VVEO3 — Viveo (CM Hospitalar)

Viveo (VVEO3) executa aumento de capital de R$870mi a R$0,90 (deságio 30%, diluição de 966mi de ações) para desalavancar; ação virou penny stock a R$0,70 e aluguel explodiu +1.226%.

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Fundamentalista

VVEO3 — Viveo (CM Hospitalar)

30/06/2026

CM Hospitalar S.A. (marca Viveo) · Saúde / Comércio e Distribuição de Medicamentos · Novo Mercado · Ribeirão Preto (SP). Dados: cotação ao vivo 01/07; balanços CVM (5 anos); aluguel/fluxo até 30/06.

1. Capa & tese-resumo

Cotação (01/07)
R$ 0,70
penny stock
Receita 2025
R$ 11,57 bi
−0,1% YoY
Lucro líq. 2025
R$ 18,2 mi
margem 0,16%
Dívida líq./EBITDA
3,33×
alavancada
Aumento de capital
R$ 870 mi
a R$ 0,90/ação
Free float
99,1%
controle 37,5%

Tese em uma frase: a Viveo é a maior distribuidora de produtos para saúde do Brasil (R$ 11,6 bi de receita), mas atravessa uma crise de balanço — voltou ao lucro em 2025 (R$ 18 mi) depois de um prejuízo de R$ 1,4 bi em 2024, e agora executa um aumento de capital de R$ 870 mi a R$ 0,90/ação (deságio de ~30%) para desalavancar, diluindo massivamente a base (até 966 mi de novas ações contra 194 mi existentes). A ação virou penny stock a R$ 0,70 e vive o clássico regime de arbitragem do direito de subscrição.

2. A empresa & estrutura societária

A CM Hospitalar (Viveo) atua na distribuição de medicamentos, materiais hospitalares e serviços para o ecossistema de saúde — hospitais, clínicas e laboratórios. Listada no Novo Mercado desde maio de 2021, é controlada por um bloco de 37,53% do capital votante formado pelos fundos Genoma VI (21,61%) e Genoma I (15,58%), ligados à DNA Capital, sob acordo de acionistas. O free float é de 99,08% (só ON, sem PN), o que dá enorme sensibilidade do preço ao fluxo.

AcionistaTipo%ONControle
Genoma VI FIPdireto21,61%controlador+acordo
Genoma I FIPdireto15,58%controlador+acordo
Perea Capital PartnersEUA15,02%investimento
Dynamodireto8,97%→4,70%reduziu 30/06

A Perea Capital (EUA) declarou 15% em 05/06 (caráter de investimento). Em 30/06, a Dynamo comunicou redução de participação de 8,97% para 4,70% — saída relevante às vésperas do aumento de capital.

3. Preço & desempenho (12 meses)

VVEO3 D1, 12 meses: oscilou R$ 0,90–1,80 ao longo do ano; despencou de R$ 1,24 (25/06) para R$ 0,78 (26/06) no anúncio do aumento de capital, fundo em R$ 0,64 (29/06), fechando 01/07 em R$ 0,70.

O ano foi de volatilidade extrema típica de penny stock, entre R$ 0,83 (agosto/25) e R$ 1,84 (abril/26). O evento decisivo foi 26/06/2026: com o anúncio do aumento de capital a R$ 0,90, a ação abriu em gap de baixa e caiu de R$ 1,24 para R$ 0,78 num único pregão (−37%), com volume de 26,6 milhões de ações — cerca de 8× a média. Foi ao fundo de R$ 0,64 em 29/06 e desde então oscila ancorada perto do preço de subscrição (R$ 0,90). O +10,94% de 30/06 que a colocou como "top alta da Saúde" foi apenas um repique técnico dentro do tombo, não reversão de tendência.

4. Resultados (5 anos)

AnoReceitaEBITDALucro líq.Mg. EBITDAROEDL/EBITDA
20216,22 bi590 mi395 mi9,5%18,4%1,29×
20228,75 bi540 mi260 mi6,2%11,4%4,24×
202311,08 bi897 mi360 mi8,1%10,9%3,07×
202411,58 bi−552 mi−1,42 bi−4,8%−73,5%neg.
202511,57 bi862 mi18 mi7,5%0,9%3,33×

A trajetória conta a história: crescimento agressivo de receita (6,2 bi → 11,6 bi entre 2021 e 2023, muito via M&A) que estourou o balanço. 2024 foi o ano do desastre — prejuízo de R$ 1,42 bi e EBITDA negativo, ROE de −73%. Em 2025 houve recuperação operacional: EBITDA voltou a R$ 862 mi (margem 7,5%, a melhor desde 2023) e a empresa entregou lucro simbólico de R$ 18 mi, mas a receita parou de crescer (−0,1% YoY) e a margem líquida é de meros 0,16%. O 1T26 (divulgado em maio) mostrou receita de R$ 2,83 bi (+1,7%) e margem bruta expandindo a 15,8% — sinais de estabilização, mas alavancagem ainda em 3,88×.

