Estudo Fundamentalista — CSMG3 — Copasa — 02/07/2026
Copasa pós-privatização: Equatorial 30%, Perfin 20%, ação no topo da série a R$ 61,05 (+133% em 12m) e short de 20,7% do free float.
Estudo Fundamentalista — CSMG3 — Copasa — 02/07/2026
Escolhida como destaque do pregão de 01/07: giro de R$ 325 mi (13º maior da B3 no dia), alta de +1,9% até R$ 61,05 — o maior fechamento da série disponível (dados desde 2017) — e o gancho societário mais quente entre as líquidas: a privatização concluída em 16/06, com a Equatorial ancorando 30% e a Perfin declarando 20,11% do capital. Este dossiê varre fundamentos, valuation, fluxo de players, derivativos, aluguel, governança e macro da nova Copasa.
Tese em um parágrafo
A Copasa deixou de ser estatal em junho: o Estado de Minas Gerais vendeu 171,1 milhões de ações (R$ 8,39 bi a R$ 49,03) em oferta secundária encerrada em 16/06, a Equatorial (via Gerais Saneamento S.A.) ancorou 30% do capital com acordo de acionistas assinado em 18/06 e os fundos Perfin declararam 20,11% (comunicados de 15–25/06). O papel responde com o maior fechamento da série e giro estrutural ~2,7× acima da média de 12 meses — mas carrega um short de 20,7% do free float, múltiplos com prêmio sobre o setor e um DCF que, em premissas correntes de juros, não alcança o preço de tela. É um caso de transformação precificada: o mercado paga hoje pela Copasa privada de 2028, não pela estatal de 2025.
A empresa e o novo bloco de controle
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa, Utilidade Pública / Água e Saneamento) opera concessões de água e esgoto reguladas pela Arsae-MG, com receita 2025 de R$ 8,33 bi. Listada no Novo Mercado desde 2006, capital 100% em ações ON (380.253.069 ações — sem classe PN) e presença no IBOV. A base de acionistas registra 118,2 mil pessoas físicas, 927 PJs e 675 institucionais — varejo que entrou em massa na oferta de junho.
Estrutura pós-privatização
Acionista de referência com acordo de acionistas firmado com o Estado de MG em 18/06; controle votante contratado de 30% (FRE mais recente).
12,76% direto + derivativos = 76,47 mi ações (20,11%), declarados em 15/06 e esclarecidos em 25/06 — "estritamente investimento", sem pretensão de controle. Inclui o veículo dedicado Perfin Infra Saneamento MG (R$ 855,5 mi no papel em 31/05).
Free float votante aproximado de 65% (FRE); nenhum ente estatal figura entre relevantes ≥5% na última versão do formulário. O cadastro CVM ainda exibe "controle estatal" — defasado frente à oferta de 16/06.
Fundos com posição (CVM, carteiras de 31/05)
164 fundos distintos somavam R$ 946 mi na data — antes das compras adicionais de junho. As posições Perfin dominam o bloco institucional local.
Preço & desempenho — o rali da desestatização
Em 12 meses a ação saiu de R$ 26,74 para R$ 61,05 (+128% ponta a ponta na série; +132,9% na janela de 252 pregões). O gráfico curto mostra o degrau de junho: salto de +11% em 03/06 com a definição da oferta, IV de opções tocando 59% em 09–10/06, precificação a R$ 49,03 em 11/06 e reprecificação contínua desde então — 01/07 fechou +24,5% acima do preço da oferta, 11 pregões depois.
| Métrica (01/07) | Valor | Métrica | Valor |
|---|---|---|---|
| Faixa 52 semanas | R$ 23,24 – 61,53 | Vol. realizada 21d (a.a.) | 53,8% |
| Distância da máx. 52s | −0,6% | Vol. realizada 252d (a.a.) | 31,0% |
| Drawdown vs pico | 0% | Beta 252d vs IBOV | 0,78 |
| Retorno 5 anos | +431% | Correlação 252d vs IBOV | 0,41 |
A vol realizada de 21 dias (53,8%) roda quase 2× a de 12 meses (31,0%) — herança dos saltos de junho. Retornos são variação de preço, sem ajuste por proventos.
