Estudo Fundamentalista — BRKM5 — Braskem — 22/07/2026

Braskem em reestruturação de ~R$ 50 bi: mínima de 52 semanas, PL de −R$ 16,2 bi, aluguel a 18,6% a.a., puts no percentil 98,5 — e o que R$ 5,71 já embute.

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Estudo Fundamentalista

Estudo Fundamentalista — BRKM5 — Braskem — 22/07/2026

22/07/2026 · Dossiê completo no meio da reestruturação de ~R$ 50 bi: fundamentos, fluxo, derivativos e o que o preço de tela embute

Escolhida pelo gancho mais quente do pregão de 21/07: BRKM5 caiu −3,87% (R$ 41,6 mi negociados), renovou a mínima de 52 semanas a R$ 5,71, e na noite do mesmo dia a companhia respondeu a ofício da CVM/B3 confirmando o noticiário sobre a reestruturação de ~R$ 50 bilhões de dívida — incluindo a recusa de propostas de bondholders liderados pelo fundo Elliott. Este dossiê monta o quadro completo: fundamentos, fluxo, derivativos, governança e o que o preço de tela embute.

Fechamento 21/07
R$ 5,71
−3,87% · mínima de 52 semanas
12 meses
−36,3%
YTD −27,6% · 21 pregões −23,2%
Valor de mercado
R$ 6,4 bi
todas as classes · PNA R$ 2,0 bi
Dívida líquida 1T26
R$ 44,4 bi
DL/EBITDA 2025: 14,4×
Patrimônio líquido 1T26
−R$ 16,2 bi
negativo desde 2024
EBITDA LTM
R$ 2,36 bi
margem 2025: 4,05%
Aluguel
18,6% a.a.
percentil 88,8 em 18 meses
Put/Call OI
2,48
percentil 98,5 do histórico

Tese-resumo

A Braskem chegou ao pregão de 21/07 como um caso de crédito, não de lucro: quatro anos seguidos de prejuízo (−R$ 28,7 bi acumulados de 2022 a 2025), patrimônio líquido negativo, dívida líquida de R$ 44,4 bi contra EBITDA anualizado na casa de R$ 2–3 bi, e um processo formal de mediação com credores desde junho — com S&P em "D" e Fitch em "C" desde 26/06. O equity virou, na prática, uma opção sobre o desenho da reestruturação e sobre a recuperação do ciclo petroquímico. O mercado precifica exatamente isso: vol implícita de três dígitos nos vértices curtos, put/call em máximas históricas da série, aluguel caro e um livro de puts que ficou inteiro dentro do dinheiro na queda. Sem chamada direcional — o objetivo aqui é dimensionar cada camada com dado.

A empresa, o controle e quem detém o papel

Braskem S.A. — setor B3 Materiais Básicos / Químicos / Petroquímicos, listada no nível N1 — é uma das maiores petroquímicas das Américas (resinas PE/PP/PVC e químicos básicos). O capital total, conforme o 20-F de 31/12/2025, soma 797,2 mi de ações: 451,7 mi ON (BRKM3), 345,1 mi PNA (BRKM5, a classe líquida) e 0,5 mi PNB residual. O controle votante é fechadíssimo: Shine FIP (grupo Novonor) com 50,11% das ON e Petrobras com 47,03% — juntos, 97,14% do capital votante amarrado em acordo de acionistas; sobra free float votante de ~2,9%. Na PNA a foto inverte: ADRs concentram 29,2% da classe e o free float da classe é de ~265,7 mi de ações. Em 05/06 os controladores assinaram aditamento ao acordo que trata justamente da alçada para aprovar recuperação extrajudicial/judicial — e em 11/06 o próprio Shine FIP protocolou na CVM pedido de OPA por 100% das ações, com contrapartida em debêntures da NSP Inv. (detalhe na seção de acionistas).

