Estudo Fundamentalista — CURY3 — Cury — 10/07/2026
Dossiê da Cury (CURY3): incorporadora de baixa/média renda com ROE de 65% e caixa líquido, lucro +55% em 2025, negociando a 9,5× lucro após a prévia do 2T26.
Estudo Fundamentalista — CURY3 — Cury — 10/07/2026
Escolhida como destaque do último pregão (09/07): +4,7% e R$ 193 mi negociados — o maior avanço entre as blue-chips líquidas —, numa recuperação após a queda de 8/07, com a prévia operacional do 2T26 (lançamentos de R$ 2,26 bi) ainda fresca. Não repete nenhuma empresa dos últimos estudos fundamentalistas.
1. A tese em um parágrafo
A Cury é a incorporadora mais rentável da bolsa: fechou 2025 com ROE de 65%, lucro de R$ 1,08 bi (+55%) e receita de R$ 5,4 bi (+38%), tudo isso operando praticamente sem dívida líquida — um modelo asset-light, de giro rápido, focado em baixa e média renda (com forte encaixe no programa habitacional). O mercado reconhece a qualidade e paga o maior P/L e o maior P/VP de todo o setor. A prévia do 2T26 mostrou os dois lados da moeda: lançamentos ainda subindo (R$ 2,26 bi, +1,4%) mas vendas líquidas recuando 9,5% na comparação anual — sinal de que o ciclo de juros altos (Selic a 14,25%, com cortes empurrados para frente) começa a morder a velocidade de vendas. O papel é caro em múltiplo, barato em geração de caixa, e sensível a juros: é essa a tensão que este levantamento disseca.
2. A empresa & o controle
Cury Construtora e Incorporadora (Novo Mercado, sede em São Paulo) atua em incorporação residencial de baixa e média renda nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, com forte aderência ao programa habitacional federal. O capital é 100% ordinário (sem classe PN) e o bloco de controle, de 47,7%, é partilhado por acordo de acionistas entre a família fundadora e a Cyrela (CYRE3), que ajudou a incubar a companhia — uma co-controladora listada é um traço de governança relevante.
Somente ações ON — sem classe PN
| Acionista | % ON | Papel |
|---|---|---|
| Fábio Elias Cury | 18,7% | Controlador (acordo) |
| Cyrela · CYRE3 | 15,1% | Co-controladora (acordo) |
| Cury Empreendimentos | 12,0% | Controlador (acordo) |
| Free float | 52,3% | Mercado |
A base institucional é pesada em fundos de pensão e de dividendos — Petros, Previ, Funcef e o Caixa Vinci Valor Dividendos aparecem entre os 158 fundos detentores mapeados, coerente com o perfil de pagadora robusta de proventos. O maior detentor isolado é um veículo geridо pela Morgan Stanley (R$ 92 mi).
3. Preço & desempenho
Nos 12 meses a ação subiu +25,8%, mas com forte amplitude: partiu de ~R$ 26, cravou o pico histórico de R$ 41,03 em 20/02/2026 e depois devolveu, chegando a R$ 28,6 no início de maio antes de se recompor. Hoje negocia ~20% abaixo daquele topo. A volatilidade é alta (44,7% anualizada em 21 dias) e o beta contra o Ibovespa está em 1,28 (12m) — um papel que amplifica o índice.
No zoom de 90 pregões fica nítida a perna de correção de abril–maio e a retomada de junho, interrompida pela reação à prévia do 2T26 (queda de 7,6% em 8/07) e o repique de +4,7% em 9/07 que colocou o papel de novo em foco.
