ASAI3 — Sendas (Assaí): o que a ATIVA está enxergando

ATIVA acumulou +R$368M em 6 semanas absorvendo a venda dos estrangeiros, enquanto a alavancagem cai para o menor nível desde 2021 e o saldo de aluguel dispara.

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ASAI3 — Sendas (Assaí): o que a ATIVA está enxergando

02/06/2026 · Raio-X completo: resultados, fluxo, aluguel, opções e pano de fundo macro
O que salta aos olhos. Enquanto o resultado operacional patina sob deflação dos básicos e juro alto, há uma mão grande comprando o papel de forma persistente — a Ativa acumulou +R$368 milhões (41,3 milhões de ações) nas últimas seis semanas, quase metade de todo o volume negociado, comprando exatamente o que Morgan, UBS, Goldman e BTG estão vendendo. Some-se a isso o saldo de aluguel disparando, insiders comprando e a desalavancagem entregue, e temos um caso em que o fluxo e o balanço contam uma história diferente da manchete do último trimestre. Este estudo organiza os números; a leitura fica com cada um.
R$ 8,75
Cotação (último fech.)
R$ 11,7 bi
Valor de mercado
5,2x
EV/EBITDA
13,9x
P/L ajustado
2,52x
Dív. Líq./EBITDA
+R$ 368 mi
Acúmulo Ativa (6 sem.)

A empresa

Sendas Distribuidora S.A. (Assaí) é a segunda maior operadora de atacarejo do Brasil, modelo cash & carry que atende do pequeno transformador ao consumidor final. Listada no Novo Mercado desde out/2021 após o spin-off do GPA, virou uma corporation de capital pulverizado (free float ~70%) depois da saída integral do Casino em 2023. O comando segue com Belmiro Gomes (CEO e DRI). São 313 lojas em operação ao fim do 1T26, com plano de ~10 aberturas/ano e capex de R$ 1,0–1,2 bi. CNPJ 06.057.223/0001-71; 1,342 bilhão de ações ordinárias.

Resultados e balanço

2025 foi o ano da disciplina financeira. A companhia entregou a meta de desalavancagem com folga e o mercado premiou: a ação subiu quase 29% no acumulado do ano até a divulgação do 4T25, antes de devolver parte com o 1T26.

Indicador2025 (ano)1T26Comentário
Receita líquidaR$ 77,3 bi (+4,7%)R$ 18,64 bi (+0,5%)Crescimento freado pela deflação dos básicos
Receita brutaR$ 84,7 bi (+5,2%)R$ 20,6 bi (+1,7%)
EBITDA ajustadoR$ 4,5 bi (margem 5,8%)R$ 1,025 bi (margem 5,5%)1T26 abaixo do consenso (R$ 1,39 bi)
Lucro líquido reportadoR$ 699 miR$ 86 mi (-46,7%)1T26 mexido por créditos de PIS/Cofins
Lucro recorrenteR$ 847 mi (aj.)R$ 174 mi (+7,3%)Operação mais sadia do que a manchete
Resultado financeiro-R$ 564 mi (3,0% da ROL)O grande vilão: CDI médio 3,37% no tri
Dívida líquida~R$ 11,3 biR$ 11,5 biRedução de R$ 1,2 bi no ano
Dív. Líq./EBITDA2,56x2,52xMenor desde o fim de 2021
Geração de caixa livreR$ 2,8 biConversão de 84% do EBITDA
Vendas mesmas lojas-0,9%Deflação de ~12% em arroz, feijão, açúcar

A leitura: o motor operacional gira em marcha lenta — consumidor de baixa renda endividado, deflação nos itens essenciais e até o efeito estrutural dos emagrecedores GLP-1 sobre a cesta calórica (tese levantada pelo Itaú BBA). Em compensação, a história de balanço funcionou: dívida caindo, caixa de R$ 7,5 bi disponível e o financeiro como o único item realmente machucando o lucro. É exatamente o tipo de empresa cujo lucro responde rápido quando o juro vira.

Fluxo — o coração do estudo

Aqui mora o sinal mais forte. Mapeando a corretora compradora e vendedora trade a trade na B3, o quadro das últimas seis semanas (15/abr a 01/jun) é inequívoco:

CorretoraSaldo líquido (R$)Ações (líq.)Lado
Ativa+368,3 mi+41,3 miMaior ACUMULADOR
Morgan Stanley-109,6 mi-12,8 miMaior distribuidor
BTG-65,6 mi-7,1 miDistribuição
UBS-55,7 mi-6,6 miDistribuição
Goldman Sachs-45,3 mi-4,8 miDistribuição
Itaú-33,7 mi-3,8 miDistribuição
XP+33,9 mi+4,1 miAcumulação (varejo)

Só na última semana (26/mai a 01/jun) a Ativa concentrou 48% de todo o volume do papel e respondeu por 43% de toda a ponta compradora, com saldo de +R$ 300 milhões num único intervalo de cinco pregões. O preço médio de compra da casa ficou em ~R$ 8,93. Não é fluxo de varejo pulverizado: é acumulação concentrada, paciente, comprando contra a saída coordenada das tesourarias estrangeiras. Quando uma única corretora absorve metade do book de uma ação do Ibovespa por semanas seguidas, normalmente há um mandato grande por trás — um fundo montando posição relevante, uma recompra estruturada ou um movimento societário em formação.

