Estudo Fundamentalista — BRKM5 — Braskem — 22/07/2026
Braskem em reestruturação de ~R$ 50 bi: mínima de 52 semanas, PL de −R$ 16,2 bi, aluguel a 18,6% a.a., puts no percentil 98,5 — e o que R$ 5,71 já embute.
Estudo Fundamentalista — BRKM5 — Braskem — 22/07/2026
Escolhida pelo gancho mais quente do pregão de 21/07: BRKM5 caiu −3,87% (R$ 41,6 mi negociados), renovou a mínima de 52 semanas a R$ 5,71, e na noite do mesmo dia a companhia respondeu a ofício da CVM/B3 confirmando o noticiário sobre a reestruturação de ~R$ 50 bilhões de dívida — incluindo a recusa de propostas de bondholders liderados pelo fundo Elliott. Este dossiê monta o quadro completo: fundamentos, fluxo, derivativos, governança e o que o preço de tela embute.
Tese-resumo
A Braskem chegou ao pregão de 21/07 como um caso de crédito, não de lucro: quatro anos seguidos de prejuízo (−R$ 28,7 bi acumulados de 2022 a 2025), patrimônio líquido negativo, dívida líquida de R$ 44,4 bi contra EBITDA anualizado na casa de R$ 2–3 bi, e um processo formal de mediação com credores desde junho — com S&P em "D" e Fitch em "C" desde 26/06. O equity virou, na prática, uma opção sobre o desenho da reestruturação e sobre a recuperação do ciclo petroquímico. O mercado precifica exatamente isso: vol implícita de três dígitos nos vértices curtos, put/call em máximas históricas da série, aluguel caro e um livro de puts que ficou inteiro dentro do dinheiro na queda. Sem chamada direcional — o objetivo aqui é dimensionar cada camada com dado.
A empresa, o controle e quem detém o papel
Braskem S.A. — setor B3 Materiais Básicos / Químicos / Petroquímicos, listada no nível N1 — é uma das maiores petroquímicas das Américas (resinas PE/PP/PVC e químicos básicos). O capital total, conforme o 20-F de 31/12/2025, soma 797,2 mi de ações: 451,7 mi ON (BRKM3), 345,1 mi PNA (BRKM5, a classe líquida) e 0,5 mi PNB residual. O controle votante é fechadíssimo: Shine FIP (grupo Novonor) com 50,11% das ON e Petrobras com 47,03% — juntos, 97,14% do capital votante amarrado em acordo de acionistas; sobra free float votante de ~2,9%. Na PNA a foto inverte: ADRs concentram 29,2% da classe e o free float da classe é de ~265,7 mi de ações. Em 05/06 os controladores assinaram aditamento ao acordo que trata justamente da alçada para aprovar recuperação extrajudicial/judicial — e em 11/06 o próprio Shine FIP protocolou na CVM pedido de OPA por 100% das ações, com contrapartida em debêntures da NSP Inv. (detalhe na seção de acionistas).
Mix do capital por classe
451,7 mi ações · 97,1% com o bloco de controle
345,1 mi ações · classe líquida, no IBOV
Fundos locais (CVM) com posição em BRKM5 — ref. 31/05/26
Ao todo, 86 fundos CVM distintos carregavam ~R$ 68,9 mi em BRKM5 na última carteira consolidada (31/05) — cerca de 3,5% do valor de mercado da classe PNA. Posição institucional local rala para uma empresa deste porte: o papel está majoritariamente na mão de ADRs, pessoa física (51,8 mil acionistas PF) e estrangeiro via bolsa.
Preço & desempenho — a caminho da mínima
Doze meses de escada para baixo com dois repiques violentos no meio — nov/25 e o rali de mar/26 (pico de R$ 13,78 em 06/03, na esperança de solução patrocinada) — seguidos do colapso de jun/26, quando a mediação com credores e o rebaixamento a "D" derrubaram o papel de R$ 7,5 para a faixa de R$ 6. O fechamento de 21/07 a R$ 5,71 fica 0,2% acima da mínima de 52 semanas e 90,4% abaixo do pico da série longa (R$ 59,54, em set/2021).
