Estudo Fundamentalista — UGPA3 — Ultrapar — 15/07/2026
UGPA3 girou R$ 1,84 bi em 14/07 (11,7× a média de 12m), o maior volume da bolsa, com Merrill em 59% do giro e sem fato relevante — dossiê de fundamentos, fluxo, opções, aluguel e DCF.
Estudo Fundamentalista — UGPA3 — Ultrapar — 15/07/2026
Escolhida pelo giro: R$ 1,84 bi no pregão de 14/07 — o maior volume de toda a bolsa, acima de PETR4 e VALE3, em um papel cuja média de 12 meses é de R$ 157 mi/dia (11,7× o normal), com queda de 1,98% e sem nenhum fato relevante da companhia que o explique.
A tese em um parágrafo
A Ultrapar chega a 14/07 depois de uma das maiores reprecificações da bolsa: +88,5% em 12 meses, saindo de R$ 16,04 para R$ 30,24, sustentada por uma virada operacional real — o EBITDA saiu de R$ 2,68 bi (2021) para R$ 6,57 bi (2025) e o 1T26 veio com EBITDA +105,3% e lucro +151,7% na comparação anual. O pregão de 14/07 quebra o padrão: o papel girou o maior volume do mercado inteiro e caiu, com uma única mesa (Merrill) respondendo por 59,2% do giro nas duas pontas — assinatura de cruzamento de bloco, não de formação de posição. Nenhum fato relevante foi publicado. O que o levantamento encontra é uma tensão nítida: os múltiplos dizem que o papel está barato contra a concorrente direta (EV/EBITDA 6,6× contra 8,2× da VBBR3), enquanto um fluxo de caixa descontado ancorado no juro longo brasileiro de 14,46% diz o oposto — para justificar R$ 30,24 é preciso descontar a empresa a 12,71% a.a., 1,75 pp abaixo do próprio título soberano de 10 anos.
1. A empresa
Holding de energia e infraestrutura do setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis Exploração, Refino e Distribuição, listada no Novo Mercado com classe única de ações ordinárias. Opera por quatro frentes: Ipiranga (distribuição de combustíveis, o motor de receita), Ultragaz (GLP), Ultracargo (armazenagem de granéis líquidos) e Hidrovias do Brasil (logística hidroviária, consolidada e responsável por parte relevante do salto de EBITDA no 1T26). São 29.246 acionistas pessoa física, 334 pessoa jurídica e 1.028 institucionais.
Estrutura de capital
Sem ações preferenciais — classe única, Novo Mercado
Não há perna PN: a companhia tem 0 ação preferencial em circulação, então todo o estudo de fluxo e derivativos abaixo corre sobre a classe ON.
Controle — uma companhia sem controlador
Não há controlador definido. O que existe é um bloco de 32,73% do capital votante vinculado por acordo de acionistas: Ultra S.A. Participações (25,06%) e Parth do Brasil (7,68%). A BlackRock aparece com 5,00% direto e os 58,05% restantes são dispersos. Na árvore indireta, Fabio Igel (50,1%) e Marcos Marinho Lutz (49,9%) dividem a IgelPar, e o Pátria Private Equity VI detém 20,06% da Ultra S.A.
| Acionista | Tipo | Nível | Vínculo | % ON |
|---|---|---|---|---|
| Outros | — | direto | — | 58,05% |
| Ultra S.A. Participações | PJ | direto | acordo | 25,06% |
| Parth do Brasil Participações | PJ | direto | acordo | 7,68% |
| BlackRock Inc. | PJ | direto | — | 5,00% |
| Fabio Igel | PF | indireto via IgelPar | controlador+acordo | 50,10% |
| Marcos Marinho Lutz | PF | indireto via IgelPar | acordo | 49,90% |
| Pátria Private Equity VI FIP | PJ | indireto via Ultra S.A. | acordo | 20,06% |
Percentuais diretos e indiretos têm bases diferentes e não se somam. O registro de free float da bolsa (atualizado em 30/04/2026) traz 1.067,87 mi ações — medida que não desconta o bloco do acordo, por não haver controlador formal declarado.
Fundos que detêm o papel
São 136 fundos com posição declarada, somando R$ 376,76 mi e 14,26 mi ações (posições de referência de abr–mai/26) — cerca de 1,1% do valor de mercado. É uma base compradora institucional local pequena para uma empresa deste porte, concentrada em fundações e indexados.
2. Preço & desempenho
Os 12 meses contam uma história de recuperação em duas pernas: uma alta contínua de julho/25 a abril/26 (R$ 16,04 → R$ 30,50), uma correção de ~21% até meados de junho (R$ 24,02 em 15/06) e um repique violento de +24,9% em 21 pregões que devolveu o papel à máxima de 52 semanas em 13/07 (R$ 31,22 na máxima intradiária) — véspera exata do pregão de giro recorde.
Na janela curta, o desenho é de fundo em V: o papel perdeu 21,2% entre 17/04 e 15/06 e recuperou tudo em quatro semanas. Repare no último ponto — a queda de 14/07 vem de uma abertura em R$ 29,40, um gap de −4,7% contra o fechamento anterior de R$ 30,85, com mínima em R$ 29,11 e recuperação até R$ 30,24 no fechamento. Abrir muito abaixo e fechar perto do topo do dia, com giro de 11,7× a média, é o desenho típico de oferta grande absorvida.
| Métrica | Valor | Leitura |
|---|---|---|
| Retorno 12 meses | +88,5% | de R$ 16,04 (11/07/25) a R$ 30,24 |
| Retorno no ano | +44,7% | vs R$ 20,90 no fechamento de 2025 |
| Retorno 21 pregões | +24,9% | o repique que precedeu o bloco |
| Retorno 63 pregões | −1,4% | vaivém: caiu 21% e voltou |
| Faixa 52 semanas | R$ 14,62 – R$ 31,22 | fechou 3,1% abaixo da máxima |
| Vol. realizada 21d | 25,8% a.a. | abaixo da de 252d (31,5%) |
| Vol. realizada 252d | 31,5% a.a. | — |
| Beta vs IBOV (252d) | 1,107 | correlação 0,594 — só parcialmente explicado pelo índice |
| Beta vs IBOV (63d) | 0,937 | correlação 0,518 |
Retornos calculados sobre preço, sem reinvestimento de proventos. A série disponível começa em 2017 — os extremos citados são da janela de 52 semanas, não recordes históricos.