Mix do capital por classe

56,7%
ON (BRKM3)

451,7 mi ações · 97,1% com o bloco de controle

43,3%
PNA (BRKM5)

345,1 mi ações · classe líquida, no IBOV

Fundos locais (CVM) com posição em BRKM5 — ref. 31/05/26

Geração L. Par (Plural)
R$ 31,4 mi
Mistyque + Teens (BTG)
R$ 30,9 mi
Bradesco Ações 3188
R$ 14,0 mi
Iceberg MM (BofA)
R$ 8,3 mi
Santander Amazonas
R$ 2,0 mi
BrasilPrev Top A (BB)
R$ 1,9 mi

Ao todo, 86 fundos CVM distintos carregavam ~R$ 68,9 mi em BRKM5 na última carteira consolidada (31/05) — cerca de 3,5% do valor de mercado da classe PNA. Posição institucional local rala para uma empresa deste porte: o papel está majoritariamente na mão de ADRs, pessoa física (51,8 mil acionistas PF) e estrangeiro via bolsa.

Preço & desempenho — a caminho da mínima

Doze meses de escada para baixo com dois repiques violentos no meio — nov/25 e o rali de mar/26 (pico de R$ 13,78 em 06/03, na esperança de solução patrocinada) — seguidos do colapso de jun/26, quando a mediação com credores e o rebaixamento a "D" derrubaram o papel de R$ 7,5 para a faixa de R$ 6. O fechamento de 21/07 a R$ 5,71 fica 0,2% acima da mínima de 52 semanas e 90,4% abaixo do pico da série longa (R$ 59,54, em set/2021).

135.7
BRKM5R$ · 12 meses (jul/25 → 21/07/26)
125.7
BRKM5 (curta)R$ · últimos ~90 pregões (mar → 21/07/26)
5 pregões
−16,4%
63 pregões
−36,4%
Drawdown vs pico 52s
−55,0%
Vol realizada 21d
71,0% a.a.
Beta 252d vs IBOV
0,94
Correlação 252d
0,22

O beta de 0,94 com correlação de apenas 0,22 diz o essencial: o papel se move por risco idiossincrático, não pela maré do índice. Vol realizada de 71% a.a. em 21 dias é regime de small cap em evento — num nome que já foi blue chip do setor.

Resultados — 5 anos de derretimento operacional

O pico da pandemia (2021: EBITDA de R$ 30,2 bi, margem 28,6%) deu lugar ao pior down-cycle petroquímico em décadas: spreads globais de resina comprimidos, custo de nafta pressionado e, no caso brasileiro, o passivo geológico de Maceió. A receita encolheu de R$ 105,6 bi para R$ 70,7 bi e a margem EBITDA desabou para ~4–5%. Em 2024 o resultado financeiro de −R$ 16,7 bi (câmbio sobre dívida em dólar) e em 2025 a baixa de créditos fiscais (impostos de −R$ 8,1 bi) levaram o patrimônio líquido a −R$ 16,5 bi. No 1T26 (acumulado até 31/03), a receita caiu −20,4% YoY, com EBITDA de R$ 784 mi (margem 5,1%); o lucro contábil de +R$ 1,25 bi no trimestre foi puxado por linhas não-operacionais — a operação segue no vermelho estrutural.

R$ bi20212022202320242025
Receita líquida105,696,570,677,470,7
EBITDA30,29,02,43,92,9
Margem EBITDA28,6%9,3%3,4%5,0%4,05%
Lucro líquido+13,96−0,82−4,89−12,05−10,96
FCO+14,8+9,0−2,3+2,4−4,2
Dívida líquida26,423,128,038,241,3
Dívida líq./EBITDA0,87×2,57×11,6×9,9×14,4×
Patrimônio líquido6,26,13,3−4,3−16,5
2021
+R$ 13,96 bi
2022
−R$ 0,82 bi
2023
−R$ 4,89 bi
2024
−R$ 12,05 bi
2025
−R$ 10,96 bi

Lucro líquido por exercício: quatro anos consecutivos no prejuízo somam −R$ 28,7 bi — mais que o valor de mercado inteiro da companhia multiplicado por quatro. A geração de caixa operacional virou consumo: FCO de −R$ 4,2 bi em 2025, com capex (FCI) de ~R$ 3 bi/ano que não pode parar por ser indústria de processo contínuo.

Valuation — múltiplos vs pares e o que o preço embute

Contra o setor químico listado na B3 (múltiplos correntes, preços de 21/07), a Braskem não tem P/L (prejuízo LTM de −R$ 9,1 bi) nem P/VP (PL negativo). O que sobra é o EV/EBITDA — e ele conta a história: 21,5×, o mais caro do setor, não por otimismo com o equity, mas porque o EV é quase todo dívida (R$ 44,4 bi de dívida líquida sobre ~R$ 50,7 bi de EV).