O beta de 0,94 com correlação de apenas 0,22 diz o essencial: o papel se move por risco idiossincrático, não pela maré do índice. Vol realizada de 71% a.a. em 21 dias é regime de small cap em evento — num nome que já foi blue chip do setor.
Resultados — 5 anos de derretimento operacional
O pico da pandemia (2021: EBITDA de R$ 30,2 bi, margem 28,6%) deu lugar ao pior down-cycle petroquímico em décadas: spreads globais de resina comprimidos, custo de nafta pressionado e, no caso brasileiro, o passivo geológico de Maceió. A receita encolheu de R$ 105,6 bi para R$ 70,7 bi e a margem EBITDA desabou para ~4–5%. Em 2024 o resultado financeiro de −R$ 16,7 bi (câmbio sobre dívida em dólar) e em 2025 a baixa de créditos fiscais (impostos de −R$ 8,1 bi) levaram o patrimônio líquido a −R$ 16,5 bi. No 1T26 (acumulado até 31/03), a receita caiu −20,4% YoY, com EBITDA de R$ 784 mi (margem 5,1%); o lucro contábil de +R$ 1,25 bi no trimestre foi puxado por linhas não-operacionais — a operação segue no vermelho estrutural.
| R$ bi | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Receita líquida | 105,6 | 96,5 | 70,6 | 77,4 | 70,7 |
| EBITDA | 30,2 | 9,0 | 2,4 | 3,9 | 2,9 |
| Margem EBITDA | 28,6% | 9,3% | 3,4% | 5,0% | 4,05% |
| Lucro líquido | +13,96 | −0,82 | −4,89 | −12,05 | −10,96 |
| FCO | +14,8 | +9,0 | −2,3 | +2,4 | −4,2 |
| Dívida líquida | 26,4 | 23,1 | 28,0 | 38,2 | 41,3 |
| Dívida líq./EBITDA | 0,87× | 2,57× | 11,6× | 9,9× | 14,4× |
| Patrimônio líquido | 6,2 | 6,1 | 3,3 | −4,3 | −16,5 |
Lucro líquido por exercício: quatro anos consecutivos no prejuízo somam −R$ 28,7 bi — mais que o valor de mercado inteiro da companhia multiplicado por quatro. A geração de caixa operacional virou consumo: FCO de −R$ 4,2 bi em 2025, com capex (FCI) de ~R$ 3 bi/ano que não pode parar por ser indústria de processo contínuo.
Valuation — múltiplos vs pares e o que o preço embute
Contra o setor químico listado na B3 (múltiplos correntes, preços de 21/07), a Braskem não tem P/L (prejuízo LTM de −R$ 9,1 bi) nem P/VP (PL negativo). O que sobra é o EV/EBITDA — e ele conta a história: 21,5×, o mais caro do setor, não por otimismo com o equity, mas porque o EV é quase todo dívida (R$ 44,4 bi de dívida líquida sobre ~R$ 50,7 bi de EV).
| Múltiplos LTM | BRKM5 | UNIP6 | DEXP3 | VITT3 |
|---|---|---|---|---|
| Valor de mercado | R$ 6,4 bi | R$ 11,4 bi | R$ 0,87 bi | R$ 0,53 bi |
| P/L | n/a (prejuízo) | 30,4× | 6,1× | 8,6× |
| EV/EBITDA | 21,5× | 15,5× | 3,4× | 8,3× |
| P/Receita | 0,10× | 2,27× | 0,45× | 0,66× |
| Dividend yield 12m | 0% | 33,3% | 15,8% | 15,5% |
| ROE | n/a (PL < 0) | 19,9% | 13,5% | 9,8% |
DCF: não aplicável — e isso é informação. A metodologia da casa (FCF base = FCO − capex normalizado 5 anos; crescimento pelo histórico + Focus; WACC ancorado no juro longo) quebra no primeiro passo: o FCF médio dos últimos 3 anos é de −R$ 5,0 bi/ano (FCO+FCI: −6,8 em 2023, −1,1 em 2024, −7,1 em 2025), e com juro livre de risco local a 14,7% a.a. (Tesouro 10a) qualquer taxa de desconto realista aplicada a fluxo negativo produz equity ≤ 0. O valor da ação hoje não vem de fluxo descontado — vem da opcionalidade sobre (i) recuperação cíclica do EBITDA e (ii) desenho da reestruturação (haircut, conversão em equity, diluição). O exercício honesto é inverter a pergunta: que EBITDA normalizado, a que múltiplo, paga a dívida e ainda sobra o preço de tela?