3. Resultados (5 anos)
A leitura essencial: a receita mal cresceu e o EBITDA mais que dobrou. Entre 2021 e 2025 a receita subiu 29,7% (R$ 109,7 bi → R$ 142,4 bi), enquanto o EBITDA saltou 144,7% (R$ 2,68 bi → R$ 6,57 bi). Isso é margem, não volume: a margem EBITDA saiu de 2,45% para 4,61%. Em um distribuidor de combustíveis — negócio de centavos por litro sobre um faturamento gigante — cada décimo de margem vale bilhões, e essa é a alavanca inteira da tese.
| R$ bi | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Receita líquida | 109,73 | 143,63 | 126,05 | 133,50 | 142,37 |
| Lucro bruto | 4,90 | 7,36 | 9,32 | 9,69 | 9,36 |
| EBITDA | 2,68 | 4,37 | 5,72 | 6,16 | 6,57 |
| Margem EBITDA | 2,45% | 3,04% | 4,54% | 4,61% | 4,61% |
| EBIT | 1,77 | 3,35 | 4,58 | 4,94 | 4,98 |
| Resultado financeiro | −0,76 | −1,47 | −1,00 | −0,93 | −1,17 |
| Lucro líquido | 0,88 | 1,84 | 2,52 | 2,53 | 2,54 |
| Margem líquida | 0,81% | 1,28% | 2,00% | 1,89% | 1,79% |
| LPA (R$) | 0,78 | 1,65 | 2,23 | 2,14 | 2,29 |
| ROE | 8,44% | 15,11% | 17,95% | 15,96% | 14,34% |
| ROA | 2,27% | 5,05% | 6,58% | 6,39% | 5,15% |
| Dívida líquida | 15,45 | 7,65 | 7,37 | 13,72 | 18,66 |
| Dív. líq./EBITDA | 5,76× | 1,75× | 1,29× | 2,23× | 2,84× |
| Patrimônio líquido | 10,47 | 12,17 | 14,03 | 15,82 | 17,73 |
| Caixa operacional (FCO) | 2,59 | 2,00 | 3,85 | 3,74 | 5,45 |
| CAPEX | — | 0,93 | 1,29 | 1,79 | 2,01 |
| Fluxo de caixa livre | — | 1,08 | 2,56 | 1,95 | 3,45 |
CAPEX de 2022 registrado apenas como aquisição de imobilizado; de 2023 em diante, imobilizado e intangível — bases não perfeitamente comparáveis. CAPEX de 2021 não isolável na demonstração. Fluxo de caixa livre = FCO − CAPEX.
O 1T26 é o dado mais atual — e é o melhor da série
Trimestre encerrado em 31/03/2026: receita de R$ 36,75 bi (+10,3%), EBITDA de R$ 2,25 bi (+105,3%) e lucro líquido de R$ 914,2 mi (+151,7%) contra o mesmo trimestre de 2025. A margem EBITDA foi a 6,12% — acima de qualquer ano fechado da série — puxada por Ipiranga e pela consolidação da Hidrovias. A dívida líquida recuou para R$ 17,26 bi e o patrimônio líquido subiu a R$ 18,51 bi. É este trimestre que sustenta a reprecificação de 88% do papel; o próximo teste sai em 12/08.
O contraponto: a alavancagem dobrou para financiar a virada
A dívida líquida saiu de R$ 7,37 bi (2023) para R$ 18,66 bi (2025) e a relação dívida líquida/EBITDA foi de 1,29× para 2,84× em dois anos — a compra da Hidrovias custou R$ 6,39 bi de saída de caixa em 2024. Com o CDI a 14,15% a.a., carregar R$ 21,83 bi de dívida bruta é caro: o resultado financeiro consumiu R$ 1,17 bi em 2025, ou 23% do EBIT. O ROE caiu de 17,95% (2023) para 14,34% (2025) mesmo com o lucro estável, porque o patrimônio cresceu mais rápido que o resultado.
4. Valuation — múltiplos & fluxo de caixa descontado
Contra os pares do setor
Comparada à concorrente direta na distribuição de combustíveis, a Vibra (VBBR3), a Ultrapar sai mais barata em lucro (P/L 11,3× contra 13,2×) e em operação (EV/EBITDA 6,6× contra 8,2×), com ROE maior (16,2% contra 13,8%). Contra o setor amplo, porém, o quadro inverte: PETR4 negocia a 3,9× EV/EBITDA com ROE de 24,1%, e a RECV3 a 4,5× com dividendo de 36%. A comparação honesta é com a Vibra — as demais são produtoras de petróleo, negócio com outra estrutura de risco e de retorno.
