Estudo Fundamentalista — EMBJ3 — Embraer — 21/07/2026

Embraer (EMBJ3): destaque de 20/07 (+2,43%), carteira recorde de US$ 31,3 bi e desalavancagem a 0,74× EBITDA — múltiplos, DCF, fluxo e opções.

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Estudo Fundamentalista

Estudo Fundamentalista — EMBJ3 — Embraer — 21/07/2026

20/07/2026

Escolhida pelo pregão de 20/07: a Embraer (EMBJ3) foi a ação líquida mais forte do dia — +2,43% e 10º maior giro da B3 (R$ 288 mi) — e na manhã seguinte (21/07) veio o 1º pedido do Grupo Abra (20 jatos E2), reforçando o ciclo de encomendas com carteira recorde de US$ 31,3 bi.

EMBJ3 (20/07)
R$ 83,35
+2,43% · R$ 288 mi
Valor de mercado
R$ 61,7 bi
711,8 mi ações ON
Receita LTM
R$ 43,1 bi
2025: +18,2%
Dív. líq./EBITDA
0,74×
de 13,7× em 2022
Carteira de pedidos
US$ 31,3 bi
recorde · 3T25
P/L · EV/EBITDA
36× · 14×
ROE 8,9%
Máxima da série
R$ 104,88
23/01/26 · −20,6%
DY 12m
~1,0%
vs CDI 14,15%
Tese-resumo. A Embraer completou uma virada de balanço rara: saiu de prejuízo e alavancagem de 13,7× EBITDA (2022) para lucro de ~R$ 2,0 bi, dívida líquida de 0,74× e o primeiro fluxo de caixa livre positivo em anos (2025), com carteira de pedidos recorde de US$ 31,3 bi sustentando a receita. O mercado precifica o papel como growth (P/L 36×, EV/EBITDA 14×), acima do valor que um DCF conservador em dólar sustenta — ou seja, paga-se pela conversão do backlog, não pela geração de caixa atual. Este material é um levantamento de dados, não recomendação.

1. A empresa

Embraer S.A. (setor Bens Industriais / Material de Transporte / Material Aeronáutico e de Defesa) é a 3ª maior fabricante de jatos comerciais do mundo, com quatro frentes: Aviação Comercial (E-Jets/E2), Executiva (Phenom/Praetor), Defesa & Segurança (KC-390, caças/serviços) e Serviços & Suporte, além da eVTOL Eve. Listada no Novo Mercado (uma ação, um voto), é uma corporation de controle pulverizado: não há controlador (free float ~100%), e a União Federal detém uma ação de classe especial — golden share — com poder de veto sobre matérias estratégicas (mudança de controle, programas militares). Capital 100% ON: 740,5 mi ações emitidas, 711,8 mi em circulação (28,6 mi / 3,87% em tesouraria), sem classe PN.

Estrutura de capital
100% ON
sem PN · Novo Mercado
Controle
Pulverizado
golden share da União
Acionistas relevantes
BlackRock 5,5%
BNDESPar 5,4% · Brandes 5,0%
Base de investidores
91,5 mil
77,3k PF · 859 institucionais

Do lado dos fundos brasileiros (posição declarada à CVM, base 31/05), a detenção é modesta em relação ao tamanho da empresa — sinal do peso de indexados, estrangeiros e da própria BlackRock na base. Maiores posições por R$:

Previ (RV Ativa)
R$ 116,6 mi
Santander Amazonas
R$ 64,0 mi
Morgan Stanley (Caieiras)
R$ 61,1 mi
BofA (Iceberg)
R$ 33,9 mi
Brasilprev
R$ 23,2 mi
BTG (FHS)
R$ 22,3 mi
Vivest
R$ 20,2 mi
Kapitalo
R$ 18,8 mi

129 fundos distintos com posição declarada; predominam previdenciários (Previ, Brasilprev, Vivest, Caixa) e mesas quantitativas/multimercado (Kapitalo, Iceberg).

2. Preço & desempenho

Em 12 meses o papel sobe +18,2%, mas a leitura mais rica é a trajetória: disparou de ~R$ 70 (jul/25) à máxima da série desde 2017 de R$ 104,88 (23/01/2026), corrigiu para ~R$ 71 no fundo de maio e reconstruiu para R$ 83 — ainda −20,6% abaixo do topo e −5,7% no ano. Beta de 0,95 vs IBOV com correlação baixa (0,40): o papel tem vida própria, movido por encomendas e câmbio mais que pelo índice.