Resultados — 5 anos de expansão de margem
Entre 2021 e 2025 a receita cresceu de R$ 5,89 bi para R$ 8,33 bi (~9% a.a.) e o lucro quase triplicou (R$ 538 mi → R$ 1.416 mi, +27% a.a.), com margem EBITDA saindo de 27,1% para 35,5% e ROE de 8,0% para 16,5%. O contraponto: o ciclo de investimento acelerou — o caixa aplicado em investimento somou R$ 2,82 bi em 2025 contra FCO de R$ 2,33 bi, levando a alavancagem de 1,4× (2023) para 2,4× dívida líquida/EBITDA.
| Exercício | Receita | EBITDA | Lucro | Marg. EBITDA | ROE | Dív.líq./EBITDA | FCO | Investimento (FCI) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2021 | R$ 5,89 bi | R$ 1,60 bi | R$ 538 mi | 27,1% | 8,0% | 1,7× | R$ 1,67 bi | −R$ 0,90 bi |
| 2022 | R$ 6,18 bi | R$ 1,98 bi | R$ 843 mi | 32,1% | 11,6% | 1,5× | R$ 1,12 bi | −R$ 1,24 bi |
| 2023 | R$ 7,40 bi | R$ 2,58 bi | R$ 1,38 bi | 34,8% | 18,2% | 1,4× | R$ 1,73 bi | −R$ 1,57 bi |
| 2024 | R$ 7,88 bi | R$ 2,80 bi | R$ 1,32 bi | 35,5% | 16,4% | 2,0× | R$ 2,05 bi | −R$ 2,27 bi |
| 2025 | R$ 8,33 bi | R$ 2,95 bi | R$ 1,42 bi | 35,5% | 16,5% | 2,4× | R$ 2,33 bi | −R$ 2,82 bi |
LPA 2025: R$ 3,73. Liquidez corrente 1,38. Margem bruta 42,4%. Crescimento 2025: receita +5,7%, lucro +7,5%, EBITDA +5,7%.
Valuation — múltiplos vs pares e DCF
Nos múltiplos correntes (preços de 01/07, fundamento LTM), a Copasa negocia com prêmio sobre o setor: P/L 17,1× contra 14,2× da Compass; EV/EBITDA 10,4× contra 9,9× da Sabesp. O desconto histórico de estatal desapareceu.
| Empresa | Mkt cap | P/L | P/VP | EV/EBITDA | Earnings yield | ROE | DY* |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| CSMG3 — Copasa | R$ 23,2 bi | 17,1× | 2,65× | 10,4× | 5,8% | 15,5% | 8,4%* |
| SBSP3 — Sabesp | R$ 105,5 bi | n/d (prejuízo LTM) | 2,41× | 9,9× | — | — | 34,8%* |
| PASS3 — Compass (gás) | R$ 17,5 bi | 14,2× | 2,23× | 6,4× | 7,1% | 15,7% | 22,3%* |
| ORVR3 — Orizon | R$ 10,9 bi | 128,0× | 6,94× | 23,6× | 0,8% | 5,4% | — |
| AMBP3 — Ambipar | R$ 0,3 bi | n/d (prejuízo) | 0,13× | 4,1× | −36,3% | −4,8% | — |
*DY da base LTM — na Sabesp e na Compass inflado por distribuições extraordinárias e, na Copasa, calculado sobre base distinta do yield realizado de 2,86% (o rali comprimiu o yield sobre o preço corrente); leia a coluna com cautela. Sabesp aparece com prejuízo LTM na base (P/L nulo). Sanepar fora do ranking por negociar via Unit (SAPR11), sem múltiplo consolidado na base.
DCF — estimativa com premissas explícitas (não é recomendação)
O fluxo de caixa livre corrente é negativo (FCO 2025 de R$ 2,33 bi contra R$ 2,82 bi de investimento) — típico de ciclo de universalização, em que o capex vira base regulatória remunerada. Um DCF por FCO−capex médio (R$ 573 mi/ano) produz equity negativo e não descreve o ativo. Adotamos, portanto, fluxo ao acionista via lucro (D&A de R$ 946 mi ≈ capex de manutenção): lucro base R$ 1.415,7 mi (2025), crescimento explícito de 6,5% a.a. por 5 anos (tarifa ≈ inflação + volume; histórico de receita ~9% a.a.), perpetuidade g=4,0% (≈ inflação longa do Focus). Custo de capital próprio corrente: Tesouro 10 anos nominal 14,5% (curva de 02/07) + beta 0,78 × prêmio 5pp ⇒ Ke ≈ 18,4%. Dívida líquida de R$ 7,08 bi já pertence ao fluxo do acionista neste formato.
Resultado base
≈ R$ 29,50/ação com Ke 18,4% e gperp 4% — cerca de metade do preço de tela (R$ 61,05). O valor só converge para o mercado com Ke na casa de 12% (compressão de ~2,5pp no juro longo + prêmio) e perpetuidade de 5% — ou com um salto de lucro de +60% a +100% na gestão privada (eficiência de custos, redução de perdas, novo ciclo tarifário).