| Ticker | Empresa | P/L | P/VP | EV/EBITDA | DY | ROE | Earnings yield |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| UGPA3 | Ultrapar | 11,26× | 1,82× | 6,61× | 8,60% | 16,19% | 8,88% |
| VBBR3 | Vibra Energia | 13,15× | 1,81× | 8,19× | 11,87% | 13,76% | 7,60% |
| PETR4 | Petrobras | 5,19× | 1,25× | 3,88× | 14,70% | 24,10% | 19,27% |
| RECV3 | PetroRecôncavo | 4,80× | 0,73× | 4,49× | 35,99% | 15,21% | 20,85% |
| PRIO3 | PRIO | 19,27× | 1,87× | 7,84× | — | 9,72% | 5,19% |
| OPCT3 | OceanPact | 18,42× | 2,23× | 5,39× | 0,87% | 12,13% | 5,43% |
| BRAV3 | Brava Energia | 39,95× | 0,81× | 4,59× | 1,24% | 2,04% | 2,50% |
Múltiplos LTM, preços de 14/07. O rendimento de dividendo desta tela usa base própria de cálculo e difere do provento efetivamente pago em 12 meses (ver seção 5).
O fluxo de caixa descontado
Estimativa com premissas explícitas — não é recomendação. A faixa de sensibilidade, e não o número central, é o resultado.
| Premissa | Valor | Ancoragem |
|---|---|---|
| FCF base | R$ 3,45 bi | FCO 2025 (R$ 5,45 bi) − CAPEX 2025 (R$ 2,01 bi) |
| Crescimento 5 anos | 7,0% a.a. | CAGR de receita 5a (6,7%) e PIB nominal projetado (~7,2%) |
| Crescimento na perpetuidade | 5,0% a.a. | inflação projetada de longo prazo (IPCA 5,16%) |
| Taxa livre de risco | 14,458% | título soberano de 10 anos |
| Prêmio de risco de mercado | 5,0 pp | padrão do modelo |
| Beta (252d) | 1,107 | medido contra o IBOV |
| Custo do capital próprio (Ke) | 19,99% | 14,458% + 1,107 × 5,0% |
| Custo da dívida (Kd) | 15,0% nominal | premissa: DI de 1 ano (14,15%) + spread de crédito |
| Kd após imposto (34%) | 9,90% | — |
| Estrutura de capital | 60,7% capital / 39,3% dívida | R$ 33,74 bi de valor de mercado vs R$ 21,83 bi de dívida bruta |
| WACC | 16,03% | — |
| Dívida líquida (ponte) | R$ 17,26 bi | posição de 31/03/2026 |
| Ações | 1,116 bi | consistente com o LPA do 1T26 |
Com essas premissas, o valor presente dos fluxos projetados soma R$ 13,6 bi e o valor terminal (Gordon) R$ 21,9 bi, para um valor de firma de R$ 35,5 bi. Descontada a dívida líquida, sobram R$ 18,3 bi de valor para o acionista, ou R$ 16,34 por ação — 46% abaixo dos R$ 30,24. Usando o fluxo de caixa livre médio dos últimos 3 anos (R$ 2,65 bi) em vez do de 2025, o exercício cai para R$ 9,01.
Sensibilidade — valor justo por ação (R$)
| WACC / g perpétuo | 4,0% | 5,0% | 6,0% |
|---|---|---|---|
| 13,0% | 24,86 | 28,55 | 33,29 |
| 14,5% | 19,00 | 21,53 | 24,65 |
| 16,0% (base) | 14,61 | 16,42 | 18,60 |
| 17,5% | 11,20 | 12,55 | 14,13 |
O achado central: o preço embute um desconto abaixo do soberano
Invertendo o modelo — que taxa de desconto justifica exatamente R$ 30,24? A resposta é 12,71% a.a. (com perpetuidade a 5% e fluxo base de R$ 3,45 bi). Isso é 1,75 pp abaixo do rendimento do título soberano brasileiro de 10 anos (14,46%). Em outras palavras: ao preço atual, o mercado remunera o risco de renda variável de uma holding alavancada em 2,84× abaixo do que paga o próprio Tesouro brasileiro sem risco de crédito corporativo. Isso não significa que o papel esteja "errado" — significa que o preço já embute ou uma queda relevante do juro longo, ou uma trajetória de fluxo bem acima da que a série histórica sustenta, ou ambas. O 1T26 (EBITDA +105%) é o argumento a favor da segunda hipótese; o Focus, que subiu a Selic projetada de 13,25% para 14,00% entre maio e julho, é o argumento contra a primeira.
Checagem de coerência contra os múltiplos: o valor de firma implícito pelo fluxo descontado (R$ 35,5 bi) equivale a 5,4× o EBITDA de 2025, contra os 6,6× que o mercado paga e os 8,2× da Vibra. Ou seja: os dois métodos discordam de forma organizada — o múltiplo relativo diz que a Ultrapar é a barata do par, o fluxo descontado diz que o par inteiro está caro contra um juro real de dois dígitos. Ambas as leituras podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.
5. Proventos
O histórico coletado mostra R$ 1,30 por ação distribuídos nos últimos 12 meses — R$ 0,30 com data-ex em 21/08/2025 e R$ 1,00 com data-ex em 05/12/2025 — o que dá ~4,3% sobre os R$ 30,24 de hoje, ou 6,4% se medido contra os preços vigentes nas respectivas datas-ex. A companhia alterna dividendo e juros sobre capital próprio: o JSCP de R$ 0,45 (ex em 06/03/2025) rendeu 2,81% no preço de então (R$ 16,00).
Lacunas declaradas nesta seção
Não há nenhum provento futuro anunciado na janela de 180 dias — o calendário de datas-ex está vazio. Além disso, a última distribuição registrada tem data-ex de 05/12/2025, há cerca de 222 dias: pode haver provento mais recente ainda não capturado no levantamento. O rendimento de 8,60% que aparece na tela setorial da seção 4 usa base de cálculo distinta e não reconcilia com os R$ 1,30 efetivamente pagos; tratamos o histórico pago como o número firme.