10470
EMBJ3R$ · 12 meses (jul/25 → 20/jul/26)

Nos últimos 90 pregões, o fundo de maio (~R$ 71) deu lugar a uma recuperação de ~+17%, com o pregão de 20/07 (+2,43%) rompendo a resistência dos R$ 82 em volume alto.

8571
EMBJ3R$ · 90 pregões (22/abr → 20/jul)
Retorno 12m
+18,2%
YTD −5,7%
vs máxima da série
−20,6%
R$ 104,88 · 23/01
Beta 252d
0,95
corr 0,40
Vol. realizada
28,3% / 40,0%
21d / 252d
Faixa 52s
R$ 64,4–105,2
+29% do fundo
Retorno 3 anos
+365%
desde 2023

3. Resultados (5 anos)

O turnaround está no balanço. A receita saltou de R$ 22,7 bi (2021) para R$ 41,9 bi (2025) — +35,7% em 2024 e +18,2% em 2025 — enquanto o lucro migrou de prejuízos (2021–2022) para ~R$ 2,0 bi. A alavancagem despencou de 13,7× para 0,74× EBITDA, e o fluxo de caixa livre virou positivo (+R$ 0,79 bi) pela 1ª vez após anos de investimento pesado no programa E2. A ressalva de 2025 é a margem EBITDA, que cedeu de 14,4% para 11,4% (mix e custos de ramp-up).

R$ bi20212022202320242025
Receita líq.22,723,426,135,441,9
EBITDA2,160,532,725,104,79
Margem EBITDA9,6%2,3%10,4%14,4%11,4%
Lucro líq.−0,27−1,050,781,921,99
ROE−1,7%−7,1%5,3%9,3%9,5%
Dív. líq./EBITDA5,7×13,7×2,2×1,1×0,74×
Fluxo de caixa op. (FCO)2,853,842,835,534,48
Fluxo de caixa livre−2,38−3,37−1,72−1,910,79
Receita 2021
R$ 22,7 bi
Receita 2022
R$ 23,4 bi
Receita 2023
R$ 26,1 bi
Receita 2024
R$ 35,4 bi
Receita 2025
R$ 41,9 bi
Momento (1T26, dado mais recente). Receita R$ 7,58 bi (+18,4% a/a) e EBITDA R$ 0,70 bi (+19%), mas o lucro caiu −58,8% (R$ 194 mi) e a dívida líquida subiu para R$ 7,17 bi — o padrão sazonal da aeronáutica, que consome caixa no 1º semestre (montagem de estoques) e entrega/gera caixa no 2º. O resultado do 2T26 sai em 10/08/2026.

4. Valuation — múltiplos & DCF

Contra os pares industriais da B3, a Embraer negocia com prêmio de lucro (P/L 36×) mas EV/EBITDA de 14×, abaixo dos 20× da WEG, a outra quality global brasileira — ainda que com ROE (8,9%) muito inferior ao da WEG (33%). Vale a ressalva: não há par direto listado (aeroespacial/defesa é único na bolsa; concorrentes Boeing/Airbus não estão na B3), então a comparação abaixo é contra industriais amplos.

EmpresaP/LP/VPEV/EBITDADYROE
Embraer (EMBJ3)36,4×3,23×14,1×3,7%8,9%
WEG (WEGE3)28,8×9,48×20,0×8,4%33,0%
Motiva (MOTV3)8,8×1,76×7,2×6,3%20,2%
Rumo (RAIL3)24,2×1,78×6,1×0,8%7,4%
Marcopolo (POMO4)5,0×1,52×5,0×alto*30,3%

*POMO4 com yield distorcido por provento extraordinário. Múltiplos LTM, preços de 20/07.