Sensibilidade — valor por ação (R$)
| Ke \ gperp | 3,0% | 4,0% | 5,0% |
|---|---|---|---|
| 18,4% (corrente) | 28,40 | 29,50 | 30,90 |
| 15,0% | 36,60 | 38,90 | 41,50 |
| 13,0% | 44,20 | 47,60 | 52,00 |
| 12,0% | — | 53,70 | 59,50 |
Proventos
A Copasa paga JCP trimestral com regularidade e complementos em dezembro. Nos últimos 12 meses os proventos somaram ~R$ 1,75/ação — yield de 2,86% sobre o preço atual, comprimido pelo próprio rali (payout de ~47% sobre o LPA 2025). O evento mais recente: JCP de R$ 142,5 mi (R$ 0,3759/ação) do 2T26, corte em 23/06, ex desde 24/06, pagamento em 17/08/2026. Nenhum novo provento com data-ex futura divulgado até 02/07.
Com CDI a 14,29%, o papel rende hoje menos de 1/4 do juro de curto prazo em proventos — o retorno esperado do case migrou de dividendos para reprecificação/eficiência.
Fluxo de players — quem comprou a privatização (ON; não há classe PN)
O padrão é nítido nas duas janelas: BTG concentra a acumulação (custódia natural do bloco institucional) enquanto XP distribui — consistente com o varejo da oferta realizando lucro de +24,5% em poucas semanas. Nos últimos 3 meses o BTG acelerou: +R$ 852 mi com persistência de 66,7% (comprador em 42 de 63 pregões) e 30,5% de share de volume.
12 meses (252 pregões, até 01/07)
Persistência compradora: BTG 60,3% · Goldman 56,3% · Itaú 50,4%. XP comprou em só 40,5% dos pregões.
3 meses (63 pregões, até 01/07)
Persistência BTG subiu para 66,7% na janela curta — a acumulação acelerou junto com o preço (+17,8% em 21 pregões).
Tape do pregão de 01/07: Ágora liderou a ponta compradora (+446,8 mil ações, preço médio R$ 60,23), seguida de Goldman (+225,3 mil @ 59,66) e Tullett (+143,2 mil); JP Morgan (−316,5 mil @ 60,30), Ativa (−294,9 mil) e XP (−213,0 mil) venderam. O BTG girou 3,3 mi de ações quase zerado (−82,3 mil) a preço médio R$ 61,33 — atividade de mesa, não direcional. Emparelhado com o preço: quem acumulou 12 meses (BTG/Itaú/Goldman) carrega o papel de R$ 26 até R$ 61; quem vendeu (XP/varejo) devolveu o papel na subida.
Derivativos — opções: posições em aberto e regime
Livro de opções com OI de 9,03 mi em calls contra 5,77 mi em puts (PCR de posições 0,64, percentil 21,8 do histórico — posicionamento carregado em call). No giro de 01/07, 93% do financeiro negociado foi em call. O skew de 25Δ está negativo (−1,44pp): calls fora do dinheiro mais caras que puts — apetite por alta/cobertura de short, padrão raro em utility. A IV ATM (30,0%) despencou do pico de 59,2% de 09/06 e roda no rank 25 da janela de 252 dias, 23,8pp abaixo da vol realizada de 21d — proteção relativamente barata frente ao realizado recente.
Paredes & max pain
Vencimento 17/07: call wall = put wall = R$ 58,27, coincidente com o max pain (58,27, posições de 30/06) — o preço fechou 01/07 acima de toda a estrutura curta. Ago/26: put wall 60,02, call wall 57,52, max pain 55,52 — paredes "invertidas" pelo rali.
Gamma (GEX)
No vencimento dez/26 (posições de 01/07), GEX total +R$ 101,7 mi/ponto: dealers comprados em gamma ⇒ regime de mean-reversion (vendem força, compram fraqueza). Gamma-zero em 62,36 (~2% acima do fechamento) e ímã grosso em 63,52.
Estruturas detectadas
27 execuções casadas em opções em 10 pregões (BTG 13, XP 12) — assinatura de tesouraria. Destaque 17/06: sintético no strike 58,58 (1 mi call + 1 mi put casadas pela XP, R$ 55,7 mi) simultâneo a bloco à vista de 1,0 mi de ações @ 57,06 — financiamento/conversão, não aposta direcional. Sem box completo identificado.
