Estudo Fundamentalista — AXIA3 — Axia Energia — 13/07/2026

Dossiê AXIA3 (Axia Energia, ex-Eletrobras): P/VP 1,05×, EV/EBITDA normalizado ~8×, yield de caixa 17,6% e virada operacional no 1T26 (EBITDA +72,5% a/a).

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Estudo Fundamentalista

Estudo Fundamentalista — AXIA3 — Axia Energia — 13/07/2026

12/07/2026

Escolhida pelo pregão de 10/07: AXIA3 saltou +5,0% girando R$ 766 mi (6º maior volume da B3) e foi o 2º maior empurrão do Ibovespa (+373 pts) — no primeiro grande pregão sob a nova marca Axia Energia (ex-Eletrobras), logo após concluir o resgate das ações classe C da União.

Fechamento 10/07
R$ 54,30
+5,01% · R$ 766 mi
Market cap (ON)
R$ 127 bi
EV ~R$ 221 bi
P/VP
1,05×
2º menor do setor
EV/EBITDA (LTM)
16,1×
~8× normalizado
Yield caixa 12m
~17,6%
dividendos + JCP
ROE LTM
7,9%
abaixo dos pares
Dív. líq./EBITDA
6,8×
~2× normalizado
Retorno 12m
+84%
−20% do pico de abr

A Axia Energia — nome adotado pela ex-Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras) — é a maior companhia de energia elétrica da América Latina: ~44 GW de capacidade instalada de geração (17% do Brasil), majoritariamente hídrica, e 74.829 km de linhas de transmissão (36% da rede nacional acima de 230 kV). A tese aqui é de normalização pós-privatização: 2025 foi o vale do resultado (EBITDA de R$ 8,5 bi, margem de 20,6%, e um lucro só positivo por um crédito tributário de R$ 13,5 bi), mas o 1T26 já mostrou a margem operacional de volta a ~59% (EBITDA +72,5% a/a). O papel negocia a 1,05× o valor patrimonial e a ~8× o EV/EBITDA normalizado, com yield de caixa de ~17,6% em 12 meses. Contrapesos: alavancagem contábil elevada no EBITDA deprimido, passivos legados (empréstimos compulsórios, RBSE) e ROE ainda baixo (7,9%). O DCF adiante é estimativa com premissas — não é recomendação.

1 · A empresa & controle

Companhia privatizada em jun/2022, hoje de controle pulverizado — sem controlador definido. A União mantém ~29,9% do capital econômico, mas com voto limitado a 10% e 1 Ação Especial (golden share) com veto sobre estatuto e mudança de controle; BNDES + BNDESPar somam ~7,7%. Listada no Novo Mercado. O capital divide-se em ON (AXIA3), a linha líquida, e uma classe preferencial C (PNC) legada, em processo de resgate.

79,4%
ON — AXIA3

2.337 mi ações

20,6%
PN classe C

606 mi · em resgate

~62%
Free float / dispersos

controle pulverizado

29,9%
União

voto limitado a 10% + golden share

7,7%
BNDES + BNDESPar

participação relevante

A base de fundos ainda carrega o nome antigo — reflexo de quão recente é o rebrand. Entre 270 fundos (R$ 6,18 bi mapeados), o topo é dominado pelos Fundos Mútuos de Privatização FGTS-Eletrobras (cotistas que usaram o FGTS na privatização histórica), além de PREVI, Petros e o macro Kapitalo.

Caixa FMP-FGTS Eletrobras
R$ 1,61 bi
Itaú FMP-FGTS Eletrobras
R$ 1,04 bi
BB FMP-FGTS Eletrobras
R$ 578 mi
BTG FMP-FGTS Eletrobras
R$ 315 mi
Bradesco FMP-FGTS Eletrobras
R$ 306 mi
Caixa Eletrobras FIA
R$ 261 mi
PREVI Renda Variável Ativa
R$ 242 mi
Mistyque (BTG)
R$ 188 mi
Kapitalo Master I
R$ 137 mi
Petros Seleção Retorno Real
R$ 95 mi

2 · Preço & desempenho

Papel de +84% em 12 meses — de ~R$ 29 (jul/25) ao pico da série em R$ 67,12 (14/04/26) —, hoje ~20% abaixo desse topo após uma correção de −16% nos últimos 3 meses. Beta de 1,34 vs Ibovespa e volatilidade realizada de ~30% a.a. deixam claro que é um utility de comportamento mais cíclico que o normal do setor, no compasso da transformação.