Múltiplos LTMBRKM5UNIP6DEXP3VITT3
Valor de mercadoR$ 6,4 biR$ 11,4 biR$ 0,87 biR$ 0,53 bi
P/Ln/a (prejuízo)30,4×6,1×8,6×
EV/EBITDA21,5×15,5×3,4×8,3×
P/Receita0,10×2,27×0,45×0,66×
Dividend yield 12m0%33,3%15,8%15,5%
ROEn/a (PL < 0)19,9%13,5%9,8%

DCF: não aplicável — e isso é informação. A metodologia da casa (FCF base = FCO − capex normalizado 5 anos; crescimento pelo histórico + Focus; WACC ancorado no juro longo) quebra no primeiro passo: o FCF médio dos últimos 3 anos é de −R$ 5,0 bi/ano (FCO+FCI: −6,8 em 2023, −1,1 em 2024, −7,1 em 2025), e com juro livre de risco local a 14,7% a.a. (Tesouro 10a) qualquer taxa de desconto realista aplicada a fluxo negativo produz equity ≤ 0. O valor da ação hoje não vem de fluxo descontado — vem da opcionalidade sobre (i) recuperação cíclica do EBITDA e (ii) desenho da reestruturação (haircut, conversão em equity, diluição). O exercício honesto é inverter a pergunta: que EBITDA normalizado, a que múltiplo, paga a dívida e ainda sobra o preço de tela?

Equity/ação implícito*EV/EBITDA 5,0×EV/EBITDA 6,5×EV/EBITDA 8,0×
EBITDA R$ 2,4 bi (LTM)≤ 0≤ 0≤ 0
EBITDA R$ 5,0 bi≤ 0≤ 0≤ 0
EBITDA R$ 7,5 bi (mid-cycle)≤ 0R$ 5,47R$ 19,59
EBITDA R$ 10,0 biR$ 7,04R$ 25,86R$ 44,67

*Estimativa: (EBITDA × múltiplo − dívida líquida 1T26 de R$ 44,4 bi) ÷ 797,2 mi ações (todas as classes, simplificação de classe única, sem ajuste de minoritários/contingências). Não é recomendação; premissas acima.

Leitura do exercício: o preço de 21/07 (R$ 5,71) só "fecha conta" num cenário de EBITDA de volta a ~R$ 7,5 bi (3× o nível LTM, próximo do mid-cycle 2017–2022) a múltiplo de setor — e sem diluição. Qualquer conversão de dívida em equity, como a proposta por bondholders e rechaçada pela companhia em 21/07, muda o denominador contra o minoritário. É por isso que o papel negocia como opção: binário no desenho da reestruturação, alavancado no ciclo.

Proventos — zero no radar

Nenhum provento pago ou anunciado na base recente: histórico CVM da janela coberta vazio, calendário futuro (180 dias) vazio, yield 12m de 0%. Com prejuízo acumulado, PL negativo e credores em mediação, dividendo não é hipótese de curto prazo — contra um CDI de 14,15% a.a., o custo de oportunidade de carregar o papel é integralmente aposta de capital, sem renda. A última subscrição registrada é de 2010 e não há programa de recompra ativo (últimos encerrados em 2006–2008).

Fluxo de players — quem comprou a queda, quem despejou

Na PNA (BRKM5), o desenho de 12 meses é claro: UBS (+R$ 178 mi) e BGC (+R$ 156 mi) acumularam — BGC é interdealer broker, fluxo típico de mesa institucional/arbitragem com o crédito — enquanto Tullett (−R$ 126 mi), XP (−R$ 78 mi) e o varejo amplo distribuíram. Nos últimos 3 meses o quadro mudou de mãos: BGC seguiu comprando (+R$ 63 mi, persistência de 69,8% dos pregões), mas Morgan Stanley virou o grande vendedor (−R$ 71 mi) — e foi também o maior vendedor do tape de 21/07 (−1,02 mi ações a preço médio R$ 5,86, contra BTG +495 mil na outra ponta).