| Equity/ação implícito* | EV/EBITDA 5,0× | EV/EBITDA 6,5× | EV/EBITDA 8,0× |
|---|---|---|---|
| EBITDA R$ 2,4 bi (LTM) | ≤ 0 | ≤ 0 | ≤ 0 |
| EBITDA R$ 5,0 bi | ≤ 0 | ≤ 0 | ≤ 0 |
| EBITDA R$ 7,5 bi (mid-cycle) | ≤ 0 | R$ 5,47 | R$ 19,59 |
| EBITDA R$ 10,0 bi | R$ 7,04 | R$ 25,86 | R$ 44,67 |
*Estimativa: (EBITDA × múltiplo − dívida líquida 1T26 de R$ 44,4 bi) ÷ 797,2 mi ações (todas as classes, simplificação de classe única, sem ajuste de minoritários/contingências). Não é recomendação; premissas acima.
Proventos — zero no radar
Nenhum provento pago ou anunciado na base recente: histórico CVM da janela coberta vazio, calendário futuro (180 dias) vazio, yield 12m de 0%. Com prejuízo acumulado, PL negativo e credores em mediação, dividendo não é hipótese de curto prazo — contra um CDI de 14,15% a.a., o custo de oportunidade de carregar o papel é integralmente aposta de capital, sem renda. A última subscrição registrada é de 2010 e não há programa de recompra ativo (últimos encerrados em 2006–2008).
Fluxo de players — quem comprou a queda, quem despejou
Na PNA (BRKM5), o desenho de 12 meses é claro: UBS (+R$ 178 mi) e BGC (+R$ 156 mi) acumularam — BGC é interdealer broker, fluxo típico de mesa institucional/arbitragem com o crédito — enquanto Tullett (−R$ 126 mi), XP (−R$ 78 mi) e o varejo amplo distribuíram. Nos últimos 3 meses o quadro mudou de mãos: BGC seguiu comprando (+R$ 63 mi, persistência de 69,8% dos pregões), mas Morgan Stanley virou o grande vendedor (−R$ 71 mi) — e foi também o maior vendedor do tape de 21/07 (−1,02 mi ações a preço médio R$ 5,86, contra BTG +495 mil na outra ponta).
12 meses — net acumulado (R$ mi)
3 meses — net acumulado (R$ mi)
Emparelhando com o preço: quem acumulou 12 meses (UBS/BGC) comprou uma queda de −36% e segue debaixo d'água na média; a persistência de 58–70% dos pregões indica programa, não pancada. Na ON (BRKM3, giro irrisório de ~R$ 650 mil/dia), o fluxo de 12 meses tem Genial (+345 mil ações) e XP (+200 mil) na compra contra Itaú vendedor contumaz (−970 mil ações, comprador em só 18,8% dos pregões; −451 mil no trimestre, 6,3% de persistência) — consistente com desmonte gradual de posição antiga na classe sem liquidez.
Opções — livro de puts em extremo histórico
O posicionamento em opções (vencimento-referência 21/08, 23 pregões) é o retrato do medo: 10,35 mi de puts vs 3,46 mi de calls em aberto (PCR do vencimento: 3,0). No agregado do livro, o put/call por OI fechou 21/07 em 2,48 — percentil 98,5 do histórico da série (133 pregões); o PCR por volume do dia foi 4,32 (percentil 87). No fluxo negociado dos últimos 21 pregões, 74,8% do financeiro girou em puts. Atenção ao degrau de 17→20/07: o salto do PCR OI (1,65 → 2,84) é em boa parte roll-off da expiração mensal de julho (OI de calls caiu de 8,1 mi para 3,0 mi), não abertura nova de puts — mas o Δ OI de 21/07 mostra demanda fresca por proteção profunda: put K 3,90 abriu +90,7 mil contratos (11 titulares novos) e put K 4,90 +49,4 mil — seguro contra cauda, strikes 15–32% abaixo do spot.