6728
AXIA3 (fechamento)R$ · 12 meses (08/07/25 → 10/07/26)
6751
AXIA3 (90d)R$ · 90 pregões (02/03 → 10/07)
1 dia (10/07)
+4,65%
21 pregões
+3,37%
63 pregões
−16,04%
12 meses
+84,03%
YTD
+6,76%
Máx / mín 52s
67,84 / 27,60
Beta 252d
1,34
Vol. real. 252d
29,8%

3 · Resultados (5 anos)

A leitura da série exige cuidado: os números da Axia oscilam muito por itens não-recorrentes (empréstimos compulsórios, RBSE, revisões regulatórias e provisões). 2024 veio inflado (EBITDA de R$ 26 bi, margem de 65%); 2025 foi o vale (margem de 20,6%) e o lucro de R$ 6,56 bi só ficou positivo graças a +R$ 13,5 bi de efeito tributário — resultado antes de impostos foi negativo (qualidade baixa). O ponto de virada é o 1T26: margem EBITDA de volta a 58,6%, com FCO de R$ 14,5 bi em 2025 sustentando o carrego.

R$ bi20212022202320242025
Receita líq.37,634,137,240,241,3
EBITDA15,110,717,426,28,5
Margem EBITDA40,2%31,4%46,7%65,3%20,6%
Lucro líq.5,713,644,3910,386,56
ROE7,5%3,3%3,9%8,5%5,5%
Dív. líq./EBITDA2,8×4,3×2,7×1,9×6,8×
EBITDA 2021
R$ 15,1 bi
EBITDA 2022
R$ 10,7 bi
EBITDA 2023
R$ 17,4 bi
EBITDA 2024
R$ 26,2 bi
EBITDA 2025
R$ 8,5 bi (vale)
Receita 1T26
R$ 12,7 bi
+22,1% a/a
EBITDA 1T26
R$ 7,45 bi
+72,5% a/a
Margem EBITDA 1T26
58,6%
vs 20,6% em 2025
Lucro líq. 1T26
R$ 2,63 bi
LPA R$ 0,92

4 · Valuation — múltiplos & DCF

Contra os pares do setor elétrico, a Axia é barata no valor patrimonial (P/VP 1,05×, só atrás de ISA a 0,93×) mas opticamente cara no EV/EBITDA de 16,1× — distorção do EBITDA de 2025 deprimido. Sobre o EBITDA normalizado (run-rate do 1T26, ~R$ 28 bi), o EV/EBITDA cai para ~8×, alinhado à média. O ROE de 7,9% ainda está muito abaixo de CPFL (22,7%), Engie (17,3%) e Cemig (16,7%): fazer o ROE convergir é o núcleo do upside.

EmpresaP/LP/VPEV/EBITDADY %ROE %
AXIA3 · Axia13,31,0516,1~17,6¹7,9
CMIG4 · Cemig7,71,306,829,416,7
CPFE3 · CPFL9,62,186,57,822,7
EGIE3 · Engie15,02,608,017,017,3
CPLE3 · Copel17,11,959,622,411,4
EQTL3 · Equatorial33,41,839,28,05,5
ENGI11 · Energisa34,93,0712,56,58,8
TAEE11 · Taesa13,82,7211,713,519,7
ISAE4 · ISA8,60,938,711,910,7
ENEV3 · Eneva41,42,4311,05,9

¹ AXIA3: yield de caixa recorrente 12m (dividendos + JCP). O yield declarado LTM (~35%) inclui devolução extraordinária de capital pós-privatização; demais = DY 12m declarado. Preços de 10/07.

DCF — premissas explícitas

Fluxo de caixa livre à firma (FCFF) descontado, em dois cenários. Premissas: WACC de ~12,5% base (Ke ~18% = juro real longo ~7,6% da NTN-B + inflação Focus ~5,3% + β setor-ajustado ~1,0 × prêmio de 5%; Kd após impostos ~9,2%, ancorado nas debêntures recentes a IPCA+8,0%; estrutura D/E ~32/68), crescimento explícito de 6% por 5 anos e perpetuidade (Gordon) entre 4% e 6%. Dívida líquida de R$ 61 bi (1T26); ~2,94 bi de ações. Cenário conservador usa FCFF base de R$ 9,5 bi (FCO − capex nos níveis correntes); o normalizado usa R$ 13,5 bi (EBITDA no run-rate do 1T26).