DCF — estimativa (premissas explícitas, não é recomendação)

Como a Embraer fatura majoritariamente em dólar, ancoramos o fluxo em USD. Premissas: FCF livre normalizado base de US$ 400 mi (≈ R$ 2,1 bi — recuperação sobre os US$ 152 mi de 2025, à medida que o ciclo de investimento no E2 amadurece e as entregas escalam); crescimento explícito de 10% a.a. por 5 anos; WACC montado sobre custo de capital próprio (Rf UST 10a 4,55% + prêmio + risco-país) combinado ao custo da dívida em dólar (~6,5%), ponderado pela estrutura (81% equity); perpetuidade Gordon; dívida líquida de R$ 3,54 bi; câmbio R$ 5,20. A faixa de sensibilidade é o resultado:

WACC / g perpétuo2,5%3,0%3,5%
9,0%R$ 58,3R$ 62,6R$ 67,6
10,5% (base)R$ 46,0R$ 48,7R$ 51,7
12,0%R$ 37,7R$ 39,4R$ 41,4
Leitura do DCF. No caso-base (WACC 10,5%, g 3%), o valor justo estimado é R$ 48,7/ação — ~41% abaixo dos R$ 83 de tela. Para o DCF bater os R$ 83 seria preciso um FCF normalizado de US$ 520–660 mi (≈ o dobro do de 2025) ou um WACC de ~9%. Em outras palavras, o preço embute a conversão do backlog de US$ 31,3 bi em caixa muito maior à frente — é uma tese de crescimento que a geração de caixa atual ainda não mostra. O múltiplo EV/EBITDA de 14× (vs 20× da WEG) é a âncora de sanidade; o DCF, o contrapeso.

5. Proventos

Embraer é história de reinvestimento, não de renda: o yield 12m é de ~1,0%, uma fração do CDI (14,15%). A remuneração vem sobretudo em JCP trimestrais — 2T/25 R$ 0,195, 3T/25 R$ 0,091, 4T/25 R$ 0,202, mais dividendo complementar de R$ 0,111 (dez/25) e JCP de R$ 0,605 (dez/25). O último JCP (2T/26, R$ 0,281) teve data-ex em 23/06 e pagamento previsto para 24/05/2027. Não há novos proventos com data-ex à frente na janela — coerente com o perfil de reinvestimento no ciclo de entregas.

DY 12m realizado
~1,0%
vs CDI 14,15%
Forma
JCP trimestral
+ dividendo complementar
Último JCP (2T26)
R$ 0,281
ex 23/06 · pgto 24/05/27

6. Fluxo de players (12 meses e 3 meses)

O intermediador conta uma disputa. Em 12 meses, o BTG acumulou +R$ 2,28 bi líquidos (persistência 62%, 18% do giro) e a XP +R$ 577 mi, enquanto as mesas de Merrill (−R$ 772 mi), Itaú (−R$ 712 mi), Morgan Stanley (−R$ 669 mi) e Goldman (−R$ 425 mi) distribuíram. (Corretora indica quem intermediou, não necessariamente o dono final.)

12 meses (252 pregões)

BTG
+R$ 2,28 bi
XP
+R$ 577 mi
JP Morgan
+R$ 308 mi
UBS
+R$ 129 mi
Safra
−R$ 266 mi
Goldman
−R$ 425 mi
Morgan Stanley
−R$ 669 mi
Itaú
−R$ 712 mi
Merrill
−R$ 772 mi

3 meses (63 pregões)

Itaú
+R$ 572 mi
BTG
+R$ 347 mi
UBS
+R$ 193 mi
Ágora
+R$ 139 mi
Merrill
−R$ 160 mi
Citigroup
−R$ 168 mi
XP
−R$ 182 mi
JP Morgan
−R$ 224 mi
Morgan Stanley
−R$ 425 mi

No recorte de 3 meses, a rotação: o Itaú virou o maior comprador (+R$ 572 mi) e o BTG seguiu acumulando (+R$ 347 mi), enquanto XP e JP Morgan inverteram para vendedores e o Morgan Stanley persistiu distribuindo (−R$ 425 mi). Casado com o preço (fundo em maio, recuperação a R$ 83), a compra doméstica recente acompanhou a retomada. Tape ao vivo de 21/07 não incluído (levantamento pré-abertura).