4. Resultados — cinco anos de composição
A trajetória é uma das mais consistentes da bolsa: receita quase triplicou em quatro anos (R$ 1,74 bi → R$ 5,40 bi), com o lucro crescendo ainda mais rápido (de R$ 315 mi para R$ 1,08 bi) e a margem EBITDA subindo de 21,7% para 24,1% — expansão rara num setor de margens apertadas. O ROE saltou de 43% para 65%, e a alavancagem permaneceu irrisória (dívida líquida/EBITDA de 0,09×; a companhia esteve em caixa líquido em quase todo o período).
| R$ bi | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Receita líq. | 1,74 | 2,26 | 2,89 | 3,93 | 5,40 |
| EBITDA | 0,38 | 0,43 | 0,61 | 0,85 | 1,30 |
| Margem EBITDA | 21,7% | 19,1% | 21,1% | 21,7% | 24,1% |
| Lucro líq. | 0,32 | 0,35 | 0,50 | 0,70 | 1,08 |
| ROE | 42,7% | 39,7% | 49,7% | 53,4% | 65,1% |
| Dív. líq./EBITDA | −0,22× | −0,19× | −0,05× | 0,01× | 0,09× |
| Fluxo de caixa oper. | 0,38 | 0,35 | 0,46 | 0,48 | 0,75 |
O trimestre mais recente (1T26) reforçou o ritmo: receita de R$ 1,61 bi (+32,6% a/a), lucro de R$ 351 mi (+50,3%), margem EBITDA de 25,5% e caixa líquido (dívida líquida de −R$ 47 mi). O alerta veio na prévia operacional do 2T26 (07/07): vendas líquidas de R$ 2,05 bi, −9,5% ante o 2T25, com a VSO recuando 7 p.p. para 40,5% — o juro alto começa a pesar na velocidade de vendas, ainda que os lançamentos (R$ 2,26 bi) sigam crescendo.
5. Valuation — múltiplos & DCF
Entre as incorporadoras líquidas, a Cury é a mais cara em múltiplo e a mais rentável em ROE — negocia a 9,5× lucro e 5,3× valor patrimonial, contra pares a 5–8× lucro e 1–3× patrimônio. O prêmio é a contrapartida de um ROE de 56% (LTM), o dobro da média do grupo, e de um balanço sem dívida. Não é barata; é premium por mérito operacional.
| Empresa | P/L | P/VP | EV/EBITDA | DY 12m* | ROE |
|---|---|---|---|---|---|
| CURY3 · Cury | 9,5× | 5,33 | 7,0× | ~13% | 56,3% |
| TEND3 · Tenda | 7,0× | 3,10 | 8,6× | 7,2% | 44,4% |
| DIRR3 · Direcional | 7,8× | 2,57 | 6,8× | 24,6% | 32,9% |
| PLPL3 · Plano&Plano | 4,9× | 1,41 | 3,4× | 18,3% | 28,8% |
| MDNE3 · Moura Dubeux | 5,3× | 1,26 | 5,7× | 58,4% | 24,0% |
| CYRE3 · Cyrela | 5,0× | 0,83 | 7,6× | 36,9% | 16,6% |
| EZTC3 · EZTec | 6,3× | 0,67 | 10,8× | 30,3% | 10,7% |
*DY 12m indicativo — no setor vários valores estão inflados por proventos extraordinários/complementares e grupamentos; trate como referência relativa, não absoluta.
DCF — estimativa (premissas abaixo, não é recomendação)
Como o fluxo de caixa operacional (R$ 747 mi em 2025) é comprimido pelo capital de giro típico da fase de crescimento — recebíveis de vendas parceladas —, um DCF sobre o FCO puro subestimaria a geração normalizada. Usamos, então, o lucro distribuível como proxy de FCF: base de R$ 1,0 bi (abaixo do lucro de 2025 de R$ 1,08 bi, para descontar o consumo de giro), crescendo 8% ao ano por cinco anos e depois na perpetuidade de Gordon. O WACC ancora-se no juro nominal longo (Tesouro 10a a 14,6%) somado a prêmio de risco de ações (~5%) e beta ~1,3 → banda de 17%–20%; como a empresa é praticamente sem dívida, o custo de capital é essencialmente o de equity. Dívida líquida ≈ zero; ~308 mi de ações.
| WACC ╲ g perp. | 4,5% | 5,5% | 6,5% |
|---|---|---|---|
| 17,0% | R$ 31,0 | R$ 32,8 | R$ 34,9 |
| 18,5% | R$ 27,6 | R$ 29,0 | R$ 30,5 |
| 20,0% | R$ 24,9 | R$ 25,9 | R$ 27,1 |
O caso central (WACC 18,5%, g 5,5%) aponta valor justo de ~R$ 29/ação, ~11% abaixo do fechamento de R$ 32,73; a faixa da sensibilidade vai de ~R$ 25 a ~R$ 35. Traduzindo: o preço de tela embute um cenário otimista com o juro (WACC ~17%, isto é, o mercado precificando cortes de Selic à frente e crescimento sustentado). Como sanity-check, os múltiplos correntes (9,5× lucro, 7,0× EV/EBITDA) contam a mesma história — a Cury está precificada como caso de qualidade, com pouca margem de erro se o juro não ceder. É uma estimativa com premissas explícitas, sujeita ao cenário; não constitui recomendação.