Conservador — R$/ação (FCFF R$ 9,5 bi)

WACC \ g4,0%5,0%6,0%
11,0%31,438,247,7
12,5%22,226,431,9
14,0%15,618,522,0

Normalizado — R$/ação (FCFF R$ 13,5 bi)

WACC \ g4,0%5,0%6,0%
11,0%53,463,076,5
12,5%40,246,254,1
14,0%31,035,040,0

Com o preço em R$ 54,30, a faixa conservadora (R$ 16–48) fica abaixo do mercado e a normalizada (R$ 31–77) o abraça: na prática, o preço embute a normalização do EBITDA rumo ao run-rate do 1T26 a um WACC de ~12–13%. A distância do DCF conservador quantifica quanto do valor está em ativos que um FCFF de curto prazo não captura — recebível de RBSE, créditos tributários e o valor de reposição do parque hídrico. Estimativa com premissas; não é recomendação.

5 · Proventos

Política de retorno generosa e irregular (JCP + dividendos + devoluções de capital pós-privatização): o yield de caixa acumulado em 12 meses chega a ~17,6% na ON, bem acima do CDI (14,15%), embora inflado por distribuições extraordinárias. A última data-ex foi 14/11/2025 (dividendo de R$ 1,89/ON) e houve bonificação de ~26% em dez/2025. Não há provento futuro declarado na janela de 180 dias.

Yield de caixa 12m (ON)
~17,6%
dividendos + JCP
Última data-ex
14/11/2025
div. R$ 1,89/ON
Bonificação
+26,3%
ex 19/12/2025
Próximo provento
não declarado
janela 180d vazia

6 · Fluxo de players (ON — 12 meses × 3 meses)

No acumulado de 12 meses, o dinheiro estrangeiro liderou a compra (XP-intl +R$ 1,44 bi, UBS +R$ 1,35 bi, Goldman, JPMorgan) enquanto Itaú e Citi distribuíram. Nos últimos 3 meses, durante a correção de −16%, o padrão mudou: UBS seguiu comprando de forma persistente (73% dos dias) e o Itaú virou comprador, ao passo que JPMorgan e Ágora passaram a vender. Ou seja: o mesmo desk que mais acumulou no ano continuou apanhando na baixa. A perna PN (classe C, em resgate e ilíquida) não é coberta.

12 meses (252 pregões) — net R$

XP
+R$ 1,44 bi
UBS
+R$ 1,35 bi
BTG
+R$ 631 mi
Goldman
+R$ 538 mi
JP Morgan
+R$ 286 mi
Ideal
−R$ 376 mi
Terra
−R$ 405 mi
BGC
−R$ 439 mi
Citigroup
−R$ 764 mi
Itaú
−R$ 848 mi

3 meses (63 pregões) — net R$

UBS
+R$ 753 mi
Itaú
+R$ 543 mi
Genial
+R$ 200 mi
BTG
+R$ 171 mi
Merrill
+R$ 116 mi
Goldman
−R$ 118 mi
Morgan
−R$ 192 mi
Terra
−R$ 217 mi
Ágora
−R$ 404 mi
JP Morgan
−R$ 440 mi

Tape do pregão de 10/07: na ponta compradora Goldman (+887 mil @ R$ 53,64), Ativa, Citi, Safra e Merrill; na vendedora Genial, BGC, Itaú, Ideal e Morgan.

7 · Derivativos — Opções

Livro do vencimento de 17/07 com viés defensivo moderado: PCR de OI em 1,24 (mais puts), max pain e call wall em R$ 53 e put wall em R$ 48 (−11,5%). O GEX é positivo (+R$ 868 mi) — dealers comprados em gamma, regime de pinning/mean-reversion com gamma-zero em R$ 55,24 (logo acima do spot). A IV ATM (29,9%, rank ~40) está no meio da faixa e paga +3,4 pp sobre a volatilidade realizada; o skew (+2,9 pp) é o medo "normal" de ação (puts OTM mais caras), e a estrutura a termo em contango.

Vencimento ref.
17/07
5 pregões
Max pain
R$ 53
−2,3% vs spot
Call wall
R$ 53
OI 1,44 mi
Put wall
R$ 48
OI 2,32 mi · −11,5%
PCR (OI)
1,24
mais puts
GEX
+R$ 868 mi
dealer long gamma
Gamma-zero
R$ 55,24
+1,8% vs spot
IV ATM
29,9%
rank 40 · +3,4 pp vs RV

No detector de estruturas, sem montagem única clara, mas 17 diretas casadas de opções — 10 do BTG — assinatura de tesouraria: o BTG abriu blocos pareados no strike 56/56,5 (uma trava sintética de ~R$ 105 mi), consistentes com o funding à vista descrito adiante.