12 meses — net acumulado (R$ mi)

UBS
+R$ 177,9 mi
BGC
+R$ 155,6 mi
NovaFutura
+R$ 25,7 mi
JP Morgan
+R$ 25,3 mi
Safra
+R$ 10,4 mi
Goldman
−R$ 14,1 mi
Merrill
−R$ 22,0 mi
Ágora
−R$ 39,1 mi
Necton
−R$ 41,9 mi
XP
−R$ 78,1 mi
Tullett
−R$ 125,6 mi

3 meses — net acumulado (R$ mi)

BGC
+R$ 63,3 mi
Safra
+R$ 16,5 mi
Itaú
+R$ 14,1 mi
BTG
+R$ 14,1 mi
Goldman
+R$ 8,1 mi
Santander
−R$ 11,6 mi
XP
−R$ 17,9 mi
Ativa
−R$ 20,0 mi
Ágora
−R$ 24,2 mi
Morgan
−R$ 71,5 mi

Emparelhando com o preço: quem acumulou 12 meses (UBS/BGC) comprou uma queda de −36% e segue debaixo d'água na média; a persistência de 58–70% dos pregões indica programa, não pancada. Na ON (BRKM3, giro irrisório de ~R$ 650 mil/dia), o fluxo de 12 meses tem Genial (+345 mil ações) e XP (+200 mil) na compra contra Itaú vendedor contumaz (−970 mil ações, comprador em só 18,8% dos pregões; −451 mil no trimestre, 6,3% de persistência) — consistente com desmonte gradual de posição antiga na classe sem liquidez.

Opções — livro de puts em extremo histórico

O posicionamento em opções (vencimento-referência 21/08, 23 pregões) é o retrato do medo: 10,35 mi de puts vs 3,46 mi de calls em aberto (PCR do vencimento: 3,0). No agregado do livro, o put/call por OI fechou 21/07 em 2,48 — percentil 98,5 do histórico da série (133 pregões); o PCR por volume do dia foi 4,32 (percentil 87). No fluxo negociado dos últimos 21 pregões, 74,8% do financeiro girou em puts. Atenção ao degrau de 17→20/07: o salto do PCR OI (1,65 → 2,84) é em boa parte roll-off da expiração mensal de julho (OI de calls caiu de 8,1 mi para 3,0 mi), não abertura nova de puts — mas o Δ OI de 21/07 mostra demanda fresca por proteção profunda: put K 3,90 abriu +90,7 mil contratos (11 titulares novos) e put K 4,90 +49,4 mil — seguro contra cauda, strikes 15–32% abaixo do spot.

2,48
Put/Call por OI — 21/07

percentil 98,5 do histórico da série

74,8%
Share de puts no fluxo 21d

R$ 19,7 mi em puts vs R$ 6,6 mi em calls

Put/Call por OI — últimos 21 pregões

2.81.6
PCR OIratio · 23/06 → 21/07 (salto pós-expiração de julho)

Paredes e ímãs (venc. 21/08) — distâncias recalculadas sobre o fechamento de R$ 5,71

NívelStrikeOIvs spot 5,71
Put wallR$ 7,302,14 mi+27,8% (ITM)
Puts ATMR$ 5,90 / 6,001,31 mi / 1,12 mi+3,3% / +5,1%
Put profundaR$ 9,801,14 mi+71,6% (ITM)
Call wallR$ 6,50734 mil+13,8%
Max painR$ 7,90+38,4%
Proteção cauda (Δ OI 21/07)R$ 3,90 / 4,90+90,7 mil / +49,4 mil−31,7% / −14,2%

A anatomia é rara: put wall e max pain muito ACIMA do spot — o livro de puts foi montado quando o papel valia R$ 7–10 e a queda deixou essas posições inteiras dentro do dinheiro (titulares ganhando, lançadores sangrando). O gamma dos dealers confirma o regime: GEX total de −R$ 573 mi (convenção dealer vendido em call/comprado em put), negativo em toda a faixa de strikes mapeada, sem gamma-zero no range — regime de movimento acelerado, em que hedge de dealer amplifica quedas e altas em vez de amortecer. O maior ímã de gamma é o strike 7,30 (−R$ 254 mi).