Contra a renda fixa: um rendimento de dividendo de ~4,3% frente a um CDI de 14,15% a.a. deixa claro que a Ultrapar não é, hoje, um caso de renda. O earnings yield de 8,88% também fica abaixo do CDI e próximo do juro real longo (~9%). Quem compra o papel aqui está comprando crescimento de margem, não carrego.
6. Fluxo de players — 12 meses e 3 meses
O padrão é limpo e consistente nas duas janelas: mesas estrangeiras acumulam, mesas locais e varejo distribuem — enquanto o papel subiu 88%. UBS, JP Morgan, Citigroup e Morgan compraram líquidos R$ 1,54 bi em 12 meses; Itaú, Merrill, Necton, XP, Genial e C6 venderam R$ 1,42 bi. As persistências contam o resto da história: os compradores estrangeiros aparecem como comprador líquido em 50–56% dos dias (acumulação metódica), não em pancadas isoladas.
12 meses (252 pregões, 11/07/25 → 14/07/26)
Persistência dos acumuladores: UBS 54,8% · JP Morgan 56,0% · Citigroup 53,8% · Morgan 50,4% dos dias ativos como comprador líquido. Itaú foi comprador em apenas 42,5% dos dias.
3 meses (63 pregões, 14/04 → 14/07)
Santander entra como novo acumulador (persistência de 61,9%, a maior da tabela). Merrill acelerou a distribuição — comprador líquido em apenas 31,7% dos dias.
O pregão de 14/07 — a assinatura de um cruzamento de bloco
No dia do giro recorde, a Merrill comprou 35,7 mi ações e vendeu 45,5 mi, terminando com saldo líquido de −9,7 mi ações a um preço médio de R$ 29,53. Sozinha, respondeu por 59,2% de todo o volume financeiro da janela. Estar nas duas pontas com esse tamanho não é montar posição — é intermediar. Do outro lado, as mesas que vinham acumulando há 12 meses absorveram o papel: UBS +3,05 mi ações a R$ 29,55, Citigroup +2,94 mi a R$ 29,34, JP Morgan +2,18 mi a R$ 29,92, Morgan +1,42 mi a R$ 30,28 e BGC +0,82 mi a R$ 29,40.
O que não se encontra: nenhum fato relevante da companhia sobre oferta ou alienação em 14/07, e apenas R$ 29,63 mi registrados como negócio direto casado (Merrill nas duas pontas, 1,00 mi de ações a R$ 29,60, às 12:04). O resto do R$ 1,84 bi passou pelo mercado aberto. O contexto que existe é de 02/06: o fundo de pensão canadense CPPIB comunicou ter reduzido a participação para 4,94% — 55,1 mi ações ON, ordem de grandeza compatível com o giro de 14/07. Abaixo de 5%, não há mais obrigação de comunicar. Isto é hipótese com evidência circunstancial, não fato confirmado — o registro público não amarra a ponta vendedora a nenhum nome.
7. Derivativos — opções
A posição em aberto é modesta para o tamanho da empresa (8,52 mi de calls e 6,41 mi de puts), mas dobrou no dia 14/07 e de forma perfeitamente pareada: as calls saltaram de 6,39 mi para 8,52 mi (+2,13 mi) e as puts de 4,33 mi para 6,41 mi (+2,08 mi). Abertura simétrica de call e put é assinatura de estrutura sintética, não de aposta direcional.
Percentil 58,6 — mais call que put
Percentil 68,8
Rank 45,9 em 252d · prêmio de 8,81 pp sobre o realizado
Paredes e ímãs — tudo em um único strike
No vencimento de 18/09, a estrutura é atípica: a parede de call (3.500.700 contratos) e a parede de put (3.501.100 contratos) estão no mesmíssimo strike de R$ 28,50, que é também o max pain. Não são muros opostos — são as duas pernas da mesma montagem. O strike concentra R$ 1.683,4 mi de gama absoluta contra R$ 1,6 mi do segundo colocado (R$ 30,75).
| Strike | OI call | OI put | OI total | Papel |
|---|---|---|---|---|
| R$ 28,50 | 3.500.700 | 3.501.100 | 7.001.800 | parede de call + parede de put + max pain |
| R$ 30,75 | 6.000 | 0 | 6.000 | — |
| R$ 25,25 | 61.200 | 0 | 61.200 | — |
| R$ 39,25 | 0 | 4.600 | 4.600 | — |
| R$ 23,25 | 0 | 4.200 | 4.200 | — |
Exposição gama: o total está em +R$ 46,0 mi por ponto (calls +867,03 mi, puts −821,03 mi), com gama-zero em R$ 27,77. Gama líquida positiva coloca as mesas compradas em gama — vendendo força e comprando fraqueza —, o que empurra para reversão à média e ancoragem perto do ímã. Vale a ressalva: com 96% da gama concentrada num único strike de uma estrutura casada, o sinal de "regime de dealer" aqui é mecânico e frágil, não uma leitura de posicionamento do mercado.
Perfil de volatilidade — o mercado precifica o balanço de agosto
A IV no dinheiro está em 34,64%, com rank de 45,9 em 252 dias mas 61,96 na janela de 63 dias — a volatilidade implícita saiu de 29% no fim de junho para 35% agora, subindo junto com o papel. O prêmio sobre a volatilidade realizada de 21 dias é de +8,81 pp (34,64% contra 25,83%): as opções estão pagando bem acima do que o papel entregou.