6. Proventos
A Cury devolve caixa com generosidade: nos últimos 12 meses distribuiu ~R$ 4,4/ação entre dividendos e JCP (política histórica de payout de 46%–106%), o que equivale a um DY recorrente de ~13% sobre o preço atual — patamar de dois dígitos que se aproxima do próprio CDI (14,15%) e sustenta a presença dos fundos de dividendos na base. O maior evento recente foi a distribuição anual de R$ 1,86/ação (ex em dez/25); o mais recente, R$ 0,52/ação referente ao 1T26 (ex em mai/26).
Não há data-ex de novo provento marcada nos próximos 180 dias; a próxima distribuição deve acompanhar o resultado do 2T26, em agosto.
7. Fluxo de players — 12 meses × 3 meses
O retrato de 12 meses é clássico de ação que o local compra e o estrangeiro vende: BTG (+R$ 178 mi, 30% do volume), Itaú (+R$ 154 mi) e Santander (+R$ 121 mi) acumularam, enquanto as mesas de fluxo externo distribuíram — Morgan Stanley (−R$ 209 mi), JP Morgan (−R$ 188 mi) e UBS (−R$ 135 mi). Ainda assim o papel subiu +25,8% no período: a demanda doméstica absorveu a oferta gringa.
Acumulação 12 meses (líquido, R$)
Acumulação 3 meses (líquido, R$)
No recorte de 3 meses há rotação relevante: Goldman e Scotiabank viraram compradores fortes e o Santander, que acumulava no ano, passou a vender (−R$ 126 mi) — coerente com o pregão negativo de 63 dias (−7,1%). No tape do próprio dia 09/07, a ponta compradora foi de Genial (+361 mil a R$ 32,35), Morgan e Safra; a vendedora, de Ágora (−547 mil) e JP Morgan (a R$ 31,60). O UBS é o único vendedor persistente nas duas janelas.
8. Derivativos — opções
Para uma incorporadora, o livro de opções é razoavelmente ativo (venc. de 17/07 com 53 séries). O posicionamento é fortemente inclinado a calls: Put/Call por posição em aberto de 0,31 e por volume de 0,07 (percentil 0) — leitura de viés comprador. O max pain está em R$ 34,99 e a parede de put (suporte) em R$ 31,49. Atenção a uma pegadinha: a maior concentração de OI em call aparece no strike distante de R$ 44,24 (397 mil contratos), mas ela é fruto de diretas casadas (BTG/Merrill em 24/06) — uma estrutura de tesouraria/box, não uma aposta direcional de resistência. O cluster relevante de fato é 35–36 (max pain).
livro pende para calls — viés comprador
A volatilidade implícita está elevada no histórico (rank 68, percentil 85 de 12 meses) mas ainda abaixo da volatilidade realizada (44,7%) — ou seja, cara no retrovisor, justa/barata diante do que a ação de fato oscilou. A estrutura a termo traz um bojo no vencimento de agosto (IV de 47%), que embute a vol de evento do resultado do 2T26 (11/08). Em gamma, o livro agregado é comprado (GEX +R$ 498 mi, ímãs em 35–36), mas com o spot (~R$ 32,7) abaixo do gamma-flip (~R$ 34,6), a região atual é de gamma negativo — dealers na zona que acelera movimentos, o que ajuda a explicar as pancadas de ±5–8% dos últimos dias.