7. Derivativos — Opções

Livro do vencimento de 21/08/2026 (24 pregões), sobre o fechamento de R$ 83,35. O max pain e a call wall coincidem em R$ 83,57 — praticamente no dinheiro —, com os grandes ímãs de OI em R$ 86,07 (982 mil) e R$ 92,07 (1,04 mi, onde há um bloco relevante de puts). PCR de OI em 1,07–1,31 (livro levemente carregado em put = viés defensivo).

Nível (venc. 21/08)StrikeOIvs R$ 83,35
Max pain / Call wallR$ 83,57537 mil+0,3%
Ímã de gammaR$ 86,07982 mil+3,3%
Ímã / Put wallR$ 92,071,04 mi+10,5%
Gamma flipR$ 99,16+19,0%

Regime de gamma

GEX total positivo (+R$ 106 mi/ponto): dealers comprados em gamma → vendem força/compram fraqueza → regime de mean-reversion e pinning (vol amortecida) enquanto o spot ficar abaixo do flip de R$ 99. Ímãs de curto prazo em R$ 83,5–86.

Volatilidade implícita

1,31
Put/Call (OI)

Viés defensivo

IV ATM 39,8% — percentil 72 de 12 meses e +11,5 pp acima da vol realizada (28,3%). Subiu de ~32% no início de julho: opções sendo bidadas para o resultado de 10/08.

Estrutura a termo em contango (+2,5 pp) com o miolo curto empolado nas séries em torno dos resultados; skew levemente defensivo (put OTM +0,9 pp vs call OTM), sem stress. No dia 20/07 houve execução casada relevante: o BTG montou um combo de ~R$ 33 mi no strike 86,07 (400 mil ações + 400 mil calls + 400 mil puts, mesma corretora nas pontas) — assinatura de conversão/sintético de tesouraria (hipótese; o EOD não dá o lado das pernas), não fluxo direcional.

4135
IV ATM% · IV ATM por vencimento (bump no 2T em 10/08)

8. Aluguel (BTB) & Termo

Do lado da tradabilidade, nada trava o short: estoque de aluguel de R$ 1,51 bi a taxa simbólica de 0,07% a.a. (percentil 26). O estoque inchou +39% em 21 pregões, mas com a taxa colapsando a 3% da média de 63 dias — leitura de oferta/arbitragem de JCP, não de tese vendida agressiva (short interest de apenas 2,5% do free float, days-to-cover de 4,5). Papel fácil e barato de tomar emprestado — sem risco de squeeze.

Estoque BTB
R$ 1,51 bi
18,4 mi ações · +39% em 21d
Taxa tomador
0,07% a.a.
percentil 26 · simbólica
Short interest
2,5%
do free float 2,6%
Days-to-cover
4,5 dias
cobertura fácil
Termo em aberto
R$ 10,9 mi
127 contratos
Risco de squeeze
Baixo
oferta ampla

9. Papel nos índices, liquidez & risco

EMBJ3 é constituinte do Ibovespa e do IBrX e figura entre os ~12 papéis mais líquidos da B3: ADTV de R$ 411 mi (US$ 78 mi) em 12 meses, percentil 97,9, respondendo por 2,05% do giro do mercado. Execução confortável — uma ordem de R$ 5 mi consome só 1,2% do ADTV. Contribuição de pontos ao índice no dia não computada (pré-abertura de 21/07).

ADTV 12m
R$ 411,3 mi
US$ 77,9 mi
Ranking liquidez
12º / 537
percentil 97,9
Share do giro B3
2,05%
Ibov / IBrX
Ordem R$ 5 mi
1,2% do ADTV
operável c/ cautela

10. Smart-money, governança & CVM 44

A confluência de sinais é fraca: dos quatro monitorados (compra de insider, recompra ativa, comprador dominante, short-covering), só um acende — a recompra ativa (1,51% do capital). Há dois programas de recompra vigentes (1,51%, aprovado em 05/03/26, e 1,47%, de 06/11/25, ambos via BTG), mas com a finalidade declarada de lastrear a remuneração variável e o plano de opções dos administradores — recompra de governança/incentivo, não devolução pura de capital. Trade de blocos casados do dia (o combo de R$ 33 mi do BTG) reforça a leitura de tesouraria/estrutura.