A estrutura a termo entrega o achado mais acionável da seção: a curva está em contango, mas com uma corcova em agosto — a IV do vencimento de 17/07 é 32,17%, a de 21/08 salta para 41,58% e a de 18/09 volta para 33,47%. O vencimento de agosto é exatamente o que abarca a divulgação do resultado do 2T26, marcada para 12/08. O mercado está pagando ~9 pp a mais de volatilidade para carregar esse evento.
| Vencimento | IV no dinheiro | Séries | Observação |
|---|---|---|---|
| 17/07/2026 | 32,17% | 58 | — |
| 21/08/2026 | 41,58% | 62 | engloba o resultado do 2T26 (12/08) |
| 18/09/2026 | 33,47% | 16 | vencimento das paredes em R$ 28,50 |
| 18/06/2027 | 34,35% | 2 | ponta longa — pouca liquidez |
O skew reforça: no vencimento de 21/08, a put fora do dinheiro (strike 25,25) negocia a 60,07% de IV contra 33,20% da call fora do dinheiro (strike 31,25) — um skew de +26,87 pp. Depois de uma alta de 88%, a proteção contra queda custa quase o dobro da aposta em alta.
Fluxo e montagens
Em 14/07 o número de negócios em opções explodiu para 1.990, contra uma média de 450 (4,4×), e 71,3% do dinheiro foi para puts (razão de fluxo 2,48) — proteção sendo comprada no dia do bloco. Na janela de 21 pregões, porém, o fluxo acumulado ainda é 59,3% em calls.
Foram 12 negócios diretos casados (mesma corretora nas duas pontas) — UBS (5), XP (4) e BTG (3). Os do BTG desenham a estrutura de R$ 28,50: em 26/06, 1,50 mi de calls UGPAI285 a R$ 0,97; em 06/07, mais 2,00 mi de calls a R$ 1,91 e 2,00 mi de puts UGPAU285 a R$ 1,7496 — call e put, mesmo strike, mesmo vencimento, mesmo tamanho, mesmo dia. É o desenho de uma conversão/reversão: sintético de ações montado com opções. Direta casada é tesouraria, não fluxo de mercado — e o EOD não revela o lado das pernas, então o sentido da montagem permanece hipótese.
8. Derivativos — aluguel (BTB) e termo
Aqui está a peça que fecha o quebra-cabeça. O estoque de aluguel cresceu 45,8% em 21 pregões — mas a taxa está em 0,05% a.a., no percentil 16,6 dos últimos 18 meses. Isso é aluguel de graça. Quando o estoque incha e a taxa não reage, não há disputa por papel para vender a descoberto: há papel sendo emprestado para financiar/liquidar posição — perna à vista de estrutura, não aposta na queda. O short interest de 2,76% das ações emitidas confirma: não existe posição vendida relevante para espremer.
Repare no encaixe: o estoque subiu junto com o preço até o pico de 33,64 mi em 10/07 e começou a cair antes do bloco — recuou para 32,36 mi em 13/07 e 30,84 mi em 14/07, devolvendo 2,80 mi de ações justamente nos dois pregões do cruzamento. Empréstimo montado na subida e desmontado na entrega é comportamento de liquidação de operação, não de tese direcional.
Quem empresta e quem toma (24/06 → 15/07)
| Player | Tomado | Doado | Saldo tomador | Taxa tomada | Share |
|---|---|---|---|---|---|
| XP Investimentos | 4.679.995 | 3.495.111 | +1.184.884 | 0,0486% | 22,99% |
| BTG Pactual | 3.790.576 | 3.989.238 | −198.662 | 0,0411% | 18,62% |
| Merrill Lynch | 1.584.732 | 1.584.732 | 0 | 0,0573% | 7,78% |
| Morgan Stanley | 1.371.432 | 927.028 | +444.404 | 0,0395% | 6,74% |
| Necton | 1.217.304 | 1.151.487 | +65.817 | 0,0257% | 5,98% |
| Mirae Asset | 822.500 | 376.630 | +445.870 | 0,0416% | 4,04% |
| Safra | 770.441 | 794.159 | −23.718 | 0,2188% | 3,78% |
| Banco do Brasil | 0 | 1.382.238 | −1.382.238 | — | 0% |
| Santander | 76.500 | 1.270.791 | −1.194.291 | 0,0538% | 0,38% |
| Itaú | 555.611 | 1.083.610 | −527.999 | 0,0346% | 2,73% |
| C6 | 534.700 | 34.700 | +500.000 | 0,0942% | 2,63% |
| Daycoval | 500.000 | 20.100 | +479.900 | 0,1000% | 2,46% |
Doadores líquidos: Banco do Brasil (−1,38 mi) e Santander (−1,19 mi) são as fontes do papel. Merrill aparece com 1.584.732 tomados e exatamente 1.584.732 doados — saldo zero, as duas pontas, mais uma vez o desenho de intermediação. Concentração dos tomadores (HHI) em 1.121, com 27 participantes.
Termo
Irrelevante e vale dizer que é: 14 contratos, 69.900 ações, R$ 1,77 mi de valor de referência, preço médio implícito de R$ 25,37 — o equivalente a 0,01 dia de volume negociado. Não há posição a termo capaz de influenciar nada neste papel.
9. Papel nos índices
A Ultrapar integra o Ibovespa com peso de 1,35%. No pregão de 14/07 foi o maior detrator individual do índice: −63,06 pontos, à frente de BBDC4 (−51,43) e CMIN3 (−41,50). O índice ainda assim fechou em alta de 0,51%, aos 176.641 pontos, carregado por VALE3 (+295,36 pontos). Ou seja: num dia de bolsa comprada, a Ultrapar foi a maior âncora — coerente com uma oferta grande sendo digerida, e não com uma reação a notícia setorial.