9. Aluguel (BTB) & termo
O short interest está subindo: o estoque de aluguel cresceu 31% em 63 pregões, para R$ 711 mi (~13,2% do free float), com days-to-cover de 5,25. O detalhe importante é que a taxa de aluguel segue baratíssima (0,78% a.a., percentil 55 na janela de 18 meses) — os vendidos estão montando posição a custo baixo, o que sinaliza posicionamento tático de baixa, mas ainda longe de um setup de squeeze (aluguel caro é o que arma o squeeze; aqui não há). O principal tomador (ponta short) é o BTG (23% do fluxo), e os grandes doadores são JP Morgan e Banco do Brasil.
O mercado a termo é imaterial: apenas 18 contratos em aberto (~R$ 0,7 mi de notional) — sem sinal relevante.
10. Papel nos índices
A CURY3 integra o Ibovespa (peso pequeno) e índices de consumo e small caps. No pregão de 09/07 ela subiu +4,7% enquanto o Ibovespa avançava +1,22% (puxado por bancos e utilities, com o petróleo na ponta negativa) — um desempenho ~3,5 p.p. acima do índice, o que a colocou no topo entre as blue-chips do dia. Com beta de 1,28, é um papel que tende a amplificar os movimentos do índice nos dois sentidos.
11. Liquidez & risco de execução
Liquidez não é problema: com ADTV de R$ 104 mi (US$ 19,7 mi) e percentil 91,4 (47ª mais líquida de 537 ações), a Cury absorve ordens grandes com folga — uma ordem de R$ 1 mi consome menos de 1% do giro diário; só a partir de ~R$ 5 mi o impacto exige cautela.
| Ordem (R$) | % do ADTV | Classe |
|---|---|---|
| 100 mil | 0,10% | Operável |
| 500 mil | 0,48% | Operável |
| 1 mi | 0,96% | Operável |
| 5 mi | 4,81% | Operável c/ cautela |
12. Smart-money & fluxo qualitativo
A confluência de sinais é modestamente positiva (2 de 4): recompra ativa + compra líquida de insiders — sem short covering (o aluguel está, ao contrário, subindo) e sem corretora compradora dominante. O track-record de corretoras nesse papel sugere seguir os locais e desconfiar do fluxo externo: as compras de Tullett e Safra anteciparam altas (edge positivo), enquanto as compras das mesas de fluxo externo (Merrill, Goldman, JP Morgan, Morgan) foram historicamente contrárias — coerente com o quadro de 12 meses. Nas diretas casadas à vista, o JP Morgan cruzou consigo mesmo ~R$ 9 mi por dia em 07 e 08/07 (assinatura de internalização/tesouraria em torno da prévia). Estatística descritiva, em amostra, bruta de custos — não é recomendação.
13. Governança & pessoas ligadas (CVM 44)
O sinal mais forte dos insiders foi de venda: o controlador desfez-se de R$ 253,5 mi em ações (7,7 mi de papéis) entre agosto e setembro de 2025, via BTG, a R$ 32–33,6 — uma monetização de bloco. Depois, já em abril–maio de 2026 e perto das mínimas (R$ 29–30), membros do Conselho fizeram compras pequenas, e nove desses negócios foram sinalizados por ocorrerem até 30 dias antes de eventos agendados (apresentações institucionais, dividendo) — volumes baixos, eventos rotineiros de RI, leitura neutra. Os protocolos VLMO têm latência média de 38 dias (dentro do prazo).
| Órgão (CVM 44 · 12m) | Nº compras | Nº vendas | Saldo líquido |
|---|---|---|---|
| Controlador / vinculados | 1 | 18 | −R$ 253,5 mi |
| Conselho de Administração | 2 | 0 | +R$ 0,18 mi |
No lado societário, poucos alertas: a remuneração da diretoria estatutária somou R$ 28,2 mi em 2025 (~2,6% do lucro), com bônus realizado em apenas 46% do alvo — disciplina de pay-for-performance — e diluição por ações irrisória (64 mil ações entregues, ~0,02% do capital). As transações com partes relacionadas (R$ 27 mi) são todos mútuos com SPEs e coligadas a 100% do CDI (+1%), sem qualquer empréstimo ao controlador. O auditor passou de KPMG para EY em 2025 por rodízio obrigatório (não é red-flag). O ponto fraco de ESG é a diversidade no topo: conselho com 1 mulher em 6 e diretoria 100% masculina e branca — ainda que a liderança intermediária seja 39% feminina.