Aluguel de ações (BTB)

O saldo de aluguel — proxy de posição vendida — saltou de 62,4 milhões para 81,0 milhões de ações em uma única semana (+30%), equivalente a ~R$ 714 milhões a preço médio de R$ 8,79.

DataSaldo (ações)Saldo (R$)
26/0562,4 miR$ 541,6 mi
27/0564,3 miR$ 559,7 mi
28/0569,0 miR$ 607,7 mi
29/0576,4 miR$ 674,7 mi
01/0681,0 miR$ 713,7 mi

Essa combinação é a parte mais interessante do caso: short subindo forte ao mesmo tempo em que uma mão única acumula com agressividade. São duas leituras possíveis sobre a mesma mesa — uma estrutura que pode virar combustível de squeeze se o preço reagir, ou um teto pesado caso os vendidos estejam certos. O dado fica registrado para acompanhamento.

Opções e termo

No vencimento de junho/26, a estrutura aponta resistência (call wall) em R$ 9,40, suporte (put wall) entre R$ 8,50 e R$ 9,10 e max pain em R$ 9,40–9,50 — ou seja, o ponto de menor dor para os lançadores está acima do preço atual. Em mercados de pinning, isso costuma exercer uma leve atração do preço para a faixa de R$ 9,40 até o vencimento. O mercado a termo é irrelevante (~3,2 mi de ações, R$ 31 mi). Há ainda volume expressivo de puts em aberto em strikes baixos (séries 8,50/8,10), proteção típica de carteira.

Quem carrega o papel

São 146 fundos com posição em ASAI3. O destaque isolado é o Snapper Rocks (gestão BTG Pactual), com ~144,7 milhões de ações (R$ 1,28 bi) — uma posição relevante para uma única estratégia. O restante é dominado por indexados (iShares Ibovespa e Small Cap, IT Now) e alguns ativos (Absolute Pace, Previ). Do lado de dentro de casa, os insiders foram compradores líquidos no último ano (quatro compras contra uma venda), com destaque para uma aquisição de 135 mil ações (~R$ 1,27 mi) em abril/26.

Pano de fundo macro

IndicadorAtualLeitura para ASAI3
Selic meta14,50% (COPOM 17/06)Peso máximo — empresa alavancada
Focus Selic (fim de 2026)13,25%Corte à frente = alívio direto
CDI14,40%Encarece o financeiro (-R$ 564 mi/tri)
IPCA a/a4,39%Inflação contida; básicos em deflação
Desemprego5,8%Mercado de trabalho forte sustenta volume
Dólar (PTAX)R$ 5,03Neutro para o case doméstico

O resumo macro é quase uma alavanca de um botão só: o juro. Assaí é uma operação de margem fina e dívida relevante, então cada ponto de Selic pesa direto no resultado financeiro — e o financeiro é justamente o que está comendo o lucro hoje. O mesmo mecanismo joga a favor no caminho inverso: se o ciclo de corte projetado no Focus se materializar no segundo semestre, o alívio cai diretamente no lucro e na taxa de desconto que o mercado aplica ao papel.

Onde o papel negocia

Aos preços atuais, ASAI3 é avaliada em ~5,2x EV/EBITDA e 13,9x lucro ajustado, com dívida líquida de R$ 11,5 bi sobre 1,342 bilhão de ações. São múltiplos comprimidos frente ao próprio histórico da companhia desde o IPO, refletindo o ambiente de juro alto e a desaceleração das vendas. O caso de reprecificação, quando discutido pelo mercado, gira muito mais em torno da curva de juros do que da operação em si — um corte de Selic tende a aliviar tanto o resultado financeiro quanto a taxa de desconto aplicada ao fluxo de caixa.

Resumo. Operação morna, balanço saudável, fluxo quente. A Ativa está comprando o que o mundo está vendendo, o aluguel está subindo e o juro segue como o principal fator de oscilação do papel. Os dados estão na mesa para acompanhamento.

Estudo elaborado com dados de CVM, B3 e RI da companhia via Trade Hunter. Conteúdo de caráter analítico e educacional, não constitui recomendação individualizada de investimento na forma da Resolução CVM 178. Decisões são de responsabilidade do investidor.