Contribuição em pontos no fechamento de 14/07. A atribuição do índice usa base de preço própria, ligeiramente distinta do fechamento consolidado citado no restante do estudo. Não há índice setorial específico de distribuição de combustíveis; a comparável direta VBBR3 somou +46,35 pontos no mesmo dia — subindo enquanto a Ultrapar caía, o que reforça a leitura de evento idiossincrático e não setorial.
10. Liquidez & risco de execução
Liquidez confortável para o tamanho típico de ordem institucional: uma ordem de R$ 1 mi representa 0,64% do giro médio e é plenamente operável. O ponto de atenção começa em R$ 5 mi (3,18% do giro), já na faixa de cautela — e é justamente aí que se entende por que 55 mi de ações precisariam de uma mesa cruzando bloco em vez de irem ao mercado aberto: seriam ~10,5× o giro diário médio.
| Tamanho da ordem | % do giro médio diário | Classe |
|---|---|---|
| R$ 10 mil | 0,01% | Operável |
| R$ 50 mil | 0,03% | Operável |
| R$ 100 mil | 0,06% | Operável |
| R$ 500 mil | 0,32% | Operável |
| R$ 1 mi | 0,64% | Operável |
| R$ 5 mi | 3,18% | Operável com cautela |
11. Smart-money & fluxo qualitativo
O levantamento de confluência de sinais (compra de insider em mercado, recompra ativa, dominância de corretora compradora, recompra de aluguel) retorna zero sinais ativos na janela de 21 pregões. Não é omissão — é o resultado: apesar do movimento de preço, nenhum dos gatilhos clássicos de acumulação qualificada está aceso agora.
Histórico de acerto por mesa neste papel
Sobre 382 pregões, com a maré do mercado descontada (o papel andou +0,95% em média a cada 5 pregões no período):
| Corretora | Classificação | Sinais de compra | Retorno após compra (5d) | Acerto | Edge |
|---|---|---|---|---|---|
| Itaú | SEGUIR — compra antecipa alta | 72 | +2,22% | 66,7% | +1,26 pp |
| Citigroup | SEGUIR — compra antecipa alta | 90 | +1,26% | 61,1% | +0,31 pp |
| Safra | SEGUIR — compra antecipa alta | 33 | +1,17% | 60,6% | +0,22 pp |
| JP Morgan | SEGUIR — compra antecipa alta | 107 | +1,14% | 64,5% | +0,19 pp |
| Merrill | FADEAR — compra antecipa queda | 80 | +0,43% | 53,8% | −0,52 pp |
| Goldman | FADEAR — compra antecipa queda | 92 | +0,28% | 52,2% | −0,67 pp |
| XP | FADEAR — compra antecipa queda | 78 | +0,24% | 50,0% | −0,71 pp |
Estatística dentro da amostra, bruta de custos, descritiva — não é recomendação. Há uma ironia útil na tabela: o Itaú, cuja compra tem o melhor histórico preditivo do papel (+1,26 pp de edge, 66,7% de acerto), foi o maior vendedor líquido dos 12 meses (−R$ 576,25 mi). O sinal de venda dele, porém, não tem edge (−0,12 pp).
Negócios diretos casados no papel
Nos últimos pregões, além do cruzamento de R$ 29,63 mi da Merrill em 14/07, houve uma sequência concentrada em 08–09/07, todos com a mesma mesa nas duas pontas: Goldman 503.500 ações a R$ 29,85 (R$ 15,03 mi) e 302.000 a R$ 29,82; JP Morgan 518.100 a R$ 29,10 (R$ 15,08 mi); Merrill 503.400 a R$ 28,95 (R$ 14,57 mi); Morgan 286.100 a R$ 30,00. São R$ 74,3 mi de blocos casados na semana que antecedeu o giro recorde — a operação estava sendo preparada em fatias antes de sair a grande.
12. Governança & pessoas ligadas (CVM 44)
O que os administradores fizeram
Em 12 meses foram 14 aquisições e nenhuma venda, somando +R$ 65,47 mi — mas o número bruto engana e precisa ser aberto. Quase tudo é outorga de plano de remuneração em ações, não compra no mercado. Filtrando só negócios efetivamente executados em bolsa, restam três, todos do Conselho de Administração e todos em dezembro de 2025:
| Data | Órgão | Tipo | Quantidade | Preço | Volume |
|---|---|---|---|---|---|
| 29/12/2025 | Conselho de Administração | Compra à vista | 130.000 | R$ 20,766 | R$ 2,70 mi |
| 26/12/2025 | Conselho de Administração | Compra à vista | 245.300 | R$ 20,3758 | R$ 5,00 mi |
| 23/12/2025 | Conselho de Administração | Compra | 40 | R$ 20,44 | R$ 817,60 |
| 19/05/2026 | Conselho + Diretoria | Plano de remuneração | 768.984 | R$ 14,50 | R$ 11,15 mi |
| 30/04/2026 | Diretoria | Plano de remuneração | 113.394 | R$ 29,12 | R$ 3,30 mi |
| 27/03/2026 | Conselho de Administração | Plano de remuneração | 1.064.639 | R$ 26,55 | R$ 28,27 mi |
| 28/11/2025 | Diretoria | Plano de remuneração | 675.000 | R$ 22,30 | R$ 15,05 mi |
A leitura: o Conselho pôs R$ 7,70 mi do próprio bolso a ~R$ 20,50 em dezembro de 2025 — o papel está hoje 47% acima disso. Foi uma compra pequena em valor absoluto, mas bem cronometrada. Desde então, a posição do Conselho subiu de 8,31 mi para 10,01 mi de ações ON (jun/26) e a da Diretoria de 2,98 mi para 3,22 mi — crescimento que veio de outorga, não de convicção comprada em bolsa. Não há registro de venda por administradores em toda a janela.