8 · Aluguel (BTB) & Termo

Ponto-chave de leitura: o estoque de aluguel explodiu +34% em 63 pregões para R$ 4,27 bi, mas a uma taxa simbólica de 0,04% a.a. — isto é funding/tesouraria (financiamento de posição à vista), não short direcional. O short interest é modesto (3,42% do capital, 4,29% do free float), o borrow é barato e abundante (percentil de taxa 35) e o days-to-cover de 7,7 não arma squeeze. O termo em aberto é irrelevante em tamanho (R$ 249 mi, 0,43 dia de volume).

Estoque BTB
R$ 4,27 bi
79,9 mi ações · +34% em 63d
Taxa (tomador)
0,04% a.a.
simbólica · funding
Short interest
3,42%
4,29% do free float
Days-to-cover
7,7
percentil taxa 35
Termo aberto
R$ 249 mi
preço impl. R$ 56,49
Termo Δ 63d
+51% ctr
0,43 dia de volume

9 · Papel nos índices

A Axia é um peso-pesado do Ibovespa (~4,64% da carteira) e figura ainda nos índices setoriais de energia elétrica (IEEX), utilidade pública (UTIL), no IBrX-100 e no dividendos (IDIV). No pregão de 10/07 foi o 2º maior motor do índice (+373 pts), atrás apenas de Itaú (+622 pts) e à frente de Bradesco, BTG e Vale. Pesos aproximados.

ITUB4
+622 pts
AXIA3
+373 pts
BBDC4
+316 pts
BPAC11
+262 pts
VALE3
+262 pts
ITSA4
+249 pts
SBSP3
+229 pts
B3SA3
+227 pts
ENEV3
+186 pts
PETR4
+140 pts

10 · Liquidez & risco de execução

Liquidez de primeira linha: ADTV de R$ 524 mi (US$ 99 mi), 8ª ação mais líquida da B3 (percentil 98,7), 2,61% do giro do mercado. Uma ordem de R$ 5 milhões representa menos de 1% do volume médio — execução folgada.

ADTV 12m
R$ 524 mi
US$ 99 mi
Ranking liquidez
#8 / 537
percentil 98,7
Share do mercado
2,61%
Negócios/dia
~25 mil
Ordem (R$)% do ADTVClasse
100 mil0,02%Operável
1 milhão0,19%Operável
5 milhões0,95%Operável

11 · Smart-money & fluxo qualitativo

O scanner de confluência não acusa sinais bullish alinhados na janela (sem net-buy relevante de insider, sem recompra ativa, sem short covering). No track-record de corretoras no papel (descritivo, não recomendação), a compra do JPMorgan tem sido o melhor sinal (edge +2,2%, acerto 62%) e a do C6/BGC o pior (fadear); o BTG aparece como contrarian (a venda dele antecede alta). Nuance importante ao cruzar com o fluxo: o maior acumulador (UBS) tem edge de compra ~zero — fluxo de agência/passivo —, enquanto o desk de edge alto (JPMorgan) virou vendedor nos últimos 3 meses.

CorretoraSinais compraEdge compraAcertoClasse
JP Morgan47+2,2%61,7%Seguir
Scotiabank23+2,0%65,2%Seguir
Ágora29+1,2%58,6%Seguir
C636−2,0%30,6%Fadear
BGC41−1,5%36,6%Fadear

12 · Governança & CVM 44

Nas negociações de administradores (CVM 44), o miúdo do último ano mostra diretores vendendo pequeno perto do topo (um diretor vendeu 15 mil ações a R$ 66,45 em 15/04, no pico) e conselheiros comprando lotes pequenos nas quedas (R$ 50–63) — saldo líquido de mercado ligeiramente vendedor. O agregado por cargo registra ainda uma grande posição vinculada ao Conselho (~73 mi ações), de natureza estrutural/vinculada — não pregão ordinário de insider; leia com cautela. A governança societária, por sua vez, é limpa: partes relacionadas somam R$ 1,40 bi sem qualquer empréstimo a controlador (apenas contratos operacionais de energia/transmissão com coligadas — São Manoel, Norte Energia, Jirau, Foz do Chapecó); auditor PwC estável desde 2019; remuneração 95% atrelada à meta variável com diluição por opções de apenas 0,36%.