percentil 98,5 do histórico da série
R$ 19,7 mi em puts vs R$ 6,6 mi em calls
Put/Call por OI — últimos 21 pregões
Paredes e ímãs (venc. 21/08) — distâncias recalculadas sobre o fechamento de R$ 5,71
| Nível | Strike | OI | vs spot 5,71 |
|---|---|---|---|
| Put wall | R$ 7,30 | 2,14 mi | +27,8% (ITM) |
| Puts ATM | R$ 5,90 / 6,00 | 1,31 mi / 1,12 mi | +3,3% / +5,1% |
| Put profunda | R$ 9,80 | 1,14 mi | +71,6% (ITM) |
| Call wall | R$ 6,50 | 734 mil | +13,8% |
| Max pain | R$ 7,90 | — | +38,4% |
| Proteção cauda (Δ OI 21/07) | R$ 3,90 / 4,90 | +90,7 mil / +49,4 mil | −31,7% / −14,2% |
A anatomia é rara: put wall e max pain muito ACIMA do spot — o livro de puts foi montado quando o papel valia R$ 7–10 e a queda deixou essas posições inteiras dentro do dinheiro (titulares ganhando, lançadores sangrando). O gamma dos dealers confirma o regime: GEX total de −R$ 573 mi (convenção dealer vendido em call/comprado em put), negativo em toda a faixa de strikes mapeada, sem gamma-zero no range — regime de movimento acelerado, em que hedge de dealer amplifica quedas e altas em vez de amortecer. O maior ímã de gamma é o strike 7,30 (−R$ 254 mi).
A superfície de vol precifica evento iminente: IV chegou a 106% em 20/07 (percentil 99,6 em 252 pregões; leitura de 69,6% em 21/07 vem de amostra rala — uma opção usada — e deve ser lida com ressalva), skew de +16,8 pp mostra puts OTM caríssimas vs calls, e a curva em backwardation (vértice de 24/07 a 97% vs ~78% em 2027) é a assinatura clássica de desfecho binário no curto prazo. Estruturas pareadas não foram detectadas na janela; houve 4 diretas casadas em puts (XP em 3, incluindo 360 mil contratos da put out/26 K 5,60 em 20/07; Terra na put ago K 6,00) — assinatura de estrutura/tesouraria, não fluxo direcional de tela.
Aluguel (BTB) & Termo — short caro e lotado
O short está caro e crescente: estoque subiu +12,1% em 63 pregões e +6,9% em 21, com a taxa saindo de 17,7% para 18,6% a.a. (pico intermediário de ~23% em 14/07) — percentil 88,8 do histórico de 18 meses. Vender a descoberto aqui custa quase Selic +4 pp, e ainda assim a demanda cresce. No trade-a-trade de julho, XP concentra 24% do aluguel tomado, com StoneX tomando a taxas de até 35,6% a.a. e Ideal net tomadora de +1,06 mi ações; HHI de tomadores em 1.195 (concentração moderada). O termo é residual (R$ 15,7 mi) e conta história própria: preço médio implícito de R$ 8,63, 51% acima do spot — compradores a prazo montados antes do colapso, debaixo d'água.
Papel nos índices
BRKM5 integra o IBOV (composição vigente) e o setorial de Materiais Básicos (IMAT), onde pesa 1,19%. No pregão de 21/07, enquanto o IMAT fechou levemente positivo (+0,18%), a Braskem foi o 3º maior detrator do índice setorial: −2,82 pontos de contribuição (atrás de GGBR4 e SUZB3, que pesam 10–20× mais). Ou seja: mesmo pequena na cesta, a queda de −3,87% foi grande o bastante para aparecer no placar setorial. Peso residual e decrescente nos amplos — reflexo direto da perda de ~90% de valor de mercado desde 2021.