Remuneração — o ponto que merece o olho
| Exercício | Total da companhia | Diretoria Estatutária | Em ações | Maior remuneração individual |
|---|---|---|---|---|
| 2023 | R$ 73,60 mi | R$ 62,94 mi (5 membros) | R$ 24,29 mi | R$ 21,03 mi |
| 2024 | R$ 88,75 mi | R$ 78,38 mi (5 membros) | R$ 44,54 mi | R$ 36,58 mi |
| 2025 | R$ 104,44 mi | R$ 92,49 mi (4 membros) | R$ 70,06 mi | R$ 52,35 mi |
| 2026 (orçado) | R$ 108,45 mi | R$ 79,78 mi (4 membros) | R$ 56,33 mi | — |
A remuneração total da companhia cresceu 42% em dois anos (R$ 73,60 mi → R$ 104,44 mi) enquanto o lucro líquido ficou praticamente parado (R$ 2,52 bi → R$ 2,54 bi). Em 2025, a Diretoria Estatutária — quatro pessoas — custou R$ 92,49 mi, dos quais R$ 70,06 mi (76%) em ações, e um único executivo recebeu R$ 52,35 mi, contra R$ 1,35 mi do menor remunerado do mesmo órgão. A participação nos lucros ficou em 94% do alvo (R$ 9,86 mi contra R$ 10,49 mi). Foram entregues 676.157 ações à Diretoria e 281.196 ao Conselho em 2025. Estrutura fortemente atrelada a ações alinha executivo e acionista na direção certa — mas com essa concentração, também explica boa parte do "insider comprando" que aparece no dado bruto de CVM 44 e que, na prática, não é compra.
Auditor e partes relacionadas
Deloitte Touche Tohmatsu é a auditora vigente desde 2022 (sócio responsável: Daniel Correa de Sá). Há 6 trocas no histórico, todas com motivo declarado de rodízio obrigatório de cinco anos — alternando Deloitte e KPMG desde 2007. É rotação regulatória de rotina, não troca perto de problema; não vejo aqui um sinal de alerta.
Nas transações com partes relacionadas (posições de 31/12/2025), o destaque são compras operacionais: R$ 726,4 mi da Refinaria de Petróleo Riograndense (controlada em conjunto, 33,2% dividida com Braskem e Petrobras), R$ 638,6 mi da Chevron Products e R$ 269,1 mi da Chevron Oronite — insumos de lubrificantes e combustível para a Ipiranga. Há uma aplicação financeira intercompany com a Ultracargo (nota comercial, saldo de R$ 307,99 mi a 106% do CDI, prazo de 1 ano). Não há empréstimo a controlador — coerente com uma companhia sem controlador. Em 30/03/2026 foi comunicada a emissão de debêntures conversíveis pela Riograndense, de R$ 451,3 mi, remuneradas a CDI. Nenhuma taxa fora de mercado identificada.
13. Acionistas & recompras
Em 17/06/2026 o Conselho aprovou um programa de recompra de até 18.000.000 de ações ordinárias (1,61% do capital), com vigência até 17/06/2027, lastreado em reservas de lucros de R$ 7,66 bi (posição de 31/03/2026). As ações podem ir para tesouraria, para o plano de incentivo ou ser canceladas. Até a data deste estudo não há execução reportada — o registro de recompras traz apenas seis programas antigos, todos encerrados, o mais recente de 2014/2015.
Vale o cruzamento: um programa de recompra de 18 mi de ações foi aprovado em 17/06, com o papel a ~R$ 24,05. Menos de um mês depois, 62,4 mi de ações trocaram de mãos a ~R$ 29,50. Se a companhia estivesse comprando, seria o momento óbvio — mas nada foi reportado, e o programa autoriza menos de um terço do que girou no dia.
Do lado dos relevantes, o movimento do ano é a saída do CPPIB: em 02/06/2026 o fundo canadense declarou ter cruzado para baixo o limiar de 5%, ficando com 4,94% (55.117.773 ações ON), afirmando não pretender alterar o controle nem a estrutura administrativa. Não há registro de direitos de subscrição em aberto — nenhum evento diluitivo pendente além do plano de incentivo.
14. Fatos, comunicados & agenda
| Data | Documento | Conteúdo |
|---|---|---|
| 17/06/2026 | Fato relevante | Programa de recompra de até 18 mi de ações ON (1,61% do capital), até 17/06/2027 |
| 02/06/2026 | Comunicado ao mercado | CPPIB reduz participação a 4,94% (55,1 mi ações ON) — alienação relevante |
| 29/05/2026 | Formulário de Referência | FRE do exercício corrente |
| 07/05/2026 | Comunicado ao mercado | Apresentação do 1T26: lucro de R$ 914 mi (+152%), EBITDA recorrente de R$ 2,32 bi (+96%), alavancagem a 1,5× |
| 28/04/2026 | Bolsas estrangeiras | Arquivamento do Formulário 20-F de 2025 |
| 15/04/2026 | AGO/E | Homologação da alteração do número de ações ON e reforma estatutária |
| 01/04/2026 | Fato relevante | Novos programas de incentivo em ações; alteração da Política de Remuneração Executiva |
| 30/03/2026 | Partes relacionadas | Debêntures conversíveis da Refinaria Riograndense: R$ 451,3 mi a CDI |
| 10/03/2026 | Comunicado ao mercado | Esclarecimentos sobre questionamento da CVM/B3 a respeito de notícia divulgada na mídia |
Agenda — o próximo catalisador tem data marcada
12/08/2026 — resultado do 2T26 (com apresentação a agentes de mercado em 13/08). É o evento que a estrutura a termo de volatilidade está precificando com 9 pp de prêmio no vencimento de agosto, e o teste da sustentação do salto de margem do 1T26. Antes disso, 31/07 traz o informe do Código Brasileiro de Governança Corporativa. Depois, 11/11 para o 3T26. Não há AGO nem evento societário pendente na janela.