14. Acionistas & recompras
Além do bloco de controle já detalhado (família Cury + Cyrela, 47,7%), a Cury mantém um programa de recompra rolante: o atual, aprovado em ago/25, autoriza a aquisição de até ~13,7 mi de ações (~10% da base à época), válido até fev/27, com os papéis destinados à tesouraria e a lastrear a remuneração variável dos diretores. É o quarto programa consecutivo (três já encerrados desde 2021) — sinalização recorrente de gestão e suporte técnico ao papel.
15. Fatos, comunicados & agenda
O fluxo recente de fatos é intenso: a prévia operacional do 2T26 (07/07) foi o gatilho da volatilidade da semana; em junho, a companhia aprovou a 7ª emissão de debêntures (R$ 500 mi) para financiar o banco de terrenos; em maio, distribuiu R$ 160 mi de dividendos intercalares do 1T26. A AGO de abril reformou o estatuto para refletir o aumento de capital (após a oferta primária de ~R$ 574 mi registrada em dez/25). O próximo catalisador é claro:
| Data | Evento |
|---|---|
| 20/07/2026 | Informe de Governança (CGVN) |
| 11/08/2026 | Resultado do 2T26 (ITR) — próximo catalisador |
| 12/08/2026 | Teleconferência de resultados 2T26 |
| 10/11/2026 | Resultado do 3T26 (ITR) |
16. Notícias
| Data | Manchete |
|---|---|
| 07/07 | Prévia 2T26: vendas líquidas de R$ 2,05 bi (−9,5% a/a); lançamentos de R$ 2,26 bi (+1,4%) |
| 08/07 | Ibovespa recua com aversão a risco (tensão Trump/Irã, Brent a US$ 80); Cury entre os nomes em foco |
| 16/06 | Cury aprova 7ª emissão de debêntures simples — R$ 500 mi |
17. Contexto macro
O pano de fundo é o principal risco da tese. A Selic está em 14,25% e, o que é pior para incorporadoras, o mercado empurrou os cortes para frente: a projeção Focus de Selic para o fim de 2026 subiu de 13,25% para 14,00% nas últimas seis semanas. Com o Tesouro 10a a 14,6% e o IPCA projetado em 5,3%, o juro real longo beira 9% — o custo de oportunidade que aperta o valuation (é exatamente o WACC do DCF acima). O earnings yield da Cury (~10,6%) mal supera o CDI, e seu DY (~13%) fica abaixo dele.
O contrapeso é o segmento: a atuação em baixa renda, ancorada no programa habitacional federal (juros subsidiados e demanda estrutural), é a parte do mercado imobiliário mais protegida do aperto monetário — foi o que sustentou o crescimento da Cury mesmo com a Selic em dois dígitos. A questão para a frente é se o subsídio compensa a fadiga de renda das famílias, já visível na desaceleração de vendas da prévia.
18. Síntese
Forças: rentabilidade de elite (ROE 65%, o maior do setor), crescimento composto (receita +38%, lucro +55% em 2025), balanço em caixa líquido, geração e distribuição robustas de proventos (DY ~13%), liquidez alta, recompra ativa e co-controle da Cyrela. Riscos: múltiplo premium (9,5× lucro, 5,3× patrimônio — o mais caro do setor) com pouca margem para erro; sensibilidade a juros (beta 1,28) num cenário de Selic a 14,25% e cortes adiados; desaceleração de vendas já visível na prévia do 2T26 (−9,5%); controlador vendendo bloco (R$ 253 mi) e estrangeiro distribuindo em 12 meses; short interest em alta. O DCF, como referência factual e não como recomendação, coloca o valor justo central em ~R$ 29/ação (faixa R$ 25–35), com o preço de tela (R$ 32,73) embutindo um cenário benigno de juros. A tese da Cury é uma aposta em qualidade operacional versus juro alto — e o resultado do 2T26, em 11/08, é o próximo teste.
Este material é um estudo/levantamento informativo, não constitui recomendação de investimento. O DCF é uma estimativa baseada nas premissas explicitadas e sensível ao cenário. Números datados por sua respectiva referência (fechamento de 09/07/2026, salvo indicação).