Liquidez & risco de execução
| Ordem | % do ADTV | Classe |
|---|---|---|
| R$ 100 mil | 0,22% | Operável |
| R$ 500 mil | 1,08% | Operável c/ cautela |
| R$ 1 mi | 2,16% | Operável c/ cautela |
| R$ 5 mi | 10,82% | Alto impacto |
Liquidez segue institucional (percentil 85), mas o dado esconde a assimetria do momento: com vol realizada de 71% a.a. e regime de gamma negativo, o custo efetivo de execução em dias de estresse supera em muito a participação nominal no ADTV. Ordem acima de R$ 1 mi já pede fracionamento.
Smart-money & sinais qualitativos
No track-record por corretora (estatística in-sample, 387 pregões, sem custos — descritivo, não preditivo): Morgan Stanley é classificada FOLLOW neste papel — suas vendas fortes anteciparam queda média de −2,15% em 5 pregões (66 sinais) — e Morgan é justamente o maior vendedor do trimestre e do tape de 21/07. Já a BGC é classificada CONTRARIAN: historicamente suas compras fortes anteciparam queda (−3,74% médio, 39 sinais) — nuance relevante ao ler o +R$ 63 mi que ela acumulou no trimestre. Nos negócios diretos casados, só as puts já citadas — nenhum bloco casado à vista na janela.
Governança & pessoas ligadas (CVM 44)
Silêncio quase absoluto dos insiders: em 12 meses, uma única operação a mercado reportada (venda de 100 ações, R$ 1.000, em jun/26). Sem compras de administradores na queda — nenhum sinal de convicção interna via bolsa. Na trilha formal, os formulários VLMO da companhia chegam sistematicamente atrasados: média de 65 dias entre referência e entrega nos últimos 8 protocolos, com um caso extremo de 221 dias (ref. dez/24 entregue em jul/25). Sem negociações suspeitas pré-evento na janela de 30 dias.
| Remuneração (companhia) | 2024 | 2025 | 2026 (orçado) |
|---|---|---|---|
| Total da companhia | R$ 74,4 mi | R$ 48,4 mi | R$ 84,3 mi |
| Diretoria estatutária | R$ 60,5 mi (6) | R$ 34,3 mi (5) | R$ 67,7 mi (8) |
| Maior remuneração individual | R$ 18,4 mi | R$ 12,6 mi | não divulgado |
| PLR alvo da diretoria | R$ 27,3 mi | R$ 26,6 mi | R$ 24,2 mi |
Acionistas, OPA em curso & recompras
| Acionista (nível direto) | % ON | % PN | % total | Papel |
|---|---|---|---|---|
| Shine FIP (grupo Novonor) | 50,11% | 13,69% | 34,32% | controlador + acordo |
| Petrobras | 47,03% | 21,93% | 36,15% | controlador + acordo |
| ADRs | 0% | 29,22% | 12,67% | free float |
| Outros | 2,84% | 25,93% | 12,84% | free float |
O evento societário aberto mais importante: em 11/06 o Shine FIP protocolou na CVM pedido de registro de OPA por 100% das ações ON e PN, oferecendo como contrapartida debêntures da NSP Inv. — no meio da mediação com credores e com o acordo de acionistas recém-aditado para disciplinar alçadas de recuperação judicial/extrajudicial. Minoritário de BRKM5 tem hoje três camadas de risco sobrepostas: o ciclo, a reestruturação da dívida e o desenho societário da saída. Recompras: nenhuma ativa (últimos programas encerrados em 2006–2008) — sem suporte de tesouraria para o papel.
Fatos relevantes & agenda — a cronologia da reestruturação
| Data | Evento |
|---|---|
| 05–11/06 | Aditamento ao acordo de acionistas (alçadas de RJ/RE) · Shine FIP protocola OPA por 100% das ações na CVM |
| 25/06 | Braskem inicia mediação (Câmara Wind) + tutela cautelar na 2ª Vara de Falências de SP; plano prevê linha nova de até US$ 1,5 bi; Chapter 15 nos EUA autorizado; ação cai −10,6% no dia |
| 26/06 | Justiça defere: execuções suspensas por 60 dias · S&P rebaixa a D · Fitch corta IDR a C |
| 10/07 | Conselho elege novo diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação |
| 21/07 | Resposta a ofício CVM/B3: confirma negociação de reestruturação de ~R$ 50 bi e recusa de propostas de bondholders (incl. Elliott) — novo empréstimo com conversão em equity ou alongamento com todos os ativos em garantia; assessores contratados |
| 12–13/08 | Agenda: divulgação do ITR 2T26 (reunião pública com analistas marcada para 12/11) |
O prazo de 60 dias de blindagem judicial deferido em 26/06 vence no fim de agosto — logo após o balanço do 2T26 (12–13/08). É a janela em que mediação, proposta da companhia e contraproposta dos bondholders devem se resolver ou escalar.