15. Notícias
Lacuna declarada: a cobertura de notícias do período não retornou nenhuma manchete específica sobre a Ultrapar — nem sobre o giro de 14/07, nem sobre eventual oferta de ações. O único item do dia é o fechamento geral do mercado ("Ibovespa fecha em alta, ultrapassando 177 mil pontos, após dado de preço ao consumidor nos EUA abaixo do esperado referendar apetite a risco", 14/07, 17:43). A ausência de notícia é, ela própria, informação relevante aqui: o maior volume da bolsa em um papel do Ibovespa passou sem cobertura e sem comunicado da companhia — o que é consistente com uma negociação privada entre acionistas, que não dispara obrigação de divulgação pela emissora.
16. Contexto macro
Três ligações entre o macro e este papel:
- O juro é o adversário do valuation. Com o soberano de 10 anos a 14,458% e o CDI a 14,15%, o earnings yield de 8,88% da Ultrapar fica ~5,3 pp abaixo do ativo livre de risco. E o Focus piorou: a Selic projetada para o fim de 2026 subiu de 13,25% (22/05) para 14,00% (10/07). O papel subiu 88% enquanto a projeção de juro subia — o mercado comprou a história operacional apesar do desconto, não por causa dele.
- A alavancagem encontra o custo da dívida. R$ 21,83 bi de dívida bruta majoritariamente indexada ao CDI, a 14,15%, sobre um EBITDA de R$ 6,57 bi. Cada 100 pontos-base de Selic custa ordem de R$ 200 mi/ano de resultado financeiro. A curva ligeiramente positiva (2 para 10 anos: +0,45 pp) não sinaliza alívio próximo.
- O petróleo importa menos do que parece. Brent a US$ 85,28 (+2,78%) e câmbio a R$ 5,07 afetam a Ipiranga pelo custo de aquisição, mas a margem de distribuição depende do repasse e do giro de estoque, não do nível do barril. O sinal de que 14/07 não foi macro está na própria bolsa: a VBBR3, mesma indústria, subiu 1,65% e somou +46,35 pontos ao índice no mesmo pregão em que a UGPA3 tirou 63,06.
17. Síntese
Pilares a favor
- A virada operacional é real e recente. EBITDA de R$ 2,68 bi (2021) para R$ 6,57 bi (2025); o 1T26 veio com EBITDA +105,3%, lucro +151,7% e margem EBITDA de 6,12% — acima de qualquer ano fechado.
- Geração de caixa em máxima da série. FCO de R$ 5,45 bi e fluxo de caixa livre de R$ 3,45 bi em 2025, o melhor dos 5 anos.
- Barata contra a comparável direta. EV/EBITDA de 6,6× contra 8,2× da VBBR3, com ROE maior (16,2% contra 13,8%).
- Dinheiro institucional estrangeiro acumulando com método há 12 meses: UBS, JP Morgan, Citi e Morgan somam +R$ 1,54 bi, com persistência de 50–56% dos dias — e absorveram o bloco de 14/07.
- Conselho comprou no mercado a ~R$ 20,50 em dez/25 e nenhum administrador vendeu em 12 meses.
- Recompra de até 1,61% do capital autorizada até jun/27, com R$ 7,66 bi de reservas disponíveis.
Riscos e pontos cegos
- O fluxo descontado não fecha. A WACC de 16,03% devolve R$ 16,34/ação (−46%); justificar R$ 30,24 exige descontar a empresa a 12,71% — 1,75 pp abaixo do soberano de 10 anos.
- Alavancagem dobrou: dívida líquida/EBITDA de 1,29× (2023) para 2,84× (2025), com o resultado financeiro consumindo 23% do EBIT e o CDI a 14,15%.
- Um vendedor grande esteve no mercado em 14/07 e o registro público não diz se terminou. O CPPIB declarou 4,94% em 02/06 e, abaixo de 5%, não precisa mais comunicar.
- Sem carrego: ~4,3% de dividendo pago em 12 meses contra 14,15% de CDI, e nenhum provento anunciado à frente.
- Zero sinais de confluência ativos, e o "insider comprando" do dado bruto é, em quase toda a sua extensão, outorga de plano de remuneração — não convicção comprada em bolsa.
- Remuneração +42% em dois anos com lucro estável; R$ 52,35 mi para um único executivo em 2025.
- Proteção cara: skew de +26,87 pp e IV de 41,58% no vencimento que abarca o balanço de 12/08 — o mercado paga caro para se cobrir do próximo resultado.
O que este estudo apurou sobre 14/07
O maior giro da bolsa (R$ 1,84 bi, 11,7× a média de 12 meses) num papel de peso 1,35% do Ibovespa, com queda de 1,98%, abertura em gap de −4,7%, uma única mesa nas duas pontas de 59,2% do volume, aluguel inflando 45,8% em 21 dias a uma taxa simbólica de 0,05% a.a. e desinflando 2,80 mi de ações exatamente nos dois pregões do cruzamento, posição em aberto de opções dobrando de forma pareada, e nenhum fato relevante da companhia. O conjunto é consistente com a liquidação de uma participação grande entre acionistas, intermediada e financiada — e absorvida pelas mesmas mesas estrangeiras que vêm comprando o papel há um ano. As peças que o registro público não entrega: o nome da ponta vendedora e se a saída terminou. Ambas seguem em aberto, e é isso que o vencimento de agosto está precificando.