Red-flags: nenhum material. A ressalva não é de governança, e sim de qualidade do resultado — o lucro de 2025 dependeu de crédito tributário e a companhia carrega passivos legados (compulsórios, RBSE). Maior remuneração individual de diretoria: R$ 20,06 mi (2025); bônus realizado R$ 29,07 mi (95% do alvo).

13 · Acionistas & recompras

Acionista% ONNatureza
Dispersos / free float~57,1Sem acordo · controle pulverizado
União Federal29,94Voto limitado a 10% + golden share
BNDES4,05Participação relevante
BNDESPar3,60Participação relevante

Sem controlador e sem acordo de acionistas. Em recompras não há programa ativo: o programa de 2023 (até 10% do capital, 229,7 mi ações) expirou em jul/2024 sem execução registrada. Ou seja, não há suporte de preço via buyback hoje.

14 · Fatos, comunicados & agenda

Densidade de eventos societários alta nas últimas semanas, quase todos ligados ao funding da transformação e à limpeza da estrutura de capital: conclusão do resgate das ações classe C (PNC) da União em 07/07 (R$ 52/ação); R$ 3,0 bi em crédito rotativo (BB, Bradesco e Itaú); 9ª emissão de debêntures de R$ 1,0 bi a IPCA+8,0036% (10 anos) e 10ª emissão de R$ 1,6–2,0 bi; R$ 1,4 bi na AXIA Sul + R$ 500 mi do BNDES; cessão de créditos contra a Amazonas Energia por R$ 554 mi; transação com a Eletronet (cabos OPGW, R$ 125 mi); arremate de 3 lotes no leilão de transmissão da ANEEL (capex ~R$ 550 mi); e S&P reafirmando o brAAA e elevando a nota de governança de negativa para neutra. No fluxo de imprensa taggeado, não houve manchetes específicas do novo nome na janela (cobertura ainda migrando de "Eletrobras" para "Axia") — o noticiário relevante é o societário acima.

Agenda: 23/07 — informe de governança (CGVN); 05/08 — resultado do 2T26 (ITR), o próximo catalisador que testa a normalização do 1T26; 04/11 — resultado do 3T26.

15 · Contexto macro

Cenário de juro alto: Selic em 14,25% (Focus vê 14,0% no fim de 2026), CDI de 14,15% e juro real longo implícito de ~7,6% (o mesmo que ancora as debêntures da Axia a IPCA+8%). Para um utility alavancado isso é faca de dois gumes: pressiona o custo da dívida e o valuation (desconto maior), mas a receita de transmissão (RAP) e boa parte da geração são indexadas ao IPCA — hedge natural de inflação. O earnings yield de 7,5% e o yield de caixa competem com a NTN-B; com a Selic no pico do ciclo, um eventual afrouxamento seria vento a favor para o setor.

Selic meta
14,25%
Focus fim-2026 14,0%
CDI
14,15%
NTN-B real (impl.)
~7,6%
deb. Axia IPCA+8%
IPCA 12m
4,64%
Focus 5,30%
USD/BRL
5,11
CDS 5A
124 pts

16 · Síntese

Forças

  • Maior companhia elétrica do país (44 GW; 36% da transmissão), com parque hídrico de baixo custo.
  • Receita indexada ao IPCA — hedge de inflação.
  • Virada operacional no 1T26 (EBITDA +72,5% a/a, margem 58,6%).
  • P/VP de 1,05× (barato vs setor) e ~8× EV/EBITDA normalizado.
  • Liquidez top-8 da bolsa; governança limpa pós-privatização (sem empréstimo a controlador, auditor estável).

Riscos

  • Resultado contábil volátil e dependente de itens não-recorrentes/tributários (lucro de 2025 salvo por crédito fiscal).
  • Alavancagem contábil alta no EBITDA deprimido; passivos legados (compulsórios, RBSE).
  • ROE de 7,9%, ainda muito abaixo dos pares.
  • Yield de caixa irregular; sem recompra ativa.
  • Execução da transformação é a tese — e não há controlador para tocá-la.

Como referência factual, o DCF conservador aponta R$ 16–48/ação e o normalizado R$ 31–77/ação; o preço de R$ 54,30 embute a normalização do EBITDA a um WACC de ~12–13%. Levantamento com premissas explícitas — não constitui recomendação de compra ou venda.