Notícias — o que a imprensa registrou
| Data | Manchete (síntese) |
|---|---|
| 25/06 | Braskem inicia mediação na Câmara Wind e pede cautelar na Vara de Falências contra credores financeiros; plano prevê linha nova de até US$ 1,5 bi |
| 25/06 | Papel cai mais de 10% no pregão com a notícia da mediação |
| 26/06 | Braskem obtém suspensão de cobranças por 60 dias · S&P rebaixa de CCC− para D · Fitch reduz IDR de CC para C |
| 29–30/06 | Braskem capitaneia perdas do IBOV em meio a saída de estrangeiros; junho fecha negativo |
| 19/06 (resposta 23/06) | Reportagem sobre risco geológico em Maceió: investigações da PF apontam conhecimento de risco de subsidência desde os anos 1980; companhia responde a ofício |
| 21/07 | Imprensa detalha reestruturação de ~R$ 50 bi e recusa às propostas do Elliott e demais bondholders — confirmado em comunicado à CVM na mesma noite |
Contexto macro — juro alto, nafta cara
O macro joga contra nas duas pontas. Custo de capital: com Tesouro 10 anos a 14,71% e juro real longo na casa de 9%, rolar e reprecificar R$ 51,8 bi de dívida bruta é proibitivo — é a aritmética que empurrou a companhia à mesa de mediação. Custo de insumo: Brent a US$ 91 (+2,7% só em 21/07) encarece a nafta — referência ARA dos contratos com a Petrobras — enquanto os spreads globais de resina seguem deprimidos pelo excesso de capacidade asiático; a margem EBITDA de 4–5% dos últimos 3 anos é o retrato desse aperto. O câmbio a R$ 5,08 (vs 5,89 no fim de 2025) alivia a dívida dolarizada na marcação — parte relevante do lucro contábil positivo do 1T26 — mas comprime a competitividade do produtor local contra importado.
Síntese — os pilares do caso
- Opcionalidade dupla: ciclo petroquímico (EBITDA já fez R$ 9–30 bi em anos bons) + resolução negociada da dívida sem diluição total
- Blindagem judicial de 60 dias + mediação estruturada; companhia rejeitou as propostas mais duras (sinal de que vê alternativa melhor)
- Fluxo comprador persistente de UBS/BGC (R$ 334 mi em 12m) e short caro/lotado — combustível técnico para repiques violentos (squeeze)
- Ativo industrial estratégico e insubstituível no Brasil, com controladores (Petrobras/Novonor) com interesse em preservar valor
- Aritmética do balanço: DL de R$ 44,4 bi vs EBITDA LTM de R$ 2,4 bi; PL de −R$ 16,2 bi; FCO negativo — equity vale ≤ 0 em qualquer DCF a fluxo corrente
- Propostas na mesa envolvem conversão em equity ou garantia sobre todos os ativos — ambas hostis ao minoritário
- S&P em D, Fitch em C; put/call no percentil 98,5, GEX −R$ 573 mi (aceleração), IV >100% no curto: o mercado precifica desfecho binário iminente
- Zero dividendos, zero recompra, zero compra de insider; OPA do controlador com contrapartida em debêntures adiciona risco de desenho societário
- Passivo de Maceió segue fonte de notícia negativa e contingências
O preço de R$ 5,71 no fechamento de 21/07 embute, pelo exercício de múltiplos, um cenário de EBITDA de volta a ~R$ 7,5 bi a múltiplo cheio de setor e sem diluição — enquanto o livro de derivativos paga caro para se proteger do cenário oposto. Entre a mediação (blindagem até fim de agosto), o ITR 2T26 (12–13/08) e a OPA em análise na CVM, os catalisadores têm data. Este estudo dimensiona as camadas; a decisão é do leitor.