Implicação: parte do OI gigante em strikes fundos (e do estoque de aluguel) é funding estruturado, o que dilui a leitura do short como aposta puramente direcional.
Derivativos — aluguel (BTB) e termo
O estoque de aluguel equivale a 1 em cada 5 ações do free float — combustível clássico de squeeze se a tese compradora seguir se confirmando, com a ressalva de que parte é funding (ver estruturas acima). A taxa de 1,55% a.a. é barata em nível absoluto, mas segue no 85º percentil dos últimos 18 meses (a Copasa estatal alugava a quase zero) — e caiu ~7,6pp em 5 pregões: a pressão de demanda por short arrefeceu após o pico da oferta. No BTB de 11/06–02/07, os maiores tomadores líquidos foram StoneX (+1,06 mi), Morgan Stanley (+1,02 mi) e JP Morgan (+1,02 mi); na doação, XP (−1,00 mi), Banco do Brasil (−654 mil) e Inter (−484 mil) — o varejo empresta, estrangeiro toma. Concentração moderada (HHI 1.621).
Termo: posição residual — 93 contratos, R$ 8,8 mi de notional (0,02 dia de volume), em queda de 69% em 63 pregões. Mercado a termo irrelevante no case.
Papel nos índices
No pregão de 01/07 (retrato do fechamento), CSMG3 foi o 4º papel que mais empurrou o Ibovespa: +31,3 pontos com peso de ~0,90% na cesta, num dia de índice −0,19% (171.689 pts) — e o 2º maior suporte do UTIL (+19,3 pts, peso ~5,08%), índice que caiu −0,42% puxado por elétricas (EGIE3 −6,1%, ENEV3 −1,8%). Ou seja: o papel sustentou sozinho boa parte do setor.
| Índice | Peso aprox.* | Contribuição 01/07 | Posição no dia |
|---|---|---|---|
| Ibovespa (IBOV) | 0,90% | +31,3 pts | 4º maior contribuidor positivo |
| Utilidade Pública (UTIL) | 5,08% | +19,3 pts | 2º maior contribuidor positivo |
*Pesos da cesta ao vivo — aproximados. Presença confirmada no IBOV e no UTIL; a varredura das demais cestas (IBrX, IDIV, SMLL) não foi coberta nesta edição.
Liquidez & risco de execução
| Ordem | % do ADTV 12m | Classe de impacto |
|---|---|---|
| R$ 100 mil | 0,06% | Operável |
| R$ 1 mi | 0,62% | Operável |
| R$ 5 mi | 3,11% | Operável com cautela |
A oferta de junho dobrou o free float efetivo e o giro estrutural — a liquidez corrente comporta tíquetes institucionais que o papel não absorvia como estatal.
Smart-money & sinais qualitativos
Track-record de corretoras no papel (373 pregões, sinais de |net| ≥ R$ 2 mi, horizonte 5 pregões, estatística in-sample): a compra da Ágora é o melhor sinal FOLLOW — retorno médio de +2,56% pós-sinal com 74,7% de acerto (edge +1,01pp vs deriva) — e foi justamente a Ágora a maior compradora do pregão de 01/07. Compras de XP (+0,89pp) e Itaú (+0,52pp) também precedem alta; na outra ponta, compras de Merrill (−1,36pp) e Morgan Stanley (−0,96pp) historicamente antecedem queda (CONTRARIAN) — e a venda do Morgan (que está distribuindo) precede alta (+0,88pp de edge), mais um detalhe pró-comprador. Blocos casados recentes: 1,0 mi de ações @ 57,06 (R$ 57,1 mi, XP, 17/06) e 260,6 mil @ 59,18 (R$ 15,4 mi, BTG, 22/06) — transferências institucionais na esteira da oferta.
Governança & pessoas ligadas (CVM 44)
CVM 44 — book limpo
Nos últimos 12 meses, uma única movimentação a mercado reportada por pessoa ligada (Diretoria, out/25, R$ 34,51 — residual). Saldo líquido por cargo: neutro. VLMO: 3 protocolos, entregues ~37–39 dias após o mês de referência, todos processados. A varredura de timing pré-evento acusa apenas essa mesma operação residual. Zero red-flag material de insider no período que antecedeu a oferta.