Na Resolução CVM 44, a atividade de insiders é imaterial e quieta em 12 meses (saldo levemente vendedor, ~R$ 65 mil líquidos, 5 negócios). O único sinal de timing limpo: um membro do Conselho Fiscal vendeu 1.200 ações a R$ 102,80 em 23/01/2026 — exatamente na região da máxima histórica da série.

DataCargoOperaçãoQtdPreçoCorretora
23/01/26Conselho FiscalVenda1.200R$ 102,80Planner
25/11/25Órgão EstatutárioVenda250n/dUBS
22/09/25Órgão EstatutárioCompra3.000n/dUBS

Remuneração detalhada, partes relacionadas, auditor e diversidade do conselho não foram destrinchados nesta edição (itens opcionais do dossiê).

11. Fatos, agenda & notícias

Catalisador quente (21/07, manhã). O Grupo Abra (holding de Avianca e GOL) fez seu 1º pedido à Embraer: 20 jatos E2, diversificando uma frota até então 100% Boeing/Airbus. Some-se à sequência recente de encomendas (TrueNoord 20× E195-E2; Air Côte d'Ivoire 4× E175) e ao recorde de carteira de US$ 31,3 bi anunciado no 3T25.

Agenda: informe de governança (CGVN) em 31/07; resultado do 2T26 em 10/08/2026; 3T26 em 10/11. Fatos relevantes (12m): mudança de código de EMBR3 para EMBJ3 (03/11/25); programas de recompra (nov/25 e mar/26); equity swap com o Itaú sobre 10,9 mi de ações (1,5%); redução da Brandes para 4,95%.

DataManchete
21/07/26Grupo Abra faz 1º pedido de 20 jatos Embraer E2, diversificando de Boeing e Airbus
20/07/26Agenda de balanços do 2º tri na B3 — Embraer reporta em 10/08
out/25Embraer atinge carteira recorde de US$ 31,3 bi no 3T25
out/25TrueNoord encomenda 20 E195-E2 (+30 em direitos de compra)
nov/25Air Côte d’Ivoire encomenda 4 E175 para conectividade regional

12. Contexto macro

Para uma exportadora que fatura em dólar, o câmbio é a variável-chave: USD/BRL a 5,09 (Focus projeta 5,20) é vento a favor da receita convertida, ainda que a recente firmeza do real seja leve contra-fluxo de curto prazo. O ciclo global de corte de juros (Fed 3,75%, UST 10a 4,55%) ajuda o financiamento de aeronaves e a demanda das companhias aéreas — Brent a US$ 88 é um custo de combustível a monitorar do lado dos clientes. No Brasil, Selic 14,25% (COPOM em 05/08) e CDI 14,15% deixam o DY de ~1% e o earnings yield de 2,7% muito abaixo do juro real — o papel é precificado como crescimento, não como valor/renda.

USD/BRL
5,09
Focus 5,20
Selic
14,25%
COPOM 05/08
CDI
14,15%
DY EMBJ3 ~1%
IPCA 12m
4,64%
Focus 5,15%
Brent
US$ 88,3
combustível aéreo
Fed Funds
3,75%
UST10 4,55%

13. Síntese

Forças
  • Carteira recorde US$ 31,3 bi + fluxo contínuo de encomendas (Abra 20× E2 em 21/07).
  • Desalavancagem de 13,7× para 0,74× EBITDA e 1º FCF livre positivo (2025).
  • Receita +18–36% a/a; EV/EBITDA (14×) abaixo da WEG (20×).
  • Liquidez de elite (top-12 B3) e balanço com R$ 10,7 bi em caixa.
Riscos / vigiar
  • DCF conservador aponta R$ 39–68 — abaixo da tela; preço embute a conversão do backlog.
  • Lucro 1T26 −59% e margem EBITDA 2025 em queda (ramp-up/mix).
  • DY ~1% vs CDI 14% — sem colchão de renda; múltiplo de crescimento exige entrega.
  • Sensibilidade a câmbio, cadeia de suprimentos aeronáutica e demanda global.
Pilar factual da leitura: uma franquia aeroespacial global em plena recuperação de balanço e com carteira recorde, negociada a múltiplo de crescimento que o caixa atual ainda não valida — a tese vive da conversão do backlog em FCF. Levantamento de dados (B3/CVM/BCB), sem recomendação direcional. DCF é estimativa com as premissas listadas.