IV ATM 20/07
106,1%
percentil 99,6 de 252d
Skew 25Δ
+16,8 pp
put 87,8% vs call 71,0%
Term structure
Backwardation
jul/26 97% → jun/27 78%
IV vs realizada 21d
−1,3 pp
prêmio ~zero

A superfície de vol precifica evento iminente: IV chegou a 106% em 20/07 (percentil 99,6 em 252 pregões; leitura de 69,6% em 21/07 vem de amostra rala — uma opção usada — e deve ser lida com ressalva), skew de +16,8 pp mostra puts OTM caríssimas vs calls, e a curva em backwardation (vértice de 24/07 a 97% vs ~78% em 2027) é a assinatura clássica de desfecho binário no curto prazo. Estruturas pareadas não foram detectadas na janela; houve 4 diretas casadas em puts (XP em 3, incluindo 360 mil contratos da put out/26 K 5,60 em 20/07; Terra na put ago K 6,00) — assinatura de estrutura/tesouraria, não fluxo direcional de tela.

Aluguel (BTB) & Termo — short caro e lotado

Estoque alugado
42,1 mi ações
R$ 274 mi · +12,1% em 63 pregões
Taxa tomador
18,6% a.a.
percentil 88,8 em 18 meses
Short interest
12,2% do total
15,8% do free float da classe
Days-to-cover
5,2 dias
sobre volume médio 21d
Termo em aberto
R$ 15,7 mi
223 contratos · 1,8 mi ações
Preço médio do termo
R$ 8,63
+51% vs spot — posições antigas

O short está caro e crescente: estoque subiu +12,1% em 63 pregões e +6,9% em 21, com a taxa saindo de 17,7% para 18,6% a.a. (pico intermediário de ~23% em 14/07) — percentil 88,8 do histórico de 18 meses. Vender a descoberto aqui custa quase Selic +4 pp, e ainda assim a demanda cresce. No trade-a-trade de julho, XP concentra 24% do aluguel tomado, com StoneX tomando a taxas de até 35,6% a.a. e Ideal net tomadora de +1,06 mi ações; HHI de tomadores em 1.195 (concentração moderada). O termo é residual (R$ 15,7 mi) e conta história própria: preço médio implícito de R$ 8,63, 51% acima do spot — compradores a prazo montados antes do colapso, debaixo d'água.

Papel nos índices

BRKM5 integra o IBOV (composição vigente) e o setorial de Materiais Básicos (IMAT), onde pesa 1,19%. No pregão de 21/07, enquanto o IMAT fechou levemente positivo (+0,18%), a Braskem foi o 3º maior detrator do índice setorial: −2,82 pontos de contribuição (atrás de GGBR4 e SUZB3, que pesam 10–20× mais). Ou seja: mesmo pequena na cesta, a queda de −3,87% foi grande o bastante para aparecer no placar setorial. Peso residual e decrescente nos amplos — reflexo direto da perda de ~90% de valor de mercado desde 2021.

Liquidez & risco de execução

ADTV 12 meses
R$ 46,2 mi
US$ 8,8 mi · 81ª de 534 ações
Percentil de liquidez
85
share 0,23% do mercado
ADTV 21 pregões
R$ 52,1 mi
10,4 mil negócios/dia
Ordem% do ADTVClasse
R$ 100 mil0,22%Operável
R$ 500 mil1,08%Operável c/ cautela
R$ 1 mi2,16%Operável c/ cautela
R$ 5 mi10,82%Alto impacto

Liquidez segue institucional (percentil 85), mas o dado esconde a assimetria do momento: com vol realizada de 71% a.a. e regime de gamma negativo, o custo efetivo de execução em dias de estresse supera em muito a participação nominal no ADTV. Ordem acima de R$ 1 mi já pede fracionamento.

Smart-money & sinais qualitativos

Confluência bullish: 0 de 4 sinais ativos (insider net buy: não; recompra ativa: não; corretora compradora dominante: não; short covering: não — estoque de aluguel subindo). Não há, nos dados, o padrão clássico de fundo patrocinado.

No track-record por corretora (estatística in-sample, 387 pregões, sem custos — descritivo, não preditivo): Morgan Stanley é classificada FOLLOW neste papel — suas vendas fortes anteciparam queda média de −2,15% em 5 pregões (66 sinais) — e Morgan é justamente o maior vendedor do trimestre e do tape de 21/07. Já a BGC é classificada CONTRARIAN: historicamente suas compras fortes anteciparam queda (−3,74% médio, 39 sinais) — nuance relevante ao ler o +R$ 63 mi que ela acumulou no trimestre. Nos negócios diretos casados, só as puts já citadas — nenhum bloco casado à vista na janela.