5. O aumento de capital (o evento central)

Montante
até R$ 869,8 mi
Preço emissão
R$ 0,90
deságio 29,79%
Novas ações
até 966,4 mi
vs 194 mi atuais
Prazo subscrição
até 17/08/2026
47 dias

Aprovado em 26/06, o aumento por subscrição privada é massivamente diluitivo: até 966,4 milhões de novas ações ordinárias, quase 5× a base atual de 194,3 milhões. O preço de R$ 0,90 traz deságio de ~30% sobre a média dos 30 pregões anteriores. A integralização pode ser em dinheiro ou por capitalização de créditos de debêntures (CMPH14, VVEO15, VVEO16, VVEO17) — ou seja, é em boa parte uma conversão de dívida em capital para desalavancar. Isso conecta-se à reestruturação de debêntures aprovada em junho (vencimentos estendidos para 2034, carência até 2029, remuneração ajustada para CDI+1,70%). Subscrição mínima de 474,4 mi de ações (R$ 427 mi) admite homologação parcial.

6. Aluguel (BTB) — o combustível do short

Estoque BTB
R$ 12,5 mi
+1.226% em 5d
Short interest
3,96%
6,64% do free float
Days-to-cover
3,75
Taxa aluguel
2,56% a.a.
percentil 60

O aluguel de VVEO3 explodiu +1.226% em 5 dias e +1.000% em 21 dias — o maior movimento de aluguel do mercado. Esse é o fingerprint da arbitragem de subscrição: com a nova ação a R$ 0,90 e a ação em bolsa a R$ 0,70, quem tem o direito de subscrição vende a ação alugada no mercado à vista para travar o spread, disparando o estoque de BTB. Short interest de 3,96% (6,64% do float) e days-to-cover de 3,75 — número elevado que cria risco de squeeze caso o preço reaja acima de R$ 0,90.

7. Fluxo de players (12 meses / ~3 meses)

Top compradores líquidos (R$)

CorretoraSaldo
BTG+31,9 mi
JP Morgan+6,5 mi
XP+6,3 mi
Genial+6,2 mi

Top vendedores líquidos (R$)

CorretoraSaldo
Merrill−29,4 mi
UBS−8,4 mi
NovaFutura−3,7 mi
Santander−3,2 mi

Na janela retida (~249 pregões), o BTG acumulou +R$ 31,9 mi líquidos — o comprador mais persistente — contra a Merrill vendendo −R$ 29,4 mi. É um cabo de guerra entre casas. O preço caiu no período, então quem acumulou (BTG) comprou na baixa; se a tese de desalavancagem vingar, ficou bem posicionado.

8. Insiders (CVM 44) — administração comprando

DataCargoOperaçãoQtdPreço
22/04/26DiretoriaCompra10.0001,74
17/04/26DiretoriaCompra40.0001,65
02/04/26DiretoriaCompra20.0001,32
09/12/25DiretoriaCompra100.0001,55

Sinal qualitativo positivo: nos últimos 12 meses foram 10 negócios de insiders, todos de compra (net +408 mil ações, zero vendas), a preços entre R$ 0,93 e R$ 1,74. A diretoria vem comprando consistentemente — voto de confiança na recuperação, embora os preços de compra estejam bem acima do nível atual de R$ 0,70.

9. Governança — partes relacionadas

Há um contrato de mútuo conversível em ações com a coligada Drogaria X Farmácia (aporte à companhia para capital de giro), taxa de 1,73% e prazo de 3 anos, com saldo em aberto ao fim de 2025. É a única transação relevante com parte ligada sinalizada. Auditor e demais red-flags não apontaram irregularidades adicionais no material coletado.

10. Contexto macro & síntese

O pano de fundo macro é adverso para uma empresa alavancada: Selic em 14,25% e CDI a 14,29% tornam a dívida em CDI+spread cara — daí a urgência da desalavancagem via aumento de capital. A distribuição de saúde é defensiva quanto à demanda, mas o custo financeiro (resultado financeiro de −R$ 486 mi em 2025) devora o operacional.

Forças: líder de mercado (R$ 11,6 bi de receita); recuperação operacional em 2025 (EBITDA R$ 862 mi, margem bruta expandindo no 1T26); insiders comprando; BTG acumulando; reestruturação de debêntures alonga o passivo até 2034.

Riscos: diluição brutal (966 mi de novas ações a R$ 0,90); alavancagem ainda em 3,3–3,9×; margem líquida quase nula (0,16%); Selic alta encarecendo a dívida; Dynamo reduzindo posição; ação virou penny stock volátil com aluguel explodindo (+1.226%).

Referência factual: o preço de mercado (R$ 0,70) negocia com deságio sobre o preço de emissão (R$ 0,90), o que reflete a incerteza sobre a execução do aumento de capital e a diluição. Não é recomendação — dossiê factual.