Remuneração & estrutura (FRE 2026)
Remuneração total orçada 2026: R$ 12,41 mi para toda a administração — Diretoria (5 membros) R$ 9,07 mi, com bônus-alvo de R$ 2,94 mi; em 2025 o bônus realizado foi 85% do alvo (R$ 2,44 mi de R$ 2,86 mi). Sem remuneração em ações — diluição potencial zero. Estrutura enxuta herdada da fase estatal; provável revisão sob controle privado.
| Item | Situação | Leitura |
|---|---|---|
| Partes relacionadas (FRE, ref. 2025) | Estado de MG R$ 196,8 mi (receita tarifária de serviços prestados); COPASS Saúde R$ 146,0 mi; Fundação Libertas R$ 59,0 mi | Transações operacionais; zero empréstimo a controlador |
| Auditor | Grant Thornton (desde jan/2024) | 6 trocas históricas, todas por rotatividade obrigatória (ICVM 308/Res. 23) — sem red-flag |
| Diversidade (órgãos estatutários) | Mulheres: 2/7 no CA (28,6%), 2/5 na Diretoria (40%) | 22,2% de mulheres na alta administração agregada |
| Recompras | Nenhum programa registrado | Capital estável desde a subscrição de 2016 |
Fatos relevantes & agenda — a linha do tempo da privatização
| Data | Evento | Detalhe |
|---|---|---|
| 03/06 | Salto de +11% intradiário | Definição da oferta; IV das opções dispara até 59% (09–10/06) |
| 11–12/06 | Precificação e início da oferta secundária | Vendedor: Estado de MG; preço mínimo R$ 47,23 → fixado R$ 49,03 |
| 16/06 | Encerramento da oferta | 171.113.881 ações, R$ 8,39 bi, com colocação internacional |
| 15–25/06 | Perfin declara participação relevante | 12,76% direto + derivativos = 20,11% (76,47 mi ações), "estritamente investimento" |
| 18/06 | Acordo de acionistas | Gerais Saneamento (Equatorial) e Estado de MG — investidor com 30% do capital |
| 18/06 | JCP 2T26 | R$ 142,5 mi (R$ 0,3759/ação), corte 23/06, pagamento 17/08 |
| 19/06 | Conselho delibera | Alienação de 0,983% da PRODEMGE; Conselho Fiscal acompanha custos da desestatização (ago/25–jun/26) |
Cobertura de imprensa específica dos últimos pregões limitou-se a citações em resumos de mercado — o noticiário material do caso está integralmente no fluxo de documentos CVM acima.
Contexto macro — o vento contrário (e a opcionalidade)
Utility regulada é duração longa: com Tesouro 10 anos a 14,5% (dados de 02/07), o custo de capital próprio corrente (~18%) esmaga qualquer DCF — é exatamente o gap que a seção de valuation quantifica. A opcionalidade do case é dupla: (1) ciclo de juros — cada 1pp de queda no Ke vale ~R$ 3–5/ação na sensibilidade; (2) execução privada — o playbook Equatorial em distribuidoras (corte de custos, redução de perdas, disciplina de capex remunerado pela Arsae-MG) aplicado a uma base de R$ 8,3 bi de receita. Do lado fiscal, dívida bruta/PIB em 81,1% e IPCA acima da meta mantêm o juro longo pressionado — o relógio do case é o do afrouxamento monetário (mercado projeta Selic 14,00% no fim de 2026).
Síntese — forças × riscos
Forças
- Controle privado ancorado: Equatorial 30% com acordo + Perfin 20,11% — dois sponsors de infraestrutura com capital comprometido a partir de R$ 49,03.
- Operação sólida: lucro recorde de R$ 1,42 bi, ROE 16,5%, margem EBITDA 35,5%, alavancagem administrável (2,4×).
- Fluxo institucional persistente: BTG +R$ 1,17 bi em 12m (66,7% de persistência nos últimos 3m); Ágora — melhor sinal FOLLOW do papel — comprando no topo.
- Short de 20,7% do free float com days-to-cover 5,2: combustível de squeeze se a tese avançar.
- Liquidez transformada (ADTV 21d de R$ 427 mi) e regime de gamma positivo amortecendo vol.
Riscos
- Valuation esticado: DCF base ≈ R$ 29,50 (Ke corrente) — o preço só fecha com Ke ~12% + g 5% ou salto de lucro de +60–100%; P/L 17,1× é prêmio sobre o setor.
- Juro longo a 14,5%: sem compressão, o custo de oportunidade corrói o case (yield 2,86% vs CDI 14,29%).
- Execução: sinergias Equatorial dependem de ciclo tarifário (Arsae-MG), reestruturação de custos e capex de universalização (FCF corrente negativo).
- Short relevante na contramão (R$ 2,29 bi) — em parte funding, mas em parte aposta de reversão pós-oferta.
- Vol realizada 21d de 53,8% — o papel virou instrumento de evento, não mais defensivo clássico.