Governança & pessoas ligadas (CVM 44)

Silêncio quase absoluto dos insiders: em 12 meses, uma única operação a mercado reportada (venda de 100 ações, R$ 1.000, em jun/26). Sem compras de administradores na queda — nenhum sinal de convicção interna via bolsa. Na trilha formal, os formulários VLMO da companhia chegam sistematicamente atrasados: média de 65 dias entre referência e entrega nos últimos 8 protocolos, com um caso extremo de 221 dias (ref. dez/24 entregue em jul/25). Sem negociações suspeitas pré-evento na janela de 30 dias.

Remuneração (companhia)202420252026 (orçado)
Total da companhiaR$ 74,4 miR$ 48,4 miR$ 84,3 mi
Diretoria estatutáriaR$ 60,5 mi (6)R$ 34,3 mi (5)R$ 67,7 mi (8)
Maior remuneração individualR$ 18,4 miR$ 12,6 minão divulgado
PLR alvo da diretoriaR$ 27,3 miR$ 26,6 miR$ 24,2 mi
Red-flags de leitura: (1) o orçamento de remuneração de 2026 sobe +74% sobre o realizado de 2025 (diretoria ampliada de 5 para 8 membros) em pleno processo de mediação com credores; (2) dependência estrutural do controlador-fornecedor: os contratos de nafta/propeno/eteno com a Petrobras — fornecedora única desses insumos no país — somam R$ 206 bi em estimativas de desembolso de longo prazo no FRE (só o novo contrato de nafta 2026–2030: R$ 36,3 bi; desembolso de R$ 1,2 bi apenas no 1T26). Preço referenciado a ARA (mercado internacional), mas a comutatividade é declarada pela própria companhia; (3) auditoria: KPMG desde o exercício 2023 (ex-Grant Thornton, ex-PwC) — trocas motivadas por rotatividade regulatória e retorno a big four, sem renúncia no histórico.

Acionistas, OPA em curso & recompras

Acionista (nível direto)% ON% PN% totalPapel
Shine FIP (grupo Novonor)50,11%13,69%34,32%controlador + acordo
Petrobras47,03%21,93%36,15%controlador + acordo
ADRs0%29,22%12,67%free float
Outros2,84%25,93%12,84%free float

O evento societário aberto mais importante: em 11/06 o Shine FIP protocolou na CVM pedido de registro de OPA por 100% das ações ON e PN, oferecendo como contrapartida debêntures da NSP Inv. — no meio da mediação com credores e com o acordo de acionistas recém-aditado para disciplinar alçadas de recuperação judicial/extrajudicial. Minoritário de BRKM5 tem hoje três camadas de risco sobrepostas: o ciclo, a reestruturação da dívida e o desenho societário da saída. Recompras: nenhuma ativa (últimos programas encerrados em 2006–2008) — sem suporte de tesouraria para o papel.

Fatos relevantes & agenda — a cronologia da reestruturação

DataEvento
05–11/06Aditamento ao acordo de acionistas (alçadas de RJ/RE) · Shine FIP protocola OPA por 100% das ações na CVM
25/06Braskem inicia mediação (Câmara Wind) + tutela cautelar na 2ª Vara de Falências de SP; plano prevê linha nova de até US$ 1,5 bi; Chapter 15 nos EUA autorizado; ação cai −10,6% no dia
26/06Justiça defere: execuções suspensas por 60 dias · S&P rebaixa a D · Fitch corta IDR a C
10/07Conselho elege novo diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação
21/07Resposta a ofício CVM/B3: confirma negociação de reestruturação de ~R$ 50 bi e recusa de propostas de bondholders (incl. Elliott) — novo empréstimo com conversão em equity ou alongamento com todos os ativos em garantia; assessores contratados
12–13/08Agenda: divulgação do ITR 2T26 (reunião pública com analistas marcada para 12/11)

O prazo de 60 dias de blindagem judicial deferido em 26/06 vence no fim de agosto — logo após o balanço do 2T26 (12–13/08). É a janela em que mediação, proposta da companhia e contraproposta dos bondholders devem se resolver ou escalar.

