de notícias do período não retornou nenhuma manchete específica sobre a Ultrapar — nem sobre o giro de 14/07, nem sobre eventual oferta de ações. O único item do dia é o fechamento geral do mercado ("Ibovespa fecha em alta, ultrapassando 177 mil pontos, após dado de preço ao consumidor nos EUA abaixo do esperado referendar apetite a risco", 14/07, 17:43). A ausência de notícia é, ela própria, informação relevante aqui: o maior volume da bolsa em um papel do Ibovespa passou sem cobertura e sem comunicado da companhia — o que é consistente com uma negociação privada entre acionistas, que não dispara obrigação de divulgação pela emissora.

16. Contexto macro

Selic meta
14,25%
Focus projeta 14,00%
CDI · DI 1 ano
14,15%
Tesouro BR 10 anos
14,458%
5 anos: 14,445%
IPCA (12m)
4,64%
Focus 2026: 5,16%
USD/BRL
5,0742
−0,86% · Focus 5,20
Brent
US$ 85,28
+2,78%
CDS Brasil 5 anos
124,07 bps
PIB (Focus)
1,99%
desemprego 5,6%

Três ligações entre o macro e este papel:

  • O juro é o adversário do valuation. Com o soberano de 10 anos a 14,458% e o CDI a 14,15%, o earnings yield de 8,88% da Ultrapar fica ~5,3 pp abaixo do ativo livre de risco. E o Focus piorou: a Selic projetada para o fim de 2026 subiu de 13,25% (22/05) para 14,00% (10/07). O papel subiu 88% enquanto a projeção de juro subia — o mercado comprou a história operacional apesar do desconto, não por causa dele.
  • A alavancagem encontra o custo da dívida. R$ 21,83 bi de dívida bruta majoritariamente indexada ao CDI, a 14,15%, sobre um EBITDA de R$ 6,57 bi. Cada 100 pontos-base de Selic custa ordem de R$ 200 mi/ano de resultado financeiro. A curva ligeiramente positiva (2 para 10 anos: +0,45 pp) não sinaliza alívio próximo.
  • O petróleo importa menos do que parece. Brent a US$ 85,28 (+2,78%) e câmbio a R$ 5,07 afetam a Ipiranga pelo custo de aquisição, mas a margem de distribuição depende do repasse e do giro de estoque, não do nível do barril. O sinal de que 14/07 não foi macro está na própria bolsa: a VBBR3, mesma indústria, subiu 1,65% e somou +46,35 pontos ao índice no mesmo pregão em que a UGPA3 tirou 63,06.

17. Síntese

Pilares a favor

  • A virada operacional é real e recente. EBITDA de R$ 2,68 bi (2021) para R$ 6,57 bi (2025); o 1T26 veio com EBITDA +105,3%, lucro +151,7% e margem EBITDA de 6,12% — acima de qualquer ano fechado.
  • Geração de caixa em máxima da série. FCO de R$ 5,45 bi e fluxo de caixa livre de R$ 3,45 bi em 2025, o melhor dos 5 anos.
  • Barata contra a comparável direta. EV/EBITDA de 6,6× contra 8,2× da VBBR3, com ROE maior (16,2% contra 13,8%).
  • Dinheiro institucional estrangeiro acumulando com método há 12 meses: UBS, JP Morgan, Citi e Morgan somam +R$ 1,54 bi, com persistência de 50–56% dos dias — e absorveram o bloco de 14/07.
  • Conselho comprou no mercado a ~R$ 20,50 em dez/25 e nenhum administrador vendeu em 12 meses.
  • Recompra de até 1,61% do capital autorizada até jun/27, com R$ 7,66 bi de reservas disponíveis.

Riscos e pontos cegos

  • O fluxo descontado não fecha. A WACC de 16,03% devolve R$ 16,34/ação (−46%); justificar R$ 30,24 exige descontar a empresa a 12,71% — 1,75 pp abaixo do soberano de 10 anos.
  • Alavancagem dobrou: dívida líquida/EBITDA de 1,29× (2023) para 2,84× (2025), com o resultado financeiro consumindo 23% do EBIT e o CDI a 14,15%.
  • Um vendedor grande esteve no mercado em 14/07 e o registro público não diz se terminou. O CPPIB declarou 4,94% em 02/06 e, abaixo de 5%, não precisa mais comunicar.
  • Sem carrego: ~4,3% de dividendo pago em 12 meses contra 14,15% de CDI, e nenhum provento anunciado à frente.
  • Zero sinais de confluência ativos, e o "insider comprando" do dado bruto é, em quase toda a sua extensão, outorga de plano de remuneração — não convicção comprada em bolsa.
  • Remuneração +42% em dois anos com lucro estável; R$ 52,35 mi para um único executivo em 2025.
  • Proteção cara: skew de +26,87 pp e IV de 41,58% no vencimento que abarca o balanço de 12/08 — o mercado paga caro para se cobrir do próximo resultado.

O que este estudo apurou sobre 14/07

O maior giro da bolsa (R$ 1,84 bi, 11,7× a média de 12 meses) num papel de peso 1,35% do Ibovespa, com queda de 1,98%, abertura em gap de −4,7%, uma única mesa nas duas pontas de 59,2% do volume, aluguel inflando 45,8% em 21 dias a uma taxa simbólica de 0,05% a.a. e desinflando 2,80 mi de ações exatamente nos dois pregões do cruzamento, posição em aberto de opções dobrando de forma pareada, e nenhum fato relevante da companhia. O conjunto é consistente com a liquidação de uma participação grande entre acionistas, intermediada e financiada — e absorvida pelas mesmas mesas estrangeiras que vêm comprando o papel há um ano. As peças que o registro público não entrega: o nome da ponta vendedora e se a saída terminou. Ambas seguem em aberto, e é isso que o vencimento de agosto está precificando.