Notícias — o que a imprensa registrou

DataManchete (síntese)
25/06Braskem inicia mediação na Câmara Wind e pede cautelar na Vara de Falências contra credores financeiros; plano prevê linha nova de até US$ 1,5 bi
25/06Papel cai mais de 10% no pregão com a notícia da mediação
26/06Braskem obtém suspensão de cobranças por 60 dias · S&P rebaixa de CCC− para D · Fitch reduz IDR de CC para C
29–30/06Braskem capitaneia perdas do IBOV em meio a saída de estrangeiros; junho fecha negativo
19/06 (resposta 23/06)Reportagem sobre risco geológico em Maceió: investigações da PF apontam conhecimento de risco de subsidência desde os anos 1980; companhia responde a ofício
21/07Imprensa detalha reestruturação de ~R$ 50 bi e recusa às propostas do Elliott e demais bondholders — confirmado em comunicado à CVM na mesma noite

Contexto macro — juro alto, nafta cara

Selic meta
14,25% a.a.
Focus fim de 2026: 14,00%
CDI / DI 1a
14,15%
curva longa: Tesouro 10a 14,71%
IPCA 12m
4,64%
Focus 2026: 5,15%
USD/BRL
5,08
Focus: 5,20 fim de 2026
Brent
US$ 91,41
+2,7% em 21/07
CDS Brasil 5a
125 bps
estável

O macro joga contra nas duas pontas. Custo de capital: com Tesouro 10 anos a 14,71% e juro real longo na casa de 9%, rolar e reprecificar R$ 51,8 bi de dívida bruta é proibitivo — é a aritmética que empurrou a companhia à mesa de mediação. Custo de insumo: Brent a US$ 91 (+2,7% só em 21/07) encarece a nafta — referência ARA dos contratos com a Petrobras — enquanto os spreads globais de resina seguem deprimidos pelo excesso de capacidade asiático; a margem EBITDA de 4–5% dos últimos 3 anos é o retrato desse aperto. O câmbio a R$ 5,08 (vs 5,89 no fim de 2025) alivia a dívida dolarizada na marcação — parte relevante do lucro contábil positivo do 1T26 — mas comprime a competitividade do produtor local contra importado.

Síntese — os pilares do caso

O que sustenta o papel
  • Opcionalidade dupla: ciclo petroquímico (EBITDA já fez R$ 9–30 bi em anos bons) + resolução negociada da dívida sem diluição total
  • Blindagem judicial de 60 dias + mediação estruturada; companhia rejeitou as propostas mais duras (sinal de que vê alternativa melhor)
  • Fluxo comprador persistente de UBS/BGC (R$ 334 mi em 12m) e short caro/lotado — combustível técnico para repiques violentos (squeeze)
  • Ativo industrial estratégico e insubstituível no Brasil, com controladores (Petrobras/Novonor) com interesse em preservar valor
O que pesa contra
  • Aritmética do balanço: DL de R$ 44,4 bi vs EBITDA LTM de R$ 2,4 bi; PL de −R$ 16,2 bi; FCO negativo — equity vale ≤ 0 em qualquer DCF a fluxo corrente
  • Propostas na mesa envolvem conversão em equity ou garantia sobre todos os ativos — ambas hostis ao minoritário
  • S&P em D, Fitch em C; put/call no percentil 98,5, GEX −R$ 573 mi (aceleração), IV >100% no curto: o mercado precifica desfecho binário iminente
  • Zero dividendos, zero recompra, zero compra de insider; OPA do controlador com contrapartida em debêntures adiciona risco de desenho societário
  • Passivo de Maceió segue fonte de notícia negativa e contingências

O preço de R$ 5,71 no fechamento de 21/07 embute, pelo exercício de múltiplos, um cenário de EBITDA de volta a ~R$ 7,5 bi a múltiplo cheio de setor e sem diluição — enquanto o livro de derivativos paga caro para se proteger do cenário oposto. Entre a mediação (blindagem até fim de agosto), o ITR 2T26 (12–13/08) e a OPA em análise na CVM, os catalisadores têm data. Este estudo dimensiona as camadas; a decisão é do leitor.